Blog de lucas_b_barros_29582

O brasileiro envelhece com dificuldades

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Todos nós já ouvimos falar que possuímos um roteiro pré-estabelecido em nossa vida na Terra: nascemos, crescemos, nos reproduzimos, envelhecemos e morremos. Talvez esse seja o ciclo natural para qualquer outro vivente do planeta, mas para nós, humanos, essa trajetória é diferente, levando uma pitadinha de sal a mais nessa receita.

Todos nós já ouvimos falar que possuímos um roteiro pré-estabelecido em nossa vida na Terra: nascemos, crescemos, nos reproduzimos, envelhecemos e morremos. Talvez esse seja o ciclo natural para qualquer outro vivente do planeta, mas para nós, humanos, essa trajetória é diferente, levando uma pitadinha de sal a mais nessa receita.

A verdade é que nascemos, crescemos, estudamos, trabalhamos, compramos coisas e pagamos impostos. Nos reproduzimos, trabalhamos mais e pagamos contas intermináveis... e quando finalmente chegamos a nossa velhice, tudo que construímos durante anos, ainda sim não é o suficiente por tudo o que fizemos e contribuímos.

A realidade é que a população brasileira está envelhecendo cada dia mais. Para termos uma noção, a expectativa é que a partir de 2039, o Brasil possua mais pessoas idosas do que crianças em toda a sua configuração populacional. Mas será que nós, como país, estamos nos preparando adequadamente para esse cenário? A resposta é obvia: não!

Dificuldades financeiras e nome “sujo”

Já é uma realidade cotidiana que as pessoas tenham um segundo emprego ou mesmo façam ‘bicos’ para poder não contar apenas moedas no fim do mês. Ainda sim, muitas famílias não conseguem se organizar financeiramente, e um dos motivos é a inflação galopante que vivemos. A nossa vida está extremamente cara, é fato inegável!

Bom, e se está cara para quem está no mercado de trabalho, imagine para quem recebe apenas uma aposentadoria, que por sinal foi milimetricamente reajustada nos últimos anos. A equação não bate e o cenário, não poderia ser diferente: os idosos cada dia mais enfrentam dificuldades financeiras.

De acordo com um levantamento realizado pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), mais da metade dos idosos do país se endividaram com alguma despesa nos últimos seis meses e estão com seu nome “sujo”. As contas de luz, cartão de crédito, água e IPTU lideram as despesas não pagas por essa população.

 Dentro desse triste cenário, a diminuição do poder de compra, a falta de organização financeira e o encarecimento dos planos de saúde - visto por muitos, como indispensáveis – são um dos motivos. O padrão de vida tem caído bruscamente para a terceira idade que busca no mercado de trabalho, um desafogo.

Mercado de trabalho: uma necessidade

Pensar nos idosos voltando ao mercado de trabalho pode parecer algo inusitado. Afinal, não é esse o sentido da aposentadoria? Os dias atuais reforçam que não mais. Quem não tenha construído uma boa condição financeira ao longo da vida ou tenha um familiar que ajude nos gastos essenciais, o cenário é de dificuldades.

Para muitos, trabalhar é para distrair e não deixar a cabeça ociosa e depressiva. Para outros é necessidade. Fato é que cada dia mais, os idosos adiam sua saída do mercado de trabalho. Quase 25% da população já aposentada, ainda continua em atividades profissionais.

E ainda há aqueles que se aposentaram e diante das necessidades financeiras, tentam se reinventar e ensaiar um retorno ao mercado de trabalho, dominado pelos jovens da geração Z. O caminho é difícil devido ao cansaço, à saúde e pelo preconceito contra os mais velhos, que impossibilita esse retorno financeiramente necessário para muitos.

Sistema de saúde falha com os idosos

A nutricionista com especialidade em nutrição funcional, Aimée Madureira Campos, explica que com o aumento da longevidade da população, as políticas públicas devem ser diferenciadas e prezar para uma construção no presente, de um futuro não tão distante. Segundo ela, necessitamos olhar com mais cuidado para a melhor idade.

“As políticas públicas focam sempre no combate de doenças por meio de remédios e tratamentos, mas não olham para a causa desses problemas. Sabe aquele ditado de que é melhor prevenir do que remediar? Sem investimento em profissionais habilitados a prevenir doenças e sem boas condições para uma boa alimentação, a população cada vez envelhecerá mais doente.”

Diante de todo esse cenário de envelhecimento da população, percebemos o Brasil não está se preparando para enfrentar as consequências desse fenômeno natural nas próximas décadas. As políticas públicas já não se mostram tão eficientes para sanar muitas dificuldades atuais e quem dirá aos que aparecerão ao longo dos anos.

Muitas vezes, é necessário empatia, para que olhemos para uma parte da população que apesar de ser vista, passa despercebida pela nossa ignorância. Todos nós um dia envelheceremos, mas só nos damos conta das necessidades, quando chegamos lá.

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Precisamos falar da revolução no Irã

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Hoje, todo o mundo celebra e vibra com a Copa do Mundo, que nos alegra a cada quatro longos anos. Nós, brasileiros, então, apaixonados por futebol, acompanhamos ansiosamente os jogos da nossa seleção, na expectativa de bons resultados e até mesmo na conquista do hexacampeonato.

Hoje, todo o mundo celebra e vibra com a Copa do Mundo, que nos alegra a cada quatro longos anos. Nós, brasileiros, então, apaixonados por futebol, acompanhamos ansiosamente os jogos da nossa seleção, na expectativa de bons resultados e até mesmo na conquista do hexacampeonato.

Ultimamente, evitamos falar de algo que não esteja relacionado com futebol. Deixamos de falar da Guerra da Ucrânia e diminuímos um pouco a nossa animosidade em relação às incertezas da política brasileira. Todos nós, sem exceção, nos alienamos um pouco com todo esse clima de alegria e festividade. Mas o mundo deve dedicar olhos, ouvidos e muita atenção ao Irã.

Um olho na Copa e outro nos protestos

A seleção de futebol do Irã foi à Copa do Mundo no Catar em meio a uma onda de protestos contra o seu governo. Na estreia dos jogadores contra o time da Inglaterra, na última segunda-feira, 21, o time do Irã se recusou a cantar o hino. O gesto certamente, durante o maior evento de festividades do mundo, não passou despercebido.

O Irã vive sua maior onda de protestos, em uma escala que já não era vista há mais de 40 anos. As manifestações começaram há 50 dias como uma forma de denunciar a violência contra as mulheres no país e se tornaram o desafio mais sério ao governo desde a revolução Islâmica de 1979.

O estopim foi em resposta à morte de Mahsa Amini, uma jovem moça de apenas 22 anos que havia sido detida pela polícia da moralidade por supostamente violar as rígidas regras do país, que exigem que as mulheres usem um lenço na cabeça que cubram os cabelos, conhecido como hijab.

Durante a abordagem, Mahsa teria sido golpeada propositalmente com um cassetete na cabeça. Imagens da jovem desfalecendo na unidade policial tomaram conta das redes sociais do país. A jovem, que tinha apenas 22 anos, ficou em coma e morreu, gerando grande levante de protestos, em sua maioria mulheres.

Abandono do Hijab e pichações

Acredite ou não, mas nem sempre as mulheres eram obrigadas a hijab. Após a revolução islâmica no final dos anos 70, o lenço foi instituído pelo novo governo e tornou-se símbolo de uma dura repressão religiosa imposta às mulheres. Retirar o véu ainda é contra a lei.

Contudo, nas últimas semanas, um levante foi montado e as iranianas desafiam as rígidas regras sobre cobrir a cabeça. Uma onda de mulheres inconformadas com a imposição, em meio a protestos, ocupa as ruas do país numa luta por mudança. Afinal, no Irã: uma mulher é vista como a metade de um homem. Ou até menos!

Não só com as mulheres, mas os movimentos revolucionários tocaram toda população jovem, também luta contra o regime. Crianças em idade escolar, adolescentes e jovens adultos estão entre os grupos mais ativos, que cantam músicas antigovernamentais, queima de fotos do líder do aiatolá Khameni (livro de interpretação radical do islã) e pichações com o rosto dos mártires nas ruas da cidade.

Respostas violentas do governo

Todo dia um novo enterro, jovens que são carregados até a sepultura por suas famílias e amigos. Mas também há crianças que acompanham as mães até a sepultura. Essas imagens difíceis de suportar marcam há semanas as notícias no Irã pelo mundo.

Até agora, são pelo menos 270 iranianas e iranianos, entre os quais 30 crianças, foram espancadas até a morte ou fuziladas, por terem ido às ruas, em meio as manifestações. Assassinado por lutar por valores liberais e em favor da democracia. Gente que quer viver segundo esses valores, paga com a vida, segundo o conservadorismo árabe.

Ao lado das faculdades, cemitérios são agora os maiores locais de protestos contra o governo. Gente cujas famílias sofrem pressão ou são presas, para prestar confissão pública sob tortura, para afirmar que seus filhos morreram de parada cardíaca, derrame cerebral ou suicídio. O governo do Irã a todo tempo culpa os ocidentais por motivarem os protestos e lutam com armas contra a população que usa apenas a voz.

Em contra partida, damos atenção à ocupação da Ucrânia, à Copa do Mundo no Catar e suas violações aos direitos, mas quase não vemos sobre o Irã nos meios de comunicação. É uma tapa na cara não falarmos sobre um regime prende, violenta, fuzila e espanca até a morte meninas de escola, no momento em que o Irã passa por uma das suas maiores revoluções - se não a maior – de todos os tempos.

Enquanto isso, as pessoas no Irã percebem que mesmo aquelas que não são engajadas na política podem ser mortas por nada. Isso a faz lutar por esperança. É olhar para o passado e para o presente e não querer que isso se repita no futuro. É o desafio que supera o medo!

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Arte de rua luta por espaço

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

As calçadas se transformam em ateliês. As superfícies de concreto viram uma tela. Os muros de contenção que nos trazem tristes lembranças de uma tragédia, agora nos prendem a atenção com arte. O preto e branco do nosso dia-a-dia dá lugar a cores aos espaços que passavam desapercebidos e se encheram de vida.

As calçadas se transformam em ateliês. As superfícies de concreto viram uma tela. Os muros de contenção que nos trazem tristes lembranças de uma tragédia, agora nos prendem a atenção com arte. O preto e branco do nosso dia-a-dia dá lugar a cores aos espaços que passavam desapercebidos e se encheram de vida.

A arte urbana (arte de rua; street art,), para quem não conhece, representa um conjunto de movimentos culturais que acontece nas ruas das grandes cidades do mundo. Muitas vezes ocorre de forma discreta, mas cria uma fusão entre a arte, o discurso crítico do cotidiano social e a paisagem urbana caótica.

É quase que instatâneo que muitas pessoas assemelhem a arte de rua ao grafite, que são os grandes murais pintados em pontes, prédios e encostas de concreto. Contudo, o que muita gente desconhece é que diversas linguagens fazerm parte dessa cultura que a cada dia cresce por todo mundo.

Seja através das rodas de rima, os grupos de dança de hip hop, os cantores de rap, as estátuas humanas, os malabaristas, os cartunistas, a poesia nas praças ou através da produção de música, esse nicho artístico se diversifica e cada dia mais nos atinge sem que, muitas vezes, sequer percebamos.

Em sua origem, a produção da arte urbana está estritamente ligada às minorias, à luta pelo racismo e ao combate às desigualdades sociais através de projetos que foram criados pelas minorias numa tentativa de terem as suas vozes ouvidas. É o que explica Douglas Santos, diretor do grupo Laborative, empresa de dança da cidade:

”Hoje, o conceito se ressignifica e atinge a sociedade como um todo, mas sem perder a essência da sua origem de luta. Sempre costumo dizer que o grafite passa uma mensagem crítica sem ter algo escrito, o rap dá o seu recado através de rima e a dança é uma mistura dos dois. Mas essencialmente melhor do que todos separados, são todos juntos ocupando os mesmos espaços.”

Engana-se quem acredita que produzir arte urbana é facil. Além de muito talento envolvido, muitas das exposições de arte fora das galerias e dos museus ainda sofrem com as barreiras daqueles que a consideram ilegal, vandala ou marginal. Há quem equivocadamente à atribua ao consumo de drogas ilícitas. Para muitos, nem é encarada como profissão e sim como ”bico”.

 O diferente por vezes choca e gera resistência da sociedade. O samba, um dos maiores movimentos culturais do Brasil, começou nos entornos das cidades, perseguido e classificada por muitos como arte de ”malandro”. E hoje, sediamos o maior carnaval do mundo, com milhares de turistas e geração de empregos. Ironia, não?

Romper as barreiras do preconceito é sempre uma tarefa árdua. Na nossa cidade há um interessante projeto que leva explicações, oficinas, intervenções culturais à escolas e comunidades de nossa cidade, chamado Icau, é o que explica João Pedro Marotti, produtor cultural, que desabafa: ”O projeto foi criado pelo Victor Fischer para romper as barreiras do preconceito e é feito através de um coletivo de artístas, contando com oficinas de beat-box, dança, dj’s e até a produção de murais de grafite nas escolas. Realizamos esse projeto sem nenhum incentivo financeiro público ou privado, por entendermos a necessidade da arte urbana serem expostas e rompendo os preconceitos.”

Eduardo Kobra é outro artísta que trouxe sua linguagem para as novas esferas do planeta e ficou extremamente famoso por seus murais expostos em grandes centros mundiais. O seu mural na zona portuária do Rio de Janeiro, entrou para os livros do recordes como o maior mural do mundo e encanta à todos pela beleza e pela mudança visual no local.

Fato é que todos os anos perdemos dezenas de artistas talentosíssimos, rumando aos grandes centros, devido a falta de incentivo à projetos culturais, de valorização e manuntenção de núcleos de arte, como é o caso do Teatro Municipal. Estamos perdendo grandes potenciais artísticos e acima de tudo nos tornando uma mera exportadora de talentos.

A conquista do espaço público, a coragem para protestar, a poesia em meio ao caos e a democratização da arte fazem parte da luta da arte urbana. Todas essas características aliadas ao potencial em contruirmos nossa cidade mais reflexiva, feliz, colorida e bela são fundamentais para nos destacarmos ”Além das Montanhas”.

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Precisamos enxergar o turismo como negócio

quarta-feira, 09 de novembro de 2022

Os dados não mentem. O turismo, assim como o setor de eventos, foi um dos setores mais afetados pelas restrições adotadas no ápice da pandemia da Covid-19. A necessidade do isolamento social para conter a doença e as dificuldades financeiras das familias contribuíram com os prejuízos do setor.

Os dados não mentem. O turismo, assim como o setor de eventos, foi um dos setores mais afetados pelas restrições adotadas no ápice da pandemia da Covid-19. A necessidade do isolamento social para conter a doença e as dificuldades financeiras das familias contribuíram com os prejuízos do setor.

É um comportamento esperado e normal em momentos de crise. Despesas com viagem e lazer são as primeiras da lista a serem cortadas dos orçamentos familiares nos períodos de dificuldades econômicas. E a retomada, por mais que ensaiemos uma tentiva de retorno à normalidade como conhecíamos, não é facil e está cercada de desafios.

A importância do turismo para o desenvolvimento da economia ainda é pouco compreendida no Brasil. Os números demonstram em determinados aspectos que o país ainda peca, e há pouco tempo, ocupava a 129ª posição no ranking de Competitividade de Viagens e Turismo do Fórum Econômico Mundial em um relatório que avaliou 136 países diferentes.

Infelizmente, um país como o nosso de grandezas continentais, lugares paradisíacos e com a beleza sem igual, ainda ‘patina’ na busca de um planejamento sólido e eficaz para o setor, que não é visto como prioritário. O que é uma pena e um disperdício do nosso potencial econômico.

 Acelerando com o pé no freio

A demanda pelo turismo, no entanto, não desaparece. Tão logo pessoas e empresas recuperam um mínimo de confiança financeira, ressurge o anseio humano – e a necessidade profissional – por novos ares, novas ideias, novos destinos para desbravar. E não à toa, o setor tem reagido ”positivamente” no período pós-Covid.

Desde o início da pandemia, o setor conseguiu alcançar resultados parecidos ao de 2019, segundo o IBGE e a Confederação Nacional do Comércio. Todavia, a retomada à pleno vapor tem sido freada pelos entraves da alta das passagens aéreas, seguida da inflação e pelo custo da gasolina. Apesar do olhar otimista para o futuro, o turismo ainda acumula um prejuízo na casa do R$ 515 milhões no país.

Turismo acelerado: benefício geral

Fato é que o turismo, desde que bem trabalhado, pode ser uma excelente fonte de renda para o municípios e todos seus habitantes. Os setores de passeios, hospedagem, não são os únicos beneficiários. Em geral, bares, restaurantes e comércio também saem ganhando com o fluxo de amantes da viagem.

Para Aiã Reis, um dos organizadores dos Jogos Universitários Friburguenses (Junfri), os benefícios se estendem alem da prática desportiva, da geração de empregos e ao evento, mas atingem positivamente a toda a população friburguense, direta e indiretamente.

”O Junfri existe desde 2009 com a chancela do saudoso Felipe Malhard. Temos a honra de receber milhares de universitários em nossa cidade. São quase 2.500 pessoas diretamente ligadas ao evento, trabalhando ou nos visitando, durante quatro dias. Além disso, é sempre importante lembrar que as pessoas que vem de fora, se alimentam, se hospedam, pegam táxis, aplicativos de transporte, compram roupas e injetam dinheiro na nossa cidade, tanto no evento como fora”, observa Aiã.

Do mesmo modo, a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fechou bons negócios na seara do turismo reunindo congressos, simpósios e conferências. Os eventos deste tipo cresceram 490% na cidade, em comparação com 2021. O segmento gerou mais de US$ 217 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) à economia da capital fluminense entre janeiro e outubro de 2022.

 Todas as atividades turísticas são importantes para o desenvolvimento social e econômico das cidades e da população. Os hoteleiros, empregam mais gente e alavancam a produção de produtos que hoteis demandam. O comércio ganha fôlego, com os viajantes que adoram lembrancinhas, doces e experimentar a gastronomia local. E a população se envolve na revitalização de espaços antes mal aproveitados, que passam a oferecer entretenimento.

Os pontos turísticos tornam-se motivo de orgulho para os nossos habitantes que aproveitam as oportunidades de descanso, lazer e sobretudo, de investimentos. Ou seja, empregos. Mais dinheiro circulando na cidade, melhorias, enriquecimento da população... negócios!  

Em busca da plena recuperação do setor e ares de esperança nos tempos futuros, precisamos olhar com um carinho especial para esse segmento. Façamos mais festas da cerveja – que foi um sucesso -, sediemos mais congressos em nossa cidade, exploremos mais o nosso turismo radical e ecológico. Até porque, como muitos dizem e eu reafirmo, temos muito mais potencial turístico do que muitas cidades famosas do Sul. 

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Brasileiros estão deixando o país

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Anseio de morar fora do país. Quem nunca teve? Seja num sonho americano com muitos carros na garagem ou até morar na Europa para poder ganhar salário em euros. Para muitos, um desejo de criança, para outros, uma vontade de um futuro melhor, mesmo que carregado de incertezas e desafios.

Anseio de morar fora do país. Quem nunca teve? Seja num sonho americano com muitos carros na garagem ou até morar na Europa para poder ganhar salário em euros. Para muitos, um desejo de criança, para outros, uma vontade de um futuro melhor, mesmo que carregado de incertezas e desafios.

Encontrar brasileiros com moradia no exterior tornou-se algo comum. São muitos os compatriotas que deixaram o feijão com arroz para trás e hoje formam a sua vida fora do país. Uns acabam sendo transferidos para trabalhar, outros vão estudar no exterior e o número de pessoas que sai do Brasil somente cresce.

Em outros lugares, guerras, grandes desastres naturais e catástrofres estão entre os principais geradores do fluxo de imigração pelo planeta. Mas no Brasil, mesmo sem essas crises humanitárias, a taxa de brasileiros que debandam do país é a maior em 11 anos,  como aponta o Itamaraty.

Brasileiros imigrantes no exterior são quase cinco milhões, conforme pesquisas realizadas pelo órgão em 2020. Contudo, nota-se que em comparação com os anos anteriores, houve um verdadeiro ”boom”, um aumento de 20% na debandada de nacionais do país, especialmente a partir de 2018. Em dez anos, um aumento de 36%.

Entre os cinco países com mais brasileiros, temos os Estados Unidos, com 1,7 milhão; Portugal, com 276 mil; o Paraguai, com 240 mil, o Reino Unido com 220 mil e o Japão, com 211 mil. Isso somente falando de números oficiais, afinal, é preciso lembrar que muitos ainda se arriscam em viver ilegalmente no exterior. Mas, será que vale a pena?

Vantagem ou desvantagem?

Não há dúvidas que viajar e morar fora do Brasil traz inúmeras vantagens pessoais e profissionais, mas não podemos achar que é tudo mil maravilhas e ignorar que também existem algumas desvantagens.

Mas antes, precisamos entender o que passa na cabeça dessas pessoas que deixam tudo para trás em busca de uma nova vida. Resumindo em palavras o sentimento de ”esperança e dias melhores”, é o que move os brasileiros, diz Ana Clara Duarte, friburguense, que atualmente reside na Suiça há seis anos.

”Muitas pessoas olham para mim hoje e não enxergam muitos sacrifícios que eu tive que fazer. Imigrar nunca é fácil. A gente sempre vem com uma mentalidade de que as coisas podem dar errado, mas às vezes não temos essa dimensão, que só é capaz de ser compreendida sendo vivida. É uma lição de vida”, diz Ana Clara.

Ainda que dinheiro não compre felicidade, brasileiros sonham com a vida melhor no outro lado do mundo em busca de emprego e qualidade de vida diante do cenário delicado do nosso país. O aumento da criminalidade e a busca pelas oportunidades estão entre os principais argumentos de quem vai embora.

Mas, engana-se quem pensa que tudo é somente alegria. O racismo e a xenofobia são uma realidade vivida por muitos, inclusive por Diego Muniz, carioca, negro e mestrando em Psicologia que relata ter enfrentado situações díficeis nos últimos dez anos, desde que passou a morar em diversos países da Europa.

”Nesse tempo no exterior, já passei por muitas situações que me fizeram duvidar se minha escolha de morar fora se estenderia. Já sofri racismo de servidores públicos de uma agência trabalhista sueca após uma entrevista de emprego. Até no trabalho, os abusos são constantes contra imigrantes. Gravei áudios do que acontecia comigo e descobri que poderia ser processado por gravar alguém no local de trabalho, algo que jamais aconteceria na Justiça brasileira. Hoje, penso em voltar ao Brasil pelo meu emocional”, relata.

‘Imigrar’ e ‘ter vida fácil’ não são sinônimos na realidade de muitos que ousam arriscar. Compatriotas, mesmo que bem instruídos educacionalmente e com bons empregos no Brasil, por vezes, necessitam trabalhar em cargos mais simples e atividades menos visadas pelos nativos para levar o pão de cada dia para casa.

”A grande maioria vai para a batalha e para conseguir um dinheiro e voltar. A realidade, ao contrário do que muitos pensam, é que a vida é cara e muitos sacrificios precisam ser feitos até que consiga se estabilizar. Comecei do zero, não conhecia ninguém e nem falava a língua, mas eu persisti com a cara e com a coragem”, conta Ébano Geraldes, friburguense que reside há 23 anos nos EUA.

Se será vida melhor ou não fora do Brasil, somente a nossa experiência individual poderá dizer nos dizer. Não existe regra. Assim como milhões de brasileiros sonhadores, existem muitas Anas, Diegos e Ébanos que arriscaram, e que relatam uníssonamente em histórias: ”Nunca conseguimos nos sentir em casa”. E do Brasil, restam as lembranças de um nostálgico e profundo sentimento de saudades que preenche tanto quem foi como quem ficou!

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Polarização, Intolerância, Radicalismo

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Independentemente de qualquer que seja o lado vencedor das eleições em 2022, todos nós estamos saindo como perdedores. Seja sua opção política A ou B, a única certeza comum é de que vivemos o pleito democrático mais violento no período pós-ditadura.O Brasil nunca viu antes tamanha hostilidade que atinge a todos. Anteriormente, as discussões que se resumiam ao seio dos grupos de WhatsApp familiares transmutaram-se para as ruas, domados pelo ódio que se reproduz em xingamentos, tumultos, casos de preconceito, agressões verbais, física e até homicídios, por todo país.

Independentemente de qualquer que seja o lado vencedor das eleições em 2022, todos nós estamos saindo como perdedores. Seja sua opção política A ou B, a única certeza comum é de que vivemos o pleito democrático mais violento no período pós-ditadura.O Brasil nunca viu antes tamanha hostilidade que atinge a todos. Anteriormente, as discussões que se resumiam ao seio dos grupos de WhatsApp familiares transmutaram-se para as ruas, domados pelo ódio que se reproduz em xingamentos, tumultos, casos de preconceito, agressões verbais, física e até homicídios, por todo país.

A série de violências com repercussão nacional teve início em julho, em Foz do Iguaçu, quando um agente penitenciário federal invadiu a festa de um guarda municipal e o assassinou a tiros, no dia do seu aniversário em frente à família. Não muito distante, uma jovem foi golpeada na cabeça em Angra dos Reis. Depois, um homem esfaqueado dentro de um bar após um cidadão questionar quem do local iria votar no candidato X.

São tempos delicados e tristes. A árdua conquista da democracia se enfraquece dia após dia e estamos colocando em dúvida até a própria liberdade de expressão face tanta banalização da violência. Candidatos presidenciáveis usam colete a prova de bala, populares inflamados e nós cada vez mais indiferentes às pessoas, estampando politica nos rostos alheios com retóricas violentas.

Inclusive, em Nova Friburgo, um caso recente mobilizou clientes após discursos de ódio movidos contra um empresário local. Os casos de violência ocorreram após a manifestação política pacifica do alegre e cativo dono do comércio em suas redes sociais privadas.

Em postagens hostis, perfis conservadores com discursos antidemocráticos ameaçaram e induziram pessoas a não frequentarem mais o local pelo simples fato de condizer com a sua visão politica. Não deu certo! Mas por meio de mensagens, os agressores falsamente atribuíram o local à usuários de drogas e outras palavras de cunho preconceituoso que não condizem em nada com a realidade.

Os nomes do comércio e do comerciante não serão expostos aqui, visto que, segundo ele, o medo ainda paira diante do ocorrido. Contudo, uma pessoa ligada ao estabelecimento, explica: “Estamos com medo de nos expor devido a violência que visivelmente cresceu. Outros empresários me procuraram, em solidariedade, e relataram que até ameaças já receberam. Recebi inclusive listas pelo WhatsApp dividindo comércios entre os que são de ‘esquerda e o de direita' e instigando pessoas a não frequentarem mais. Hoje, vamos trabalhar com receio do que pode acontecer.”

Na reta final do pleito eleitoral, a escalada da violência preocupa e ao meu ver, não deve ser explicada pela existência de uma simples polarização político-partidária. Afinal, posições antagônicas e divergentes são comumente apresentadas em todo embate político – também conhecida como democracia - e nem por isso desencadeiam ações violentas tais como estão ocorrendo recentemente.

Se olharmos para um passado recente, eleições presidenciais já foram decididas por uma pequena diferença de 400 mil votos (duas vezes a população de Nova Friburgo). Ainda que considerássemos um pais dividido, não víamos tamanho clima hostil que oprime. Um relatório da faculdade UniRio retrata que a violência política cresceu 335% em três anos.

O que vemos expresso no Brasil não pode ser descrito como uma mera polarização. Cada dia mais vemos a expressão de uma latente e clara intolerância que atinge todos os níveis da sociedade e de diferentes formas possíveis. Estamos pintando o país em cores, estampando políticos no rosto de pessoas conhecidas, fomentando violência e aumentando a intolerância.

Necessitamos entender que as diferenças compõem a beleza da democracia. É importante que exista não somente o lado A, mas que exista também o B, C, D, e por aí vai. Somos plurais!

Infelizmente, estamparemos marcas e cicatrizes de um presente conturbado, que estarão nos livros de história, e que, NÓS estamos construindo. Violência e democracia, são palavras antagônicas – ou ao menos deveriam ser!

A maior lição que podemos ter é aprendermos a conviver com as diferenças, com o máximo de sabedoria e respeito, afinal, cada pessoa tem a sua história e trajetória que a fez tomar tal decisão. A pluralidade não é uma lei dos homens, mas sim, da humanidade!

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Onda de xenofobia

quarta-feira, 05 de outubro de 2022

xenofobia regional é o nome que utilizamos para definir ações que discriminam um pessoa ou um grupo devido a suas identidades culturais. Apesar desse preconceito social ser histórico, ganhou grande relevância no cenário brasileiro, principalmente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras.

xenofobia regional é o nome que utilizamos para definir ações que discriminam um pessoa ou um grupo devido a suas identidades culturais. Apesar desse preconceito social ser histórico, ganhou grande relevância no cenário brasileiro, principalmente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras.

Com todas as urnas apuradas e os resultados divulgados de que o candidato A teria passado o candidato B na região, os ataques logo começaram nas redes sociais. Vindos de muitos desconhecidos e muitos conhecidos friburguenses, vi postagens chamando nordestinos de ”vermes” e associando-os à sede, burrice e fome.

Outras postagens associam o Nordeste à pobreza e a miséria. A região aparece como dependente de "assistencialismo", enquanto as demais seriam responsáveis pela produção de riqueza do país. Algumas publicações se referem aos nove estados como "Cuba do Sul" ou Venezuela. Há ainda mensagens que afirmam que os nascidos no Nordeste "não pensam", além de classificá-los como "manipuláveis" e "massa de manobra"...

Nas redes sociais, a palavra “nordestino” está entre as mais comentadas, com pessoas xingando e outras defendendo. E se eu fico incrédulo com isso? Supreendentemente, não. Sou filho de nordestina, meu avós eram retirantes e ainda que eu seja um friburguense nato, morei durante 12 anos em João Pessoa, capital da Paraíba, cidade pela qual eu tenho um carinho incondicional. Já sofri um pouco desse preconceito na pele.

Algumas vezes, pode ser até dificil reconhecermos esse tipo de violência. O preconceito emerge sempre de forma velada e amistosa, que soa sempre como uma grande brincadeira. Vêm-me a lembrança uma vez, indo a uma churrascaria no centro da cidade, e ao adentrar o elevador, uma criança apertou todos os botões do elevador e a mãe dela logo repreendeu: “Você parece um Paraíba que nunca viu um elevador na vida”.

Bom, imagine...foram longos dois minutos dentro daquele elevador, que parava em todo andar. Respira, inspira! Calei-me naquele momento – talvez não devesse, mas achei prudente. Mas refleti comigo: “João Pessoa à época detinha o título da cidade com maior número de construção de prédios e possui o segundo maior arranha-céu de todo território. Como é que essa mulher, morando em Friburgo, em que maior parte da população reside em casas, está falando isso?”.

Aquela situação me trouxe grande indignação. Mas percebi que muita gente desconhece o Nordeste brasileiro ou se recusa a descobrir um pouco mais sobre a região. Além de ser rico culturalmente e sua economia cresce a cada ano que passa, inclusive com muitas cidades de interior superando à nossa região.

A localidade conhecida como “Vale do Silício” brasileiro, que detém grande produção de tecnologia e softwares, é Campina Grande, na Paraíba, também conhecida como a promotora da maior festa de São João do mundo. A época, a cidade com mais carros de luxo por habitante nesse país, era João Pessoa. E ainda que parte das pessoas fale mal, sempre que tem oportunidade, vão passar férias lá... vai entender!

Lá em 2012, eu retornei para Nova Friburgo e aqui moro desde então. E uma coisa que aprendi com a minha pouca experiência de vida: o xenofóbico se julga diferente – superior - e a partir disso ele desenvolve o preconceito contra quem sua mente achar que deve e pelos motivos que achar conveniente e não há nada que mude isso.

O retrato que vemos agora não supreende. As mesmas brincadeiras feitas na roda dos amigos, na mesa da família, que eu presenciei, são externalizadas publicamente nas redes sociais camufladas de uma ”briga por um país melhor”. Mas que ainda sim, exprimem o arcaico preconceito.

Preconceito, que como todos nós sabemos, e se não sabíamos, o momento é agora: crime. Quem se julga diferente na verdade se revela despreparado e inculto e pode ser reprimido pelas garras da justiça e da lei. É o que diz o artigo 1º da Lei de Crimes Raciais: ”Serão punidos, na forma desta lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.” Crime inafiançável e imprescritível.

E mais uma vez reforço e apelo, liberdade de expressão jamais deve ser confundida com liberdade de agressão. O limite é sempre a lei. Associar quem pensa diferente à desinformação é um preconceito enorme e que deve ser combatido todos os dias. Infelizmente, dividiram o país em duas cores, duas pátrias. Mas já diria, um famoso escritor em seus livros: ”O nordestino é antes de tudo, um forte”. E é verdade! Enfrenta todo tipo de dificuldade e ainda assim consegue vencer, sorrir para a vida e ser um povo extremamente amável e hospitaleiro.

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Por que ter olhos atentos no Legislativo?

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Você está ligado na eleição? Não?! Pois bem, faltam apenas 10 dias para o primeiro turno das eleições gerais brasileiras que definirão os rumos do país nos próximos quatro, oito, dez, 20, 30 ou até 40 anos.

Você está ligado na eleição? Não?! Pois bem, faltam apenas 10 dias para o primeiro turno das eleições gerais brasileiras que definirão os rumos do país nos próximos quatro, oito, dez, 20, 30 ou até 40 anos.

A velha história de que os parlamentares só votam a criação de datas festivas para o calendário não encontra respaldo na realidade. Se você é daqueles que não se interessa por política, e não gosta de falar do assunto, é preciso entender as regras do jogo antes de jogá-lo. Afinal, sua vida está em questão, e será – com ou sem a sua vontade – interferida, em todos os aspectos possíveis e imagináveis, pelos representantes eleitos.

A realidade é que muitas pessoas estão se digladiando nas redes sociais e nas ruas sobre suas escolhas de candidatos ao Executivo, mas não tem se atentado em escolher com cuidado os representantes para o Legislativo, tratando com desleixo o voto para os deputados federais e estaduais, e também os senadores. É natural e cultural, mas é preciso ficar atento.

É muito comum que vejamos, nessas épocas, os candidatos aos governos executivos, na rua, prometendo: "No meu mandato, vamos fazer isso e criar aquilo" - como se sozinho conseguissem programar muitos projetos. Mas muita gente não sabe que a realidade é diferente: pouca coisa o Executivo consegue fazer sozinho e a aprovação do Legislativo é quase sempre necessária para a realização de muitas pautas.

Outro ponto importante e que poucas pessoas se atentam: existem importantes leis que determinam o orçamento público, indicando quanto e onde (educação, saúde etc) o dinheiro público, vindo dos nossos impostos, vai ser gasto. Ainda que todas essas leis orçamentárias sejam elaboradas pelo presidente ou pelos governadores, elas precisam ser votadas e podem, sem dificuldade, ser modificadas, até que finalmente aprovadas pelos deputados e senadores.

Nossos representantes legislativos, não conseguem somente balizar onde será gasto o dinheiro público (que é “nosso” dinheiro). A fiscalização e a investigação dos trabalhos do Executivo também é um encargo de sua função.  E um dos principais instrumentos à disposição do Legislativo para realizar esse tipo de investigação é a Comissão Parlamentar de Inquérito, a conhecida e temida por muitos chefes de estado: a CPI.

Especialmente quando tratamos das escolhas de deputados, federais ou estaduais, o eleitor tem uma variedade de opções muito maior do que a do Executivo, que sempre temos um ou dois favoritos. Mas tamanha variedade exige também muita responsabilidade na escolha do eleitor. O desleixo com o voto no Legislativo, traz mal orçamentos planejados e muito menos CPI’s eficientes que interferem na sua vida há quilômetros de distância dos espaços de escolha.

Mesmo que você pense em eleger um bom presidente, é essencial ser seletivo com boas pessoas para as Câmaras. O mesmo vale para o âmbito estadual. Vale lembrar que o Estado do Rio de Janeiro conta com um índice assustador de seis ex-governadores presos ou afastados. É sempre necessário entender como funciona a política, e especialmente, as politicagens.

Além disso, é comum ver eleitores votando no “amigo do amigo de um primo distante da sobrinha da tia ou avó de alguém”, algo que funciona quase como um “favor”. É valido? Depende, às vezes é uma boa pessoa e certamente um bom profissional. Mas caso não seja, certamente o “favor” será o mais caro que alguém pode fazer.

Além de jogar por terra sua voz no Congresso, pagará uma conta alta se esse “amigo do amigo de um primo distante da sobrinha da tia ou avó de alguém” for alguém sem posição e que entregue seus valores e conceitos em prol de si mesmo na primeira oportunidade que apareça. Assim como é necessário ter confiança para colocar alguém desconhecido dentro da sua casa, é necessário ter certeza absoluta em boas pessoas para votar.

Precisamos de legisladores que tenham a capacidade de raciocinar para além dos seus currais eleitorais, para que tenhamos representantes capazes olhar para a sociedade, captar necessidades e brigar por direitos nossos que são inegociáveis. O Brasil ideal está muito longe e “sonhar” com essa com essa libertação nos parece um pouco distante agora. Mas toda corrida começa com uma caminhada curta, e isso dependerá do perfil político que cada eleitor vai escolher para o nosso país.

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A febre das apostas

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

É bem provável que você, pelo menos uma vez na vida, tenha feito algum tipo de aposta. Envolvendo milhares de apostadores em todo Brasil, os jogos de sorte atraem pelo sonho de ganhar uma grande bolada de dinheiro em uma tacada certeira com baixo investimento.

É bem provável que você, pelo menos uma vez na vida, tenha feito algum tipo de aposta. Envolvendo milhares de apostadores em todo Brasil, os jogos de sorte atraem pelo sonho de ganhar uma grande bolada de dinheiro em uma tacada certeira com baixo investimento.

Não é fácil, afinal, se fosse, todo mundo estava milionário, e estamos longe disso – pelo menos eu. A probabilidade de uma pessoa ser atingida por um raio é 50 vezes maior do que um apostador ganhar na Mega-Sena com um cartão com apenas seis números. Ou seja, se você acredita que pode um dia ganhar na loteria, não se esqueça de sair debaixo das árvores em dias chuvosos.

Há quem faça uma ‘fezinha’ nas loterias regulamentadas da Caixa Econômica Federal, como jogos como: Lotofácil, Quina ou mesmo a conhecida Mega-Sena da Virada. Contudo, diante dessa grande dificuldade em se ganhar na loteria, outros tipos de apostas não regulamentadas no Brasil vem crescendo e tomando força em um mercado que ainda não se encontra regulamentado.

Aos mais antigos, muitos ainda recorrem ao famoso ‘Jogo do Bicho’. Mas, nos dias atuais, ainda que haja a força dessa contravenção, o cenário tem mudado. Não tenho dúvidas de que você já tenha ouvido algo do tipo: “Fulaninho apostou R$ 1 no jogo do time do coração e ganhou R$ 500”.

As apostas no Brasil tem se diversificado. Desde as apostas em cassinos online até as envolvendo partidas esportivas, das duas uma: se não fez, com certeza conhece alguém que adora gastar dinheiro e fazer a 'fezinha'. Ainda mais com a facilitação de fazê-lo online, não faltam opções de empresas especializadas nesse mercado.

As casas de jogos têm faturado cifras milionárias e fomentado ainda mais o mercado que cresce dia após dia. Empresas como estas são responsáveis por um grande bombardeio de anúncios, tanto na televisão como pela internet e até patrocinam de grandes times de futebol do planeta.

No caso das apostas em jogos esportivos, por exemplo, o futebol, os jogos têm vários modelos, não apenas a escolha do time vencedor. Tem apostadores que arriscam acertar os gols no primeiro tempo, os escanteios, número de faltas, o artilheiro, o melhor em campo e quem chega na final. E com isso, as ‘fezinhas’ online se tornaram uma febre no cenário nacional.

Tudo parece muito atrativo, afinal, as chances de apostar num placar esportivo e acertar são muito maiores que na própria Mega-Sena. Apesar de parecer um cenário perfeito para se ganhar dinheiro é preciso ter muita cautela, porque o buraco desse poço é mais embaixo – bem mais fundo do que imaginamos.

Regulamentação branda e falta de pagamentos

Que o esporte é uma paixão nacional todos já sabemos. Seja por meio da prática cotidiana de atividade física ou acompanhando sua modalidade preferida na frente da televisão, o brasileiro é um grande amante do universo esportivo. Contudo, uma outra prática nacional é o famoso ‘jeitinho brasileiro’.

De acordo com o decreto-lei 9.215, de 30 de abril de 1946, é proibido no país todo e qualquer jogo de azar, o que inclui bingos, cassinos e jogatinas do gênero. Evidentemente, a norma assinada há quase 80 anos levou um bom tempo para ser obedecida – mesmo hoje, diversos bingos funcionam clandestinamente. Não é difícil encontrar. Mas no caso de empresas físicas, a fiscalização tende a ser mais rigorosa.

E é aí que reside o jeitinho brasileiro que beneficia essas empresas: o decreto-lei 13.756/2018, assinado pelo ex-presidente Michel Temer, criou uma nova modalidade de apostas a fim de ampliar o entendimento da categoria dentro da lei. As empresas que operam sites que trabalham apostas em ambiente online e estão sediadas em países cuja operação é tida como legal no território nacional.

Contudo, mesmo que existam aplicativos de marcas conhecidas de casas de apostas, oficialmente, não há sites de aposta que operam no Brasil. Ou seja, você está fazendo sua fezinha em países como: Grécia, Inglaterra e até Curaçao - ilha holandesa perto da costa da Venezuela, conhecido como paraíso fiscal.

A problemática é que os relatos de apostadores de que as empresas que não estão pagando têm crescido em sites como “Reclame Aqui”, trazendo prejuízos a muitos clientes. André Pena Furtado, advogado cível e tributário explica que o ideal seria que as casas de apostas mantivessem uma representação administrativa no país, mas a lei ainda é branda e precisa de aprimoramentos.

“Se já é difícil muitas vezes achar um devedor pelo Brasil através dos oficiais de justiça, imagine de uma empresa qualquer do outro lado do mundo. Hoje, processar uma empresa com sede no exterior torna a burocracia maior. Casos frequentes de golpes têm aparecido, especialmente por ser um mercado online e que oferta aplicativos de muitas empresas. O cuidado nesse tipo de situação deve ser redobrado”.

Como já dito em colunas anteriores, os golpes têm crescido e com um mercado de apostas em alta, todo cuidado é pouco, especialmente em se tratando dos negócios online, uma prática ainda não bem regulamentada no Brasil. “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”.

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A Família Real Britânica

quinta-feira, 08 de setembro de 2022

Há muito tempo atrás, numa disputa por poder no início da formação dos países-
estados, alguém teve a ideia de limitar fronteiras, levantar um castelo e afirmar que
aquele seria seu reino. Pois bem, o tempo passou e o mundo mudou. Reis e rainhas em
grande parte foram afastadas do comando. Alguns foram assassinados, outros fugiram e
o restante foi perdendo, dia após dia, a sua influência.
Os monarcas, em grande parte do mundo, deixaram de ser o Estado. “Afinal,
por que aquela família é tão especial para ficar no poder e ditar as regras para a vida de

Há muito tempo atrás, numa disputa por poder no início da formação dos países-
estados, alguém teve a ideia de limitar fronteiras, levantar um castelo e afirmar que
aquele seria seu reino. Pois bem, o tempo passou e o mundo mudou. Reis e rainhas em
grande parte foram afastadas do comando. Alguns foram assassinados, outros fugiram e
o restante foi perdendo, dia após dia, a sua influência.
Os monarcas, em grande parte do mundo, deixaram de ser o Estado. “Afinal,
por que aquela família é tão especial para ficar no poder e ditar as regras para a vida de
todos? O que difere o sangue deles do meu? O Estado é o povo, oras! Feito do povo e
para o povo, que elege os seus representantes através de uma democracia” – é o que a
grande maioria diz.
Contudo, em pleno século 21, a monarquia britânica é uma das poucas que se
mantém firme no poder, apesar de que não há muito que se possa fazer acerca de
política.
Atualmente, a rainha ou rei do Reino Unido, não pode dissolver a Câmara dos
Comuns (parlamento do Reino Unido), não sendo nem permitida a sua entrada naquela
sala para que não haja interferência. Embora detenha o poder para proclamar uma
guerra, as últimas vezes os soldados britânicos empunharam suas armas foi pelo voto
parlamentar. E apesar de ter poder de ter veto sob as leis aprovadas pelo parlamento
britânico, a última vez que isso aconteceu foi em 1707.
Em um mundo onde os governos monárquicos são cada vez menores, a
monarquia britânica ainda se mantém firme no trono, e carrega o título de família real
mais popular de todo o planeta. Com o passar dos anos como os “Windsor e seus
antecessores” conseguiram sobreviver?

Unidade entre os povos
Hoje em dia, como uma monarquia constitucional, o poder executivo é liderado
pelo primeira-ministra, Liz Truss. Por esse motivo, algumas pessoas ficam confusas em
entender qual o papel do monarca à frente da monarquia nos dias atuais.
Ao contrário do que muita gente acredita a Elisabeth II era rainha não somente
da Inglaterra, mas também de países como: Escócia, País de Gales e da Irlanda do Norte e com interferência direta em mais 14 outras nações, incluindo países na América
Central. A influência da monarquia britânica não se constituiu hoje, mas ao longo de
séculos e séculos e foi primordial para os rumos da Grã-Bretanha.
O Reino Unido, já foi o país mais poderoso do mundo por muitos anos, e se
firmou o seu legado desde a época das grandes explorações, tanto por terra quando
pelos navios que desbravaram o “desconhecido”. A sua influência, inclusive, foi
decisiva para muitas guerras, como exemplo, a própria 2º Guerra Mundial. A monarquia
representa uma instituição poderosa para os ingleses.
Há questionamentos em cima da família real? Claro, que há, como em toda outra
sociedade organizada. Mas acima de tudo, a monarquia representa a união dos povos do
Reino Unido, especialmente num mundo polarizado e separatista, especialmente. O
poder da monarquia nos últimos anos foi acima de tudo diplomático.
E de uma diplomacia, que não se estende só as terras britânicas, mas em todo
globo. A própria independência brasileira teve o dedo inglês na pressão contra a família
real portuguesa! Em tempos recentes, a rainha Elizabeth II foi primordial no
estreitamento de relações de países que durante muitos anos tiveram relações tensas
como: a Índia, e África do Sul (ambas ex-colônias inglesas), Rússia (decorrente da
segunda guerra mundial) e a Irlanda do Sul (região que não pertence ao reino).
Aos poucos, em épocas de crise, a monarquia foi se modernizando e
aproximando da população, que se espelha como um modelo de valores para os próprios
britânicos. Em tempos de crise e insegurança ainda que haja um primeiro-ministro, a
Rainha ainda sim era uma referência.
E não ganhou somente os corações dos britânicos, mas de todo mundo, pela sua
representatividade. Ainda que manter uma monarquia custe caro, na Grã-Bretanha o
retorno é ainda maior. A ‘marca’ da família real vale entre propriedade, valor agregado
e turismo, cerca de R$138 bilhões.
A morte da monarca Elizabeth II comove a todos, mesmo a quilômetros de
distância. Vemos o falecimento de uma verdadeira líder de poder global e uma divisora
de águas da família britânica, que sem dúvidas, mudou a história do planeta,
especialmente nos rumos da Segunda Guerra Mundial. Será que Charles III superará esse momento de incerteza e dará seguimento ao marcante regime monárquico entre os
britânicos? Só o tempo dirá.

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