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2026: Começaremos o ano com o “Pé na Cova”

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Antigamente passávamos o Natal brigando sobre política com a família, com amigos e até com desconhecidos. Agora, tudo indica que chegou a hora de brigar com os objetos. Nesta semana, a política brasileira deu uma prévia do que será 2026: um ano de disputas intermináveis, polarização ruidosa e brigas absolutamente idiotas.

Antigamente passávamos o Natal brigando sobre política com a família, com amigos e até com desconhecidos. Agora, tudo indica que chegou a hora de brigar com os objetos. Nesta semana, a política brasileira deu uma prévia do que será 2026: um ano de disputas intermináveis, polarização ruidosa e brigas absolutamente idiotas.

A cena seria engraçada se não fosse reveladora. A Havaianas lançou uma campanha sugerindo que se entre em 2026 com os ‘dois pés’ — e não apenas com o “pé direito”, metáfora popular de sorte e bons presságios. Bastou isso para que metade do país enxergasse ideologia, militância e ameaça moral em um pedaço de borracha.

O objeto mais democrático do Brasil foi elevado à condição de inimigo político. Parte da população resolveu brigar contra um chinelo. Sim, contra um chinelo: talvez a veste mais democrática entre todos os brasileiros, presente em todas as classes sociais e regiões do país.

Nada disso acontece no vazio. A mesma semana foi marcada por notícias graves, que em qualquer país minimamente atento dominariam o debate público. Falava-se do envolvimento da esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal em uma consultoria milionária ligada a um banco associado a grandes fraudes.

Falava-se também de deputados flagrados com quantias expressivas de dinheiro em casa, sem explicações convincentes. Em uma semana em que o Congresso pede R$ 22 bilhões em emendas parlamentares, ainda assim, o assunto dominante foi um chinelo. A inversão de prioridades não poderia ser mais simbólica para começarmos 2026 com o “pé na cova”.

Esse deslocamento do foco não é acidente; é método. Talvez seja o retrato mais fiel do Brasil que caminha para 2026. Um país movido por política fanática, identidades rígidas e uma necessidade quase infantil de escolher lados, ainda que artificiais, beirando discussões inimagináveis e quase que infantilizadas.

Escândalos reais disputam espaço com indignações fabricadas como quem briga por atenção em uma sala lotada. Tudo acontece ao mesmo tempo, nada se fixa. O debate público deixa de ser conversa e vira ruído. O que importa já não é a gravidade do fato, mas o barulho que ele consegue produzir.

Vivemos em um país histérico, onde o conflito virou método e também mercadoria. Houve um tempo em que falar besteira causava constrangimento. Hoje, causa engajamento. O exagero rende mais que o argumento, e o ódio, esse sim, nunca falha como produto altamente lucrativo.

À medida que 2026 se aproxima, esse cenário tende a se tornar ainda mais insuportável. Não pelo debate político em si, que é saudável e necessário, mas pela caricatura dele. As discussões deixam de tratar de ideias, projetos e soluções, e passam a girar em torno de símbolos vazios e guerras morais artificiais.

Se hoje brigamos por um chinelo, amanhã brigaremos por um silêncio mal interpretado, um gesto fora de contexto ou uma postagem que não seguiu o roteiro esperado. Qualquer detalhe vira munição. Qualquer gesto vira prova. Qualquer nuance vira ameaça.

O quadro se agrava quando se soma a isso o avanço acelerado da inteligência artificial. Vivemos um tempo em que já não é simples distinguir um vídeo real de um falso, uma fala verdadeira de uma montagem perfeita. A tecnologia não chega para esclarecer; chega para confundir com eficiência.

Áudios inventados, imagens manipuladas e discursos fabricados circularão com velocidade muito maior do que qualquer checagem. A mentira será mais rápida, mais convincente e, sobretudo, mais rentável. A verdade chegará atrasada — quando chegar — pedindo licença para entrar.

Nesse ambiente, a violência política deixa de ser exceção e passa a ser método. Primeiro verbal, depois simbólica, por fim, física. Quando tudo vira guerra, nada parece exagero. Divergência vira ameaça, opinião vira ataque pessoal. O outro deixa de ser cidadão e passa a ser inimigo.

E inimigos não precisam ser compreendidos, apenas combatidos. Foi assim que chegamos a 2022, um dos períodos mais violentos e polarizados da nossa história recente. E tudo indica que 2026 não será uma correção de rota, mas a continuidade desse mesmo espetáculo cansado.

Mario Quintana dizia que exagerar é uma forma de chamar atenção para o óbvio. O óbvio, neste caso, é que estamos exaustos antes mesmo de começar. 2026 promete ser um ano insuportável não pelos desafios reais do país, mas pelas brigas inúteis que escolhemos travar.

Não pela política em si, mas pelo teatro grotesco montado ao redor dela. Um palco permanente de indignações seletivas, conflitos artificiais e personagens que lucram com o caos. Talvez o maior desafio do próximo ano não seja escolher candidatos ou ideologias.

Talvez seja escolher não entrar em todas as disputas oferecidas. Porque quando tudo vira conflito, ninguém vence. E quando o país se ocupa em odiar objetos, sobra pouco espaço para enfrentar problemas reais.

2026 ainda não chegou, mas o ensaio geral já começou — e ele diz muito sobre o futuro que estamos aceitando discutir.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A prefeitura do aplauso: festas, futebol e o abandono do essencial

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Há momentos em que a cidade fala mais alto do que qualquer discurso oficial. Nova Friburgo viveu um desses dias ao saber da morte de uma menina de 8 anos em Lumiar, num episódio marcado por um detalhe devastador: não havia ambulância disponível para socorrê-la.

Não foi apenas uma tragédia pessoal, foi um retrato público, cruel e incômodo, da forma como o município tem organizado suas prioridades. Lumiar não é distante do mapa, mas costuma ser distante da gestão. Quando o socorro não chega, o tempo deixa de ser relógio e passa a ser sentença.

Há momentos em que a cidade fala mais alto do que qualquer discurso oficial. Nova Friburgo viveu um desses dias ao saber da morte de uma menina de 8 anos em Lumiar, num episódio marcado por um detalhe devastador: não havia ambulância disponível para socorrê-la.

Não foi apenas uma tragédia pessoal, foi um retrato público, cruel e incômodo, da forma como o município tem organizado suas prioridades. Lumiar não é distante do mapa, mas costuma ser distante da gestão. Quando o socorro não chega, o tempo deixa de ser relógio e passa a ser sentença.

A falta de uma ambulância não é um acidente isolado, é consequência previsível de escolhas administrativas que tratam o essencial como despesa incômoda e o supérfluo como investimento político. A morte não aceita justificativas técnicas depois do fato. Enquanto famílias lidam com o irreparável, a cidade segue sendo convidada ao espetáculo.

Recursos públicos são direcionados a carros alegóricos, estruturas cenográficas, iluminação e eventos que duram o tempo de uma selfie. Nada contra a festa — ela tem seu lugar —, mas tudo contra o desequilíbrio. Ambulâncias não rendem aplausos, não aparecem em palanque, não viram propaganda, mas salvam vidas. E salvar vidas deveria ser o mínimo inegociável de qualquer gestão.

A comparação é dura porque é real. Parte do dinheiro empregado em enfeites de fim de ano poderia reforçar a frota da saúde, garantir atendimento contínuo nos distritos, reduzir o risco de novas perdas. Mas o município prefere investir no que brilha, mesmo que só por algumas noites.

Quando a essencial falha, a festa não celebra — ela constrange. E o brilho, nesse contexto, apenas ilumina a falta. O cenário de irresponsabilidade não se limita à saúde.

O vereador Marcos Marins precisou procurar a delegacia para registrar ocorrência após sofrer ameaças. Independentemente de concordâncias ou divergências políticas, quando um vereador é intimidado, a democracia inteira é pressionada. O silêncio do poder público diante disso também comunica.

Comunica descuido, omissão e uma perigosa tolerância com o clima de hostilidade que se instala quando o debate perde o limite. Como se não bastasse, o calendário avança para o fim do ano e traz consigo o recesso. Repartições públicas reduzem atividades, processos administrativos ficam suspensos, respostas são adiadas. A cidade, no entanto, não entra em pausa. Pessoas adoecem, acidentes acontecem, emergências surgem.

O cidadão segue vivendo enquanto a máquina pública desacelera, como se a urgência pudesse aguardar janeiro e como se o sofrimento tivesse data marcada para cessar.

Nesse contexto, causa espanto que uma das preocupações centrais do Executivo tenha sido decretar recesso para que servidores acompanhassem jogos do Flamengo no Mundial Intercontinental e do Vasco, na Copa do Brasil. Não se trata de criticar o futebol, paixão legítima e popular. Trata-se do símbolo. Em meio ao caos, a mensagem transmitida é clara: o espetáculo ocupa o centro, enquanto a gestão se ausenta.

Torcer vira prioridade, governar vira detalhe. E símbolos, na política, falam alto. Há anos clubes cariocas participam dessa competição, chegam a finais, mobilizam emoções. Nada disso é novidade. O que surpreende é transformar isso em agenda administrativa num município que enfrenta mortes evitáveis, ameaças políticas e serviços públicos fragilizados.

Pão e circo seguem sendo a fórmula preferida quando falta planejamento, presença e coragem para enfrentar problemas reais.

O espetáculo distrai, anestesia, cria a ilusão de normalidade. Mas a conta chega. Chega no hospital sem estrutura, na estrada sem resgate, na delegacia lotada, na família que espera socorro que não vem. Governo não é palco, cidade não é plateia, e tragédia não pode ser tratada como dano colateral aceitável da má gestão.

Talvez a pergunta que reste seja simples demais para continuar sendo ignorada: quantas ambulâncias cabem dentro de um carro alegórico? Quantas vidas custam alguns dias de festa? Nova Friburgo não precisa de mais distração, precisa de prioridade. Porque governar não é entreter. Governar é cuidar — especialmente quando tudo grita por responsabilidade.

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De Friburgo ao Vietnã: quando uma menina do interior decide não caber no próprio mapa

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Em tempos em que o noticiário pesa mais do que alivia, um sopro vindo do Vietnã colocou Nova Friburgo — de mansinho, mas com firmeza — no radar do mundo. O nome por trás desse feito é Maiara Braga Porto, 23 anos, friburguense, atriz, modelo, estudante de Odontologia e dona de uma trajetória tão improvável quanto luminosa.

Em tempos em que o noticiário pesa mais do que alivia, um sopro vindo do Vietnã colocou Nova Friburgo — de mansinho, mas com firmeza — no radar do mundo. O nome por trás desse feito é Maiara Braga Porto, 23 anos, friburguense, atriz, modelo, estudante de Odontologia e dona de uma trajetória tão improvável quanto luminosa.

Ela já atuou em produções da Netflix, Prime Video, novelas da Record e peças de teatro, sempre com disposição para aprender e generosidade para trabalhar. Muito bem-quista pelo pai de Gisele Bündchen, cercada de profissionais competentes e amparada por uma família que não perde um passo, Maiara ergue sua carreira como quem constrói um edifício: com fundação firme, paciência e propósito.

No Miss Charm — um dos concursos internacionais mais relevantes do continente asiático — Maiara não representa apenas Nova Friburgo, mas o Brasil. Ali, o glamour divide espaço com impacto cultural, discurso, identidade e presença. Não é um desfile de vestidos longos: é quase uma arena diplomática onde países apresentam mulheres que reúnem trajetória, voz e responsabilidade social.

O que é o Miss Charm?

Ao contrário do imaginário comum, o Miss Charm não é um desfile de vestidos longos: é um palco diplomático, onde países apresentam mulheres que somam carreira, identidade, propósito e voz. E é justamente por isso que a presença de uma friburguense ali importa: Maiara não pisa naquele palco sozinha — leva com ela uma cidade inteira que raramente acredita nos talentos que cria.

Maiara em foco pelo mundo

O concurso, que mobiliza milhões de espectadores na Ásia, cresce a cada edição e transforma suas candidatas em porta-vozes de causas, regiões e culturas. É por isso que ver uma friburguense naquele palco provoca algo aqui dentro: ela leva consigo uma cidade que, embora produza talentos em série, nem sempre acredita neles antes que o mundo o faça — e é justamente aí que sua presença ganha força.

Nos últimos dias, sua participação tomou proporções inesperadas. A roupa do Flamengo usada em uma das atividades do concurso incendiou a internet vietnamita e, em poucas horas, transformou Maiara em fenômeno espontâneo. Vieram então os vídeos de apoio: Neymar, de forma direta e simpática; Zico, venerado na Ásia como uma espécie de divindade esportiva; e milhares de torcedores fascinados por uma brasileira que mistura carisma, beleza e naturalidade.

Beleza que ultrapassa o externo

Mas o encanto vai além da imagem. Maiara é daquelas pessoas que iluminam sem esforço, dona de uma presença que enche a sala antes mesmo de qualquer aplauso. Brinca-se que deixaria até a Garota de Ipanema parecer pouco temperada  - e a hipérbole, embora divertida, só reforça o fato de que sua beleza é evidente, mas está longe de ser seu maior atributo.

“Sempre me falaram que uma menina do interior não ia conquistar o mundo, que era muito difícil. Muitas pessoas desacreditavam e diziam que não era para mim, que não ia dar certo. E eu fico muito feliz de estar carregando o nome do meu país com diversas outras meninas que também carregam os dela, junto da sua história”.

 Ainda assim, avançou com teimosia doce e construiu, passo a passo, uma trajetória que não pede licença: apenas existe, cresce e inspira quem observa. Encanta especialmente quem conhece sua atuação social. Maiara apadrinha ONGs, participa de projetos ligados à BFIP/ONU e encara o privilégio da visibilidade como um instrumento de transformação. Trabalha com crianças no Jardim Gramacho, se envolve com iniciativas de impacto local e fala com convicção sobre devolver ao mundo aquilo que a vida lhe ofereceu em oportunidade, afeto e caminho. “Eu posso dar visibilidade, posso tentar ajudar com a mídia, com os contatos que a gente conquistou no caminho.” – explica Maiara.

Ela própria reconhece que muitas portas se abriram somente quando deixou Friburgo. É um detalhe que dói porque é verdadeiro: somos uma cidade que exporta talentos, mas raramente os acolhe antes disso. Paradoxal para um polo de moda, lingerie, criação estética e audiovisual — um lugar que fabrica beleza, mas nem sempre enxerga a beleza que cria.

“Às vezes temos ouro guardado em Friburgo e não sabemos. Foi difícil ter oportunidade aí. Quando fui para o Rio, para São Paulo, para as capitais, fui mais valorizada. Eu acredito que a gente precisa aprender a valorizar mais o que a gente tem perto da gente e não ficar valorizando só o que vem de fora. E a minha missão é além de ajudar quem precisa, mostrar que sempre é possível.

Talvez esse seja o verdadeiro charme — não o do concurso, mas o dela. O charme de quem junta o mundo numa mala e ainda assim carrega a cidade como amuleto no bolso. O charme de quem atravessa oceanos sem perder o sotaque, o afeto e a vontade de representar algo maior. De quem expande não só o próprio mapa, mas o nosso — e nos lembra, com delicadeza, que às vezes o ouro que buscamos está bem aqui, só esperando que a gente aprenda a enxergar.

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O Rio que envelhece em escândalos

quinta-feira, 04 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Há quem diga que o Estado do Rio de Janeiro vive à beira-mar — mas a verdade é que ele mora mesmo é à beira de um escândalo. A cada ano, o carioca e o fluminense despertam com a mesma surpresa cansada: mais um político algemado, mais um prédio público em silêncio constrangido, mais uma promessa que se perdeu no caminho até a esquina.

Há quem diga que o Estado do Rio de Janeiro vive à beira-mar — mas a verdade é que ele mora mesmo é à beira de um escândalo. A cada ano, o carioca e o fluminense despertam com a mesma surpresa cansada: mais um político algemado, mais um prédio público em silêncio constrangido, mais uma promessa que se perdeu no caminho até a esquina.

Nesta semana, foi a vez do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL-RJ), presidente da Assembleia Legislativa do estado (Alerj), trocar discursos parlamentares por grampos metálicos nos punhos. O noticiário estampou o nome dele com aquela familiaridade incômoda de quem já viu esse filme antes. E, pior, já vimos mesmo: Pezão, preso. Garotinho, preso. Cabral, preso. Voltam e saem como ondas que sabem o caminho da areia.

O povo, coitado, é que fica tentando recolher os cacos antes que a próxima maré traga o próximo. A história política do Rio parece escrita por um cronista cansado, desses que anotam tragédias com letra bonita só para ver se a gente aguenta melhor. Há escândalo de rachadinha aqui, o envolvimento com milícia acolá, o “mensalinho” ali e um gabinete que funciona como enxugadouro de sonhos públicos. E a verba pública? Nunca está onde deveria estar, por (cof cof cof) “falta de recursos”.

O mais curioso — para não dizer trágico — é que tudo acontece com uma naturalidade de quem prepara café da manhã. O Rio tem essa estranha habilidade poética: transformar escândalos em rotina, investigações em paisagem e indignação em hábito. A gente reclama, mas reclama baixo, como quem teme acordar uma esperança que já dorme há anos. E quando achamos que o absurdo chegou ao limite, ele abre espaço e se acomoda, feito hóspede habitual que não precisa mais bater na porta. É o novo normal!

E enquanto a capital vive esse vai e vem de pulseiras metálicas, o interior acompanha com um suspiro conhecido. Nova Friburgo, com suas ruas de clima europeu e problemas bem brasileiros, não está tão distante dessa coreografia. Aqui também convivemos com suspeitas que se espalham como vento na serra: contratos que o tempo não explica, licitações que somem como neblina ao sol, prioridades que se invertem de acordo com interesses que ninguém confessa e denúncias para perder de vista no mar. A cidade, tão orgulhosa de sua tranquilidade, às vezes finge que certos assuntos não lhe dizem respeito — mas, infelizmente, dizem, e muito.

E basta abrir o jornal para perceber que, entre uma paisagem e outra, o povo fluminense convive com um roteiro tão previsível quanto cansativo: mais um político preso, mais uma operação madrugadora, mais um capítulo de um histórico de denúncias do Ministério Público que insiste em não acabar. E, como sempre, o personagem da vez surge com aquela expressão imóvel, meio indignada, meio ensaiada, jurando que tudo não passa de um grande mal-entendido e que há um inimigo contra ele.

O caso Bacellar é só mais um capítulo da longa novela política do estado.
Mas talvez sirva para lembrar que nenhuma cidade, nenhuma serra,
nenhuma assembleia é grande o suficiente para esconder a verdade para sempre.
E que, cedo ou tarde, todo castelo de areias públicas enfrenta sua onda mais alta.

Afinal, como diria Mário Quintana, “o tempo é um vento que passa e espalha tudo”. Que ele espalhe, então, as máscaras e deixe sobre a mesa apenas aquilo
que o Rio de Janeiro merece há tanto: dignidade, transparência e a paz simples de viver num lugar onde a corrupção não seja tradição.

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Condomínios sociais em Olaria: boa ou má escolha?

quinta-feira, 27 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nos últimos dias, a Prefeitura de Nova Friburgo anunciou a intenção de construir novos condomínios sociais do programa Minha Casa Minha Vida próximo à via expressa, entre os bairros Olaria e Cônego. uma das regiões mais movimentadas e adensadas da cidade.

A proposta, embora celebrada por muitos pela chegada de recursos federais, causou estranhamento entre moradores locais, que reagiram com críticas e preocupação. Não é para menos: trata-se de uma intervenção de grande porte, capaz de alterar profundamente o cotidiano de quem vive e trabalha na área.

Nos últimos dias, a Prefeitura de Nova Friburgo anunciou a intenção de construir novos condomínios sociais do programa Minha Casa Minha Vida próximo à via expressa, entre os bairros Olaria e Cônego. uma das regiões mais movimentadas e adensadas da cidade.

A proposta, embora celebrada por muitos pela chegada de recursos federais, causou estranhamento entre moradores locais, que reagiram com críticas e preocupação. Não é para menos: trata-se de uma intervenção de grande porte, capaz de alterar profundamente o cotidiano de quem vive e trabalha na área.

Escolha do local

Trata-se de uma intervenção de grande porte, capaz de alterar a rotina de milhares de pessoas e pressionar ainda mais um eixo viário já saturado. Antes de qualquer análise mais profunda, é fundamental entender o contexto urbano da área escolhida e suas limitações evidentes.

A escolha da prefeitura pela via expressa também se apoia no fato de que a região concentra diversos serviços essenciais, sobretudo na área da saúde – um dos requisitos essenciais para que se adeque à proposta. O projeto visa a necessidade de não ter que construir uma infraestrutura em volta, trazendo uma economia de recursos.

As clínicas e unidades de atendimento são um polo fundamental para a população, mas justamente por isso qualquer intervenção de grande porte precisa ser planejada com extremo cuidado, especialmente, em se tratando de um dos bairros – se não o mais – adensado de Nova Friburgo.

Uma análise fria e calculista

A própria via expressa ilustra esse contraste vivido na região. Hoje, ela é um dos principais corredores de circulação, conectando Olaria, Cônego, Bela Vista, Cascatinha e adjacências ao demais locais da cidade. Apesar de sua relevância atual, não é difícil perceber que a região já sofria com problemas antigos: mobilidade precária, drenagem insuficiente, pouca fluidez no trânsito e infraestrutura nos bairros que não acompanhou o crescimento da cidade.

Ademais, o bairro Olaria é um dos mais adensados da cidade com uma população bem relevante em um espaço curto e com problemáticas no bairro que já são conhecidas na região: falta de acesso à saúde, falta de gestão de trânsito, limpeza, entre outros.

Inserir novos condomínios sociais nesse contexto — sem estudos de impacto devidamente apresentados — levanta dúvidas legítimas sobre a capacidade do território de absorver tamanha demanda de pessoas. Em urbanismo, localização não é detalhe: é destino.

Enquanto isso, o bairro Cônego vive um ciclo consistente de valorização imobiliária. Condomínios sendo instalados próximos à via expressa, comércio em expansão, novos empreendimentos e uma sensação de qualidade de vida crescente atraem investidores e famílias que apostam na região.

Uma escolha de local, sem a devida infraestrutura para promover a segurança, poderá pôr em cheque todo o investimento de famílias e empresas no local.  Não por privilégio — mas porque desenvolvimento urbano exige coerência. Uma decisão mal calibrada pode desfazer, em poucos anos, um esforço que levou décadas para se consolidar, especialmente em gestão de espaço e segurança pública.

Cifras para festas, não para infraestrutura

Mais intrigante ainda é observar que, enquanto discute a instalação de novos conjuntos habitacionais em áreas saturadas e em que o próprio morador já passa dificuldades, a administração municipal segue destinando cifras consideráveis a festas, eventos temporários e estruturas que duram poucos dias.

São iniciativas que animam o calendário, mas não deixam legado permanente. Paralelamente, bairros amplos, menos adensados e muito mais aptos a receber habitação popular permanecem com ruas deterioradas, iluminação precária e absoluta falta de investimentos. O contraste dispensa comentários — e provoca questionamentos que a prefeitura ainda não se dispõe a responder – e sinceramente, não vai.

Reconhecer a relevância e questionar o planejamento

O Minha Casa Minha Vida é, sem dúvida, um instrumento poderoso de inclusão. Mas nenhum programa habitacional funciona quando desconectado de planejamento urbano, diálogo com especialistas e responsabilidade técnica.

Nova Friburgo já conhece, e paga caro por isso, o resultado de intervenções improvisadas ao longo de décadas. Repetir o erro em 2025 ou nos próximos anos, não seria apenas um retrocesso: seria uma escolha consciente por negligenciar o futuro.

A pergunta que fica, portanto, não é se o programa é válido — ele é. A questão real é: por que insistir justamente na região que menos comporta esse tipo de projeto? E, talvez mais importante: quem ganha e quem perde quando decisões tão relevantes são tomadas sem o cuidado que a cidade merece?

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Um passo largo para a Saúde de Friburgo

quinta-feira, 20 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O Hospital do Câncer sempre foi mais que um sonho coletivo: é uma urgência que atravessa gerações e famílias da região. Durante décadas, pacientes de Friburgo e de cidades vizinhas enfrentaram longas viagens em busca de consultas, exames e tratamentos que não estavam disponíveis aqui. 

Cada deslocamento significava tempo perdido, desgaste físico e emocional, além de custos que muitas famílias simplesmente não podiam arcar. Ter um centro oncológico funcionando plenamente em nosso município - sendo uma referência regional - representa virar essa página dolorosa da nossa história.

O Hospital do Câncer sempre foi mais que um sonho coletivo: é uma urgência que atravessa gerações e famílias da região. Durante décadas, pacientes de Friburgo e de cidades vizinhas enfrentaram longas viagens em busca de consultas, exames e tratamentos que não estavam disponíveis aqui. 

Cada deslocamento significava tempo perdido, desgaste físico e emocional, além de custos que muitas famílias simplesmente não podiam arcar. Ter um centro oncológico funcionando plenamente em nosso município - sendo uma referência regional - representa virar essa página dolorosa da nossa história.

A importância desse hospital vai além das paredes ou equipamentos: ele simboliza esperança. Um atendimento rápido, humanizado e próximo aumenta as chances de cura e traz dignidade para quem enfrenta um dos desafios mais difíceis da vida.

Quando a cidade avança na estrutura oncológica, ela não só salva vidas, mas também acolhe melhor suas famílias, que passam a ter menos medo, menos distância e mais cuidado. Cada serviço oferecido aqui dentro é um laço que amarra Friburgo a um futuro mais seguro para todos.

 

Deputado anuncia verba

A chegada de R$ 300 mil anunciados por Wanderson Nogueira se soma a essa caminhada de forma profundamente significativa. O recurso, garantido por uma emenda da deputada estadual Martha Rocha (PDT), será aplicado na expansão do Projeto Genoma do Instituto Cérasus, ampliando a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. 

Esse tipo de investimento é de uma importância que nem sempre aparece nos números, mas salta aos olhos quando olhamos o impacto real: detectar cedo é tratar cedo; tratar cedo é salvar mais vidas.

O Projeto Genoma utiliza análise genética para mapear riscos hereditários, oferecendo exames e acompanhamento que normalmente custariam caro na rede privada. Com o reforço da verba, mais mulheres poderão acessar essa tecnologia sem pagar nada, beneficiando também suas famílias. 

Em uma região onde o câncer de mama ainda é uma das principais causas de morte feminina, investir em prevenção é um ato de responsabilidade pública. É o Estado, por meio de seus representantes, ajudando a romper ciclos de adoecimento e desigualdade.

 

A voz de Friburgo no Rio

A presença de representantes friburguenses na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) se mostra fundamental nesses momentos. Deputados que conhecem de perto a realidade da cidade conseguem enxergar onde o recurso falta, quais políticas precisam de atenção e quais projetos têm impacto direto na vida da população. 

A articulação política é parte essencial da construção da saúde pública, e Friburgo ganha força quando sua voz é ouvida no plenário estadual. Isso garante não apenas verbas, mas prioridade e continuidade. Quando um parlamentar daqui luta por Friburgo, todos ganham. 

Projetos deixam de ser promessas distantes e passam a ocupar espaço no orçamento do Estado. A atuação de Wanderson Nogueira e a parceria com parlamentares como Martha Rocha mostram como a política, quando feita com responsabilidade, consegue transformar realidades. 

Emendas não são favores: são instrumentos legítimos para garantir que municípios como o nosso não fiquem para trás. E quando bem direcionadas, fazem diferença imediata.

 

Vitória friburguense

Todos esses movimentos — a importância do hospital, a verba conquistada e a atuação política — apontam para um horizonte mais sólido para a nossa cidade. Fortalecer a rede de saúde significa ampliar a capacidade de acolher quem mais precisa e oferecer tratamentos modernos, rápidos e eficazes. 

Significa que mães, avós, filhas e irmãs terão acesso ao diagnóstico correto no momento certo. E significa, acima de tudo, que Friburgo está construindo uma estrutura de saúde que olha para as pessoas antes de olhar para os números.

A cidade cresce quando se cuida de sua gente. Cada investimento direcionado para a saúde é uma semente que floresce em forma de vidas salvas, histórias reescritas e esperança renovada. 

O fortalecimento do atendimento oncológico, somado ao empenho dos nossos representantes, mostra que estamos caminhando na direção certa. E, para quem enfrenta o câncer, essa mudança não é apenas bem-vinda — é urgente.

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Inaguração de Estação de Tratamento de Esgoto em Lumiar

quinta-feira, 13 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O distrito de Lumiar sempre foi um daqueles lugares onde o tempo parece correr mais devagar. O som do rio, o verde das montanhas, a vida que insiste em ser simples. Mas, por trás dessa paisagem bucólica, havia um problema antigo e incômodo: o esgoto sem o devido tratamento. 

O distrito de Lumiar sempre foi um daqueles lugares onde o tempo parece correr mais devagar. O som do rio, o verde das montanhas, a vida que insiste em ser simples. Mas, por trás dessa paisagem bucólica, havia um problema antigo e incômodo: o esgoto sem o devido tratamento. 

Foi inaugurada em Lumiar uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), da concessionária Águas de Nova Friburgo. A unidade é a quinta ETE construída no município e está localizada na altura do quilômetro 25 da rodovia RJ-142 (Nova Friburgo-Casimiro de Abreu). O novo sistema vai atender não apenas Lumiar, mas também o distrito vizinho de São Pedro da Serra, beneficiando cerca de dez mil moradores. 

Com capacidade para tratar até 1,7 milhão de litros de esgoto por dia, a ETE de Lumiar deve contribuir para a preservação dos rios e cachoeiras da região, reduzindo impactos ambientais e promovendo mais qualidade de vida à população. O investimento de R$ 38 milhões integra o plano de expansão do esgotamento sanitário conduzido pela empresa. 

Com a inauguração, Lumiar dá um passo histórico — e, convenhamos, um passo civilizatório. O sistema promete tratar mais de 90% do esgoto da região, um feito que muda não só o cenário ambiental, mas também a forma como o município se enxerga. 

 

Benefícios aos turistas, benefícios à cidade 

A tecnologia de tratamento foi instalada em um dos distritos mais simbólicos e turísticos de Nova Friburgo. O impacto é profundo: menos poluição nos rios, mais saúde para os moradores e, de quebra, um argumento poderoso para fortalecer o turismo sustentável. 

Pode parecer simples, mas estamos falando de uma transformação de mentalidade. Por décadas, o saneamento básico foi — e ainda é — tratado como assunto de bastidores. Enquanto se pintavam praças e se inauguravam portais, os esgotos seguiam correndo escondidos sob as pedras e as pontes. 

A nova ETE é fruto de uma luta antiga de moradores, ambientalistas e comerciantes que sabiam: turismo e rio poluído não combinam. Nenhum destino que se pretenda ecológico sobrevive se o visitante percebe que a beleza é apenas de superfície. O que nasce com essa obra é mais do que infraestrutura: é consciência. É entender que preservar exige investimento, persistência e, acima de tudo, respeito. 

A água que corre no Rio Macaé vai chegar mais limpa lá embaixo. E quem frequenta o Poço Verde ou o Encontro dos Rios vai sentir essa diferença na pele. Mas isso não é só sobre Lumiar — é sobre o modelo de cidade que Nova Friburgo quer ser. Porque, se há um lugar que depende da harmonia entre homem e natureza, é aqui. 

O esgoto tratado no alto da serra não beneficia apenas quem mora ali, mas toda a bacia hidrográfica que desce até o litoral. Cada litro de água limpa que sai dessa estação é um presente silencioso ao futuro. Água que abastece nossas casas, as cervejarias, as vinícolas e os restaurantes que fazem da cidade um polo criativo e gastronômico. 

 

Precisamos falar sobre Friburgo

A inauguração da ETE Lumiar também levanta uma reflexão inevitável: quantas outras regiões do município ainda esperam por algo parecido? Quantos bairros, distritos e comunidades rurais seguem sem coleta e tratamento adequados? A boa notícia é que, quando o poder público e a iniciativa privada se unem, as coisas acontecem. 

E o friburguense pode — e deve — cobrar que aconteçam em outros cantos também. Lumiar não pode ser exceção; precisa ser exemplo. É curioso pensar que, em uma cidade onde tanto se fala em turismo, cultura e qualidade de vida, o verdadeiro salto civilizatório começa por baixo da terra — nos canos, nas estações, nas obras que ninguém fotografa. Talvez seja esse o símbolo de uma nova fase para Nova Friburgo: a consciência de que o progresso não é o que brilha, mas o que limpa. 

Fala-se há anos em “transformar Nova Friburgo em uma nova Gramado”. Mas, antes de sonhar com luzes de Natal e avenidas floridas, é preciso garantir o básico. O básico é esgoto tratado, calçada livre, água limpa e planejamento. Gramado não nasceu organizada por acaso — ela se fez com investimento constante, fiscalização e cuidado coletivo. Se quisermos chegar perto disso, precisamos aprender a cuidar da cidade como cuidamos da nossa casa. 

A ETE Lumiar é, nesse sentido, um convite à maturidade. Um lembrete de que o futuro não se constrói com improvisos, mas com obras que permanecem. E, quem sabe, quando o friburguense puder mergulhar sem medo em qualquer rio do município, aí sim poderemos dizer: começamos a fazer as pazes com a natureza — e conosco mesmos. 

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Inovação com propósito: as startups que estão redesenhando o futuro da saúde

quinta-feira, 30 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios divulgou, na última semana, a lista das 100 Startups to Watch 2025, uma das seleções mais respeitadas do ecossistema de inovação brasileiro.

A revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios divulgou, na última semana, a lista das 100 Startups to Watch 2025, uma das seleções mais respeitadas do ecossistema de inovação brasileiro. O ranking, que chega à oitava edição, funciona como um verdadeiro radar para investidores, hubs e formuladores de políticas públicas. Entre as quase duas mil inscritas, 100 empresas foram reconhecidas como as mais promissoras do país — aquelas que estão transformando setores inteiros com base em tecnologia, propósito e impacto real. Ser listado ali é mais do que um reconhecimento: é uma chancela de relevância. 

Significa que uma ideia deixou de ser apenas promissora e passou a gerar resultados concretos — econômicos, sociais e humanos. Em um cenário ainda desafiador para as startups, em que o capital de risco se tornou mais seletivo, figurar entre as 100 é sinal de que o modelo de negócio é sólido, escalável e sustentável. 

Duas dessas startups chamam atenção por um ponto em comum: ambas nasceram com a missão de melhorar a relação das pessoas com a própria saúde — seja no campo físico, seja no emocional. A Guia da Alma e a SYN Saúde representam, cada uma à sua maneira, um novo paradigma de cuidado: mais acessível, mais digital e, ao mesmo tempo, mais humano. 

Saúde emocional como estratégia corporativa

Fundada em Florianópolis-SC, a Guia da Alma nasceu com a proposta de democratizar o acesso à saúde emocional dentro e fora das empresas. A plataforma conecta colaboradores a psicólogos e terapeutas integrativos de forma acessível, humana e personalizada — um modelo que muitos já chamam de “Gympass da terapia corporativa.” 

Mais do que uma plataforma digital, a Guia da Alma se posiciona como uma ponte entre propósito e tecnologia. Como explicou Rodrigo Roncaglio, CEO da empresa, “a pandemia foi um ponto de virada: o cuidado emocional deixou de ser um luxo e passou a ser parte essencial da performance e da qualidade de vida.” 

“O ecossistema de inovação foi fundamental para o nosso crescimento. Hoje, esse mesmo espírito de colaboração nos inspira a expandir para outros polos inovadores, como o do Estado do Rio de Janeiro — que vem crescendo muito com movimentos como o Inova FriValley. Acreditamos que aproximar propósito, tecnologia e impacto local é o que faz o ecossistema realmente florescer.” 

A visão da Guia da Alma é clara enquanto startup: unir propósito e tecnologia para gerar impacto humano real. “Usamos inteligência artificial para conectar pessoas ao terapeuta ideal e gamificação para aumentar o engajamento nos programas corporativos. Mas nosso propósito é profundamente humano: democratizar o acesso às terapias e promover equilíbrio emocional dentro das empresas.” 

A Guia da Alma não se limita à psicoterapia tradicional: ela reúne diversos tipos de terapias integrativas, incluindo yoga, meditação, reiki, aromaterapia, barras de access, mindfulness, entre outras práticas. Hoje, a healthtech oferece soluções de bem-estar corporativo baseadas em tecnologia e dados, ajudando empresas a compreender e cuidar da saúde mental de seus times de forma contínua e estratégica. 

Eficiência em cirurgias privadas

A SYN Saúde — a startup maranhense que vem ganhando espaço nacional — atua como uma plataforma que integra todo o processo das cirurgias particulares dentro dos hospitais, conectando pacientes, médicos e instituições em um mesmo fluxo digital. Na prática, ela simplifica e automatiza etapas burocráticas, como agendamento, orçamentos e pagamentos, tornando o atendimento particular mais previsível e acessível — tanto para o paciente quanto para o hospital. 

Além disso, a SYN realiza parcerias com empresas do setor de saúde, desenvolvendo soluções personalizadas que otimizam a rotina hospitalar e aumentam a eficiência das unidades. A missão da empresa é ambiciosa e clara: democratizar o acesso às cirurgias particulares, ajudando a aliviar a pressão sobre o SUS e permitindo que o sistema público concentre esforços em quem realmente precisa. 

“Nosso propósito é desenvolver uma solução capaz de otimizar a rotina hospitalar, proporcionar praticidade ao médico e previsibilidade e facilidade de pagamento ao paciente”, explica Ana Lemos, CEO da Syn Saúde. “O que mais nos surpreendeu foi perceber o impacto direto dessa integração na performance dos nossos parceiros. Hospitais que antes tinham processos lentos passaram a operar com mais agilidade e previsibilidade, aumentando significativamente a conversão de cirurgias particulares. A integração entre dados e cuidado humano permite que gestores tenham visibilidade total do fluxo de cirurgias, os médicos ganhem autonomia e o paciente vivencie um processo mais fluido e menos burocrático”, completa Ana. 

Um ecossistema que inspira

Empresas como a Guia da Alma e a SYN Saúde são exemplos claros de como a inovação brasileira tem rosto, propósito e impacto real. São soluções criadas por gente que entende de perto as dores do mercado e transforma tecnologia em ponte — entre empresas e pessoas, corpo e mente, acesso e cuidado. 

E aqui falo não só como colunista, mas como alguém que conhece essas histórias de dentro: são empresas que eu admiro, confio e recomendo de verdade. Em tempos em que o mundo parece girar rápido demais, olhar para essas iniciativas é lembrar que inovação não é só sobre máquinas, dados ou investimentos. É sobre gente resolvendo problemas reais. 

E se o Vale do Silício continua sendo o grande símbolo global, a Serra também tem seus vales de inovação. Iniciativas como o Inova FriValley, em Nova Friburgo, e projetos como o Integra Rio, na capital, mostram que criatividade, tecnologia e propósito não têm CEP. São ideias como essas — vindas das montanhas ou do litoral — que desenham, na prática, o futuro que a gente quer viver. 

 

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Beleza de montanha: moda, bem estar e altitude

quinta-feira, 23 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Há quem diga que o ar da montanha faz bem pra alma. E talvez faça mesmo — mas, nos últimos tempos, parece que ele anda fazendo bem também para os negócios. O Brasil atravessa um momento curioso: enquanto tantos setores ainda tateiam entre crises e retomadas, o da beleza e do bem-estar segue firme, bonito e de pé.  

Crescem as vendas de produtos naturais, os cuidados com o cabelo, a pele, a autoestima. É uma economia que floresce onde há espelho — e onde há gente tentando se sentir melhor consigo mesma. Em Nova Friburgo, essa onda encontra terreno fértil.  

 

Há quem diga que o ar da montanha faz bem pra alma. E talvez faça mesmo — mas, nos últimos tempos, parece que ele anda fazendo bem também para os negócios. O Brasil atravessa um momento curioso: enquanto tantos setores ainda tateiam entre crises e retomadas, o da beleza e do bem-estar segue firme, bonito e de pé.  

Crescem as vendas de produtos naturais, os cuidados com o cabelo, a pele, a autoestima. É uma economia que floresce onde há espelho — e onde há gente tentando se sentir melhor consigo mesma. Em Nova Friburgo, essa onda encontra terreno fértil.  

 

Como podemos lucrar com isso? 

A cidade, que há décadas veste o país com sua moda íntima, agora começa a se reposicionar num ecossistema de bem-estar que vai muito além da renda e do tecido. Academias ao ar livre, spas, estúdios de yoga, cafés com vista e trilhas que servem de terapia: tudo isso compõe uma nova economia da serra, onde o corpo, a mente e o espírito andam lado a lado. 

E o mais interessante é que, por aqui, esse movimento não chega com a pressa das grandes capitais — ele brota aos poucos, com o mesmo ritmo do nevoeiro que sobe pela estrada e vai tomando a paisagem. 

A pandemia acelerou uma mudança silenciosa. Muita gente que antes via beleza como luxo passou a encará-la como autocuidado. Não obstante, a última coluna Além das Montanhas foi sobre a diminuição do consumo de álcool no Brasil. Cuidar de si virou sinal de pausa, não de vaidade.  

Fazer uma trilha, uma massagem, um banho de floresta — tudo isso virou parte de uma estética mais profunda: a de estar bem. E se há um lugar que entende o poder do bem-estar com elegância e discrição, é a serra. Aqui, a beleza se mistura ao silêncio, e o silêncio é parte do tratamento. 

 

Capital da moda íntima

A indústria da moda íntima friburguense, que nasceu com máquinas e linhas, tem hoje uma oportunidade de ouro para dialogar com esse novo tempo. Marcas que falam de conforto, sustentabilidade e autoestima têm mais espaço do que nunca. A lingerie, antes símbolo do olhar externo, agora veste também a confiança interna.  

É um produto que não precisa aparecer pra ser revolucionário — e talvez resida aí a força de Nova Friburgo: produzir beleza que não precisa gritar. O mercado nacional confirma o movimento. Segundo dados recentes de consultorias internacionais, o Brasil se consolidou entre os maiores mercados de beleza do mundo, com destaque para produtos de cuidados pessoais e cosméticos sustentáveis. As empresas apostam em ingredientes naturais, embalagens recicláveis e narrativas de propósito. É o capitalismo aprendendo a respirar — ainda que devagar — o ar mais puro da coerência. 

 

Cenário ideal  

Friburgo tem tudo para se inserir com protagonismo nessa conversa. Além da tradição industrial, há o ambiente, o clima e o ritmo de vida que inspiram uma estética própria: a da tranquilidade. O bem-estar aqui não é de catálogo; é o de tomar café olhando o nevoeiro, de caminhar devagar na Praça do Suspiro, de conversar sem pressa no fim da tarde. É o luxo da simplicidade, um luxo que o tempo quase esqueceu. 

E o que talvez falte perceber é que essa vocação para o bem-estar pode se transformar em desenvolvimento econômico real. Uma cidade que respira natureza, moda e criatividade tem todos os ingredientes para se tornar um polo do turismo wellness — esse segmento que cresce no mundo inteiro, unindo saúde, beleza e descanso. Nova Friburgo pode ser destino, sim, mas também conceito: o de um lugar que inspira quem quer viver mais devagar e melhor. 

Talvez seja essa a verdadeira beleza de montanha: não a que se vende, mas a que se sente. A que nasce de dentro para fora, da conexão entre corpo e paisagem, entre o que somos e o lugar que habitamos. Nova Friburgo pode muito bem ser o berço de um novo conceito de beleza — um que mistura moda, natureza e propósito, com a leveza de quem sabe que, aqui em cima, o essencial sempre foi respirar. 

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No vermelho: o Brasil que vive a prazo

quinta-feira, 16 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Se antes o brasileiro brincava dizendo que “dinheiro é um hóspede que nunca dorme em casa”, agora a piada perdeu a graça. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 30,2% das famílias estão inadimplentes — é o maior índice em quase dois anos. São mais de três em cada dez lares com contas atrasadas, e isso diz muito sobre o país que estamos nos tornando.

Se antes o brasileiro brincava dizendo que “dinheiro é um hóspede que nunca dorme em casa”, agora a piada perdeu a graça. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 30,2% das famílias estão inadimplentes — é o maior índice em quase dois anos. São mais de três em cada dez lares com contas atrasadas, e isso diz muito sobre o país que estamos nos tornando.

Não é difícil entender o motivo. A taxa de juros está em 15% ao ano, e o crédito, cada vez mais curto e caro. O consumidor compra o básico — um eletrodoméstico, um remédio, o material escolar dos filhos — e já sente o peso do parcelamento. E quando a renda não cresce no mesmo ritmo, a conta chega. E chega rápido.

O brasileiro vive num eterno malabarismo: tenta pagar as contas, equilibrar o orçamento e ainda manter um mínimo de dignidade no consumo. Só que a matemática não fecha. Tudo ficou mais caro, o salário não acompanhou, e o cartão de crédito virou o bote salva-vidas que também serve de âncora.

 

Dívida x inadimplência

É importante lembrar: estar endividado não é o mesmo que estar inadimplente. O endividado ainda paga as parcelas, mesmo com aperto. O inadimplente é aquele que já não consegue mais. E é aí que mora o drama — porque a inadimplência não cobra só juros, ela cobra saúde mental, relacionamentos e noites de sono.

Muita gente hoje trabalha para pagar o que comprou meses atrás. O salário chega, mas já vem comprometido: aluguel, escola, mercado, remédios, gasolina. O dinheiro não circula, apenas passa. E com os bancos encurtando prazos e elevando taxas, o crédito se tornou mais defensivo — um favor caro, não uma solução.

O cartão de crédito segue como o maior vilão, presente em 84,5% dos casos de endividamento. Ele dá a sensação de poder, mas é um poder ilusório. Permite comprar o que o salário não cobre, e prende o consumidor em juros de 400% ao ano. É uma armadilha moderna, vendida com sorriso digital, “cashbacks” e limites pré-aprovados que soam como generosidade, mas escondem o abismo.

 

Cenário de Nova Friburgo

Em Nova Friburgo, a realidade não é diferente — e talvez seja até mais sentida. O comércio, que já enfrenta meses de vendas mais fracas, sente o reflexo direto da inadimplência. Lojas de roupas, eletrodomésticos e até farmácias relatam que o cliente compra menos, negocia mais e volta a pedir “pra anotar no caderno”. O retrato do comércio friburguense revela uma cidade que se esforça para manter o consumo, mas esbarra na renda curta.

Os números nacionais ganham rosto na serra. São famílias de renda apertada, pequenos empreendedores, autônomos e servidores que perderam o equilíbrio financeiro com o aumento do custo de vida. E veja: falamos de uma cidade do interior, onde o custo é considerado baixo se comparado às capitais. Mesmo assim, o básico pesa. O aluguel subiu, o mercado encareceu, e o cafezinho de fim de tarde virou luxo ocasional.

Por trás desses dados há histórias que não cabem em tabelas. A inadimplência, em Friburgo e fora dela, não é apenas econômica: é emocional. É a mãe que atrasa o plano de saúde, o pai que corta o lazer, o autônomo que não sabe se paga o fornecedor ou o aluguel. É o comerciante que vende a prazo torcendo para o cliente não sumir. O endividamento cobra caro: em culpa, ansiedade e preocupação.

E há um detalhe que passa despercebido: a dívida também isola. Muita gente se afasta de amigos, evita falar de dinheiro e carrega o peso do “fracasso financeiro” como se fosse culpa individual — quando, na verdade, é um problema coletivo, de um sistema que empurra o cidadão ao crédito antes de oferecer condições dignas de renda.

 

A conta não fecha

A ironia é que, enquanto o brasileiro faz malabarismo para fechar o mês, os lucros dos bancos seguem recordistas. O sistema financeiro não sofre crise: se adapta, se reinventa e sempre cobra. Há tecnologia para tudo — menos para aliviar o bolso de quem vive de salário. O lucro é trimestral; o sufoco, diário.

Nova Friburgo também aprendeu a viver no fiado — do mercado do bairro ao cartão de crédito, a confiança virou moeda. Mas o fiado moderno tem aplicativo, juros compostos e data de vencimento automática. O problema é que a conta, cedo ou tarde, vence. E o boleto que o país precisa encarar não é só financeiro — é moral, social e emocional.

A inadimplência é o espelho de um país cansado. Gente que trabalha, produz, se esforça, mas ainda assim termina o mês com o extrato negativo. Talvez o maior desafio do futuro não seja ampliar o crédito, e sim devolver o fôlego. Porque, no fim, a inadimplência é só o sintoma de um país — e de uma cidade — que há muito tempo não consegue pagar o preço de si mesmo.

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