Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

10/02/2026

Nos primeiros dias deste ano, assisti ao documentário sobre a vida e a obra de Walt Disney, e à série baseada no livro “Ninguém nos viu partir”, um texto autobiográfico de Tamara Trottner. Ambos me fizeram refletir sobre as consequências das decisões que tomamos, que podem atingir a vida das pessoas, inclusive das gerações subsequentes. De certo, somos resultado das decisões políticas, familiares, grupais, culturais, institucionais e, especialmente, das nossas.

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03/02/2026

Certa vez, faz alguns anos, um amigo veio à minha casa e antes mesmo de me cumprimentar me ofereceu um livro e disse: quando acabar de ler, passa adiante. Assim o fiz e dei a uma amiga, que passou a outra amiga. Eu me senti bem em fazer parte daquela corrente de leitura, que possibilitou ao livro uma vida ativa por não ter ficado estanque na casa do meu amigo.

O livro, ao entrar numa corrente de leitura, estará sempre vivo! Fechado, num canto de uma mesa ou esquecido numa estante, ficará adormecido com as palavras e ideias entaladas, com indigestão.

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27/01/2026

Quando me fiz esta pergunta, algo dentro de mim, possivelmente vindo de algum canto da minha alma, começou a reagir negativamente. Não! Como posso falar sobre uma instância abstrata, que não vemos, não tocamos ou ouvimos, mas sentimos sua existência e força, que subsiste ao tempo, às mudanças e à morte. Está na alma o princípio da individualidade, o registro histórico da experiência existencial, quer seja nesta vida ou em outras. É possível que seja o princípio mais abrangente do universo e que exista nas diferentes formas de existências; em todos os seres.

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20/01/2026

Faz tempo que assisti ao filme “Forrest Gump, o contador de histórias”, e não me esqueço das suas mensagens. Resolvi, agora, ler a respectiva obra literária, criada pelo autor americano Winston Groom (1943-2020), e tenho me sensibilizado mais ainda com a vida do personagem, elaborado como tendo um Q.I. abaixo da média. Durante a leitura venho perguntando: o que é ser idiota? Hoje, ter pureza d’alma, sentimentos de compaixão, lealdade, honestidade e generosidade podem caracterizar um bobo ou um sábio?

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13/01/2026

Na vida do jovem, qual o espaço que o livro de literatura possui entre celulares, sites da internet, jogos eletrônicos, dentre outros trecos virtuais?

Esta é uma pergunta que volta e meia faço. Ao refletir a respeito, argumentos me surgem que justificam o valor desse objeto mágico feito de palavras. Hoje, os livros são editados de modo material ou virtual; o importante é que sejam lidos e aproveitados pelos jovens por inteiro.

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06/01/2026

Se uma criança faz aniversário, uma opção de presente é um livro de literatura. Será que o presenteador reconhece o valor do livro e qual pode ser o mais adequado? A escolha não se limita a ir a uma livraria, parar diante da estante de livros infantis e pegar aquele que mais chame atenção aos olhos.

Antes de escolher um livro vale a pena ter a consciência dos valores existentes em cada uma das suas páginas. O livro de literatura infantil pode ser um objeto de consumo, como um brinquedo. Mas há algo a mais!

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30/12/2025

É comum desejar felicidades e conquistas, saúde e alegrias para o ano que vai chegar; votos que sempre fiz e recebi durante anos. Porém uma amiga me enviou, neste final de ano, via WhatsApp, uma antiga prece portuguesa, de autoria desconhecida, que enseja que mantenhamos no ano que está por vir as conquistas que fizemos durante a vida. O conteúdo da oração me impactou e me fez refletir a respeito e concluir que mantê-las poderia ser até mais difícil do que os esforços que empreendemos para tê-las.

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24/12/2025

Às vésperas de Natal, resolvi passear sobre poemas natalinos a fim de captar mensagens, querendo experimentar esse tempo enriquecido pelos versos dos poetas que admiro. As minhas palavras expressam certas tristezas e fogem um pouco do clima festivo posto que emergem de um canto da minha alma que sente o mundo carente de bondades.  Vou começar por Manuel Bandeira (1886-1968) com uma estrofe do poema “Canto de Natal”:

“O nosso menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para fazer o bem.”

 

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23/12/2025

Certa vez, numa cerimônia religiosa, escutei que vivemos para aprender a amar. Saber amar é um dos aprendizados mais complexos que existem e um desafio que experimentamos em cada momento do nosso dia a dia. Nas conversas do nosso grupo no Clube Vivências, durante a leitura do livro de Lázaro Ramos, “Na nossa pele”, editado pela Objetiva, em 2025, foi ressaltado que as relações afetivas em que os pais ou aqueles que ocupam estes lugares estabelecem com os filhos influenciam os modos como estes irão se relacionar com os seus próprios filhos.

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16/12/2025

Já escrevi tantas colunas e ainda não falei do meu inseparável amigo, o dicionário. Ah, a nossa Língua Portuguesa é de uma riqueza admirável. Autêntica, romântica e independente, é para o brasileiro um “valor” maior posto que é a sua língua materna e é nela que habita, casa que o faz humano e ser quem é. Brasileiro, inclusive. Falando e ouvindo, lendo e escrevendo, apreende o conhecimento, compartilha a cultura e o mundo se aproxima das suas mãos.

Dominá-la é uma dignidade!

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