Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

01/03/2021

Será que posso afirmar que a literatura é patrimônio do Estado, tanto quanto a língua usada? Volta e meia, eu me deparo com esta questão porque a literatura se utiliza da palavra como instrumento de expressão da cultura. Este é um tema essencial da expressão de um povo, dado que a literatura revela um tempo histórico, político, social e cultural. A literatura, através dos seus diferentes estilos, aborda fatos, revela acontecimentos e avalia tendências de um momento. Possui riqueza artística, exigindo do seu criador tantos cuidados como os dos designers de joias.

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22/02/2021

Como a literatura é eclética! Imagino que o escritor seja como um colhedor de flores que seleciona e reúne plantas de vários espécimes para fazer arranjos e compor os ambientes em que vivemos, melhorando nossos modos de ser e de viver. Como toda arte, a literatura tem a perspicácia dos caçadores de esmeralda. Como toda a ciência, a medicina tem o espírito investigativo de Sherlock Holmes, que tudo precisa saber para resolver, além de ter nas mãos a divindade do tratamento e da cura.

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15/02/2021

Não é porque estamos em tempos de pandemia que o carnaval vai se encolher pelas frestas da cidade como um refugiado, que procura pequenos espaços para eclodir em vida. Ah, o carnaval é solene! Triunfa nas ruas como uma festa popular que inunda cidades do planeta há séculos. No Brasil, chegou nos tempos coloniais e se enraizou. Entretanto, neste ano de 2021, como forma de preservar a saúde, o carnaval vai vibrar no brasileiro de outras formas, já que seu coração bate no ritmo do bumbo. Mesmo os que não brincam nos blocos, mas cantarolam, movimentando os pés ou as mãos ao som do samba. 

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09/02/2021

Nesta semana, andando com tranquilidade pela Praça Getúlio Vargas, observei,
mais uma vez, as trovas presas aos postes, colocadas em 2018, quando a cidade de
Nova Friburgo comemorou 200 anos. Que lindeza literária! As trovas são delicadas
meninas que dançam pelos vales da nossa cidade. Mas, depois deste momento de
orgulhoso encanto, fui tomada por uma sensação quase oposta, carregada pela
pergunta: por que o friburguense não valoriza suas conquistas, sua história e sua

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01/02/2021

Faz tempo que não escrevo sobre a literatura infantil. Lendo alguns textos
e entrevistas de Ricardo Azevedo, mestre em Letras e doutor em Teoria
Literária, escritor e ilustrador, autor de aproximadamente cem livros de
literatura infantil, como Nossa rua tem um problema (1993), Dezenove poemas
desengonçados (1998) e Se eu fosse aquilo (2014), editados pela Ática, fui
carregada por ideias iluminadas sobre o escrever para crianças.
Tenho a impressão de quem escreve para crianças tem vontade de

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25/01/2021

Neste início de ano, em plena pandemia e entre tantos acontecimentos,
também por estar estressada e triste, quis aprofundar meus laços afetivos e
literários com os animais. Logo, na primeira semana, adotei uma cachorrinha
abandonada na estrada. Como me fez bem cuidar dela, tive a sensação de
estar resgatando o mundo dos seus males. Duas semanas depois, foi um
encantamento por um cavalo que vive sozinho num terreno. Que vontade estou
tendo de trazê-lo para casa e fazê-lo feliz.
Dedico esta coluna aos animais também por querer conhecê-los mais e

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18/01/2021

Buscando ideias para escrever a coluna desta semana, pensei numa amiga, Patrícia Mellodi, cantora e compositora, que compôs uma deliciosa música, Faxina Geral. Considero a letra uma poesia sobre o tempo de passagem, em que fechamos um capítulo da nossa história e recomeçamos outro. 

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11/01/2021

São raros os momentos na vida em que nos deparados com a verdade,
em que sentimos que somos invadidos pela constatação de fatos, que, muitas
vezes e naturalmente, negamos reconhecê-los como realidades presentes em
nossa história de vida. Um desses raros momentos é o da morte. Ninguém
consegue mentir na hora de findar.
A maioria das pessoas, como eu, não gosta de pensar nesta última etapa
da vida, nos minutos finais. A médica Ana Claudia Quintana Arantes, autora do
livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, editado pela Casa da Palavra,

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04/01/2021

Faço desta coluna uma carta aos sobreviventes, posto que assim me sinto. Sobrevivi à tragédia de 2011 e termino 2020 com saúde.

Acordei em 2021 com a paz dos náufragos que se deitam sobre a areia e descansam, olhando as nuvens que se movimentam no céu. Durante o café da manhã, Robson Crusoé, Malu Mulher, Jean Valjean e tantos outros personagens passearam pelo meu imaginário como conselheiros da manutenção da vida. Foi uma bela companhia.

Ah, a literatura nunca deixa de nos assistir! Cura-nos da estupidez. 

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22/12/2020

Vou aqui relatar uma interessante experiência literária que tive recentemente. Com todas as dificuldades que enfrentamos neste ano de 2020, a literatura, mais uma vez nos mostrou seu poder de superação. É a expressão humana que está constantemente pronta a ir além. De apontar para horizontes, mesmo quando as nuvens carregadas retiram do nosso olhar o encontro da paisagem com o céu. É a arte que se aventura ao vazio, preenchendo-o com palavras cuidadas por pensamentos inquietos e mãos sensíveis. É o culto à beleza humana que nunca se esgota, mesmo nos tempos de pandemia.

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