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Quando meu pai era gigante

quinta-feira, 07 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Quando eu era pequeno, meu pai era o homem mais forte do mundo. Ele alcançava coisas no alto dos armários, carregava sacolas pesadas com uma só mão e tinha um jeito de abrir os potes de palmito que parecia mágica. Bastava um giro do punho e lá estava ele, sorrindo com o vidro aberto, como quem vence uma batalha invisível.

Quando eu era pequeno, meu pai era o homem mais forte do mundo. Ele alcançava coisas no alto dos armários, carregava sacolas pesadas com uma só mão e tinha um jeito de abrir os potes de palmito que parecia mágica. Bastava um giro do punho e lá estava ele, sorrindo com o vidro aberto, como quem vence uma batalha invisível.

Meu pai era desses homens que falam pouco, observam e fazem muito. Tinha um jeito quieto de amar — fazia o café passado na hora certa, o almoço de domingo, tentava me ensinar a jogar bola — embora eu nunca tenha aprendido muito bem. Dizia “eu te amo” com gestos, com presença, com olhos atentos aos meus passos desajeitados.

Havia nos seus olhos um cansaço, desses que os anos vão empilhando sem cerimônia. Só entendi depois, que crescer e abdicar de si pelo outro também dói. E que ser pai talvez seja carregar o mundo nas costas fingindo que ele não pesa. Fingindo que está tudo sob controle mesmo quando nada está.

Meu pai parecia saber de tudo, até daquilo que eu nem sabia perguntar. Ele me ensinava coisas sem parecer que estava ensinando. Como puxar assunto com o vizinho, como respeitar o tempo das pessoas, como apertar a mão com firmeza e olhar nos olhos. Quando dirigia, mostrava os caminhos da cidade e os da vida. Quando se calava, ensinava sobre a importância do silêncio. Um mestre escondido no corpo de um homem comum.

Achava que ele nunca chorava. Um dia, o vi desabar em lágrimas como nunca imaginei. Descobri, então, que gigantes também choram. E que o amor, às vezes, escapa por onde a gente menos espera. Um olhar, um bilhete, um gesto que parece simples, mas guarda um mundo dentro. Desde então, passei a reparar mais.

O tempo passou — como passa para todos os filhos e todos os pais. E aquele super poderoso ser humano foi se tornando um homem. A força de carregar pesos descomunais foi sumindo. As dores, crescendo. O seu jeito apressado foi substituído por andar mais devagar, como quem conta os passos. E eu, que agora sou adulto, tento não esquecer que ele ainda é o meu herói.

No espelho, às vezes, vejo os traços dele nos meus. O mesmo franzido entre as sobrancelhas, a mesma forma de falar sozinho pela casa quando penso demais, a mesma calvície de quando eu o chamava de careca. Herdei dele não só o jeito de andar, mas um modo de ver o mundo com simplicidade. Como se o segredo estivesse nas coisas pequenas: o modo de trabalhar, de cuidar das pessoas, de ser forte quando o mundo desaba.

Hoje, quando ele fala, eu escuto como quem recolhe diamantes. Às vezes, frases curtas. Outras vezes, lições. Algumas ditas com esforço, outras em forma de piada. Mas todas carregam um tanto de sabedoria que só quem viveu muito e amou mais ainda consegue passar. Meu pai me ensina, todos os dias, que o amor não precisa ser barulhento para ser verdadeiro. Que o afeto mora na constância.

O Dia dos Pais não é sobre presentes embrulhados com fita. É sobre memória. Sobre a lembrança do colo, do cheiro da camisa, da gargalhada que parecia trovão. Sobre as vezes em que ele fez, mesmo cansado, só para garantir que tudo estava bem. Coisas que, agora adulto, reconheço como amor em estado puro.

Se seu pai está por perto, abrace. Se já partiu, feche os olhos e abrace mesmo assim. Eles continuam conosco, morando em detalhes que só a saudade sabe apontar: uma música antiga, o nome de uma rua, um conselho que vem do nada. E a gente sorri, meio triste, meio grato, como quem recebe uma visita inesperada da memória.

E se você não conheceu seu pai, certamente teve ao lado alguma figura que assumiu esse papel. Às vezes foi o avô, o tio, o padrasto. Outras vezes, uma mulher — forte, incansável — que precisou reunir em si o carinho de mãe e a firmeza de pai. Porque o amor paterno, mesmo disfarçado, sempre encontra um jeito de chegar.

Ser pai é um ofício sem manual, sem folga, sem hora certa para dormir. E ainda assim, tantos se dedicam com coragem. Se reinventam, aprendem com os filhos, erram, acertam, seguem. São nossos primeiros heróis. E às vezes, mesmo depois de tantos anos, continuam sendo. Basta um gesto, um cheiro, uma história — e de repente, somos de novo os filhos de alguém.

Eu olho pro meu pai hoje como quem relê um livro querido: o tempo pode ter passado pelas páginas, mas cada palavra ainda carrega um valor imenso. E me orgulho de ter sido, um dia, seu menino. Porque no fundo, sempre seremos. Crescer não apaga o vínculo — apenas nos coloca, pouco a pouco, no lugar deles. E só então entendemos o quanto é difícil ser gigante.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

61 Socos num Elevador

quinta-feira, 31 de julho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A descida ao subsolo da nossa barbárie

O elevador subia. E o mundo, naquele instante, caía. Há lugares onde o tempo parece suspirar, onde o silêncio se instala entre um andar e outro, feito de aço, espelhos e rotina. O elevador é esse lugar de passagem, onde ninguém espera que algo aconteça. Mas naquele cubo metálico, o cotidiano foi rompido de forma brutal.

A descida ao subsolo da nossa barbárie

O elevador subia. E o mundo, naquele instante, caía. Há lugares onde o tempo parece suspirar, onde o silêncio se instala entre um andar e outro, feito de aço, espelhos e rotina. O elevador é esse lugar de passagem, onde ninguém espera que algo aconteça. Mas naquele cubo metálico, o cotidiano foi rompido de forma brutal.

O que deveria ser um trajeto breve tornou-se palco de uma violência que escancarou o que muitos ainda se recusam a ver: a fúria contra a mulher que decide ir embora. Juliana Garcia dos Santos, espancada com 61 socos dentro de um elevador, em Natal (RN), não é apenas o rosto machucado de mais uma vítima.

É o espelho da dor que tantas mulheres conhecem, mas que o mundo ainda tenta empurrar para debaixo do tapete. Os golpes não foram movidos por impulso. Foram entregues com método, com raiva fria, com a convicção de quem acredita ter o direito de punir. Aquela não era uma briga. Era um castigo por desobediência. Por dizer “não”. Por desejar liberdade.

Não chamemos de descontrole. Há uma lógica perversa por trás de cada gesto violento. Uma lógica que vem de longe, construída em silêncios e conivências, e que ensina — ainda hoje — que mulher é posse, que amor é dominação, que rejeição é ofensa. Essa lógica se disfarça de cuidado, se embala em presentes, se mascara em promessas.

Mas, no fundo, carrega uma vontade antiga de calar, submeter, punir. E é isso que os socos revelam: o fracasso de uma sociedade que ainda permite que amar seja sinônimo de machucar.

A agressão não começou ali, naquele minuto entre dois andares. Começou muito antes, nos dias em que o ciúme era chamado de zelo, em que as proibições vinham junto de “é para o seu bem”. Começou no isolamento dos amigos, no controle do celular, nas brigas por roupas ou horários. Começou nas pequenas humilhações cotidianas, aceitas porque “ele é assim mesmo”. A violência física foi apenas a última camada de uma prisão invisível, construída aos poucos, tijolo por tijolo, com aval do silêncio social.

Juliana tentou sair. E por isso apanhou. O corpo dela foi castigado não por erro algum, mas pela ousadia de escolher um novo caminho. Porque para o agressor, sair de casa, se afastar, pedir respeito — tudo isso era visto como rebeldia. E rebeldias, na cabeça de quem ama com ódio, devem ser sufocadas. Os socos, portanto, não buscavam apenas ferir: buscavam apagar a identidade, silenciar o desejo, reafirmar um poder que se sentia ameaçado.

Mas mesmo espancada, Juliana falou. Escreveu em um bilhete aquilo que sua boca, naquele momento, não conseguia dizer. Sua caligrafia trêmula tornou-se mais eloquente do que qualquer grito. Ali estava a força de uma mulher que, mesmo ensanguentada, se recusava a ser silenciada. E é esse bilhete que transforma dor em denúncia, medo em coragem, violência em memória. Um gesto pequeno que grita por todas as outras que ainda não conseguiram escrever.

As imagens da agressão circularam com força, invadiram telas, provocaram indignação. Mas o tempo das redes é breve, e a indignação cansa. Em poucos dias, a cena corre o risco de virar apenas mais uma entre tantas. Esquecida, arquivada, descartada. E é aí que mora o perigo: o de nos acostumarmos. O de assistirmos à barbárie com olhos cansados, sem nos perguntarmos o que podemos — e devemos — fazer para que ela não se repita.

O elevador, naquele dia, foi espelho. Mostrou a face de um mal que ainda se esconde em muitas casas, muitos relacionamentos, muitas rotinas. Mostrou que a violência contra a mulher não é exceção, mas sintoma. E que ela não acabará com leis apenas, mas com educação, com conversa, com coragem coletiva. Porque o problema não está só em quem agride, mas também em quem cala, quem desvia o olhar, quem relativiza o sofrimento alheio.

Todos sonhamos com um lugar de paz, com um horizonte bonito, talvez “Além das Montanhas”. Mas esse horizonte não será alcançado enquanto as mulheres precisarem temer o próprio lar, o próprio parceiro, o próprio caminho. A travessia para esse futuro exige que estejamos atentos nos espaços pequenos, nos corredores silenciosos, nos elevadores. Que sejamos companhia. Que sejamos voz.

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O brasileiro cansou da política ou só aprendeu a ignorar?

quinta-feira, 24 de julho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Todo mundo já ouviu — ou já falou — aquela famosa expressão: “Ah, política não é pra mim”. O problema é que, enquanto você foge da política, ela continua decidindo o valor do seu aluguel, a qualidade do seu ônibus e o preço do seu arroz. Fingir que ela não existe só faz bem para quem quer se esconder dela.

Todo mundo já ouviu — ou já falou — aquela famosa expressão: “Ah, política não é pra mim”. O problema é que, enquanto você foge da política, ela continua decidindo o valor do seu aluguel, a qualidade do seu ônibus e o preço do seu arroz. Fingir que ela não existe só faz bem para quem quer se esconder dela.

Tem gente que não assiste mais jornal, não vota com convicção, não sabe o nome do vereador da própria cidade. E, sinceramente? Dá pra entender. A política brasileira virou sinônimo de escândalo, decepção e promessas que morrem no palanque. É um ciclo de expectativas frustradas que esgota até o mais otimista dos brasileiros.

Mas será que o brasileiro realmente desistiu? Ou será que ele só cansou de se importar sozinho? Enquanto alguns gritam nas redes, muitos já não acreditam que vale a pena reclamar. A sensação é de que tudo já está decidido por cima. A política virou um jogo de cartas marcadas — e ninguém quer mais jogar.

 

Cada vez menos “Policarpos Quaresmas”

Lá no começo do século 20, Lima Barreto já deu um aviso que seguimos ignorando: a política não costuma tratar bem quem acredita demais nela. A obra “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” conta a história de um homem apaixonado pela pátria, pela cultura nacional, pela ideia de um país mais justo.

Policarpo era um servidor público metódico, honesto, obcecado por fazer do Brasil uma grande nação — e que, por isso mesmo, acabou morrendo nas mãos do próprio sistema em que confiava. Para uma narrativa publicada em 1915, o texto soa estranhamente bem atual.

Quaresma se apaixonou pela política como quem ama com fé cega. Tentou mudar o idioma oficial, defendeu uma agricultura nacionalista, e por fim se alistou na Revolta da Armada, acreditando que poderia ajudar o Brasil de verdade. No entanto, a política que ele tanto venerava o triturou como mais um número — um idealista perdido entre a indiferença do Estado e o cinismo dos poderosos. Morreu traído pelo exato país que queria consertar.

Hoje, ser Policarpo Quaresma virou quase um insulto. A paixão pela política dá lugar à desconfiança, o engajamento vira piada, e o idealismo é confundido com maluquice.

O brasileiro moderno prefere se proteger do que se envolver, rir do que se frustrar, ignorar do que se decepcionar. Ninguém quer morrer pela pátria — e muito menos morrer de decepção por ela. Aos poucos, estamos deixando de ser Quaresmas. E talvez o Brasil e Nova Friburgo nunca tenha precisado tanto de alguns.

 

Sentimento de apatia

Essa apatia coletiva não surgiu do nada. Ela é o resultado de anos de corrupção exposta, de representações que não representam e de instituições que parecem viver num mundo à parte. O cidadão comum olha para a prefeitura ou para a Câmara de Vereadores e não se vê ali. Parece tudo distante, sujo, inatingível — então pra quê se envolver?

O problema é que o silêncio político não é neutro. Ele é terreno fértil para oportunista. Quando a maioria se afasta, quem se aproxima são justamente os que mais se beneficiam da ausência do povo. A política, como a natureza, não tolera vácuos: se você sai, alguém entra. E nem sempre com boas intenções.

A descrença virou moda. E junto com ela, vieram os discursos perigosos: “todos são iguais”, “tem que fechar tudo”, “precisamos de alguém que mande de verdade”. Frases aparentemente simples, mas que escondem um desejo autoritário, travestido de impaciência. Cansamos da política... e começamos a flertar com soluções fáceis.

Enquanto isso, a democracia vai perdendo força, mas de forma silenciosa. Ninguém derruba a politicagem com tanques mais — é no cansaço, na indiferença, no tanto faz. O voto vai ficando vazio, o debate raso, o interesse ausente. E quando a gente percebe, quem fala por todos já não representa ninguém.

É claro que ninguém é obrigado a virar militante. Mas também não dá pra viver como se política fosse algo opcional, como se fosse possível se esconder da cidadania. Ela tá no IPTU, na fila do SUS, no preço do gás, no tarifaço, nas práticas contra a lei. Fugir dela não resolve. É como ignorar o vazamento do teto achando que a água vai cansar primeiro.

 

Somos cansados sobreviventes

Talvez o Brasil não precise de mais heróis. Heróis são para as epopeias, e a vida, no fundo, é feita de prosa, café e de cansaço. A política, com suas fanfarras e seus discursos urgentes, passa do lado de fora da janela como um desfile barulhento – e com bastante irregularidades fiscais. Nós, de dentro, apenas espiamos por uma fresta da cortina.

O nosso patriotismo – e não no sentido partidário, deixe-se claro - virou uma coisa doméstica, silenciosa. Mora no armário, junto com os retratos amarelados e as contas do mês. Cuidamos dele como quem cuida de um bibelô frágil, com medo de que uma lufada de vento o derrube da estante.

A verdade é que a Pátria, essa ideia que fez o pobre do Quaresma sonhar tão alto, para nós, encolheu. Hoje, ela tem o tamanho exato da nossa desesperança de um jogo com cartas marcadas, corrupção e TikTok. E ultimamente ficamos assim, vivendo em pontas de pés ao redor dele. Em silêncio. Para não fazer barulho e acordar a dor.

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Trocou-se a fantasia, mas a festa segue a mesma

quinta-feira, 17 de julho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nos últimos meses, Nova Friburgo tem vivido uma sequência de escândalos que envergonham até o mais otimista dos cidadãos. A cada semana, surgem novas informações sobre contratos suspeitos, valores incompatíveis com a realidade e a já conhecida promiscuidade entre o poder público e certos fornecedores.

Nos últimos meses, Nova Friburgo tem vivido uma sequência de escândalos que envergonham até o mais otimista dos cidadãos. A cada semana, surgem novas informações sobre contratos suspeitos, valores incompatíveis com a realidade e a já conhecida promiscuidade entre o poder público e certos fornecedores.

É como se a cidade estivesse presa num ciclo de repetições de más gestões e de escândalos sem fim: troca-se o palco, muda-se o evento, mas os personagens e os bastidores continuam os mesmos. Desde a época dos acalorados embates em Paulo Azevedo e Heródoto, passando pelos absurdos pós enchente até o presente momento.

 

Eventos são importantes, porém

É inegável que eventos públicos são importantes para a cidade. Eles movimentam a economia, atraem turistas, fortalecem o comércio local e geram oportunidades. Mas também é inegável que, em Friburgo, essas iniciativas têm sido tratadas como verdadeiros balcões de negócios.

Basta uma leitura atenta nos contratos publicados no Diário Oficial para notar incoerências gritantes: empresas recém-abertas vencendo licitações vultosas, estruturas superfaturadas, pagamentos adiantados e uma falta de transparência que já beira o deboche, especialmente se falando dos valores gastos com shows de artistas para o evento “Reforma Protestante”.

Enquanto isso, a cidade enfrenta dificuldades reais. O mato toma conta de praças e calçadas, o hospital segue ao léu, e os bairros mais distantes continuam esquecidos, sem infraestrutura mínima. Os servidores, que carregam a máquina pública nas costas, convivem com atrasos salariais, falta de insumos e promessas não cumpridas.

Mas, para os eventos, há sempre verba e espaço no orçamento — desde que os contratos caibam no bolso certo. E o mais irônico é que, em muitos desses contratos, o discurso é de valorização do turismo e da cultura friburguense. No entanto, os verdadeiros artistas da cidade sequer são, muitas vezes, os contratados.

 

Revolta, mas não surpreende

Em vez de servir à cultura, os eventos parecem servir a um grupo muito específico — sempre os mesmos, diga-se, o grupo de apoio político à atual gestão. A tal "turma dos eventos" virou piada pronta nas rodas de conversa e palco de um escândalo que dividiu os palcos políticos da cidade.

É triste ver o nome de Nova Friburgo envolvido em escândalos que poderiam ser facilmente evitados com transparência, ética e respeito ao dinheiro público. Mais triste ainda é ver que, mesmo diante de tantas denúncias, ainda há quem defenda o indefensável — seja por conveniência, por medo, ou por interesse.

Em uma cidade onde há artistas locais qualificados, produtores culturais experientes e mão de obra abundante, é curioso ver que apenas determinados nomes aparecem repetidamente nas contratações, como se fossem os únicos capazes de realizar uma festa ou um show.

É importante dizer que a crítica aqui não é contra eventos — ao contrário. A cidade precisa deles, especialmente em tempos difíceis, quando o lazer e a arte se tornam refúgios. Mas precisamos de eventos que respeitem a legalidade, que valorizem o artista local, que prestem contas dos seus gastos e que beneficiem a população como um todo, e não apenas quem está com o crachá certo no peito.

 

Fiscalização

O Ministério Público tem cumprido seu papel – ao menos no presente momento -, com investigações que já resultaram em ações, afastamentos e pedidos de explicações. Mas não pode agir sozinho. A Câmara de Vereadores, em grande parte omissa, precisa lembrar que o seu papel não é apenas votar projetos do Executivo, mas fiscalizar com independência.

No entanto, as audiências públicas têm, a cada dia, escancarado o distanciamento entre o discurso e a prática. Muitos vereadores se comportam como defensores da gestão, ainda que diante de fatos gritantes. Preferem o silêncio conveniente ao confronto necessário. Esquecem que foram eleitos para fiscalizar, não para aplaudir.

Esse alinhamento político com o Executivo, diante de fatos tão graves, enfraquece a democracia local e mina a confiança da população em soluções. Quando os vereadores deixam de questionar contratos suspeitos, de exigir transparência e de representar os interesses da comunidade, tornam-se cúmplices do que deveriam combater.

A Câmara não pode ser palco de conchavos e acordos velados, mas espaço de debate, fiscalização e coragem política. O povo não precisa de aliados do prefeito, mas de guardiões do interesse público.

Friburgo é uma cidade linda, cheia de potencial e com um povo trabalhador. Merece mais do que administrações que enxergam o serviço público como uma extensão dos próprios interesses. A cidade merece um novo capítulo, longe dos velhos vícios. Mas esse capítulo não vai se escrever sozinho. Vai depender da coragem de quem denuncia, da independência de quem fiscaliza e da consciência de quem vota.

Muitas pessoas sempre acharam que os textos desta coluna tinham tendência política, mas o tempo tem se encarregado de revelar que não era questão de lado — era questão de lucidez. Enquanto alguns preferiam o conforto da conveniência, optei por enxergar o que muitos insistiam em ignorar. Não se trata de oposição, mas de compromisso com a verdade, mesmo quando ela incomoda. Afinal, quem escreve com consciência antecipa aquilo que, mais cedo ou mais tarde, salta aos olhos de todos.

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A criação de ecossistemas para inovação

quinta-feira, 10 de julho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Se existe uma palavra que tem movido cidades, universidades e empresas pelo Brasil, essa palavra é inovação. Mas para que a inovação floresça, ela precisa de mais do que ideias: precisa de ambiente. Precisa de gente conectada, compartilhando saberes, recursos e oportunidades. É nesse contexto que entram os ecossistemas de inovação.

Se existe uma palavra que tem movido cidades, universidades e empresas pelo Brasil, essa palavra é inovação. Mas para que a inovação floresça, ela precisa de mais do que ideias: precisa de ambiente. Precisa de gente conectada, compartilhando saberes, recursos e oportunidades. É nesse contexto que entram os ecossistemas de inovação.

Esse ambiente é o que chamamos de ecossistema de inovação — um espaço vivo onde tecnologia, educação, empreendedorismo e políticas públicas caminham lado a lado. Não basta ter startups ou centros de pesquisa. É preciso que eles conversem, colaborem, troquem experiências e construam soluções em conjunto. O ecossistema é, antes de tudo, uma rede viva.

Na última semana, Nova Friburgo deu um passo nessa direção. Foi realizado o Workshop de Captação de Recursos, dentro do Projeto Ecossistema Local de Inovação – ELI, no auditório do Sebrae. A proposta do encontro foi reunir pessoas, instituições e empresas para pensar os caminhos possíveis de estruturar um verdadeiro ecossistema de inovação na cidade.

Fernanda Gripp, coordenadora regional do Sebrae, destacou a importância de conectar o que já existe: “O Sebrae já vinha atuando no ecossistema de inovação de Nova Friburgo desde 2018, com ações como a criação do Código Municipal de Ciência e Tecnologia. Esse histórico permitiu incluir a região no projeto nacional ELI, que busca fortalecer os ecossistemas locais. A iniciativa agora abrange todos os municípios da Regional Serrana I, com foco no desenvolvimento regional integrado.”

Floripa: referência em ecossistemas de inovação

Cidades que entenderam esse processo têm se destacado no cenário da inovação. Elas investem não só em tecnologia, mas também em gente, em articulação, em criar uma cultura onde errar faz parte do processo e onde inovar é algo cotidiano. O segredo está na conexão: ninguém inova sozinho.

Recentemente estive em Florianópolis-SC, cidade que hoje é considerada uma referência nacional em inovação. Não à toa, recebeu em 2024 o título de Capital Nacional das Startups. Lá, cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) vem do setor de tecnologia. E esse resultado não surgiu por acaso: é fruto de um ecossistema robusto, maduro e muito bem articulado.

Thiago Schütz, palestrante, conselheiro em Governança para Inovação, CEO do escritório de advocacia Silva Schütz, especializado no atendimento a startups, e envolvido em iniciativas como o projeto Flow Vista, que conecta inovação nacional ao mercado internacional, resume bem essa lógica: “Confiança e colaboração são o cimento do ecossistema. Nenhum ator, isoladamente, é capaz de criar um ambiente inovador sustentável. Empresas precisam confiar que governo e universidades não são apenas fiscalizadores ou geradores de burocracia, mas parceiros. Quando esses grupos colaboram, somam competências e compartilham riscos. Isso acelera a transferência de conhecimento, reduz gargalos regulatórios e cria pontes para internacionalização. Inovação é sempre um jogo coletivo, nunca individual.”

Em cidades como Florianópolis, essa cultura colaborativa foi construída aos poucos, com participação ativa de universidades, empresários e gestores públicos. Não se trata apenas de investir dinheiro, mas de cultivar relações. A inovação aparece como fruto de um ambiente fértil — e não como um raio que cai do céu.

“Quando iniciativas são contínuas e articuladas, acontece um fenômeno interessante: as conquistas de uns inspiram outros a empreender, investir e colaborar. Isso gera um ciclo virtuoso — as startups que crescem acabam, depois, mentorando ou investindo em novas empresas. O sucesso de um grupo retroalimenta o sistema, criando referências locais e, aos poucos, consolidando a reputação do ecossistema nacionalmente e até internacionalmente”, explica Thiago, com entusiasmo de quem vive esse ambiente no dia a dia.

Florianópolis abriga uma rede vibrante de ambientes de inovação que impulsionam o ecossistema local. Espaços como o Soho, a Acate, o Sebrae/SC, o Centro de Inovação da Acif, o Sapiens Parque e o Miditec servem como pontos de encontro para empreendedores, pesquisadores e investidores.

Esses locais oferecem suporte técnico, mentorias, eventos e conexões estratégicas que fazem a inovação circular. Juntos, formam um ecossistema onde ideias ganham vida e se transformam em negócios de impacto por todo o país.

E em Nova Friburgo? Há caminho e ele passa pela conexão

Nova Friburgo tem um ecossistema em construção, com uma base valiosa: um polo universitário respeitado, instituições como Uerj, Cefet, UFF e o Instituto Politécnico da Uerj, além de uma indústria de abrangência nacional sólida e criativa nos setores têxtil e metal mecânico. É um solo fértil, com talento, técnica e vocação para inovação.

O que falta, talvez, seja fazer essas peças se encontrarem. Muitos jovens se formam na cidade e acabam partindo, não por falta de capacidade local, mas por não enxergarem oportunidades conectadas com suas áreas. A solução está em aproximar ensino, mercado e empreendedorismo — e isso pode partir de todos nós.

Marcelo Verly, professor e articulador regional no ramo de inovação, acredita que esse movimento começa pela união dos ativos já existentes: “Quando os atores locais passam a trabalhar juntos, o ambiente de inovação se fortalece naturalmente. Não é preciso reinventar a roda, mas criar oportunidades reais de diálogo e ação conjunta”.

No fundo, inovar é isso: reunir pessoas para pensar e agir juntas, encontrando soluções criativas para os desafios locais. Friburgo tem histórias para contar, estrutura para crescer e gente disposta a fazer acontecer. O que falta são esses encontros que transformam ideias em realidade, construindo um ecossistema vivo, passo a passo, com vontade e propósito.

Esses encontros e conexões não precisam esperar por grandes investimentos ou ações grandiosas. Muitas vezes, começam em pequenos grupos, eventos locais, parcerias entre estudantes e empresas, ou mesmo em iniciativas comunitárias realizadas por grupos de WhatsApp.

Quando esses elementos estão integrados, nasce algo muito mais poderoso do que a soma das partes. As ideias fluem com mais rapidez, os recursos circulam com mais eficiência e as oportunidades se multiplicam. O que poderia ser apenas uma iniciativa isolada se transforma em um movimento coletivo com impacto real no território.

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Nova Friburgo e o Plano Diretor: entre o progresso e a preservação

quinta-feira, 03 de julho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Toda cidade precisa de um plano. Um norte, uma diretriz que defina como será o seu crescimento, onde podem surgir novas construções, o que deve ser preservado e de que forma os bairros devem se organizar. Esse plano existe, tem nome e papel central na vida urbana: é o chamado Plano Diretor.

Toda cidade precisa de um plano. Um norte, uma diretriz que defina como será o seu crescimento, onde podem surgir novas construções, o que deve ser preservado e de que forma os bairros devem se organizar. Esse plano existe, tem nome e papel central na vida urbana: é o chamado Plano Diretor.

Ele orienta o desenvolvimento das cidades para os próximos anos, equilibrando crescimento econômico, meio ambiente, transporte, moradia, qualidade de vida, entre outros fatores. Igualmente, é responsável por estabelecer a altura máxima de prédios na cidade e as regras basilares dos locais aptos a serem construídos imóveis, excluindo-se zonas de risco, por exemplo.

Debate

A prefeitura quer mudar o plano atual, de 2007, com uma proposta que considera novas realidades, como a mobilidade urbana, os riscos ambientais e a ocupação desordenada. Entre os principais pontos, estão a criação de um corredor de ônibus e um novo zoneamento que leve em conta a geografia da cidade. A ideia é promover um modelo de “cidade compacta”, onde a população se concentre em áreas já urbanizadas.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), no entanto, recomendou a suspensão da proposta enviada à Câmara de Vereadores. Segundo o órgão, faltou transparência no processo. A ausência de audiências públicas e de consultas à população desrespeita a Constituição e o Estatuto da Cidade. A recomendação é clara: nenhum avanço sem escuta ampla e participação popular.

Essa decisão interfere diretamente no calendário de mudanças da cidade. Por um lado, impede que decisões importantes sejam tomadas às pressas. Por outro, adia projetos que podem melhorar a qualidade de vida, como a criação de vias alternativas para o trânsito e os chamados Planos de Bairro — pequenas versões do Plano Diretor, adaptadas a cada localidade.

O novo documento traz uma inovação importante: é o primeiro do Brasil a usar o risco de desastres naturais como critério para o zoneamento ambiental. Em Nova Friburgo, cerca de 70% do território é suscetível a deslizamentos, enchentes e outros eventos geológicos ou hidrológicos, segundo o Serviço Geológico do Brasil. Para isso exige-se soluções mais seguras e sustentáveis, especialmente em uma cidade marcada por tragédias no passado.

Cidades mais verticais e menos caras

Na proposta atual, não se fala mais em expandir a cidade para áreas afastadas. A lógica agora é adensar a população nas regiões que já são urbanizadas. Com isso, o objetivo é conter a ocupação de áreas de risco e, ao mesmo tempo, preservar e até aumentar as áreas verdes. Uma escolha que combina sustentabilidade, segurança e racionalidade urbana — se for bem implementada.

Esse adensamento, no entanto, precisa ser feito com responsabilidade e estrutura para isso. Bairros como Braunes, Vila Amélia e Cordoeira, próximos ao Centro e com grandes terrenos, já chamam a atenção de grandes construtoras. Com preços ainda acessíveis, essas regiões podem ser alvo de intensa especulação imobiliária.

No entanto, em se falando de adensamento populacional, é certo que haverá a necessidade de reavaliação do Plano Diretor quanto à altura dos edifícios residenciais, sendo certo que a chegada de novos empreendimentos pode valorizar ou desvalorizar o preço dos imóveis da cidade e alterar profundamente o perfil dos bairros.

É verdade que mais imóveis no mercado podem ajudar a baixar os preços e facilitar o acesso à moradia. Mas isso também pode sobrecarregar a infraestrutura urbana: ruas, esgoto, escolas, postos de saúde etc. Sem planejamento, o que era solução vira problema. Por isso, o Plano Diretor precisa prever essas consequências e oferecer respostas inteligentes e justas.

Também é necessário lembrar que Nova Friburgo tem um déficit de infraestrutura imobiliária moderna. A maioria dos novos imóveis “diferenciados” da cidade ainda seguem padrões de construção extremamente ultrapassados, em comparação com o que se encontra hoje em grandes centros urbanos.

Na cidade, a maior parte dos investimentos em prédios está marcada pelas famílias mais abastadas da cidade, que compram um terreno e constroem um prédio para explorar comercialmente. Falta inovação, conforto, sustentabilidade e acessibilidade de uma cidade que quer crescer. A cidade precisa atrair investimentos de qualidade — e para isso, precisa-se de regras claras e mais flexíveis, para que seja atrativa.

Precisamos com urgência alinhar planejamento urbano, sustentabilidade e uma nova forma de pensar o mercado imobiliário da cidade. Hoje, Friburgo vive uma especulação descolada da realidade, que afasta investidores sérios e faz com que imóveis com pouca qualidade inflem o mercado com valores absurdos.

População

A participação da população, nesse contexto, não é um favor: é um dever. Desde o ano passado, foram realizados encontros com moradores, baseados em cinco eixos: mobilidade urbana e rural, infraestrutura nos bairros, regularização fundiária, áreas verdes e o patrimônio cultural. Várias propostas surgiram dali — como a criação de mapas com ações prioritárias e a reorganização do tráfego — e devem estar no plano final.

O novo Plano Diretor é uma oportunidade única de preparar Nova Friburgo para o futuro. Uma cidade bem planejada cresce com segurança, sustentabilidade e qualidade de vida. Isso exige diálogo, técnica e acima de tudo, coragem para tomar decisões difíceis. Que o município, em decisão totalmente acertada, saiba aproveitar essa chance de mudar Nova Friburgo — e que cada cidadão friburguense possa dizer, com orgulho, que também ajudou a construí-la.

 

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A Fevest e o coração têxtil de Nova Friburgo

quinta-feira, 26 de junho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Quem vive em Nova Friburgo há algum tempo sabe que junho não é só tempo de casaco, névoa e chocolate quente: é também tempo de Fevest. A tradicional Feira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria-prima não é apenas um evento no calendário: é um verdadeiro ponto de encontro entre inovação, tradição e negócios que movimenta os quatro cantos da serra.

Quem vive em Nova Friburgo há algum tempo sabe que junho não é só tempo de casaco, névoa e chocolate quente: é também tempo de Fevest. A tradicional Feira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria-prima não é apenas um evento no calendário: é um verdadeiro ponto de encontro entre inovação, tradição e negócios que movimenta os quatro cantos da serra.

Mais do que vitrines elegantes e desfiles arrojados, a Fevest é o reflexo da identidade produtiva de Nova Friburgo, que se consolidou, ao longo das últimas décadas, como o maior do polo de moda íntima em todo o Brasil – e com muito orgulho, nós friburguenses, batemos no peito para falarmos sobre essa conquista.

A Fevest, que começou na terça-feira, 24, e termina hoje, 26, é a vitrine anual onde os bastidores da indústria ganham holofotes: ali se revela a força de uma cadeia produtiva que vai do desenho ao acabamento, da costureira ao exportador, da qualidade da renda à qualidade do elástico.

Calcinhas, sutiãs e muito mais

A economia local de Nova Friburgo respira moda íntima. São milhares de empregos diretos e indiretos gerados por pequenas, médias e grandes confecções espalhadas por toda a cidade. Muitas dessas empresas são familiares, enraizadas nos bairros, passando de geração em geração como um verdadeiro legado. Outras surgiram quase por acaso, impulsionadas pelo talento e pela coragem de costureiras experientes que decidiram empreender.

A Fevest representa, para esse universo produtivo, muito mais do que uma vitrine. É uma oportunidade concreta de crescimento, de firmar parcerias e de conquistar visibilidade em um mercado competitivo. Mas é também uma experiência que conecta o presente ao passado, permitindo que cada expositor vivencie de perto a história viva — e ainda pulsante — da cidade, com toda sua identidade produtiva.

Durante os dias de feira, o impacto na economia local é visível. A rede hoteleira registra altos índices de ocupação, restaurantes e bares ficam mais movimentados, motoristas de aplicativo garantem uma rotina cheia de corridas, e o comércio em geral sente o aquecimento. É como se Nova Friburgo respirasse um novo ar: mais vibrante, mais cosmopolita, mais integrado ao que há de mais moderno no mercado nacional e internacional.

“Como comecei a atuar recentemente como autônoma, a Fevest representa uma grande oportunidade para mim. É um espaço onde estou ampliando meu portfólio, conhecendo novas empresas, trocando experiências e fazendo networking com profissionais da área. Tudo isso me ajuda a crescer profissionalmente, me motiva a seguir em frente e a buscar constantemente a melhora do meu trabalho”, explica Nathalia Senna, videomaker e storie maker que atua na cobertura de eventos e produção de conteúdo para marcas.

Mas o impacto vai além da semana do evento. Muitos negócios iniciados ali seguem gerando frutos ao longo do ano. São contratos fechados, parcerias firmadas, marcas lançadas e ideias que saem do papel. A Fevest também impulsiona a inovação: é ali que muitas empresas locais apresentam novas tecnologias têxteis, tecidos sustentáveis, designs autorais e soluções para produtividade.

“Estar na Fevest é essencial para a gente, principalmente pela visibilidade que ela traz para a marca e pelos novos contatos que surgem. Temos conseguido alcançar clientes do Brasil inteiro e até de fora, o que é muito importante para o nosso posicionamento. Como trabalhamos com público de atacado, que é quem movimenta nossa demanda, estar aqui fortalece tanto o branding quanto os negócios”, observam Davi Exposito e Thamata Lopes, empresários da Thatha Lopes Lingerie.

Outro aspecto fundamental é o papel social que a feira desempenha. Além de fomentar negócios, a Fevest valoriza o talento local. Desfiles, oficinas e palestras ajudam a qualificar profissionais, despertar vocações e incentivar jovens empreendedores. É um espaço de troca, de aprendizado e de valorização da criatividade — uma característica tão marcante no DNA friburguense.

A feira também colabora para manter viva a identidade da cidade como referência nacional em moda íntima, concorrendo com polos maiores e mais industrializados. Isso exige investimento, organização e, claro, uma dose de orgulho local. E esse orgulho aparece: nas peças bem-acabadas, nos stands caprichados, no sotaque que mistura timidez e confiança ao apresentar uma nova coleção.

Em tempos de economia instável, eventos como a Fevest são âncoras de desenvolvimento. Não só movimentam milhões em negócios, mas criam uma cadeia de valor que distribui renda e oportunidades por toda a região. Para muitos pequenos empreendedores, estar na Fevest é a chance de mostrar sua marca para compradores de fora, firmar presença no mercado e consolidar sua história.

Se Nova Friburgo fosse uma peça de roupa, a Fevest seria sua costura bem-feita: segura, firme e cheia de personalidade. É nela que a cidade reafirma seu lugar no mapa da economia criativa, mostra sua força produtiva e abre portas para o futuro. E por tudo isso, a feira é muito mais do que moda. É movimento, é identidade, é economia pulsando no ritmo das máquinas de costura e da criatividade serrana.

Enquanto houver costureiras afiadas, designers sonhadores e empresários dispostos a acreditar no que fazem, a Fevest continuará sendo um dos maiores orgulhos de Nova Friburgo. E que venham as próximas edições, com mais inovação, mais talento e mais renda girando — porque quando a feira cresce, a cidade inteira cresce com ela.

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​Israel, Irã, o prefeito e Friburgo

quinta-feira, 19 de junho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Embora a ironia do destino tenha levado o prefeito de Nova Friburgo a viajar para Israel em busca de soluções para a segurança, o mandatário acabou tendo que retornar às pressas, fugindo da insegurança que vive aquele país, que entrou em uma nova guerra – o que embora parecesse óbvio para muitos, não pareceu aos prefeitos brasileiros.

Embora a ironia do destino tenha levado o prefeito de Nova Friburgo a viajar para Israel em busca de soluções para a segurança, o mandatário acabou tendo que retornar às pressas, fugindo da insegurança que vive aquele país, que entrou em uma nova guerra – o que embora parecesse óbvio para muitos, não pareceu aos prefeitos brasileiros.

No entanto, o conflito entre Irã e Israel pode influenciar muito mais a vida do friburguense do que apenas acompanhar notícias de soldados, explosões, sirenes distantes ou as centenas de publicações realizadas no Instagram do prefeito sobre os riscos da sua viagem em busca de soluções de segurança.

Não é preciso ser especialista em política internacional para perceber que a tensão crescente entre Israel e Irã interfere em muito mais do que manchetes de jornal. Ela chega, por exemplo, ao posto de gasolina da esquina, ao carrinho de compras do mercado e à realidade de agricultores e empreendedores da serra fluminense.

As consequências dessas tensões internacionais chegam silenciosamente ao nosso cotidiano, afetando preços, o abastecimento de produtos essenciais e até mesmo a economia local. É um lembrete de que, mesmo vivendo entre montanhas, estamos conectados a um mundo cada vez mais interdependente e vulnerável às crises globais.

Guerra em Israel e seus possíveis desdobramentos

Israel bombardeou o Irã na sexta-feira, 13. O ataque ocorreu no mesmo dia em que as tropas israelenses completavam 616 dias de guerra ininterrupta contra a Faixa de Gaza. Essas duas ações foram intercaladas por bombardeios israelenses contra o sul do Líbano, a Síria e o Iêmen nos últimos meses.

Note que no espaço de um parágrafo, cinco países foram citados – Israel, Líbano, Síria, Iêmen e Irã – além de um território, Gaza, que muita gente sequer sabe dizer que status possui. Não é à toa que é difícil entender o que acontece; a situação é mesmo complicada e tende a se escalar para um nível ainda maior.

Nesse tabuleiro tenso, os Estados Unidos e a China desempenham papéis centrais. Washington é o principal aliado de Israel e tem enviado armamentos, recursos e apoio diplomático desde o início das hostilidades. Ao mesmo tempo, busca conter o envolvimento direto do Irã, para evitar um conflito regional de larga escala que comprometa seus interesses econômicos e estratégicos.

Já a China, que mantém boas relações com Teerã, adota uma postura de cautela — mas claramente busca aproveitar a crise para se firmar como mediadora e reforçar sua presença na diplomacia do petróleo. A disputa entre as duas potências por influência global, somada à instabilidade no Oriente Médio, gera um efeito dominó que chega rapidamente aos mercados de energia, de commodities agrícolas e às rotas marítimas de abastecimento.

Com a alta dos combustíveis, o encarecimento dos alimentos e a valorização do dólar, quem sentirá primeiro o impacto é o consumidor comum — inclusive aquele que abastece seu carro, faz feira e compra gás de cozinha em Nova Friburgo. O mundo, afinal, já não é feito de ilhas.

Além disso, não é exagero afirmar: desde 1991, o mundo não esteve tão perto de uma nova grande guerra. Disputas territoriais, alianças militares instáveis e o envolvimento de potências nucleares, e os EUA ficando para trás na economia, criam um cenário alarmante.

Inflação sobe

O Brasil, embora produtor de petróleo, ainda depende totalmente do mercado internacional para definir o preço dos combustíveis, especialmente, do Oriente Médio – um dos maiores fornecedores do país. Isso significa que, a cada míssil disparado no Oriente Médio, o friburguense sentirá o impacto no momento de abastecer.

Como o custo do transporte influencia toda a cadeia de abastecimento, o aumento no preço do diesel e da gasolina, por exemplo, se reflete também no frete de alimentos, no gás de cozinha, no material escolar e até no pão francês. Ou seja, é inerente que tenhamos um aumento da inflação nos próximos meses.

Vendas da região caem

O setor têxtil de Nova Friburgo, já pressionado por altos custos de produção, pode enfrentar ainda mais dificuldades diante da instabilidade internacional. A elevação no preço dos combustíveis e o encarecimento da energia impactam diretamente na fabricação e no transporte. Além disso, mercados compradores no exterior tendem a retrair pedidos em momentos de incerteza. Isso afeta não só a indústria, mas também o comércio e os empregos locais.

O polo metal mecânico, por sua vez, também não sai ileso. A importação de insumos encarece com o dólar alto e os gargalos logísticos, prejudicando a cadeia de produção. Muitas empresas trabalham sob demanda e sofrem com prazos mais longos e margens mais apertadas. O efeito é em cadeia: menos produção, menos faturamento, menos renda circulando na cidade.

Friburgo, o Brasil e o mundo

Pensar que Nova Friburgo está distante demais para ser afetada pelos conflitos entre Israel e Irã é uma ilusão confortável. Os impactos são indiretos, mas contínuos. Eles atravessam o posto de combustíveis, o supermercado, a roça, o terminal urbano e, sim, o gabinete do prefeito.

Reconhecer essas conexões é o primeiro passo para exigir políticas públicas mais preparadas para lidar com um mundo interdependente. Porque as montanhas podem até nos proteger das tempestades de verão, mas não nos isolam das turbulências globais.

 

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Do muro das lamentações ao hospital das desilusões

quinta-feira, 05 de junho de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O prefeito de Nova Friburgo foi para as redes sociais divulgar que irá atravessar o oceano para ir até Israel — sim, Israel, o país que está vivendo sob constante tensão geopolítica e em guerra aberta — buscar soluções para a segurança pública e inovação na cidade de Nova Friburgo.

O prefeito de Nova Friburgo foi para as redes sociais divulgar que irá atravessar o oceano para ir até Israel — sim, Israel, o país que está vivendo sob constante tensão geopolítica e em guerra aberta — buscar soluções para a segurança pública e inovação na cidade de Nova Friburgo.

Enquanto isso, por aqui, a cidade vive sua própria guerra: uma guerra silenciosa, cotidiana, contra a falta de estrutura, de humanidade e de gestão. Uma guerra que mata três friburguenses por dia dentro do Hospital Municipal Raul Sertã. Só que, diferente de Israel, por aqui o inimigo não é um exército. É o descaso.

Terra prometida

A viagem do prefeito à Terra Santa seria cômica, se não fosse trágica. O prefeito aparece sorridente nas redes sociais, anunciando sua ida em missão oficial representando Nova Friburgo, como se isso fosse um excelente marco diplomático. No entanto, estamos atravessando uma das maiores crises da saúde da cidade sem atitudes imediatas.

Qual o sentido de buscar soluções para segurança pública em outro continente quando não conseguimos garantir que uma pessoa saia viva de um hospital municipal? Segurança pública começa por salvar vidas — e o prefeito está literalmente ignorando as que estão sendo perdidas debaixo do seu nariz.

Como denunciado pelo vereador Marcos Marins, em audiência pública, a conta é cruel: a taxa de mortalidade dos internados no Raul Sertã em 2024 foi de 14,18%. Um a cada sete morre durante a internação. Três por dia. Isso é três vezes a média nacional do SUS.

Terra de promessas

Para uma questão de dimensão, o número de mortes por ano dentro do Hospital Municipal Raul Sertã corresponde a números superiores a tragédias naturais que chocaram todo o país, inclusive a catástrofe climática de 2011. Nos últimos quatro anos, as denúncias foram muitas.

Em outubro de 2023, parte do forro da recepção do Centro de Tratamento de Urgência do Hospital Raul Sertã desabou durante uma forte chuva. A Defesa Civil identificou que o incidente foi causado pelo acúmulo de água no telhado, devido à capacidade insuficiente das calhas para escoar a água. O episódio evidencia a precariedade da infraestrutura do hospital.

Além disso, em março de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Baragnose, que investigou fraudes em licitações relacionadas ao fornecimento de refeições no HMRS. As investigações apontaram para a existência de um esquema criminoso envolvendo servidores públicos e empresários, que teriam forjado justificativas para dispensar licitações e favorecer determinadas empresas. O caso resultou no bloqueio de quase R$ 12 milhões de envolvidos, incluindo ex-prefeitos e ex-secretários de saúde.

Ainda, em abril de 2024, uma fiscalização realizada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro constatou diversas irregularidades no HMRS, como infiltrações nas paredes, mobiliário precário, falta de água potável, climatizadores e locais adequados para acomodar pacientes e acompanhantes.

Por fim, e não menos importante, foi identificado que o hospital não possui liberação das instalações pelo Corpo de Bombeiros e carece de uma brigada contra incêndios. O relatório também apontou a ausência de um plano diretor para reformas estruturais e melhorias nos serviços prestados.

Cidade das lamentações

Em vez de ajoelhar-se diante do Muro das Lamentações, o prefeito deveria andar pelos corredores do hospital e ouvir as verdadeiras lamentações: de mães esperando por atendimento, de idosos esquecidos em macas improvisadas, de médicos exaustos, de famílias destruídas pela falta do básico.

Israel enfrenta bombardeios, Nova Friburgo lida com um massacre invisível, diário e tão devastador quanto qualquer míssil. Só que aqui, não há sirene de alerta. Só o silêncio constrangedor de quem finge que está tudo bem.

A comparação é dura, mas necessária. Em Israel, há sistema de defesa, investimentos maciços em segurança. Em Nova Friburgo, há abandono institucional, filas para atendimento emergencial, estruturas caindo aos pedaços. Em Israel, há refúgios antiaéreos. Aqui, não temos sequer um lugar digno para tratar pneumonia.

A viagem não só é inútil — é ofensiva. É uma ofensa às famílias enlutadas. É uma ofensa aos servidores da saúde que viram mártires da negligência. É uma ofensa à inteligência do cidadão. E mais que tudo: é um símbolo do quão distantes estão as prioridades do governo em relação ao que realmente importa.

Estamos em guerra, sim. Mas é contra o colapso da saúde, da dignidade, da empatia. E o prefeito não está no front — está fazendo turismo institucional, gastando verba pública para buscar “ideias” que não servem à nossa realidade. Em vez de importar soluções de um país em conflito, por que não resolver primeiro o nosso próprio campo de batalha?

Nova Friburgo não precisa de discurso internacional. Precisa de gestão local. Precisa de quem bote a mão na massa, não nas redes sociais. O povo não quer intercâmbio político com países de guerra. Quer sobrevivência em países em paz. E o mínimo que se espera de um líder em tempos de crise é presença.

O Muro das Lamentações é um lugar sagrado. O Raul Sertã, hoje, é um lugar profano. Sagrado deveria ser o direito à vida. Mas, em Nova Friburgo, esse direito está sendo enterrado diariamente — e o responsável por enfrentá-lo prefere pedir bênçãos do outro lado do mundo, enquanto aqui só restam orações.

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Problemas na saúde: o drama que Friburgo vive

quinta-feira, 29 de maio de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A cena se repete em quase toda cidade brasileira — e Nova Friburgo, infelizmente, não é exceção. Você acorda cedo, vai até o posto de saúde, pega senha, enfrenta fila. Depois de horas de espera, ouve: “o médico não veio” ou “volte outro dia”. Parece piada, mas é o cotidiano de quem depende do SUS.

A cena se repete em quase toda cidade brasileira — e Nova Friburgo, infelizmente, não é exceção. Você acorda cedo, vai até o posto de saúde, pega senha, enfrenta fila. Depois de horas de espera, ouve: “o médico não veio” ou “volte outro dia”. Parece piada, mas é o cotidiano de quem depende do SUS.

O Sistema Único de Saúde é uma conquista nacional, mas anda tropeçando nas próprias pernas. A falta de médicos, a demora em exames e a superlotação são problemas reais. Em Friburgo, moradores enfrentam filas longas até para atendimento simples. E quando conseguem vaga, ainda precisam torcer para ter remédio.

Não é difícil encontrar quem esteja há meses esperando por uma ultrassonografia. Exame de sangue mais específico? Só com muita paciência — ou sorte. Tem gente que desiste e vai direto para a emergência - e quando chega na emergência, é mandado embora. E tem idoso que aguarda cirurgia há tanto tempo que até perdeu a esperança.

Estado crítico

A situação nas unidades básicas é crítica. Em vários bairros, o atendimento é intermitente ou insuficiente. Falta clínico, falta pediatra, falta especialista. Nos distritos, como Lumiar e Amparo, o problema é ainda mais grave. Quando o médico aparece, é uma vitória. Parte do problema está na dificuldade está na administração pública ser efetiva na rede pública. Os salários são atrativos, mas a infraestrutura e a fiscalização. Resultado: postos vazios, pacientes sem atendimento, exames e medicamentos em falta.

Muitas unidades não têm estrutura mínima para funcionar e basta estar nos locais para perceber isso. Faltam materiais, equipamentos, insumos básicos. Consultórios mal equipados e quase nenhuma fiscalização por parte dos órgãos. O profissional quer trabalhar, mas não tem como.

Raul Sertã

Em Friburgo, o Hospital Municipal Raul Sertã vive sempre no limite. Emergência lotada, plantões sobrecarregados, pacientes nos corredores. O hospital faz o que pode, especialmente com a força e garra dos enfermeiros, mas carrega nas costas boa parte da demanda da região. E sem reforço, o colapso é questão de tempo.

Os postos de saúde deveriam resolver 80% dos casos, mas nem sempre têm equipe completa e o atendimento esperado. E aí tudo vai parar no hospital. Quando a base falha, o topo desaba. A atenção primária precisa ser reforçada — com médicos, enfermeiros, técnicos, psicólogos, dentistas e agentes de saúde.

Enquanto isso, o friburguense espera. Espera exame, espera consulta, espera atendimento. Muitos deixam de tratar a tempo e acabam agravando doenças. Muitos são mandados embora sem a menor condição de serem mandados embora. A fila cresce e o sofrimento também. O tempo perdido pesa — e, em saúde, tempo vale vida.

Precisamos de soluções para ontem

Soluções existem, mas exigem vontade política e planejamento sério. Outra: a valorização dos profissionais da saúde, com boas condições de trabalho. Ninguém quer atuar onde falta tudo e sobra pressão. No fim das contas, a indignação dos pacientes é repassada para quem menos tem culpa: os funcionários de atendimento e enfermeiros.

A informatização dos atendimentos, embora seja aplicada em Nova Friburgo, também pode ajudar. Prontuário eletrônico, agendamento online, controle de estoque de medicamentos. A tecnologia está aí e precisa ser usada a favor da população. Hoje, muita coisa ainda funciona no papel.

Outra alternativa viável é ampliar o uso da telemedicina. Muitas especialidades poderiam atender remotamente, reduzindo a fila. Psiquiatras, neurologistas, endocrinologistas são raros na rede pública. A consulta online pode ser uma ponte, especialmente nos bairros mais afastados e profissionais de outras regiões atenderem.

Audiências públicas acontecendo

O dever da população: cobrar, fiscalizar, participar e se indignar. Da mesma forma que elogiamos quando o trabalho é bem feito, nas redes sociais, temos também que nos indignar. As audiências públicas estão abertas a todos. A pressão popular é importante para mudar prioridades. Afinal, não há motivo para tanto valor gasto em festa e saúde sendo deixada pra depois.

Friburgo é uma cidade que valoriza sua gente. E gente saudável vive melhor, produz mais, sonha mais alto. Não podemos aceitar que o acesso à saúde básica vire privilégio. Embora muitos possuam plano de saúde, o SUS é para todos — e precisa funcionar para todos.

O friburguense não quer milagre. Quer respeito, dignidade, cuidado. Quer sair do posto com um diagnóstico, não com uma desculpa. Quer atendimento humano, estrutura decente, fila justa. Quer dar entrada em uma maternidade e ter a certeza que só sairá de lá, se realmente puder sair de lá. Não é pedir demais — é pedir o mínimo.

Enquanto isso não acontece, seguimos esperando. Mas sem calar. Porque se tem algo que não pode faltar num sistema de saúde, é voz. E a nossa precisa ser ouvida, alta e clara, porque o SUS em Nova Friburgo, berra por socorro.

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