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No vermelho: o Brasil que vive a prazo

quinta-feira, 16 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Se antes o brasileiro brincava dizendo que “dinheiro é um hóspede que nunca dorme em casa”, agora a piada perdeu a graça. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 30,2% das famílias estão inadimplentes — é o maior índice em quase dois anos. São mais de três em cada dez lares com contas atrasadas, e isso diz muito sobre o país que estamos nos tornando.

Se antes o brasileiro brincava dizendo que “dinheiro é um hóspede que nunca dorme em casa”, agora a piada perdeu a graça. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 30,2% das famílias estão inadimplentes — é o maior índice em quase dois anos. São mais de três em cada dez lares com contas atrasadas, e isso diz muito sobre o país que estamos nos tornando.

Não é difícil entender o motivo. A taxa de juros está em 15% ao ano, e o crédito, cada vez mais curto e caro. O consumidor compra o básico — um eletrodoméstico, um remédio, o material escolar dos filhos — e já sente o peso do parcelamento. E quando a renda não cresce no mesmo ritmo, a conta chega. E chega rápido.

O brasileiro vive num eterno malabarismo: tenta pagar as contas, equilibrar o orçamento e ainda manter um mínimo de dignidade no consumo. Só que a matemática não fecha. Tudo ficou mais caro, o salário não acompanhou, e o cartão de crédito virou o bote salva-vidas que também serve de âncora.

 

Dívida x inadimplência

É importante lembrar: estar endividado não é o mesmo que estar inadimplente. O endividado ainda paga as parcelas, mesmo com aperto. O inadimplente é aquele que já não consegue mais. E é aí que mora o drama — porque a inadimplência não cobra só juros, ela cobra saúde mental, relacionamentos e noites de sono.

Muita gente hoje trabalha para pagar o que comprou meses atrás. O salário chega, mas já vem comprometido: aluguel, escola, mercado, remédios, gasolina. O dinheiro não circula, apenas passa. E com os bancos encurtando prazos e elevando taxas, o crédito se tornou mais defensivo — um favor caro, não uma solução.

O cartão de crédito segue como o maior vilão, presente em 84,5% dos casos de endividamento. Ele dá a sensação de poder, mas é um poder ilusório. Permite comprar o que o salário não cobre, e prende o consumidor em juros de 400% ao ano. É uma armadilha moderna, vendida com sorriso digital, “cashbacks” e limites pré-aprovados que soam como generosidade, mas escondem o abismo.

 

Cenário de Nova Friburgo

Em Nova Friburgo, a realidade não é diferente — e talvez seja até mais sentida. O comércio, que já enfrenta meses de vendas mais fracas, sente o reflexo direto da inadimplência. Lojas de roupas, eletrodomésticos e até farmácias relatam que o cliente compra menos, negocia mais e volta a pedir “pra anotar no caderno”. O retrato do comércio friburguense revela uma cidade que se esforça para manter o consumo, mas esbarra na renda curta.

Os números nacionais ganham rosto na serra. São famílias de renda apertada, pequenos empreendedores, autônomos e servidores que perderam o equilíbrio financeiro com o aumento do custo de vida. E veja: falamos de uma cidade do interior, onde o custo é considerado baixo se comparado às capitais. Mesmo assim, o básico pesa. O aluguel subiu, o mercado encareceu, e o cafezinho de fim de tarde virou luxo ocasional.

Por trás desses dados há histórias que não cabem em tabelas. A inadimplência, em Friburgo e fora dela, não é apenas econômica: é emocional. É a mãe que atrasa o plano de saúde, o pai que corta o lazer, o autônomo que não sabe se paga o fornecedor ou o aluguel. É o comerciante que vende a prazo torcendo para o cliente não sumir. O endividamento cobra caro: em culpa, ansiedade e preocupação.

E há um detalhe que passa despercebido: a dívida também isola. Muita gente se afasta de amigos, evita falar de dinheiro e carrega o peso do “fracasso financeiro” como se fosse culpa individual — quando, na verdade, é um problema coletivo, de um sistema que empurra o cidadão ao crédito antes de oferecer condições dignas de renda.

 

A conta não fecha

A ironia é que, enquanto o brasileiro faz malabarismo para fechar o mês, os lucros dos bancos seguem recordistas. O sistema financeiro não sofre crise: se adapta, se reinventa e sempre cobra. Há tecnologia para tudo — menos para aliviar o bolso de quem vive de salário. O lucro é trimestral; o sufoco, diário.

Nova Friburgo também aprendeu a viver no fiado — do mercado do bairro ao cartão de crédito, a confiança virou moeda. Mas o fiado moderno tem aplicativo, juros compostos e data de vencimento automática. O problema é que a conta, cedo ou tarde, vence. E o boleto que o país precisa encarar não é só financeiro — é moral, social e emocional.

A inadimplência é o espelho de um país cansado. Gente que trabalha, produz, se esforça, mas ainda assim termina o mês com o extrato negativo. Talvez o maior desafio do futuro não seja ampliar o crédito, e sim devolver o fôlego. Porque, no fim, a inadimplência é só o sintoma de um país — e de uma cidade — que há muito tempo não consegue pagar o preço de si mesmo.

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A vida mais careta: o novo normal

quinta-feira, 09 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Os recentes casos de intoxicação por metanol voltaram a colocar o álcool no centro de uma discussão antiga: o que leva o brasileiro a beber — e, mais recentemente, a deixar de beber. As mortes e cegueiras causadas por bebidas adulteradas chocam não apenas pela tragédia, mas pelo contraste com outro dado: metade dos brasileiros afirma ter reduzido o consumo de álcool no último ano. O país parece estar trocando o hábito pelo receio — e, de certa forma, se tornando mais cauteloso.

Os recentes casos de intoxicação por metanol voltaram a colocar o álcool no centro de uma discussão antiga: o que leva o brasileiro a beber — e, mais recentemente, a deixar de beber. As mortes e cegueiras causadas por bebidas adulteradas chocam não apenas pela tragédia, mas pelo contraste com outro dado: metade dos brasileiros afirma ter reduzido o consumo de álcool no último ano. O país parece estar trocando o hábito pelo receio — e, de certa forma, se tornando mais cauteloso.

De um lado, cresce o número de pessoas que abandonaram o hábito por motivos de saúde, bem-estar e mudança de estilo de vida. De outro, o medo de produtos inseguros e a desconfiança sobre o que se consome também afastam muitos das garrafas e copos. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: o brasileiro está bebendo menos — por convicção ou por precaução. É um novo tipo de sobriedade, mais associada à prudência do que à moral.

Os episódios recentes envolvendo metanol escancararam um problema antigo. Bebidas falsificadas circulam com facilidade em mercados informais, sem controle sanitário ou tributário. O consumidor, muitas vezes, não desconfia: o rótulo é convincente, o preço é atraente e a procedência, duvidosa. O metanol, usado de forma criminosa para baratear a produção, é um veneno capaz de causar cegueira e morte em poucas doses.

 

Mudança cultural

Paralelamente a esses casos, há uma mudança cultural silenciosa. O levantamento do Datafolha mostra que 53% dos que bebem reduziram a ingestão de álcool e que 34% dos abstêmios evitam beber por preocupação com a saúde. É o reflexo de um comportamento mais consciente, que não depende de proibição, mas de informação. O país começa a olhar com mais seriedade para os efeitos do álcool — tanto no corpo quanto na rotina.

Essa mudança se reflete também na vida noturna. Em várias cidades, o movimento dos bares diminuiu, as festas perderam fôlego e o “rolê” deixou de ser semanal. Parte disso vem do bolso: o lazer ficou caro, e uma noite de bar pode custar o equivalente a um dia inteiro de trabalho. Mas há algo mais profundo — o encanto da madrugada perdeu espaço para a rotina do dia seguinte, com treino cedo, trabalho remoto e sono regulado.

 

Nova Friburgo mais pacata

Não apenas em Nova Friburgo, mas em todo o mundo, a transformação é visível. As ruas que há poucos anos ferviam nas noites de sexta e sábado, hoje mostram um movimento mais tímido. Alguns bares fecharam, outros se adaptaram a um público que prefere comer bem, conversar e voltar cedo pra casa.

Até em festas tradicionais, nota-se uma redução da duração desses eventos, que tem acabado mais cedo. A ressaca já não combina com a manhã seguinte de trilha, pedal ou feira de orgânicos.

Essa mudança pode soar careta, mas talvez seja apenas um novo tipo de maturidade coletiva. Há quem lamente a perda do espírito boêmio, mas há também quem veja nisso um sinal de evolução. A sobriedade, nesse contexto, não é sinônimo de tédio — é de consciência. O Brasil que um dia foi famoso pela caipirinha e pelo carnaval começa a se reconhecer em outras formas de prazer, mais simples e seguras.

Talvez os casos com metanol tenham apenas revelado algo que já vinha se desenhando: um afastamento progressivo do álcool, movido menos por tragédias e mais por uma nova percepção de cuidado. O brasileiro está aprendendo a recusar a bebida não apenas porque teme o que ela pode causar, mas porque já não sente que precisa dela.

E, se há algo positivo em meio a tantos alertas, é constatar que o copo do brasileiro anda mesmo mais vazio — e, dessa vez, isso pode ser um bom sinal.

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Entre telhas coloniais e batatas fritas

quinta-feira, 02 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O casarão permanece ali, altivo, como um velho senhor que já viu gerações desfilarem diante de suas janelas. Suas paredes sabem de segredos que não foram escritos, suas telhas já ouviram a canção da chuva incontáveis vezes. Agora, de repente, esse guardião da memória veste um novo adorno: os arcos dourados de uma rede de fast-food que fala a língua da pressa.

O casarão permanece ali, altivo, como um velho senhor que já viu gerações desfilarem diante de suas janelas. Suas paredes sabem de segredos que não foram escritos, suas telhas já ouviram a canção da chuva incontáveis vezes. Agora, de repente, esse guardião da memória veste um novo adorno: os arcos dourados de uma rede de fast-food que fala a língua da pressa.

Há quem lamente, como se fosse uma derrota do passado. Mas talvez o casarão não tenha se rendido a nada: tenha apenas encontrado outro modo de continuar vivo. Ele, que já foi palco de tantas histórias, agora se abre para outras. Não se apaga o que foi; soma-se o que é. E Nova Friburgo, que carrega em seu nome o paradoxo do novo e do antigo, mostra mais uma vez que o tempo não destrói: ele transforma.

Outras cidades já aprenderam essa lição. Em São Paulo, um prédio histórico abriga o chamado Méqui 1000, onde a arquitetura antiga convive com a logomarca mundialmente reconhecida. No Rio, casarões do centro viraram cafés e livrarias que atraem turistas justamente pela mistura improvável, entre o antigo e o novo.

Em Lisboa, muitas padarias se tornaram pontos de visita obrigatória. Não porque resistiram intactas, mas porque aceitaram a parceria com o tempo. A história da cidade, afinal, não é museu parado, mas dinâmico e dando novos ares ao lugar em que tantas histórias passaram.

O antigo ainda pulsa na cidade em suas praças, nos trilhos da ferrovia esquecida, nas casas coloniais que insistem em sorrir para o presente. Essa memória não se desfaz porque uma fachada ganha outro uso. Ao contrário, ela se multiplica. O casarão do hambúrguer talvez se torne, no futuro, mais lembrado do que se estivesse fechado ou em ruínas. Pois a vida não se conserva na redoma, mas no uso que lhe damos.

Talvez se a Fábrica Rendas Arp não passasse pela reformulação de ser um Open Shopping, suas portas continuariam fechadas apenas às lembranças de quem já passou por lá. E muitas vezes, passava na frente sem nem lembrar que o espaço existia, se contentando em dizer: “já vivi tanta coisa aí por dentro”.

O mesmo para lojas em prédios antigos no centro da cidade, como a Estilo Livre, na esquina da Monte Líbano que possui um prédio lindo e super bem conservado. A verdade é que o coração se apega ao que conhece, como se cada janela da cidade fosse também uma janela da infância.

Talvez por isso seja tão duro ver a mudança de perto. Mas a vida é como um rio: nunca é a mesma de um dia para o outro. O casarão não deixa de ser casarão só porque abriga lanches rápidos. Ele continua sendo espaço de encontro e com um projeto que promete trazer ainda mais visibilidade para um local que estava esquecido.

E há beleza nesse contraste. As telhas antigas, que já testemunharam carruagens, agora veem aplicativos de entrega estacionando na porta. As janelas que um dia guardaram silêncios, hoje refletem o néon da pressa. Não é contradição: é continuidade. Pois aquilo que muda também preserva, de outro modo, a essência do que sempre foi.

Nova Friburgo é o retrato da mudança. Nasceu do encontro de mundos distintos: suíços com brasileiros, montanha com cidade, inverno rigoroso com calor humano. Agora vive mais um desses encontros, e não será o último. Talvez a pergunta não deva ser se o novo destrói o antigo, mas como o antigo ensina o novo a ter raízes. Um McDonald’s dentro de um casarão não precisa ser símbolo de perda: pode ser símbolo de reinvenção.

Um dia, olhando para trás, alguém dirá: “Aqui, a cidade não deixou morrer um prédio. Ela lhe deu outra vida.” O arco dourado não apagou o frontão antigo, apenas o enquadrou de outro jeito. E, nesse convívio improvável, o casarão ganha novas histórias para contar. Pois a cidade, assim como as pessoas, só permanece viva quando aceita se reinventar.

E assim Nova Friburgo segue, equilibrando o ontem e o amanhã. Não se trata de escolher entre a saudade e o desejo, mas de aceitar que ambos cabem na mesma esquina. O casarão e seus novos inquilinos não são inimigos: são capítulos da mesma narrativa. A cidade permanece sendo o que sempre foi — um lugar onde o tempo gosta de se encontrar consigo mesmo, reinventando-se sem nunca deixar de ser memória.

O tempo não apaga os espaços públicos, apenas redesenha. E Nova Friburgo precisa entender isso.

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Júri popular confirmado: como será o julgamento do tabelião que chocou Nova Friburgo

quinta-feira, 25 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Depois de quase quatro anos, um dos casos mais trágicos da história recente de Nova Friburgo se aproxima de seu desfecho. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) confirmou que Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos, acusado de assassinar sua esposa grávida, Nahaty Gomes de Mello, e seus sogros, Rosemary e Wellington Mello, será levado a júri popular. O julgamento, em dezembro, será realizado na 1ª Vara Criminal de Nova Friburgo e possivelmente presidido pela juíza de Direito Simone Dalila Nacif Lopes.

Depois de quase quatro anos, um dos casos mais trágicos da história recente de Nova Friburgo se aproxima de seu desfecho. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) confirmou que Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos, acusado de assassinar sua esposa grávida, Nahaty Gomes de Mello, e seus sogros, Rosemary e Wellington Mello, será levado a júri popular. O julgamento, em dezembro, será realizado na 1ª Vara Criminal de Nova Friburgo e possivelmente presidido pela juíza de Direito Simone Dalila Nacif Lopes.

Ricardo se tornou réu após supostamente ter atirado e matado sua esposa, que estava no sexto mês de gestação, e os pais dela, dentro da residência da família em agosto de 2021. A brutalidade do ato resultou na imputação ao acusado pelos crimes de triplo homicídio qualificado, feminicídio e aborto.

As perguntas que ficam para o leitor são muitas: “Poderei assistir ao julgamento? Como funciona o júri popular? Posso ser jurado?” Nessa coluna, explicarei um pouco mais.

O funcionamento do júri

O acusado é levado para júri popular sempre quando existem indícios de cometimento de crimes dolosos (intencionais) contra a vida de alguém – seja homicídio, aborto, infanticídio ou participação em suicídio – tanto na forma consumada ou somente na tentativa. Nesse sentido, o juízo da 1ª Vara Criminal entendeu que existem indícios suficientes de que Ricardo cometeu os crimes, e assim, ele será submetido ao procedimento judicial que decidirá sobre o seu futuro, que no momento, é incerto.

Um fato interessante acerca do júri popular é que quem julgará, nesse caso, se o acusado será absolvido ou condenado não será o juiz que preside a sessão, mas sim, sete cidadãos comuns, sorteados como jurados e juízes dessa causa. A decisão dependerá única e exclusivamente do que cada jurado for convencido pela defesa ou pela acusação.

No dia do julgamento, após a formação do conselho de sentença (como é chamado o grupo de jurados), estes se juntarão aos demais participantes – juiz, defensor, promotor, acusado e oficiais de justiça - no salão do júri e ficarão impedidos de usarem os seus celulares e de se comunicarem entre si até o final da audiência. A medida é uma regra e tem o objetivo de deixar o julgamento mais imparcial, sem que a opinião de um jurado interfira na do outro.

Começa-se a audiência com um juramento e logo depois, todas as testemunhas serão ouvidas em juízo, dentre elas, os policiais envolvidos na prisão e na investigação, peritos que atuaram no caso e possíveis amigos e familiares das vítimas. Nesse momento, o promotor, a defesa e os jurados estarão habilitados a fazerem perguntas a fim de sanarem quaisquer dúvidas para esclarecer os fatos.

Depois de ouvidas todas as testemunhas, Ricardo Vasconcelos será interrogado sobre a veracidade dos fatos. Contudo, poderá responder ou não a qualquer questionamento que lhe seja feito, sem que isso lhe traga qualquer prejuízo. No Brasil, o direito ao silêncio é garantido constitucionalmente e é uma estratégia muitas vezes usada pela defesa, que neste caso tentou, sem sucesso, emplacar a tese de que o réu teve um "surto psicótico", o que foi descartado por laudos psiquiátricos.

Após, serão abertos os debates orais entre acusação e defesa, que buscarão, através de suas falas, convencer os jurados sobre a condenação ou não do réu. Por fim, será aberta uma votação secreta, em que cada jurado votará por meio de cédulas, com suas convicções pela condenação ou absolvição do acusado.

Em caso de condenação, votarão ainda sobre as causas qualificadoras - como motivo fútil, meio que impossibilitou a defesa das vítimas e o feminicídio contra Nahaty. Somadas, as penas podem ultrapassar os 80 anos de prisão.

Fato é que os crimes bárbaros contra a mulher são, a cada dia, mais comuns, sejam eles além das montanhas de nossa cidade ou bem ao nosso lado. Esperamos que a justiça seja feita, seja ela qual for!

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Entre montanhas e mercados: O caminho da internacionalização

quinta-feira, 18 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nova Friburgo nasceu em 1819 como a primeira colônia suíça planejada no Brasil. Desde o início, a cidade combinou a disciplina europeia com a inventividade brasileira, criando uma cultura de trabalho e qualidade que atravessa gerações de nascidos e residentes na conhecida “Suíça Brasileira”.

Essa herança se refletiu em fábricas, indústrias e serviços que deram fama à região serrana, transformando um pequeno povoado de colonos em um polo econômico de relevância nacional, tornando-se referência em moda íntima, fitness, metal-mecânico e turismo, atraindo visitantes e investidores.

Nova Friburgo nasceu em 1819 como a primeira colônia suíça planejada no Brasil. Desde o início, a cidade combinou a disciplina europeia com a inventividade brasileira, criando uma cultura de trabalho e qualidade que atravessa gerações de nascidos e residentes na conhecida “Suíça Brasileira”.

Essa herança se refletiu em fábricas, indústrias e serviços que deram fama à região serrana, transformando um pequeno povoado de colonos em um polo econômico de relevância nacional, tornando-se referência em moda íntima, fitness, metal-mecânico e turismo, atraindo visitantes e investidores.

Ao longo do século XX, Friburgo diversificou sua economia e mostrou talento para inovar. Mesmo após crises econômicas e tragédias naturais, a cidade sempre soube se reerguer, reforçando o espírito empreendedor que marca sua identidade. Hoje, esse mesmo impulso precisa ser canalizado para um novo desafio: conquistar o mercado global.

Os números recentes do comércio exterior deixam claro o tamanho da tarefa. Em 2024, exportamos cerca de 4,4 milhões de dólares, mas importamos 18,5 milhões, acumulando déficit superior a 76 milhões de reais. Para cada real que sai com produtos friburguenses, quatro entram de fora.

Essa balança negativa é mais do que um dado contábil; é um sinal de que precisamos ampliar horizontes e planejar a presença de Friburgo no cenário internacional. E, ao contrário do que muitos pensam, internacionalizar não significa apenas vender para fora. É criar competitividade, atrair investimentos, absorver tecnologia e gerar empregos de alta qualificação.

Cidades que se abrem ao mundo desenvolvem infraestrutura, elevam padrões de qualidade e oferecem mais oportunidades a seus cidadãos. Friburgo já tem tradição industrial, um polo universitário consolidado em nível nacional, empreendedores resilientes e um ecossistema de startups em expansão. O momento pede ousadia para transformar essas qualidades em estratégia.

 

Internacionalização: Um processo necessário

O especialista em internacionalização de negócios Vinicius Bittencourt, cofundador da Flow Vista, empresa com operações em 30 países, explica que, no campo industrial, o Brasil ainda tem muitas oportunidades de exportação, favorecidas pela isenção de impostos tanto em serviços quanto em produtos.

“Quando falamos de uma cidade como Nova Friburgo, é importante ver a criatividade como um motor de internacionalização. Serviços de tecnologia, marketing e até profissões como a advocacia podem ser exportados com competitividade. Mas, para aproveitar isso, é essencial investir em marketing internacional, para que nossas empresas sejam encontradas por parceiros e importadores.”

“As missões internacionais e a participação em eventos fora do país são fundamentais nesse processo, porque posicionam a cidade e abrem portas. Não podemos pensar apenas em grandes indústrias. Startups, empreendedores individuais e negócios criativos têm espaço lá fora. Programas de aceleração com foco global, conexão com investidores estrangeiros e cultura de inovação podem gerar empregos e soluções inovadoras — e Nova Friburgo tem talentos capazes de entregar isso”, conclui Vinicius.

 

Iniciativa na Câmara de Vereadores 

O vereador Marcos Marins, presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara de Vereadores de Nova Friburgo e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, destaca o papel do poder público nesse processo, desburocratizando processos, facilitando acesso ao crédito e abrindo canais de diálogo com  mercados internacionais.

“Nosso trabalho é criar pontes: facilitar acesso a crédito. Estamos elaborando propostas e indicações legislativas que incentivem a internacionalização das empresas friburguenses, impulsionem a economia local e gerem mais empregos qualificados. O setor privado é essencial, mas o governo deve oferecer as condições para que as oportunidades aconteçam, especialmente numa cidade que ocupa uma grande fatia

do mercado nacional em diversos setores”, explica Marcos Marins.

Transformar esse potencial em realidade exige união de esforços. Universidades podem formar profissionais com visão global, entidades de classe podem fomentar consórcios de exportação e certificações, enquanto empresários devem investir em inovação e sustentabilidade. O poder público, por sua vez, precisa buscar acordos e parcerias que tornem esse caminho menos burocrático e mais competitivo, permitindo

que a cidade conquiste mercados de maneira consistente.

Nova Friburgo já provou, ao longo de mais de dois séculos, que sabe se reinventar. Dos colonos suíços que transformaram a serra em lar produtivo aos empresários que fizeram da moda íntima uma marca nacional, a cidade demonstra talento e ambição.

Agora é hora de mostrar que também temos vocação global. Internacionalizar não é luxo: é uma necessidade para garantir que as próximas gerações encontrem aqui uma cidade vibrante, inovadora e plenamente conectada ao futuro.

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As figuras mudaram, mas a festa continua

quinta-feira, 11 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Na última sexta-feira, 5, a Prefeitura de Nova Friburgo anunciou, no Diário Oficial Eletrônico, a abertura de uma licitação milionária para contratar a empresa responsável pela ornamentação do evento natalino de 2025 denominado “Um Encanto de Natal – O Espetáculo de Noel”, com desfiles, em dezembro, na Avenida Alberto Braune.

Na última sexta-feira, 5, a Prefeitura de Nova Friburgo anunciou, no Diário Oficial Eletrônico, a abertura de uma licitação milionária para contratar a empresa responsável pela ornamentação do evento natalino de 2025 denominado “Um Encanto de Natal – O Espetáculo de Noel”, com desfiles, em dezembro, na Avenida Alberto Braune.

O certame, marcado para o dia 24 deste mês, terá como critério o menor valor global oferecido. A vencedora vai receber R$ 2.083.613,14, pagos com recursos da Secretaria de Turismo. A licitação prevê não apenas a instalação, mas também a restauração, reforma, transporte e manutenção das peças ornamentais e luminosas.

É um pacote completo, incluindo até mesmo a desmontagem após as festividades. Quem tiver interesse pode acessar o edital no site da prefeitura e participar do pregão eletrônico. Tudo parece organizado em termos burocráticos. Mas quando olhamos para o histórico recente, a sensação é de que os problemas vão muito além do procedimento.

 

Histórico problemático

Nos últimos três anos, os gastos com o espetáculo natalino dispararam: cerca de R$ 4 milhões em 2022, R$ 6,2 milhões em 2023 e, em 2024, valores que ultrapassaram R$ 5 milhões. O Natal virou um negócio milionário para a cidade, com contratações que incluem companhias de teatro, carros alegóricos e enfeites luminosos.

Ao mesmo tempo, denúncias mostram que parte desse dinheiro não surgiu de um planejamento sólido, mas de remanejamentos de áreas vitais e essenciais da cidade como valores disponíveis para iluminação pública e até mesmo saúde – mesmo com um cenário crítico vivido no Hospital Raul Sertã e com repercussão nacional.

Segundo investigações do Ministério Público, verbas federais do SUS e recursos que deveriam ser usados para manter as ruas iluminadas foram realocados para financiar o brilho das festas. Em outras palavras: enquanto faltava lâmpada em poste de bairro, sobrava luz para a Avenida Alberto Braune.

Enquanto hospitais enfrentavam filas e carências, carros alegóricos de Natal desfilavam em grande estilo. Uma troca que pode ser bonita na vitrine, mas amarga na realidade cotidiana da população que precisa diariamente do SUS.

 

Mesma festa, outras figuras

Outro detalhe que chama atenção: tanto o atual quanto o ex-secretário de Turismo já não estão mais à frente da pasta. As figuras mudaram, mas a festa continua. Sai um, entra outro, e o espetáculo continua sendo preparado com cifras milionárias, em meio a escândalos e investigações.

É como se a troca de nomes fosse suficiente para dar ares de renovação, mas, na prática, o jogo permanece o mesmo: gastar muito em eventos, enquanto setores essenciais ficam à deriva, mesmo com tantos escândalos de grande repercussão ocorrendo.

O Ministério Público tem repetido: Nova Friburgo não conta com políticas estruturadas de turismo e cultura. O que vemos, na prática, são eventos planejados no improviso, custeados às vezes com recursos de áreas que deveriam ser intocáveis. Para mudar isso, sugeriu a criação de um Plano Municipal de Turismo e Cultura, com metas claras, diagnóstico técnico e participação da população. A mensagem é direta: parar de remendar e começar a planejar de verdade.

Além disso, recomendou a criação de orçamento próprio e permanente para essas áreas, junto com o fortalecimento do Conselho Municipal de Turismo e Cultura. Com regras claras e transparência, não seria preciso recorrer a cortes em saúde ou iluminação para bancar festas. A cidade poderia, sim, ter eventos grandiosos sem sacrificar o essencial. Mas, para isso, seria necessário planejamento e responsabilidade com o dinheiro público.

 

Um brilho sem luz

Nova Friburgo tem uma história marcada por resiliência diante de crises e tragédias, mas também por escolhas equivocadas. O paradoxo é cruel: enquanto a cidade luta para manter escolas funcionando e hospitais atendendo sem o mínimo de dignidade, continua destinando cifras milionárias para o Natal.

O brilho das luzes muitas vezes serve para esconder a escuridão dos problemas não resolvidos. A prioridade se inverte: a festa vem antes do básico. Não se trata de ser contra o Natal, nem contra a cultura. Muito pelo contrário. Eventos culturais são fundamentais, unem a comunidade e fortalecem a economia. O problema está na forma como são feitos: sem planejamento, sem orçamento próprio e às custas de setores que deveriam ser intocáveis. Saúde e iluminação não são luxo, são necessidades mínimas. E quando essas áreas perdem recursos para financiar o espetáculo, o recado é claro: o desfile vale mais que o essencial.

Talvez a pergunta que todos deveríamos nos fazer seja: que tipo de cidade queremos construir? Uma cidade que brilha algumas semanas ao ano, mas apaga o resto do tempo? Ou uma cidade capaz de conciliar o encanto da cultura com a dignidade de serviços públicos funcionando? O Natal pode, sim, ser um espetáculo. Mas não pode continuar sendo o espetáculo da inversão de prioridades.

Porque, no fim das contas, a cada troca de secretário, parece que só mudam as figuras no presépio, mas o roteiro da festa continua igual.

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Entre o livro da lei e a rasura

quinta-feira, 04 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A democracia é como uma flor rara. Parece frágil, mas é justamente na sua aparente fragilidade que repousa sua força. Ela floresce não porque é protegida por grades ou muros, mas porque se alimenta do respeito cotidiano, da confiança mútua e da paciência em ouvir o outro, mesmo quando não gostamos do que ele diz.

A democracia é como uma flor rara. Parece frágil, mas é justamente na sua aparente fragilidade que repousa sua força. Ela floresce não porque é protegida por grades ou muros, mas porque se alimenta do respeito cotidiano, da confiança mútua e da paciência em ouvir o outro, mesmo quando não gostamos do que ele diz.

Houve dias em que essa flor foi pisoteada. Não por acaso, mas por mãos que acreditavam ser possível arrancá-la e substituí-la por algo mais duro, mais áspero, menos plural. E, no entanto, a história já nos mostrou que jardins de pedra não acolhem pássaros, nem sonhos, nem o futuro.

Aqueles que invadem os espaços sagrados do debate e da justiça talvez não compreendam que não estão apenas quebrando vidros ou portas: estão tentando despedaçar o próprio espelho da sociedade. Pois nesses prédios — altos, solenes e muitas vezes distantes — não estão apenas paredes, mas símbolos de um pacto coletivo chamado democracia.

É verdade que esse pacto é imperfeito, cheio de ruídos, injustiças e demoras. Mas ainda assim, é nele que nos encontramos. A democracia é um diálogo interminável entre vozes desencontradas. É uma sinfonia em que o desafinado também tem lugar, mesmo que nos irrite, porque sem ele não há verdadeiramente música.

Não há democracia sem a aceitação do tempo. O tempo do voto, o tempo da espera, o tempo da alternância. Quem deseja atalhos rápidos esquece que a pressa é irmã da tirania. É fácil ceder ao canto sedutor da força, à ilusão de que basta um punho fechado para resolver os impasses. Mas nada floresce na sombra do medo.

Por isso, quando vemos muros sendo escalados e janelas quebradas, é como se víssemos alguém tentando rasgar as páginas de um livro no meio da leitura. A história não para porque alguém deseja pular capítulos. Ela insiste, persiste, e escreve por cima das rasuras. É o livro da lei que resiste, ainda que manchado, sempre reescrito pelo tempo.

A defesa da democracia não se faz apenas nos tribunais ou nos palácios. Faz-se no cotidiano. Faz-se quando aceitamos perder uma disputa, quando escolhemos a palavra em vez da pedra, quando acreditamos que a verdade não é monopólio de ninguém. Cada gesto de tolerância é um tijolo novo em sua construção.

É preciso lembrar que o ódio é um péssimo arquiteto. Ele constrói casas que logo desmoronam, porque são feitas de paredes ocas. Já a esperança, mesmo tímida, constrói moradas que atravessam gerações. A democracia é justamente essa esperança organizada, dando abrigo aos que ainda não nasceram.

Se a democracia for uma praça, que seja uma praça cheia de vozes, onde crianças correm e idosos descansam. Onde cabem protestos e celebrações, encontros e despedidas. Uma praça que só existe porque é de todos e, por isso mesmo, não pode ser tomada por uns poucos que acreditam ser donos do destino coletivo.

Talvez nunca aprendamos a conviver sem conflitos. Mas podemos aprender a transformar conflitos em conversa, e conversas em pontes. É assim que a democracia resiste: não no silêncio da unanimidade, mas no burburinho da diversidade. O verdadeiro perigo não está no barulho, mas no vazio de ideias barulhentas.

E como qualquer jardim, a democracia pede cuidado constante. Não basta plantar uma vez e esquecer. É preciso regar, podar excessos, retirar ervas daninhas. O descuido abre espaço para pragas que chegam sorrateiras, disfarçadas de soluções rápidas, mas que corroem lentamente a raiz do comum.

Há quem confunda liberdade com licença para destruir. Mas liberdade verdadeira é também responsabilidade: é saber que meu gesto não pode esmagar o direito do outro. Democracia é essa dança delicada, em que os passos se ajustam para que todos possam continuar no mesmo compasso.

E aqui é preciso dizer: perdoar atos que buscavam apagar a própria democracia não é generosidade, é cegueira. A anistia para quem tentou calar instituições não é reconciliação, é convite ao abismo e à tolerância com o intolerável. Porque não se trata de divergência política, mas de um ataque contra a própria possibilidade de termos política.

Quando alguém tenta derrubar suas colunas, a democracia não cai de imediato. Ela balança, cambaleia, mas resiste porque está fincada na memória de um povo. Cada geração que a defende adiciona mais uma pedra em seus alicerces, tornando-a mais difícil de ser demolida, ainda que sempre vulnerável.

E assim seguimos, cuidando da flor rara. Ela já resistiu a secas, tempestades e invernos rigorosos. Resistirá de novo, se não esquecermos que sua raiz está em nós. Não nos esqueçamos: a democracia não é um presente que recebemos. É uma tarefa que não termina nunca. Pois cada geração acrescenta uma nova página ao livro da lei, e não podemos permitir que seja rasurado por meio da violência.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Um friburguense pelo Summit Floripa

quinta-feira, 28 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Florianópolis, capital de Santa Catarina, é conhecida pelas praias deslumbrantes, mas hoje também carrega outro título: o de “Ilha do Silício brasileira”. Isso porque a inovação já responde por cerca de 25% do PIB da cidade, mostrando como a tecnologia pode transformar a economia local. Esse movimento ganha sua maior vitrine no Startup Summit, evento que reúne milhares de pessoas em torno do empreendedorismo e das novas ideias.

Florianópolis, capital de Santa Catarina, é conhecida pelas praias deslumbrantes, mas hoje também carrega outro título: o de “Ilha do Silício brasileira”. Isso porque a inovação já responde por cerca de 25% do PIB da cidade, mostrando como a tecnologia pode transformar a economia local. Esse movimento ganha sua maior vitrine no Startup Summit, evento que reúne milhares de pessoas em torno do empreendedorismo e das novas ideias.

Em 2025, o Summit está sendo realizado desde quarta-feira, 27, até esta sexta, 29, com a expectativa de atrair mais de dez mil pessoas presencialmente. Organizado pelo Sebrae e pela Acate, ele se tornou um dos maiores encontros de inovação do país. Desde 2018, o evento cresce ano após ano e hoje é referência para quem quer conhecer de perto as tendências e, principalmente, viver a atmosfera única do ecossistema catarinense.

Mas afinal, o que é esse ecossistema? É uma rede formada por startups, universidades, aceleradoras, investidores e grandes empresas, todas conectadas em busca de soluções. Mais do que tecnologia, o ecossistema é sobre gente se encontrando, trocando experiências e criando oportunidades juntos. No Summit, isso acontece nos palcos, mas também nos corredores, nas filas de café ou em conversas improvisadas que muitas vezes viram negócios reais.

A programação impressiona: são centenas de palestrantes nacionais e internacionais falando sobre inteligência artificial, sustentabilidade, impacto social, futuro do trabalho, diversidade e muito mais. Porém, a verdadeira força do evento está na energia coletiva. Pessoas de diferentes áreas se juntam, compartilham histórias, dividem desafios e descobrem que inovação não é só criar aplicativos, mas sim pensar em soluções que transformem a vida em comunidade.

Muitas startups relatam que fecharam seus primeiros contratos justamente nesses encontros casuais. Outras encontram parceiros estratégicos ou até investidores dispostos a apostar em suas ideias. Esse clima de colaboração espontânea talvez seja o que mais inspira quem participa do Summit. É como se todos acreditassem, por alguns dias, que inovar é possível para qualquer um que esteja disposto a tentar.

E o mais interessante é que inovação aqui não se limita à tecnologia. Há projetos que unem propósito e impacto social, como startups voltadas à educação inclusiva, à saúde preventiva ou à preservação ambiental. Essa diversidade mostra que empreender pode, sim, ser uma forma de melhorar a vida das pessoas – e não apenas de gerar lucro. O Summit reforça que a inovação precisa andar lado a lado com a responsabilidade social.

Estar em Florianópolis durante o Summit é perceber como uma cidade inteira pode ser transformada por esse espírito. Incubadoras, hubs, coworkings e universidades caminham juntos para fortalecer um ambiente que gera empregos e atrai investimentos. Para quem vem de fora, como eu, de Nova Friburgo, fica claro como esse modelo poderia servir de inspiração. Afinal, nossa cidade tem potencial enorme, com diversas faculdades e um polo de moda íntima reconhecido no país inteiro.

Imagine se esse polo, já inovador no design e na criação, se aproximasse mais de universidades, buscasse startups de tecnologia têxtil ou apostasse em parcerias voltadas à sustentabilidade? Assim como Florianópolis, Friburgo poderia diversificar sua economia e gerar ainda mais oportunidades para os jovens que se formam por aqui. O ecossistema não é algo distante; é apenas a soma de pessoas e instituições que decidem caminhar juntas.

Outro ponto marcante do Summit é a chance de pequenas ideias ganharem escala ao se conectar com grandes empresas. A troca é mútua: startups oferecem inovação ágil, enquanto corporações trazem estrutura e mercado. Esse casamento movimenta a economia, gera empregos e fortalece ainda mais a região. Para cidades como a nossa, esse modelo de cooperação poderia ser uma peça-chave de desenvolvimento.

Participar do Summit é, acima de tudo, uma experiência humana. São histórias de quem começou com pouco, de mulheres que romperam barreiras, de equipes que transformaram erros em aprendizado. O que se celebra ali não é só tecnologia, mas a coragem de sonhar e de persistir. O evento mostra que inovar é criar pontes: entre pessoas, empresas e cidades.

De Nova Friburgo para Florianópolis, fica a certeza de que o futuro pode ser mais colaborativo, conectado e humano. E, como um friburguense pelo Summit Floripa, volto com a convicção de que a inovação é um caminho possível também para a nossa região. Basta estarmos abertos a construir juntos essa transformação.

Foto da galeria
(Foto: Arquivo pessoal)
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Nova Friburgo é passado, presente ou futuro?

quinta-feira, 21 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Um dia percebemos que, passado, presente e futuro, fazem parte de toda a história da humanidade e consequentemente, da nossa singela vida. Vivendo no presente, sempre tive a percepção de morar agarrado no passado, e em pensamento, viver ansiosamente, planejando cada passo do meu futuro.

E quando me dei conta, percebi que passado, presente e futuro não são mais tempos tão distintos assim. Na verdade, somos o que somos porque vivemos todos os tempos simultaneamente, sem mesmo que possamos ser plenamente capazes de perceber essa ligação tão sublime.

Um dia percebemos que, passado, presente e futuro, fazem parte de toda a história da humanidade e consequentemente, da nossa singela vida. Vivendo no presente, sempre tive a percepção de morar agarrado no passado, e em pensamento, viver ansiosamente, planejando cada passo do meu futuro.

E quando me dei conta, percebi que passado, presente e futuro não são mais tempos tão distintos assim. Na verdade, somos o que somos porque vivemos todos os tempos simultaneamente, sem mesmo que possamos ser plenamente capazes de perceber essa ligação tão sublime.

“Freud explica? ”. É bem provável que Sigmund Freud, pai da psicanálise, fosse o mais capaz de nos explicar de que nada do que somos e fazemos é por um simples acaso do universo. Para tudo, há uma explicação a ser explorada num divã na sala de terapia.

Na vida humana, devemos nos lembrar que as lutas, as dores, sofrimentos, vitórias, angústias e alegrias compõem a beleza e a imperfeição de ser quem somos. Na vida de uma cidade, como Nova Friburgo, o caminho percorrido é idêntico, dividido em três tempos, em que a lógica não deve ser entendida de modo diferente.

Nosso passado é marcado por momentos históricos únicos e que trazem a identidade do povo friburguense, aguerrido e persistente. Em meio à muitas dificuldades, crescemos e edificamos forças a essa cidade mesmo diante de todas as adversidades geográficas, naturais e políticas.

Somos orgulhosos de sermos detentores do título de única cidade criada por um decreto real. Não somos modestos, dos anos de ouro vividos nas décadas de 70 e 80, em que o Sul do país aprendeu conosco a fazer uma festa da cerveja. E somos extremamente resilientes, de mesmo diante da maior tragédia natural do país, reconstruirmos.

Entretanto, a partir dos anos 90, em meio às muitas disputas políticas, Nova Friburgo ficou esquecida em meio ao caos, e aos poucos foi perdendo em tudo aquilo que lhe tornava única: o seu brilho, a sua prosperidade e o mais importante, a sua identidade.

No presente, uma revolução fazia-se necessária em Nova Friburgo: e nela, surgiu o desejo de rememorar o saudosismo e querer trazer ao presente, todas as boas memórias construídas, do que havia de melhor nos anos de ouro, muito bem vividos pelos mais antigos habitantes dessa cidade - a boêmia!

Há uma digna e justa tentativa em resgatarmos o nosso brilho através da nossa identidade. Contudo, ainda que o passado seja recheado das boas lembranças dos anos de ouro na serra carioca - que infelizmente ficaram para trás – é muito importante percebermos que o mundo não é mais como era antigamente. E a nós, cabe a pergunta do que seremos no dia de amanhã.

Paralisar as nossas ações em lembranças de um passado de realização, na esperança de um futuro melhor, tem mostrado não nos ajudar a provocar a mudança ou o desenvolvimento como um todo. A evasão da realidade, apesar de ser bastante confortável, pode gerar muitos problemas futuros.

Não estamos investindo em inovação e muito menos nos adequando ao novo mundo, que é bem diferente, dos vividos nos anos de ouro. A vastidão dos empregos se foi com as fábricas, que carregaram consigo, toda a prosperidade da juventude friburguense, que prefere sonhar, em locais com mais oportunidades e possibilidades.

Cada dia mais somos uma cidade mais pobre, na busca de projetos, que não mudaram efetivamente a nossa vida. O mundo, por sua vez, cresceu, inovou, dinamizou e inovou e nós, ficamos para trás. Não nos dedicamos a mudar, somente repetir, o que um dia já deu certo e quem sabe, dará certo de novo.

Ainda que a luta seja extremamente justa pelo saudosismo da boemia e do turismo, vivido nos anos 70 e 80, com todo o nosso potencial, seguimos fora do ranking das cidades visitadas por turistas no Estado. E agora? Não podemos, nem como ser humano e nem como cidade, apostar todas as fichas em uma única tentativa e em uma única solução.

Para qualquer mudança e evolução é necessário um esforço constante e acima de tudo, consciente – e é bem provável que Freud diria isso também. Mudança é o resultado de esforço e de foco.

Vivemos no presente com um imenso potencial. O passado já não mais o teremos. E o futuro, ainda que incerto e desconhecido, é totalmente mutável. Daquilo que passou, cabe agradecer, incluir e integrar em sua história. E daquilo que virá, inovar para não se perder novamente no tempo.

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Trânsito e mobilidade em Nova Friburgo: desafios que exigem atenção urgente

quinta-feira, 14 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O trânsito em Nova Friburgo se tornou um dos principais desafios para a cidade. Recentemente, o número de acidentes registrados tem sido alarmante. Esse aumento reflete a falta de planejamento e infraestrutura adequadas para o crescente número de veículos em nossas ruas.

O trânsito em Nova Friburgo se tornou um dos principais desafios para a cidade. Recentemente, o número de acidentes registrados tem sido alarmante. Esse aumento reflete a falta de planejamento e infraestrutura adequadas para o crescente número de veículos em nossas ruas.

Nova Friburgo, com sua geografia serrana e ausência de rotas de escape para o trânsito, exige um esforço peculiar das autoridades. As ruas estreitas, os desníveis acentuados e a falta de sinalização em algumas áreas combinado com a pouca atuação dos agentes de trânsito são fatores que contribuem para o aumento dos acidentes. O desafio é grande, mas não pode ser ignorado.

 

Problemáticas mais que visíveis

As causas dos acidentes em Nova Friburgo vão além do simples desrespeito às leis de trânsito. O excesso de velocidade, embora seja uma das principais razões, não é o único fator. A falta de educação no trânsito, a deficiência na fiscalização e a falta de planejamentos do município com a causa agravam ainda mais os números.

Um outro fator importante se dá pela falta de educação e fiscalização no trânsito. Embora existam faixas de pedestres pintadas, a sua existência parece invisível aos motoristas de Nova Friburgo, que muitas vezes aceleram para não deixar que o pedestre cumpra a sua travessia. A prática é constante, aliada a omissão do poder público que não promove ações de conscientização.

Não menos importante, a deficiência na fiscalização ter tornado o trânsito de Nova Friburgo ainda mais perigoso. Todos param seus carros onde querem e bem entendem, afunilando vias importantes no trânsito intenso da cidade. Os desvios de faixa em um trânsito intenso, estressado e sem fiscalização, fazem parte da receita que elevam os números de acidentes.

Além disso, embora diversas vias sejam asfaltadas, não há como negar que a cidade carece de atenção na sua infraestrutura, contando com muitas ruas esburacadas, bueiros desnivelados e inúmeros trechos mal sinalizados, tornando um ambiente de risco constante para motoristas, motociclistas e pedestres.

Por fim, não há como esquecer o aumento do número de motociclistas. Em uma cidade com vias afuniladas e trânsito intenso acabam se tornando um perigo, tanto para quem as pilota quanto para os demais motoristas. A falta de fiscalização específica para a alta velocidade dos motociclistas e a desconsideração total pelas regras de segurança fazem com que os motociclistas se exponham a acidentes ainda mais graves.

 

Não falta solução, falta iniciativa

O planejamento urbano deve ser uma prioridade para garantir maior segurança e fluidez no trânsito. A implementação de políticas públicas diferenciadas na guarda municipal e a melhoria nas condições de trânsito e infraestrutura da cidade são para tornar as ruas mais acessíveis e seguras.

A fiscalização também deve ser intensificada para garantir que as leis de trânsito sejam cumpridas. A presença constante da Guarda Municipal e da Polícia Militar nas ruas pode ajudar a reduzir as infrações. Além disso, o uso de câmeras de monitoramento já existe em nossa cidade, só não são utilizadas como deveriam. A fiscalização constante é essencial para reduzir os acidentes e aumentar a segurança.

A tecnologia não precisa ser utilizada apenas para multar, mas na melhoria da mobilidade. Aplicativos de trânsito que informam sobre as condições das vias, aliados a políticas públicas sérias podem ajudar na gestão do trânsito. Sistemas inteligentes de semáforos, que se adaptam ao fluxo de veículos, também podem contribuir para a fluidez do tráfego. O uso de tecnologia já é utilizado em diversas cidades e portanto, deve ser parte da solução.

Além disso, o transporte público precisa ser melhorado para reduzir a dependência do carro particular. O transporte coletivo em Nova Friburgo ainda é insuficiente e arcaico, deixando os moradores das zonas mais afastadas em uma situação vulnerável. A melhoria da qualidade do transporte alternativo e a implementação de vans com preços acessíveis, poderia ser um passo importante para uma mobilidade mais sustentável.

A conscientização no trânsito é uma das ferramentas mais poderosas para transformar a realidade. Campanhas educativas devem ser realizadas regularmente para alertar motoristas, pedestres e motociclistas sobre as regras e a importância da segurança. A educação no trânsito é um investimento de longo prazo que pode salvar vidas e reduzir os índices de acidentes. As autoridades devem priorizar ações nesse sentido.

 

Estamos ficando para trás

Em Nova Friburgo, é possível transformar o trânsito em uma realidade mais segura, mas isso exige esforço conjunto entre poder público e cidadãos. Enquanto o município de São José-SC, implementa um sistema de trânsito inteligente e Gramado-RS e Bento Gonçalves-RS promovem educação no trânsito, Nova Friburgo somente liga a sirene dos carros da Secretaria de Mobilidade e aplica multas.

O investimento em infraestrutura, a melhoria do transporte público e o aumento da fiscalização são passos essenciais. É hora de tomar ações concretas para garantir que as ruas de Nova Friburgo sejam mais seguras para todos. O futuro da mobilidade na cidade depende da nossa capacidade de agir agora.

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