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Checar a verdade do seu pensamento

quinta-feira, 23 de julho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Nossa mente funciona com pensamentos, sentimentos e escolhas ou decisões. Você pensa, sente e age. Após pensar, sentir e não agir, isso é também uma decisão. Os pensamentos favorecem o surgimento dos sentimentos e esses conduzem ao comportamento. Se você repete sempre o mesmo comportamento, surge o hábito. E tudo isso vai estruturando sua personalidade.

Nossa mente funciona com pensamentos, sentimentos e escolhas ou decisões. Você pensa, sente e age. Após pensar, sentir e não agir, isso é também uma decisão. Os pensamentos favorecem o surgimento dos sentimentos e esses conduzem ao comportamento. Se você repete sempre o mesmo comportamento, surge o hábito. E tudo isso vai estruturando sua personalidade.

Então, observe que primeiro vem o pensamento. Você pensa e o que pensou vai dar origem ao que você sente. Exemplo, você pensou: “Aquela pessoa olhou para mim de forma depreciadora.” Ela não disse nada. Só olhou. Mas sua interpretação é que ela deu uma olhada desvalorizadora de sua pessoa. Você também não checou isso, portanto, é um pensamento seu, que pode ser baseado na verdade ou não. A pessoa pode ter mesmo dado uma olhada para você com um ar de depreciação, ou não.

Mas, antes de saber a verdade, sua mente produziu esse pensamento: “Aquela pessoa olhou para mim de forma depreciadora.” E esse pensamento pode causar algum sentimento, que pode ser tristeza, raiva, ansiedade, vergonha ou outro. O que você pensa influi no que você sente.

Se nesse exemplo a pessoa não teve uma atitude de depreciação de sua pessoa, mas sua mente pensou nisso, você pode se relacionar mal com ela naquele momento porque interpretou de forma negativa o olhar dela. Então, muitas pessoas podem sofrer emocionalmente porque seus pensamentos podem costumeiramente ter um conteúdo negativo, pessimista, catastrófico, derrotista e não porque elas não são amadas, aceitas, respeitadas pelos outros. Isso se chama “distorção de pensamento” que causa sofrimento desnecessário.

Para corrigir isso é preciso saber a verdade. Conhecendo a verdade, ela pode libertar você de ter sentimentos desagradáveis quando a verdade é que você não foi rejeitado, depreciado, abandonado. Ou a verdade pode ensinar algo sobre seu jeito de ser que precisa correção, porque a pessoa pode realmente ter pensado em alguma atitude sua que não tem sido boa. Ou seja, a verdade que chega na sua mente pode ser agradável ou desagradável, mas sempre a verdade participa da cura. Não tem cura sem verdade.

Quando alguma coisa acontece e produz em você um sentimento de ansiedade, é possível viver essa ansiedade sem se apavorar. Se for tristeza, é possível senti-la sem se desesperar. E se o sentimento que surgiu foi raiva, é possível vivenciar a raiva sem agredir. Isso é um aprendizado disponível para todos sobre lidar com sentimentos. O que precisa é pensar, perguntar primeiro a si mesmo: O que foi que eu pensei que produziu esse sentimento que tenho agora? Quais foram os pensamentos que estavam em minha mente que causaram esse sentimento? Esses pensamentos são baseados numa verdade ou numa suposição?

Você pode perguntar: Como posso saber se o que pensei e que me gerou esse tipo de sentimento, tem base na verdade? A melhor maneira de saber algo é perguntar. Pergunte sem julgar. Faça a pergunta para saber a verdade e não para criar confusão. E preste atenção no que você pensa, porque, como expliquei, o que você pensa produz o que você sente, e o que você sente conduz ao que você faz, leva ao seu comportamento.

Aprendendo a corrigir pensamentos desagradáveis desnecessários, pessimistas, de corrupção, agressivos, arrogantes, com conteúdo catastrófico, de medo, sua saúde mental melhora. Isso é psicoeducação. A medicação não pode tomar o lugar disso para a melhora da saúde mental.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Pensamento saudável

quinta-feira, 16 de julho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Muitos sofrimentos mentais humanos têm ligação com um padrão negativo de pensar. Mas é possível desenvolver melhor a maneira de pensar, com conteúdos mais saudáveis dos pensamentos.

Muitos sofrimentos mentais humanos têm ligação com um padrão negativo de pensar. Mas é possível desenvolver melhor a maneira de pensar, com conteúdos mais saudáveis dos pensamentos. Na verdade, essa deve ser a meta principal em tratamentos psiquiátricos e psicológicos porque se uma pessoa com depressão, ansiedade excessiva e outros sofrimentos emocionais, não aprender a educar seus pensamentos corretamente, e somente seguir um tratamento baseado em medicação, ela poderá ter alívio dos sintomas, mas faltará esse aprendizado sobre cultivar pensamentos saudáveis e lidar com a emoção de forma equilibrada.

Não é fácil mudar a corrente dos pensamentos, ou a forma habitual de raciocinar, porque nos acostumamos a tê-los num sentido pessimista ou otimista, negativo ou positivo, desesperançoso ou esperançoso, alegre ou triste, nervoso ou calmo ao longo da vida. Muito do que sentimos depende do que pensamos, da maneira como pensamos, do que mais pensamos. Em parte, nos tornamos no que mais pensamos e no que mais contemplamos.

Muita gente se acostumou a pensar negativamente contra si mesmo, se depreciando com frequência e isso produz sofrimento emocional. Em vez de cultivar pensamentos de autodesprezo e autodepreciação, você pode se proteger dessa forma de se rebaixar, de se diminuir. Isso envolve, portanto, observar os pensamentos de desrespeito por si mesmo, parar com isso, e passar a pensar de uma forma que, mesmo reconhecendo ter defeitos de caráter, não precisa de desprezar ou depreciar por causa disso.

Lembre-se de que o que mais pensamos, produz o que sentimos. E o que mais sentimos, produz o que fazemos e o que mais fazemos, criam hábitos, e a repetição de hábitos forma a conduta básica na vida, ou seja, nosso caráter. Por isso é que se a maioria dos seus pensamentos for negativa, os sentimentos serão também negativos e as decisões na vida poderão ser negativas, destrutivas, doentias. Por isso pensar correto é importante para a melhora da vida emocional e para a pessoa sair da sensação que pode ser antiga de se sentir rejeitado, sem condições de melhorar, e ficando deprimido.

Sim, é importante a compreensão dos sentimentos, a expressão e a experimentação deles que podem ter estado reprimidos inadequadamente. Expressar é falar, e experimentar é viver o sentimento com equilíbrio. Mas, você pode começar a trabalhar consigo mesmo com a questão da observação de seus pensamentos para ver quais não são saudáveis e lutar contra eles, treinamento se concentrar em melhores pensamentos, e isso já produzirá alívio mental, enquanto você vai aprendendo a lidar com suas emoções de forma também mais saudável, ajudado pelo pensamento construtivo, autoprotetor baseado na verdade.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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Como se libertar da culpa da produtividade e abraçar o descanso para o seu bem-estar

quinta-feira, 09 de julho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Com esse título o site verywellmind.com publicou um artigo no último dia 6, de autoria da jornalista Naydeline Mejia, que faz mestrado em Comunicações Globais na Universidade Americana de Paris. Vamos ver algumas ideias dela e as que penso sobre o assunto interessante numa sociedade que idolatra a produtividade.

Com esse título o site verywellmind.com publicou um artigo no último dia 6, de autoria da jornalista Naydeline Mejia, que faz mestrado em Comunicações Globais na Universidade Americana de Paris. Vamos ver algumas ideias dela e as que penso sobre o assunto interessante numa sociedade que idolatra a produtividade.

Certa vez um empresário asiático de indústria de celulares ficou irritado quando lhe foi sugerido programar uma pausa de 15 minutos em sua fábrica para os funcionários participarem de um exercício físico de relaxamento. Ele pensava que 15 minutos sem produção iria diminuir bem o número de celulares montados e, com isso, o lucro cairia. Mas, resolveu ver o que iria acontecer. Resultado: os funcionários se sentiam mais relaxados após o exercício e a produção aumentava.

Num mundo capitalista é difícil não se sentir culpado por não fazer nada. “Mas – diz Naydeline – a verdade é que o descanso pode ser produtivo porque ajuda a prevenir o esgotamento e apoia o bem-estar geral. Como uma super realizadora crônica, levei muito tempo para aprender a superar minha culpa por não fazer nada e construir crenças mais saudáveis em torno do trabalho e do descanso.”

Muitos sofrem por embarcarem na ideia falsa de que seu valor está no que produzem. Com essa crença psicológica eles podem viver numa autoexigência cruel, não priorizando sua saúde e, com isso, adoecendo em algum momento. Um dos diagnósticos que pode surgir é a Síndrome de Burnout ou de Esgotamento. Quer algumas dicas de como priorizar o autocuidado para não esgotar?

  1. Encare o descanso como recuperação produtiva: você pode crer que fazer algo sem recompensa financeira é inviável. Porém, o descanso é produtivo. Não foi sem propósito que o Criador do Universo fez o mundo em seis dias, descansou e abençoou o sétimo dia, o sábado. A ciência cronobiologia estuda o ritmo circaceptano, o ritmo de sete dias. O descanso é um investimento para nossa saúde e desempenho no trabalho e estudos. Não é perda de tempo.

  2. Redefina a produtividade além da produção: quando você, por exemplo, usa uma hora diária para exercício físico, como caminhar, isso é produção. Você produz para seu corpo e cérebro. Parar para orar, meditar, contemplar, acalma a mente.

  3. Separe sua autoestima do trabalho: a maioria das pessoas sente algum nível de vergonha ou culpa ao não estar produzindo. A jornalista explica que quando você amarra sua autoestima ao seu cargo ou resultado de trabalho, joga um jogo perigoso porque pode se sentir bem quando está superando seus colegas e sendo elogiado por seu trabalho árduo, mas se sentir mal quando está com baixo desempenho ou sendo esquecido pelos colegas. Não construa seu autorrespeito pelo que faz, mas pelo que você é, um ser humano único.

  4. Lidar com a culpa: ao se sentir culpado por não estar produzindo porque precisa descansar, evite os pensamentos de autocobrança, autodepreciação. Esses pensamentos podem levar ao aumento da ansiedade, causar estados depressivos e desânimo. Se você é responsável em seu trabalho, não é culpa verdadeira parar para descansar. É cobrança exagerada e culpa falsa.

Naydeline Mejia termina seu artigo afirmando: “... lembre-se de que não há problema em descansar e fazer as coisas que reabastecem seu corpo. Mesmo que não seja reconhecido externamente, é produtivo por si só.”. Descanse.

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Mistura de sentimentos

quinta-feira, 02 de julho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Na vida de qualquer um de nós existem momentos alegres e tristes, agradáveis e desagradáveis, de medo e de confiança. Isso é normal. Não existe nenhuma pessoa que viva só com sentimentos agradáveis o tempo todo.

Saúde mental tem muito que ver com aprendermos a lidar com emoções difíceis de forma equilibrada. É um aprendizado que não termina. Ninguém se forma nisso. E esse aprendizado depende primeiro de você querer obtê-lo, em vez de pensar e concluir que não tem jeito, que não pode mudar para melhor, ou que tem alguns defeitos de comportamento por culpa dos outros.

Na vida de qualquer um de nós existem momentos alegres e tristes, agradáveis e desagradáveis, de medo e de confiança. Isso é normal. Não existe nenhuma pessoa que viva só com sentimentos agradáveis o tempo todo.

Saúde mental tem muito que ver com aprendermos a lidar com emoções difíceis de forma equilibrada. É um aprendizado que não termina. Ninguém se forma nisso. E esse aprendizado depende primeiro de você querer obtê-lo, em vez de pensar e concluir que não tem jeito, que não pode mudar para melhor, ou que tem alguns defeitos de comportamento por culpa dos outros.

Recebemos por herança genética características físicas e mentais de nossos pais biológicos. E somos influenciados poderosamente pela qualidade da dinâmica da família de origem onde crescemos. Mas genética influi em média 45% do que nos tornamos como pessoa. O restante é aprendido, copiado do pai e da mãe ou de pessoas mais influentes na sua vida ao longo dos primeiros anos da infância. O restante depende da presença ou ausência de harmonia, respeito, disciplina saudável e afeto na sua infância em sua família.

Além da genética, da epigenética (fatores que afetam a expressão genética), da personalidade dos pais ou cuidadores da criança, do tipo de funcionamento da família onde crescemos, existe a sensibilidade da criança, tudo isso junto contribuindo para a construção da personalidade.

Crianças mais sensíveis, mais vulneráveis emocionalmente, podem sofrer mais num ambiente familiar traumático, onde existe abuso verbal, físico, sexual, emocional. Crianças mais resistentes, menos sensíveis, sabem se proteger melhor.

Então, não se angustie, não desista de lutar e da vida por experimentar uma mistura de sentimentos, num momento sentindo bem estar, em outro tendo tristeza, num dia experimentando angústia e em outro serenidade. Tenha paciência consigo mesmo. Lembre-se e diga para si mesmo que o que é bom, do que a gente sente, passa. Mas o que é ruim, também passa.

Tenha paciência nos dias mais difíceis. Se ocupe com algo útil. Pratique exercício físico ao ar livre de preferência. Ore mais. Coma menos. Beba mais água pura nos intervalos das refeições. Visite alguém que precisa de ajuda ou telefone para ela e converse. Não foque na sua dor. Desvie o foco de si para alguma tarefa construtiva. Relembre o que tem acontecido de bom em sua vida nos últimos dois ou três anos e seja grato por isso.

Precisa perdoar alguém? Perdoe em sua mente e com a pessoa. Precisa fazer reparação a alguém que você machucou ou deve algo e que ao fazer a reparação não prejudicará ninguém? Faça. Precisa perdoar a si mesmo? Perdoe. Precisa expressar palavras de carinho para alguém com quem tem um relacionamento ético? Expresse.

Evite gastar muito tempo em redes sociais e use melhor seu tempo na busca de crescimento emocional e espiritual. Concentre-se no que você tem e não no que não tem. Pense: “O que posso fazer para abençoar hoje a vida de alguém?” E abençoe, podendo ser dando algum dinheiro, uma peça de roupa, alimento, palavras de consolo. Tudo isso ajuda a lidar com os momentos mais difíceis que todos temos aqui e ali na vida.

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Desistir do passado ou do futuro?

quinta-feira, 25 de junho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Desde que houve a contaminação espiritual dos seres humanos que viviam no Jardim do Éden e que rejeitaram a verdade, nunca mais houve uma família perfeita, plenamente saudável, porque todos ficamos impregnados de egoísmo, orgulho, vaidade, e outros defeitos de caráter em nossa estrutura mental que é passado de geração em geração.

Desde que houve a contaminação espiritual dos seres humanos que viviam no Jardim do Éden e que rejeitaram a verdade, nunca mais houve uma família perfeita, plenamente saudável, porque todos ficamos impregnados de egoísmo, orgulho, vaidade, e outros defeitos de caráter em nossa estrutura mental que é passado de geração em geração.

Existem famílias mais funcionais e equilibradas, e também as mais traumatizadas ou complicadas emocionalmente devido à presença de dependentes químicos, indivíduos mentirosos, agressivos, autoritários, narcisistas, por causa de divórcio, compulsões variadas entre outros sofrimentos. Mesmo nas famílias razoavelmente equilibradas emocionalmente, há conflito e lutas justamente por causa da contaminação espiritual e herança de tendências imaturas no comportamento.

Isso significa que os sofrimentos do passado são trazidos para o presente com as consequências deles para a vida adulta, e conflitos na vida adulta se somam a isso, gerando ansiedade excessiva, estados depressivos, compulsões, e outros transtornos mentais, mais graves ou menos graves.

Pense: “O que é mais difícil ou mais fácil de desistir: do passado ou do futuro? Algumas pessoas vivem apegadas aos sofrimentos do passado, e têm dificuldade de deixá-los de lado e de desistir deles, no sentido de aceitar o que houve de ruim no passado e seguir a vida com serenidade.

Já os excessivamente ansiosos vivem com a dúvida “E se?”, “E se o pneu do carro furar?”, “E se o motorista do ônibus dormir ao volante?”, “E se eu tiver uma doença grave?”. A dificuldade desses ansiosos é desistir do futuro, ou seja, interromper essas pré-ocupações sobre coisas que não temos controle, que podem ou não acontecer. Pense de novo: o que é mais difícil ou mais fácil para você desistir: do seu passado ou do seu futuro?

A saúde mental e espiritual pode florescer quando desistimos do passado no sentido de parar de ficar lamentando o que não recebemos, o que perdemos, no que falhamos, o que não conseguimos. Isso tem que ver com aceitação, que é o penúltimo estágio do processo de luto, de perda. Quando chegamos nele, paramos de brigar com a vida, com Deus, com as pessoas e com a gente mesmo. O último estágio é entender o significado das provações, das perdas, e olhar para isso sem revolta, entendendo que em nossa dor existe um propósito.

A saúde mental e espiritual também pode florescer quando desistimos do futuro evitando as preocupações inúteis, pensando profundamente que somos impotentes diante do futuro, e aceitando que não sabemos o que vai acontecer.

Parece que a única forma de chegarmos nesse ponto de desistência do passado e do futuro no sentido de aceitação, de compreensão do significado, de libertação, tem que ver com a crença num Poder Superior que chamo de Deus Criador do Universo, bondoso, que supervisiona tudo e nos dá forças para lidar com as consequências dos sofrimentos do passado e serenidade para não ficarmos ansiosos quanto ao futuro. Ele nos dá capacidade para vivermos um dia de cada vez.

No livro “O futuro de uma ilusão”, Sigmund Freud escreveu: “Os crentes devotos [os que têm uma fé religiosa] estão protegidos em alto grau contra o risco de certas enfermidades neuróticas...”.

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A luta com o ego: a mais difícil

quinta-feira, 18 de junho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Recebo por e-mail textos curtos de meditação dirigidos para pessoas em recuperação de alguma dependência ou vício, produzidas pela equipe da Hazelden Betty Ford Foundation, especializada em recuperação de dependência química nos Estados Unidos.

Recebo por e-mail textos curtos de meditação dirigidos para pessoas em recuperação de alguma dependência ou vício, produzidas pela equipe da Hazelden Betty Ford Foundation, especializada em recuperação de dependência química nos Estados Unidos.

Um desses textos fala sobre a luta com o nosso eu, que parece ser, em verdade, a maior que temos. Você pode viver com uma pessoa difícil e isso causar sofrimento, apesar de ser possível aprender a se proteger nessa convivência de tal forma que exista serenidade, que é algo pessoal, interna, não fornecida por medicação. Entretanto, a convivência com nosso eu ou ego é difícil porque todos somos contaminados com defeitos de caráter, como egoísmo, orgulho, mentira, vaidade, inveja, ódio, sobre os quais podemos ter pouca ou nenhuma consciência da existência deles em nós.

Dependentes de um vício só entram no processo de recuperação quando param de negar que perderam o controle sobre o consumo da substância ou da prática do comportamento no qual é viciado. Interrompendo a negação, param de mentir para si mesmos. Essa vitória é o primeiro passo de outros que ele ou ela vai precisar dar para seguir na recuperação da sua dependência.

Pena que alguns param de negar sua impotência sobre o vício, aceitam ajuda na busca da sobriedade e afastamento da dependência, mas não se interessam no avanço para obter vitórias sobre outros defeitos de caráter. Em Alcoólicos Anônimos chamam tais pessoas de “pessoas porre seco”, porque elas pararam de ingerir bebidas alcoólicas um dia de cada vez, mas continuam complicadas, irritadiças. Problemas com o ego continuam a perturbar não só elas mesmas, mas as com quem se relacionam em casa, no trabalho ou em outro lugar.

O texto da Fundação Hazelden diz: “O ego nos coloca em apuros. O ego nos diz que somos especiais e diferentes. Não somos tão especiais assim. Não somos tão diferentes assim. Somos criaturas que precisam de relacionamentos com os outros e com um Poder Superior (que para uns é o Criador do Universo). O ego nos diz que o único relacionamento de que precisamos é conosco mesmos. Há medo por trás do ego. Sim, um ego inflado vem do medo dos outros, do nosso Poder Superior. É por isso que nossos egos cresceram tanto durante o período de dependência ativa. Eles eram equivalentes ao nosso medo.”

E segue explicando que a recuperação de uma dependência requer que o viciado deixe o ego e o medo de lado. Sugere que ele o substitua por relacionamentos, claro, saudáveis, e serviço ao próximo. A razão pela qual isso deve ser feito é porque, em primeiro lugar, mantém o viciado sóbrio. Além da sobriedade, ou afastamento do uso da substância ou comportamento viciante, também impulsiona a pessoa a aprender com os outros. E, ao aprender com os outros, isso favorece a aproximação da verdade, que, conforme o texto diz, leva à aproximação da “morada do nosso Poder Superior”.

A verdade diminui o medo e requer que se deixe o ego de lado. Esses passos são auxílios importantes para a vida. O artigo recomenda que o viciado sempre se lembre que a verdade deve vir antes do medo, e relacionamentos antes do ego. E, termina com essa oração: “Poder Superior, ajude-me a manter meu ego sob controle. Ajuda-me a usar a energia do meu medo para me conectar com os outros, para aprofundar meu relacionamento contigo. Com o Senhor ao meu lado, não há nada a temer. Eu O escolho em vez do meu ego.”

Diante dessas ideias sobre a luta com o ego, a decisão do viciado para hoje pode ser, conforme o texto aponta: “Hoje vou prestar atenção em como meu ego me coloca em apuros. Vou evitar me colocar acima do meu Poder Superior.”

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Existe quantidade segura de álcool para o ser humano?

quinta-feira, 11 de junho de 2026
por Cesar Vasconcellos

O Medscape é um site científico para médicos e, no último dia 3, publicou o artigo: O álcool faz parte de um estilo de vida saudável?”, de Christopher Labos, cardiologista e epidemiologista, colunista do Montreal Gazette, rádio CJAD, CTV Montreal e CBC Morning Live. Vejamos novidades sobre o álcool que ele apresenta.

O Medscape é um site científico para médicos e, no último dia 3, publicou o artigo: O álcool faz parte de um estilo de vida saudável?”, de Christopher Labos, cardiologista e epidemiologista, colunista do Montreal Gazette, rádio CJAD, CTV Montreal e CBC Morning Live. Vejamos novidades sobre o álcool que ele apresenta.

Ao longo do texto é comentado sobre novas diretrizes dietéticas que sugerem a redução do consumo de álcool para melhor saúde, desafiando a noção de efeitos cardioprotetores do álcool. A recomendação é consumir menos álcool para melhor saúde geral. Importante a abstinência para mulheres grávidas, pessoas que tomam medicamentos que podem interagir com o álcool ou as com problemas de vício.

Nos últimos anos vimos reportagens sobre o álcool como cardioprotetor. Também falavam sobre a descoberta paradoxal surpreendente de que os franceses tinham taxas mais baixas de doenças cardiovasculares do que os americanos, apesar de suas taxas mais altas de tabagismo e propensão para o estilo de vida de desfrutadores de comidas e bebidas.

O artigo explica que o vinho tinto deveria ser o ingrediente que fez essa mágica acontecer. Mas existem problemas com o paradoxo francês. Comparando dados americanos e franceses, os dois não necessariamente se alinham. As diferenças em como as mortes cardiovasculares são registradas nos dois países podem explicar em parte esse paradoxo. Alguns sugeriram que as taxas de doença cardíaca isquêmica na França podem ter sido subnotificadas, o que explicaria algumas diferenças.

Mas, e os estudos sobre os benefícios do álcool em doses baixas para o sistema cardiovascular? O problema com a maioria das pesquisas sobre o consumo de álcool é que não se pode controlar variáveis. O Dr. Labos afirma: “...o mais importante, as pessoas que não bebem álcool geralmente estão mais doentes do que a população em geral, porque essas pessoas nunca bebem. Essas pessoas geralmente são ex-bebedores... e ex-bebedores que têm uma série de condições crônicas que os forçam a desistir de suas bebidas...”

Fatores genéticos têm papel importante sobre o metabolismo do álcool. Cientistas estudando genética verificam que existe um gene ligado ao metabolismo do consumo do álcool (ALDH2), e quem tem mutação genética nesse gene, sofre prejuízo na capacidade de metabolizar o acetaldeído com mais rapidez, causando sintomas como rubor ao beberem álcool e bebem menos álcool, em média.

O resveratrol foi muito estudado porque seria a molécula benéfica para o coração. Alguns estudos com resveratrol não mostraram benefício. O vinho tinto tem pouco resveratrol. Você teria que beber centenas de litros de vinho tinto por dia para obter uma dose biologicamente importante de resveratrol, e isso o mataria.

Dr. Christopher afirma: “A longo prazo, porém, o álcool não é bom para você. Ele aumenta sua pressão arterial, ... e reduzir certamente ajudará você a controlar seus números. Reduzir o álcool pode diminuir a carga de fibrilação atrial. ... O álcool é diretamente tóxico para o músculo cardíaco. ... O álcool é cancerígeno. O álcool está ligado a vários tipos de câncer, incluindo o câncer de mama...  E, ... obesidade.”

Ele termina o artigo dizendo: “Precisamos remover a noção de que o álcool é cardioprotetor. Não é. Também não há limite seguro para o álcool. Nossa orientação tem que mudar. A nova conversa não é sobre encontrar um limite seguro. É sobre os benefícios de beber menos. Precisamos fazer com que nossos pacientes troquem suas taças de vinho e canecas de cerveja por tênis de corrida. Eles vão nos agradecer a longo prazo.”

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Aceitar a dor que não passa alivia

quinta-feira, 04 de junho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Doença crônica é aquela que não tem cura, embora possa ter alívio das limitações que ela produz, diminuição do nível da dor, e do quanto ela atinge o estado emocional do indivíduo.

Dor crônica pode ser física, mental, social e espiritual. Elas estão interligadas, mas a dor pode se manifestar primariamente numa dessas dimensões do ser humano. Você pode ter uma dor física causada, por exemplo, por um câncer, e isso afeta sua vida mental, social e espiritual, para melhor ou para pior, dependendo do que você faz com a dor e do que a dor faz com você.

Doença crônica é aquela que não tem cura, embora possa ter alívio das limitações que ela produz, diminuição do nível da dor, e do quanto ela atinge o estado emocional do indivíduo.

Dor crônica pode ser física, mental, social e espiritual. Elas estão interligadas, mas a dor pode se manifestar primariamente numa dessas dimensões do ser humano. Você pode ter uma dor física causada, por exemplo, por um câncer, e isso afeta sua vida mental, social e espiritual, para melhor ou para pior, dependendo do que você faz com a dor e do que a dor faz com você.

Seu chamado para uma vida de significado pode estar em sua dor, talvez aquela dor que não vai ser eliminada nessa existência, mas que você pode ser fortalecido para lidar com ela. Também é possível receber tratamento paliativo, o que é importante na tentativa de melhorar a qualidade de sua vida, apesar da doença crônica.

Existe uma dor mental chamada por filósofos de “angústia existencial”. Essa atinge todos os seres humanos. Nascemos com ela. Ela é transmitida de geração em geração. Ela se diferencia da angústia ou ansiedade psicológica que pode perturbar uma pessoa em função de conflitos em relacionamentos, inclusive consigo mesmo.

O que fazer com uma dor, uma limitação crônica que não tem cura? De um tempo para cá surgiu na Medicina especialistas em tratar dor crônica de origem física. Tem alguns medicamentos que aliviam isso, além de outros procedimentos em fisioterapia, e outras áreas da saúde.

Tem pessoas com dor total, que é a que apresenta raízes físicas junto com mentais, sociais e espirituais. A pessoa com dor total tem uma lesão física crônica, podendo ser um câncer com metástases; tem uma dor emocional podendo ser depressão; pode ter uma dor social como conviver num ambiente de trabalho corrupto sem querer se envolver nas mentiras, e pode ter uma dor espiritual como a perda da fé, raiva de Deus, falta de sentido para viver. Esses são exemplos de causas desses diferentes tipos de dor. Há muitas outras causas.

Talvez um grande alívio possa surgir, e em geral surge, diante da dor, quando você consegue aceitá-la. Isso não é fácil, porque vai ser necessário parar de culpar as outras pessoas, o “destino”, Deus, seus pais, ou quem quer que seja que possa estar ligado à sua dor. Aceitar é parar de brigar com as pessoas, com a realidade, com Deus e com você mesmo por causa da sua dor.

Quando vamos conseguindo aceitar nossa dor, a pergunta vai mudando de “Por que isso comigo?”, para “O que posso fazer com isso agora?” A psiquiatra Elizabeth Kubler-Ross, descreveu os cinco passos que uma pessoa passa diante de uma perda importante na vida dela. São eles: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Quando se consegue chegar na aceitação, não é que surge um estado eufórico ou alegre, mas sim serenidade. Para alguns casos de dor é interessante que a pessoa que consegue entrar profundamente no estágio de aceitação, pode até acontecer a diminuição da limitação e da dor. A dor que não passa pode ser aliviada com a aceitação do histórico dela, sem revolta, sem raiva, sem ressentimento, e com calma. A aceitação da limitação acalma a mente e favorece o funcionamento dos órgãos, fortalece a imunidade. Aceitar a dor que não passa alivia.

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A importância da verdade para a cura

quinta-feira, 28 de maio de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Psicoterapia é a busca da verdade da história emocional pessoal de maneira que o conhecimento dela pelo paciente, favoreça seu equilíbrio emocional, alívio de dores como ansiedade excessiva, tristeza duradoura, medo irracional, compulsões. 

Enterramos, não propositalmente, em nosso inconsciente verdades ligadas a fatos dolorosos vividos na infância e adolescência. Nosso psiquismo seleciona o que aguentamos pensar e perceber conscientemente e libera a tomada de consciência da dor do conflito básico se e quando estamos prontos para ver e sentir o que dói e por que dói.

Psicoterapia é a busca da verdade da história emocional pessoal de maneira que o conhecimento dela pelo paciente, favoreça seu equilíbrio emocional, alívio de dores como ansiedade excessiva, tristeza duradoura, medo irracional, compulsões. 

Enterramos, não propositalmente, em nosso inconsciente verdades ligadas a fatos dolorosos vividos na infância e adolescência. Nosso psiquismo seleciona o que aguentamos pensar e perceber conscientemente e libera a tomada de consciência da dor do conflito básico se e quando estamos prontos para ver e sentir o que dói e por que dói.

Podemos não estar prontos para ver o que precisaríamos perceber para o alívio mental. Isso é um dilema porque não podemos forçar a mente a liberar o conhecimento do que dói e ainda não conseguimos administrar conscientemente. E é um dilema porque não estando capazes emocionalmente de ver o que nos machucou, o que nos assustou, os sintomas permanecem.

Entrar no espaço da verdade de nossa dor emocional é curativo e pode nos fortalecer para lidar com outras dores que virão na vida. Vivendo o luto pelas perdas importantes em nossa vida, a resolução da dor se processa. Mas podemos permanecer com um luto ainda inacabado o qual resulta em um estilo de vida de autoproteção emocional.

Podemos nos proteger emocionalmente de maneiras diferentes da dor ainda não experimentada de forma libertadora. Pode ser por um apego excessivo a alguém ou a algo; ou ao usarmos substâncias para anestesiar as emoções dolorosas, por automutilação que substitui emoções insuportáveis por sensações definíveis, além de desvios da identidade sexual.

Trauma é uma resposta mental intensa a um evento que causa sofrimento e deixa machucados na memória e na mente como resultado de um evento angustiante. É uma resposta emocional a um evento que fere o conceito de identidade de uma pessoa. Trauma é a consequência de um acontecimento que abalou a pessoa, causando mudanças consideráveis no seu modo de funcionamento psíquico. Ele não é só um fato que ocorreu no passado, mas também uma marca que a experiência deixou na mente, no cérebro e no corpo. O trauma muda não só o modo como pensamos e o que pensamos, mas também a capacidade de pensar.

Quando uma pessoa que viveu traumas emocionais se torna adulta, ela deve reconhecer e lamentar a perda ligado aos eventos traumáticos do passado. Se defrontando com a verdade da história da dor, essa dor pode ser liberada e, assim, o alívio pode surgir sem a pessoa precisar seguir com um comportamento de defesa da dor que o afasta da verdade, da realidade, da originalidade do seu ser.

Quanto mais a pessoa é capaz de entrar em sua dor e resolver sua perda afetiva, menos se sente impulsionada ao comportamento disfuncional como uma forma de reparação. O processo de restauração do equilíbrio emocional prossegue ao aceitar a realidade da perda, ficando cara a cara com ela; ao reconhecer e confrontar seu significado, sentir o impacto emocional da perda com o apoio de um “outro significativo” empático (um terapeuta empático e honesto cientificamente); admitir a si mesmo a irreversibilidade da perda e aceitar a realidade de que não há como voltar atrás e desfazer a experiência.

Tomando esses passos de verdade da sua história de dor emocional, manifestada por dependência de substância, transtorno de ansiedade, depressão, alteração da identidade sexual, qualquer compulsão e outras defesas, é possível melhorar. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Jesus Cristo, João 8:32.

(Fonte: Bessel Van Der Kolk, M.D., professor de psiquiatria da Universidade de Boston, em “O Corpo Guarda as Marcas”, 2020)

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Cesar Vasconcellos de Souza

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A liberdade gera angústia

quinta-feira, 21 de maio de 2026
por Cesar Vasconcellos

Fomos criados por Deus com liberdade de escolha. Ser livre para escolher significa que podemos e precisamos decidir coisas diariamente e construir nosso caminho. É uma maravilha ter essa liberdade que está sendo ameaçada e será mais ainda num mundo caminhando a passos largos para a implantação do que usualmente chamam de “bem comum”. Só que esse “bem comum” envolve determinações ditatoriais, violando o direito constitucional de liberdade de escolha e religiosa.

Fomos criados por Deus com liberdade de escolha. Ser livre para escolher significa que podemos e precisamos decidir coisas diariamente e construir nosso caminho. É uma maravilha ter essa liberdade que está sendo ameaçada e será mais ainda num mundo caminhando a passos largos para a implantação do que usualmente chamam de “bem comum”. Só que esse “bem comum” envolve determinações ditatoriais, violando o direito constitucional de liberdade de escolha e religiosa.

A liberdade de escolha no campo psicológico envolve responsabilidade, risco e incerteza. A pessoa percebe que não pode culpar sempre os outros, a sociedade ou o destino pelas suas decisões. Essa consciência desperta angústia porque obriga o indivíduo a enfrentar a própria existência de maneira madura e consciente. A liberdade de escolha envolve o risco de escolher errado, e isso pode causar ansiedade em muitas pessoas.

Rollo May, psicólogo, teólogo, psicanalista e profundo pensador, afirmava que muitas pessoas desejam liberdade, mas ao mesmo tempo têm medo dela. Quando alguém percebe que pode mudar de vida, terminar relacionamentos destrutivos, abandonar vícios ou assumir novos rumos, também percebe que terá de lidar com as consequências dessas decisões. Assim, a angústia surge como um sinal de que a pessoa está diante de possibilidades reais de transformação. De certa forma essa angústia pode ser a expressão do medo do que se deseja.

Na visão existencial de Rollo May, a angústia não deve ser vista apenas como algo negativo ou patológico. Existe uma ansiedade “normal”, ligada ao crescimento humano. Ela aparece quando o indivíduo enfrenta desafios importantes, assume responsabilidades e busca viver de maneira autêntica. O problema acontece quando a pessoa tenta fugir dessa angústia por meio de comportamentos de fuga, como dependências, superficialidade, excesso de distrações ou submissão completa às expectativas alheias. Fugir continuamente da liberdade pode levar ao vazio interior e à perda do sentido da vida.

A ansiedade gerada pela liberdade de escolher pode ser administrada através de atitudes criativas e construtivas, mas também pode ser vivida de forma destrutiva, como através de compulsões para jogo, sexo, pornografia, drogas lícitas ou ilícitas, compulsão alimentar, fumo, compras, redes sociais, entre outras dependências.

Amadurecer é aprender a suportar a angústia da liberdade sem paralisar-se. A coragem, para Rollo May, não é ausência de medo, mas a capacidade de seguir adiante apesar da insegurança. A pessoa saudável emocionalmente reconhece seus limites, aceita que não possui controle absoluto sobre tudo e ainda assim escolhe viver de forma responsável e significativa. Dessa maneira, a angústia deixa de ser apenas sofrimento e pode tornar-se um caminho para autenticidade, crescimento pessoal e maior consciência da própria existência.

O ex-professor da UFRJ psiquiatra e psicanalista, dr. Eustáquio Portela dizia que o drogado se droga porque não pode ser Deus. Ou seja, não tolera a angústia da limitação, da impotência para tantas coisas, e possui limiar baixo para lidar com frustrações.

Lidar conscientemente com nossa angústia é um fator importante para nossa saúde mental, porque saúde mental não é a ausência de sentimentos dolorosos como ansiedade, medo, tristeza. Uma pessoa com boa saúde mental é a que quando experimenta tais sentimentos consegue lidar com eles sem fazer besteira, sem se drogar, sem fugir para comportamentos disfuncionais.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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