Checar a verdade do seu pensamento

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 23 de julho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Nossa mente funciona com pensamentos, sentimentos e escolhas ou decisões. Você pensa, sente e age. Após pensar, sentir e não agir, isso é também uma decisão. Os pensamentos favorecem o surgimento dos sentimentos e esses conduzem ao comportamento. Se você repete sempre o mesmo comportamento, surge o hábito. E tudo isso vai estruturando sua personalidade.

Então, observe que primeiro vem o pensamento. Você pensa e o que pensou vai dar origem ao que você sente. Exemplo, você pensou: “Aquela pessoa olhou para mim de forma depreciadora.” Ela não disse nada. Só olhou. Mas sua interpretação é que ela deu uma olhada desvalorizadora de sua pessoa. Você também não checou isso, portanto, é um pensamento seu, que pode ser baseado na verdade ou não. A pessoa pode ter mesmo dado uma olhada para você com um ar de depreciação, ou não.

Mas, antes de saber a verdade, sua mente produziu esse pensamento: “Aquela pessoa olhou para mim de forma depreciadora.” E esse pensamento pode causar algum sentimento, que pode ser tristeza, raiva, ansiedade, vergonha ou outro. O que você pensa influi no que você sente.

Se nesse exemplo a pessoa não teve uma atitude de depreciação de sua pessoa, mas sua mente pensou nisso, você pode se relacionar mal com ela naquele momento porque interpretou de forma negativa o olhar dela. Então, muitas pessoas podem sofrer emocionalmente porque seus pensamentos podem costumeiramente ter um conteúdo negativo, pessimista, catastrófico, derrotista e não porque elas não são amadas, aceitas, respeitadas pelos outros. Isso se chama “distorção de pensamento” que causa sofrimento desnecessário.

Para corrigir isso é preciso saber a verdade. Conhecendo a verdade, ela pode libertar você de ter sentimentos desagradáveis quando a verdade é que você não foi rejeitado, depreciado, abandonado. Ou a verdade pode ensinar algo sobre seu jeito de ser que precisa correção, porque a pessoa pode realmente ter pensado em alguma atitude sua que não tem sido boa. Ou seja, a verdade que chega na sua mente pode ser agradável ou desagradável, mas sempre a verdade participa da cura. Não tem cura sem verdade.

Quando alguma coisa acontece e produz em você um sentimento de ansiedade, é possível viver essa ansiedade sem se apavorar. Se for tristeza, é possível senti-la sem se desesperar. E se o sentimento que surgiu foi raiva, é possível vivenciar a raiva sem agredir. Isso é um aprendizado disponível para todos sobre lidar com sentimentos. O que precisa é pensar, perguntar primeiro a si mesmo: O que foi que eu pensei que produziu esse sentimento que tenho agora? Quais foram os pensamentos que estavam em minha mente que causaram esse sentimento? Esses pensamentos são baseados numa verdade ou numa suposição?

Você pode perguntar: Como posso saber se o que pensei e que me gerou esse tipo de sentimento, tem base na verdade? A melhor maneira de saber algo é perguntar. Pergunte sem julgar. Faça a pergunta para saber a verdade e não para criar confusão. E preste atenção no que você pensa, porque, como expliquei, o que você pensa produz o que você sente, e o que você sente conduz ao que você faz, leva ao seu comportamento.

Aprendendo a corrigir pensamentos desagradáveis desnecessários, pessimistas, de corrupção, agressivos, arrogantes, com conteúdo catastrófico, de medo, sua saúde mental melhora. Isso é psicoeducação. A medicação não pode tomar o lugar disso para a melhora da saúde mental.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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