Existe uma característica curiosa nas grandes cidades. Elas são construídas por pessoas completamente diferentes entre si. Diferentes nos sonhos, nas histórias, nas crenças, nos gostos e nas formas de enxergar a vida. E talvez seja justamente essa mistura que faça os lugares crescerem.
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana

Lucas Barros
Além das Montanhas
Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.
Existe uma cena que se repete diariamente em escritórios de advocacia de Nova Friburgo, da capital e de praticamente todo o Estado do Rio de Janeiro. O cliente liga. Pergunta se houve alguma novidade, se o juiz decidiu, se há previsão. E a resposta, muitas vezes, é um silêncio constrangedor seguido da frase que ninguém gosta de ouvir: "Ainda não."
Há eventos que acontecem. E há eventos que são sentidos. A Fevest talvez pertença à segunda categoria. Durante alguns dias, Nova Friburgo parece vestir sua melhor roupa e lembrar ao Brasil aquilo que faz de melhor: transformar criatividade em trabalho, e trabalho em identidade.
Ao entrar nos pavilhões, a sensação não é apenas a de uma feira de negócios. É como atravessar uma pequena cidade construída de tecidos, luzes e expectativas. Os corredores se enchem de vozes, sotaques e histórias vindas de diferentes regiões do país.
Poucas vezes o Brasil produziu uma inovação capaz de mudar tão rapidamente a vida das pessoas quanto o Pix. Em poucos anos, o sistema criado pelo Banco Central transformou a forma como brasileiros compram, vendem, recebem e transferem dinheiro. Do pequeno comerciante até a grande empresa, milhões de pessoas passaram a realizar operações financeiras em segundos, sem quaisquer tarifas.
A Câmara Municipal de Nova Friburgo aprovou um auxílio-alimentação de R$ 50 por dia útil para os vereadores da cidade. Ao final do mês, o valor gira em torno de R$ 1 mil por parlamentar. O projeto foi aprovado por 11 votos favoráveis e oito contrários, em meio a vaias da população presente no plenário.
Nossa cidade se acostumou a reclamar da ausência de investimentos, da lentidão das obras, da dificuldade de conseguir apoio estadual e da sensação permanente de que está sempre correndo atrás do que deveria já ter chegado. Mas talvez exista uma pergunta simples que precise ser feita com mais honestidade: quem, hoje, fala por Friburgo dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro?
Havia ruas, todas muito semelhantes umas às outras. Havia também ruelas ainda mais semelhantes umas às outras, onde moravam pessoas também semelhantes umas às outras, que saíam e entravam nos mesmos horários, pelas mesmas calçadas, para fazer o mesmo trabalho sacal.
E para quem cada dia era o mesmo de ontem e de amanhã, e cada ano o equivalente do próximo e do anterior. Afinal, nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa e tudo sempre passará – de um modo para uns e de outro modo para outros. Cada um, com a sua luta e sua jornada.
Há datas que chegam com flores, mensagens prontas e fotografias bonitas. O Dia das Mães é uma delas. Mas, por trás das homenagens, no próximo domingo, 10, existe algo que não cabe em legenda: a rotina silenciosa de quem nunca teve a opção de não cuidar. Porque ser mãe não é um evento — é um estado permanente, contínuo, que não se suspende ao fim do dia.
Nesta sexta-feira, 1º de maio, celebramos o Dia do Trabalho. E, antes de qualquer debate, é preciso reconhecer quem sustenta, todos os dias, a engrenagem mais básica da sociedade: o trabalhador. É ele quem acorda cedo, enfrenta rotina, transporte, metas, pressão e, muitas vezes, volta para casa com a sensação de que entregou mais do que recebeu.
Há alguns anos escrevi sobre os jovens que vão embora de Nova Friburgo e, na maioria das vezes, não voltam. De lá pra cá, pouca coisa mudou — talvez só a naturalidade com que essa decisão passou a ser tomada. Ir embora deixou de ser um plano ousado e virou quase um roteiro esperado.
Nova Friburgo continua sendo uma cidade que forma, mas não retém. Temos um dos maiores polos universitários da região, com instituições que preparam gente qualificada, pronta para o mercado, pronta para o mundo. O problema é que, ao terminar a formação, esse mesmo mundo parece começar fora daqui.
