Wanderson Nogueira

Palavreando

Aos sábados, no Caderno Z, o jornalista Wanderson Nogueira explora a sua verve literária na coluna "Palavreando", onde fala de sentimentos e analisa o espírito e o comportamento humano.

26/11/2022

Música é poesia traduzida em sons. Embalam histórias, enfeitam romances, conduzem conquistas, atenuam ou exageram dramas. Inspiram e se inspiram na vida. Acalmam a alma. Aquietam dores, mas também as fazem gritar, sair, encontrar seu próprio eco, para quem sabe escapulir ou mergulhar. Para se salvar. A mesma cólera que liberta, aprisiona. O que é se salvar? 

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19/11/2022

Obra de arte que o negro esculpiu, ritmo oficial da marca Brasil, tem seu berço na casa de Ciata. Dos batuques vindos da África, do ritmo marcado pelos corpos escravizados, mas revolucionários em manter suas tradições, ritos, espiritualidades – identidade. 

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19/11/2022

Obra de arte que o negro esculpiu, ritmo oficial da marca Brasil, tem seu berço na casa de Ciata. Dos batuques vindos da África, do ritmo marcado pelos corpos escravizados, mas revolucionários em manter suas tradições, ritos, espiritualidades – identidade. 

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02/07/2022

Eu sou vulnerabilidade e a admissibilidade de ser vulnerável. Sou a esquina, a paixão intrometida, o beijo de carnaval na dança da festa junina. Eu sou o vinho que não vinagra. Sou os verões que passam e as primaveras que fincam, raízes no varal dos dias de chuva, raízes no quintal das noites de sol. 

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25/06/2022

Pulei a fogueira de São João só para poder te ver mais de perto. Comprei maçã do amor na primeira barraca que vi para tentar curar essa ânsia que é gostar de alguém.

Dizem que saciar a fome acalma os desejos para além do corpo. Não sei. Talvez fique mais gordo. Em festas juninas, isso é ainda mais possível pela soma de tantas iguarias ao talante de dançar com você para além da quadrilha.

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18/06/2022

É sobre amor. É tudo sobre amor. Todas as músicas soadas na fina agulha do tempo; todos os filmes condensados nos projetores de nossos anseios; todas as cartas que, na pretensão de ocultar intenções, entregam mais do que se pretendia revelar; todos os discursos empunhados como espada ou escudo para motivar a ida ou o ficar. Todos os clichês que colecionamos e reproduzimos, mesmo atentos, para não ser comum. 

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11/06/2022

Meu amor, te conheço mesmo sem sequer saber seu nome, mas já suponho te adorar e ao adorar, te prometo cuidado. Sabe, sei que vamos nos entender, mesmo quando não concordarmos. Porque seremos sempre dois, indivíduos, mas nós. Não me iludo com essas tolices de perfeição, mas acredito na felicidade. 

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28/05/2022

Ouçam mais Chico Chico, Chico César, Buarque... Esqueçam propagadores do mal. Intervenham sobre os mensageiros da ignorância. Intolerantes não merecem compaixão. Combatam a barbárie. Adiem ao máximo o fim do mundo, por isso, vigilância aos cavaleiros do apocalipse. Ajamos para derrubá-los com a veemência dos anjos celestiais. 

Consumam alegria. Invertam a lógica da felicidade punida e sintam a delícia de ser de verdade. Não temam. Não morram. Vivam, plenamente, com abundância. 

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07/05/2022

Minha mãe se chama Maria, como todas as minhas tias por parte de mãe. Todas as filhas de minha avó receberam um Maria precedido de seus nomes: Maria Arlete, Maria José, Maria Eronete. Junto com o nome Maria, receberam também o dom de serem mães. 

Admiro todas as Marias, especialmente minha mãe, é claro. Permitam que eu fale no presente, pois por mais que minha mãe não esteja mais aqui, fisicamente presente, ela segue comigo por todos os meus dias. 

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30/04/2022

Dancei mesmo sem saber dançar como me aconselhou Tim Maia. Soltar a mente foi o mais difícil. Abrir as asas de anjo foi fácil. Mas ao fim da noite, sempre me perco e não sei bem dizer se fui céu ou inverno. Mas volto a abri-las assim mesmo, sem medo de frio ou fogo. 

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