Wanderson Nogueira

Palavreando

Aos sábados, no Caderno Z, o jornalista Wanderson Nogueira explora a sua verve literária na coluna "Palavreando", onde fala de sentimentos e analisa o espírito e o comportamento humano.

05/02/2022

Somos escravos de nossos hábitos. Por isso, tão importante é preservar bons hábitos. Quem fala uma coisa e faz outra é tão desonesto quanto aquele que rouba.

Discurso que não é prática, é charlatanismo com a fé alheia. Discurso de ódio, discurso que mata é tão condenável quanto a prática do preconceito, da indiferença. O sangue que escorre na mão que faz, também está na boca de quem profere.     

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29/01/2022

“A gente tem muita paciência para erros da tecnologia, mas não temos a mesma paciência com o outro, com as pessoas”. À frase, que o sociólogo Dominique Wolton disse à minha turma de pós-graduação em Gestão Pública, acrescento que também não somos pacientes nem com a gente mesmo. 

Esse pensamento ecoou ainda mais interessante por conta de uma experiência que tive recentemente e pela qual todo mundo passa. Meu smartphone, do nada, simplesmente parou de funcionar. A tela preta, cheia de cores esquisitas pulando — tilt. 

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22/01/2022

Quando o céu cai sobre mim
Minha alma evapora
E por um instante deixo de ser eu.
Talvez, eu me transforme no nada.
Uma nuvem traiçoeira me engole
E logo depois me vomita.
A busca por uma chance
É, às vezes, uma saga
Outras, um desperdício.
Aí, ao abrir os olhos e voltar a mim,
Me pergunto
Se o céu, realmente, cai sobre mim
Ou se sou eu que voo ao encontro dele.

 

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15/01/2022

Todo mundo tem uma cachaça preferida. Mesmo os avessos ao álcool, mesmo os que não gostam do destilado. A cachaça é tão nossa que a usamos, inclusive, para falar de nossos bons vícios. 

“Esse jogo é uma cachaça”. “A vista desse lugar é uma cachaça”. “Assistir esse vídeo é uma cachaça”. “Fazer isso é uma cachaça”. “Aquela música é uma cachaça”. “Te ver é uma cachaça”. 

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08/01/2022

Ninguém precisa da sua permissão para ser feliz. Tampouco, você precisa da permissão de alguém para ser feliz. Por isso, viva e deixe viver. É como diz a música: “Não há tempo que volte, amor. Vamos viver tudo que há para viver. Vamos nos permitir”.  

Os tempos atuais, de julgamento fácil, não pedem ainda mais fiscalizadores de rabo. O mundo necessita é de pacíficos e empáticos. De quem consegue dar a outra face. De quem estende a mão, inclusive, para o que não compreende. 

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18/12/2021

 

Meus pés cansados seguem — porque ainda que meu corpo igualmente cansado não responda como eu gostaria — meu espírito é de esperança. Mesmo quando o mundo se mostra mal, mesmo quando sinto que estamos perdendo como humanidade, mesmo diante de tanta gente má vestida de bem, sigo com fé. Mais do que andar com fé, é preciso honrar essa fé na prática. 

Ao esperar, não honro a fé. Ao silenciar, não honro a fé. Inerte, também não honro a fé. Fé pede ação, tanto quanto sonhos sem ação são apenas sonhos. 

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11/12/2021

Onde mora a liberdade? Talvez a liberdade ainda more apenas nos sonhos. Essa tal liberdade, em que tantos matam e morrem por ela, não é liberdade. É o mal vestido de bem. É a crueldade travestida de bondade. É Cristo preterido para Barrabás, em nome da inventada liberdade religiosa que peca, destila ódio, crucifica. Seria diferente se Jesus Cristo viesse hoje? 

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04/12/2021

Os reis eram escolhidos por linhagem familiar de suposta escolha divina, quando não derrotados por sangrentas guerras ou por golpes menos facínoras, mas igualmente violentos e frutos da divindade. 

Mas o rei de Nova Friburgo é por merecimento e conquista. Sem armas ou invasão. Com música e poesia. Sem confabulações ou estratagemas. Com fé e coisas de amor. Mais do que isso: o coroado friburguense é também rei do apoteótico samba na sua mais fina bossa cigana. 

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27/11/2021

O mundo está muito depressa. Quero mais tempo para viver. Eu não quero morrer. Não que eu tenha medo da morte. Mas é que tenho muito apreço pela vida. Maior encantamento ainda pelas suas intensidades.

A intensa Clarice Lispector nos ensina: “a vida serve é para se morrer dela”. Não interpreto como um pensamento meramente existencialista. Encaro como se ela estivesse profetizando que o destino é certo: morrer. E já que esse é o fim de todos nós, que se morra cada hora consciente disso, e ao saber, que se faça bom proveito dos minutos a nós concedidos.

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20/11/2021

Que o corpo possa seguir as notas da música e cada célula possa escapulir nos falsetes que o artista faz. No envolvimento entre o físico e o sobrenatural, que a voz encontre mais do que os instrumentos, mas o paralelo entre existir e ser feliz. Pudera serem pleonasmo: existência e felicidade. Abundância que não tira do outro, mas se multiplica.    

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