Inaguração de Estação de Tratamento de Esgoto em Lumiar

Lucas Barros

Além das Montanhas

Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O distrito de Lumiar sempre foi um daqueles lugares onde o tempo parece correr mais devagar. O som do rio, o verde das montanhas, a vida que insiste em ser simples. Mas, por trás dessa paisagem bucólica, havia um problema antigo e incômodo: o esgoto sem o devido tratamento. 

Foi inaugurada em Lumiar uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), da concessionária Águas de Nova Friburgo. A unidade é a quinta ETE construída no município e está localizada na altura do quilômetro 25 da rodovia RJ-142 (Nova Friburgo-Casimiro de Abreu). O novo sistema vai atender não apenas Lumiar, mas também o distrito vizinho de São Pedro da Serra, beneficiando cerca de dez mil moradores. 

Com capacidade para tratar até 1,7 milhão de litros de esgoto por dia, a ETE de Lumiar deve contribuir para a preservação dos rios e cachoeiras da região, reduzindo impactos ambientais e promovendo mais qualidade de vida à população. O investimento de R$ 38 milhões integra o plano de expansão do esgotamento sanitário conduzido pela empresa. 

Com a inauguração, Lumiar dá um passo histórico — e, convenhamos, um passo civilizatório. O sistema promete tratar mais de 90% do esgoto da região, um feito que muda não só o cenário ambiental, mas também a forma como o município se enxerga. 

 

Benefícios aos turistas, benefícios à cidade 

A tecnologia de tratamento foi instalada em um dos distritos mais simbólicos e turísticos de Nova Friburgo. O impacto é profundo: menos poluição nos rios, mais saúde para os moradores e, de quebra, um argumento poderoso para fortalecer o turismo sustentável. 

Pode parecer simples, mas estamos falando de uma transformação de mentalidade. Por décadas, o saneamento básico foi — e ainda é — tratado como assunto de bastidores. Enquanto se pintavam praças e se inauguravam portais, os esgotos seguiam correndo escondidos sob as pedras e as pontes. 

A nova ETE é fruto de uma luta antiga de moradores, ambientalistas e comerciantes que sabiam: turismo e rio poluído não combinam. Nenhum destino que se pretenda ecológico sobrevive se o visitante percebe que a beleza é apenas de superfície. O que nasce com essa obra é mais do que infraestrutura: é consciência. É entender que preservar exige investimento, persistência e, acima de tudo, respeito. 

A água que corre no Rio Macaé vai chegar mais limpa lá embaixo. E quem frequenta o Poço Verde ou o Encontro dos Rios vai sentir essa diferença na pele. Mas isso não é só sobre Lumiar — é sobre o modelo de cidade que Nova Friburgo quer ser. Porque, se há um lugar que depende da harmonia entre homem e natureza, é aqui. 

O esgoto tratado no alto da serra não beneficia apenas quem mora ali, mas toda a bacia hidrográfica que desce até o litoral. Cada litro de água limpa que sai dessa estação é um presente silencioso ao futuro. Água que abastece nossas casas, as cervejarias, as vinícolas e os restaurantes que fazem da cidade um polo criativo e gastronômico. 

 

Precisamos falar sobre Friburgo

A inauguração da ETE Lumiar também levanta uma reflexão inevitável: quantas outras regiões do município ainda esperam por algo parecido? Quantos bairros, distritos e comunidades rurais seguem sem coleta e tratamento adequados? A boa notícia é que, quando o poder público e a iniciativa privada se unem, as coisas acontecem. 

E o friburguense pode — e deve — cobrar que aconteçam em outros cantos também. Lumiar não pode ser exceção; precisa ser exemplo. É curioso pensar que, em uma cidade onde tanto se fala em turismo, cultura e qualidade de vida, o verdadeiro salto civilizatório começa por baixo da terra — nos canos, nas estações, nas obras que ninguém fotografa. Talvez seja esse o símbolo de uma nova fase para Nova Friburgo: a consciência de que o progresso não é o que brilha, mas o que limpa. 

Fala-se há anos em “transformar Nova Friburgo em uma nova Gramado”. Mas, antes de sonhar com luzes de Natal e avenidas floridas, é preciso garantir o básico. O básico é esgoto tratado, calçada livre, água limpa e planejamento. Gramado não nasceu organizada por acaso — ela se fez com investimento constante, fiscalização e cuidado coletivo. Se quisermos chegar perto disso, precisamos aprender a cuidar da cidade como cuidamos da nossa casa. 

A ETE Lumiar é, nesse sentido, um convite à maturidade. Um lembrete de que o futuro não se constrói com improvisos, mas com obras que permanecem. E, quem sabe, quando o friburguense puder mergulhar sem medo em qualquer rio do município, aí sim poderemos dizer: começamos a fazer as pazes com a natureza — e conosco mesmos. 

Publicidade
TAGS:

Lucas Barros

Além das Montanhas

Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.