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O hemocentro precisa de você

quarta-feira, 08 de fevereiro de 2023

A cada mil brasileiros, apenas 16 são doadores de sangue de modo regular. Esse percentual de 1,6% apesar de estar dentro do mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de que ao menos 1% da população do país seja doadora, ainda é insuficiente para manter uma boa quantidade nos bancos de sangue de todo país.

A cada mil brasileiros, apenas 16 são doadores de sangue de modo regular. Esse percentual de 1,6% apesar de estar dentro do mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de que ao menos 1% da população do país seja doadora, ainda é insuficiente para manter uma boa quantidade nos bancos de sangue de todo país.

A situação em Nova Friburgo, não é nada diferente. Talvez, seja até um pouco mais peculiar do que nas outras localidades. Apesar de não vivermos em uma cidade muito populosa, pouquíssimas pessoas doam sangue e somos ainda responsáveis pelo abastecimento de 13 cidades vizinhas.

Pode não parecer, mas neste momento em que você está lendo essa coluna, alguém está precisando de sangue para doação. A necessidade é constante e diária, sem hora, dia da semana ou pausa para feriados. Seja durante uma cirurgia, por conta de uma doença grave ou até mesmo devido aos muitos acidentes, que podem acontecer com qualquer um de nós, a qualquer tempo, sem que sequer possamos nos prevenir.

Acidentes estes, por sinal, que devem ser sempre lembrados. Apesar de estarmos bem próximos aos feriados do carnaval, momento colorido pelas festividades, a época também é nebulosa diante dos inúmeros acidentes de trânsito que acontecem. Desde a pessoa que vacilou, bebeu e dirigiu e até a quem estava no lugar errado e na hora errada.

Quando alguém precisa de uma transfusão de sangue, só pode contar com a solidariedade, de quem está ajudando um desconhecido, que pode ser um conhecido seu ou até mesmo você.

Bons motivos para doar

Doar sangue ainda é um tabu muito grande no Brasil. Mesmo com diversas campanhas de conscientização, ainda é muito difícil conseguir voluntários suficientes que supram a demanda dos hospitais do país. Em especial, nos períodos próximos às festividades.

Pouca gente sabe, mas em cada doação você pode ser um herói e ser capaz de salvar até quatro vidas. E este é o pensamento que o Lucas Lima, professor de Geografia e fotógrafo de casamentos, leva em sua mente toda a vez que se voluntaria a praticar o ato.

“Ao fazermos a doação, emocionalmente, não temos como deixar de lembrar dos casos com pessoas próximas que já passaram pela necessidade de uma transfusão. Quando percebemos que podemos fazer algo mínimo, mas que ao mesmo tempo pode ser tão grandioso, a sensação é de dever cumprido”, conta Lucas.

Uma outra verdade, é que o sangue é insubstituível. Por exemplo, quando você tem uma dor de cabeça forte, você pode receber a prescrição médica para tomar o remédio A, B ou C. Contudo, o mesmo raciocínio não pode ser aplicado para alguém que está precisando de sangue, que depende, unicamente, da solidariedade de alguém.

Deixemos de lado os nossos medos e as nossas desculpas para não doar. O procedimento é totalmente seguro e não há qualquer risco de contrair doenças. Muito pelo contrário, o processo de doação é capaz de prevenir algumas enfermidades, como a redução de risco a problemas cardíacos e alguns tipos de câncer.

Todo o procedimento não dura mais que uma única horinha do seu dia, entre a triagem e o lanchinho fornecido após a doação. E é ainda mais facilitado por todos os profissionais do hemocentro, que são super bem preparados, bem humorados e fazem o momento ser ainda mais leve, agradável e recompensador.

O poeta cubano José Martí cunhou uma frase que foi popularmente editada e é muito usada: “Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro: três coisas que toda pessoa deve fazer durante a vida”. É certo que deveríamos incluir “doar sangue” nessa frase e botarmos em prática para toda nossa vida. É uma ação simples e que faz vida fluir nas veias de quem mais precisa. E não se esqueça: o Hemocentro de Nova Friburgo precisa de você!

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Jogo do Bicho pode ser legalizado

quarta-feira, 01 de fevereiro de 2023

É bem provável que você, pelo menos uma vez na vida, tenha feito algum tipo de aposta. Envolvendo milhares de apostadores em todo Brasil, os jogos de sorte atraem pelo sonho de ganhar uma grande bolada de dinheiro em uma tacada certeira com baixo investimento.

É bem provável que você, pelo menos uma vez na vida, tenha feito algum tipo de aposta. Envolvendo milhares de apostadores em todo Brasil, os jogos de sorte atraem pelo sonho de ganhar uma grande bolada de dinheiro em uma tacada certeira com baixo investimento.

Não é fácil, afinal se fosse todo mundo estava milionário, e estamos longe disso – pelo menos eu. A probabilidade de uma pessoa ser atingida por um raio é 50 vezes maior do que um apostador ganhar na Mega-Sena com um cartão com apenas seis números. Ou seja, se você acredita que possa um dia ganhar na loteria, não se esqueça de sair debaixo das árvores em dias chuvosos.

Há quem faça uma ‘fezinha’ nas loterias regulamentadas da Caixa Econômica Federal, como os jogos como: Lotofácil, Quina ou mesmo a conhecida Mega-Sena. Contudo, diante dessa grande dificuldade em se ganhar na loteria, outros tipos de apostas não regulamentadas no Brasil possuem imensa força em um mercado que é ilegal... por enquanto!

Está pronta para entrar em plenário a proposta que visa criar o Sistema Nacional de Jogos e Apostas, legalizando a exploração do mercado de bingos, videobingos, cassinos, corridas de cavalo e o famoso, querido por muitos, o jogo do bicho.

Contudo, o futuro ainda é incerto, mas está próximo de seu desfecho. Mesmo após uma análise apurada de quase três décadas pelos deputados na Câmara Federal, o próximo passo será uma disputada votação no Senado, ainda neste ano. E mesmo que aprovado, pode ter seu texto vetado pelo atual presidente eleito.

O que diz o texto

O projeto de lei original concentrava-se somente na legalização do jogo do bicho, contudo o texto foi estudado e modificado diversas vezes. Em sua nova versão que segue para o Senado, o novo projeto reúne outras 24 propostas sobre temas parecidos, o que ampliaria o mercado de apostas do país.

Caso aprovado, os estabelecimentos para jogos e apostas somente poderiam funcionar mediante uma a concessão do poder público, que seria o responsável pela normatização e fiscalização desse mercado. As apostas, assim como nas casas lotéricas, também seriam totalmente proibidas para menores de 18 anos.

Questão de política ou de saúde?

Para estudiosos sobre o tema, a exploração ilegal desse mercado, como é atualmente, traz muito mais malefícios do que benefícios à maioria da população. Revestidos de ilegalidade e com um público cliente fiel, o dinheiro pago pelos apostadores acabam financiando gigantescos esquemas de corrupção e o fortalecimento de quadrilhas criminosas, que a todo preço, querem enriquecer às custas da contravenção.

Os defensores da legalização entendem que a regulamentação do setor geraria empregos, incrementaria o turismo nacional e passaria a gerar impostos para o país, algo que hoje não acontece. Afinal, você achou mesmo que o governo deixaria de tirar seu pedacinho? Na na ni na não!

Por outro lado, o movimento contrário à legalização, é forte e promete lutar contra a aprovação da prática no país, afinal, o vício em jogos de azar é oficialmente classificado pela CID (Classificação Internacional de Doenças) como um transtorno e que traz prejuízos diretos à saúde mental, física e familiar do individuo, que se dispõe à tudo, para apostar.

Os episódios repetitivos e frequentes de jogo tornam-se uma compulsão, que de acordo com médicos especialistas, pode se assemelhar ao vício da dependência química, trazendo cada vez mais necessidade de jogar para sentir prazer e bem estar. E toda vez que ganha, arrisca mais e mais, até que já não tenha mais o que apostar ou perder.

O movimento contrário à liberação das apostas ainda sugere que a geração de empregos e de benefícios para o país são superestimadas. Para eles, grande parte das apostas seria realizada por uma tela de celular, não gerando emprego algum e trazendo ainda mais dificuldade à fiscalização e controle da atividade. Afinal, alguém tem que apurar se a máquina não está sempre programada para que você perca.

A verdade é que hoje não há muita dificuldade para encontrar uma banca ilegal de apostas, em qualquer lugar que seja. E nem mesmo uma casa de apostas legal, como é o exemplo da casa lotérica. Enquanto isso, a decisão caberá ao Senado entre enxugar o gelo tentando parar as apostas irregulares no país ou combater a prática por se tratar de uma questão de saúde pública, como são as drogas. Façam suas apostas!

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Inteligência artificial: oportunidade ou risco?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A inteligência artificial (IA) está rapidamente se tornando uma força dominante no mercado de trabalho. Muitas empresas estão adotando essas tecnologias para automatizar tarefas repetitivas e aumentar a eficiência, enquanto outras estão criando novos empregos para lidar com as demandas dessa tecnologia.

A inteligência artificial (IA) está rapidamente se tornando uma força dominante no mercado de trabalho. Muitas empresas estão adotando essas tecnologias para automatizar tarefas repetitivas e aumentar a eficiência, enquanto outras estão criando novos empregos para lidar com as demandas dessa tecnologia.

Um exemplo de como essa tecnologia está afetando o mercado de trabalho é a atividade de um colunista de jornal. Com a popularidade dos algoritmos de IA, muitos jornais e sites estão usando essas ferramentas para escrever artigos e notícias. Isso significa que alguns colunistas podem ser substituídos por esses computadores, mas também significa que outros podem ser contratados para trabalhar com essas tecnologias e garantir que elas estejam produzindo conteúdo de qualidade.

No geral, é importante notar que a IA está trazendo mudanças significativas para o mercado de trabalho e que essas mudanças podem ser tanto positivas quanto negativas. Enquanto algumas pessoas podem perder seus empregos devido à automação, outras poderão encontrar novas oportunidades em novas áreas que surgirão.

Bom, a verdade é que a coluna até aqui foi escrita pelo ChatGPT, a inteligência artificial do momento cujos criadores receberão um investimento – quase uma bagatela - de R$ 50 bilhões para aprimoramento da ferramenta.

Basicamente, instalei o aplicativo no meu telefone e escrevi a seguinte  solicitação: “Escreva um texto sobre o avanço da Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Dê como exemplo o trabalho de um colunista de jornal”. Ficou pronto em poucos segundos.

Alguns dos leitores mais assíduos – e irônicos - certamente começaram a ler o texto e juraram ser o meu melhor começo de coluna nesse um ano e meio de jornal. A mesma tecnologia que fascina as pessoas, também espanta, causando incerteza a muitos profissionais colocados no mercado de trabalho.

Acredite ou não, a mesma ferramenta, que por enquanto está na fase de testes, foi aprovada em uma prova de MBA da prestigiada Wharton Business School, vinculada à Universidade da Pensilvânia dos Estados Unidos. O aplicativo foi capaz de se corrigir em uma questão após receber uma dica da pessoa que aplicava a prova.

No entanto, a tecnologia também provou que seu uso pode nem sempre ser para os melhores e justos fins. Em uma habilitação para o exercício da profissão de médico e de advogado, nos EUA, a tecnologia foi capaz de ser aprovada nos exames.

A verdade é que Inteligência Artificial parecia algo muito distante e alheio às nossas vidas, especialmente nessas proporções. Envelhecemos assistindo diversas produções cinematográficas hollywoodianas em que robôs inteligentíssimos substituíam os seres humanos em suas atividades mais habituais do dia-a-dia – e até subjulgavam a raça humana no planeta.

A verdade é que ainda não fomos subjulgados pelas máquinas – por enquanto... -, mas cada vez de forma impactante e presente, estão tomando conta das atividades mais cotidianas de nossa vida e certamente, muitas profissões sofrerão com essas inovações, gerando desemprego.

Computadores e robôs estão aprendendo a tomar decisões. E a palavra “decisão” é bem forte para algo que não tem uma consciência e ou mesmo um raciocínio. As máquinas de IA são autodidatas e estão apreendendo sem que necessariamente alguém precise ‘ensinar’. Seja na elaboração de textos complexos, criação de imagens do zero, invenção de logomarcas e até cronogramas de rotinas para as nossas vidas. Tudo isso de forma automatizada, como todo conhecimento que já existe na internet.

E eu me pergunto: “O que será do trabalho dos designers se com dois cliques, uma máquina cria uma imagem para mim de forma gratuita? Ou mesmo, de um advogado, que tem sua parte da renda com consulta aos clientes? Ao que parece, nem mesmo os colunistas estão à salvos da IA’s.

O ano de 2023, sem a menor dúvida, será um grande marco para o avanço da revolução da tecnologia mundial com a sofisticação dos aplicativos e a popularização de suas funções. No entanto, se a IA não for desenvolvida de modo ‘responsável’, teremos bilhões em lucro para poucas empresas pelo mundo e milhões de desempregados, buscando se readequar ao novo normal.

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Nova Friburgo pode não adotar novo piso salarial na Educação

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

O ano de 2023 promete ser muito relevante para os professores públicos dos estados e dos municípios. A portaria assinada na última segunda-feira, 16, determinou um reajuste no piso nacional do magistério de 14,9%. O salário anterior dos referidos docentes deverá ser elevado de R$ 3.845,63 ao valor mínimo de R$ 4.420,36.

O ano de 2023 promete ser muito relevante para os professores públicos dos estados e dos municípios. A portaria assinada na última segunda-feira, 16, determinou um reajuste no piso nacional do magistério de 14,9%. O salário anterior dos referidos docentes deverá ser elevado de R$ 3.845,63 ao valor mínimo de R$ 4.420,36.

Determinado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e assinada pelo novo ministro da Educação, Camilo Santana, o novo aumento busca alcançar uma melhor valorização do profissional da educação, quem sem dúvida, é um fator determinante para o progresso do nosso país.

De acordo com a portaria, o novo piso nacional é o valor mínimo, considerado como digno e devido, que deve ser pago ao docente do magistério público da educação básica e ensino médio, em início de carreira, considerando uma jornada de no máximo 40 horas semanais. De acordo com a lei, o reajuste deve ocorrer anualmente no mês de janeiro.

Em contrapartida, a nova portaria somente abrange os docentes que lecionam nas escolas públicas brasileiras. O aumento concedido anualmente, portanto, não valerá para os profissionais que laboram em colégios particulares, não devendo, as mensalidades sofrerem qualquer reajuste ao longo do ano.

Nas escolas privadas, o reajuste é feito de forma diferente. Assim como estipulado aos profissionais do comércio, toda a negociação é intermediada pelo sindicato dos docentes e o sindicato patronal - dos donos das escolas – e assim, assinada uma convenção coletiva que vale por 12 meses.

O reconhecimento merecido aos profissionais

Foram quase dois anos de pandemia no mundo todo – que apesar de estarmos em um momento menos crítico, graças às vacinas, ainda não terminou. Nesse tempo, a educação precisou aprender a se adaptar às inúmeras situações adversas e lidar com todos os obstáculos para construir, nada mais e nada menos, que o futuro do nosso país.

Especialmente no Brasil, tivemos experiências bem-sucedidas e outras mais problemáticas. Afinal, os professores também aprendem, não é mesmo? Mas ainda sim, apesar de todos os ‘poréns’, conseguimos enfrentar esse período nebuloso e manter a educação andando.

Em vista desse reconhecimento, a Prefeitura do Rio de Janeiro, sob a gestão de Eduardo Paes, superou o valor estabelecido no aumento do novo piso definido para os docentes da educação pública. Na capital fluminense, os professores do município que entram na rede e com carga de 40 horas de trabalho já recebem a partir de R$ 6.073,29.

Já na capital paulista, sob a gestão de Ricardo Nunes - que tomou posse após a morte de Bruno Covas - a realidade dos profissionais da educação não está tão distante da dos cariocas. O município concedeu um aumento de 31% aos docentes da rede de ensino que tiveram sua remuneração base elevadas de R$ 3.832,37 para R$ 5.050.

Não somente um bom salário é devido aos profissionais, que mesmo com o país parado – literalmente -, conseguiram olhar para o futuro distante e não se abater diante das dificuldades. Em contrapartida, os esforços pela educação nem sempre são recíprocos e a educação do país, ainda sofre com a desvalorização do professor.

Reajuste sem ajustes

Em Nova Friburgo, a dura realidade da falta de aumento digno já é sentida pelos profissionais que dedicam sua vida integralmente à educação da juventude. Em um cenário de necessidade de adaptações e novos planejamentos para a sala de aula, o dever por um aumento estabelecido como mínimo e necessário, não é alcançado.

Em 2022, do aumento de 33% determinado pelo então presidente, Jair Bolsonaro, somente 11% foram repassados aos profissionais do ensino municipal, conforme apontam profissionais munícipes. Nesse sentido, torna-se possível que o novo aumento de 15% definido pela então gestão federal, pode não ser estendido aos profissionais da região.

Os professores municipais que são regidos por diferentes leis complementares - a 040 e a 050 – já recebem um valor inferior ao estabelecido como básico. Estima-se que em 2023, os profissionais regidos pela “040” , caso não haja reajuste, recebam um quase R$ 840 a menos do definido pelo piso nacional.

A Confederação Nacional dos Municípios, por sua vez, criticou o reajuste do piso salarial dos professores. De acordo com a entidade a recomendação é que os gestores municipais ignorem o aumento do Governo Federal, para que consigam equilibrar as contas, frustrando a expectativa de profissionais de todo país.

Infelizmente, já não basta que somente os professores olhem para o futuro do nosso país e se preocupem para que exista uma educação de excelência e de boa qualidade. É essencial que os prefeitos e governadores também cumpram o seu papel, enxergando um futuro, digno, aos professores.

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A anunciada tragédia contra a democracia

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

A democracia fez o novo presidente da República eleito, Lula, por mais de 60 milhões de votos, derrotando Jair Bolsonaro, que obteve expressivos 58 milhões de votos. Mas, terminada a eleição, vimos grupos radicais crescerem, com protestos, ocupações nas ruas, episódios de violência e frequentes pedidos de ditadura militar.

Gestada e avisada durantes meses, desde a invasão da Polícia Federal em Dezembro do ano passado, a arruaça de Brasília era pedra cantada e contou com a omissão e o endosso das autoridades de todos os níveis das nações.

A democracia fez o novo presidente da República eleito, Lula, por mais de 60 milhões de votos, derrotando Jair Bolsonaro, que obteve expressivos 58 milhões de votos. Mas, terminada a eleição, vimos grupos radicais crescerem, com protestos, ocupações nas ruas, episódios de violência e frequentes pedidos de ditadura militar.

Gestada e avisada durantes meses, desde a invasão da Polícia Federal em Dezembro do ano passado, a arruaça de Brasília era pedra cantada e contou com a omissão e o endosso das autoridades de todos os níveis das nações.

Roteiro pronto

Em 2021, após o resultado das eleições gerais dos Estados Unidos, apoiadores do candidato derrotado nas urnas, Donald Trump, conduziram uma invasão ao congresso americano com as alegações de fraudes nas urnas e contra o resultado que teve como vencedor o então presidente, Joe Biden. O episódio ficou conhecido como a “Invasão do Capitólio”, que contou com quebra-quebra, invasão de prédios públicos e mortes.

Nos meses que antecederam à invasão, os americanos enfrentaram protestos de grupos partidários questionando a confiabilidade das urnas, documentos que alegavam uma tentativa de favorecimento estatal e judiciária ao candidato vencedor, agressões aos jornalistas da mídia ‘tradicional’ e discursos em tons acalorados clamando por interferência e tomada de poder. Soa parecido, não soa?

Sinceramente, em nada surpreende. O roteiro de uma suposta tentativa de golpe, com início, meio e fim já estava mais do que anunciado. O sentimento de uma tentativa atentatória contra a democracia brasileira já paira há meses, e quiçá mais, no território brasileiro e só não viu quem não quis – ou quem achou que fosse conveniente.

O Brasil tem uma ‘invasão ao Capitólio’ para chamar de sua. A simbologia é escancaradamente igual ou até pior. O roteiro é idêntico ao que aconteceu nos Estados Unidos com a derrota do presidente Donald Trump, com a única diferença de que lá, o poder público fez de tudo para evitar o pior.

Tragédia anunciada

Entristece saber que estamos diante de uma tragédia anunciada há meses e que todas as autoridades competentes, simplesmente desconsideraram, fingiram que não viram, fecharam os olhos e permitiram o cenário atual.

Desde os bloqueios nas estradas, com violência, em que a PRF não conseguia desmanchar - apesar de as torcidas organizadas de futebol desmontarem todos por onde passaram para assistirem os jogos dos seus times – até os pedidos de intervenção federal e o inventivo de golpe militar, que são crimes, mesmo sendo desarmados!

O escritor, Hamilton Ferraz, doutor em Direito pela PUC-Rio e professor da Universidade Federal Fluminense explica que a liberdade de expressão é fundamental para cada democracia, porém não deve nunca ser entendida como ilimitada e absoluta. Para ele, ofender, ferir, odiar, mentir e propagar ofensas, ódios e mentiras, é algo incabível em nosso regime constitucional.

“Liberdade de expressão não é liberdade de agressão. Nem toda fala, discurso ou manifestação podem ser tolerados. O grande limite à liberdade de expressão é o ponto em que seu exercício passa a ameaçar as liberdades e direitos de todos os demais - quando, então, já não mais se trata de ‘liberdade’, mas de crime.”

Devemos entender como “liberdade de expressão”, o direito que permite as pessoas manifestarem suas opiniões, sempre com respeito e veracidade de informações, sem o medo de represálias ou censura. Mas, não - em hipótese alguma - atentar contra uma democracia. Isso é crime, previsto em lei!

Ninguém é obrigado a gostar de alguém ou mesmo concordar com tudo que é dito, em ambos os lados: o contraponto é essencial e o que rege nossa vida. A única coisa que não é possível é uma pequena parte da população querer acabar com a nossa juvenil democracia que tantas vezes foi retirada na história brasileira.

Os barris de pólvora em forma de acampamentos e mensagens com pedido de intervenção federal, montados desde outubro na frente de quartéis generais do Exército - em que alguns chegavam a fornecer energia elétrica – eram um prenúncio do que viria a acontecer.

Todos que desrespeitaram e continuam desrespeitando a Constituição devem ser punidos. Se agentes públicos, demitidos ou exonerados. Os demais, devem responder à processos criminais na forma da lei. Não é possível deixar de aplicar as punições com rigor e fingir que não existem as leis vigentes que criminalizem o assunto e garantem a democracia.

Já se foi o tempo em que as ditas fakenews eram espalhadas e nos tiravam gargalhadas. Há 12 anos, pessoas em Nova Friburgo corriam morro acima com medo da forte correnteza da água de uma suposta represa que havia estourado. Hoje, sobem a rampa do Congresso para tentar dar um golpe de estado.

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O perigoso e lucrativo mercado das fake news

quarta-feira, 04 de janeiro de 2023

Quem nunca recebeu de alguém uma notícia claramente distante da realidade, em que pessoas veementemente acreditavam no que lá estava escrito? Nós, friburguenses, éramos para estar ‘vacinados’ contra a desinformação, especialmente após o célebre caso da “Represa que Estourou”, em 2011.

A verdade, é que vivemos uma epidemia informatizada e estamos tão vulneráveis quanto qualquer outra pessoa do mundo. Afinal, por que as “fake news” se tornaram um assunto que gera tanta preocupação no atual momento?

Quem nunca recebeu de alguém uma notícia claramente distante da realidade, em que pessoas veementemente acreditavam no que lá estava escrito? Nós, friburguenses, éramos para estar ‘vacinados’ contra a desinformação, especialmente após o célebre caso da “Represa que Estourou”, em 2011.

A verdade, é que vivemos uma epidemia informatizada e estamos tão vulneráveis quanto qualquer outra pessoa do mundo. Afinal, por que as “fake news” se tornaram um assunto que gera tanta preocupação no atual momento?

A expressão, em inglês, é popularmente usada para se referir a notícias falsas ou imprecisas, que na maioria das vezes, é divulgada na internet de maneira rápida e eficiente. Ao contrário de delitos que envolvem mentiras, como a calúnia, criar notícias falsas não necessariamente é um crime, o que facilita ainda mais a prática antiética.

Seja na saúde, na política ou mesmo na aplicação de golpes: tudo vale. Para atrair leitores, muito do que é produzido é uma desinformação baseada em fatos reais e escrita de forma a provocar medo e raiva, que acabam compartilhando a reportagem com outras pessoas.

Em geral, associa-se o mercado das fake news ao mundo político, no qual o interesse básico é construir – ou destruir – reputações. Isso é bem verdade, as notícias sobre políticos dão muitos “cliques”, mas o universo da desinformação vai bem além. Muita gente está no jogo por outro motivo: espalhar mentiras dá dinheiro.

Formado em Sistemas da Informação, o friburguense Rodrigo Machado é especialista em links patrocinados para empresas nas mídias sociais e explica que de centavo em centavo, a propagação de notícias falsas tornou-se um mercado muito lucrativo para quem faz o mau uso das ferramentas.

“As notícias falsas chegam até nós de muitos modos e com títulos chamativos, gerando interesse nas pessoas em clicarem nos links. Ocorre que a cada pessoa que acessa o site e passam pelos anúncios distribuídos pela página, centavos são gerados para o site. Com muitos acessos em diversas páginas, a renda pode chegar a milhões, isso só em publicidade, sem contar a venda de produtos”.

Mas o problema é ainda mais grave, pois as notícias falsas não afetam somente quem entra em contato com elas. O pior efeito  é o coletivo, porque elas acabam disseminando uma desconfiança generalizada contra as instituições, a própria democracia, meios de comunicação, grupos sociais, empresas e representantes políticos.

Para termos uma dimensão, vivemos uma epidemia digital, em que um relatório do Centro de Combate ao Ódio Digital, dos Estados Unidos, afirma que 12 dos principais influenciadores antivacina do país representam uma indústria de disparo em massa com receitas anuais de 36 milhões de dólares com anúncios. E afinal, que preço nós pagaremos pela desinformação?

Condicionados sem que percebamos

Você já notou que toda vez que acessamos algum conteúdo, seja uma reportagem ou um anúncio de produto que queremos, somos bombardeados pelo assunto sem que percebamos? Para ficarmos mais tempo nas redes, o algoritmo nos prende dentro de uma bolha, em que somente é mostrado aquilo que é do nosso interesse.

No conjunto, muitas dessas histórias fornecem uma visão falsa e distorcida e que propositalmente vão de encontro à nossa visão do mundo que entendemos ser o ideal. Afinal, tudo que nos move com emoção, nos tira o foco da razão. E assim, passamos cada vez mais tempo nas redes, vendo vídeos, reportagens e anúncios, que são pagos.

Não é difícil perceber que, uma pessoa que consequentemente cai em uma fake news, automaticamente, está mais propensa a receber esse tipo de conteúdo. Seja do lado A ou do lado B. Tiremos como exemplo, as centenas de pessoas comemorando nas ruas, por lerem falsas matérias de que os ministros do STF estariam sendo presos num golpe militar orquestrado pelo Exército.

Os aplicativos fingem tentativas para frear a propagação de desinformação: o Whatsapp, com a limitação do número de encaminhamentos de mensagens e sinalizarão os arquivos que estão sendo reenviados com frequência; o Facebook, Instagram e o Twitter borrando a informações descritas como falsas.  Por outro lado, as empresas vendem bilhões de reais em anúncio.

Enquanto o Brasil, ainda ensaia um projeto de lei para a criminalização das fake news, fiquemos atentos e tomemos cuidado com as fontes que estamos lendo. Caso contrário, em breve, estaremos novamente correndo morro acima, com medo da forte correnteza de água da represa estourada de Nova Friburgo. 

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Big Brother Policial: Câmera nas fardas da PMERJ

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

A segurança pública foi uma das principais pautas abordadas pelos muitos candidatos ao governo do estado do Rio de Janeiro, durante os debates que antecederam as últimas eleições. Dentro desse tema, um assunto ficou em evidência e ainda vem gerando muita polêmica pelo Brasil afora: as bodycams, as câmeras usadas pelos policiais militares durante o patrulhamento.

A segurança pública foi uma das principais pautas abordadas pelos muitos candidatos ao governo do estado do Rio de Janeiro, durante os debates que antecederam as últimas eleições. Dentro desse tema, um assunto ficou em evidência e ainda vem gerando muita polêmica pelo Brasil afora: as bodycams, as câmeras usadas pelos policiais militares durante o patrulhamento.

Enquanto havia candidatos a favor dessa tecnologia como uma forma de coibir a violência policial e o abuso de autoridade, outros acreditam que a medida poderia gerar uma limitação da atuação dos agentes nas operações. E no fim das contas, como funcionam e porque vemos tão poucas pela rua?

COMO FUNCIONAM?

Um policial que usa a câmera não simplesmente aperta um botão ao entrar na viatura e segue com a sua rotina de trabalho. Antes, o agente deve seguir uma série de procedimentos, antes de seguir com o seu dia.

Ao ligar o equipamento, deve-se checar se está carregado e conectado ao sistema da Polícia Militar. Assim que for ligado, o aparelho não mais pode ser desligado durante o momento de serviço, ficando a maior parte do seu tempo, em stand by (modo de espera), sem a gravação de áudio.

A cada 30 minutos, um vídeo é enviado para a central de monitoramento, para que seja averiguado se o agente faz o uso correto do aparelho. A gravação do áudio poderá ser acionada pela própria central, independentemente da vontade do agente, quando há o deslocamento para o atendimento de uma ocorrência, por exemplo.

Além disso, a ativação do áudio deverá ser acionada pelo próprio agente, em momentos em que haja uso de força, abordagens, perseguições a veículos, fiscalizações de trânsito ou troca de tiros. A autoridade só poderá interromper a gravação quando não houver mais o “interesse policial”. Caso desligue antes, deverá explicações.

E ao final do serviço, após preencher um relatório e classificar todos os vídeos, o policial deve entregar o aparelho ao quartel. Todos os vídeos ficarão armazenados no sistema da Polícia Militar, que deverá fornecê-los por meio de pedidos judiciais ou pela própria ouvidoria.

RIO DE JANEIRO EM ATRASOS

Os atrasos recorrentes e problemas no serviço marcam o processo de implementação das câmeras nos uniformes de agentes de Segurança Pública do Estado. Ainda que exista decisão judicial que obrigue o governo a adotar o uso dos equipamentos, há relutância e ficamos para trás, se comparado aos outros estados.

O atual governador aprovou a lei que obriga o uso de câmeras nos policiais, mas em contrapartida, vetou os trechos sobre os prazos, deixando-os em aberto, sem qualquer previsão para amplo funcionamento. E apesar do discurso de transparência, impôs o sigilo de um (1) ano aos vídeos captados - sendo que este é o prazo máximo para armazenamentos do material. Ou seja, choveu no molhado!

O governo, por sua vez, ainda enfrenta dificuldades com a empresa vencedora do pregão que não consegue suprir a demanda, podendo haver uma nova licitação e mais morosidade ao processo. Diante de toda essa confusão, o STF determinou que seja estabelecido um novo prazo para implementação de todo efetivo.

UM MAL NECESSÁRIO?

Este ano ficou marcado por muitas coisas positivas que ocorreram. Contudo é inegável que também marcou pelos diversos vídeos amadores que demonstraram abusos policias. O mais famoso deles, o caso dos policiais da PRF que asfixiaram um homem dentro do porta-malas de uma viatura.

O Brasil registrou, em 2020, o maior patamar de letalidade policial já observado. Na época, os agentes de segurança pública foram responsáveis por 12,8% do total de mortes violentas no país. A adoção das medidas de monitoramento, tem se mostrado efetiva para a redução dos casos de abusos, mas é preciso ter atenção, é o que destaca Bianca Figueira, especialista em Direito Penal e Processo Penal.

“As gravações podem ser utilizadas em processos para elucidação dos fatos, trazendo mais legalidade e transparência, tanto para os presos como para os próprios policiais, que também podem ser vítimas de denúncias de falsos abusos. Ambas as partes ficam vulneráveis em situações extremas e precisamos zelar sempre pela aplicação da lei.”

Em São Paulo, com o sistema em vigor por algum tempo, os números apontaram para uma redução de quase 80% da letalidade policial nos batalhões em que foi empregada a tecnologia. Em contrapartida, os números também demonstram que os agentes públicos estão mais temerosos em realizar abordagens, temendo interpretações desfavoráveis ao seu trabalho.

Maior parte da população apoia a política de implementação das bodycams, mas será que somente isso será uma baliza para separar os bons policiais – a grande maioria – dos maus profissionais? Se as câmeras nas fardas serão uma solução ou uma problemática, só o tempo dirá.

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Os golpes crescem durante as compras de fim de ano

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Recentemente, um colega recebeu uma ligação de um número desconhecido. Uma gravação de voz que se identificava como uma linha pertencente a uma empresa bancária, ditando até seu CPF. O áudio afirmava que sua conta estava sofrendo com uma fraude e que uma determinada quantia de dinheiro já havia sido retirada.

Recentemente, um colega recebeu uma ligação de um número desconhecido. Uma gravação de voz que se identificava como uma linha pertencente a uma empresa bancária, ditando até seu CPF. O áudio afirmava que sua conta estava sofrendo com uma fraude e que uma determinada quantia de dinheiro já havia sido retirada.

No entanto, para prosseguir com o bloqueio imediato da conta, tornava-se necessário que fossem digitados os oito números da senha especial para dispositivos móveis pelo teclado do celular. Atordoado com o que estava acontecendo, dirigiu-se até o banco e adivinhe? Uma tentativa de fraude... por gravação de voz!

Às vezes me pergunto o que seria do antigo e famoso golpe do bilhete premiado da lotérica diante dos que existem nos dias atuais? As tramoias estão sendo reinventadas a todo o momento, tornando-se cada vez mais atrativas e próximas da realidade, para que, em momento algum a vítima desconfie do mal que poder vir a sofrer.

Antes, os golpes eram planejados para serem feitos pessoalmente, cara a cara. Depois, por meio dos e-mails e ligações. Agora, muitas vezes o golpe é realizado pelo aparelho que carregamos na palma de nossas mãos, nos momentos de descanso e desatenção.

As fraudes não estão restritas às redes sociais ou via Whatsapp. Ganhando caras novas, estão cada vez mais ousadas. O momento é de atenção, especialmente, neste período, para quem está realizando as compras de final de ano.

Atenção redobrada com compras (e vendas) de Natal

Os tempos de quarentena tornaram o mundo mais conectado à internet e consequentemente, um paraíso para os golpistas. Pesquisas apontam que mais de 13 milhões de brasileiros fizeram suas compras pela primeira vez na internet durante o ano de 2020.

Um estudo da empresa Kaspersky revelou que 40% dos consumidores que fazem compras após 16 de dezembro estão mais propensos a comprar presentes em sites potencialmente falsos, caso a oferta seja tentadora o suficiente. Contudo, como bons brasileiros, apenas 29% das pessoas terminaram suas compras até o dia 15.

No período natalino, com a facilidade de compras pela internet, os riscos de ataques ficam ainda mais em evidência, com supostas promoções que visam roubar as credenciais e dados pessoais dos compradores. Grande parte fraudes se dá por meio de sites falsos quem ludibriam os consumidores a acreditarem que fazem compras numa empresa confiável.

De acordo com dados obtidos pelo Serasa Experian, foram mais de quatro milhões de tentativas de fraudes no Brasil, em 2021. Isso quer dizer que, a cada sete segundos, há uma tentativa de fraude no país.

O delegado Henrique Pessôa, titular na 151º Delegacia de Polícia Civil, explica que os golpes realizados pela internet tiveram um aumento expressivo em todo o Brasil, cerca de 600% se comparado com os anos anteriores. E que em Nova Friburgo, a realidade não é diferente do que anda acontecendo por todo país.

“Hoje, tanto presencialmente como pelo boletim de ocorrência virtual, a delegacia de Nova Friburgo recebe, em média, 20 denúncias por dia. Os golpes mudam muito. Com muitas pessoas comprando presentes para o Natal, o momento é de redobrar a atenção, que deve ser diária!”

O mundo está cada vez mais plugado na internet e os golpes, estão aos montes nas redes. Basta dar uma curta navegada pela internet para encontrar anúncios que vão desde viagens internacionais com preços extremamente atrativos até a promoção incrível do presente que sempre sonhamos em darmos aos nossos filhos. Sempre suspeite!

O delegado Henrique Pessôa chama a atenção das pessoas e das empresas para os pagamentos realizados via boletos, os golpes nas redes sociais e as transações via Pix, que tem atingido um número grande de pessoas, inclusive alguns estabelecimentos comerciais.

“Sempre que for realizar um pagamento de um boleto, que pode chegar pelo seu e-mail ou pela sua caixa de correspondências, conferir se o beneficiário do pagamento será a empresa a que se destina. Se a oferta é tentadora demais pelas redes sociais, desconfie! Há ainda, a fraude via Pix, em que o cliente programa o pagamento para a data seguinte e logo após a compra, cancela o pagamento pelo seu aplicativo bancário. Em caso de golpe, alerte os seus conhecidos e denuncie sempre!”, alerta o delegado.

Ainda que os golpes aumentem no período de Natal, o cuidado deve ser redobrado o tempo todo. Uma hora, cansamos, relaxamos, abaixamos a guarda e podemos ser as próximas vítimas. É sempre preciso lembrar que do outro lado da tela sempre tem alguém mais esperto que você e que pode fazer uso de tecnologias que você sequer imagina que exista.

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Geração Canguru: presos nas casas dos pais

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Sair de casa dos pais é um marco importante e marcante de nossas vidas. Buscar a independência pessoal, seguir o próprio caminho. Sair para estudar fora, para trabalhar, para viver sozinho ou constituir uma família. As vezes, de forma repentina deixando um ar de saudades. E alguns, deixam o lar gradualmente, sempre presente para filar aquele almoço ou lavar uma muda de roupa suja.

Sair de casa dos pais é um marco importante e marcante de nossas vidas. Buscar a independência pessoal, seguir o próprio caminho. Sair para estudar fora, para trabalhar, para viver sozinho ou constituir uma família. As vezes, de forma repentina deixando um ar de saudades. E alguns, deixam o lar gradualmente, sempre presente para filar aquele almoço ou lavar uma muda de roupa suja.

Pelas mais diversas razões, muitas delas boas razões, há quem escolha fazê-la mais tarde e fique vivendo com os pais mesmo depois de ingressar no mercado de trabalho e ter até um bom salário. A lógica de caminhar com as próprias pernas tem ficado para trás, e vem dando espaço à chamada "Geração Canguru".

‘Geração Canguru’ é o nome dado ao grupo de jovens entre 25 e 34 anos que têm adiado a saída da casa dos pais. Trata-se de uma tendência em ascensão no mundo, mas que se reafirma ainda mais na América Latina, e em especial no Brasil. Embora, parte desses adultos já trabalhe, morar só ainda não é uma opção.

Afinal, qual é a hora certa de ir embora da casa dos pais? Essa pergunta ganhou novos contornos em função da pandemia de Covid-19 e seus desdobramentos. Os motivos que mantém esses jovens presos ao ninho são diversos: mais anos se dedicando aos estudos, o custo alto de vida, os baixos salários em início de carreira e os fatores emocionais.

Estudos realizados pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que se há 12 anos, um a cada cinco jovens ainda residia com seus progenitores, essa proporção agora aumentou: um a cada quatro ainda vive com os pais, sendo maior parte, homens e residentes no Sudeste, onde o custo de vida é o mais caro do Brasil, especialmente nos grandes centros.

O estudo aponta ainda que os jovens que moram com os pais tendem a ser mais escolarizados do que aqueles com a mesma faixa etária que moram sozinhos. Com mais anos de dedicação aos estudos nas faculdades e nos concursos públicos, a juventude cada vez começa suas atividades profissionais mais tardiamente e consequentemente, mais tardiamente se estabelece no mercado de trabalho.

O que se percebe é que para muitos jovens realmente é difícil conciliar trabalho, estudo e, ainda, ter uma casa para cuidar com todas as responsabilidades embutidas. As prioridades dos jovens também estão mudando. Muitos preferem gastar com viagens do que pagar aluguel, outros investem em bens de consumo.

Ao contrário do pensam, morar com os pais não está necessariamente atrelado a estar desempregado. O mais inquietante é que grande parte dos jovens não estão mais tendo mais a escolha de morar só nos dias atuais.  Para muitos é uma necessidade. Até que enfim... consigam se estruturar financeiramente e seja capazes de arcar com os gastos de uma casa, sozinho.

Estamos lidando com uma mudança geracional, e isso é inegável. Hoje, ao contrário da realidade dos anos 90, os adultos não se casam tão cedo. Casamento que na vida de muita gente, marcou um divisor de águas entre a meninice e as responsabilidades. Hoje, a vida matrimonial tem sido deixada para escanteio e o foco se tornou a vida profissional, as experiências de vida e viver com menos responsabilidades.

E há quem tenha insegurança, o medo dos desafios da vida adulta, de crescer e lidar com as responsabilidades. A incapacidade de crescer e adquirir comportamentos visto como adultos. Para muitos, está atrelado à Síndrome de Peter Pan, em que muitos adultos querem viver a vida sendo verdadeiras crianças. Será?

Há ainda quem fale sobre a Síndrome do Ninho Vazio, em que os pais que antes tinham como principal responsabilidade cuidar dos filhos, se veem livres dessa obrigação e geram um período de luto e tristeza. E para evitar que isso aconteça, não pressionam seus filhos a saírem de casa, para sempre, terem a proteção de ter quem amamos debaixo das nossas asas.

Os jovens tem se preparado mais para sair de casa e evitar as dificuldades financeiras da vida cara ou apenas acabam se acomodando debaixo das asas dos pais? Os jovens adultos estão menos preparados para o mundo e vivem como crianças ou os pais que cada vez mais querem ter os filhos por perto? Ou simplesmente, o mundo mudou?

Fato é que a música da dupla Zezé di Carmago & Luciano, sucesso sertanejo, que fala da dor dos pais em ver seus filhos indo embora: “mas ela sabe que depois que cresce, o filho vira passarinho e quer voar (...)” , está cada vez mais perdendo o sentido. A geração de passarinhos que fogem da gaiola se transformou na conhecida Geração Canguru.

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Deveria parecer óbvio, mas não é!

quarta-feira, 07 de dezembro de 2022

Você se lembra do seu primeiro dia de aula na escola? Enquanto alguns eram mais soltinhos, eu era daqueles que se agarrava na barra da saia da mãe e implorava para que não fosse deixado no meio daquele monte de crianças que corriam e gritavam. Talvez eu só me recorde desse dia por esse pequeno “trauma” de infância, mas hoje, olho para trás e agradeço.

Você se lembra do seu primeiro dia de aula na escola? Enquanto alguns eram mais soltinhos, eu era daqueles que se agarrava na barra da saia da mãe e implorava para que não fosse deixado no meio daquele monte de crianças que corriam e gritavam. Talvez eu só me recorde desse dia por esse pequeno “trauma” de infância, mas hoje, olho para trás e agradeço.

Não se engane: a criança que chega à escola, mesmo que pequenininha constrói suas primeiras vivências e amizades. Mais tarde, o ensino fundamental e ao temido ensino médio, que nos prepara para os futuros desafios da vida adulta. E aos que continuam por essa jornada, encontram pelo caminho as faculdades, cursos técnicos e especializações que nos direcionam ainda mais para o mercado de trabalho.

Talvez, pela correria do dia-a-dia não paramos para refletir, o quanto de oportunidades foram proporcionadas e portas que foram abertas pela nossa vida acadêmica. E aos que, pelos motivos da vida, não tiveram ou aproveitaram essa oportunidade, o lamento uníssono de que tudo poderia ter sido diferente.

“A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo” é o que diria Paulo Freire. Todos nós já mais que sabemos do seu valor, mas será que estamos nos dedicando às essas instituições tão importantes? Devêssemos, talvez, nos dedicar um pouco mais de nossos esforços, olhos, ouvidos e atenção ao que vem acontecendo com o setor.

MEC “respira” com ajuda de aparelhos

Doloridamente, há pouco menos de um mês para o encerramento do ano, o Ministério da Educação praticamente já encerrou suas atividades, trazendo ainda mais incerteza sobre os rumos da educação do país, em meio à rombos financeiros e insegurança sobre os dias que virão.

A pasta explicitou que não terá dinheiro para comprar os livros didáticos, o que irá atrapalhar o início das aulas do ano que vem. Esse prejuízo chegará à grande parte das repartições de ensino do país, sejam creches, escolas públicas a as universidades, que recebem verba da pasta para suas atividades.

Bom, e não falta dinheiro somente para a pasta. Há quem irá trabalhar e não terá a certeza de uma ceia de Natal tranquila. O órgão já alertou, em todas as letras, que não há orçamento suficiente para pagar todos os trabalhadores dedicados no mês de dezembro e que as consequências deverão se estender para os próximos meses.

Atualmente, cerca de 14 mil médicos residentes espalhados pelos hospitais de todo país, inclusive da nossa região, já foram notificados de que não receberão o seu salário do mês de dezembro. E não somente, mais de 100 mil bolsistas do Capes, dentre estudantes e pesquisadores, que também sofrerão com o calote às vésperas da ceia natalina.

É triste ver que enquanto o país celebrava com a Seleção Brasileira em jogo contra a Suíça pela Copa do Mundo, um novo corte de gastos na bagatela de R$ 1,68 bilhão foi anunciado. E se anteriormente, o funcionamento de universidades, pesquisas e assistências já caminhava com dificuldades, agora se torna inviável.

Não há dinheiro para pagar sequer os funcionários, sejam concursados ou terceirizados. Os prejuízos vão para além do ensino, atingindo hospitais universitários, clínicas de saúde social - como psicologia, psiquiatria e odontologia como é o caso da nossa cidade. Mesmo você, que já encerrou seus estudos, também pagará essa conta.

O único que parece não se mostrar tão preocupado até então, é próprio ministro da Educação, que nas vésperas de uma reunião com o Ministério da Fazenda para buscar de soluções para esse caos, desmarcou sua agenda, e foi à Paris participar do Comitê de Políticas Educacionais para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Ironia?

Enquanto escrevia essa coluna, me indaguei: “Será que já não é batido falar que educação é essencial? Afinal, todo mundo já está cansado de saber...”. E cada vez que me sento para ler sobre o assunto, vejo que para muita gente, por mais pareça óbvio, para muitos governantes, ensino de qualidade não é prioridade. 

Enquanto não pararmos para repensar o nosso sistema de aprendizado como uma grande construção, não teremos sucesso. Para levantarmos algo sólido e firme, como um prédio, precisamos preparar bem as estruturas para o que vem acima. É a parte mais importante da obra. Se ela falhar, tudo cai e desmorona.

No Brasil, educação tem que parar de ser enfrentada como gasto, e ser encarada como investimento ES-SEN-CI-AL. Enquanto continuarmos cavando masmorras à essas instituições, de nada adianta tentar subir vigas, colunas ou paredes que elevarão esse país à um lugar melhor.

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