Crescer dói

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 22 de julho de 2026
por Camilla Fiorito
Crescer dói. Crescer desconforta. Crescer confronta.
Desde pequenos, passamos por uma infinidade de ciclos e etapas que vamos conhecendo e experimentando ao longo da nossa jornada.
Um caminhar marcado por diversas fases enquanto bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Cada uma com as dores e os sabores de ser.
A responsabilidade vai aumentando, a pressão chega firme, a cobrança do outro e a nossa autocobrança se entrelaçam, desestabilizando aquilo que era supostamente confortável e palpável.
O luto por quem você era, pelo passado, pelo que foi vivido e experienciado bate à porta e, com ele, chega o medo do desconhecido e daquilo que está por vir. Somamos todas as mudanças às transições que vão acontecendo de forma interna e externa, sem pausa no tempo. Somos cobrados como se devêssemos dar conta de cada novo trecho dessa estrada que está sendo construída, com pedras, buracos, mata fechada. 
Quando crescemos, deixamos etapas para trás e validar os sentimentos que juntos vão surgindo nessa grande gangorra que oscila, deixa o caminhar mais leve. A grama fica mais macia, o vento fica mais fresco, o ar fica mais puro.
Crescer suaviza. Crescer transforma. Crescer aprofunda.
A aceitação de algumas perdas e a conquista de novos ganhos fazem parte da vida. Errar, acertar, começar, recomeçar, saber, não saber fazem parte da nossa construção e evolução como sujeito.
Mas, durante essa trajetória de tomadas para si, o desconforto fica latente, pois a zona de conforto de cada etapa anterior, pouco a pouco, vai ruindo.
Encarar a finitude dos ciclos com leveza desperta tranquilidade. A ansiedade desacelera, a marcha ré é engatada, a transição é realizada.
Me lembro dos meus crescimentos iniciais. No início, cada um deles foi acontecendo como um tufão que estremecia as estruturas. Pouco a pouco, com a maturidade da vida se desenvolvendo, as chuvas e garoas também foram tomando o seu lugar, assim com os dias ensolarados.
Ainda estou em processo de transformação, agora com quatro décadas e meia vividas. A diferença é que a percepção e a reação mudaram. Assim com o entendimento de que cada processo não precisa ser passado sozinho ou de forma solitária.
O crescer pode ser ressignificado!
 
Até a próxima quarta!
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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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