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Saúde mental e a luta pessoal

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

No alto do portal de uma entrada lateral de um prédio na Universidade de Redlands, na Califórnia, tem uma frase que diz: “Acima de tudo, a verdade vai vencer ao final.” Sim, é verdade, ela vai vencer. Então, temos que exercer paciência diante de injustiças no mundo, na sociedade, na família e dentro de nós mesmos.

No alto do portal de uma entrada lateral de um prédio na Universidade de Redlands, na Califórnia, tem uma frase que diz: “Acima de tudo, a verdade vai vencer ao final.” Sim, é verdade, ela vai vencer. Então, temos que exercer paciência diante de injustiças no mundo, na sociedade, na família e dentro de nós mesmos.

Injustiça é aquilo que é contra a verdade. Injustiça é aquilo que machuca a pessoa e ela sendo levada por seu comportamento injusto, machuca outros, da família, da comunidade, do ambiente de trabalho e da sociedade como um todo. Justiça é pureza, que é o oposto do que há no mundo. Saúde mental envolve pureza, justiça, verdade. A verdade vai acabando com as nossas mentiras, se a quisermos em nossa vida. Você quer a verdade? Que mais pode ajudar nossa saúde mental?

Pare um pouco da agitação do trabalho, resista à concupiscência dos olhos, evite o vazio das fofocas, os papos superficiais, o consumo excessivo de horas importantes de sua vida em redes sociais sem utilidade, horas perdidas com o nada, e pense: Quais frutos têm sido produzidos pelo que eu faço? Tenho cultivado e expressado gratidão? Ajudo os que estão ao meu redor? Falo de forma respeitosa especialmente com meus familiares? Pratico o bem? Manifesto compaixão pelos mais fracos e mesmo pelos mais fortes, especialmente pelos meus “inimigos”?

Inimigos não são necessariamente os que querem acabar com você física, emocional, social ou espiritualmente, mas podem ser os que têm um jeito de ser de difícil convívio. Você é uma pessoa difícil de se relacionar? Os outros gostam de sua presença ou te evitam? Quando você chega num ambiente, os que estão ali pensam: “Ah! Que bom que ela chegou!”, ou pensam: “Ai, ai, já vem problema!”? Pode haver pessoas ao nosso redor que são de difícil relacionamento, mas, no fundo, a maior luta que temos para nossa saúde mental é com a gente mesmo.

Temos que lutar contra nossas inclinações de comportamento desagradável caso queiramos melhor saúde mental pessoal. Medicamentos não fazem esse trabalho mental consciente, que deve ser voluntário. Não se acomode com seus defeitos e imperfeições de pensar, sentir e agir. O trabalho de vencer a nós mesmos deve ser contínuo, e dura a vida toda. Mesmo se submetendo à uma psicoterapia analítica para melhorar seu autoconhecimento, sempre haverá a necessidade de mais discernimento de seu próprio comportamento para o avanço na qualidade da saúde mental.

Todos nós, seres humanos, somos contaminados com o egocentrismo que em alguns parece maior do que em outros. Por isso, todos estamos no mesmo barco nessa questão de defeitos de caráter inatos e aprendidos e para crescermos como pessoas é necessário seguir na luta consciente contra o egoísmo em todas as suas formas. Praticar um ato de vitória sobre o egocentrismo é aliviante para nossa mente, assim como cultivar a humildade, deixando de lado a arrogância.

Costumamos dizer que alguém temperamental, que perde com frequência o autocontrole agredindo os outros com palavras duras, tem temperamento forte. Na verdade, se trata de uma pessoa fraca no sentido de não dominar suas próprias emoções, embora possa ser empresário ou empresária de sucesso econômico.

A ex-professora de psiquiatria da Universidade Harvard, Leigh M. Vaillant, dizia que saúde mental tem que ver com ter os sentimentos sem deixar que eles dominem você. O que domina sua mente? Quem a domina? Quer melhor saúde mental? Então, um dos passos inclui praticar a verdade, a justiça, a pureza, a compaixão, o bem, usando seu tempo para o que é construtivo e de ajuda para outras pessoas e treinando o aprendizado de administrar melhor suas emoções.

Cesar Vasconcellos de Souza

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Aconselhamento através da IA – Inteligência Artificial

quinta-feira, 08 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

O uso da Inteligência Artificial (IA) está entrando forte na vida das pessoas com acesso à internet. Esse instrumento tem sido procurado para se obter conselhos e orientações por jovens ou adultos, muitos dos quais sentindo solidão, ansiedade, medo, depressão, isolamento social e até com ideias suicidas.

O uso da Inteligência Artificial (IA) está entrando forte na vida das pessoas com acesso à internet. Esse instrumento tem sido procurado para se obter conselhos e orientações por jovens ou adultos, muitos dos quais sentindo solidão, ansiedade, medo, depressão, isolamento social e até com ideias suicidas.

Os doutores Zeno Charles-Marcel e Peter Landless, ambos médicos residentes nos Estados Unidos e de longa experiência em educação em saúde, comentam sobre esse assunto num artigo chamado “IA ‘Terapeuta’ em Saúde Mental – Qual é o seu lugar apropriado?”, publicado em janeiro de 2026 na Adventist Review. Vamos dar uma olhada no que esses cientistas cristãos falam sobre usar a Inteligência Artificial na busca de aconselhamento psicológico.

A necessidade de atendimento em saúde mental aumenta no mundo porque o número de pessoas com sofrimento mental cresce e a quantidade de profissionais nessa área não é suficiente. Por exemplo, a depressão está aumentando e a Organização Mundial da Saúde prevê que em 2030 ela será a doença número um do mundo.

A IA pode ajudar até certo ponto com orientações sobre saúde mental, mas é preciso cuidado para não cair em armadilhas devido às limitações dela sobre aconselhamento. Uma das vantagens é o acesso feito 24 horas por dia, todos os dias, enquanto que isso não acontece com atendimentos com psicólogos, psiquiatras ou conselheiros que têm horário marcado.

Para um adolescente ansioso que fica acordado de madrugada, ter acesso a conselhos através de uma IA, pode ser visto por ele como um socorro oportuno. Outra vantagem é que a IA custa bem menos do que pagar um profissional em saúde mental. Além disso, para os que se sentem julgados ou silenciados ao falar com adultos, um chat de aconselhamento pode significar um local seguro para abrir o coração sem medo de serem criticados.

Por outro lado, o conselho de uma IA é diferente do que é dado por um amigo verdadeiro. Conversando com a IA, ela pode lhe dizer: “Me importo com você!”, ou até mesmo “Eu te amo!”. Mas, essas declarações são geradas por um programa de computador, não vêm de alguém que realmente conhece o que vai no profundo do seu coração. Pior que isso, a IA não tem nenhuma responsabilidade quando sua vida está em jogo. Diferente de um conselheiro humano, esses programas de IA não reconhecem um clamor por ajuda. Além disso, a maioria das plataformas de IA são construídas por empresas cujo objetivo principal pode ser manter as pessoas usando as ferramentas dela não para curar, mas para lucrar.

Outro problema da IA é que elas são programadas para dar respostas predizendo modelos de linguagem humana, e nem sempre são confiáveis e sensíveis à cultura onde você vive. Assim, a resposta que a IA vai lhe dar pode conter características preconceituosas ou informações erradas. Ao pesquisar a fonte de um artigo usando a IA, ela me afirmou que o texto era de uma autora. Ao aprofundar a pesquisa, a IA disse que havia errado e a autora não havia escrito aquele texto. Quando uma IA comete erros em aconselhamento, isso pode ser bem prejudicial ou enganoso.

A conclusão dos doutores Charles-Marcel e Landless é que a IA pode ajudar, porém, mais como uma ponte, algo que mantenha a pessoa, jovem ou não, firme emocionalmente, até que ela possa ser ajudada por um ser humano qualificado, que sinta afeição e atue com responsabilidade. Recuperação emocional verdadeira depende de relacionamentos humanos que oferecem proteção, compreensão, empatia, apoio e orientação saudável.

Jovens e adultos buscando conselhos através da IA devem ser orientados de que a IA é uma ferramenta, não um amigo, e não substitui a conversa com pessoas que realmente se importam com a dor humana e são habilitadas para ajudar.

 

Cesar Vasconcellos de Souza

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Como ajudar um familiar dependente químico?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Qualquer tipo de vício, seja em álcool e outras drogas, não surge da noite para o dia. Se desenvolve gradualmente. Não é raro que membros da família de um indivíduo que se tornou dependente químico não percebiam pequenas mudanças diárias, semanais, no comportamento dele.

Qualquer tipo de vício, seja em álcool e outras drogas, não surge da noite para o dia. Se desenvolve gradualmente. Não é raro que membros da família de um indivíduo que se tornou dependente químico não percebiam pequenas mudanças diárias, semanais, no comportamento dele.

O que você pode fazer para tentar ajudar seu familiar viciado em álcool ou outras drogas? A Fundação Hazelden é uma instituição norte-americana especializada no estudo, pesquisa, treinamento em recuperação de dependentes químicos. Nesse link está o original completo do que vou compartilhar aqui, em resumo, sobre esse assunto: www.hazeldenbettyford.org/addiction/help-for-families/dealing-with-addiction

1)Perceba seu próprio comportamento. Está você atuando como detetive e tentando encontrar onde seu parente esconde álcool ou outras drogas? Observa constantemente seu parente? Cancela compromissos com familiares ou amigos porque você não está seguro em que condições estará seu familiar que você suspeita estar usando drogas? Pede desculpas pelo comportamento ou pela ausência deste parente? Se isto está ocorrendo com você, então há um problema a ser resolvido e estes comportamentos não devem continuar para não perturbar mais sua saúde.

2)Reconheça os sinais de vício. Existem sinais físicos e comportamentais de dependência química para o álcool e outras drogas. Algumas pessoas tentam parar sozinhas com o consumo de drogas. Se este for o caso em sua família, você verá sinais de abstinência e padrões de recaídas como: irritabilidade, insônia, agitação, tremores, conversas ao telefone feitas em secreto, entre outros sinais. A Síndrome de Abstinência de drogas pode ser perigoso e se faz necessário atendimento médico em muitos casos.

3)Aprenda a manter o amor para com o dependente químico, mas com desligamento afetivo. Pense em 3 C: eu não Causei isto (o vício da pessoa), eu não posso Controlar isto, e não posso Curar isto. Desligamento afetivo para com o dependente químico não significa abandoná-lo. Significa que você não ficará responsável pelas besteiras que ele fizer, e o deixará assumir as consequências do comportamento dele. Você pode falar com ele sobre os problemas que a dependência química faz e que está trazendo para a família e para ele mesmo. Mas qualquer mudança de comportamento dele está nas mãos dele.

4)Leve em consideração que podem existir outros problemas de saúde mental nesta pessoa. Muitos dependentes químicos possuem também outro diagnóstico que pode ser depressão, transtorno de personalidade, ou outro, que requer avaliação com psiquiatra. 

5)Não julgue. Dependência química é uma doença. Por isso precisa tratamento e não julgamento. Mas o dependente precisa decidir por si mesmo querer ajuda. Não invista em despesas com tratamento se ele não estiver disposto a buscar recuperação.

6)Tome a iniciativa de conversar sobre o assunto, mas abaixe as expectativas. Mas só converse quando a pessoa estiver sóbria. Expresse sua preocupação de uma forma honesta e carinhosa. Fale sobre o efeito negativo que a bebida alcoólica ou outra droga tem produzido sobre qualquer coisa que o dependente gosta: filhos, profissão, saúde física, esportes. Escreva num papel o que você irá dizer, assim estará melhor preparado.  Não use um tom de voz de reclamação. Não ofereça soluções porque isto é papel do profissional em dependência química. Não vá conversar com a pessoa sozinho, leve alguém com você. Desista de tentar mudar o comportamento dele, isso é impossível e lembre-se dos 3 C: não Causei esse vício, não posso Controlar isso e não posso Curar isso.

Não entre em desespero e nem traga a coisa pessoalmente caso a conversa termine mal. Se você se aproximou para tentar ajudar seguindo os passos acima, isto já terá sido um bom passo inicial e a semente foi plantada.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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O sofrimento pode nos amadurecer

quinta-feira, 04 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

John D Kelly IV, médico professor de Cirurgia Ortopédica, na Faculdade de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, escreveu o artigo “Sua Melhor Vida: O Presente do Sofrimento. O original está em https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9831166/, site do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Vejamos o que ele diz sobre sofrimento.

John D Kelly IV, médico professor de Cirurgia Ortopédica, na Faculdade de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, escreveu o artigo “Sua Melhor Vida: O Presente do Sofrimento. O original está em https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9831166/, site do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Vejamos o que ele diz sobre sofrimento.

Desde que houve a contaminação espiritual no ser humano, há cerca de seis mil anos atrás, conforme relato bíblico, nunca mais existiu uma pessoa perfeita, exceto Jesus Cristo. Todos caminhamos para a morte, pessoas queridas morrem, somos magoados vez ou outra, mesmo por quem diz que nos ama. Não há ser humano que não possui alguma medida de dor emocional, reconhecendo-a ou não. Não reconhecer nossa dor pode fazer com que o sofrimento piore além de nos levar a agir de forma a machucar os outros. Ao aprender o significado de nossa dor, é provável que machuquemos menos as outras pessoas. Escritores afirmam que mais importante do que entender o porquê de nosso sofrimento, é entender o significado dele, e pensar no que podemos aprender com o nosso sofrimento.

A dor sempre exige uma resposta. Ocorre uma perda e alguns dizem: “Ah! Não foi tão ruim assim!”, que pode ser uma forma de evitar pensar o quanto realmente dói. Ao contrário, as pessoas que diante de uma perda abraçam o sofrimento, resistem melhor ao mesmo. Alguém disse: “Não há crescimento na zona de conforto”. Dr. Kelly afirma que “As passagens difíceis na vida são bons professores, e podem nos ajudar a emergir mais fortes e mais iluminados”.

E ele comenta sobre o que ajuda a lidar com o sofrimento:

(1)Humildade: ligada à paz e satisfação interior. A humildade nos conduz para aceitarmos a realidade. Fugir da dor através do consumo de substâncias, lícitas ou ilícitas, faz com que a cura seja adiada ou impedida de ocorrer. Aceitar com humildade o sofrimento ajuda a sofrer menos.

(2)Compaixão: profunda apreciação pelo sofrimento dos outros alimentada por um desejo de aliviar esse sofrimento. Só entendemos a dor do outro se já passamos pelo mesmo tipo de sofrimento. Dr. Kelly conta que sofreu na infância com um pai alcoólatra. E diz: “Reconheci, com o tempo, que a melhor maneira de curar ou aliviar minha própria tristeza era focar na dor dos outros. Ao me tornar um instrumento na cura dos outros, encontrei um propósito e estava menos inclinado a me debruçar sobre minhas próprias dificuldades”.

(3)Resiliência: é a capacidade de enfrentar o sofrimento, resistir e sair dele mais forte. “Ao aprendermos a crescer com nossa dor, com o tempo nos recuperaremos mais rapidamente do estresse; esta é a marca registrada da resiliência”.

(4)Visão espiritual: o texto bíblico de 1 Coríntios 10:13 diz que não vem sobre quem crê no Criador do Universo, e segue Seus princípios, uma provação que ela não possa suportar, e que Deus dará livramento para ela. Deus permite sofrimento sobre nós não para nos destruir, mas para nos corrigir e preservar.

(5)Paciência: exercer paciência diante da dor nos ajuda a lidar com ela. Paciência é o oposto de rejeitar a dor ou negá-la. Na paciência podemos perguntar: O que essa dor pode me ensinar? Qual o sentido dela na minha vida?

Resumindo: (1)Faça o melhor que puder para aceitar seu sofrimento em vez de negá-lo ou se revoltar contra ele. Adiar enfrentar a dor produz mais estresse. (2)Pense que toda tragédia tem um potencial de crescimento. É possível aprender com a dor coisas importantes para a vida. (3)Aceite que na vida há altos e baixos, e que o que é bom, passa, mas o que é ruim, também passa. (4)Procure apoio de pessoas queridas e de confiança nas horas difíceis. A cura vem com a ajuda de outra pessoa e de Deus.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Transtorno de Personalidade Antissocial

quinta-feira, 27 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

         Transtorno de Personalidade é uma alteração grave do caráter. Existem vários tipos, sendo um deles, o Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS), um transtorno de saúde mental caracterizado por um padrão de desrespeito e violação dos direitos dos outros. Indivíduos com TPAS podem ter comportamentos e traços de personalidade que afetam a forma como interagem com o mundo e com as pessoas.

         A pessoa com TPAS tem um padrão persistente de comportamento que demonstra falta de consideração pelos sentimentos e direitos dos outros. Características comuns incluem:

         Transtorno de Personalidade é uma alteração grave do caráter. Existem vários tipos, sendo um deles, o Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS), um transtorno de saúde mental caracterizado por um padrão de desrespeito e violação dos direitos dos outros. Indivíduos com TPAS podem ter comportamentos e traços de personalidade que afetam a forma como interagem com o mundo e com as pessoas.

         A pessoa com TPAS tem um padrão persistente de comportamento que demonstra falta de consideração pelos sentimentos e direitos dos outros. Características comuns incluem:

         1. Desrespeito pelos Outros – esse é um problema central no portador de TPAS, a dificuldade em reconhecer ou considerar os sentimentos, necessidades e direitos dos outros, podendo levar a comportamento indiferente, explorador ou cruel.

         2. Dificuldade com a Empatia – empatia é a capacidade de entender os sentimentos dos outros, bastante limitada em indivíduos com TPAS que pode contribuir para a incapacidade de se ligar emocionalmente com o sofrimento alheio.

         3. Ausência de Remorso – pessoas com TPAS podem ter dificuldade em sentir remorso ou culpa por suas ações, mesmo estas prejudicando outros. A falta de arrependimento genuíno complica a modificação do comportamento.

         4. Manipulação e Engano – o uso de engano, mentiras ou manipulação para benefício pessoal (ideológico ou não) é um comportamento comum associado às pessoas com TPAS que podem usar charme superficial, poder social para influenciar ou explorar os outros.

         5. Impulsividade e Irresponsabilidade –  a tendência a agir impulsivamente, sem considerar as consequências a longo prazo, é frequente em quem tem Transtorno de Personalidade Antissocial. A irresponsabilidade em relação a obrigações sociais, financeiras ou profissionais também pode estar presente.

         6. Agressividade e Baixo Limiar para Frustração – a irritabilidade e a propensão à agressão, tanto verbal quanto física, podem manifestar-se, especialmente em resposta a frustrações ou contrariedades nesses indivíduos com TPAS.

         O TPAS geralmente começa na adolescência ou início da idade adulta, mas há com frequência um histórico de Transtorno de Conduta ou comportamento antissocial na infância, antes dos 15 anos de idade. A origem do TPAS é complexa, e resulta de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e neurobiológicos. Fatores de risco incluem presença do transtorno na família, experiências de trauma, abuso ou negligência na infância. Investigações neurocientíficas sugerem que podem existir diferenças na estrutura ou função de certas áreas do cérebro relacionadas ao processamento emocional e tomada de decisão.

         O tratamento do Transtorno de Personalidade Antissocial é muito difícil e desafiador, em parte porque os indivíduos com esse transtorno raramente procuram ajuda por iniciativa própria. Quando o tratamento é procurado, pode ser por pressão legal ou familiar. Eles podem negar ter problemas graves de conduta por causa da presença do TPAS.

         Transtornos de Personalidade são difíceis de tratar por serem padrões de personalidade de longa data e porque a pessoa, muitas vezes, não percebe seus comportamentos como problemáticos. O foco do tratamento tem que ver com o aprendizado no lidar com comportamentos problemáticos e na redução do risco de comportamentos prejudiciais. Terapias como a terapia cognitivo-comportamental e programas de administração da raiva podem ser úteis em certos casos para ajudar os indivíduos a desenvolver estratégias de vida social mais adaptativas. Não existem medicamentos que tratam o transtorno em si, mas alguns podem ajudar no controle da irritabilidade, agressividade, impulsividade, ansiedade.

         Pessoas com esse tipo de transtorno fazem muito estrago na sociedade quando exercem algum tipo de poder social ou político.

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O Paradoxo de Easterlin: Por que mais riqueza não garante mais bem-estar?

quinta-feira, 20 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Richard Ainley Easterlin foi um economista americano, professor de economia na Universidade do Sul da Califórnia. Ele estudou o que veio a ser chamado de o “Paradoxo de Easterlin”, na década de 1970. Ele questionou a ideia comum de que um aumento contínuo na renda, ou seja, ganhar mais dinheiro continuamente, levaria, de forma igualmente contínua, a um aumento no bem-estar subjetivo das pessoas.

Richard Ainley Easterlin foi um economista americano, professor de economia na Universidade do Sul da Califórnia. Ele estudou o que veio a ser chamado de o “Paradoxo de Easterlin”, na década de 1970. Ele questionou a ideia comum de que um aumento contínuo na renda, ou seja, ganhar mais dinheiro continuamente, levaria, de forma igualmente contínua, a um aumento no bem-estar subjetivo das pessoas.

Num primeiro momento, parece lógico pensar que quanto mais recursos materiais alguém possui, mais confortável e feliz será. No entanto, a pesquisa de Easterlin demonstrou que, embora pessoas mais ricas, dentro de um mesmo país, tenham a tendência de relatar níveis de felicidade maiores do que pessoas mais pobres, o aumento da renda média de um país ao longo do tempo não resulta em aumento proporcional da felicidade da população como um todo.

Esse paradoxo revela que o bem-estar humano é influenciado por fatores muito mais profundos e complexos do que apenas condições econômicas. Uma das explicações disso está na chamada “adaptação hedônica”, ou seja, indivíduos rapidamente se acostumam aos ganhos materiais, e o que inicialmente parecia trazer satisfação torna-se, pouco tempo depois, algo normal. Assim, o crescimento econômico acaba produzindo um ciclo contínuo de expectativas crescentes, neutralizando o impacto positivo que o aumento de renda poderia oferecer. É como se a pessoa dissesse: “Agora cheguei nesse patamar de riqueza, que mais posso ter?” Parece uma falta insaciável para alguns.

Esse estudo de Richard Easterlin, e outros, mostraram que a felicidade depende menos do nível absoluto de renda e mais da renda relativa, ou seja, como o indivíduo se percebe em relação aos outros ao seu redor. Quando todos ficam mais ricos simultaneamente, ninguém se sente relativamente melhor, e o ganho de bem-estar se dissipa.

À medida que as sociedades enriquecem, surgem novas pressões, competitividades e tensões sociais e podem surgir doenças como a Síndrome de Burnout e outras ligadas ao alto estresse. Expectativas profissionais mais altas, ritmo acelerado de vida e crescente comparação social criam ambientes onde o aumento de renda vem acompanhado de novas exigências emocionais. O estudo de Easterlin não afirma que dinheiro é irrelevante, de fato, ele é essencial para tirar pessoas da pobreza e garantir condições mínimas de vida com dignidade. Porém, o economista Richard mostra, que após certo limiar, o acúmulo de riqueza deixa de produzir melhorias significativas na qualidade pessoal de vida.

Resumindo, o Paradoxo de Easterlin desafia nossa visão materialista de progresso e nos leva a reconsiderar o que significa viver bem. Ele convida sociedades e indivíduos a refletirem sobre o papel de relações sociais sólidas, propósito, saúde mental, tempo de lazer e segurança emocional. Esses fatores, frequentemente negligenciados em contextos econômicos, revelam-se determinantes para uma vida verdadeiramente satisfatória.

Mesmo sendo uma pesquisa antiga, a conclusões de Richard Easterlin permanecem atuais e provocadoras. De acordo com os estudos dele, podemos afirmar que crescer economicamente é importante, mas não suficiente. O bem-estar pessoal exige muito mais do que riqueza material.

Jesus entendia e vivia isso, tanto que levantou a pergunta para nossa reflexão: “Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?” Mateus 6:25.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Iatrogenia e a necessidade de humildade na prática médica

quinta-feira, 13 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O termo iatrogenia vem do grego iatros (médico) e genes (produzido por), e significa “aquilo que é causado pelo médico”. Em medicina, iatrogenia refere-se a qualquer dano, doença ou complicação provocada direta ou indiretamente por uma intervenção médica, seja um tratamento, procedimento, diagnóstico, prescrição ou até mesmo uma atitude do profissional de saúde.

O termo iatrogenia vem do grego iatros (médico) e genes (produzido por), e significa “aquilo que é causado pelo médico”. Em medicina, iatrogenia refere-se a qualquer dano, doença ou complicação provocada direta ou indiretamente por uma intervenção médica, seja um tratamento, procedimento, diagnóstico, prescrição ou até mesmo uma atitude do profissional de saúde.

Como médicos podemos nos envolver em três tipos de erros: por negligência, por imperícia e por imprudência. Errar por negligência é quando não se faz o que deveria ser feito por desatenção ou falta de cuidado. Errar por imperícia ocorre quando o profissional não possui a qualificação, a destreza ou o domínio técnico adequados para realizar um procedimento, interpretar um exame ou conduzir um tratamento. E errar por imprudência é quando ele não toma os devidos cuidados para proteger o paciente, agindo sem cautela e com precipitação.

A iatrogenia pode ocorrer mesmo quando não há negligência ou intenção de causar mal, resultando de efeitos colaterais imprevistos de medicamentos, procedimentos invasivos, erros de diagnóstico, comunicação inadequada ou condutas desnecessárias. Assim, o ato médico destinado a curar pode causar sofrimento.

Do ponto de vista ético e humano, a iatrogenia convida à reflexão sobre os limites do saber médico, a necessidade de humildade profissional e a importância de uma relação médico-paciente baseada na escuta e no respeito mútuo. Reconhecer a possibilidade do erro é o primeiro passo para preveni-lo e para fortalecer uma medicina mais segura, empática e responsável.

A medicina, embora seja uma das mais nobres profissões, carrega consigo uma verdade incômoda: o erro médico existe e causa sofrimento real. A confiança depositada na medicina moderna é imensa. Avanços tecnológicos, diagnósticos sofisticados e tratamentos cada vez mais complexos fazem com que a sociedade espere da medicina resultados quase infalíveis. No entanto, por trás dessa aparente perfeição, existe o fator humano – o médico sujeito ao cansaço, ao excesso de autoconfiança e às falhas de comunicação. A iatrogenia, portanto, não é apenas um problema técnico; é também ético e humano.

Muitos erros médicos não ocorrem por negligência, mas por falta de escuta atenta ou pela pressa em aplicar protocolos padronizados sem considerar as características individuais de cada paciente. Interessante que Hipócrates, médico grego que viveu entre 460 e 377 antes de Cristo, chamado Pai da Medicina, disse: É mais importante saber que tipo de pessoa tem uma doença do que saber que tipo de doença uma pessoa tem.” A formação acadêmica, pode levar o profissional a acreditar que “sabe o suficiente” e, assim, reduzir sua sensibilidade e percepção da dúvida, percepção essa importante na boa prática médica.

A humildade, nesse contexto, surge como virtude indispensável. Reconhecer que o conhecimento médico é limitado e que o paciente é um ser complexo, com corpo, mente, espiritualidade e história, é o primeiro passo para reduzir danos e fortalecer a relação terapêutica. O médico humilde não teme dizer “não sei” ou pedir uma segunda opinião; ao contrário, entende que a segurança do paciente é mais importante do que a própria imagem de autoridade, do que seu ego.

Para promover uma medicina mais humana e menos iatrogênica é preciso valorizar o diálogo, a empatia e a atualização contínua, entendendo o erro não como motivo de vergonha, mas como oportunidade de aprendizado. Às vezes erros médicos podem acontecer porque o médico atende muitos pacientes no dia, sem oferecer uma consulta detalhada, seja pela ganância financeira do médico, ou porque ser colocado num atendimento com uma quantidade exagerada de pessoas a serem atendidas em poucas horas, numa clínica particular que explora o trabalho do médico ou numa instituição do governo com fila imensa de pacientes.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Quando o inconsciente se manifesta

quinta-feira, 30 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Temos uma mente integrada com uma área consciente e outra inconsciente. Muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, movidos por forças ou motivações fora do campo de nossa consciência. Sabe quando você quer dizer uma palavra e sai outra? Por que não veio a palavra que você queria dizer? Porque algum fator inconsciente atuou nesse momento e saiu a palavra errada. Mas terá sido realmente a palavra errada? Não poderá ter sido a palavra que você queria mesmo dizer, mas que tinha medo de usá-la? Pode ser o inconsciente se manifestando.

Temos uma mente integrada com uma área consciente e outra inconsciente. Muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, movidos por forças ou motivações fora do campo de nossa consciência. Sabe quando você quer dizer uma palavra e sai outra? Por que não veio a palavra que você queria dizer? Porque algum fator inconsciente atuou nesse momento e saiu a palavra errada. Mas terá sido realmente a palavra errada? Não poderá ter sido a palavra que você queria mesmo dizer, mas que tinha medo de usá-la? Pode ser o inconsciente se manifestando.

Podemos ter atitudes movidas pelo inconsciente que afetam os relacionamentos. Isso acontece muito frequentemente nos casamentos. Por exemplo, você sente falta de companhia do seu esposo, e “sem querer” vive pedindo a ele para te levar no mercado ou fazer qualquer coisa, quando você sabe dirigir e tem o carro da família disponível, ou até o seu carro. Nesse exemplo você pode não estar consciente de que pede coisas a ele devido à necessidade de companhia, mas tem essa atitude movida pelo inconsciente, a qual é uma tentativa de ter seu companheiro perto ou fazendo coisas para você, que pode ser uma forma de pedir afeto.

Outro exemplo de como o inconsciente funciona: você costuma ser dura e ríspida com sua empregada doméstica, mesmo ela fazendo um bom trabalho. Você tem um cachorro querido e uma das tarefas dessa funcionária é antes de ir embora do serviço, deixar a vasilha do cão cheia de ração. Vez ou outra ela vai embora e se esquece de colocar a ração do cachorro, e você chegar em casa horas depois e o animal não teve alimento no período. Este esquecimento da ração por parte de uma empregada que trabalha bem, pode ser uma mensagem do inconsciente, como se a funcionária pensasse: “Já que a senhora me trata mal, então não cuido bem do seu cachorro”. Claro, não é algo premeditado, mas sim uma escapulida da emoção de raiva pela patroa que sai na forma de esquecer de deixar alimento para o cão dela.

O inconsciente é uma área da mente onde armazenamos pensamentos, sentimentos, desejos, imagens, como um arquivo, só que dinâmico, em vez de só com dados inanimados. Interessante que a Bíblia já falava de inconsciente. Por exemplo, no livro de Salmos, o capítulo 19 e versículo 12 diz: “Quem pode entender os próprios erros? Expurga-me (absolve-me) Tu dos que me são ocultos”. Nessa passagem o salmista pede a Deus que o liberte dos erros ocultos, das falhas de conduta que ainda estão no inconsciente. E geralmente, Deus, o Criador do Universo, faz isso, quando a pessoa pede, trazendo do inconsciente do indivíduo a percepção dos seus defeitos de caráter para que ele veja e, assim, decida querer continuar com eles ou lutar para amadurecer, vencendo-os.

No Salmo 90 e versículo 8 está escrito: “Diante de Ti puseste as nossas iniquidades; os nossos pecados ocultos à luz do Teu rosto”. Deus revela para a pessoa seus defeitos ocultos como parte do processo de crescimento espiritual. Quem quer a luz de todo o coração, a recebe, e com ela é possível conhecer melhor a si mesmo e ter a possibilidade de se tornar uma melhor pessoa. Você quer essa luz terapêutica?

A consciência de nós mesmos, o autoconhecimento, melhora quando conseguimos confrontar os elementos inconscientes, ou seja, a patroa dura com sua empregada, precisa se perguntar por que a funcionária tão eficaz, se esquece de colocar a ração para o seu cão, e a funcionária pode aprender a conhecer melhor a si mesma se perguntando a razão pela qual se esquece de cuidar do cachorro da patroa. Fazer essa reflexão requer coragem, mas ajuda a entender o comportamento “estranho” que aparece em nós por causa de motivos inconscientes.

Da mesma forma, a esposa que vive pedindo ao marido para fazer coisas que ela mesma pode fazer e até com mais liberdade e autonomia, se quiser amadurecer mais, precisa pensar o que está no seu inconsciente que a empurra para ter essa atitude dependente com seu companheiro. Conhecer a nós mesmos nos ajuda a nos tornarmos mais humildes, mais honestos, mais verdadeiros com a gente mesmo e com os outros. Você quer esse crescimento? Se sim, então comece a pensar em quais possíveis fatores inconscientes podem estar motivando sua conduta em casa, no trabalho, em qualquer lugar. Peça ao Criador do Universo para lhe dar essa luz.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Preciso mesmo pensar?

quinta-feira, 23 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Para mudar tem que pensar. Você quer pensar? Ou quer repetir o comportamento que assiste nas redes sociais, na televisão? Ou prefere ficar na zona de conforto tendo um comportamento disfuncional?

Comportamento disfuncional pode ser irritação fácil, falar alto sem respeitar as pessoas, querer dominar, fazer tudo para ser notada, adorar discussão, viver reclamando de tudo e de todos, se deixar ser dominado por outra pessoa, entre outras atitudes.

Para mudar tem que pensar. Você quer pensar? Ou quer repetir o comportamento que assiste nas redes sociais, na televisão? Ou prefere ficar na zona de conforto tendo um comportamento disfuncional?

Comportamento disfuncional pode ser irritação fácil, falar alto sem respeitar as pessoas, querer dominar, fazer tudo para ser notada, adorar discussão, viver reclamando de tudo e de todos, se deixar ser dominado por outra pessoa, entre outras atitudes.

Parece que a grande maioria das pessoas vive no automático. O que é viver no automático? Já dirigiu um carro com câmbio automático? Qual a diferença entre um carro com câmbio automático e um com câmbio manual? Com câmbio automático basta você colocar a alavanca no D (drive = dirigir) e pronto, segue em frente sem se preocupar com a troca de marchas e basta usar o acelerador e freio. Já com o câmbio manual, você precisa trocar as marchas com frequência especialmente se estiver dirigindo na cidade.

Vivendo no automático, as pessoas se assustam quando algum problema emocional ocorre na vida delas porque viver no automático é não pensar, é agir mais por impulso, pelo desejo, ou na castração de desejos, é viver no habitual sem questionar se isto é o melhor. Viver no automático não é mau em si, mas pode ser perigoso porque as emoções nos enganam muitas vezes.  

No pensamento ou cultura pós-moderna, o que vale é o que você sente. Mas nossas emoções flutuam muito, especialmente nas pessoas muito emocionais que são as que não gostam muito de pensar, pensar da causa para o efeito, pensar na própria conduta. Muita gente primeiro faz, depois pensa. Claro, pensar muito cansa. Mas não pensar e só viver no automático dos sentimentos pode criar complicações evitáveis.

Saúde mental depende do equilíbrio entre viver a razão e a emoção. O desafio é ter as emoções sem deixar que as emoções tenham você. Acho que podemos dividir as pessoas, quanto à saúde mental, em um grupo que funciona muito no racional, mais frias, calculistas, sem (ou com pouca) misericórdia para com o sofrimento alheio, e outro grupo de pessoas emocionais, cheias de paixão exagerada, vivem com as “antenas emocionais” ligadas ao máximo, se espantam quando alguém as confronta tentando mostrar que elas estão deixando as emoções tomar conta da mente delas, e se achando “amorosas” por confundirem amor com emoção. O que é o normal, então, não é?

Você pode perguntar: “Tenho mesmo que pensar? Não posso ir vivendo no automático?” Se você é uma pessoa impulsiva, muito ansiosa, muito impaciente, talvez precisa mesmo parar e pensar na sua conduta, em vez de ficar esperando que os outros têm que “engolir” seu jeito talvez descontrolado de ser. Você tem a escolha de mudar seu comportamento para melhor. Você tem a escolha.

O mundo está ficando mais violento porque as pessoas estão deixando que emoções tomem conta delas, assim, constroem uma sociedade numa base emocional, ou seja, “se me sinto bem, então é válido”. Parece que querem se sentir bem, independentemente da verdade sobre qual é um comportamento saudável, ético, equilibrado, sereno.

Como alguém escreveu, as pessoas estão muito sensíveis e qualquer coisa as ofende, inclusive a verdade. Você quer a verdade ou se sentir bem? Pense.

 

Preciso mesmo pensar?

 

Para mudar tem que pensar. Você quer pensar? Ou quer repetir o comportamento que assiste nas redes sociais, na televisão? Ou prefere ficar na zona de conforto tendo um comportamento disfuncional?

 

Comportamento disfuncional pode ser irritação fácil, falar alto sem respeitar as pessoas, querer dominar, fazer tudo para ser notada, adorar discussão, viver reclamando de tudo e de todos, se deixar ser dominado por outra pessoa, entre outras atitudes.

 

Parece que a grande maioria das pessoas vive no automático. O que é viver no automático? Já dirigiu um carro com câmbio automático? Qual a diferença entre um carro com câmbio automático e um com câmbio manual? Com câmbio automático basta você colocar a alavanca no D (drive = dirigir) e pronto, segue em frente sem se preocupar com a troca de marchas e basta usar o acelerador e freio. Já com o câmbio manual, você precisa trocar as marchas com frequência especialmente se estiver dirigindo na cidade.

 

Vivendo no automático, as pessoas se assustam quando algum problema emocional ocorre na vida delas porque viver no automático é não pensar, é agir mais por impulso, pelo desejo, ou na castração de desejos, é viver no habitual sem questionar se isto é o melhor. Viver no automático não é mau em si, mas pode ser perigoso porque as emoções nos enganam muitas vezes.  

 

No pensamento ou cultura pós-moderna, o que vale é o que você sente. Mas nossas emoções flutuam muito, especialmente nas pessoas muito emocionais que são as que não gostam muito de pensar, pensar da causa para o efeito, pensar na própria conduta. Muita gente primeiro faz, depois pensa. Claro, pensar muito cansa. Mas não pensar e só viver no automático dos sentimentos pode criar complicações evitáveis.

 

Saúde mental depende do equilíbrio entre viver a razão e a emoção. O desafio é ter as emoções sem deixar que as emoções tenham você. Acho que podemos dividir as pessoas, quanto à saúde mental, em um grupo que funciona muito no racional, mais frias, calculistas, sem (ou com pouca) misericórdia para com o sofrimento alheio, e outro grupo de pessoas emocionais, cheias de paixão exagerada, vivem com as “antenas emocionais” ligadas ao máximo, se espantam quando alguém as confronta tentando mostrar que elas estão deixando as emoções tomar conta da mente delas, e se achando “amorosas” por confundirem amor com emoção. O que é o normal, então, não é?

 

Você pode perguntar: “Tenho mesmo que pensar? Não posso ir vivendo no automático?” Se você é uma pessoa impulsiva, muito ansiosa, muito impaciente, talvez precisa mesmo parar e pensar na sua conduta, em vez de ficar esperando que os outros têm que “engolir” seu jeito talvez descontrolado de ser. Você tem a escolha de mudar seu comportamento para melhor. Você tem a escolha.

 

O mundo está ficando mais violento porque as pessoas estão deixando que emoções tomem conta delas, assim, constroem uma sociedade numa base emocional, ou seja, “se me sinto bem, então é válido”. Parece que querem se sentir bem, independentemente da verdade sobre qual é um comportamento saudável, ético, equilibrado, sereno.

 

Como alguém escreveu, as pessoas estão muito sensíveis e qualquer coisa as ofende, inclusive a verdade. Você quer a verdade ou se sentir bem? Pense.

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Cuidar dos seus pensamentos

quinta-feira, 16 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, pense nisso.” Filipenses 4:8.

Muitas pessoas não sabem que podem mudar o padrão negativo de pensar. Creem que seu jeito de pensar é o único que podem ter. Mas podemos desenvolver uma melhor maneira de pensar, com conteúdos mais saudáveis dos pensamentos.

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, pense nisso.” Filipenses 4:8.

Muitas pessoas não sabem que podem mudar o padrão negativo de pensar. Creem que seu jeito de pensar é o único que podem ter. Mas podemos desenvolver uma melhor maneira de pensar, com conteúdos mais saudáveis dos pensamentos.

É verdade que não é fácil mudar a corrente dos pensamentos, porque habituamos a tê-los num sentido (pessimista ou otimista, negativo ou positivo, desesperançoso ou esperançoso, alegre ou triste, nervoso ou calmo) na vida. É importante compreender que muito do que sentimos depende do que pensamos, da maneira como pensamos, do que mais pensamos. Em parte, nos tornamos no que mais pensamos. “Porque, como ele pensa consigo mesmo, assim é”. Provérbios 23:7.

Podemos habituar a pensar sempre de uma mesma maneira, mesmo que seja ruim. Observe que você pode pensar no que está pensando. Ou seja, você pode observar o tipo de pensamento que mais frequentemente vem à sua mente. Isto significa que há uma área da sua mente que é livre para pensar no que quiser, e há uma área que está presa nos pensamentos costumeiros e antigos. Esta área livre para pensar o que você quiser é que precisa ser usada para que você treine novos e melhores pensamentos. Isto requer realmente um treino, porque o hábito de tantos anos pode fazer com que alguém se acostume a pensar sempre de uma mesma maneira negativa, sempre nutrindo pensamentos como: "As pessoas me rejeitam.", "A vida não faz sentido.", "Ninguém me entende.", "Sou fraco e não tenho jeito."

Mas a parte saudável da mente pode olhar para isto e dizer: "Puxa! Olha como eu só fico pensando coisas destrutivas que me botam para baixo!" Daí, toda vez que você se pegar tendo estes pensamentos ruins, negativos, você pode dizer para si mesmo: "Eu decido não permitir que minha mente doente continue a pensar dessa forma. Eu vou escolher o que quero pensar agora!”. E daí você troca o pensamento ruim por um pensamento melhor. E força sua mente a pensar neste pensamento melhor. É assim que as coisas mudarão para melhor na mente cheia de pensamentos negativos que geram sentimentos dolorosos desnecessários e produzem doenças mentais.

Lembre-se de que o que mais pensamos, produz o que sentimos. E o que mais sentimos, produz o que fazemos e o que mais fazemos, criam hábitos, e a repetição de hábitos forma a conduta básica na vida. Por isso é que se a maioria dos seus pensamentos for negativa, os sentimentos serão também negativos e as decisões na vida poderão ser negativas. Por isso pensar correto é muito importante para a melhora da vida emocional e para a pessoa sair da sensação que pode ser antiga de se sentir rejeitado, sem condições de melhorar, deprimido.

Sim, é importante a compreensão dos sentimentos, a expressão e a experimentação deles que podem ter estado reprimidos inadequadamente. Expressar é falar, e experimentar é viver o sentimento com equilíbrio. Mas, você pode começar a trabalhar com a questão do treinamento dos pensamentos, e isso já produzirá algo bom, enquanto vai aprendendo a lidar com suas emoções de forma melhor, ajudado pelo pensamento saudável.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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