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Nova Friburgo é passado, presente ou futuro?

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Um dia percebemos que, passado, presente e futuro, fazem parte de toda a história da humanidade e consequentemente, da nossa singela vida. Vivendo no presente, sempre tive a percepção de morar agarrado no passado, e em pensamento, viver ansiosamente, planejando cada passo do meu futuro.

E quando me dei conta, percebi que passado, presente e futuro não são mais tempos tão distintos assim. Na verdade, somos o que somos porque vivemos todos os tempos simultaneamente, sem mesmo que possamos ser plenamente capazes de perceber essa ligação tão sublime.

Um dia percebemos que, passado, presente e futuro, fazem parte de toda a história da humanidade e consequentemente, da nossa singela vida. Vivendo no presente, sempre tive a percepção de morar agarrado no passado, e em pensamento, viver ansiosamente, planejando cada passo do meu futuro.

E quando me dei conta, percebi que passado, presente e futuro não são mais tempos tão distintos assim. Na verdade, somos o que somos porque vivemos todos os tempos simultaneamente, sem mesmo que possamos ser plenamente capazes de perceber essa ligação tão sublime.

“Freud explica? ”. É bem provável que Sigmund Freud, pai da psicanálise, fosse o mais capaz de nos explicar de que nada do que somos e fazemos é por um simples acaso do universo. Para tudo, há uma explicação a ser explorada num divã na sala de terapia.

Na vida humana, devemos nos lembrar que as lutas, as dores, sofrimentos, vitórias, angústias e alegrias compõem a beleza e a imperfeição de ser quem somos. Na vida de uma cidade, como Nova Friburgo, o caminho percorrido é idêntico, dividido em três tempos, em que a lógica não deve ser entendida de modo diferente.

Nosso passado é marcado por momentos históricos únicos e que trazem a identidade do povo friburguense, aguerrido e persistente. Em meio à muitas dificuldades, crescemos e edificamos forças a essa cidade mesmo diante de todas as adversidades geográficas, naturais e políticas.

Somos orgulhosos de sermos detentores do título de única cidade criada por um decreto real. Não somos modestos, dos anos de ouro vividos nas décadas de 70 e 80, em que o Sul do país aprendeu conosco a fazer uma festa da cerveja. E somos extremamente resilientes, de mesmo diante da maior tragédia natural do país, reconstruirmos.

Entretanto, a partir dos anos 90, em meio às muitas disputas políticas, Nova Friburgo ficou esquecida em meio ao caos, e aos poucos foi perdendo em tudo aquilo que lhe tornava única: o seu brilho, a sua prosperidade e o mais importante, a sua identidade.

No presente, uma revolução fazia-se necessária em Nova Friburgo: e nela, surgiu o desejo de rememorar o saudosismo e querer trazer ao presente, todas as boas memórias construídas, do que havia de melhor nos anos de ouro, muito bem vividos pelos mais antigos habitantes dessa cidade - a boêmia!

Há uma digna e justa tentativa em resgatarmos o nosso brilho através da nossa identidade. Contudo, ainda que o passado seja recheado das boas lembranças dos anos de ouro na serra carioca - que infelizmente ficaram para trás – é muito importante percebermos que o mundo não é mais como era antigamente. E a nós, cabe a pergunta do que seremos no dia de amanhã.

Paralisar as nossas ações em lembranças de um passado de realização, na esperança de um futuro melhor, tem mostrado não nos ajudar a provocar a mudança ou o desenvolvimento como um todo. A evasão da realidade, apesar de ser bastante confortável, pode gerar muitos problemas futuros.

Não estamos investindo em inovação e muito menos nos adequando ao novo mundo, que é bem diferente, dos vividos nos anos de ouro. A vastidão dos empregos se foi com as fábricas, que carregaram consigo, toda a prosperidade da juventude friburguense, que prefere sonhar, em locais com mais oportunidades e possibilidades.

Cada dia mais somos uma cidade mais pobre, na busca de projetos, que não mudaram efetivamente a nossa vida. O mundo, por sua vez, cresceu, inovou, dinamizou e inovou e nós, ficamos para trás. Não nos dedicamos a mudar, somente repetir, o que um dia já deu certo e quem sabe, dará certo de novo.

Ainda que a luta seja extremamente justa pelo saudosismo da boemia e do turismo, vivido nos anos 70 e 80, com todo o nosso potencial, seguimos fora do ranking das cidades visitadas por turistas no Estado. E agora? Não podemos, nem como ser humano e nem como cidade, apostar todas as fichas em uma única tentativa e em uma única solução.

Para qualquer mudança e evolução é necessário um esforço constante e acima de tudo, consciente – e é bem provável que Freud diria isso também. Mudança é o resultado de esforço e de foco.

Vivemos no presente com um imenso potencial. O passado já não mais o teremos. E o futuro, ainda que incerto e desconhecido, é totalmente mutável. Daquilo que passou, cabe agradecer, incluir e integrar em sua história. E daquilo que virá, inovar para não se perder novamente no tempo.

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E-commerce chinês na mira do governo. Entenda

quinta-feira, 13 de abril de 2023

O Governo Federal anunciou, nesta semana, que deverá implantar nova cobrança de impostos sobre a compra de produtos importados pela internet. A proposta do Executivo mira, especificamente, nas gigantes estrangeiras que se tornaram as queridinhas do consumidor brasileiro: a Shein, Shopee, e a AliExpress.

O Governo Federal anunciou, nesta semana, que deverá implantar nova cobrança de impostos sobre a compra de produtos importados pela internet. A proposta do Executivo mira, especificamente, nas gigantes estrangeiras que se tornaram as queridinhas do consumidor brasileiro: a Shein, Shopee, e a AliExpress.

Ainda não exista um plano concreto definitivo e muito menos um martelo batido, algo que possivelmente deverá entrar em vigor após o fim da atual viagem presidencial à China, novas medidas deverão ser tomadas. Caso sejam aprovadas, a tomada de decisão do governo poderá significar o fim das “comprinhas” para muita gente.

Afinal, a cobrança destes impostos aos produtos chineses no mercado brasileiro é uma medida justa com todos?

Como é atualmente e como ficará

Atualmente, as compras enviadas da China por pessoas físicas e para pessoas físicas, são dotadas de isenção das remessas em valores inferiores a U$ 50 (aproximadamente R$ 250). Em contrapartida, nesse tipo de negociação, as compras acima desse valor, geravam a retenção do produto para o pagamento de uma tributação 60% do valor do bem.

Por outro lado, as compras feitas às empresas chinesas e/ou por empresas brasileiras, não eram beneficiadas por este tipo de isenção. Ou seja, quem comprava mercadoria através dos grandes e-commerces estrangeiros, na teoria, já deveria pagar o imposto, algo que não ocorria na prática.

A realidade é que diversos e-commerces estrangeiros buscaram estratégias para driblar a tributação brasileira. De acordo com a Receita Federal, muitas empresas asiáticas têm fracionado os produtos em vários pacotes, e que chegam ao Brasil como se fossem remetidos por uma pessoa física e não, jurídica. Dessa forma, os envios ficam abaixo do limite de isenção (U$ 50) e consequentemente, entram no território sem pagar impostos.

Ainda, de acordo com a Receita Federal, o comércio entre as pessoas físicas dos países é inexpressivo e a medida que visava incentivar o comércio interpessoal, facilitava a fraude generalizada de empresas que faziam o mau uso do beneficio tributário, trazendo prejuízos não somente ao fisco.

Apesar de o governo nunca mencionar o nome das grandes empresas chinesas, nos últimos anos, muitas varejistas estrangeiras, com baixos preços e envio rápido, logo abocanharam uma significativa parte do mercado brasileiro, trazendo uma concorrência desleal às empresas nacionais.
Assim, é importante entender que caso seja aprovado, não se tratará da criação de um novo imposto. Afinal, como já explicado, ele já existe, mas não é efetivo. O objetivo é tornar a fiscalização mais intensa, não havendo mais a distinção entre os envios realizados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas: todos serão igualmente tributados.

Paridade das armas

Para o consumidor brasileiro, a facilidade em comprar os produtos chineses por um baixo custo através do celular, é ótima. Todavia, para o comércio nacional, a disputa por espaço com estes produtos, sem cumprirem todos os mesmos requisitos e pagamentos de taxas ao governo, torna essa concorrência totalmente desleal.
São muitas as obrigações para uma empresa brasileira estar em conformidade com a lei: as verbas trabalhistas, os impostos, alvarás, a certificação de órgãos especiais – como o Inmetro – que atestam a segurança do produto, o cumprimento dos direitos dos consumidores e ambientais, entre muitos outros.
No fim, todas essas obrigações à indústria nacional compõe o valor final do produto: seja na prateleira do mercado, no mostruário de um shopping ou num site de e-commerce. Como competir com esse mercado internacional, que comercializa os seus produtos sem as mesmas exigências e sem pagar tantos impostos?

A realidade é a mesma, para todas para todas as empresas do país - incluindo a nossa região, polo da moda íntima nacional: "não há como competir!". E como consequência, repetidamente, vemos muitas empresas demitindo os seus funcionários e fechando as portas.

Não só as fabricantes brasileiras têm pressionado o governo nos últimos anos a tomar providências por considerarem a concorrência com as empresas estrangeiras como desleal. Em 2017, os EUA implantaram em seu país medidas que tornaram o comércio mais “justo e equitativo”.

No atual momento, a China é o país que mais consome produtos brasileiros, sendo o nosso principal parceiro comercial. As exportações do Brasil para o gigante asiático totalizaram R$ 84,9 bilhões, depois de somarem R$ 87,9 bilhões, em 2021.

Igualmente, a China também se aproximou do nosso país, liderando o comércio de eletrônicos e alavancando-se na venda de vestuário, plásticos e de matéria prima. O comércio entre ambos os países, é extremamente benéfico para economia: mas em patamares saudáveis, para que ambas as partes saiam igualmente beneficiadas.

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A VOZ DA SERRA é passado, presente e futuro

sexta-feira, 07 de abril de 2023

A cena é muito comum em filmes americanos ou em novelas brasileiras e por certo é o retrato de muitas casas brasileiras: uma família reunida em torno da mesa de café da manhã, o pai com o rosto metido entre as páginas do jornal do dia, acompanhando as novidades antes de seguir para o trabalho.

A cena é muito comum em filmes americanos ou em novelas brasileiras e por certo é o retrato de muitas casas brasileiras: uma família reunida em torno da mesa de café da manhã, o pai com o rosto metido entre as páginas do jornal do dia, acompanhando as novidades antes de seguir para o trabalho.

No cotidiano de nossa realidade, vemos todo tipo de gente lendo jornais, seja nos bancos das praças, nos expositores das bancas, nas repartições públicas ou nas salas de espera dos consultórios médicos. Há até os superpoderosos que conseguem até ler as notícias dentro de um ônibus, algo que particularmente, me gera tontura.

Mulheres indo para o trabalho, executivos de paletó, comerciários, pedreiros, estudantes, aposentados, todos virando as páginas, passando os olhos pelas notícias nas seções de esportes, de cultura, do país e especialmente sobre nossa amada Nova Friburgo. E quem não gosta de entender o que se passa pertinho da gente?

Trovas, economia, opiniões e notícias quentes e em primeira mão. Desde a interdição das principais ruas até os escândalos na administração pública. Seja você um leitor habitual ou não, a verdade é que o jornal está sempre presente em nossas vidas, apurando e nos trazendo o que nos conecta a esse mundo: a informação.

Por outro lado, com a crescente modernização da tecnologia, alavancada pelo período devastador da Covid-19, as redações de todo o país e toda a população começaram a se questionar: ‘Afinal, o jornal digital, aquele publicado na internet, vai acabar de fato com o jornal impresso?  Deixariam as novas crianças de ver os pais com um jornal aberto à mesa?

Bom, essa mesma interrogação assombrou as mesmas redações quando inventaram o rádio, os cinejornais e, mais tarde, a televisão. O medo vinha do potencial da informação mais rápida e mais sedutora, com o uso de som, de imagens em movimento aliadas à narração firme de uma notícia já pronta para ser consumida, muitas vezes sem necessidade de reflexão.

A urgência do furo jornalístico se transformou quase num frenesi na era digital: a necessidade de dar a notícia em primeira mão aliou-se à facilidade de ela ser publicada na internet. Telegram, Whatsapp, grupo de notícias do fulano de tal. “Mas afinal, quem escreveu isso? Qual é a fonte? É fato ou é fake?”.

Alguém consegue imaginar o que seria do Brasil sem a presença de um jornalismo sério e independente? A verdade inegável é que o jornal carrega uma luta não somente pela história, mas também, pela própria democracia, possuindo um papel insubstituível na saga brasileira. E acima de tudo, na história de nossa cidade, cobrindo os momentos de luta e os de louvor.

O jornal, se inova, assim como os outros meios de comunicação. A rádio se reinventa pelos podcasts. A televisão, por sua vez, através dos canais de streaming. E o jornal, pela modernização, alcançando você, tanto nas bancas de revistas como pela telinha do seu celular!

O papel do jornal na sociedade é importantíssimo e seu nome deve ser sinônimo de luta e resistência. A VOZ DA SERRA consegue ao mesmo tempo representar o passado histórico dos vários momentos vividos, presenciando 23 presidentes no poder desse país; o presente, com notícias fresquinhas da nossa cidade; e o futuro com a inovação das tecnologias para que a informação chegue até você, leitor! Orgulhe-se, por Nova Friburgo, toda vez que ver a capa destes exemplares.

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O telemarketing insistente

quarta-feira, 05 de abril de 2023

Recebo uma ligação no meu telefone celular pela manhã. Um número desconhecido de São Paulo que me liga religiosamente, todo santo dia. Mas pode ser um cliente? Uma emergência? Um golpe? Não, somente mais uma das muitas ligações vinda de algum call center. Digo educadamente que não quero o serviço e desligo. No mesmo dia, outras cinco empresas me ligam oferecendo seus serviços. Educadamente recuso. No dia seguinte, paz? Não as mesmas empresas voltam a me ligar para me oferecerem os mesmos serviços que eu tinha recusado ontem. Dai-me paciência, meu Deus!!! 

Recebo uma ligação no meu telefone celular pela manhã. Um número desconhecido de São Paulo que me liga religiosamente, todo santo dia. Mas pode ser um cliente? Uma emergência? Um golpe? Não, somente mais uma das muitas ligações vinda de algum call center. Digo educadamente que não quero o serviço e desligo. No mesmo dia, outras cinco empresas me ligam oferecendo seus serviços. Educadamente recuso. No dia seguinte, paz? Não as mesmas empresas voltam a me ligar para me oferecerem os mesmos serviços que eu tinha recusado ontem. Dai-me paciência, meu Deus!!! 

Muitos sãos os problemas da era moderna, mas de fato, um problemão dos smartphones, em especial, são as ligações incômodas de telemarketing. Com uma base de 285 milhões de telefones (mais do que o número de habitantes no país, que são 211 milhões), a aposta de muitas empresas é por meio dos famosos call centers que nos ligam dia e noite.

Se já não bastassem as muitas ligações, as vezes até em horários inconvenientes, agora existem novos métodos que contribuem para o estresse diário: as ligações que desligam do nada e agora, os “robocalls”. Essa nova tecnologia faz a ligação para o seu telefone celular de forma automatizada e muitas vezes, mandam até mensagem SMS para seus telefones e para suas redes sociais.

Fato é que as empresas de call centers vêm extrapolando e muito o limite do bom senso e a pergunta que fica é: o que tem sido feito e o que podemos fazer para evitar esses constrangimentos?

Entrou em vigor há pouco mais de um ano, uma nova norma que obriga as empresas de telemarketing a usarem o prefixo 0303 para todos os números de seus call centers. A finalidade é tentar ajudar os usuários a se identificarem mais facilmente essas ligações e assim, optar em atender ou não, podendo até bloquear o número para não receber mais chamadas.

A nova norma, por sua vez, em nada agradou as empresas de telemarketing. Além disso, as empresas prejudicadas alegam muita regulação, o que pode interferir na renda das empresas e consequentemente, nos custos dos serviços finais.

Por outro lado, as ligações continuam de forma insistente e a grande realidade se mostra um pouco diferente do que foi estabelecido pela lei. De acordo com a Anatel, somente 324 códigos com o prefixo haviam sido cadastrados há 15 dias e dois meses após o vigor da norma, mostra-se pouco cumprida e eficaz.

Difícil não encontrar alguém que não tenha se estressado com as chamadas insistentes dos call centers que por vezes chegam a dez em um só dia. Em 2019, com o objetivo de conter o assédio comercial aos cidadãos, a Anatel criou uma plataforma chamada “Não me Perturbe.

O site, de iniciativa da companhia reguladora de telefonia, promete a suspensão de ligações com pelo menos 40 empresas, do ramo de telecomunicações (telefonia, internet e TV por assinatura) e instituições bancárias, após um mês do cadastro. Na experiência própria deste colunista, relato que o número de contatos indesejados diminuíram, porém, ainda continuam, mesmo após o período de garantia dado pelo site.

Hoje, são mais de dez milhões de linhas telefônicas cadastradas na plataforma. Embora o número pareça alto, não representa uma grande fatia dentro da realidade brasileira. Ao todo, são 285 milhões de linhas existentes em todo o país, portanto, representam somente 3,5% dos telefones brasileiros.

Como bloquear ligações

Para cadastrar seu número a fim de bloquear ligações de bancos, entre no site www.nãomeperturbe.com.br e siga as instruções. A Anatel pune o descumprimento pelas empresas que pode resultar em penalizações e até em multas, contudo alerta, que nenhuma política funciona sem a devida participação do consumidor.

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Fuja do óbvio no mercado de trabalho

quarta-feira, 29 de março de 2023

Existe uma expressão popular que diz: “O seu copo está meio cheio ou meio vazio?”. É uma metáfora sobre a forma que as pessoas têm de enxergar a vida: de maneira positiva ou negativa. Tudo é uma questão de perspectiva. Cada pessoa entende de uma forma particular as situações, mesmo as mais desafiadoras. E isso se aplica também ao momento atual que estamos vivendo em relação ao mercado de trabalho.

Existe uma expressão popular que diz: “O seu copo está meio cheio ou meio vazio?”. É uma metáfora sobre a forma que as pessoas têm de enxergar a vida: de maneira positiva ou negativa. Tudo é uma questão de perspectiva. Cada pessoa entende de uma forma particular as situações, mesmo as mais desafiadoras. E isso se aplica também ao momento atual que estamos vivendo em relação ao mercado de trabalho.

São inegáveis as problemáticas trazidas pela pandemia do ponto de vista econômico, social e consequentemente, nas vagas de trabalho em todo o planeta. E o Brasil, não diferentemente, também vive essa nova realidade que espanta, assusta e desafia muita gente.

Nesse pequeno espaço de tempo, muitas empresas faliram e fecharam suas portas definitivamente. No entanto, o mundo não parou. Outras surgiram, se reinventaram, aumentaram os seus rendimentos e mesmo diante da crise, criaram diversos empregos no momento de adversidade.

O momento pode ser visto de muitas formas. Para muitos como o lado cheio do copo para aqueles que querem buscar a realocação no mercado ou mudar de área. Como também pode ser visto como o lado vazio do copo, para aqueles que se sentem desmotivados e despreparados. 

Meio cheio ou meio vazio?

Há pessoas que enxergam esse copo como ‘meio vazio’ e não estão buscando vagas ou recolocação simplesmente porque acham que está tudo parado e ruim. Há um pessimismo latente e notável. Com certeza você conhece alguém assim. Há até quem coloque a culpa no momento econômico brasileiro, alegando que não é o favorável diante da eleição do novo presidente.

No entanto, o levantamento brasileiro tem apontado para uma nova mudança de perspectiva, com ares de otimismo. O número de desempregados tem diminuído dia após dia, conforme dados do IBGE, e os números vem apontando para o melhor trimestre desde o ano de 2014.

A verdade é que o mercado de trabalho está recheado de oportunidades e a forma de olhar para o cenário atual pode impactar aqueles que estão buscando novos ventos ou mesmo os que querem empreender para mudar, de vez, de vida. Será que é o momento de apostar naquele sonho que sempre esteve na gaveta e coloca-lo em prática?

Na contramão do caminho seguido por muitos jovens adultos, a empreendedora, Thifany Rosa, tornou-se especialista em marketing digital e remoção de tatuagens antes mesmo de se formar e explica que pensar fora da caixinha, pode render bons frutos. E ela é prova disso: com 24 anos, Thifany já comprou sua casa própria, seu carro e acumula mais de seis dígitos em vendas através da internet.

“Busquei sempre atuar em espaços que eram pouco explorados pelas pessoas. Primeiramente, vi a necessidade de profissionais que fizessem a remoção de tatuagens e micropigmentação de sobrancelhas. Assim, fiz o curso e trouxe a tecnologia para a cidade. Com a pandemia, fechei o meu negócio por conta das medidas de isolamento. Nesse meio tempo, busquei não ficar parada e iniciei os meus trabalhos no mercado de vendas online e marketing digital. Tudo no começo me dava muito ‘medo’, mas tive que arriscar para poder mudar.”

Muitas empresas tiveram seus processos digitais acelerados pela pandemia, seja em relação à venda de seus produtos e serviços, mas também do modelo de trabalho. Principalmente para àqueles profissionais que se adaptaram bem ao modelo home office e continuam rendendo e dando resultados, mesmo fora da sua área de formação.

Apesar de ser bacharel em Direito, a empresária Lara Matos Barbosa, aos 25 anos, se viu diante de um mercado de trabalho novo com um 1,2 milhão de profissionais ativos em todo o Brasil, a advocacia autônoma. Em entrevista, conta que se redescobriu profissionalmente na área de turismo, deixando de lado a área jurídica.

“Penso que o Direito me ensinou muito ao longo dos anos de formação, mas realmente me encontrei profissionalmente e financeiramente em outra área. Ouvi muitas vezes falarem que o meu trabalho não me daria retorno financeiro. Persisti, e em pouco tempo, já havia mais de 800 clientes viajando por todo o planeta. Eu escolhi o Direito, mas o turismo me escolheu. Hoje, na contramão das carreiras tradicionais, sinto que estou no caminho certo”, acredita.

Para toda pessoa que resolveu inovar e mudar existiam outras muitas que a desacreditavam e justificavam com base no que aprenderam ser o correto. Nunca para quem arrisca e constrói futuros brilhantes, houve alguém que lhe dissesse que era um momento ‘seguro’ o suficiente para fazê-lo.

E nessas horas que você tem que ver como prefere olhar o copo. Se meio cheio ou meio vazio. Eu sugiro olharmos de forma mais otimista, encarando como uma oportunidade de crescimento e mudança, sempre acompanhando as novidades do mundo, para não ficarmos para trás.  

Não importa se empreendendo, mudando de área ou buscando recolocação. A visão que se tem sobre a vida hoje vai ajudar na conquista de amanhã. É sempre melhor quando conseguimos olhar para o copo meio cheio, pois enxergamos mais oportunidades além de nossas montanhas.

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Todo profissional precisa ser um influencer digital?

quarta-feira, 22 de março de 2023

Estudos recentes apontam que o Brasil já ultrapassou a marca de 500 mil influenciadores digitais, com no mínimo dez mil seguidores em suas redes sociais. E entre dancinhas e vídeos engraçados, um novo nicho tem ganhado muito destaque: os profissionais, das mais diversas áreas, que dedicam as suas postagens sobre suas profissões.

Estudos recentes apontam que o Brasil já ultrapassou a marca de 500 mil influenciadores digitais, com no mínimo dez mil seguidores em suas redes sociais. E entre dancinhas e vídeos engraçados, um novo nicho tem ganhado muito destaque: os profissionais, das mais diversas áreas, que dedicam as suas postagens sobre suas profissões.

A verdade é que muitas pessoas acreditam que, para fazer um bom marketing pessoal, é preciso tornar-se um influenciador digital. Por essa razão, médicos, advogados, nutricionistas e profissionais e acumulam mais uma função no dia a dia de trabalho: a de ser seu próprio departamento de marketing, em busca de visibilidade, novos contratantes e clientes.

Mas afinal, usar as plataformas digitais como ferramenta de marketing gera mesmo tanto impacto? Podemos (ou melhor, devemos) fugir dessa tendência?

Novos tempos pós-Covid

Bom, eu te pergunto: ‘Qual é a primeira coisa que você faz ao acordar?’ Não vale falar que é abrir os olhos! Mas, provavelmente, se você usa seu smartphone como despertador, é provável que já aproveite a oportunidade para conferir se você recebeu alguma mensagem durante a noite e se há novidades nas suas redes sociais.

Estamos cada dia mais antenados ao mundo digital e consumindo conteúdos. Arrisco a dizer que tem gente que dorme sem escovar o dente, mas não dorme sem antes checar o Instagram. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Data Folha, 94% dos usuários de internet do país afirmam ter uma conta em sites de relacionamento.

No entanto, a grande maioria das pessoas encara as redes sociais como nada mais do que uma página na internet onde podem ser compartilhados fotos, frases, vídeos, imagens e conversar com outros usuários. Já para outros, tornou-se um meio importante para o crescimento profissional, sob a velha máxima de: “Quem não é visto, não é lembrado”.

Nesse cenário, e especialmente após a pandemia de Covid-19, que impulsionou o consumo online, o empresário e empreendedor, Robson Caetano, somando mais de 45 mil seguidores em suas redes sociais, avalia que estar online é um caminho sem volta para profissionais de praticamente todos os ramos, te dando possibilidade de alcançar muitas pessoas em diferentes lugares de todo o mundo.

“Com os meus conteúdos em redes sociais, pessoas do Maranhão, Amazonas, Colômbia e até Portugal me acompanham, algo que seria fisicamente impossível caso eu ficasse restrito a estar somente num escritório físico. A internet mudou completamente a minha vida e o destino de muitos negócios, durante e após, o momento caótico da pandemia que vivemos. Muita gente continua encarando a internet como um fim, quando na verdade ela é um meio potencializador para o seu resultado final pretendido.”

Bill Gates certo dia disse: “Em alguns anos vão existir dois tipos de empresas: as que fazem negócios na internet e as que estão fora dos negócios.” Nesse passo, muitos negócios e pessoas, tem sentido dificuldades no mercado de trabalho por não terem acompanhado esse rápido crescimento das redes, que para muitos, ainda é um desafio.

Quem não é visto não é lembrado

Algumas pessoas ainda se descontentam por já não parecer mais ser suficiente seus anos de formação, suas centenas de horas de experiência, cursos e certificados. A presença nas redes sociais tem se tornado um fardo para profissionais que se sentem pressionados a ‘dar com a cara nas redes’ e não querem lidar com a exposição.

Para driblar essas armadilhas e pressões pela visibilidade, a psicóloga e neuropsicóloga, Andreza Masuyama, orienta que mesmo com todos os perigos de esgotamento mental nas redes, ela defende que a internet é um caminho possível para o crescimento profissional, desde que seja utilizada com consciência dos limites de cada pessoa.

“Nem todo profissional precisa ser um influenciador, pois cuidar dos perfis nas redes sociais demanda tempo e energia, e é preciso avaliar se a ferramenta será útil para sua carreira profissional. Caso o profissional passe a se cobrar diariamente para fazer mais e melhores postagens, pode-se desenvolver quadros de ansiedade, causando frustrações. Acredito que a internet é um desafio necessário e deve ser enfrentado, quando o profissional tem autonomia e sabe monitorar o tempo em que se fica conectado, e o tempo que se dedica a vida real. Saber usar as redes sociais de forma saudável é fundamental”

A verdade é que não existe uma fórmula exata: nem todo profissional precisa ser um influenciador digital, mas também não precisa deixar de reconhecer os importantes ganhos que podem ser potencializados pela internet. Ser visto e lembrado parece necessário, mas sempre num equilíbrio constante com a ética profissional e acima de tudo com sua saúde mental.

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Estudar para a vida toda é a nova realidade

quarta-feira, 15 de março de 2023

A trajetória da vida das pessoas mudou assim como todo o mundo ao seu redor. A nova realidade que nós vivemos, neste exato momento, ganhou um grosso recheio de cobranças, pitadas de acirrada concorrência no mercado de trabalho e como a cereja do bolo, um mar de inovação que a cada dia, se renova e se modifica.

A trajetória da vida das pessoas mudou assim como todo o mundo ao seu redor. A nova realidade que nós vivemos, neste exato momento, ganhou um grosso recheio de cobranças, pitadas de acirrada concorrência no mercado de trabalho e como a cereja do bolo, um mar de inovação que a cada dia, se renova e se modifica.

Estudar, formar-se, estudar mais, conseguir um diploma, um emprego e, enfim, a tão sonhada aposentadoria. Esse caminho tornou-se raro para as novas gerações e passou a ser pouco desejado por muitos. A cada dia, as fórmulas que deram certo há alguns anos não mais se encaixam como uma receita de bolo.

A nova realidade parece sempre nos querer empurrar mais um daqueles termos difíceis e que nunca lembramos o nome. E por um acaso, você já ouviu falar em “lifelong learning”? Pois bem! A coluna de hoje é sobre estudar para a vida toda, não é? Logo, aperte seus cintos e vamos entender! 

O termo, em sua tradução quase que ao pé da letra, pode ser entendido como o futuro das gerações atuais e das próximas que virão: uma vida inteira de aprendizado e estudos permanentes, num processo de qualificação incessante que vai muito além da conquista de diploma e das próprias demandas de mercado.

A verdade vem se provando com o tempo. Muitos de nós, um dia imaginamos que chegar à universidade era como alcançar o topo de um processo formativo: “Pronto: o diploma de graduação era tudo o que se tinha em mente como objetivo – e bastava.” A velha máxima do estudar para depois trabalhar, não mais corresponde mais à velha receita do bolo.

A década de 90 foi um pontapé do que viria a acontecer nos dias atuais: a expansão das especializações, junto com a criação dos doutorados e mestrados em todo o país. E aos poucos, os diplomas de graduação foram perdendo cada vez mais o seu prestígio, tornando-se apenas mais algumas letrinhas que preenchem os currículos.

O brasileiro passa em média 15 anos na educação – considerando escola e universidade ou curso técnico. Mas quando a fase de educação acaba muita gente acredita que o tempo dedicado àquela atividade se esgotou, o que é uma ideia errônea, mas absorvida por muitos, pelo menos subconscientemente.

Mas...e depois? O mundo vem mudando tão bruscamente em tão pouco tempo, especialmente em se tratando do uso das novas tecnologias e da forma com que nos comunicamos. E nós? Será que estamos conseguindo acompanhar tudo isso e nos adequarmos a esse novo mundo que cada dia mais exige da gente ou estamos fechando os olhos e esperando acontecer?

Muito se fala sobre a “escola da vida”, que nos trás lições importantíssimas. Mas pouco se fala sobre a “vida da escola”, da necessidade de aprendermos algo e nutrirmos a nossa mente, seja para o mercado de trabalho ou para o nosso crescimento pessoal.

É cada vez mais comum às pessoas trocarem de profissão, descobrirem novos talentos, decidirem seguir outras paixões e trabalharem em diversos empregos durante suas carreiras. E a capacidade de aprender rapidamente e se adaptar às novas situações é uma habilidade extremamente valiosa no mundo de hoje.

O movimento de aprendizagens ultrapassa as faixas de idade, e vem desde a primeira infância até a velhice. Quem acha que não deve voltar aos bancos escolares está fadado a se descolar da própria vida social, e não só do trabalho, como muitos imaginam. É ter repertório é criar um acervo cultural, estruturar um portfólio diverso e aberto a inovações.

É entender um pouco sobre isso, um pouco sobre aquilo. Isso faz de você uma pessoa diferenciada e o coloca em um lugar de destaque e significado. Mas isso só acontece se você encarar as múltiplas formas de conhecimento como uma condição ininterrupta para a sua da vida

O novo mundo vem nos fazendo quebrar esses conceitos antigos, de que ‘estudo’ e o ‘trabalho’ devem andar separados. Mais do que nunca e a cada dia mais nos provam que devem se misturar num complexo ambiente de aprendizagem e aperfeiçoamento, que é capaz de mudar a nossas vidas.

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Lute como uma mulher

quarta-feira, 08 de março de 2023

O Dia Internacional da Mulher (8 de março) é uma data muito além de todas as celebrações pelo planeta. É um marco político na história mundial. Isso porque, há apenas 48 anos, a ONU instituiu o dia que simboliza a celebração e a luta pelos avanços femininos na sociedade.

O Dia Internacional da Mulher (8 de março) é uma data muito além de todas as celebrações pelo planeta. É um marco político na história mundial. Isso porque, há apenas 48 anos, a ONU instituiu o dia que simboliza a celebração e a luta pelos avanços femininos na sociedade.

Luta que parece interminável e de fato parece ser eterna... Afinal, ao contrário do que muitos imaginam e berram aos ares, apesar de muitos direitos serem conquistados, a vida das mulheres segue repleta, de dores ocultas e de feridas expostas, tapadas com um pequeno band-aid, em uma ferida repleta de antagonismos.

É ser livre para desbravar o mundo, mas sem a liberdade de se vestir como quiser ou se sentir segura em estar sozinha na rua. É ser corajosa, mas sempre ter medo. É ser detentora da liberdade de se relacionar com quem quiser, que bate de frente ao primeiro assédio vivido nos primeiros anos, antes mesmo da vida adulta.

É ser igual a um homem perante a lei, mas precisar de legislações especiais que lhe protejam dos crimes das múltiplas violações cometidas contra sua honra, seu corpo e sua alma. É ter o superpoder de gerar a vida, mas saber que a cada seis horas, uma vida feminina é tomada... vítima da barbárie do feminicídio.

Por meio do ex-namorado que não aceita a separação e quer se reconciliar de todas as formas possíveis e imagináveis: com violência física, psicológica, patrimonial e até contra ele mesmo, no único intuito de reconstruir algo que já se destruiu. Perguntamos-nos se é possível ‘amar’ e ‘odiar’ ao mesmo tempo, quando na verdade, é apenas mais alguém vendo uma mulher como sua pro-pri-e-da-de.

Como o ex-marido que não se ‘controla’ em ver a vida da ex-esposa seguir em frente e compra uma arma ao ponto de fazer uma “besteira”. Caso isolado? Só se for o de número 3.900: o total de mulheres mortas pelos seus ex-companheiros no ano passado. E que a cada ano, aumenta... Será que a pandemia deu inicio à uma nova epidemia?

Não. A verdade é que agora existe internet e telefones celulares para todos os lados, que compartilham com mais frequência o que sempre existiu no silêncio: a violência latente contra o sexo feminino. Aquela que fere como no caso hipotético, de um ex-parceiro que coloca fogo num colchão, em uma casa de madeira, com duas mulheres amedrontadas trancadas dentro de um banheiro, mas... sem a intenção de matar.

E mesmo com todas as barreiras e dificuldades pelos caminhos tortuosos da vida, ter a capacidade de seguir em frente e lutar. Ser mulher e mudar o mundo! Acordar cedo, pegar um ônibus lotado e ir trabalhar. E no caminho... sofrer mais uma violência. Quase 97% das mulheres já foram vítimas de assédio no transporte público.

Ouvir como desculpa: “Hoje não podemos nem elogiar mais que vamos presos”. Será que é só isso mesmo? Apenas? Não existe nada nesse meio do caminho que transforme uma simples abordagem simpática em uma violência que dói e põe medo no outro?

Em uma pesquisa realizada com mulheres acima de 16 anos, 86% afirma ter sofrido assédio sexual, sejam através de assobios, olhares inconvenientes, comentários de cunho pejorativo, xingamentos, seguidas ou tiveram seus corpos tocados. Quase 70% das entrevistadas relataram ter medo de chegar em casa após anoitecer. Será que todas elas enlouqueceram e não sabem identificar um simples elogio?

Certamente, as mulheres tem algo que só quem é mulher entende. É ter um tipo específico de sensibilidade e olhar – um sexto sentido. É a possibilidade de mesmo sendo uma, ser muitas ao mesmo tempo. Ser mãe de crianças, ser ‘mãe de marido’, ser empresária, ser funcionária, ser dona de casa. Sempre persistindo, lutar e nunca desistindo de ser feliz.

É mudar o mundo da sua forma e da melhor maneira possível, mesmo ocupando poucos espaços de decisão na sociedade. Afinal, hoje, apenas 11 mulheres, dos 81 eleitos, foram escolhidas senadoras nesse país. Ser mulher é  uma mistura do desejo de mudar, da perseverança, da mudança e, acima de tudo, de fazer acontecer.

Acreditar que mesmo diante de inúmeras medidas para protegerem as mulheres, dias melhores virão. As medidas de proteção sejam temporárias e a sociedade se educará num mundo em que não mais precisaremos delas. Mas, enquanto isso não acontecer... o dia das mulheres ainda será um marco de muita comemoração e mas sobretudo, de muita luta!

“Lutar feito homem”? Não, eu quero é lutar como as mulheres!

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O poder que o Carnaval teve de transformar Nova Friburgo

quarta-feira, 01 de março de 2023

Quando ouvi pela primeira vez, creio que nos últimos dias do ano passado, a afirmação de que Nova Friburgo se preparava para realizar um dos melhores carnavais já vistos na cidade, e ainda, a melhor festa de todo o interior, confesso que recebi a informação com uma leve descrença.

Quando ouvi pela primeira vez, creio que nos últimos dias do ano passado, a afirmação de que Nova Friburgo se preparava para realizar um dos melhores carnavais já vistos na cidade, e ainda, a melhor festa de todo o interior, confesso que recebi a informação com uma leve descrença.

O que será que a típica folia friburguense poderia ter de diferente em nossas montanhas depois de tantos anos? Muitos não sabem, mas Nova Friburgo possui o segundo maior carnaval do Estado do Rio de Janeiro. Por motivos óbvios, perde somente para a capital – que por sinal, é o maior carnaval do mundo. Será que todo esse alarde seria para tanto?

A festa foi se aproximando e os preparativos começaram. Depois de dois anos sem a querida festa folclórica, a programação ficou pronta e, finalmente, uma grande estrutura começou a ser montada. Os palcos surgiam em diversos pontos do centro da cidade e criavam a primeira sensação de imersão no universo da maior e melhor festa brasileira.

Como morador da Avenida Alberto Braune, me questionei um motivo plausível pelo qual a rua seria interditada em plena quinta-feira, quando antigamente era somente na sexta de folia. E no mesmo dia, já à noite, ao ouvir o rufar das primeiras baterias e o som único dos tamborins, comecei a perceber a linda festa que estaria por vir.

Os eventos foram se sucedendo e na sexta-feira, os foliões tomaram espaço nos tradicionais blocos de rua, contagiando alegria para as famílias que acompanhavam atentas aos desfiles. Em contra partida, outro folião mais desatento, proporcionou um vídeo incrível durante o Blocão do Rastafare, que viralizou muito além de nossas montanhas, e foi compartilhado até pelo famoso rapper americano, o 50 Cent.

Aos roqueiros e aos consumidores de cerveja artesanal, a festa estava plenamente organizada na batizada “Rua da Cerveja Artesanal”. O coreto, no coração da Praça Getúlio Vargas, virou palco, ganhando iluminação, infraestrutura, segurança e contou com diversos artistas, dando vida ao palco alternativo, que sempre existiu, mas que nunca teve a devida atenção do poder público.

Naquele momento, já era possível perceber que a expressão “melhor carnaval do interior”, tantas vezes repetida nos discursos da imprensa local, faziam pleno sentido e não era um mero exagero de autoestima elevada. Nova Friburgo se mostrava puro Carnaval.

Mas foi no domingo, ao andar pela cidade e observar os grupos de mulheres e homens, empurrando carros alegóricos e transportando fantasias em meio ao trânsito da cidade, que se tem a dimensão da grandeza do nosso espetáculo. Grandeza essa que deixou muita capital brasileira com desfile no chinelo e que certamente, deveriam aprender muito conosco.

E aos que estavam acostumados com uma segunda e uma terça-feira de pleno carnaval com clima de finados, fomos surpreendidos com uma lotação de 90% dos hotéis e pousadas, cujos hóspedes tiveram o privilégio de prestigiar os trios elétricos e os grandes shows no palco principal. A comunidade friburguense e os turistas se envolveram e se entregaram ao longo de todo circuito.

Pode parecer exagero a minha fascinação com os ‘delírios’ e detalhes da festa, com o envolvimento da população, a euforia dos turistas e toda estrutura do Carnaval. Mas é muito mais necessário olharmos para os bastidores que a deliciosa festa foi capaz de proporcionar para a nossa cidade.

Renan da Silva Alves, secretário de Turismo, Marketing e Eventos da cidade, explica que no período pandêmico onde o turismo, os eventos e o setor cultural foram drasticamente afetados, contribuir para a retomada das atividades que tanto geram riqueza para a nossa cidade é um dever.

“O Carnaval foi muito além dos seis dias de folia, dos palcos montados e de cultura e entretenimento gratuito para a população. A profissionalização do Carnaval foi dedicada à comunidade, aos turistas e ao desenvolvimento econômico de cada friburguense. Diversos artistas contratados, o faturamento aproximado de R$ 1,5 milhão dos barraqueiros, a alta ocupação da rede hoteleira, mais de dez mil litros de cerveja artesanal vendidos e os quase três mil empregos diretos e indiretos gerados pela folia.”

O saudoso Dorival Caymmi canta em sua música que “quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé.” A verdade é que nem todo mundo gosta da folia, seja pelos seus motivos religiosos, pessoais e até ‘morais’ – o que deve ser plenamente respeitado.

Seja você um simpatizante ou não do Carnaval ou da atual gestão municipal, precisamos aplaudir de pé o importante passo na profissionalização do evento que encheu de alegrias à nossa cidade. O carnaval se vai, regado à purpurina e serpentina e os benefícios aos friburguenses ficam, como uma marca para uma cidade melhor.

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Nova Friburgo perde sua identidade de futuro

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Os mais saudosos moradores desta linda cidade, envolta das mais belas montanhas do Estado do Rio de Janeiro certamente me entenderão: “Nova Friburgo, apesar do seu charme, de sua tranquilidade e de suas belezas naturais, já foi um lugar melhor para vivermos e em especial, para os nossos jovens começarem a vida”.

Os mais saudosos moradores desta linda cidade, envolta das mais belas montanhas do Estado do Rio de Janeiro certamente me entenderão: “Nova Friburgo, apesar do seu charme, de sua tranquilidade e de suas belezas naturais, já foi um lugar melhor para vivermos e em especial, para os nossos jovens começarem a vida”.

Nos anos 70 e 80, a nossa cidade viveu sua época de ouro. O auge do luxo estava próximo aos hotéis da Avenida Alberto Braune, que contava com a presença em peso de grandes artistas que vinham passar os fins de semana por aqui. Atores, cantores, diretores de novelas e jogadores de futebol construíram sítios, casas, família e aconchego no frescor de nossas montanhas.

Os jovens da época, apesar do Brasil viver momentos difíceis, tinham em nossa cidade o seu primeiro emprego sem que precisassem fazer muito esforço. As empresas eram muitas: Rendas Arp, fábricas Ypu e Sinimbu, as empresas de metal mecânico, e as confecções que davam o seu ponta pé inicial.

O custo de vida não era tão caro e morar em Nova Friburgo era barato. Até as próprias empresas construíam gigantescos condomínios, com comércios planejados, ao longo de toda cidade para que todos os seus funcionários tivessem uma melhor qualidade de vida dentro dos seus enclaves urbanos.

A verdade é que os anos se passaram e o mundo nunca mudou tanto nesses últimos 20 anos. Os jovens adultos de agora, nasceram com o uso do disquete, cresceram com as fitas VHS, os CDs, DVDs... amadureceram com os pen drives e os cartões de memória e hoje, ingressam no mercado de trabalho no grande ‘boom’ da internet.

Em contrapartida, Nova Friburgo, olhando por um ponto de vista mais saudoso, parece não ter evoluído tanto assim e podemos dizer, que não vivemos em mais nada a nossa época de ouro. As grandes fábricas, do dia para a noite, fecharam as portas. O turismo mudou. As lojas da saudosa Avenida Alberto Braune trocaram o seu público, acompanhando o ritmo da cidade, que aos poucos foi empobrecendo.

As inúmeras casas de festa da época sumiram, junto com todas as outras que surgiram depois. E assim, a nossa juventude, aventureira, percebeu que as montanhas do Caledônia somente eram uma fronteira física que nos impedia a vista do além. E por meio da RJ-116, sumiram das vistas para estudar... e nunca mais voltaram.

E quando voltam, além dos gigantescos supermercados que são construídos do dia para a noite, das lojas que mudam de lugar o tempo todo e do mato que anda melhor capinado, percebem que, mesmo com o passar dos anos, Nova Friburgo parece não ter mudado nada. E o que mais nos dói é admitir que de fato não mudou.

Será que as montanhas são um grande impeditivo para as fábricas que aqui estavam? Mas Petrópolis cresceu tanto nesses tempos... a serra de São José dos Pinhais no Paraná, com 250 mil habitantes tornou-se o terceiro maior polo automotivo do Brasil... Gramado, no Rio Grande do Sul, com apenas 36 mil habitantes tornou-se um dos destinos mais visitados de todo o país sem ter as belezas naturais que nós temos...

Nossa cidade não tem gerado empregos. Mesmo que possuamos um vasto polo universitário nacional, não conseguimos prender a nossa própria juventude pela falta de oportunidade e de perspectiva de dias melhores. E o friburguense, que cresceu andando pela Alberto Braune e sonhando com um lugar melhor, agora vive em outro lugar, à trabalho e com família.

E não estou falando nem do que foram viver na nossa capital, que infelizmente, possui um índice gigantesco de criminalidade e insegurança. Falo dos que desbravaram os muitos municípios do país e hoje, não veem uma alternativa sequer de voltar a viver cercado pelas montanhas de nossa cidade.

A verdade é que enquanto nós friburguenses não soubermos aonde queremos chegar, nunca saberemos qual caminho precisaremos trilhar. Deixemos de nos contentar com o imediatismo que com dois ou três meses cai no esquecimento. Comecemos a pensar no futuro, para que Nova Friburgo, não continue, cada dia mais, perdendo a própria identidade.

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