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Lixo que gera energia elétrica

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Já parou para pensar quanto lixo você joga fora no seu dia-a-dia? A estimativa é de que cada brasileiro produza, em média, 379,2 quilos de lixo por ano. Isto é mais de um quilo de resíduos descartados por dia, por cada habitante, de cada município brasileiro, segundo estudo do Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil em 2020.

Já parou para pensar quanto lixo você joga fora no seu dia-a-dia? A estimativa é de que cada brasileiro produza, em média, 379,2 quilos de lixo por ano. Isto é mais de um quilo de resíduos descartados por dia, por cada habitante, de cada município brasileiro, segundo estudo do Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil em 2020.

Quer se espantar mais? Lembre-se que o nosso país abriga 210 milhões de pessoas, que todo santo dia, produzem mais e mais resíduos, recicláveis e não recicláveis, como os derivados plásticos das muitas embalagens que descartamos, papeis, madeira, lixo eletrônico (celulares, baterias, notebooks), metais, vidros, e muitos outros. Fato é, produzimos muito lixo e a cada dia, aumentamos essa cota.

Mas é muito importante sempre lembrarmos que, infelizmente, o lixo produzido, não some com um estalar de dedos quando você o bota para fora de sua casa na sacolinha do mercado. Por mais óbvio que pareça, mesmo que o caminhão da coleta passe, ou as ruas sejam varridas, os resíduos ainda permanecem a nossa volta e trazem grande impacto no nosso dia-a-dia.

Maior parte dos resíduos produzidos por todos nós sequer passam por coleta dentro do nosso país. Não estou nem falando de reciclagem, coleta mesmo, ou seja, o lixeiro ir buscar a sua sacolinha do lado de fora de casa. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre o saneamento, mais de 1 mil municípios brasileiros não disponibilizam coleta de lixo domiciliar para toda a população urbana.

E se a coleta, que na teoria é o processo mais fácil de todos já enfrenta dificuldades, imagine só onde tudo isso, quando coletado é despejado. Mais de 40% dos resíduos sólidos urbanos, são despejados nos mais de três mil lixões espalhados por todo país, que contaminam por anos o nosso solo, a nossa água e acima de tudo, trazem graves prejuízos à nossa saúde.

O fim dos lixões que não tem fim

Tudo parecia que iria mudar em 2010, com a nova Política de Resíduos Sólidos que determinou um prazo de quatro anos para que todos os locais de descarte irregulares fossem desativados. Não preciso nem dizer que essa política não deu nada certo, e ironicamente, os lixões até aumentaram à época. Contudo, em 2020, foi assinado o Marco do Saneamento Brasileiro, que estabeleceu um novo prazo para o fim dos lixões nos municípios brasileiros.

De acordo com o instituto, todas as capitais e regiões metropolitanas tem até o próximo dia 2 de agosto – é rir para não chorar - para acabarem com os seus locais de descarte inadequado de resíduos. Enquanto isso, cidades com mais de 100 mil habitantes tem até 2022 e cidades menores, até 2024. Mas, especialistas em descartes de lixo afirmam que, com o ritmo que o Brasil encontra-se, só teremos resultados efetivos lá para 2040.

Luxo que vem do lixo

Marcelo Barros, administrador de formação, atua há pelo menos 30 anos no mercado de soluções energéticas e explica que o descarte de resíduos nos aterros sanitários não é nem de longe a melhor solução, tanto para o meio ambiente, como para a própria cidade.

"O descarte de lixo nos aterros sanitários é um processo delicado. Quando utilizamos esse método de descarte de resíduos, há chances de vários riscos de acidentes ambientais que vão desde a contaminação dos lençóis freáticos até o risco de explosões por conta dos gases emitidos pelo lixo. No fim das contas, todo material continua acumulado no local durante décadas, até que o aterro esteja no limite. Posteriormente, novos aterros são abertos e os antigos ainda continuam poluindo”, explica Marcelo.

"Hoje, existem soluções inteligentes de usinas de tratamento, que conseguem, de forma automatizada, separar os materiais recicláveis, incinerar o lixo e ainda produzir energia elétrica e combustível. No longo prazo, a história já provou que projetos como estes podem ser extremamente rentáveis para a população - que ganha com empregos, para o município - que produz energia, e para o meio ambiente - que reduz drasticamente os impactos ambientais."

Soluções como estas já são amplamente usadas na Europa, como exemplo, em Oslo, capital da Noruega, onde metade da cidade é aquecida pela queima de lixo e grande parte da sua energia elétrica é produzida. Qual a problemática norueguesa? Eles não têm mais lixo para queimar e hoje, chegam a ter que importar lixo da Inglaterra e da Irlanda.

 Esperamos que um dia, a problemática do lixo brasileira seja como a norueguesa e a nossa maior preocupação seja em como comprar os resíduos alheios para produzir energia, e não em como faremos para regulamentar o serviço mais básico de toda cadeia, a coleta.

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STJ autoriza cultivo da maconha o uso medicinal

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Em decisão inédita no Brasil, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a três pessoas, o plantio de maconha de forma artesanal para uso medicinal. Com a decisão, os beneficiários poderão cultivar cannabis para extrair o óleo de canabidiol, medicamento importante para o tratamento de doenças como epilepsia, mal de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica, esquizofrenia, dentre outras.

Em decisão inédita no Brasil, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a três pessoas, o plantio de maconha de forma artesanal para uso medicinal. Com a decisão, os beneficiários poderão cultivar cannabis para extrair o óleo de canabidiol, medicamento importante para o tratamento de doenças como epilepsia, mal de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica, esquizofrenia, dentre outras.

O uso de produtos derivados da cannabis se mostra muito efetivo e já é autorizado no Brasil, contudo, somente mediante a importação do medicamento, o que torna o tratamento muito caro aos pacientes. Hoje, pela lei, o plantio é totalmente proibido por lei, até mesmo para as indústrias farmacêuticas.

Despacho gratuito de malas é vetado

A Câmara dos Deputados aprovou no final de maio uma emenda que obrigava o reestabelecimento do despacho gratuito de uma bagagem por passageiro, de até 23 quilos, em voos nacionais e internacionais. Grande número de parlamentares destacou que as empresas aéreas mentiram ao afirmarem que abaixariam os custos das passagens caso pudessem cobrar pelas malas. Contudo, na última terça-feira, 14, o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu a todos e vetou o projeto com a justificativa de que a aprovação da emenda seria “contrário ao interesse público”, segundo o Palácio do Planalto.

Projeto para limitar ICMS dos combustíveis vai a votação

O ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços - é um tributo pago à competência estadual que atualmente compõe grande parte do valor dos combustíveis e consequentemente, tem sua parcela de culpa na composição do seu valor elevado. No intuito de viabilizar uma gasolina mais barata, a medida visa limitar o percentual do imposto estadual. Governadores falam em um prejuízo de arrecadação em torno de R$ 100 bilhões. O texto, por ora, já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, sofreu alterações no Senado, e por isso, necessitou se reavaliado até ser novamente aprovado.

Desaparecimento na Amazônia

O desaparecimento do jornalista inglês, Dom Phillips, e do indigenista e servidor da Funai, Bruno Pereira, já dura 12 dias e a falta de desfecho nas investigações, revolta grupos de militantes e familiares dos desparecidos. Rumores do jornal The Guardian, apontam que dois corpos foram encontrados em local de mata fechada e amarrados, mas a Polícia Federal nega. Em vídeos gravados durante a pandemia, Bruno Pereira denunciava o perigo que garimpeiros, caçadores, traficantes e pescadores ilegais representavam para as terras indígenas.

Guerra da Ucrânia já dura mais de 100 dias

Os embates entre Rússia e Ucrânia parecem não ter fim. Já são quase 50 mil soldados mortos e 14 milhões de pessoas deslocadas de suas casas, neste conflito que começou em 24 de fevereiro deste ano, é o que diz o conselheiro de Volomyr Zelensky, presidente ucraniano. Russos continuam bombardeando cidades e aos poucos, invadindo território e batalhas cada vez mais “vitais” para os rumos da guerra.

Substituto do Mc Donalds abre as portas na Rússia

Em meio às muitas sanções econômicas sofridas pela Rússia em decorrência da guerra, a gigante americana de fast-foods, Mc Donalds, oficialmente encerrou suas operações no país. no último domingo, 12, feriado local, em resposta, os russos celebraram a inauguração de sua mais nova rede de hambúrgueres do país chamada “Vkousno i Totchka”, que significa “Delicioso e ponto final”. O novo negócio pertence a Alexander Gordov, co-fundador de uma empresa de refinamento de petróleo na Sibéria. Os novos restaurantes irão operar com novo nome e logotipo, mas nos mesmos locais e com pratos quase idênticos aos da rede americana de fast-food.

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“CPI dos Sertanejos” e Lei Rouanet

quinta-feira, 09 de junho de 2022

Uma declaração do artista Zé Neto durante show no Mato Grosso, no meio do mês passado, reverberou e vem abalando o mundo milionário dos sertanejos. Após a alfinetada do cantor à Anitta e a Lei Rouanet, internautas, por conta própria começaram a buscar sobre valores de cachês pagos por prefeituras e órgãos públicos para artistas que se apresentam em shows por todo país.

Uma declaração do artista Zé Neto durante show no Mato Grosso, no meio do mês passado, reverberou e vem abalando o mundo milionário dos sertanejos. Após a alfinetada do cantor à Anitta e a Lei Rouanet, internautas, por conta própria começaram a buscar sobre valores de cachês pagos por prefeituras e órgãos públicos para artistas que se apresentam em shows por todo país.

 A polêmica declaração acabou respingando em uma série de artistas da indústria sertaneja, e incentivou a abertura de investigação de muitos contratos – grande parte sem licitação – com valores milionários por parte do Ministério Público. A #CPIdosSertanejos está reacendendo o debate do incentivo à cultura no Brasil.

Piada virou investigação

Durante um show, no Mato Grosso, em maio a declaração do artista Zé Neto trouxe à tona algumas polêmicas que vem abalando o mundo milionário dos cantores sertanejos. O artista, em um show, afirmou: “Não dependemos da Lei Rouanet, nosso cachê quem paga é o povo.” Em seguida, disparou: “A gente não precisa fazer tatuagem no ‘t*ba’ para mostrarmos se estamos bem ou não”.

Os comentários do cantor deram a entender de que ele estaria falando da cantora pop, Anitta, que mostrou publicamente que fez uma tatuagem íntima. Fato é que, com tatuagem ou sem tatuagem em locais delicados, o tiro saiu pela culatra e a declaração de Zé Neto trouxe à tona um verdadeiro embate polarizado politicamente, acerca dos gastos em cultura no país.

Em meio às declarações do cantor sertanejo, fãs e famosos decidiram investigar um pouco mais a fundo. E passaram a publicar em suas redes sociais muitos contratos pactuados pelas prefeituras e os artistas para a realização dos shows, pagos sem licitação. Polêmica!

Zé Neto tinha total razão ao dizer que o dinheiro gasto no show deles era de origem pública, contudo, os números vieram a assustar um pouco. Ao que parece quem jogou a pedra, tinha teto de vidro. A prefeitura de Sorriso, no Mato Grosso, gastou a bagatela de R$ 400 mil na contratação da dupla artística sertaneja, mas conta com apenas 90 mil habitantes.

Apenas um estopim. Ministérios públicos de vários estados começaram uma série de investigações de contratos feitos com outros cantores sertanejos. Em São Luiz, menor município de Roraima, paupérrimo, com apenas oito mil habitantes, pagou um cachê de R$ 800 mil para o cantor Gusttavo Lima. Até aí, ok! Se o orçamento do ano para merenda, transporte escolar e Vigilância Sanitária, somados, não fosse de apenas R$ 180 mil.

Mesmo sem energia elétrica para toda população, saneamento básico, asfalto ou postos de saúde, 48 cidades investigadas – com menos de 50 mil habitantes – investiram mais de R$ 14 milhões em shows de cantores sertanejos nesse ano eleitoral. Grande parte das cidades contratantes dos shows receberam R$ 28,5 milhões diretamente de Brasília, contudo dos 48 shows bancados com a verba pública, em apenas 35 é possível consultar o cachê pago.

Dentre eles, a cidade de Mar Vermelho, em Alagoas, que gastou R$ 370 mil para a apresentação do cantor Luan Santana, apenas dois meses antes das eleições. O município está entre os 100 com menor renda no país. Apenas 14,9% das casas possuem saneamento básico em uma cidade com apenas 3.474 habitantes. Somente 24% das moradias tem pavimentação adequada e, até 2019, só 9,4% da população estava empregada.

Depois dos shows sertanejos, os religiosos também entraram na mira das CPI’s. Pertinho da gente, o famoso festival do Tomate, em Paty dos Alferes, no Sul fluminense, passou a ser alvo de denúncias pelo motivo do dinheiro público para programação religiosa ter sido usado apenas para atender a programação de fiéis de vertentes evangélicas, deixando de fora, católicos e umbandistas.

No fim das contas, Zé Neto e Gusttavo Lima foram às redes sociais pedirem desculpas. Ainda não existe formalmente uma CPI instalada. Há promessas, mas até então, somente especulação e investigação. Mas enfim, qual a diferença entre a Lei Rouanet e o dinheiro público?

Lei Rouanet x dinheiro público

 A Lei Rouanet é um incentivo fiscal. Ou seja: é um investimento indireto, em que o governo abre mão de impostos que tem a receber das empresas e elas investem esse imposto em projetos culturais. Há um crivo do governo, mas a empresa acaba indicando os artistas que tenham uma identidade artística que tenha a ver com a imagem que querem passar. Evidentemente, tem sua problemática.

Mas para resumo da ópera: a Lei Rouanet é um dinheiro que deveria ser pago aos cofres públicos, mas é revertido em shows pelas empresas. As verbas públicas, somos nós que pagamos. Farinha do mesmo saco, apenas muda o posicionamento político de quem defende.

No fim das contas: É ilegal financiar shows com dinheiro público? Obviamente, que não! Mas, a partir do momento em que se critica artistas que fazem uso da Lei Rouanet, é no mínimo contraditório aceitar verbas públicas espantosas. Deixemos a politicagem de lado!

O incentivo à cultura é necessário, afinal, o que seriamos de nós sem a cultura? Uma população sem identidade. Não podem existir os abusos como vem acontecendo. Tudo deve ser contratado dentro da legalidade (licitação), impessoalidade (sem lado A ou B), moralidade (de um respeito), publicidade (transparência) e eficiência (necessário, somente o necessário, o extraordinário, é demais). Assim que deveria ser.

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Brasil andando para trás

quinta-feira, 02 de junho de 2022

Desde a eclosão do fenômeno meteórico e devastador da Covid-19, a vida que já andava mal, agora só parece piorar. Aos mais otimistas, tempos melhores virão. Aos mais pessimistas – realistas, talvez – será extremamente difícil recuperarmos rapidamente a qualidade de vida que um dia desfrutamos.

Desde a eclosão do fenômeno meteórico e devastador da Covid-19, a vida que já andava mal, agora só parece piorar. Aos mais otimistas, tempos melhores virão. Aos mais pessimistas – realistas, talvez – será extremamente difícil recuperarmos rapidamente a qualidade de vida que um dia desfrutamos.

O Brasil, sem a menor dúvida, vive o momento mais delicado dos seus últimos tempos. Ano de eleição, polarização, nervos a flor da pele em discussões acaloradas – “quem é melhor, o lado A ou o lado B?” -, salários baixos, inflação alta, dólar caro, tudo caro, falta de segurança, desemprego em massa, e o desespero com o dia de amanhã. Vivemos uma crise instaurada em nosso país: financeira e política.

2022 ou anos 80?

Se antes podíamos encher o carrinho de compras com R$ 100, hoje, a situação é bem diferente. Não muito distante, há cinco anos, era possível comprar carne, frango, leite, presunto, mussarela e óleo com essa quantia e rendia até troco. Hoje, só o básico: arroz, café, feijão, uma carne – de segunda – açúcar, café e olhe lá se não precisar complementar.

A inflação galga a passos largos, nosso dinheiro se desvaloriza e o poder de compra do brasileiro caiu 31%. Assim, precisamos esforçar mais para ‘tentar’ manter o padrão, que por vezes parece estar fadado ao insucesso, já que esses aumentos de preço afetam tanto os produtos básicos do dia-a-dia.

A inflação sempre existiu. É fato! Contudo, por mais que os preços subissem, os salários mínimos buscavam acompanhar razoavelmente para garantir ao menos a ‘sobrevivência’ da população, algo que não consegue nem ser feito desde o começo da pandemia. Todos nós sentimos, mas quem mais sofre, são as camadas mais pobres.

E não difícil de acreditar, o Brasil voltou para o mapa da fome! Para termos noção da gravidade, em 2014 até 2016, o número de famintos era 3,9 milhões. Entre 2016 e 2018, aumentou, 7,5 milhões. Hoje, 10.3 milhões de brasileiros estão – em termos técnicos e poéticos – em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, fome!

Em um país que produz alimentos suficientes para dar de comer a todos os habitantes, a fome soa nada mais do que um crime e reflexo da crescente desigualdade desse país que cada dia mais aumenta! E o que vem sendo sido pensado pelos nossos políticos e candidatos? A prioridade é: eleição, fundo eleitoral, alianças, redução no valor de impostos sob armas de fogo e sob arrendamento de aviões.

Bom, com tanta gente passando fome e morrendo, porque estamos falando em armas? Soa irônico e incoerente. Por sinal, até alguns estados dos EUA, estão pensando em rever suas políticas, visto que “fugiram um pouco do esperado” e nós estamos indo da direção contrária. Afinal, nos EUA, nos últimos 52 anos, foram 2.054 casos de tiroteios em massa. Não, acredite você não leu errado! E ainda, desde 2009, foram 274 tiroteios em massa, com 1.500 baleados e 1.000 mortos.

De outro lado, as mortes violentas sobem 81% no Brasil, de acordo com os cartórios do Registro Civil. O desmatamento cresce 56% na Amazônia e o desemprego afeta 11 milhões de pessoas no país, diz o IBGE. Sites de expressão estão ensinando como usar fogão à lenha para economizar o gás que está caro; a carne virou artigo de luxo; educação e pesquisas sofrem cortes. Parte da população quer voltar com o voto em papel. Estamos rediscutindo democracia e liberdade de expressão.

Ah, não sei você, mas esse não era o futuro que nenhum de nós imaginava. Em vez de traçarmos planos para melhorarmos nossa saúde, diminuir o desemprego, abaixarmos os valores dos bens de consumo e serviços, acabarmos com a intolerância e fomentarmos o nosso desenvolvimento, estamos buscando remédios para problemas antigos.

Parece que desde então só andamos para trás e ficando cada vez mais distantes do ideal. A sensação que temos, por vezes é que voltamos aos anos 1980 e nos estacionamos lá: inflação descontrolada, dólar nas alturas, miséria generalizada, desemprego, militares envolvidos com a política e um mundo totalmente polarizado e inflamado pelo ódio, em que ou você é do lado A ou do lado B, relembrando os tempos de guerra fria.

Nada parece melhorar, tudo só piora a cada dia. O sentimento é que estamos andando para trás, vendados, esperando o momento em que cairemos, repentinamente, no precipício. Às vezes me pergunto se um Brasil melhor seria um sonho de criança, dentro de um mundo de fantasia, ou se é uma esperança de um adulto, que continua iludido.

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Algo que não encolhe com o frio é o turismo

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Chegamos àquele momento do ano em que tiramos os agasalhos guardados no armário e passamos o dia inteiro espirrando com muita alergia. Tempos de rinite, sinusite, bronquite e até estalactite. São os memoráveis dias do "tira casaco" e fica com frio, "bota casaco" e fica com calor. Amado por muitos e odiado também por muitos, chegou o frio e com muita antecedência!

Chegamos àquele momento do ano em que tiramos os agasalhos guardados no armário e passamos o dia inteiro espirrando com muita alergia. Tempos de rinite, sinusite, bronquite e até estalactite. São os memoráveis dias do "tira casaco" e fica com frio, "bota casaco" e fica com calor. Amado por muitos e odiado também por muitos, chegou o frio e com muita antecedência!

Nas épocas de calor, nós friburguenses fugimos aos montes para a Região dos Lagos e para a capital, contudo, se é para sentir frio, o movimento é contrário e muitas pessoas aproveitam para conhecer um pouco mais sobre nossa cidade. Apesar de todas as problemáticas que vêm de brinde com o clima frio, a chegada do inverno tem todo o seu saudosismo e suas peculiaridades únicas que fomentam e muito o número de visitantes na nossa região.

Frio aquece a economia

As baixas temperaturas são muito esperadas por muitos comerciantes que estão na expectativa de se reerguerem financeiramente num momento de crise pós-pandemia de Covid-19. Hotéis, agências de turismo, restaurantes, lojas de roupas são apenas alguns dos setores que saem muito beneficiados e geram empregos diretos e temporários com o crescimento do turismo na cidade.

E ao contrário do que muitos pensam todos nós saímos beneficiados com o turismo e nem mesmo nos damos conta disso. É o que explica Gabriel Alves, consultor de investimentos e colunista de A VOZ DA SERRA: “O dinheiro advindo do turismo aumenta a quantia de capital circulante na cidade, uma vez que ele vem de fora e é injetado na nossa economia, circulando de múltiplas formas. Mesmo que você não trabalhe com o turismo, esse dinheiro de uma forma ou de outra pode chegar até você”, observa ele.

Em Minas Gerais, por exemplo, de acordo com a Associação das Agências de Viagem, com a chegada da frente fria e a queda das temperaturas, houve o aumento da procura pelas cidades mais geladas do estado vizinho em 15%. Em Petrópolis, devastada pelas chuvas em fevereiro deste ano, o comércio já mostra grande recuperação nas vendas. Em Teresópolis, a ocupação da rede hoteleira já se encontra em um patamar superior ao período antes da pandemia.

Por outro lado, as informações do site de viagens Decolar apontam que as buscas por hospedagens para locais mais frios cresceram 25% apenas na primeira quinzena de maio, em relação ao mesmo período de abril. Entre os destinos mais procurados, Gramado (RS), Campos do Jordão (SP), Foz do Iguaçu (PR), Monte Verde (MG), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Teresópolis (RJ) e Petrópolis (RJ). E Nova Friburgo? Por que quase não entra nessas listas?

A falta do diferencial

É evidente que a alta temporada da nossa cidade somente começa no dia 21 de junho, com a chegada oficial da data que marca o início do inverno em nosso calendário. Contudo, é de fácil percepção que Nova Friburgo não tem sido uma referência em turismo de inverno há muitos tempos. Não é difícil vermos pessoas que moram em cidades próximas e que conhecem Gramado (RS), Bento Gonçalves (RS) e até Campos do Jordão (SP), mas não conhecem a nossa cidade.

Como bem apurado pela coluna Observatório, de Wanderson Nogueira, publicada na edição de ontem, 25, do jornal, a ocupação hoteleira no último fim de semana de baixas temperaturas na Região Serrana ficou na casa dos 80% em Petrópolis, o principal destino, e seguida de Nova Friburgo, com ocupação entre 50% e 60%. É o retrato de que dentro da nossa região, o nosso turismo não tem sido uma preferência na escolha dos destinos.

“Entendo que os turistas por vezes priorizam as regiões vizinhas pela falta de entendimento do que vai encontrar ao chegar em Nova Friburgo e de como será recebido” – aponta, Marcos Marins, empresário friburguense do restaurante Casa Osório.

Evidentemente que a proximidade de Petrópolis com a capital do nosso estado, faz com que a região fomente muito mais o turismo do que a nossa cidade, mas é preciso olharmos atentos para o passado. A Cidade Imperial há muito tempo investe pesado em festivais culturais, de música, dança, cerveja e gastronomia, que são amplamente divulgados em todo o Estado. E é evidente que essas políticas refletem e muito no resultado final. E verdade seja dita, trata-se do mesmo perfil de turistas que vinham a nossa cidade na década de 80, e hoje dificilmente escolhem Nova Friburgo como destino.

Fato é que logo após um Carnaval fora de época, e com o frio chegando mais cedo, o momento é extremamente propício para fomentar a vinda de turistas na cidade. Se fossemos aplicar a situação atual a um ditado popular, poderíamos dizer a vida deu para prefeitura alguns limões frescos, caberá somente a sua gestão fazer uma limonada - até um mousse - ou chupar a fruta e ficar com a cara feia. Só o tempo dirá!

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A internet não é terra de ninguém

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Diariamente somos bombardeados por uma enxurrada de informações. Notícias que acontecem do outro lado do mundo chegam quase que imediatamente em nossas telas dos smartphones. A comunicação, que entre as pessoas distantes, era demorada, hoje, em questão de cliques ultrapassa qualquer barreira em milésimos.

Diariamente somos bombardeados por uma enxurrada de informações. Notícias que acontecem do outro lado do mundo chegam quase que imediatamente em nossas telas dos smartphones. A comunicação, que entre as pessoas distantes, era demorada, hoje, em questão de cliques ultrapassa qualquer barreira em milésimos.

As informações estão a cada dia mais rápidas. E da mesma forma que somos bombardeados em nossas redes sociais, cada vez temos menos tempo e estamos dispostos a consumirmos conteúdos de forma desordenada. Contudo, a dinamicidade da comunicação é constante e positiva por muitos os lados, mas também tem seus lados negativos e seus efeitos devastadores.

Tudo que “cai” na internet, se espalha rapidamente, de forma definitiva e em todas as direções. Não há mais o menor controle para quem ou como as pessoas estão consumindo esse conteúdo e esse fenômeno se chama “repercussão viral”.

Na maior parte das vezes, atinge e promove positivamente, muitas pessoas em seus trabalhos, empresas e na boa comunicação. Um grande exemplo, é o jovem, “Luva de Pedreiro” que com seu carisma, ganhou o coração dos espectadores nas redes sociais por ser humilde e hoje assina contratos milionários com grandes empresas.

Contudo, tudo que é bom, também acaba sendo mal utilizado e seus efeitos, podem ter consequências, não somente para a gente, mas para outras pessoas, muitas vezes, irreversíveis, ainda mais em épocas de radicalismo em que vivemos hoje. Mas é preciso saber, até que ponto somos responsáveis pelo que falamos, compartilhamos e divulgamos?

Somos inteiramente responsáveis

Quem nunca ouviu falar de alguém que teve sua intimidade divulgada em um vídeo intimo que circulou na internet? Você jamais se viu diante da propagação de fotos de vítimas fatais após acidentes de trânsito? De maneira nenhuma, você expôs a intimidade de alguém, por meio de conversas ou falas em rede? Nenhuma vez foi comunicado e avisou sobre a realização de uma blitz em um grupo de trânsito?

Ao afirmarmos que a internet é uma “terra sem lei” implica em duas falhas muito graves. A primeira, é que ninguém se importa e ninguém cuida. A segunda é, que todos nos podemos ser inteiramente responsáveis por tudo que fazermos lá, mesmo que, tentemos nos camuflar através de perfis falsos.

Eric Lima, advogado e pós-graduado, explica que os crimes mais comuns na internet são: a calúnia (imputar um crime à alguém), injúria (atribuir a alguém uma qualidade negativa), difamação (imputar um fato ofensivo à reputação alheia), divulgação de pornografia sem consentimento, vilipêndio de cadáver (foto de vítimas fatais em acidentes), violação de direito autoral (pirataria), comunicação de blitzes e falsidade ideológica (se passar por alguém).

“Os mesmos crimes que são cometidos no dia-a-dia, seja numa briga no trânsito ou uma ofensa também acontecem com naturalidade no ambiente virtual. Todos nós estamos sujeitos às mesmas penalidades que a legislação penal e civil que podem gerar dano moral, e ocasionar indenizações. Não podemos esquecer, também, que quem compartilha está contribuindo na disseminação da ofensa e pode ser responsabilizado como se fosse co-autor do crime.”

Como nos prevenirmos

Devemos ter muita responsabilidade ao compartilharmos fotos, vídeos, opiniões e intimidades, pois tudo se espalha com extrema velocidade e podemos responder por isso fora do mundo virtual.

Em relação aos crimes de divulgação de pornografia, o segredo é o mínimo de empatia. Se pararmos para e nos colocarmos no lugar do sentimento que a vítima está passando já é um bom começo. O sofrimento é tamanho que pessoas chegam a fazer besteiras consigo após tamanha repercussão. Denuncie quem compartilha!

Em relação ao compartilhamento de fotos de vítimas e divulgação de blitz, o segredo é o bom senso. Se ponha em um lugar de um dos familiares que acabou de perder um filho após um acidente envolvendo alguém bêbado. E acima de tudo, saiba que sua divulgação pode render um processo criminal.

Em relação aos crimes de calúnia, injúria e difamação, a resposta é simples. Se as postagens envolverem terceiros então, a responsabilidade deve ser redobrada, e às vezes até elevada à quinta potência. Esses crimes são os que mais geram consequências não somente na esfera criminal, mas na esfera social, já chegando a morte de pessoas nas ruas, por fatos que não eram verdade. Devemos ser extremantes seletivos com tudo aquilo que compartilhamos e tomarmos cuidado com os linchamentos virtuais.

Liberdade informática não quer dizer falta de limites e a liberdade de cada um acaba quando começa a liberdade do outro. A internet não é “terra de ninguém”, e apesar de estamos dentro de um ambiente virtual ainda sim temos nossas responsabilidades. O ideal é sempre se por no lugar do outro e perguntar: “E se fosse comigo?”

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Mês de combate à LGBTfobia

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Marcado por mobilizações em todo o Brasil, o Dia Internacional da Luta contra a LGBTfobia é celebrado em 17 de maio em todo o mundo. A data refere-se ao dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1990, retirou o termo “homossexualismo”, que associava a homossexualidade à uma doença mental passível de tratamento.

Marcado por mobilizações em todo o Brasil, o Dia Internacional da Luta contra a LGBTfobia é celebrado em 17 de maio em todo o mundo. A data refere-se ao dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1990, retirou o termo “homossexualismo”, que associava a homossexualidade à uma doença mental passível de tratamento.

Desde então, a data serve como um dia de conscientização da luta pela paridade de direitos dos LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis), pela diversidade sexual, contra a violência e contra o preconceito. Fato é que muitos direitos foram adquiridos com o passar do tempo, mas a realidade se mostra preocupante em muitos aspectos, especialmente, na realidade brasileira.

Certamente, muitas pessoas irão ler essa coluna e se perguntar: “Esse assunto é necessariamente relevante? Será que deveríamos debater sobre isso no jornal?”. Bom, continue lendo que eu certamente te provarei a importância de um tema tão polêmico em um mundo polarizado que vivemos.

Dados assustadores

Mesmo com a imprecisão os dados acerca da violência, uma vez que muitos crimes com motivação homofóbica são levados adiante com crimes comuns - injúria, difamação, lesão corporal e até homicídio qualificado por motivo fútil - podemos, ainda sim, afirmar que o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo.

No Brasil, de acordo com uma importante fonte de fiscalização e apoio às causas LBGTQI+, uma pessoa foi morta a cada 20 horas, vítima de homofobia. Os dados são espantosos e somente em 2018, pelo menos 420 pessoas morreram, seja por arma de fogo, espancamento, pauladas ou suicídio.

Fato é que a violência contra homossexuais está mais presente na sociedade do que nós imaginamos do mesmo jeito que a violência contra a mulher ocorre, só que de forma escondida, na maior parte das vezes. As vítimas de homofobia ainda têm muita dificuldade em falar, por vergonha, insegurança e medo de represálias

Em entrevista, o corajoso Alex Moraes da Rocha, professor renomado e muito querido em nossa cidade, explica que a primeira vez que passou por homofobia foi ao buscar uma vaga de emprego. Recém-formado, teve sua vaga de emprego recusada por um diretor de uma escola no Rio de Janeiro que alegou que apesar de ser muito bem qualificado, não seria contratado devido a sua “opção” sexual e que ele poderia ser uma má influência aos alunos da escola.

Em outro triste acontecimento, Alex relata que já se sentiu diminuído muitas outras vezes por conta de sua orientação sexual: “Uma vez, acompanhado de uma amiga em uma boate – que já não existe mais - um rapaz se aproximou e perguntou o que precisaria fazer para transar com a minha amiga. De imediato, respondi que ele deveria começar tratando ela de forma adequada. Em resposta, o rapaz me xingou, disse que eu só estava falando assim porque ele não queria transar comigo, e em seguida, me desferiu um soco no rosto. Na delegacia, ele disse ao delegado que havia socado o meu rosto por eu estar me ‘insinuando’ para ele.”

Falta de políticas públicas

Relatos como esse, que deveriam assustar os governantes e servir de pilar para políticas públicas de um grupo social que sofre tanto com a violência, não são bem vistos e tudo anda na contramão. Pesquisas provam que com o passar os anos, a violência de mostra cada vez mais brutal. Em 2010 ocorreram 130 homicídios, enquanto em 2017, esse dado já computava 445 – um aumento de 242% em apenas sete anos.

O preconceito percorre as múltiplas camadas da sociedade e por vezes, é institucional. Até 2020, homens, homossexuais ou bissexuais, eram considerados inaptos a doarem sangue. Em 2019 houve um levante no Conselho Federal de Psicologia, com apoio declarado do Governo Federal, no intuito de que “cura gay” fosse novamente instituída no Brasil. Felizmente, caiu por terra.

E de fato, a violência não atinge somente a nossa realidade, mas é fenômeno de grandezas mundiais. Ser homossexual é considerado crime passível de morte em países radicais religiosos, como: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irão, entre muitos outros. Em 35% dos países é perigoso revelar a homossexualidade, podendo ter penas de até dez anos de prisão ou prisão perpétua.

Xô preconceito!

Homossexualidade não se trata de perversão humana, mas sim, de uma preferência individual de cada pessoa, exprimida por meio da sua expressão de sexo, gênero, sexualidade e amor. Muitos podem questionar e dizer que se trata de uma escolha e eu lhes perguntarei: “Em que dia da sua vida você escolheu ser heterossexual?”.

Eu posso escolher muitas coisas na minha vida, seja o meu almoço, a roupa que irei vestir no dia de amanhã, a cor do meu próximo carro. Agora, o que realmente se gosta, não dá para escolher. Você gosta e pronto. Amor não se explica, amor se sente!

Esperamos que daqui a alguns anos, toda sociedade consiga olhar para trás e perceber que 420 pessoas mortas em um ano, de forma violenta, por serem LGBTQIA+, soe como um absurdo assim como a escravidão e a violência contra a mulher soam nos dias atuais - ou ao menos deveriam soar. Homofobia é coisa do passado, e crime!

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

O telemarketing insistente

quinta-feira, 05 de maio de 2022

Recebo uma ligação no meu telefone celular pela manhã. Um número desconhecido de São Paulo que me liga religiosamente, todo santo dia. Mas pode ser um cliente? Uma emergência? Um golpe? Não, somente mais uma das muitas ligações vinda de algum call center. Digo educadamente que não quero o serviço e desligo. No mesmo dia, outras cinco empresas me ligam oferecendo seus serviços. Educadamente recuso. No dia seguinte, paz? Não as mesmas empresas voltam a me ligar para me oferecerem os mesmos serviços que eu tinha recusado ontem. Dai-me paciência, meu Deus!!! 

Recebo uma ligação no meu telefone celular pela manhã. Um número desconhecido de São Paulo que me liga religiosamente, todo santo dia. Mas pode ser um cliente? Uma emergência? Um golpe? Não, somente mais uma das muitas ligações vinda de algum call center. Digo educadamente que não quero o serviço e desligo. No mesmo dia, outras cinco empresas me ligam oferecendo seus serviços. Educadamente recuso. No dia seguinte, paz? Não as mesmas empresas voltam a me ligar para me oferecerem os mesmos serviços que eu tinha recusado ontem. Dai-me paciência, meu Deus!!! 

Muitos sãos os problemas da era moderna, mas de fato, um problemão dos smartphones, em especial, são as ligações incômodas de telemarketing. Com uma base de 285 milhões de telefones (mais do que o número de habitantes no país, que são 211 milhões), a aposta de muitas empresas é por meio dos famosos call centers que nos ligam dia e noite.

Se já não bastassem as muitas ligações, as vezes até em horários inconvenientes, agora existem novos métodos que contribuem para o estresse diário: as ligações que desligam do nada e agora, os “robocalls”. Essa nova tecnologia faz a ligação para o seu telefone celular de forma automatizada e muitas vezes, mandam até mensagem SMS para seus telefones e para suas redes sociais.

Fato é que as empresas de call centers vêm extrapolando e muito o limite do bom senso e a pergunta que fica é: o que tem sido feito e o que podemos fazer para evitar esses constrangimentos?

Anatel tenta, mas sem sucesso

Entrou em vigor em março, uma nova norma que obriga as empresas de telemarketing a usarem o prefixo 0303 para todos os números de seus call centers. A finalidade é tentar ajudar os usuários a se identificarem mais facilmente essas ligações e assim, optar em atender ou não, podendo até bloquear o número para não receber mais chamadas.

A nova norma, por sua vez, em nada agradou as empresas de telemarketing que alertam para o risco de muitas demissões no setor. Além disso, as empresas prejudicadas alegam muita regulação, o que pode interferir na renda das empresas e consequentemente, nos custos dos serviços finais.

Por outro lado, as ligações continuam de forma insistente e a grande realidade se mostra um pouco diferente do que foi estabelecido pela lei. De acordo com a Anatel, somente 324 códigos com o prefixo haviam sido cadastrados há 15 dias e dois meses após o vigor da norma, mostra-se pouco cumprida e eficaz.

Edson Bruno de Souza, advogado, explica que a Constituição Brasileira nos assegura o direito à privacidade, sendo inviolável a nossa vida privada, intimidade ou honra e relata que empresas vêm sendo condenadas na justiça devido aos abusos excessivos com o consumidor.

“Muitas pessoas têm buscado os seus direitos através de ações judiciais e os tribunais se mostram duros com as empresas. Como trabalhar em um ambiente que você depende do seu aparelho telefônico, se na maior parte do dia fica recebendo ligações de telemarketing? O mais importante é o consumidor estar atento e procurar o Procon ou um advogado de confiança para sanar o abuso praticado pelos call centers”, explica Edson.

Difícil não encontrar alguém que não tenha se estressado com as chamadas insistentes dos call centers que por vezes chegam a dez em um só dia. Em 2019, com o objetivo de conter o assédio comercial aos cidadãos, a Anatel criou uma plataforma chamada “Não me Perturbe.

O site, de iniciativa da companhia reguladora de telefonia, promete a suspensão de ligações com pelo menos 40 empresas, do ramo de telecomunicações (telefonia, internet e TV por assinatura) e instituições bancárias, após um mês do cadastro. Na experiência própria deste colunista, relato que o número de contatos indesejados diminuíram, porém, ainda continuam, mesmo após o período de garantia dado pelo site.

Hoje, são mais de dez milhões de linhas telefônicas cadastradas na plataforma. Embora o número pareça alto, não representa uma grande fatia dentro da realidade brasileira. Ao todo, são 285 milhões de linhas existentes em todo o país, portanto, representam somente 3,5% dos telefones brasileiros.

Como bloquear ligações

Para cadastrar seu número a fim de bloquear ligações de bancos, entre no site www.nãomeperturbe.com.br e siga as instruções. A Anatel pune o descumprimento pelas empresas que pode resultar em penalizações e até em multas, contudo alerta, que nenhuma política funciona sem a devida participação do consumidor.

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Somos todos vulneráveis aos golpes na internet

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Abro o telefone celular. Me deparo com a mensagem de um familiar, por meio de aplicativos de conversa, mas... por meio de um número diferente que eu não registrei nos meus contatos. Estranho! Pelas mensagens ele me garante que trocou de telefone. Possível? Sim! Depois, ele me pede dinheiro emprestado para poder consertar o seu celular quebrado. Estranho! Uma mensagem com um código Pix chega às mensagens do meu Whatsapp. Na maior das boas intenções, deposito, sem sequer conferir o nome da conta. Caí num golpe!

Abro o telefone celular. Me deparo com a mensagem de um familiar, por meio de aplicativos de conversa, mas... por meio de um número diferente que eu não registrei nos meus contatos. Estranho! Pelas mensagens ele me garante que trocou de telefone. Possível? Sim! Depois, ele me pede dinheiro emprestado para poder consertar o seu celular quebrado. Estranho! Uma mensagem com um código Pix chega às mensagens do meu Whatsapp. Na maior das boas intenções, deposito, sem sequer conferir o nome da conta. Caí num golpe!

Os tempos de quarentena tornaram o mundo mais conectado à internet e consequentemente, um paraíso para os golpistas. Quem não usou mais os aplicativos de celular para fazer compras no período de pandemia? Pesquisas apontam que mais de 13 milhões de brasileiros fizeram suas compras pela primeira vez na internet durante o ano de 2020.

O mundo está antenado e os golpes, estão aos montes nas redes. Basta dar uma curta navegada pela internet para encontrar anúncios que vão desde viagens internacionais com preços extremamente atrativos até produtos eletrodomésticos seminovos que nos parecem úteis. Em outras vertentes, golpes de vendas de carros usados em sites de “confiança” crescem e assim como em anúncios de emprego falsos. É golpe para todo lado. Até mesmo, nas redes sociais...

O engenheiro de desenvolvimento de softwares, Yuri Lisboa, explica que nos golpes cometidos através de redes sociais, os criminosos utilizam-se de artifícios aparentemente não nocivos para ludibriar as vítimas e sequestrar seus dados de forma fácil e desapercebida.

“Um exemplo disso são as famosas caixas de pergunta do Instagram, com perguntas como: ‘Como é sua rubrica?’, ‘Como é sua caligrafia’ , ‘Nome dos cachorros que já teve’ e por aí vai. Todas essas informações auxiliam os criminosos a cometerem golpes, inclusive, se passando por você, que sem perceber, acabou de passar informações importantes sensíveis de forma pública”, relata Yuri.

Como se prevenir

“É importante tomarmos cuidado ao responder ou postar algo que possa fornecer alguma informação sensível sobre a sua vida pessoal. Utilizar os recursos de Autenticação de Dois Fatores é importante e fornece uma camada extra de segurança nas suas redes sociais.”

“Sites também são usados para golpes. É necessário vermos se, primeiro, o site é confiável ou conhecido. E depois, conferirmos sempre a “URL”, na parte superior da tela. Por vezes, sites fraudulentos estão camuflados de sites confiáveis e não são o que parecem ser.”

Por exemplo, o domínio do site de A VOZ DA SERRA é https://avozdaserra.com.br/: se esse endereço estiver no começo do link, é provável de que a URL seja confiável. No entanto, se o endereço contiver algo estranho como https://avozd4serra.com.br/, com um “quatro” no lugar de um A, desconfie! Em alguns casos, um traço (-) no lugar de um ponto (.) é o suficiente para enganar.

E acredite: os golpes se reinventam a todo o momento. Somente no ano passado, de acordo com dados obtidos pelo Serasa Experian, foram mais de quatro milhões de tentativas de fraudes no Brasil. Isso quer dizer, a cada sete segundos, há uma tentativa de fraude no país. Segundo a empresa de segurança digital Kaspersky, o Brasil lidera o ranking dos países com mais mensagens fraudulentas – pishing – em todo o planeta.

Vítimas sofrem em dobro

A experiência no meio digital pode ser um grande diferencial para evitar as fraudes, especialmente para quem, desde novo, sempre usou computadores ou frequentou aulas de informática na escola. Contudo, a desigualdade no acesso à informação é um ponto chave até nesse momento. Às vezes, o golpe pode parecer óbvio para você que já usa a internet há 20 anos, mas não para quem usa há pouco tempo.

 É muito comum que encontremos pessoas ridicularizando as vítimas de fraude: “Eu jamais cairia numa ladainha dessas”; “Como você pode ser burro ao ponto de depositar um dinheiro sem antes conferir a conta?”; “Se não sabe fazer uma compra na internet, não faz” são algumas das frases geralmente escutadas por quem já se encontra debilitado por ter sofrido um cybergolpe.

Surpreende que, por vezes, a vulnerabilidade de quem cai em uma armadilha dessas chama mais a atenção do que a postura dos fraudadores. Falta empatia, às vezes. Fato é que ninguém cai em um golpe porque quer! Ninguém perde dinheiro para uma pessoa desconhecida ao bem querer! Ninguém sabe que é um golpe, até porque os criminosos não avisam antes.

Apesar de parecer óbvio, o óbvio, por vezes, tem que ser repetido incessantemente para não julgarmos a fragilidade alheia e acharmos que somos invencíveis ao ponto de não sofrermos com os cyberataques.

Todos nós estamos conectados e podemos ser tão vítimas quanto uma pessoa que acaba de entrar em um computador pela primeira vez na vida. Isso porque, é quase impossível estarmos alertas o tempo todo. Uma hora, cansamos, relaxamos, abaixamos a guarda e somos as próximas vítimas. É preciso lembrar que do outro lado da tela sempre tem alguém mais esperto que você e que pode fazer uso de tecnologias que você sequer imagina que exista.

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Gasolina alta: um fenômeno mundial ou local?

quinta-feira, 21 de abril de 2022

O custo de vida que outrora já não estava barato, ficou em uma situação ainda mais complicada com os muitos eventos globais e locais, em crises, como: a pandemia da Covid-19, aumento do valor do dólar e a insegurança com a guerra entre Ucrânia e Rússia. Não somente nós somos os afetados por todo esse movimento de oscilação de preços, mas o mundo como um todo.

O custo de vida que outrora já não estava barato, ficou em uma situação ainda mais complicada com os muitos eventos globais e locais, em crises, como: a pandemia da Covid-19, aumento do valor do dólar e a insegurança com a guerra entre Ucrânia e Rússia. Não somente nós somos os afetados por todo esse movimento de oscilação de preços, mas o mundo como um todo.

Os preços dos combustíveis vêm assustando motoristas brasileiros – e gerando reflexos por toda economia. Afinal de contas: você tem alguma noção se o aumento estrondoso do valor dos combustíveis é um fenômeno mundial ou apenas local?

A realidade que pesa no bolso

Um novo levantamento feito pelo site de consultorias, Global Petrol Prices, indica que o preço da gasolina no Brasil está 15% acima da média praticada em 170 países do mundo. Assim, o valor da gasolina brasileira está entre uma das mais caras do mundo.

De acordo com a pesquisa, o valor de custo da gasolina, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), nos postos brasileiros custa R$ 7,19 enquanto a média mundial é de R$ 6,29. Nas nossas montanhas, os friburguenses e moradores da região tem se deparado com a gasolina comum próxima a marca dos R$ 8, o litro, visto que moramos no interior do estado com uma das gasolinas mais cara do país.

Por outro lado, é importante vermos que o levantamento feito pela Global Petrol Prices, não leva em conta o poder de compra da população – ou seja, quanto a população ganha e o quanto pode gastar com combustíveis - fazendo com o que a situação brasileira seja ainda mais delicada.

Considerando um trabalhador brasileiro que ganha um salário mínimo – o que representa grande parte da população - a sua situação é ainda mais delicada. O custo para se encher um tanque de 40 litros compromete quase 25% da renda total de maior parte dos brasileiros.

Para quem mora próximo às fronteiras, uma alternativa tem sido sair do país em viagem, reabastecer por lá e voltar com o tanque cheio para economizar. Bem ao nosso lado, na Argentina, a situação é diferente e o brasileiro têm feito filas na Ponte Internacional, que liga o Rio Grande de Sul ao país vizinho.

Mesmo após um aumento de quase 10% no custo dos combustíveis, a gasolina comum está sendo vendida, na Argentina, à um valor de incríveis R$ 3,30. Mas será que esse valor está alto para os hermanos? O custo para encher o mesmo tanque de 40 litros de um trabalhador que ganha um salário mínimo lá, corresponde somente a 10% da renda dele. A gasolina, de fato, aumentou de preço no mundo, contudo, os dados apontam que os custos dos combustíveis estão pesando demais nos bolsos brasileiros.

Recorde após novo aumento

O preço médio da gasolina nacional na última semana chegou ao patamar de R$ 7,49, o mais alto já registrado em todo o país. As informações foram coletadas pela empresa ValeCard, que monitora mais de 25 mil postos de combustíveis por todo Brasil.

E o etanol, que é um substituto da gasolina para muitos brasileiros, e ainda compõe quase 25% do combustível comum também sofreu com os aumentos. De acordo com especialistas, o aumento do preço se dá porque mais brasileiros têm procurado o produto, diminuindo assim, sua disponibilidade no mercado.

Não é de pouco tempo para cá que a gasolina vem subindo. Ocorre que de centavinhos em centavinhos, o aumento acumulado pesa ao nosso bolso a cada mês que passa. De acordo com informações, o combustível que custava, em média, R$ 5,73 em abril do ano passado, sofreu uma alta de 30,7% nos últimos 12 meses.

Mesmo buscando os melhores preços, os brasileiros ainda sentem muito no bolso, o alto custo de encher o tanque do seu automóvel. Thamara Lopes, empresária friburguense relata que necessita do carro para se locomover até clientes, colaboradores e fornecedores, contudo o alto dos combustíveis a fazem repensar sobre o uso dos transportes.

“Os frequentes aumentos impactam no orçamento familiar ao final do mês. Seria um dinheiro que poderia ser empregado em outro lugar. O aumento da gasolina tem interferido não somente nas bombas, mas no custo de todos os produtos que consumimos. Chegamos a um ponto de resignificar se as caminhadas longas fazem bem não somente para a saúde, mas também para o nosso bolso!”

Dia após dia, o brasileiro sente pesar no orçamento familiar o custo de um dos combustíveis mais caros do mundo, especialmente para quem necessita de veículo para trabalhar. Nos momentos atuais, todos nós estamos aguardando ansiosamente por uma redução no valor cobrado pelos combustíveis para que possamos respirar - um pouco, quem sabe - dentro do orçamento familiar.

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