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Curiosidades sobre o período eleitoral

quinta-feira, 01 de setembro de 2022

Tão certo, em 2022, quanto a seleção brasileira campeã da Copa do Catar - com um belo gol do Neymar - é que neste ano, os barracos familiares nos grupos de Whatsapp já começaram. Entre troca de figurinhas do álbum da Copa e intrigas intermináveis, o diferencial é se manter-se o mais informado possível nestes tempos polarizados.

Tão certo, em 2022, quanto a seleção brasileira campeã da Copa do Catar - com um belo gol do Neymar - é que neste ano, os barracos familiares nos grupos de Whatsapp já começaram. Entre troca de figurinhas do álbum da Copa e intrigas intermináveis, o diferencial é se manter-se o mais informado possível nestes tempos polarizados.

No próximo de 2 de outubro, cerca de 146 milhões de eleitores e eleitoras estão habilitados para irem às urnas para exercer o direito máximo de uma sociedade democrática: o voto secreto. Desta vez, os pleitos elegerão os representantes federais (presidente, senadores e deputados federais) e estaduais (governador e deputado estadual), escolhas importantes que, nos próximos anos, decidirão pelos rumos do Brasil.

Ainda que tenhamos somente um representante eleito para o cargo de presidente da República, um para governador e outro para o de senador, o Estado do Rio de Janeiro terá em suas mãos o poder de eleger 46 deputados federais dentre os 1.077 candidatos do nosso Estado – lembrando que não é possível votar em candidatos de São Paulo, por exemplo. No âmbito estadual, por sua vez, a concorrência será maior, são 1.626 candidatos para apenas 70 cadeiras disponíveis na Alerj, a Assembleia Legislativa fluminense. 

Outra curiosidade importante é no campo das conquistas. Estas eleições marcam os 90 anos do voto feminino, que hoje representam 53% do total de eleitores por todo país. É importante lembrar, que apesar de maioria em número, as mulheres somente conquistaram esse pleno direito 400 anos depois que os homens começaram a eleger os representantes do Brasil,

Hoje, as mulheres têm seus atos democráticos valendo o mesmo que o deles, sem qualquer diferenciação, e apesar de serem a maioria da população e dos eleitores, as mulheres têm, atualmente, baixa representação no Congresso: são apenas 15% na Câmara dos Deputados e 13% no Senado.

Impedimentos e proibições importantes

Não menos importante que as curiosidades sobre os pleitos, é fundamental entendermos como nós podemos ser afetados pelas regras eleitorais, que a todo tempo, tem atualizações que podem nos impactar.

Aos usuários de redes sociais: é preciso estar atento nesse momento. Desde o último dia 15, o eleitor que fizer uma enquete em suas redes sociais perguntando em quem seus amigos pretendem votar pode ser multado em até R$ 329 mil. Tal punição atinge tanto as páginas de pessoas jurídicas quanto as de pessoas físicas.

Apesar de ter se tornado uma prática febril nas redes sociais, ela está proibida neste período e todo cuidado é pouco. Segundo os Tribunais Eleitorais, as condenações nesse sentido já vêm acontecendo e a fiscalização neste período é ainda mais rígida. A previsão legal está no artigo 23 da resolução 23.600/19 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 De acordo com o TSE, enquete é: “O levantamento de opiniões sem plano amostral, que dependa da participação espontânea da parte interessada, e que não utilize método científico para a sua realização, quando apresentados resultados que possibilitem ao eleitor inferir a ordem dos candidatos na disputa”. Ou seja, caso a pesquisa não esteja registrada e não seja feita da forma da lei, uma mera curiosidade nas suas redes sociais pode te trazer problemas sérios.

Ainda com o foco nas redes sociais, a desinformação eleitoral – conhecida como as fake news - é um dos assuntos mais debatidos pelo TSE, e neste ano, inclui a realização de parcerias com Facebook, Instagram, Twitter, Google, TikTok e WhatsApp, entre outros serviços. O órgão criou canais oficiais nessas plataformas no intuito de evitar a propagação de conteúdos falsos sobre as urnas, o processo eleitoral ou que ridicularizem candidatos.

Ainda que as divergências políticas estejam numa crescente, é sempre essencial lembrar que internet não é terra sem lei. Qualquer crime cometido seja de calúnia (dizer de forma mentirosa que alguém cometeu um crime), injúria (atribuir palavras e qualidades negativas) e difamação, podem surtir efeitos em processos judiciais.

É essencial, o bom senso, e entendermos que liberdade política e a liberdade de expressão não podem jamais se confundir como uma garantia para agressão. Além disso, recentemente, pela segurança dos eleitores no dia do pleito democrático, dado o momento altamente politizado, o TSE proibiu o porte de arma nas sessões eleitorais. Tal medida leva em conta o aumento do número de armas na mão de civis e a consequente falta de fiscalização suficiente.

Divergências políticas à parte, lembremos que vivemos o auge de uma jovem democracia com apenas 28 aninhos de sua plenitude e de seu amadurecimento. Ainda que fosse possível o voto para os cargos legislativos nos 20 anos de ditadura militar, somente após 1984 pudemos escolher um presidente da República - que pode não ser o nosso favorito, mas ainda sim, foi escolhido pelo povo.

'Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo,’ - desde que não seja crime, é claro.” Essa citação de Voltaire com um adendo do ilustre colunista explicita o valor essencial da democracia: a liberdade!

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Desmatamento nos impacta aos poucos

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Hoje, o Brasil derruba mais árvores do que consegue plantar. Não é uma suposição, nem um ‘achismo’, é um fato. O desmatamento na última década arrasou mais de um milhão de hectares de florestas em todo o país, e menos de 70 mil hectares foram devidamente restaurados até hoje.

Hoje, o Brasil derruba mais árvores do que consegue plantar. Não é uma suposição, nem um ‘achismo’, é um fato. O desmatamento na última década arrasou mais de um milhão de hectares de florestas em todo o país, e menos de 70 mil hectares foram devidamente restaurados até hoje.

Agronegócio expansivo, garimpo ilegal, grileiros e extração de madeira irregular apesar de serem os maiores responsáveis por essas grandes tragédias que vem ocorrendo nos últimos 20 anos, não são os maiores beneficiários. Empresas com sede nas grandes cidades, multinacionais e contrabandistas não precisam adentrar as matas para causar estragos.

Para termos ideia, o desmatamento na Amazônia em 2021 foi o pior em dez anos, é o que afirma o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. Os dados apontam que houve um crescimento da devastação em 29% em relação a 2020. E afinal, o que isso muda na minha vida?

Prejuízo nacional

Ainda que as grandes matas estejam a quilômetros de distância da gente, a situação é mais delicada do que parece e para isso, precisamos olhar com calma para a nossa volta e analisarmos de um ponto de vista apolítico.

Um estudo da FAO, afirma que o desmatamento na Amazônia deve gerar um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão por ano para a agricultura brasileira pelas próximas três décadas. Certamente, consigo ver muitos leitores se questionando: “Não devastamos parte das florestas para plantar? Como pode haver prejuízo?”.

A questão é mais delicada do que imaginamos. À exemplo, a nossa bela região: possuímos um índice de chuvas bem alto no verão – até demais.  Mas você sabia que grande parte das chuvas que banham a nossa cidade não são de água evaporada daqui? Pois bem, é verdade...

Atualmente, pesquisas indicam que ao menos 30% das chuvas na região Sul e Sudeste vêm através do que chamamos de “rios voadores”, que são responsáveis diretos para que não precisemos racionar água. Mais que isso, pela viabilidade até da produção de hortaliças e flores na nossa cidade.

Como cerca de 20% da reserva de água doce do planeta está na Amazônia, que possui um clima quente, grande parte da evaporação de água é levada por esses canais aéreos, que formam as correntes de nuvens que passam pelos céus de todo país. E o volume de água transportada por lá é gigantesco.

São cerca de 20 trilhões – não, você não leu errado - de litros de água por dia, mandados para atmosfera e “distribuídos” por todo país. É muita chuva. Para se ter ideia, em situações não comuns, o “rompimento” (a instabilidade atmosférica) em um desses canais, pode ser responsável por chuvas como as que causaram inúmeros estragos em Petrópolis em fevereiro e março deste ano e da tragédia climática de 2011 na Região Serrana. Estamos falando de “canais” responsáveis pelo reabastecimento de 60% da população brasileira.

Os rios voadores tem perdido quantidade de água e consequentemente afetam as chuvas. E não é difícil notar que ano após ano chove menos e o calor bate recordes. Com menos árvores, menos água é “transpirada” para atmosfera e como consequência, menos chuva, que gera seca, crise, aumento no preço dos alimentos. Não é uma matemática difícil de ser feita.

Já é rotina. No inverno, ano após ano, as contas de luz sobem de forma alarmente por conta de que? “Dos baixos níveis de água nos reservatórios”. O mesmo vale para o fornecimento de água, que nos últimos anos, grandes e pequenas cidades têm que racionar – cai água um dia sim e outro não.

E acima de tudo, ainda que devastemos para incentivar a pecuária e ao plantio de soja no país, que são economicamente importantes e ajudam a abaixar os preços – ou deveriam – no país, é preciso lembrar que sem água não temos pecuária e nem plantações. Plantações essas, que são uma das grandes responsáveis pela renda da nossa cidade, que é uma exportadora de legumes, verduras e hortaliças para todo estado.

Hoje, plantar árvores e recuperar florestas, além de ser uma das soluções mais simples e baratas para combater o aquecimento global, podem trazer outro benefício: a geração e a manutenção de empregos. Publicado recentemente na revista científica People and Nature essa iniciativa poderia gerar 2,5 milhões de empregos, só no Brasil, até 2030.

De acordo, com o levantamento feito pela pesquisa, com 350 empresas responsáveis pelo reflorestamento no Brasil, o país empregou 8.200 pessoas para o reflorestamento de uma área de 19 mil hectares. Mesmo sem investimentos, o país hoje consegue gerar até um emprego para a cada dois hectares (área equivalente a dois campos de futebol).

Em longas escalas, seria o suficiente para reduzir em quase 25% a atual taxa de desemprego no país (10,1 milhões de pessoas, segundo o IBGE). O desmatamento desenfreado influencia na vida, desde a conta de luz, passando pelo sustento do agricultor em Campo do Coelho e chegando aos preço dos alimentos. Desmatamento é assunto Além das Montanhas.

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Uma doença chamada alcoolismo

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Nada começa do dia para noite, começa-se aos poucos. De cerveja em cerveja, de vodka em vodka, de cachaça em cachaça e esse processo por vezes dura anos. Mas o que era recreativo acabou por virar rotina: todo dia, à noite, na saída do trabalho, que seja. Quando se percebe, bebeu os sete dias da semana e contente, se orgulha. E depois, os 30 dias do mês. E no bambear das nossas vidas, silenciosamente, o prazer vira uma necessidade, um vício. Pois bem, este é o alcoolismo.

Nada começa do dia para noite, começa-se aos poucos. De cerveja em cerveja, de vodka em vodka, de cachaça em cachaça e esse processo por vezes dura anos. Mas o que era recreativo acabou por virar rotina: todo dia, à noite, na saída do trabalho, que seja. Quando se percebe, bebeu os sete dias da semana e contente, se orgulha. E depois, os 30 dias do mês. E no bambear das nossas vidas, silenciosamente, o prazer vira uma necessidade, um vício. Pois bem, este é o alcoolismo.

A primeira fase é a ‘adaptação’: nesse momento, o álcool serve de muleta para facilitar o contato social e diminuir as tristezas e ansiedades da vida. A segunda fase é a ‘tolerância: beber muito, não se embriagar e no outro dia, conseguir facilmente ingerir álcool aos montes sem qualquer problema, mesmo com apagões frequentes do que aconteceu na noite anterior. A terceira fase é a ‘sindrome de abstinência’: nessa situação, a doença já está instalada e o álcool é mais que uma válvula de escape, é necessidade que deteriora o físico, o mental, o social, agrava os tremores, os rostos incham e começa a dependência.

A normalização dessa cultura é perigosa e tem trazido efeitos graves à sociedade. De acordo com o IBGE, em 2019, pelo menos 63% dos estudantes, menores de idade, já tinham tido contato precocemente bebidas etílicas. Fato é, que outras pesquisas são unanimes: quanto mais cedo o contato com o álcool, mais a chance de dependência aumenta, especialmente entre as mulheres.

Foi pelo o que passou Paloma – que terá um nome fictício para preservação de sua identidade – que é alcoólica em recuperação e hoje, trabalha ativamente como membro do Alcoólicos Anônimos, explica que passou por momentos difíceis até ser acolhida pela instituição, a qual tem um amor sem igual.

“A gente aprende a conviver socialmente com a bebida, especialmente dentro de casa. Comecei como tudo mundo: numa sexta-feira, depois em um fim de semana inteiro, depois era todo dia. Eu mesmo não percebia, mas comemorava minhas vitórias com o álcool e afogava minhas tristezas na bebida. De manhã, de tarde e de noite, e o pior de tudo, eu não percebia. Uma vez fui à um médico, disse que bebia todo o dia e ele me disse que eu era alcoólatra: saí de lá chateada por ele ter me chamado assim, mas só mais tarde fui entender que precisava de ajuda”, explicou Paloma.

E como já testemunhou a cantora Rita Lee em algumas de suas entrevistas: “O álcool é a droga mais difícil de todas de se largar”. Compreensível, afinal é uma verdadeira febre social que nunca sai de moda. Está nos estádios de futebol, na pelada com os amigos, nas mesas de entrevistas dos jogadores profissionais para a televisão, nos patrocínios dos eventos, nas praças, nos bares em cada esquina, nas padarias, nas baladas, no after, em casa, no churrasco da família, na propaganda da televisão, estampado na gôndola de promoções do mercado e nas ligações incessantes dos amigos que te incentivam a beber.

“Foram momentos muito difíceis. É você vê sua vida falindo aos poucos, não só materialmente, mas amorosa, social e espiritualmente. No começo, eu não sabia como procurar ajuda, até que há dez anos, encontrei o Alcoólicos Anônimos, onde fui abraçada, consolada, amadrinhada, amparada, incentivada e esclarecida de que a minha doença é incurável, progressiva e até fatal”, conta Paloma.

Hoje, a instituição para reabilitação tem um importante papel social e relevância a nível mundial, sendo responsável pela recuperação de diversas pessoas e pela mudança de vidas. O seu único requisito para ser membro do A.A. é ter o desejo de parar de beber. Não existem taxas ou mensalidades, a instituição é autossuficiente, graças às contribuições voluntárias dos membros.

O A.A de Nova Friburgo nesse domingo, 21, comemora os seus 70 anos em um evento realizado no Sindicato do Têxteis, às 9h, na Rua Augusto Spinelli, 84, Centro. Alcoolismo é uma doença séria e caso você precise de ajuda, não hesite em buscar ajuda. O telefone da instituição é 22 - 99810 2886

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Alta temporada nos programas de trainees

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Ainda que a taxa de desemprego tenha se mantido em níveis altos nos últimos anos, ao que tudo indica, a economia tem voltado a se aquecer aos poucos e esfria o cenário de melancolia que assolava grande parte dos brasileiros. Mas é claro, que nem tudo são rosas e todo cabo de guerra tem seu lado mais fraco.

Ainda que a taxa de desemprego tenha se mantido em níveis altos nos últimos anos, ao que tudo indica, a economia tem voltado a se aquecer aos poucos e esfria o cenário de melancolia que assolava grande parte dos brasileiros. Mas é claro, que nem tudo são rosas e todo cabo de guerra tem seu lado mais fraco.

Hoje, ainda que o grau de empregados aumente no Brasil, o mercado de trabalho ainda persiste em não ceder tantas oportunidades para a juventude que tenta conseguir as suas primeiras oportunidades. Não há dúvidas e os dados são claros: os jovens constituem um dos grupos mais vulneráveis do país.

Para a taxa média de 10% que atinge o desemprego nacional, para os jovens entre 18-24 anos, essa média chega a 27%. Dentre os desocupados, 32% da parcela total. Do montante de subutilizados – os que estão desempregados, trabalham poucas horas ou até desistiram de correr atrás – 42% são parte da juventude.

Muitos fatores ainda dificultam a entrada dos jovens no mercado de trabalho e o principal é a falta de experiência profissional. Afinal, sejamos francos, por que o empregador deixaria de contratar alguém com anos de mercado para contratar alguém que terá que ensinar? Pois bem. Na contramão desse raciocínio, novas oportunidades têm aparecido em grandes empresas.

O que é um trainee

Como o nome sugere, trainee são profissionais em início de carreira que estão num verdadeiro treinamento numa empresa. Geralmente, jovens prestes a se formar ou no máximo com dois anos após a conclusão do curso. Eles são contratados através de programas especiais que buscam encontrar bons profissionais com o objetivo de lapidá-lo, fazê-lo crescer e se desenvolver dentro da empresa.

A ideia do projeto é que com o tempo, esse jovem deixe a função de trainee e assuma cargos de relevância dentro das grandes corporações. Os programas trainee têm sido, nos últimos tempos, a porta de entrada para grande parte das multinacionais da atualidade e os que apresentarem melhores resultados, permanecem. Mas, logo adianto, participar desses programas não é uma tarefa nada fácil.

Inicialmente, os altos salários para o “primeiro” emprego são atrativos e a concorrência é gigantesca. Em um conhecido programa de trainee, com um salário de R$ 7 mil, de uma famosa rede corporativa de bancos, dos 85 mil candidatos apenas 55 foram aprovados e efetivados. Além de uma formação – geralmente em curso superior – o currículo educacional pesa como um diferencial, por isso, caso vá participar, o importante é se preparar com bastante antecedência.

Ana Carolina Petribú, ex-trainee e hoje, coordenadora de canais digitais do Banco Itaú, explica que na época, recém-formada no curso de Engenharia Civil, focou nas empresas que mais se inspirava e que a notícia da aprovação no processo seletivo foi motivo de grande felicidade. Explana também que a trilha da carreira de trainee é um pouco diferente da trilha de carreira de alguém que venha do mercado de trabalho, porque contém alguns treinamentos específicos.

“Normalmente os processos de trainee são muito longos e com pouquíssimas vagas. E isso é proposital. As empresas prezam por selecionar perfis específicos, em especial, os de liderança, para trabalhar em instituições. Hoje, a minha recomendação para quem quer tentar um programa de trainee é: foco, estar atualizado sobre a empresa e sobre o mundo e acima de tudo, ter bem definido os seus objetivos profissionais”, explica Ana Carolina.

Época aquecida

Começou agora, na segunda metade do ano, a alta temporada de seleção para trainees. Em geral, os processos seletivos costumam durar de três a quatro meses, com previsão para início das atividades previstas para o mesmo ano ou em janeiro do ano seguinte, dependendo da vaga. A remuneração média é entre R$ 3 mil e R$ 8 mil por mês.

Um grande diferencial para sua possível aprovação está no seu currículo, afinal, é a sua apresentação no meio de milhares de pessoas. E se você ainda não fez um Linkedin – rede social profissional usada para o meio corporativo – hora de correr atrás e caprichar, mas vamos combinar uma coisa de antemão: sem mentir nas qualificações.

Alguns programas determinam que você faça o trabalho presencial, então, pode ser que você tenha que arrumar as malas caso passe para algum deles. Em contrapartida, oferecem benefícios como: vale alimentação, vale refeição, plano de saúde, pós-graduação, assistência dentística e outros mais, a depender de cada empresa. A expectativa é que 200 empresas lancem programas com novidades nos processos seletivos; no ano passado, foram 184 companhias.

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Cannabis medicinal: o canabidiol

quinta-feira, 04 de agosto de 2022

Muita polêmica envolve a planta popularmente conhecida como “maconha”. Em meios a brigas entre um grupo, mais flexível, que entende pela descriminalização da maconha para uso recreativo e outro, mais conservador, que defende veementemente que a criminalização continue. O único consenso existe nesse antagonismo é que os efeitos médicos e farmacêuticos do Canabidiol (óleo da maconha) são incontestáveis, tanto pelos grupos de debate quanto pela ciência.

Muita polêmica envolve a planta popularmente conhecida como “maconha”. Em meios a brigas entre um grupo, mais flexível, que entende pela descriminalização da maconha para uso recreativo e outro, mais conservador, que defende veementemente que a criminalização continue. O único consenso existe nesse antagonismo é que os efeitos médicos e farmacêuticos do Canabidiol (óleo da maconha) são incontestáveis, tanto pelos grupos de debate quanto pela ciência. Ainda carregada de muito misticismo histórico e de muitas dúvidas que permeiam às nossas vidas, poucas pessoas conhecem os aspectos medicinais da Cannabis e que é assunto da coluna dessa semana!

Eleonora Santi, médica com foco na medicina integrativa e ortomolecular, explica que o Canabidiol possui muitos benefícios terapêuticos no tratamento de doenças de como: Parkinson, Alzheimer, hipertensão arterial, dores crônicas, epilepsia, ansiedade, autismo, depressão, demência e até mesmo câncer. E os tratamentos ainda podem ser recomendados em quadros de distúrbios do sono, recuperação muscular, estimulação de apetite, espaticidade e doenças autoimunes.

“Ao contrário do que muita gente acredita o remédio não deixa você ‘chapado’. O CBD (canabidiol) diminui os efeitos indesejáveis do THC (substância psicoativa) e o tratamento não possui os efeitos associados ao uso social/adulto da planta. Muito pelo contrário, é um excelente medicamento para muitas enfermidades, que vão desde o uso infantil até a melhor idade. E a administração do tratamento médico é feito a partir da ingestão de óleos, cápsulas, dosadores orais e por uso tópico, com dosagens determinadas a cada paciente”, explica Eleonora.

No Brasil, inclusive, foi criada pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, uma categoria de medicamentos derivados da Cannabis que podem ser comercializados após aprovação do órgão. Atualmente o canabidiol já é vendido no país, sendo necessária a apresentação de receita médica de controle especial.

“É sempre importante lembrar que ninguém deve se automedicar. Para iniciar qualquer tratamento com Cannabis para fins medicinais é preciso encontrar um médico para ver se há indicação ao caso. Se julgar aplicável, o profissional fará a recomendação do produto e a dosagem e acompanhará a evolução do paciente como em qualquer outro tratamento convencional.”

E de fato, são tocantes os relatos de quem precisa dessa medicação para o tratamento da própria patologia ou de familiares próximos. Se você nunca conheceu alguma pessoa que tem crises epiléticas ou sofre com mal de Parkinson, recomendo que busque ver o quão emocionante é notar como os episódios de crise diminuíram com o uso dos medicamentos.

Limitações da legislação

Ainda que o Brasil permita o tratamento com o canabidiol mediante a receita médica, existem ainda algumas barreiras que não ainda foram superadas e que podem ser uma burocracia para quem mais precisa. Hoje o cultivo da planta no nosso país é criminalizado e nem mesmo a nossa indústria farmacêutica está apta a fazer a extração do óleo no país. Ou seja, temos que importar o produto que por vezes chega caro ao paciente.

O advogado e farmacêutico em formação, Christiano Citrângulo, mestre em ciências criminológico-forenses e especialista em direito e processo penal explana que o cultivo irregular da planta em casa pode caracterizar o crime de tráfico de drogas, mas que existem exceções para quem precisa do tratamento.  

“O crime de tráfico de drogas é severamente punido no país, com penas elevadas que vão de cinco a 15 anos. Hoje, já existem decisões dos tribunais superiores que permitem, quando uma pessoa não tem uma alternativa terapêutica a não ser o medicamento oriundo da Cannabis Sativa, pode ser concedida uma concessão especial para o plantio doméstico. As burocracias para conseguir um medicamento a base de maconha no Brasil têm diminuído”, explica Christiano.

Embora mais fáceis por vezes não tão acessíveis aos bolsos. Um tratamento com canabidiol depende diretamente da patologia e do peso do paciente, mas em uma média aproximada, o custo para se adquirir o primeiro frasco do produto, com impostos, câmbio e frete podem chegar a mais de R$ 500 para um uso aproximado de apenas dois meses.

Explana, André Furtado, advogado e especialista em Direito Civil: “A nossa Constituição nos assegura ao direito à saúde e por vezes, esse direito não nos é assegurado por quem deveria. Apesar da dificuldade no tratamento de muitos pacientes pelos custos elevados do produto, hoje uma alternativa possível é realizar o pedido judicial - seja pelo seu advogado de confiança ou pela Defensoria Pública – para facilitar acesso ao medicamento através do seu plano de saúde ou mesmo pelo SUS.”

Recomendo, inclusive, a você, leitor, que busque esses relatos por vídeos, pesquisas científicas ou reportagens que falem sobre o assunto, são comoventes. E sempre mais do que essencial lembrarmos que a coluna em momento algum faz apologia acerca do uso recreativo da maconha, que apesar de legal em alguns países, é proibida no Brasil. Maconha medicinal é assunto no mundo, é assunto de “Além das Montanhas”.

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A importância da exploração espacial

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Hoje em dia, a humanidade consegue explorar os céus usando um telescópio potente ou até mesmo por meio do turismo em uma nave espacial pela órbita do planeta Terra. Mas muito antes do avançar da tecnologia, os seres humanos olhavam atentamente para os céus e buscavam compreender a relação entre o homem e o universo.

Hoje em dia, a humanidade consegue explorar os céus usando um telescópio potente ou até mesmo por meio do turismo em uma nave espacial pela órbita do planeta Terra. Mas muito antes do avançar da tecnologia, os seres humanos olhavam atentamente para os céus e buscavam compreender a relação entre o homem e o universo.

Ainda que achemos que a astronomia seja um estudo moderno, desde os primórdios do homem, os céus já eram observados e foram de extrema importância para o desenvolvimento humano. Na antiguidade, a posição dos astros no céu servia não somente para as grandes navegações e expedições, mas também, para a confecção de calendário bem definidos, com todas as estações do ano e dias da semana.

Até que um dia, um homem chamado Galileu Galilei construiu uma luneta e apontou o objeto para o céu. O italiano, mesmo com uma invenção muito primitiva fez observações que mudaram o curso da humanidade para sempre e que inclusive, lhe renderam a perseguição religiosa à época. A mais conhecida foi a ruína da crença católica de que todo universo rodava em torno da Terra.

Pois bem, um mero telescópio atiçou ainda mais a curiosidade do homem em romper as barreiras do céu, sair do planeta Terra e descobrir um pouco mais sobre onde moramos. Mas... como fazer um avião potente e resistente o suficiente para chegar lá? Será que nós humanos iríamos aguentar os limites do inesperado? O que iremos achar por lá?

Em meio a muitas dúvidas, no auge da Guerra Fria e da expansão em massa da tecnologia, a humanidade conseguiu em um voo rápido levar o primeiro ser vivo ao ambiente extraterrestre: a cadelinha Laika. Mas isso não foi suficiente para diminuir a disputa que era acirrada pela corrida espacial, até que um feito incrível ocorreu através de uma solução inesperada.

Os americanos, não sabiam como fazer um foguete potente o suficiente para sair do planeta, então tiveram que recorrer a um velho prisioneiro de guerra: Werner Von Braun, um nazista capturado. O engenheiro alemão, condenado por crimes de guerra, responsável por construir as bombas V-2 – uma espécie de foguete que ceifou muitas vidas na Segunda Guerra Mundial - foi o responsável pela engenharia do primeiro foguete americano que levou o homem à lua e marcou completamente a história da humanidade. Pois bem, a história e suas hipocrisias!

E então, chegamos à Lua, em 1960, e agora? Paramos por aqui? Não! Se você é ligado em ciência, nos noticiários e em tecnologia, certamente nos últimos anos acompanhou muitas missões na história que são realizadas tanto pela Nasa quanto por parte da iniciativa privada e certamente um dia você se perguntou: por que gastamos tanto dinheiro mandando coisas para o espaço e não resolvendo problemas no planeta Terra?

Resposta do especialista

Pedro Mineiro Cordoeira, professor, físico e divulgador científico, formado pela  Universidade Federal Fluminense (UFF), especializado em cosmologia e gravitação, explica que a evolução da humanidade está diretamente ligada à maneira como compreendemos o universo à nossa volta.

“Engana-se quem pensa que as viagens para fora do planeta são meros gastos desnecessários. Hoje, só temos processadores de celulares de última geração porque um dia a mesma tecnologia foi usada pelas empresas na exploração espacial. Não somente isso! Os sistemas de GPS, internet via satélite, previsão do tempo, tênis de corrida, roupas com polímero e novas ligas de metais só existem, hoje, graças às pesquisas realizadas através da exploração espacial.”

As viagens aos astros próximos podem proporcionar descobertas ricas em conhecimento para toda a espécie inteligente e que podem mudar os rumos da humanidade no futuro. Sondas de milhões de dólares não são mandadas à toa aos confins do universo. Estas viajam milhares de quilômetros e são capazes de identificar novos ambiente capazes de comportar vida – em especial nas luas pelo sistema solar - estudos de atmosfera, presença de água e outros elementos para que a humanidade possa definir novos rumos para o futuro.

Recentemente foi lançado o telescópio James Webb, de U$ 824 milhões de dólares, que representa marco na exploração astronômica. Segundo Pedro, o gigante dourado traz a possibilidade de olharmos com mais precisão para outras galáxias distantes, entendendo o seu comportamento e como elas nos ajudam a compreender muitas respostas e perguntas para nosso universo.

“A matéria que nos constitui (carbono, oxigênio, hidrogênio, entre outros) são os mesmos elementos encontrados nas nebulosas resultantes de explosões estelares e nos seus interiores. As estrelas fertilizam o universo com os ingredientes - dos mais simples aos mais pesados - fundamentais para a vida! Então, como lembrou o saudoso Carl Sagan, somos feitos de ‘poeira das estrelas’ e é preciso estudar de onde viemos para entendermos para onde vamos.”

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Um ano nas páginas de A VOZ DA SERRA

Esta coluna completou um ano de publicação no jornal no último dia 21, sempre às quintas-feiras. Seu titular, Lucas Barros, é aspirante à advocacia criminal, chevalier na Ordem DeMolay e um apaixonado por Nova Friburgo. “Além das Montanhas” segue com sua proposta de mostrar que Nova Friburgo não está numa redoma e que todos nós somos afetados por tudo à nossa volta. Para festejar o primeiro ano da coluna que está sempre no Top 10 do site de A VOZ DA SERRA, Lucas esteve nesta semana na sede do jornal, no Espaço Arp, para celebrar a ocasião especial. Ele foi recepcionado pela diretora Adriana Ventura.

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Cigarros eletrônicos: uma febre

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Menta, morango, chocolate, manga, limão, hortelã, uva, baunilha, café, cookie e até sabor de churros. Temperados pela imensa variedade de cores e sabores, os cigarros eletrônicos são uma febre, de norte à sul, especialmente na mão dos jovens brasileiros.

Menta, morango, chocolate, manga, limão, hortelã, uva, baunilha, café, cookie e até sabor de churros. Temperados pela imensa variedade de cores e sabores, os cigarros eletrônicos são uma febre, de norte à sul, especialmente na mão dos jovens brasileiros.

O cigarro foi uma grande febre nos anos 80. Saiu de moda. Agora, retornamos com toda força com os “vaporezinhos cheirosos” que seduzem não somente quem fuma, mas quem está ao redor. Divulgados no país como menos inofensivos, ou menos danosos que o cigarro convencional, os cigarros eletrônicos, ou vapes e pods, nomes que variam em função de detalhes, são todos dispositivos eletrônicos para o fumo.

Fato é que a tecnologia que avança de forma espetacular vai produzindo itens que facilitam a vida do homem, fazendo com que o ser humano, cada vez mais, tenha condições de desenvolver seus objetivos. A grande problemática é quanto o mau uso dela.

Eleonora Santi, médica com foco na medicina integrativa e ortomolecular, explica que de acordo com a Comissão de Combate ao Tabagismo foram identificadas, até o momento, cerca de 80 substâncias nos aerossóis, sendo muitas delas tóxicas e cancerígenas. Além disso, a grande maioria dos vapes e pods contém grandes concentrações de nicotina, droga psicoativa que causa intensa dependência em seus usuários.

“Engana-se quem pensa que os vapes e pods são menos lesivos que o cigarro convencional. O cigarro eletrônico pode causar consequências tão nocivas quanto o cigarro ‘não moderno’, tais como: câncer, angina, infarto, doenças pulmonares, alterações vasculares, crises de asma etc. O uso do ‘vaporezinhos cheirosos’ por não fumantes, principalmente adolescentes e jovens, aumentam em duas a três vezes o risco de migrarem para o consumo de cigarros ou outros produtos convencionais.”

Em média, um cigarro comum oferece 15 tragadas. Um maço teria, então, 300 tragadas. Logo, um cigarro eletrônico de 1,5 mil tragadas seria equivalente a cinco maços. Mas a comparação não é tão simples assim, porque um cigarro comum, no Brasil, pela determinação da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tem no máximo um miligrama de nicotina.  Em diversos ‘pods’, como não são fiscalizados, podem conter muito mais além do permitido.

Proibidos pela Anvisa

Os dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo os vapes e cigarros eletrônicos, são proibidos desde 2009 no Brasil, conforme resolução da Anvisa. Recentemente, no início deste mês, a decisão pela proibição foi revista pelo órgão e mantida por unanimidade. A comercialização destes produtos ocorre de forma ilegal no país.  

O advogado criminalista e professor universitário, Caio Padilha, mestre e especialista em direito e processo penal explana que o poder público vem cada vez mais intensificando a repressão ao comércio deste tipo de mercadoria, tanto nos pontos de fronteira como diretamente nos pontos de venda.

“A venda destes produtos é ilegal no Brasil e a pessoa que pratica essa conduta poderá responder pelo crime de contrabando: um delito que tem a pena de dois a cinco anos de reclusão, sendo possível a prisão em flagrante e não passível do arbitramento de fiança pelo delegado”, explica Caio.

Levantamentos apontam que o número de apreensão de cigarros eletrônicos aumentou mais de 200%, se comparado ao primeiro trimestre de 2021 no Brasil. Apesar de proibido, há quem se arrisque com a venda desses produtos por meio das redes sociais ou em festas, especialmente por ter se tornado um produto muito consumido pelos jovens. Mas e o consumo, é legal, dr. Caio?

“O consumo por si só não é criminalizado. Apesar de ser um produto proibido pela Anvisa, não está dentro do rol da portaria que define substâncias proibidas por serem consideradas drogas. Nesse sentido, o consumo não é criminalizado.”

Outro ponto importante de ser lembrado é que apesar dos relatos de que os cigarros eletrônicos têm sido usados de forma indiscriminada em ambientes fechados, a prática é proibida pela lei federal 9.294, de 1996. Cachimbos, cigarros, vapes, pods e narguilês são produtos fumígenos, e no entendimento da lei, independentemente de conterem tabaco ou não, são proibidos, seja qual for o tipo de estabelecimento fechado.

“Bom, mas se tiver alguém fumando no meu estabelecimento fechado? A multa é para o fumante, certo?”. A pena nesse caso recai sobre o dono do estabelecimento comercial, e varia entre R$ 2 mil e R$ 1,5 milhão, até a suspensão do alvará de funcionamento. A lei não estabelece punição para o fumante. É necessário que os donos de estabelecimentos, apesar de ser uma prática habitual, levem essa situação à sério.

A conclusão é simples e direta: ninguém é obrigado a ser fumante passivo de ninguém; faz mal; é crime vender esses produtos; e cuidado com a modernidade para, no futuro, não ter que fazer o bom uso da tecnologia usando um respirador da cama de um hospital.

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A culpa ainda é das mulheres?

quinta-feira, 14 de julho de 2022

O machismo está entranhado em nossa sociedade, fato! Apesar de menos do que antigamente, mas sim, ainda hoje é muito comum ouvirmos declarações reprováveis em relação aos crimes de assédio e estupro:

 “Se estivesse em casa... a essa hora na rua, estava pedindo o quê?”; ou “se não bebesse demais...”;  e, por fim, e não menos pior, “essas roupas provocativas, instigam o homem, é hormonal”.

O machismo está entranhado em nossa sociedade, fato! Apesar de menos do que antigamente, mas sim, ainda hoje é muito comum ouvirmos declarações reprováveis em relação aos crimes de assédio e estupro:

 “Se estivesse em casa... a essa hora na rua, estava pedindo o quê?”; ou “se não bebesse demais...”;  e, por fim, e não menos pior, “essas roupas provocativas, instigam o homem, é hormonal”.

Bom, se você nunca ouviu isso sair da boca de alguém, garanto: você é um privilegiado! E se você é ou já foi responsável por falar atrocidades como essas, saiba que essas justificativas e tentativas de desculpas esfarrapadas em nada condizem com a realidade, que é muito mais sóbria e perversa. Citemos dois casos recentes como grandes exemplos.

O primeiro caso, mais recente, no dia 11 de Julho, envolve um anestesista que foi preso em flagrante pelo estupro de vulnerável de uma paciente que passava por um parto de cesárea, no Rio de Janeiro. O crime só foi descoberto porque enfermeiras desconfiaram do comportamento do rapaz em outros atos, e filmaram escondido, o ato criminoso.

Não teve hora, não teve roupa curta ou muito menos indício. Um médico, durante um dos momentos mais marcantes e emocionantes da vida de uma mulher foi flagrado com o seu órgão genital no rosto de uma paciente, desacordada, sob o efeito de anestesia. Durante um parto, desacordada, e sim, vítima de violência sexual.

Infelizmente, não é um caso isolado, nem o único, o primeiro ou o último que acontecerá por aí. Lembremos-nos de outro não tão recente, em que um ex-médico foi condenado por 52 violações e quatro tentativas contra mulheres também sedadas. Crimes como esse não têm hora, não têm lugar, não têm classe social ou, muito menos, comportamento da vítima que instigue. E por vezes, a violência não acaba no estupro.

O segundo caso, explicita isso muito bem. No dia 23 de Maio, a atriz Klara Castanho teve um episódio marcante e comovente da sua vida íntima exposta, por sites e redes de fofoca, tomados pela insensibilidade que reinou sobre a ética profissional — tanto dos jornalistas, como da equipe médica, uma das grandes responsáveis por vazarem a história.

Jornalistas acharam por bem divulgar nos sites de fofoca o fato de uma atriz, de 21 anos, ter dado à luz uma criança, que foi colocada para adoção. A publicação foi apagada logo em seguida, mas a exposição foi cruel. Klara, em suas redes, extremamente dolorida diante de toda a situação, contou a verdadeira história: Ela havia sido estuprada, tomou todas as pílulas preventivas, fez os exames, mas ainda sim, descobriu-se grávida nos estágios finais da gestação.

Então, diante de toda dor de ter vivido um estupro, escondeu-se o máximo possível, das redes, dos holofotes, até que a criança nascesse. Optou, por motivos compreensíveis, doar o recém-nascido, procedimento previsto por lei, de forma totalmente sigilosa, mesmo que ela nem tivesse sido vítima de violência sexual.

Mais uma vez, em um caso não isolado, mais uma vítima de estupro, violentada não somente pelo seu estuprador, mas também por mais quem deveria protegê-la. Nos casos acima, as equipes médicas, em outros casos, os próprios familiares.

É essencial tomarmos muito cuidado com a justificativa desses crimes e impor responsabilidades às vítimas, por conta do preconceito e do machismo. Não existe hora e nem lugar, qualquer mulher pode ser vítima desses crimes, estando de roupa curta ou desacordada na maca de um hospital em trabalho de parto. Não há como se defender, a violência é social!

E não pense que os casos de estupro têm aumentado ou têm acontecido muito nos últimos tempos. Eles são apenas o topo de um iceberg, uma pequena parcela dos crimes que aparecem e chegam até uma denúncia. A parte debaixo do iceberg, a maior, representa todos aqueles crimes ocultos, que nunca tiveram a divulgação ou mesmo, que nunca foram falados para ninguém.

E a pergunta que não quer calar: Até quando a responsabilidade de sofrer um crime sexual recairá sobre as suas vítimas?

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Uma grande revolução, e não nos demos conta

quinta-feira, 07 de julho de 2022

É bem provável que lá no ano de 1976, a maior parte das pessoas não tenha dado importância alguma ao lançamento do primeiro computador pessoal, lançado pela Apple. O aparelho era menor, já que os mais “antigos” pesavam toneladas, mais “tecnológico”, “portátil”, e que foi o primeiro que você poderia comprar e levar para casa. À época, parecia estranho, diferente e, sem dúvida, era... muitas pessoas nem sabiam o que era um computador. 

É bem provável que lá no ano de 1976, a maior parte das pessoas não tenha dado importância alguma ao lançamento do primeiro computador pessoal, lançado pela Apple. O aparelho era menor, já que os mais “antigos” pesavam toneladas, mais “tecnológico”, “portátil”, e que foi o primeiro que você poderia comprar e levar para casa. À época, parecia estranho, diferente e, sem dúvida, era... muitas pessoas nem sabiam o que era um computador. 

Mas você já parou para pensar como isso mudou o curso da humanidade? E com o advento da internet? Do celular, então, nem se fala, em menos de 10 anos olha quanta coisa mudou. Hoje, até mesmo a gestão de uma cidade depende de computadores e internet. Experimente ir à qualquer órgão público com o “sistema fora do ar” e veja se consegue resolver algo. Impossível!

Hoje, temos a facilidade até de tirar documentos, abrir conta em banco sem precisar ir à uma agência, montar negócios, fazer uma faculdade, conversar com um parente distante, ver filmes sem ir à locadora ou ao cinema, tudo de forma online. E tudo isso, porque em 1976, o computador foi comercializado e por mais que parecesse  apenas mais mudança para a humanidade, pontual, revolucionou o nosso modo de viver e nos permitiram evoluir a passos larguíssimos nos últimos anos.

Fato é: “O dia de hoje já é o amanhã!”. Bom, talvez você, leitor, se pergunte aonde eu quero chegar com essa frase. Mesmo que não pareça, estamos presenciando uma grande revolução tecnológica sem nos darmos conta disso.

Um marco para o país

Apesar da demora, a internet 5G finalmente foi lançada no Brasil, na última quarta-feira, 6, um dos momentos mais esperados desse ano. Brasília é a primeira cidade do país com a tecnologia que começou a funcionar em cerca de 80% da capital federal.

Para quem ainda não entendeu o que é o 5G, trata-se de uma nova tecnologia de internet para dispositivos móveis. Ah, uma nova rede de internet para celulares? Não somente. Sucessora do 3G e do 4G, o seu grande diferencial é sua alta velocidade, performance e estabilidade.

O 5G possui maior capacidade para atender mais celulares e muito mais dispositivos, sem perder a qualidade. Isso significa que eu vou conseguir vídeos mais rápidos? Também, mas não somente isso. A velocidade dessa tecnologia vai mudar o nosso modo de enxergar o mundo, assim como o computador pessoal, mudou ao longo dos 46 anos.

Revoluções que já começaram 

Já pensou um médico, no Japão, fazendo uma cirurgia de coração em você, internado num hospital do Brasil? Pois bem, essa é uma possibilidade real num futuro próximo. Com o avanço das cirurgias com nano robôs, uma cirurgia à distância e por meio de dispositivos móveis pode ser uma possibilidade próxima e mais efetiva. 

Nos dias atuais, a Tesla, empresa norte-americana do ramo automobilístico, já possui carros que andam sozinhos, sem precisar necessariamente que um condutor esteja no controle direto do carro. Essa tecnologia já é empregada, contudo ainda apresenta algumas falhas, até porque está em fase inicial do seu desenvolvimento. 

Ocorre que com a evolução da tecnologia do 5G, esses modelos de carro inteligente tendem a acompanhar esse desenvolvimento. Os carros inteligentes da Tesla, atualmente, possuem tecnologias que evitam acidentes, seja na desviada automática de uma fechada ou de uma freada automática por conta de um acidente à frente. Contudo, com o aumento desses tempos de resposta por conta da internet móvel mais rápida, é quase que imprevisível como os carros inteligentes estarão nos próximos 10 ou 20 anos.

    Há o planejamento até de entregas de encomendas por drone. Já imaginou fazer um pedido via app de celular e ele chegar na sua casa sozinho por meio de um drone? Os testes já estão sendo feitos há mais de dois anos, contudo, em curtas distâncias, por conta dos problemas de sinal e conexão. Talvez, no dia de amanhã, venhamos a mudar nossa realidade de entregas.

E engana-se quem pensa que somente nos grandes centros urbanos essas mudanças serão percebidas. Nos ambientes rurais o avanço na tecnologia será muito presente. Por exemplo, ao invés de decolar um avião para o despejo de fertilizantes ou agrotóxicos, tudo isso poderá ser feito por meio de MUITOS drones, controlados ao mesmo tempo por um agrônomo que talvez esteja há muitos quilômetros de distância. Não somente isso, mas toda vigilância contra pragas, controles de temperatura, umidade, tudo feito por computador, em tempo real.

    Na realidade, toda a tecnologia, apesar de trazer muitos benefícios à sociedade, terá como consequência também muito desemprego, o que será inevitável. Como as novas tecnologias surgirão? Só o tempo dirá, assim como o advento do computador, agora, se elas ocorrerão em momento próximo, só o futuro dirá. Fato é que estamos mais “perto” do que “longe” dessa grande revolução acontecer.

 

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Posse de armas

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Nosso país por muitos anos teve uma grande burocracia para que um cidadão pudesse ter a posse de uma arma de fogo legalmente. Contudo, as coisas mudaram. Um decreto presidencial flexibilizou a posse de armas de fogo em todo país. Contrário ao histórico das gestões anteriores, o atual governo foi o primeiro a tomar medidas que facilitam o uso de armas, e não, que restringem. E como isso tem repercutido?

Recorde de armas nas mãos da população

Nosso país por muitos anos teve uma grande burocracia para que um cidadão pudesse ter a posse de uma arma de fogo legalmente. Contudo, as coisas mudaram. Um decreto presidencial flexibilizou a posse de armas de fogo em todo país. Contrário ao histórico das gestões anteriores, o atual governo foi o primeiro a tomar medidas que facilitam o uso de armas, e não, que restringem. E como isso tem repercutido?

Recorde de armas nas mãos da população

            De acordo com os dados do Anuário de Segurança Pública, desde 2018, o número de pessoas com certificado de registro de armas cresceu 474%. Antes da facilitação do acesso de armas por brasileiros, em 2017, o número de CAC’s (caçadores, atiradores e colecionadores) era de 63 mil pessoas, hoje, o número já alcança 957 mil, de acordo com os registros oficiais.

            Para termos dimensão do quanto isso representa, atualmente temos mais armas nas mãos dos civis do que do que o próprio Estado brasileiro possui em suas reservas institucionais somadas, dentre elas as polícias Federal e Rodoviária Federal, civis, guardas municipais, tribunais de Justiça e Ministério Público. De quase 1.5 milhão de armamentos registrados no Brasil, somente 384 mil estavam ligados aos órgãos públicos, é o que diz o levantamento da Polícia Federal.

            E onde estão essas armas? Em números absolutos, São Paulo lidera o número de CAC’s, afinal, é o estado mais populoso da nação. Mas, curiosamente, se olharmos atentamente para os dados, o Sul do país é a região que possui a maior quantidade de armas por habitante. O Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná lideram o top 4 brasileiro.

Fiscalização em baixa

Evidentemente, que na teoria, tudo está passando por um controle muito rigoroso no Brasil, mas a realidade mostra que não é bem assim. Atualmente, 1/3 das armas do país estão com a licença vencida, é o que afirma a Polícia Federal. E como o armamento não deixou de existir, mesmo após o vencimento do registro, estão irregulares.

Além disso, o Anuário afirma: houve a redução da apreensão de armas ilegais em todo o país. Ainda que 33% dos materiais bélicos do país na mão de civis estejam irregulares, a falta de estrutura e fiscalização demonstra, que mesmo com o país com mais armas, as apreensões da posse (quando a arma está na sua residência) tem caído.

Em contrapartida, os números da apreensão pelo porte (arma fora da residência, ou seja, circulando) irregular de arma de fogo tem crescido, o que demonstra uma preocupação para especialistas. Afinal, a arma que foi comprada para estar dentro de casa, por vezes, por lá não tem ficado.

Fato é que a política brasileira tem se mostrado ineficientes em relação a fiscalização, o que abre margem para outros riscos e que não podem ser ignorados, como por exemplo, o aumento de mortes violentas. De acordo com os cartórios de Registro Civil de todo país, as mortes violentas cresceram 81%.

EUA endurece o controle de armas

Alguns estados dos Estados Unidos, em especial o Texas, berço do liberalismo bélico no mundo, tomam medidas para rever algumas políticas que “fugiram um pouco do esperado”. No último dia 25, por lá, foi sancionada lei federal, que “dificulta” o acesso de armas para a população, em especial pelos dados de tiroteio em massa por todo país. Esses episódios têm chamado atenção para os riscos inerentes às políticas armamentistas menos severas.

Nos Estados Unidos, nos últimos 52 anos ocorreram 2.054 casos de tiroteio em massa de forma pública. No quesito, massacres armados em escolas, o país lidera o ranking mundial. Desde 2009, os norte-americanos contabilizaram a triste marca de 288 tiroteios em escolas, com 1.500 baleados e 1.000 mortos. Em segundo lugar, Canadá e França empatados, com apenas dois.

No último dia 25 de maio, um verdadeiro massacre foi promovido por um jovem de apenas 18 anos de idade. Ao menos 19 crianças (entre 7 e 10 anos) e dois adultos morreram no ataque e já é considerado o mais mortal do país. Coincidência ou não, o caso aconteceu no Texas. Coincidência ou não, o Texas, lugar mais armamentista do planeta, é o estado norte-americano que lidera o ranking nacional de tiroteios em massa.

Fato é que os norte-americanos, com base em experiências trágicas, têm percebido que armar a população à torto e à direito, não necessariamente significa que os casos de violência vão diminuir - talvez possam até aumentar. A opinião de cada um acerca do armamento é pessoal, mas os dados brasileiros e norte-americanos são claros em suas mensagens: não estão sendo feitos da forma correta.

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