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Gaslighting – um tipo de abuso emocional

quinta-feira, 14 de maio de 2026
por Cesar Vasconcellos

No site www.verywellmind.com foi publicado um artigo sobre “gaslighting”, atualizado no último dia 30 de março. Essa palavra tem surgido ultimamente no meio psicológico e significa um tipo de abuso emocional que pode causar prejuízos à sua saúde mental. Vamos ver algumas informações sobre isso.

No site www.verywellmind.com foi publicado um artigo sobre “gaslighting”, atualizado no último dia 30 de março. Essa palavra tem surgido ultimamente no meio psicológico e significa um tipo de abuso emocional que pode causar prejuízos à sua saúde mental. Vamos ver algumas informações sobre isso.

Gaslighting é uma forma de abuso emocional que faz com que a vítima duvide de seus próprios sentimentos, julgamento e senso de realidade. O agressor distorce informações para fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção ou sanidade. Ocorre mais comumente em relacionamentos românticos e familiares, mas também pode acontecer em amizades, locais de trabalho ou ambientes médicos. Com o passar do tempo e permanecendo num relacionamento com esse abuso, a vítima passa a desconfiar de seu próprio julgamento, podendo até se perguntar se estará sofrendo de algum transtorno mental.

Dentre os sinais mais comuns desse tipo de abuso chamado “gaslighting”, estão: duvidar de seus próprios sentimentos ou da realidade de uma situação; questionar seu julgamento na medida em que você tem medo de compartilhar sua opinião; sentir-se nervoso e inseguro perto da pessoa que usa esse abuso; acreditar que todos percebem você como sendo do jeito que o abusador afirma; desejo de saber se tudo o que o abusador diz está correto, mesmo que você tenha duvidado anteriormente; sentir-se chateado com mudanças em seu comportamento e por não ser mais tão forte; ficar se questionando se você é uma pessoa muito sensível; sentir-se inadequado ou incapaz de atender às expectativas, ficar se desculpando com frequência apenas por ser você mesmo.

As pessoas abusadoras que usam o gaslighting fazem isso com o objetivo de ter poder e controle sobre outra pessoa, manipulando seus pensamentos e sentimentos. Elas geralmente têm algum transtorno de personalidade, podendo ser o antissocial ou o narcisista.

Atitudes comumente utilizadas pelo abusador gaslighting são, por exemplo, ele ou ela afirma que um evento nunca aconteceu, mesmo que seja uma verdade óbvia para a vítima, usando frases como "Isso nunca aconteceu" ou "Você está imaginando coisas". O abusador deprecia os sentimentos da vítima, tratando as emoções e preocupações dela como sem valor ou exageradas, usando comentários como "Puxa! Como você é sensível demais!" ou "Era só uma brincadeira!".

O agressor usa mentiras diretas que distorcem fatos a favor dele. Ele pode atuar sobre a vítima ao forçar o isolamento emocional dela a fim de aumentar o poder sobre ela, por exemplo, afastando-a de amigos e familiares, reforçando a dependência e a ideia de que apenas ele a compreende de verdade.

Tudo isso sendo feito repetidas vezes com o passar do tempo causam confusão mental, insegurança e dependência emocional, configurando os relacionamentos abusivos.

O artigo do Verywellmind adverte: “Se alguém está te enganando, saiba que não é sua culpa, e há coisas que você pode fazer para proteger sua saúde mental. Você pode colocar alguma distância física entre você e a pessoa que está fazendo o gaslighting, pode manter um registro escrito (com anotações ou conversas salvas) das interações que você teve com a pessoa, deve criar limites, e também perguntar a alguém em quem você confia sobre como ela vê suas preocupações e como ela avalia o abusador, ou você pode se afastar desse relacionamento abusivo.

Fonte: https://www.verywellmind.com/am-i-being-gaslighted-7562452

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Neurose de angústia

quinta-feira, 07 de maio de 2026
por Cesar Vasconcellos

Neurose de angústia era o que hoje se entende como sofrimentos classificados no grupo dos transtornos de ansiedade. Ela é um estado persistente de preocupação, tensão interna, inquietude, muitas vezes sem causa palpável, podendo ser uma ansiedade desproporcional ao que acontece na vida da pessoa no momento.

Ansiedade excessiva é diferente do medo que surge diante de um perigo real e imediato. Algumas vezes pode estar ligada ao fato da pessoa ficar imaginando coisas ruins que acha que podem acontecer.

Neurose de angústia era o que hoje se entende como sofrimentos classificados no grupo dos transtornos de ansiedade. Ela é um estado persistente de preocupação, tensão interna, inquietude, muitas vezes sem causa palpável, podendo ser uma ansiedade desproporcional ao que acontece na vida da pessoa no momento.

Ansiedade excessiva é diferente do medo que surge diante de um perigo real e imediato. Algumas vezes pode estar ligada ao fato da pessoa ficar imaginando coisas ruins que acha que podem acontecer.

Neurose é um estreitamento da personalidade, um encolhimento do eu. É um sofrimento ligado a conflitos inconscientes que surgem, em grande parte, das experiências traumáticas ao longo da infância nas relações importantes iniciais da vida. Na visão psicanalítica, a neurose aparece quando esses conflitos não são resolvidos de forma saudável, sendo reprimidos, e retornando de maneira indireta na forma de sintomas emocionais ou no comportamento.

Nessa interpretação analítica, a ansiedade é vista como um sinal de alerta interno, indicando que conteúdos inconscientes, muitas vezes ligados a desejos proibidos ou experiências dolorosas, estão tentando vir à consciência. Para evitar esse desconforto, o ego reprime, nega, projeta e racionaliza. Esses mecanismos têm a função de proteger o indivíduo, mas, o uso excessivo ou rígido gera sintomas neuróticos, como fobias, obsessões, insegurança, dificuldades nos relacionamentos.

A psicoterapia psicodinâmica busca tornar conscientes esses conflitos inconscientes, ajudando a pessoa a compreender as raízes emocionais de seus sintomas. Vindo à consciência o que estava reprimido, ela ganha mais liberdade interna e capacidade de escolha, podendo ter alívio ou resolução de sintomas.

O objetivo de um bom tratamento não é simplesmente suprimir a ansiedade, mas promover autoconhecimento, integração emocional e formas mais saudáveis de lidar com os próprios conflitos, permitindo uma melhor qualidade de vida mental.

Os sintomas da neurose de angústia envolvem aspectos físicos e psicológicos. Os sintomas físicos mais comuns são taquicardia, respiração acelerada, tensão muscular, sudorese e sensação de aperto no peito, doenças autoimunes. No campo mental, surgem pensamentos repetitivos, preocupação excessiva, dificuldade de concentração, irritabilidade, falta de serenidade com sensação constante de que “algo ruim vai acontecer”. Em alguns casos ocorrem crises mais intensas, como ataques de pânico, geralmente associado à ideia de morte por ataque cardíaco.

Dentre as causas da ansiedade excessiva estão a predisposição genética, desequilíbrios químicos no cérebro, experiências traumáticas, estresse prolongado e padrões de pensamento negativos aprendidos. Sobrecarga de estímulos, como uso excessivo de telas, insegurança emocional, pressão social e problemas não resolvidos contribuem para o desenvolvimento e manutenção dessa ansiedade.

O tratamento envolve a psicoterapia, que sendo cognitivo-comportamental ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos, doentios. A psicoterapia psicodinâmica contribui para a tomada de consciência de conflitos que produzem os sintomas. Técnicas de relaxamento, como respiração profunda, auxiliam no controle dos sintomas físicos.

A prática regular de exercícios físicos ao ar livre, fortalecer vínculos sociais, uma rotina equilibrada, dieta saudável e a redução de estímulos excessivos também são importantes. Em casos graves de ansiedade, pode ser necessário acompanhamento psiquiátrico com uso de medicação temporária.

Auxilia muito a redução da ansiedade excessiva a busca de desenvolvimento espiritual, com práticas como a oração, meditação em textos bíblicos e fazer trabalho voluntário que ajuda a aliviar o sofrimento dos outros.

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A dúvida pode ser uma dádiva

quinta-feira, 30 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Outro dia, li um texto que começa assim: “A dúvida pode ser uma dádiva de Deus.” Interessante pensar dessa forma. Podemos ter a tendência de querer soluções imediatas quando provavelmente não estamos prontos para elas. Deus proveu em nossa vida soluções para tudo, mesmo para aquilo que não tem solução. Nesses casos Ele oferece conforto, aceitação, serenidade e forças para lidar com a perda, a dor, a decepção e a frustração.

Outro dia, li um texto que começa assim: “A dúvida pode ser uma dádiva de Deus.” Interessante pensar dessa forma. Podemos ter a tendência de querer soluções imediatas quando provavelmente não estamos prontos para elas. Deus proveu em nossa vida soluções para tudo, mesmo para aquilo que não tem solução. Nesses casos Ele oferece conforto, aceitação, serenidade e forças para lidar com a perda, a dor, a decepção e a frustração.

Quando estamos prontos e humildes, a informação que precisamos chega, e ela fica à nossa disposição. Ter muitas informações sem ser no momento oportuno, pode perturbar se quisermos ficar matutando nelas. Usar muita informação sem estar pronto para mudar e ouvir a voz de Deus, cria perturbação mental, ansiedade, agitação na cabeça. Se expor a muitas informações é uma das fontes do pensamento acelerado.

Quando você tiver uma dúvida, é bom perguntar. Mas tem dúvidas que o melhor é olhá-las como uma dádiva do céu porque a presença da dúvida nesse momento de sua vida pode indicar que ainda não é o momento de agir. Pode ser desastroso agir com imprudência devido a impaciência e visão parcial da situação, ou quando estamos dominados por certas emoções. Melhor esperar.

A autora do texto diz: “Acho que lidar com a confusão pode ser como cozinhar. Se o pão não está pronto, não o tiro do forno nem insisto que é hora de comer. Eu o deixo cozinhar. Se uma solução clara para o problema ainda não apareceu, posso confiar em que ela aparecerá na hora certa.” (Coragem para Mudar – Um dia de cada vez no Al-Anon II, p.45).

Agradeça ao Deus Criador do Universo, que sabe tudo de sua vida e necessidades, pelo que acontecerá hoje em sua vida, mesmo que se sinta perturbado, perturbada, em dúvida ou em confusão. O apóstolo Paulo, inspirado, escreveu: “Em tudo dê graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para com você.” 1 Tessalonicenses 5:18. Nosso papel no momento de dúvida quando não temos ainda resposta mesmo perguntando a alguém e a Deus, é olhar isso como uma dádiva indicando que o Senhor está primeiro preparando você para, então, lhe responder.

Helen Keller viveu de 1880 até 1968 e foi uma escritora e ativista social norte-americana. Ficou cega e surda desde bebê por causa de uma doença, formou-se em filosofia, lutou em defesa dos direitos sociais, em defesa das mulheres e das pessoas com deficiência. Foi a primeira pessoa cega e surda a entrar para uma instituição de ensino superior.

Com a ajuda de uma professora excepcional, chamada Anne Mansfield Sullivan, da Escola para Cegos Perkins, Helen Keller aprendeu a linguagem de sinais e braile. Alguns anos depois, ela aprendeu a falar. Quando adulta, tornou-se uma incansável defensora das pessoas com deficiências. Uma de suas frases é essa: “Tudo é maravilhoso, até a escuridão e o silêncio; dessa forma eu aprendo a ficar contente, não importa em que situação eu esteja.” (citado em “Coragem para Mudar – Um dia de cada vez no Al-Anon II”, p.45).

Paulo, o erudito apóstolo escreveu: “... já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” Filipenses 4:11-13.

Está na dúvida? Fale com alguém experiente e ore a Deus sobre o assunto, com fé, humildade e perseverança. Ainda continua na dúvida? Comece a cultivar o pensamento de que isso pode ser a dádiva divina no sentido de você primeiro precisar estar pronto, pronta para obter a resposta. Ela virá no tempo e no modo certo que só Deus sabe.

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Precisa de controle emocional?

quinta-feira, 23 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Uma pessoa deu uma resposta do por que sofre com descontrole emocional ao dizer que seu pai era assim. Influi na construção de nosso comportamento o fator genético e principalmente o que copiamos do comportamento do pai e da mãe na infância. As crianças copiam coisas boas e ruins dos pais e repetem na vida adulta, mesmo tendo prometido nunca agir como eles. 

Uma pessoa deu uma resposta do por que sofre com descontrole emocional ao dizer que seu pai era assim. Influi na construção de nosso comportamento o fator genético e principalmente o que copiamos do comportamento do pai e da mãe na infância. As crianças copiam coisas boas e ruins dos pais e repetem na vida adulta, mesmo tendo prometido nunca agir como eles. 

O primeiro passo para melhorar ela deu, que é reconhecer que tem este problema de descontrole emocional. Muita gente tem problemas de comportamento e negam ter, sempre jogando a culpa em algo fora de si. Em parte, a recuperação, paradoxalmente, começa com a aceitação da limitação. Você começa a mudar para melhor quando aceita seu problema, em vez de negá-lo. Aceitar não é o mesmo que concordar. É olhar para a realidade e ver que ela é um fato, que é verdade. Aceitar é parar de fugir. É admitir a verdade. Isso é o começo da recuperação. 

Faz parte da aceitação parar de se autoatacar e de se depreciar só porque você apresenta ainda defeitos de caráter. Desvalorizar a si mesmo por ter estes problemas só afunda mais. Você pode olhar para seu lado não saudável, talvez impulsivo e dizer para si: “Puxa! Que chato agir assim! Mas eu não sou só isso. Este comportamento que não gosto é parte de mim, não é o meu eu (self) todo.” Ou seja, olhe para si e veja que existe uma parte mental saudável que analisa o lado não saudável e vê que ele existe. É este lado saudável que pode entrar em ação para ajudar o lado doentio.  

Observe quando e o que produz descontrole em você, daí é possível começar a prevenir a recaída no comportamento ruim. Como? Ao perceber o fator gatilho, se possível se afaste dali. Fator gatilho é tudo aquilo que dispara uma reação desagradável em sua mente e comportamento. Se não der para se afastar, use o “lado saudável” de sua personalidade para comandar sua atitude.

Diga para si: “Isto está me deixando furiosa! Já sei que quando isto acontece tenho tendência de perder meu controle emocional. Mas não vou permitir isso. Quem manda em mim sou eu, não minha emoção.” Em seguida, focalize sua mente em outra coisa. Execute uma tarefa. Faça uma oração pedindo a Deus vitória sobre seu descontrole. Tome um copo de água. Respire fundo umas seis vezes de frente da janela aberta ou vá ao ar livre e faça isto. Comece a cantar um hino cristão, ouça uma música calma, serena. 

O “segredo” é descobrir o que dispara o descontrole e usar o lado saudável para lhe “dar um colo” e também para disciplinar as emoções. O descontrole pode ser comparado com uma criança que faz pirraça porque quer picolé na hora de sentar para o almoço. Ela quer o picolé porque quer. Daí a sua “mãe-pai” bom interno dirá com carinho e firmeza: “Querida, não, agora não é hora de chupar picolé!” Ou seja, diga para si mesma: “Não preciso repetir agora o mesmo comportamento ruim que via em meu pai/mãe. Não preciso!” Em seguida dê colo para si mesma, o que significa controlar seu impulso nervoso pela ação da graça de Deus que você havia pedido a Ele e por sua decisão de não se deixar levar pelo impulso imaturo. 

Isso é um exercício diário. Não vai mudar rapidamente, porque, afinal são tantos anos repetindo comportamentos ruins, não é? E precisa fazer esse treino um momento de cada vez. Vai dar certo. Leva tempo, mas se praticar, a vitória virá gradativamente. Um dia de cada vez. Uma situação de cada vez. Se recair, levante e recomece esse trabalho mental em busca de autocontrole emocional. A medicação não faz isso em seu lugar. Nem o seu psicólogo, psiquiatra ou qualquer outra pessoa. É você mesmo.

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Você precisa mesmo comprar isso? – A compulsão por compras

quinta-feira, 16 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Vivemos num mundo bombardeado por estratégias de marketing para vender tudo. Obter bens tem sido usado como prova de competência e de status. O conceito, mesquinho, da sociedade pós-moderna é que seu valor como indivíduo depende do quanto você tem, da sua fama, do seu poder social. Isso é um equívoco porque se você constrói sua noção de valor pessoal na dependência de vínculo com pessoas e posse de bens materiais, o que seria de você se essas pessoas e coisas forem tiradas de repente de sua vida? O que sobraria?

Vivemos num mundo bombardeado por estratégias de marketing para vender tudo. Obter bens tem sido usado como prova de competência e de status. O conceito, mesquinho, da sociedade pós-moderna é que seu valor como indivíduo depende do quanto você tem, da sua fama, do seu poder social. Isso é um equívoco porque se você constrói sua noção de valor pessoal na dependência de vínculo com pessoas e posse de bens materiais, o que seria de você se essas pessoas e coisas forem tiradas de repente de sua vida? O que sobraria? Pode existir uma diferença grande entre o que você realmente precisa e o que deseja.

A compulsão por compras serve para mascarar dores emocionais que para a pessoa são difíceis de serem encaradas para serem resolvidas de forma construtiva e funcional. Enquanto reações químicas cerebrais produzidas pela excitação das compras atua no cérebro, a pessoa se sente bem. Ao retornar para casa, e colocar as bolsas de compras na cama ou na mesa, a onda cerebral de prazer já terá passado e a pessoa se defrontará com a sensação de vazio novamente.

Pessoas diferentes se envolvem em compulsões às vezes diferentes, mas tendo um mesmo objetivo: buscar alívio da angústia, da tristeza, da sensação de falta de sentido para viver. Esses sentimentos podem estar enraizados em sofrimentos vividos ao longo da infância, ou na juventude e mesmo na vida adulta, para os quais a pessoa ainda não encontrou solução. Comprar de forma compulsiva serve como um calmante e euforizante temporário.

O compulsivo para compras precisa perceber gatilhos que disparam a fissura para adquirir objetos. Gatilhos externos podem ser propagandas, promoções, novidades, notícias sobre o “último lançamento” de um produto. Gatilhos internos que disparam a fissura pelas compras podem ser tédio, ociosidade, estresse, orgulho, egoísmo, inveja, conflitos familiares e pessoais.

Um fator que colabora para a obsessão por compras é ligado à cultura de consumo, ao mundo consumista, ao que a Bíblia denomina “concupiscência dos olhos”, ou seja, desejos desenfreados para obter o que os olhos podem ver e os sentimentos desejam, mesmo sem ter lógica nisso. Mas, o que também contribui para o consumismo que se enquadra na compulsão para compras, além do vazio interior, pode ser a comparação social. Você vê que seu vizinho comprou um novo carro, e começa a cultivar o desejo de fazer o mesmo. Pode ser por inveja, por futilidade, ou por querer diminuir ou apagar o sentimento de ansiedade e tristeza que podem perturbar, na falsa impressão de que obtendo aquele objeto, tudo ficará bem.

O Senhor Jesus ensinou nos Evangelhos que maior coisa é dar do que receber. E recomendou que não coloquemos nosso coração nos bens materiais, mas nas coisas do Céu. Se seu sofrimento com vício em compras está machucando muito, peça ajuda a Deus para lidar com isso, reconsidere seu sentido para a vida, reflita sobre que sofrimentos você passou em sua vida infantil e talvez na adolescência que produziram angústia, tristeza que podem estar empurrando você para tentar obter alívio disso através de compras. Se necessário, procure ajudar profissional com psicólogo de boa referência.

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Doenças autoimunes e estresse

quinta-feira, 09 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Doenças autoimunes ocorrem quando o corpo se ataca. O sistema imunológico se torna incapaz de reconhecer a diferença entre vírus, bactérias e outros agentes que provocam doenças e os próprios tecidos do organismo. Trabalhos científicos mostram a ligação entre conflitos emocionais e doenças autoimunes.

Doenças autoimunes ocorrem quando o corpo se ataca. O sistema imunológico se torna incapaz de reconhecer a diferença entre vírus, bactérias e outros agentes que provocam doenças e os próprios tecidos do organismo. Trabalhos científicos mostram a ligação entre conflitos emocionais e doenças autoimunes.
Estudo científico realizado na Suécia e publicado em 2018 no site da revista da Associação Médica Americana, o JAMA Network, envolvendo 106.464 pacientes mostrou que estes indivíduos com distúrbios de estresse tiveram grande risco de doença autoimune subsequente. Os resultados indicam a possibilidade do estresse causar doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, psoríase, esclerose múltipla e diabetes tipo 1, por ter maior incidência de doenças autoimunes entre pessoas previamente diagnosticadas com distúrbios relacionados ao estresse.
Neste estudo na Suécia eram mais propensos a serem diagnosticados com doença autoimune cerca de nove em 1.000 pacientes por ano, com distúrbios relacionados ao estresse, mas apenas cerca de seis por 1.000 pacientes no ano entre aqueles sem distúrbios de estresse.
Os pesquisadores analisaram mais de 100 mil pessoas diagnosticadas com transtornos do estresse e compararam sua tendência de desenvolver doenças autoimunes pelo menos um ano depois com 126 mil de seus irmãos e outros milhões de pessoas sem transtornos relacionados ao estresse.
O estudo descobriu que os diagnosticados com um transtorno do estresse eram mais propensos a desenvolver várias doenças autoimunes e com taxa maior de doença autoimune se eram mais jovens.
Isso não significa que distúrbios ligados ao estresse causam doenças autoimunes. Mas, este estudo envolvendo milhares de suecos mostrou que a exposição a um transtorno relacionado ao estresse foi bastante associada ao aumento do risco de doença autoimune ligado ao evento estressor.
Uma das teorias sobre doença autoimune e estresse é que períodos longos de estresse e eventos traumáticos mudam a expressão de nossos genes. O trauma emocional altera a sinalização neuroquímica em nossos corpos, o que cria um ambiente onde o corpo começa a se atacar.
O cérebro foi projetado por Deus para criar continuamente novos caminhos e encontrar saídas para o sofrimento. Novas redes de neurônios, que são as células cerebrais, podem ser criadas de várias maneiras, com mudanças de comportamento, de ambiente e estilo de vida o que contribui para a recuperação de doenças autoimunes.
Procure reduzir seu estresse. Pratique atividades físicas ao ar livre. Tome bastante água cada dia nos intervalos das refeições. Se exponha à luz solar pelo menos 15 minutos cada dia. Use alimentação vegetariana. Evite bebidas alcoólicas e cafeína em qualquer forma. Respire ar puro. Evite dormir após 22h. Tenha um hobby saudável. Mantenha contato afetivo com sua família e amigos procurando resolver pendências nestes relacionamentos, pelo menos do que depende de você. E confie no amor de Deus manifestado de forma pessoal para lhe ajudar. Tudo isso junto produzirá melhor saúde física, mental, social e espiritual, trazendo alívio ou cura para sua doença autoimune.
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Placebo e nocebo

quinta-feira, 02 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Você já deve ter ouvido falar em efeito placebo. E nocebo? Efeito placebo e efeito nocebo são dois fenômenos psicológicos e fisiológicos opostos, mas que têm o mesmo princípio, ou seja, são ligados com os efeitos da mente sobre o corpo.

Você já deve ter ouvido falar em efeito placebo. E nocebo? Efeito placebo e efeito nocebo são dois fenômenos psicológicos e fisiológicos opostos, mas que têm o mesmo princípio, ou seja, são ligados com os efeitos da mente sobre o corpo.

Efeito placebo é a melhora de sintomas que uma pessoa experimenta após um tratamento sem efeito ativo, por exemplo, tomando um comprimido de açúcar ou de amido, crendo que se trata de um remédio verdadeiro. Ela crê que é um medicamento real e se sente melhor. Quando cremos em algo bom, nosso corpo pode liberar substâncias como a endorfina e a dopamina, que diminuem a dor e melhoram o bem estar emocional.

Já o efeito nocebo é a piora de sintomas ou surgimento de efeitos negativos por causa da expectativa negativa que a pessoa nutre, mesmo sem causa física real para tais sintomas. Isso acontece por causa do medo ou crença de que alguma coisa fará mal. Por exemplo, uma pessoa toma um remédio inofensivo, mas ao ler na bula sobre possíveis efeitos colaterais, começa a sentir dor de cabeça ou náusea. O medo e a ansiedade podem ativar a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina.

Estes dois efeitos mostram como a mente é unida ao corpo e produz efeitos físicos, bons ou ruins, dependendo da crença psicológica, a qual pode ser positiva ou negativa.

Vamos ver alguns exemplos clínicos. Várias pessoas participando de uma pesquisa científica, e tendo dor muscular recebem um comprimido sem princípio ativo achando que é um analgésico. Algumas poderão sentir redução da dor mesmo sendo um remédio sem efeito químico, porque acreditam, e essa crença libera analgésicos naturais produzidos pelo corpo, chamados “endógenos”, como a endorfina.

Outro exemplo é quando um laboratório farmacêutico pesquisa um novo antidepressivo. No grupo de pacientes que recebem um tratamento com comprimidos sem efeito antidepressivo, vários podem relatar melhoras do estado depressivo. Eles tomaram um placebo e sentiram melhor. A atitude mental de crer favorece a melhora, mesmo não tendo tomado um antidepressivo real.

Certa vez uma equipe de neurocirurgia num hospital me pediu para avaliar um paciente que tinha dor na coluna lombar e que não melhorava com medicamentos via oral para dor, mas que relatou melhora quando injetaram um placebo. Aquela pessoa acreditou na injeção e comentou ter sentido diminuição da dor lombar.

Por outro lado, algumas pessoas muito impressionadas, ansiosas, com medo excessivo, muito preocupadas, podem apresentar efeitos colaterais tomando medicamentos sem efeito. Por exemplo, o médico pode explicar que o remédio que a pessoa precisa tomar pode ter como efeito colateral dor de cabeça. É dado para o paciente uma pílula sem produto químico, mas a pessoa diz sentir dor de cabeça. Isso é o efeito nocebo.

Importante, então, considerar o seguinte: a forma como o tratamento é apresentado pode influir no resultado do mesmo. A confiança no médico e no tratamento pode produzir melhores resultados. O medo, a tristeza, a ansiedade, a desconfiança podem piorar os sintomas ou criar sintomas não prováveis de surgirem com aquele medicamento ou procedimento. A atitude mental é muito influenciadora da saúde ou da doença.

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Abertura do coração emocional

quinta-feira, 26 de março de 2026
por Cesar Vasconcellos

Nos tornamos como pessoa aquilo que nos causa menos dor. A formação da estrutura da personalidade humana é construída ao longo da infância na interação da criança com seus pais ou cuidadores. Se essa interação é recheada de respeito, valorização, manifestação de carinho sem superproteção, disciplina sem agressividade e sem violência, se pai e mãe interagem com a criança com afeto, revelando como ela é importante na vida deles, a estrutura da personalidade dessa criança, nesse tipo de ambiente familiar, será bastante saudável.

Nos tornamos como pessoa aquilo que nos causa menos dor. A formação da estrutura da personalidade humana é construída ao longo da infância na interação da criança com seus pais ou cuidadores. Se essa interação é recheada de respeito, valorização, manifestação de carinho sem superproteção, disciplina sem agressividade e sem violência, se pai e mãe interagem com a criança com afeto, revelando como ela é importante na vida deles, a estrutura da personalidade dessa criança, nesse tipo de ambiente familiar, será bastante saudável.

Por outro lado, se na infância da criança ela é criada sem pai, ou sem mãe, ou se o pai e a mãe, embora presentes fisicamente, são ausentes ou indisponíveis emocionalmente, se desrespeitam o filho ou filha com palavras agressivas, depreciadoras, se pai e mãe frequentemente perdem o autocontrole emocional e manifestam nervosismo no ambiente familiar, essa criança crescerá com “machucados” em sua personalidade.

Essas feridas emocionais serão mais graves ou menos dependendo da resistência natural que a criança tem ou não tem para lidar com problemas emocionais. Isso porque algumas crianças nascem com melhores defesas contra dificuldades de relacionamento na família. Algumas são mais resilientes desde o nascimento, nascem com melhores recursos mentais para lidar com a dor emocional.

Comecei esse artigo dizendo que nos tornamos como pessoa aquilo que nos causa menos dor. Ou seja, adaptamos nosso jeito de ser, mais fechado ou mais aberto, mais comunicativo ou menos, mais afetivo ou mais frio, mais espontâneo ou mais reprimido, com melhor autocontrole ou mais impulsivo, mais dependente ou menos apegado, na dependência do ambiente familiar como descrevi, mas também em função do temperamento básico individual. O jeito como a criança vai se tornando como personalidade tem muito que ver com as tentativas dela, mais inconscientes do que conscientes, de sobreviver mentalmente como indivíduo.

Pense por um momento sobre o significado de uma crise esquizofrênica. Esquizofrenia tem que ver com cisão, rompimento entre a realidade e a pessoa. Essa dor mental separa a pessoa dela mesma e das conexões saudáveis com os outros, criando um estado que chamamos de “psicótico” nela, alterado gravemente. A esquizofrenia é, portanto, uma quebra da personalidade, uma ferida mental grave que rompeu a unidade do indivíduo com ele mesmo, alterando sua personalidade. As defesas mentais do esquizofrênico não foram suficientemente fortes para lidar com aquilo que para ele, em sua sensibilidade, foram situações de estresse emocional, interno e externo, daí ele sucumbiu.

Repetindo, algumas crianças nascem com melhores defesas mentais contra situações difíceis na família e dentro delas sobre como as fontes de estresse chegam para ela. Importante compreender que a sensibilidade daquela criança específica parece ser a chave para se entender a razão pela qual ela sucumbe diante de estresses no convívio familiar. Isso porque outra criança, um irmão biológico ou irmã biológica da que teve sofrimento mental importante, não sofre mentalmente da mesma maneira, com as mesmas consequências, sintomas e surgimento de um transtorno mental importante. Ela tem melhor defesa talvez inata.

Uma criança sensível que vive num ambiente em que o pai ou a mãe, ou ambos, são abusivos verbalmente e até fisicamente, um ou outro cuidador dela é descontrolado emocionalmente, a sensibilidade dela, que é ótima para muita coisa na vida, nesse caso a faz se fechar para se proteger da dor dos abusos. Ela separa uma parte do ser (personalidade), aprende a se afastar para dentro de si, para tentar estar conectada no ambiente difícil. Ela aprende a usar mais a repressão dos seus sentimentos para se proteger, do que a expressão equilibrada deles. Depois pode ficar difícil abrir o coração. E vai precisar aprender a se abrir e se sentir segura em fazer isso. Essa não é uma tarefa fácil e rápida.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Evitando recaída na depressão com a retirada de antidepressivos

quinta-feira, 19 de março de 2026
por Cesar Vasconcellos

Liderado pela dra. Debora Zaccoletti, do Departamento de Neurociências, Biomedicina e Ciências do Movimento, Seção de Psiquiatria, da Universidade de Verona, na Itália, a revista médica The Lancet Psychiatry publicou um estudo em dezembro de 2025, sobre estratégias para interromper o uso de antidepressivos em pacientes com melhora dos sintomas depressivos e de ansiedade.

Liderado pela dra. Debora Zaccoletti, do Departamento de Neurociências, Biomedicina e Ciências do Movimento, Seção de Psiquiatria, da Universidade de Verona, na Itália, a revista médica The Lancet Psychiatry publicou um estudo em dezembro de 2025, sobre estratégias para interromper o uso de antidepressivos em pacientes com melhora dos sintomas depressivos e de ansiedade.

O estudo tem limitações, como por exemplo, do total de 17.379 participantes só 21% eram de pessoas com ansiedade excessiva e não se tentou outras estratégias de retirada da medicação. Desse total de participantes, a idade média era de 45,2 anos e tempo médio de uso da medicação antidepressiva foi de 45,9 semanas (quase 11 meses), 67,5% eram mulheres, 87,9% de raça branca, com 60 estudos (79%) investigando depressão e 16 (21%) investigando ansiedade.

Para pessoas com transtorno de ansiedade que pode se manifestar através de crise de pânico, fobia simples, fobia social, ansiedade generalizada entre outros, e depressão de moderada à grave, a recomendação é que o tratamento envolva psicoterapia e medicação por um tempo. Cada caso é um caso, de maneira que, por exemplo, uma pessoa com depressão moderada ou grave pode reagir bem melhor do que outra pessoa com o mesmo nível depressivo.

Outra coisa importante é que os mesmos medicamentos psiquiátricos ou outros, podem funcionar de maneira diferente em pessoas diferentes. Na média dos indivíduos diagnosticados com depressão de moderada à grave, o uso da medicação antidepressiva teria como ideal ser usada de seis meses a um ano. Mas existem variantes disso e alguns podem precisar mais tempo de uso. A diferença envolve fatores como a estrutura da personalidade do deprimido, recursos psicológicos que ele tem ou não tem para lidar com a depressão, intensidade do estado depressivo, tipo de perda que provocou os sintomas depressivos, apoio social, significado emocional da perda, disposição em aprender a administrar suas dores emocionais, entre outros fatores.

O uso por tempo indeterminado de certos medicamentos antidepressivos pode causar disfunção sexual e embotamento afetivo. Infelizmente é comum ocorrer recaída no caso da depressão, após a retirada da medicação. Essa análise de 76 estudos científicos (metanálise) buscou verificar que tipo de estratégias de redução da medicação teriam melhores resultados para evitar a recaída nos sintomas.

A pesquisa incluiu as seguintes estratégias de interrupção do uso do antidepressivo: (1) interrupção abrupta; (2) interrupção rápida (menos de quatro semanas); (3) redução lenta (acima de quatro semanas) e (4) redução da dose para 50% da dose mínima efetiva, com ou sem suporte psicológico.

Os achados foram: (1) A redução lenta com apoio psicológico preveniu recaídas de forma semelhante à continuação do antidepressivo em dose padrão; (2) A continuação em dose padrão com apoio psicológico e a continuação em dose reduzida também superaram a descontinuação abrupta e  (3) A redução rápida com apoio psicológico e a redução lenta isolada (sem esse apoio), não demonstraram diferença significativa em comparação com a interrupção abrupta.

A conclusão da equipe de pesquisa ao comparar os diferentes tipos de redução da medicação antidepressiva foi que a redução gradual junto com o suporte psicológico foi tão eficaz quanto a continuação do antidepressivo em dose padrão com ou sem apoio psicológico associado, para prevenir recaída no ano seguinte. Parece que a redução gradual do medicamento antidepressivo junto com o apoio psicológico pode prevenir cerca de uma recaída em cada cinco pessoas em comparação com a interrupção abrupta ou redução rápida. Veja como que a psicoterapia é importante para quem tem um diagnóstico de depressão, e não só a medicação, a qual em geral não precisa ser prescrita nos casos de depressões leves, mas somente nas moderadas e graves ou severas.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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O que fazer quando a ansiedade e a tristeza apertarem?

quinta-feira, 12 de março de 2026
por Dr. Cesar Vasconcellos

Vivemos um dia de cada vez. Não tem como viver dois dias de cada vez, ou meio. Cada dia tem 24 horas e podemos usar oito horas para trabalhar, outras oito para dormir e mais oito horas para tarefas variadas sem ser o trabalho. Pessoas muito ansiosas podem querer viver dois dias em um só, ou ver o amanhã quando ainda é hoje, se preocupam demais com o que não podem controlar, cultivam muita pré-ocupação, ou seja, se preocupam antes de precisar disso, e muitas vezes, sem precisar.

Vivemos um dia de cada vez. Não tem como viver dois dias de cada vez, ou meio. Cada dia tem 24 horas e podemos usar oito horas para trabalhar, outras oito para dormir e mais oito horas para tarefas variadas sem ser o trabalho. Pessoas muito ansiosas podem querer viver dois dias em um só, ou ver o amanhã quando ainda é hoje, se preocupam demais com o que não podem controlar, cultivam muita pré-ocupação, ou seja, se preocupam antes de precisar disso, e muitas vezes, sem precisar.

Por outro lado, os deprimidos querem dormir muito (ou têm insônia), porque dormir bastante serve para não pensar na tristeza ou em outro sentimento difícil de encarar conscientemente. Deprimidos focam no que perderam, mesmo tendo ganhos na vida. É como a cena do copo com metade de água, em que o depressivo observa e diz: “Puxa! Eu com tanta sede, e só tem metade de água nesse copo!”, e o otimista diz: “Ah! Que bom, tem metade de água nesse copo!”

Alivia o sofrimento treinar nossa mente a pensar que basta vivermos um dia de cada vez. O que temos para viver é hoje. Hoje é o presente, não é o passado e nem é o futuro. E é um presente do Criador – a vida. Pense assim: “Hoje vou fazer o melhor que puder com o que estou sentindo.” Seja angústia ou tristeza. Vá, mas vá com calma, se você é ansioso. Vá com calma, mas vá, se você é depressivo.

Ajuda muito a aliviar o estresse mental, a ansiedade e a melancolia se você forçar sua mente a pensar que o que precisa ser vivido é só hoje. Amanhã, não sabemos. Então, foque no hoje. E ajuda ainda mais se você dividir esse “hoje” em partes menores. Por exemplo, se você está depressivo, desanimado, sem energia, então, decida viver o melhor que puder nessa próxima hora. Se é de manhã, não fique pensando: “O que posso fazer sem forças para viver esse dia todo?” Troque isso por: “Mesmo sem ânimo, vou executar essa pequena tarefa agora. Agora decido fazer ...”

Daí, você estipula a tarefa, e será melhor se for algo simples, se sua energia e disposição estiverem bastante diminuídas. Coisas simples podem ser varrer o quintal, regar as plantas, arrumar uma gaveta do seu armário que tem dez gavetas, entrar em contato com quem você se sente bem, e conversar, orar, dar uma caminhada, tirar a roupa do varal, arrumar sua mesa do escritório.

Dividindo o dia em pequenas porções de tempo para nelas fazer algo simples, sem se cobrar por não estar bem disposto, pode aliviar o fardo do dia inteiro. Um dia de cada vez, uma coisa de cada vez, uma hora de cada vez. É assim que você pode encarar a realidade nesse momento da vida quando não está bem emocionalmente.

Mas é importante vencer a ociosidade. É importante fazer alguma coisa, seja manual ou intelectual. Não fazer nada contribui para a melancolia que pode já estar perturbando. Ficar sem fazer nada contribui para o aumento da ansiedade, do vazio. Não fique olhando para as 32 coisas que precisam ser feitas e com isso se sentir desesperado por não ter vontade de iniciar uma. Escolha uma e comece, devagar, no ritmo possível, sem autocobranças.

Esses pequenos esforços, ou grandes para o deprimido, auxiliam, mais tarde no dia, a melhorar emocionalmente, porque você poderá pensar ao final do dia: “Puxa! Eu estava tão para baixo hoje e graças a Deus consegui arrumar três gavetas do armário, regar as plantas e ir na padaria.” Seja grato por isso, em vez de se cobrar por não ter feito muito mais coisas, que você consegue fazer quando não está depressivo.

Compaixão por si ajuda a aliviar o fardo do momento, do dia. Compaixão, nesse contexto, significa tratar a si mesmo com gentileza e respeitar seu estado emocional do momento. Tem dias em que as coisas ficam difíceis para todos nós, e nesses dias o melhor é pegar leve, descansar, meditar, orar, fazer pequenas tarefas e ter paciência com o que estará produzindo esse estado emocional. O que é bom, passa. Mas o que é ruim, também passa. Isso também vai passar. Enquanto isso, faça algumas coisinhas simples uma hora de cada vez, só por hoje.

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Cesar Vasconcellos de Souza
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