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Estragos pelas chuvas poderiam ter sido minimizados, revela especialista

sexta-feira, 29 de março de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Com o fim das chuvas de verão, cidades do Estado do Rio de Janeiro, como Petrópolis, Teresópolis, Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo registraram alagamentos, deslizamentos e formação de crateras em rodovias por causa do aumento do volume de água registrado nesses locais desde o último fim de semana. Eventos desse tipo são recorrentes nas estações chuvosas no país, especialmente na nossa região, que é extremamente acidentada e recebe um volume alto de precipitação.

Com o fim das chuvas de verão, cidades do Estado do Rio de Janeiro, como Petrópolis, Teresópolis, Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo registraram alagamentos, deslizamentos e formação de crateras em rodovias por causa do aumento do volume de água registrado nesses locais desde o último fim de semana. Eventos desse tipo são recorrentes nas estações chuvosas no país, especialmente na nossa região, que é extremamente acidentada e recebe um volume alto de precipitação. Entre 2021 e 2022, ocorreram recentes tragédias na Bahia e em Minas Gerais, nos trazendo as tristes lembranças de um amargo passado não tão distante nos pensamentos.

Desastres pelo Brasil

Segundo documento publicado em 2022 pelo Ministério do Desenvolvimento Regional junto com outros órgãos e instituições, o Brasil teve de 1991 a 2020 cerca de 63 mil ocorrências de desastres em quase todos os seus municípios (5.568), causados por chuvas intensas, estiagens, vendavais, erosões, ondas de frio, entre outros.

Os desastres são classificados dessa forma quando registram perdas humanas, materiais, econômicas ou ambientais por causa de um evento natural, segundo o documento. Em quase 30 anos, os 63 mil desastres registrados no Brasil resultaram, em diversos impactos que mudam e muito a vida de gente como a gente.

Nestes últimos 30 anos, o documento nos revela importantes números. Em número aproximados, 4.307* mortes (há contradições*),  7,8 milhões de pessoas desabrigadas e desalojadas, três milhões de habitações destruídas ou danificadas, R$ 18,3 bilhões em prejuízos ao ano para pagar os danos materiais.

Desastres desse tipo ocorrem há décadas no Brasil, principalmente na época das chuvas de verão, por causa de problemas crônicos ligados à falta de planejamento urbano, habitação, saneamento e infraestrutura criados no momento da formação das cidades do país, além da falta de políticas de prevenção e do crescente desmatamento.

Chuvas em 2024 e estragos pela cidade

No último fim de semana, o anúncio das intensas chuvas em todo o estado nos fez reviver o estranho e preocupante sentimento de medo gerado pelas tragédias que ocorreram em 2011. Apesar dos 13 anos passados daquela fatídica madrugada do dia 12 de janeiro, a ferida não foi cicatrizada.

Felizmente, o volume de chuva na nossa cidade foi menor do que o esperado, o que diminuiu os danos na nossa cidade. Apesar disso, não saímos ileso do que parecia ser mais um fim de semana preocupante na vida de quem vive nas áreas de risco de desabamento e de alagamento.

Na tarde da última terça-feira, 26, o tráfego foi interrompido em diversos locais da cidade. Próximo ao Hospital Unimed, na Chácara do Paraíso, a queda de uma árvore. Em Macaé de Cima, duas barreiras interditaram o trânsito e dificultaram o acesso de moradores à região.

Além disso, outros seis pequenos deslizamentos: um na RJ-142 (entre Lumiar e São Pedro da Serra), em Mury, na estrada de Boa Esperança, no Cônego, Cascatinha e Granja do Céu. Felizmente, não houve a ocorrência maiores desastres ou mortes. E caso a chuva que tivesse caído em nossa região fosse a prevista, em volume maior, a situação seria mais grave?

O especialista fala

Tragédias com deslizamentos de terra, árvores e inundações podem ser prevenidas e até evitadas em regiões como a nossa, é o que explica o consultor ambiental de instituições internacionais, biólogo, professor universitário e diretor da empresa H2C Gestão ambiental, Geraldo Eysink.

“O que todas as cidades têm em comum é a falta de planejamento para prevenção de desastres naturais. Atualmente, existem tecnologias capazes de sobrevoar uma determinada região e escanear toda a área. Todas as construções e a vegetação são retiradas digitalmente, reproduzindo a topografia do local – com uma precisão de 3cm - para o estudo dos relevos e prevenções de tragédias.”, explica o biólogo.

Geraldo também falou nos prejuízos econômicos, tanto por causa das perdas materiais causadas pelos desastres quanto pela paralisação da atividade econômica. “As chuvas de verão são inevitáveis. Quando se soma a isso a falta de investimento e de uma política de prevenção, viram tragédias anunciadas”, disse.

Apesar de serem consideradas cada vez mais importantes no contexto da mudança climática, as políticas de prevenção de desastres naturais recebem pouco investimento dos gestores públicos, apesar de serem economicamente mais viáveis ao município. Afinal, o que é melhor: prevenir ou remediar?

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A cultura do estupro revivida em imagens

quarta-feira, 20 de março de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Uma mulher, nutricionista, em mais um dia que deveria ser normal, mexe no celular enquanto desembarca do elevador. Ao sair, um completo desconhecido (para não usarmos outro termo menos inadequado ao que deveria ser escrito em um jornal), dá um passo em direção à saída, estica o seu braço direito e apalpa a mão nas nádegas da mulher. 

Uma mulher, nutricionista, em mais um dia que deveria ser normal, mexe no celular enquanto desembarca do elevador. Ao sair, um completo desconhecido (para não usarmos outro termo menos inadequado ao que deveria ser escrito em um jornal), dá um passo em direção à saída, estica o seu braço direito e apalpa a mão nas nádegas da mulher. 

Covardemente, ele se refugia no canto do elevador, enquanto procura o botão para que a porta se feche. A mulher, assustada, permanece na frente da porta. O criminoso segue no elevador até chegar ao seu andar de destino: o estacionamento. A porta abre e o homem corre em direção ao seu carro particular, um Jeep Comander – avaliado em R$ 220 mil.

O episódio aconteceu num edifício comercial de Fortaleza (CE). As câmeras de segurança registraram não apenas o ataque, mas toda a sequência em que o sujeito corre pelo estacionamento e foge de carro, de forma acelerada e apressada. As imagens não deixam mentir: o rapaz sabe que está errado e tem consciência de que cometeu uma agressão.

Afinal, se ele visivelmente sabe que está totalmente errado, por que age daquela forma? Na verdade, estamos diante de um comportamento disseminado - um fenômeno social enraizado - que naturalizou a “cultura do estupro” que não necessariamente se resume a existir um “estupro”.

Uma imagem que violenta todas as mulheres

Provavelmente você deve ter se assustado ao ler no título da coluna: “Estupro”. A palavra é forte. O crime, bárbaro. Mas o pior, é a violência sexual.  O medo pelo qual praticamente toda mulher já passou e passa em alguns momentos da sua vida, iniciando-se muitas vezes, antes mesmo de ultrapassar os anos da “meninice”.

De acordo com pesquisas, quase 20% das mulheres relatam ter sofrido qualquer tipo de violência sexual antes mesmo dos 10 anos de idade. Estima-se que quase 90% das mulheres no Brasil já sofreram agressões sexuais, de acordo como estudo realizado pela organização internacional de combate à pobreza, a ActionAid. 

Já parou para pensar que é bem possível que a sua mãe, sua tia, sua prima, sua irmã, sua filha ou mesmo a sua namorada/esposa, já tenha sofrido agressões em sua vida e nunca tenham lhe falado? Serve de reflexão.

E esse temor, se instala e mora nas situações mais corriqueiras: como ao entrar no ônibus de noite sozinha ou andar por uma rua mal iluminada e sem companhia. Ou mesmo o receio de atender um homem no seu próprio trabalho, seja em um ambiente aberto ao público ou fechado, como um consultório.

Alguns crimes, chegam a ganhar as telas dos computadores, dos smartphones e dos espaços nos noticiários. Contudo, a realidade é que eles acontecem a todo tempo e a qualquer instante, com mulheres das mais diversas idades. Não se sabendo quando será a primeira violência da vida e muito menos quando será a última.

Agora, pense comigo. Será que esse medo deveria ser assim, algo quase naturalizado em nossa sociedade? A verdade é que não, mas diversos fatores elevam esse medo: a reincidência das agressões; a naturalidade como são cometidos; o medo de denunciar e reagir; a impunidade; a falta de apoio, e por fim; o sentimento de vergonha da vítima em falar e “reviver” um difícil momento.

O que espanta nesses casos é a reação de "normalidade", de "naturalidade" com que os agressores tratam seus crimes. No vídeo do elevador, o agressor sequer fez questão de tentar “esconder”. Em outro caso, jovens adolescentes que divulgaram um vídeo de conteúdo erótico com uma menina desacordada julgaram suas condutas como “normais”.  

Quando falamos de “cultura do estupro” não é apenas em relação aos crimes previstos nos artigos 213 e no 217-A do Código Penal Brasileiro. É puxar pela cintura, pelo cabelo, pela roupa. É ignorar o "não". É passada de mão na bunda, encoxada, a buzinada, a lambida, seja no meio da multidão, numa rua escura, num bar iluminado ou na porta do elevador. 

É a mão boba quando vai dar um abraço, a mão forçada dentro da calça, quando nada disso é estimulado ou menos tolerado. E qual é a graça? Qual é o barato? Qual é o tesão em violentar, assustar ou traumatizar uma mulher? É uma demonstração de poder? Uma humilhação? Ou apenas a força do hábito?

Assédio, estupro ou outros crimes

Tecnicamente, no caso acima, o crime que ocorreu foi o de importunação sexual. A lei é clara: praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia. Um crime mais grave e com pena maior do que o assédio. Mais que isso, uma sentença de falência coletiva da sociedade.

No estupro, há violência. O ato é forçado. O criminoso através da força ou através de grave ameaça, vai impor o ato: “ou você faz ou você morre”. O estupro de vulnerável, ocorre na conjunção carnal ou ato libidinoso contra menores de 14 anos ou contra pessoas que não tenham o discernimento ou possam impedir o ato. (Deficiência mental, embriaguez, coma, etc.)

Apesar de muitas pessoas conhecerem o assédio, sua definição popularmente conhecida ainda difere do que será escrito na lei. Ao contrário do que pensam, o crime envolve relações de trabalho, onde existe uma hierarquia. Mas mesmo que não haja hierarquia pode haver assédio.

Independente de se tratar de importunação sexual, de assédio sexual ou estupro, a recomendação é que a vítima imediatamente procure a delegacia para o caso ser investigado e levado ao Ministério Público, responsável por denunciar esses casos. 

E numa única imagem, milhares de mulheres foram agredidas. A vítima do elevador e a esposa e a filha do sujeito – sim, é casado e pai de menina, que vão conviver com o episódio para sempre, todas aquelas que saem de casa diariamente sem saber se voltarão sem serem agredidas.

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Crônica: Uma cidade abandonada e seus gestores no mundo de Nárnia

quarta-feira, 13 de março de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Estava conversando com um cliente, dia desses. Ele comentava sobre como o bairro em que morava, que eu não conhecia, estava em um completo estado de abandono. Descreveu-o com sendo um bairro de boa gente, esforçada e ótimo caráter. “Só tem um probleminha: lá as coisas são tão atrasadas que o Fantástico passa na quarta-feira.” Rimos.

Estava conversando com um cliente, dia desses. Ele comentava sobre como o bairro em que morava, que eu não conhecia, estava em um completo estado de abandono. Descreveu-o com sendo um bairro de boa gente, esforçada e ótimo caráter. “Só tem um probleminha: lá as coisas são tão atrasadas que o Fantástico passa na quarta-feira.” Rimos.

Logo depois, me apressou no atendimento e explicou que em dias de chuva, alguns carros não sobem por conta do barro que fica fofo, fazendo os veículos atolarem. E eis que, por um milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei como a nossa cidade está repleta de muitos lugares como estes. Lugarejos esquecidos, sem o mínimo do básico e quem dirá, uma estrada decente.

Noutro dia, eu e um querido amigo, que mora no Rio, andávamos de carro. Ele comentava sobre os planos de vida e salientou algumas vezes – mais do que o normal - que não gostava muito de retornar à Friburgo. Causava-lhe uma sensação estranha, dizia ele. Apesar de beirar os 30 anos de idade e dar inícios de calvície, acostumou-se com a vida um pouco mais agitada e com “coisas para fazer”.

Enquanto passávamos pela região do Cônego/Cascatinha (afinal, ninguém sabe onde começa e termina cada bairro) lembro de pararmos o assunto e nos surpreendermos com a altura dos matagais nas ruas e calçadas. Ouso dizer que até os cavalos que habitualmente ficam soltos na região tem se espantado com o tamanho do mato. Não à toa, estão até mais gordinhos.

Em bairros como Nova Suíça, Amparo e Vale dos Pinheiros, a proposta para a vida animal é até um pouco melhor, eu diria. Além do mato, diversos buracos na rua servem como um verdadeiro “cocho” no meio do asfalto, deixando muita água acumulada das chuvas. Contudo, os moradores não pensam o mesmo.

E ao cair da noite, a cidade vai perdendo o brilho do sol detrás das montanhas e se apagando em meio ao breu da escuridão do melhor céu para se observar estrelas de todo o Estado do Rio de Janeiro. Uma vez que as luzes do Encanto de Natal, se apagaram, todo o charme se foi e nossa a cidade foi ficando às escuras. 

No entanto, apesar das luzes terem se apagado, os postes provisórios continuam no meio da rua. Instalados em novembro, os boatos dizem que somente serão retirados em maio. Ouso dizer, que emendaremos com o próximo Natal. “Afinal, para que iremos arrumar a cama se vamos dormir mais tarde nela, não é mesmo?”.

Os “postes provisórios” parecem querer concorrer com o famoso e eterno “muro provisório” que ficou por anos na Avenida. E que virou um ponto de referência. Os postes metálicos improvisados estão largados no meio da nossa principal e mais charmosa rua. E mais, de uma cidade que quer se tornar um dos maiores polos turísticos do Estado. Será que queremos tanto assim?

E ao passar dos anos, fomos nos perdendo e nos distanciando de tudo aquilo que a nossa cidade já foi. Não somos mais uma referência para ninguém. Não somos uma referência nem para nós mesmos. E já diria um famoso cantor de uma famosa música “o mundo não é mais como era antigamente”.

Em Nova Friburgo, falta algo para sermos a cereja do bolo. Não temos mais àquela educação maravilhosa. Ao invés de abrirmos mais escolas, fechamos unidades e investimos em festas! Parece irônico e se me contassem, eu certamente diria que é mentira. Mas nós vivemos para provar que é possível.

Faltam vagas até nas creches. E como a cidade está perdida, levamos conosco a nossa juventude para o mesmo rumo. Sem apoio e sem perspectiva de crescimento numa cidade que não cresce. E o ponto turístico mais bonito da juventude de nossa cidade, ainda continua sendo a Rodoviária Sul, com passagem só de ida. Cada um que examine o baú de suas prioridades, e faça a arrumação que quiser ou puder.
    Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento – não para inventar de acumular ali mais alguns compromissos estéreis e mortais. Contudo, quando falamos de cidade, falamos de coletividade. E qualquer coisa, afeta a vida de muita gente. Gente como a gente.

Abro as minhas redes sociais e vejo o maior gestor público de nossa cidade se vangloriando de uma obra com uma foto sua ao lado. Entretanto, a obra foi feita pelo Estado do Rio de Janeiro e tudo que competia à Prefeitura – trânsito e supervisão – não foi feito.

A nossa cidade está abandonada pela gestão pública. Trocaram de profissão e viraram ‘influencers’. Apesar das visíveis problemáticas da cidade, a prefeitura não deixa de estar presente em uma única inauguração de estabelecimentos privados da cidade. Penso estar nas Disney ou em Nárnia. Na verdade, estou apenas em Nova Friburgo.

Foto da galeria
(Foto: print de internet)
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PL dos aplicativos: Uber, 99 táxi e IFood. O que muda?

quarta-feira, 06 de março de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Presente em cidades em todo o Brasil e, no Rio, desde 2014, quando chegou junto com um dos eventos mais esperados — a Copa do Mundo —, a Uber, além de outros aplicativos de transporte, como a 99 e Cabify, tornaram-se uma boa opção para autônomos e clientes que buscavam uma alternativa diante dos altíssimos preços cobrado pelos táxis.

Presente em cidades em todo o Brasil e, no Rio, desde 2014, quando chegou junto com um dos eventos mais esperados — a Copa do Mundo —, a Uber, além de outros aplicativos de transporte, como a 99 e Cabify, tornaram-se uma boa opção para autônomos e clientes que buscavam uma alternativa diante dos altíssimos preços cobrado pelos táxis.

Antes, no auge da crise econômica no Brasil, dirigir por um destes aplicativos era a saída para conseguir uma renda diante do desemprego, ou somente para complemento de salário. Hoje, com a expansão dessas plataformas de mobilidade urbana e de entregas - como é o caso do IFood e outros mais - muitos fazem da direção a única fonte de renda.

Apesar de todo o mundo debater a acentuação da precarização de trabalho envolvendo os serviços de transporte por aplicativos – com corridas cada vez mais baratas e percentuais mais altos pagos cobrados dos motoristas –, outros países como o Brasil, buscam uma alternativa para regulamentar essa realidade cotidiana de milhares de pessoas.

O trabalho de motoristas por aplicativo pode ser formalizado com o projeto de lei que regulamenta a categoria. Enviado ao Congresso Nacional pelo presidente da República, o projeto foi comemorado por parte do setor e criticado por outra. A proposta altera o cenário do mercado com benefícios aos motoristas e prováveis consequências aos passageiros.

 

Salário mínimo, Previdência, horário e carteira de trabalho

Na prática, o texto reconhece os motoristas como autônomos, introduzindo a nova categoria de “trabalhador autônomo por plataforma”. Ou seja, não terão vínculo com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Com isso, os profissionais poderão continuar a prestar serviço em mais de uma plataforma.

Ainda conforme a proposta, a jornada máxima de trabalho diário em uma única plataforma será limitada a 12 horas, não podendo ser estendida à vontade do motorista ou exigida pelos aplicativos.

O projeto de lei também prevê uma remuneração mínima para os trabalhadores que rodam vinculados aos aplicativos de plataforma. Para se qualificar ao salário mínimo da categoria, os motoristas precisam cumprir uma carga mínima de oito horas de trabalho por dia. Esse valor será fixo, além do ganho variável das corridas feitas individualmente.

Caso seja aprovada, os profissionais que atuam com Uber e 99 passarão a receber um valor mínimo por hora trabalhada, além de ser feita a contribuição ao INSS, pelas plataformas. Ainda que não exista um vínculo trabalhista entre o motorista e empresa, a proposta assegurará que os trabalhadores tenham direitos aos benefícios da Previdência Social.

Se aprovada, a proposta assegura que os motoristas receberão aproximadamente R$ 24 por cada hora de trabalho efetivo. Este valor será pago como uma indenização destinada a cobrir despesas relacionadas ao trabalho, incluindo: o uso de celular, internet, combustível, manutenção do veículo, seguros e impostos.

Apesar das regulamentações serem demasiadamente importantes para garantir um mínimo essencial aos trabalhadores de aplicativo, sob quem paira o ônus de tudo isso? E a pergunta que não quer calar: as viagens de 99 e Uber ficarão mais caras com a regulamentação?

 

Incógnita para motoristas e consumidores

As próprias empresas não tocam no assunto. Em nota divulgada, a empresa americana, Uber, afirma que o projeto de lei é um “importante marco”, mas não citou nada sobre o repasse preços ao consumidor. Embora seja coerente que os repasses sejam feitos aos consumidores, a perspectiva é que não exista um impacto muito grande na tarifa. As empresas atualmente recebem do motorista de 40% a 30% do valor total da corrida, possuindo uma margem de lucro gigantesca e assim, não devem aumentar muito a tarifa para dar viabilidade ao negócio.

Em contrapartida, o IFood disse apoiar a medida, mas a contrapôs alegando que ela “falha em propor um regime de inclusão previdenciária condizente com as particularidades do setor”. De acordo com a empresa de entregas, 90% dos seus entregadores trabalham menos de 90 horas semanais, o que os deixaria fora da maior parte dos benefícios propostos pelo projeto.

A medida ainda não foi aprovada. Assinada pelo presidente Lula na última segunda-feira, 4, durante cerimônia no Palácio do Planalto, o Projeto de Lei Complementar foi enviado ao Congresso Nacional em caráter emergencial e, caso seja aprovado, entrará em vigor após 90 dias.

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Porte de arma para advogados: assassinatos reabrem o debate

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
por Jornal A Voz da Serra

No último dia 30 de janeiro, advogada Brenda Oliveira e o cliente dela, suspeito de cometer um crime, foram executados a tiros após saírem da delegacia onde o caso tinha sido registrado, na cidade de Santo Antônio (RN), a 70 quilômetros de Natal. Ele foi levado à delegacia e acabou liberado após constatarem que não havia elementos suficientes para comprovar que ele cometeu o crime. O suspeito recebeu carona de sua advogada. Ao sair da delegacia, os dois entraram em um carro e em seguida, foram atingidos por tiros disparados por dois homens em uma motocicleta.

No último dia 30 de janeiro, advogada Brenda Oliveira e o cliente dela, suspeito de cometer um crime, foram executados a tiros após saírem da delegacia onde o caso tinha sido registrado, na cidade de Santo Antônio (RN), a 70 quilômetros de Natal. Ele foi levado à delegacia e acabou liberado após constatarem que não havia elementos suficientes para comprovar que ele cometeu o crime. O suspeito recebeu carona de sua advogada. Ao sair da delegacia, os dois entraram em um carro e em seguida, foram atingidos por tiros disparados por dois homens em uma motocicleta.

Na tarde desta segunda-feira, 26, na Avenida Marechal Câmara, no Centro do Rio de Janeiro, o advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, foi executado, de forma covarde, à tiros. O advogado era especialista em causas cíveis e empresariais, atuando em resgastes de investimentos de criptomoedas. Rodrigo era conhecido por ser um advogado de bom trato e sem problemas na carreira. Segundo apurado, em uma das ações em que atuava, patrocinando os interesses dos seus clientes, Rodrigo conseguiu o bloqueio de contas de algumas pessoas envolvidas em esquema de pirâmides.

Entretanto, o advogado foi morto com tiros à queima-roupa, por um homem encapuzado que chamou-o pelo nome, à poucos metros da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Rio; da Defensoria Pública e do Ministério Público estadual. A OAB, em nota, repudiou o caso.

E na madrugada desta quarta-feira, 28, Andréia da Silva Teixeira, 42 anos, e seu namorado foram mortos a tiros no condomínio residencial onde morava no Rio Grande do Norte. A advogada criminalista, poucos momentos antes de ser assassinada, compartilhou uma publicação em seu perfil do Instagram sobre os assassinatos de colegas de profissão em menos de um mês.

Profissões equiparadas, mas sem as mesmas garantias

A lei brasileira entende que a atividade exercida pelos membros do Poder Judiciário, esses apresentados pelo artigo 92 da Constituição Federal, assim como pelos membros do Ministério Público são atividades de notório risco, devendo ser garantido os meios efetivos para defesa cabíveis desses profissionais.

A pirâmide do judiciário brasileiro, à grosso modo, funciona dessa forma, motivo pelo qual analisaremos caso à caso. O juiz, responsável por julgar e decidir sobre a vida das pessoas, pode portar uma arma? Pode. O promotor (Ministério Público), como na sua função como órgão acusador e fiscal da lei, pode ter arma? Pode.

Os advogados e defensores públicos, que podem atuar tanto na defesa dos seus clientes, mas também processando outras pessoas, por motivos criminais, cíveis, empresariais ou por inflamados processos de família (guarda de criança, separação de bens, inventário, ação de alimentos) – sejam de autoridades, pessoas comuns ou criminosos – podem ter armas? Não.

Ora. Se a própria lei determina que não existe hierarquia entre magistrados, membros do Ministério Público e advogados, qual a razão para serem concedidos meios de defesa para uma classe e outra não? A negativa para o porte de armas para advogados, juridicamente, é mais uma aberração jurídica dentro do ordenamento jurídico brasileiro.

Projeto de lei

O projeto de lei 1.015/23 classifica como atividade de risco o exercício da advocacia em todo o território nacional, independentemente da área de atuação do profissional regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A proposta está em análise na Câmara dos Deputados, mas não tem data para ser votada.

Na prática, o texto passaria a permitir que advogados sejam autorizados a portar armas de fogo em razão do “exercício de atividade de risco”, o que já é assegurado a outras categorias do judiciário pelo Estatuto do Desarmamento. Apesar dos burburinhos serem antigos, os últimos acontecimentos inflamaram o debate sobre o porte para a categoria.

O polêmico projeto de lei tem dividido a opinião entre as classes. A única verdade é que a advocacia não tem sido uma profissão para covardes. Lutar pelos direitos dos seus clientes incute riscos à vida privada de uma profissão sem qualquer suporte. Ser advogado é muitas vezes lutar sozinho, contra todos, ao lado de muitas “notas de repúdio”. 

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Precisamos de um plano contra a dengue

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Já não é de hoje que o Aedes Aegypti causa transtornos na vida dos brasileiros. O conhecido mosquito das “patas pintadas”, originário da África, carrega o apelido de “odioso do Egito”. Bem provavelmente, espalhou-se pelo mundo em meio ao comércio que percorriam toda a costa do Atlântico, e de lá para cá, tornou-se uma das espécies exóticas invasoras de difícil controle biológico.

Já não é de hoje que o Aedes Aegypti causa transtornos na vida dos brasileiros. O conhecido mosquito das “patas pintadas”, originário da África, carrega o apelido de “odioso do Egito”. Bem provavelmente, espalhou-se pelo mundo em meio ao comércio que percorriam toda a costa do Atlântico, e de lá para cá, tornou-se uma das espécies exóticas invasoras de difícil controle biológico.

O mosquito, que originalmente, era selvagem, logo se adaptou às nossas cidades e ao ambiente humano. Nos depósitos de água parada, deixados e esquecidos por todos nós, tornaram-se o local perfeito para procriação da espécie. E o nosso sangue, com a pele levemente descoberta por pelos, passou a ser seu alimento principal.

E assim, o pequeno mosquito listrado de poucos centímetros, aos poucos foi se tornando uma das espécies invasoras que mais causam preocupações em países de clima tropical, por ser um conhecido vetor de doenças como zika, chikungunya, febre amarela e nossa “antiga conhecida”, a dengue.

 

Crise sanitária: epidemia

Apesar de ser um pequeno mosquito, os problemas causados pelas doenças podem ser enormes. Desde a ocorrência de pequenas pintinhas vermelhas no corpo, à casos de microcefalia em bebês durante a gestação, e até o óbito de um humano adulto devido a hemorragias e febres.

O cenário, que nunca foi dos melhores, parece ser preocupante no presente momento. A previsão menos otimista é de que, neste ano, o Brasil tenha 4,2 milhões de casos de dengue – o dobro do que foi registrado em 2023, quando o número de casos já foi desafiador. Estamos diante de algo nunca vimos antes.

Nesta quarta-feira, 21, o governador Cláudio Castro (PL) anunciou que o Estado do Rio de Janeiro passa por uma epidemia de dengue. O número de casos – quase 50 mil, desde o início do ano - é 20 vezes maior do que esperado no período pela Secretaria estadual de Saúde.

 

Vacinas: não em Nova Friburgo

Após décadas de pesquisa, o que sempre soou improvável, aconteceu: uma vacina contra a dengue, que pode ser aplicada amplamente na população e que foi aprovada pelos órgãos de vigilância. Para muitos, a notícia veio como um alívio, contudo, a realidade se desprende dos nossos sonhos.

O Ministério da Saúde confirmou que pelo Sistema Único de Saúde (SUS) serão vacinadas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos - faixa etária que concentra maior número de hospitalizações por dengue. Os números mostram que, de 2019 a 2023, o grupo respondeu por 16,4 mil hospitalizações, atrás apenas dos idosos - grupo para o qual a vacina não foi autorizada.

Em alguns municípios, a vacinação foi incorporada ao SUS, e algumas pessoas já conseguiram tomar as duas doses do imunizante. Por outro lado, a realidade de outros municípios ainda não é vista em Nova Friburgo, mesmo para as crianças.

No Estado do Rio de Janeiro, apenas 12 municípios, da Região Metropolitana e Baixada Fluminense, farão parte da campanha de imunização. Nova Friburgo e os demais municípios do interior fluminense não foram contemplados pelo programa, o que nos deixa, de certa forma, ainda mais vulneráveis.

Apesar de vivermos em um município com risco de proliferação do mosquito, somente aqueles que possuem dinheiro suficiente para pagar a vacina nos laboratórios particulares - sejam estes adultos ou crianças - conseguirão comprar as doses do imunizante. Deixando assim, a população mais carente, desamparada de ajuda do poder público.

 

Fumacês viraram fumaça

Entretanto, mesmo quando a vacinação avançar, não podemos deixar de eliminar o mosquito vetor. No entanto, as medidas tomadas pelo poder público não têm se mostrado eficazes na implantação de estratégias que funcionem para a prevenção. Até esta quarta-feira, 21, estão contabilizados 531 casos notificados, sendo 237 positivos e 294 negativos no município.

Quanto mais mosquitos têm voando em uma dada área, maior a chance de acontecer um encontro com uma pessoa infectada. Por consequência, mais insetos sobrevivem ao período de incubação do vírus em seu próprio corpo, e mais chance, então, de encontrarem alguém não infectado para picar.

Os famosos “fumacês”: os carros financiados pelos munícipios que eram responsáveis por borrifar inseticidas em locais críticos, desapareceram. Apesar da estratégia matar apenas os mosquitos voando, ainda sim, são uma solução paliativa contra uma doença que pode matar.

Não podemos esquecer dos criadouros, especialmente porque o mosquito causa outras doenças, como a zika e a chikungunya. Contudo, os “fumacês” parecem ter virado fumaça, o que pode contribuir para o aumento da doença na cidade. E infelizmente, não podemos nem dizer que foi por falta de dinheiro.

 

Também temos o nosso papel

Entretanto, também precisamos enxergar a nossa responsabilidade como sociedade. Como muitas pessoas não entendem a gravidade da doença, deixam o mosquito para lá. Mas, nem sempre a culpa é do vizinho e precisamos nos atentar também às nossas responsabilidades.

Por isso, a comunidade friburguense tem um papel enorme de não deixar água parada, tampar ralos e vedar as caixas d’água e cisternas. Não é cobrir, porque o mosquito acha um buraquinho para passar. Tem que vedar. Reduzir a população do mosquito ao máximo é o ponto principal para interromper a transmissão. E caso queira denunciar focos de dengue, ligue para: (22) 2543-6293.

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O direito à morte é um direito à uma vida digna?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Há quem suspire ao ler sobre a morte natural, com a diferença de poucos dias e horas, entre um e outro, de um casal de mais idade. A romantização da dor da perda – que não tem nada de romântico – apenas mostra que a ausência do outro, às vezes, é tão insuportável que chega a ser fatal.

Há quem suspire ao ler sobre a morte natural, com a diferença de poucos dias e horas, entre um e outro, de um casal de mais idade. A romantização da dor da perda – que não tem nada de romântico – apenas mostra que a ausência do outro, às vezes, é tão insuportável que chega a ser fatal.

Até que a morte os separe? Pois bem, existem pessoas que não seguem a esta lógica e escrevem verdadeiros romances na vida real. Afinal, quem é que nunca conheceu um casal que foi perdidamente apaixonado um pelo outro ao longo da vida e logo quando um dos cônjuges veio a falecer, o outro logo depois também morreu?

Eu acredito ter ouvido muitos desses casos ao longo da minha vida. Até mesmo de cônjuges que não sabiam da morte do outro, e logo depois vieram também a “descansar”. Entretanto, apesar de romantizarmos a morte em alguns momentos, a verdade é o que assunto ainda é um verdadeiro tabu em nossa sociedade.

De mãos dadas ao último adeus

Nos últimos dias, um caso chamou bastante atenção de todos. O ex-primeiro-ministro da Holanda, Dries van Agte e sua esposa Eugenie van Agt-Krekelberg optaram por uma eutanásia dupla e morreram de mãos dadas no último dia 5. Ambos tinham 93 anos de idade.

O ex-premiê holandês não tinha se recuperado plenamente de uma hemorragia cerebral, sofrida em 2019, que lhe deixara muitas sequelas, lhe afastando do público e de seu trabalho de militância. Sua esposa, optou por não viver sem o marido, ainda de acordo com a fundação criada por ela.

A Holanda foi um dos primeiros países do mundo a legalizar a eutanásia. Desde 2002, o procedimento é realizado quando o paciente está em sofrimento, sem perspectiva de alívio ou cura, e queira, por sua vontade própria, morrer de forma assistida e humanizada. Na prática, dois médicos precisam dar autorização, para que o procedimento ocorra.

A eutanásia dupla, em que casais optam por morrer juntos com assistência médica, passou a ser registrada a partir de uma revisão de casos ocorrida em 2020. Naquele ano, 26 pessoas passaram pelo procedimento. Em 2021, foram 32. E 2022, os registros aumentaram expressivamente para 58.

Além da Holanda, outros países como Bélgica, Luxemburgo, Colômbia, Canadá, Espanha, Portugal, Nova Zelândia e Argentina adotam a prática. O ato de não querer prolongar tratamentos que mantenham artificialmente a vida de pacientes por sintomas terminais e irreversíveis ainda é um tabu no Brasil.

Conflitos de direitos e interesses

O inferno, segundo os críticos, seria o destino de quem afronta o “tempo de Deus”. Já outras pessoas, tratam a prática com mais naturalidade, especialmente diante de casos em que a dor do paciente em estar más condições de saúde é quase como uma submissão a uma tortura física e psicológica.

Casos famosos não são difíceis de serem encontrados. O ex-comediante nordestino Shaolim e o ex-piloto de Fórmula 1, Michael Schumacher, sofreram lesão medular, e apesar de conscientes, nada podiam/podem fazer. Em outros casos, doenças irreversíveis como Esclerose Lateral Amiotrófica, que acometeu o ex-astrônomo, Stephen Hawkings, trazem dor ao paciente até a morte.

Apesar de parecer mais humano e coerentes que essas pessoas possam escolher não querer mais viver nestas condições, a prática não é legal no Brasil. As penas para quem causa a morte de um doente podem variar de dois a seis anos, quando comprovado motivo de piedade, a até 20 anos de prisão.

Na Constituição Brasileira, vivemos um embate entre “a dignidade da pessoa humana” e “o direito à vida”, trazendo à tona os debates sociais, religiosos e jurídicos sobre a prática no país. Para uns, a morte é parte inexorável da vida. E se as pessoas têm o direito de viver com dignidade sua própria morte, surge a necessidade de legislar sobre o morrer de forma digna.

Contudo, no Brasil, no artigo 5º de sua Constituição, o direito à vida prevalece como fundamental ao ser humano. Protege-se a vida mesmo quando o seu titular tenta tirá-la. Esse direito é garantido em todas as legislações modernas do mundo, como razão da existência do ser humano com capacidade de fruir de todos os demais direitos.

Um debate extenso, mas necessário

O que muitos julgam ser o contrário de “viver”, é na verdade, uma das etapas inevitáveis da vida pela qual todos nós passaremos. Apesar de não pensarmos no assunto com frequência, todos nós iremos um dia deixar de existir - ao menos num plano físico, a depender da sua crença. Morrer é inevitável.

Devemos continuar a entender que a medicina já não pode seguir o princípio de sustentar toda a vida humana de qualquer jeito, sem que demos a devida atenção à dignidade humana? Ou devemos entender que a permissão de morte de uma forma humanamente digna não pode ser levada em conta?

É importante esclarecer que não se deve confundir “morte digna” com nenhum método de suicídio. Afinal, o direito a viver de forma digna implica também no direito a morrer dignamente? Ao meu ver, não há nada que seja mais cruel que obrigar uma pessoa a sobreviver em meio a padecimentos oprobriosos, em nome de crenças alheias.

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Rifas nas redes sociais: um perigo para o consumidor

quarta-feira, 07 de fevereiro de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Uma grande produção feita em vídeos com fogos de artifício, fumaça colorida e balões, geralmente ao lado de carrões e motos de luxo, chama atenção. Então, surge o anúncio da possibilidade de ganhar o tão sonhado carro com um valor de mercado de R$ 100 mil por apenas míseros R$ 0,19. Sugestivo?

Uma grande produção feita em vídeos com fogos de artifício, fumaça colorida e balões, geralmente ao lado de carrões e motos de luxo, chama atenção. Então, surge o anúncio da possibilidade de ganhar o tão sonhado carro com um valor de mercado de R$ 100 mil por apenas míseros R$ 0,19. Sugestivo?

A proposta, apesar de estranha, nos faz sonhar e acreditar que podemos “mudar de vida” com tão pouco. Você olha para o seu carro, já não muito inteiro e nem muito limpo, e imagina-se dentro de um carrão de luxo, limpinho e que não faz um barulho ao passar pelos buracos de nossa cidade. Só somos felizes com aquilo que não temos...

E assim, surgem os “vendedores de sonhos”. Afinal, os sonhos são vendidos, não é mesmo? Não precisa navegar muito pela internet para achar cursos de “Como ficar milionário em apenas um ano”. Em seguida, a famosa frase: “Valor do curso por apenas dez prestações de R$ 500 sem juros”. E o pior, perceber que eles ficam realmente milionários vendendo sonhos.

E não precisa acessar muito as redes sociais para observar a proliferação de perfis que costumam divulgar rifas digitais em prêmio em dinheiro ou algum bem de alto valor - como iPhones, carros e motos de luxo. Sem qualquer garantia e com pouca fiscalização, as rifas online se proliferam e tomam contas das redes.

 

Como funcionam

Os vídeos dos “influenciadores” com carrões e motos, geralmente possuem um botão que te levam até um site, onde você fará a sua “fezinha”. Ao acessar o site, o interessado em comprar os bilhetes é apresentado a uma página com uma bonita estrutura do site – o que passa credibilidade e gera interesse ao usuário.

Para participar de um sorteio ativo, o comprador acessa uma página, na qual é realizada a compra de até 1 mil bilhetes por transação. Os valores variam de acordo com cada sorteio, mas geralmente são baixos para que você compre mais bilhetes. Também são incentivados a compra de múltiplos bilhetes por meio de preços promocionais.

Após a confirmação do pagamento, os números dos bilhetes com os números são gerados de maneira aparentemente aleatória e aparecem em uma página do site, que é acessada por apenas um único dado: o número do celular previamente cadastrado pelo comprador. Não é fornecido qualquer comprovante de pagamento. E por fim, os “influenciadores” anunciam aos seus seguidores a existência prévia de 'números premiados', sem qualquer base verificável ao comprador dos bilhetes da sorte.

E assim, não há como comprovar nem se quem ganhou a rifa, foi realmente sorteado. E para piorar, nos sites, não são disponibilizadas informações sobre a empresa responsável pelo sorteio: número de autorização do Ministério da Fazenda, regulamento, nem qualquer telefone ou e-mail para contato.

 

A prática dá cadeia

Ao contrário do que muitos imaginam, as rifas são proibidas no Brasil. Alguns “influenciadores” demonstram causas nobres, como arrecadação de dinheiro para pagamento de um tratamento médico. Entretanto, a maioria tem buscado o enriquecimento próprio, vendendo sonhos e não dando qualquer garantia, no mundo sem lei das redes sociais.

A realidade é que não existe rifa legalizada. As rifas são todas, em princípio, ilegais, ressalvados os sorteios filantrópicos (beneficentes). A prática comum que entre “influenciadores”, que reúne milhões de seguidores, já é objeto de investigação policial em diversos estados e no Distrito Federal, gerando uma onda de prisões pelo país.

Sem oferecer uma real garantia de que aquele prêmio será entregue a um vencedor estes jogos de aposta são uma contravenção penal, com pena que vai de três meses a dois anos de prisão – assim como o famoso e popular “jogo do bicho”, encontrado sem dificuldade em diversos lugares.

Entretanto, a prática da contravenção penal muitas vezes está aliada à crimes como fraude, associação criminosa, lavagem de dinheiro e até estelionato, uma vez que muitos dos prêmios são concedidos para pessoas conhecidas que depois devolvem o prêmio. Explicitado no Fantástico, já existem casos até de associação ao tráfico.

Comprar rifas, não é crime. Mas compartilhar continuamente uma prática criminosa, pode te fazer responder judicialmente por um crime em que você sequer é beneficiado. Já pensou?

 

Como saber se a rifa é legal?

Os golpes, infelizmente, somente se perpetuam porque são bem estruturados e fazem milhares de vítimas. Para saber se um sorteio é realmente legal, recomenda-se que o consumidor confirme se o evento foi autorizado. Para isso, é necessário consultar o site do Ministério da Fazenda com o número da autorização do sorteio.

O Governo Federal não possui a competência legal para repressão e combate às contravenções penais, que competem, exclusivamente, ao poder público estadual. Assim, o consumidor pode apresentar denúncia ao Ministério Público estadual ou às polícias judiciárias civil e militar estaduais.

Em caso de compra de rifas, o consumidor poderia pleitear reparação material junto aos órgãos administrativos, como o Procon e o Ministério Público, ou até mesmo dano moral no Judiciário caso seja comprovado o prejuízo. E não se esqueça do clássico conselho de vó: “quando a esmola é demais, o santo desconfia”.

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Turismo indica alta em 2024: índices semelhantes ao período pré-pandemia

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024
por Jornal A Voz da Serra

“Eu vejo o futuro repetir o passado”, diria Cazuza. Os ecos de um passado distante parecem refletir os tempos atuais e nos dão uma aula de ciclicidade do mundo. Lá em 1920, Aloha Wanderwell, no auge dos seus 16 anos decidiu explorar o planeta e tornou-se celebridade mundial ao viajar por 80 países.

“Eu vejo o futuro repetir o passado”, diria Cazuza. Os ecos de um passado distante parecem refletir os tempos atuais e nos dão uma aula de ciclicidade do mundo. Lá em 1920, Aloha Wanderwell, no auge dos seus 16 anos decidiu explorar o planeta e tornou-se celebridade mundial ao viajar por 80 países.

Também naquele ano que surgiram os primeiros montanhistas – Andrew Irvine e George Mallory – que resolveram subir até o topo do Monte Everest pela face norte. Não muito distante, começaram as expedições de mountain bike, onde ciclistas sem experiências decidiam atravessar vários países pedalando. Éramos mais ousados em 1920.

As pessoas simplesmente pareciam superar a dicotomia de pensamentos dos conservadores e caíram na estrada, atrás de seus sonhos. Tudo isso há exatos dois anos após a gripe espanhola de 1918 que assolou o mundo, deixando pessoas em lockdown por meses e meses e matando outras quase 100 milhões de pessoas – um número quase cinco vezes maior do que as mortes provocadas pela Covid-19.

Contudo, precisamos voltar aos tempos atuais, onde o futuro dá indícios da repetição de passado. Há exatos dois anos dos pós pandemia da Covid-19, pesquisas da Organização Mundial do Turismo (OMT) indicam o retorno dos níveis anteriores à 2020, indicando uma grande possibilidade de aumento no setor para o ano de 2024.

 

O mundo não é mais como era antigamente

As pessoas estão voltando cada dia a mais a viajar, mas de modo diferente do que era anteriormente. Aquele modelo de turista que segue a jornada de sonhar – planejar – comprar e experimentar o mundo com a família parece mudar a cada dia que passa. “O mundo não é mais como era antigamente”, diria Renato Russo.

O planejamento do perfil turístico tem se tornado cada vez mais ousado e curto. As pessoas parecem ter perdido o medo de trocar seus itens de consumo com os quais convivemos à exaustão no período de isolamento social (como o carro, casa, sofás, maquinas de lavar roupa, eletrodomésticos) ao ato de viver intensamente viajando, se permitindo não apenas ao novo, mas ao inesperado.

Wanderlust: em alemão, é uma expressão que define o “desejo de viajar”. E a partir daí, novos vocabulários e modelos de viagem estão sendo reinventados. Por exemplo, o “Couchsurfing” – uma rede de colaboração global que põe em contato viajantes que querem experimentar um mergulho profundo na cultura local, e anfitriões dispostos a abrir as portas das suas casas para receber novas pessoas.

 

Nova Friburgo deu um passo, mas precisa se atualizar

Um outro fator que tem se tornado importante para a escolha dos turistas é o “turismo de experiência”. Uma febre, é a metodologia “Disney”, ensinada por Felipe Lontra em Nova Friburgo, em que os clientes são envolvidos e atraídos por uma grande e marcante experiência, que não poderá ser vivida em outro lugar. E por meio dessas experiências únicas, os turistas se tornam cativos, retornando muitas e muitas vezes.

Grandes exemplos do turismo brasileiro de experiência podem ser vistos em cidades como Gramado (RS), Pomerode (SC), Urubici (SC), Blumenau (SC), Balneário Camboriú (SC), São Paulo (SP), São José dos Campos (SP), Bonito (MS), Chapada dos Veadeiros (GO) e outros mais.

Um grande exemplo dessa vertente tem se depositado no “turismo radical”. Quem nunca ouviu a história de alguém que viajou para viver experiências de pular de bungee jump, nadar com tubarões ou saltar de paraquedas? Cada dia mais, os viajantes tem se interessado pelas experiências e vivencias únicas na vida.

Nova Friburgo age correto num investimento expressivo ao Turismo, o que deve ser parabenizado. Entretanto, investimos muito dinheiro – inclusive tirando de outras áreas importantes – em projetos que vem e ficam no passado, sem deixar um legado para os friburguenses. Ao desmontar dos palcos, o turismo tem desaparecido de nossa cidade.

Não estamos cativando o turista e muito menos trazendo um legado para a nossa cidade. Apesar de estarmos no centro geográfico do Rio de Janeiro, ainda não somos um relevante polo turístico sequer em nosso estado. E a triste realidade, nua e crua, é que poucas pessoas da capital, sequer sabem onde nossa cidade fica, mesmo que gastemos muito com isso.

As pessoas conhecem Petrópolis, Teresópolis, Campos do Jordão, mas não, Nova Friburgo. Turistas de cidades vizinhas vivem o turismo de experiência, viajando pelo país, em projetos que poderiam ser implementados aqui. Até os próprios friburguenses, para viverem um pouco turismo radical, tem que viajar, como é o caso dos parapentes.

No entanto, precisamos mudar isso. Uma das excelentes alternativas para surfarmos essa onda turística de 2024 é olharmos no entorno da nossa cidade, especialmente nos pequenos empresários que investem no turismo de experiência, como: o rafting, os voos de parapente, o alpinismo, o montanhismo e as trilhas.

Se é uma vontade de mudarmos a nossa cidade pelo turismo e, nos próximos anos, deixarmos de investir tanto em projetos que são esquecidos com uma ou duas semanas, precisamos deixar um legado. E se não nos atualizarmos em planejamento, ficaremos ainda mais para trás.

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Big Brother policial: novas câmeras nos uniformes dos policiais

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024
por Jornal A Voz da Serra

A segurança pública foi uma das principais pautas abordadas ultimamente no quesito segurança no Brasil, em especial, no Estado do Rio de Janeiro. Dentro desse tema, um assunto se evidencia, gerando muita polêmica pelo país afora: as bodycams - as câmeras usadas pelos policiais militares, acopladas aos uniformes.

A segurança pública foi uma das principais pautas abordadas ultimamente no quesito segurança no Brasil, em especial, no Estado do Rio de Janeiro. Dentro desse tema, um assunto se evidencia, gerando muita polêmica pelo país afora: as bodycams - as câmeras usadas pelos policiais militares, acopladas aos uniformes.

Enquanto há pessoas que são a favor dessa tecnologia como uma forma de coibir a violência policial e o abuso de autoridade, outros acreditam que a medida poderia gerar uma limitação da atuação dos agentes nas operações. Atualmente, uma nova onda de câmeras vem sendo instaladas em diversas forças policiais do estado.

 

PM, Core e Bope

Depois do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), os policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, começaram, nesta segunda-feira, 22, a realizar ações com câmeras operacionais portáteis em seus uniformes (body cam).

Neste primeiro momento, contudo, apenas 100 agentes da Força Especial da Polícia Civil utilizaram o equipamento. O uso de câmeras corporais segue determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e teve início no começo do ano para as forças especiais da Polícia Militar do Rio.

Segundo o ato do atual secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, os policiais civis do Core deverão usar as câmeras no exercício de atividades operacionais de sua atribuição também nas viaturas e aeronaves. A medida divide opiniões, mas afinal, tem produzido seus efeitos?

 

Alguns pontos positivos; outros, nem tanto

Um recente estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) também mostra impacto das câmeras nas mortes em operações policiais. O estudo aponta que as câmeras corporais reduziram em 57% o número de mortes decorrentes de ações policiais em relação a unidades policiais onde, até aquele momento, não havia a implantação da tecnologia.

Além disso, as câmeras podem dar uma outra versão sobre os fatos diferente das apontadas pelos agentes públicos no exercício da função. Em 9 de setembro de 2023, uma ação policial em São José dos Campos, interior de São Paulo, terminou com o suspeito baleado. Após apuração das câmeras em investigações, o homem morto estava desarmado e já dominado pelos PMs. A Corregedoria da Polícia ainda acusa os policiais de montar uma farsa para alterar a cena do crime e parecer que tinha havido um confronto.

Em São Paulo, com o sistema em vigor por algum tempo, os números apontaram para uma redução de quase 80% da letalidade policial nos batalhões em que foi empregada a tecnologia. Em contrapartida, os números também demonstram que os agentes públicos estão mais temerosos em realizar abordagens, temendo interpretações desfavoráveis ao seu trabalho.

Além disso, o uso de câmeras nas fardas pode atrapalhar as emboscadas à criminosos. Em uma das táticas utilizadas pela polícia, a “campana” (o ato de infiltração policial discreta, de forma escondida) poderia ter sua eficácia reduzida, o que colocaria em risco a vida de agentes públicos e o maior emprego de dificuldade nas abordagens.

 

Um mal necessário?

O ano passado ficou marcado pelos diversos vídeos amadores que demonstraram abusos de policiais durante o exercício legal de suas funções. O mais famoso deles, o caso dos policiais da PRF que asfixiaram um homem dentro do porta-malas de uma viatura em plena luz do dia.

Em 2020, o Brasil registrou o maior patamar de letalidade policial já observado. De acordo com os dados, os agentes de segurança pública foram responsáveis por 12,8% do total de mortes violentas no país. A adoção das medidas de monitoramento, ainda com os seus contrapontos, tem se mostrado efetiva para proteção de todas as partes envolvidas.

Afinal, as gravações podem ser utilizadas em processos para elucidação dos fatos, trazendo mais legalidade e transparência, tanto para os presos como para os próprios policiais - que também podem ser vítimas de denúncias de falsos abusos. É inegável que ambas as partes ficam vulneráveis em situações extremas e precisamos zelar sempre pela aplicação da lei.

O Estado do Rio ainda engatinha quanto a aplicação das bodycams, por meio de barreiras criadas pelo Governo do Estado. Se as câmeras nas fardas dos agentes públicos serão uma solução viável ou uma problemática, só o tempo dirá. No entanto, a prática tem se mostrado muito efetiva nos tribunais para a aplicação correta da lei.

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