A magia dos desenhos animados e a literatura

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

terça-feira, 21 de julho de 2026
por Tereza Malcher

A magia desponta na relação entre a literatura e os desenhos animados a partir da interpretação do texto e da sua tradução em imagens com movimento. Os artistas da literatura constroem mundos inteiros e os do desenho materializam as ideias invisíveis feitas de palavras. Com espíritos imaginativos entrecruzados, criam universos mágicos com o intuito de oferecer fantasia aos espectadores, a maioria crianças e jovens. Por que não os adultos? Aliás, qual adulto não teve sua infância marcada pelos desenhos animados?

A ideia primeira, o fio condutor, o roteiro, é do escritor que cria a história. A seguir, o desenhista a materializa a partir da maneira como a percebe, assimila os personagens e imagina os cenários. Nessas distintas instâncias não há regras rígidas para a criação. A fantasia, ao embalar todas as etapas do processo, oferece diversão e estimula o imaginário de quem a assiste.

A imaginação do escritor roteirista e a do desenhista supera as leis da Física e da Biologia; tudo pode acontecer: um cavalo falar, um brinquedo ter asas e voar e um urso cozinhar. As cenas são pensadas e estruturadas seguindo o princípio da verossimilhança, para que ofereça ao espectador a impressão de ser verdadeiro.

Seus personagens são lúdicos, engraçados, atraentes e expressivos. A alegria, o espanto, a dúvida e a tristeza são indicadas no texto para serem expressas no desenho, através de um delicado trabalho entre a sensibilidade dos artistas. Na animação, por exemplo, os sentimentos se transformam em imagens literais, como o coração pulando fora do peito e a raiva fazendo a fumaça sair pelas orelhas.

 Nem sei se é preciso haver comunicação entre um e outro, nem o escritor deve determinar como a sua ideia vai se materializar nos traços do desenhista. Mas, certamente, quem vai desenhar precisa captar a essência de todas as etapas da história. E, muitas vezes, vai além, ampliando-a. O que comumente acontece.

Vou contar uma experiência com o meu personagem, o Labareda, do livro “Um cão cheio de ideias”. Quando minha obra foi adaptada para o teatro, o ilustrador do livro percebeu meu personagem de uma forma e o desenhou. O desenhista da peça idealizou uma figura totalmente diferente. Cada um dos atores descreveu o Labareda de uma maneira. E eu entrei em desespero porque a minha ideia era diferente de todas. Mas entendi, por fim, que a beleza do processo estava justamente nessa diversidade de percepção, que estimulou o diálogo e enriqueceu a encenação. Deu nova vida à história.

O desenho animado tem uma linguagem universal, posto que as imagens dizem tudo e muito mais.  Uma relação dinâmica e criativa entre o escritor e o desenhista faz com que a criança e o adulto se emocionem com a mesma cena, mesmo sendo captada a partir de entendimentos diferentes. Além do que, os desenhos animados mostram situações vividas pelas pessoas, seja de modo objetivo, metafórico ou fantástico. O espectador reage e se identifica com os personagens que fazem a história acontecer.

Por outro lado, alguns desenhos animados podem ser considerados verdadeiras poesias em movimento, como o do “O Pequeno Príncipe”. Os contos de fadas, escritos por Hans Christian Andersen, pelos Irmãos Grimm e por Charles Perrault são eternizados pelos desenhos animados.  Ao assisti-los, a criança pode sentir vontade de ter acesso às obras clássicas, ser estimulada a buscar o livro e descobrir o prazer de ler.

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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