As superações diárias: do amanhecer ao canto da coruja da madrugada. Quantas mulheres fazem essa trajetória com a coragem dos heróis. As guerreiras, muitas vezes silenciosas e invisíveis, fazem a vida delas, e a dos seus acontecerem. Lutam. Como sempre foram laboriosas, se em tempos antigos, se em tempos atuais, ora pois sim, elas continuam a hastear suas bandeiras pelos quatro cantos do mundo. Com independência e vivacidade, entoam o hino da sobrevivência criativa e inteligente.
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana

Tereza Cristina Malcher Campitelli
Momentos Literários
Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.
Sou encantada com o “O Pequeno Príncipe” desde que comecei a escrever. Lendo o texto como aprendizado e incentivo à escrita, fui tomada pela impressão de, a cada página, abrir um baú de guardados cheios de esperança e vida, mensagens que temos de cuidar para usar em cada momento do dia. Quando li o capítulo em que o principezinho conhece e conversa com a raposa, entrei em contato com a gentileza do gostar.
Vocês podem imaginar uma juíza utilizando o texto de um livro para justificar e ilustrar a sua sentença? Pois é, isso aconteceu de fato. Carolina Mascarein, titular do Juizado de Família, Infância e Adolescência nº. 4 de Corrientes, na Argentina, determinou que um pai, que havia solicitado deixar de pagar a pensão dos seus filhos, lesse “O Pequeno Príncipe” para que pudesse refletir sobre a importância da empatia e da consciência do seu papel paterno. A juíza argumentou que a obra transmite valores como o amor, o respeito, a amizade e o cuidado com os demais.
Vou fazer uma confissão nada secreta, até porque este jornal voa para tantos lugares; o que eu publicar aqui muita gente vai saber. Não foi à toa que comecei a escrever histórias para crianças, posto que a obra de Saint Exupéry, especialmente “O Pequeno Príncipe”, me iluminou. Li e reli o livro várias vezes e fui me encantando com o modo simples de transpor suas ideias para o papel, com a maneira pela qual olhava para a vida. Cheguei à conclusão, para o sossego de minha alma, que eu pensava de maneira parecida com ele.
Da mesma forma que entre o céu e a terra há caminhos que unem um ao outro, entre o autor e o personagem há vínculos indissociáveis. O fazer literário não é espontâneo. Como o autor tem uma identidade constituída por uma história de vida, cuja essência é complexa, inconsciente e multifacetada, suas criações emergem desse contexto pessoal e único que determina o modo como elabora suas ideias e as transpõem para os textos.
Sou friburguense de coração; de nascimento, carioca. Gosto tanto daqui que conheço de longe o cheiro da terra, o barulho das águas e a dança das árvores ao vento. Por sorte, para me sentir mais fincada ainda na cidade, em 2017, recebi o título de cidadania friburguense das mãos do então vereador Márcio Damazio.
O encontro com a nossa criatividade acontece quando ainda somos bebês e brincamos com as nossas mãos e pés. Sem nada para fazer no berço e ainda com os movimentos limitados, a criança começa a inventar modos de brincar com o corpo e a própria voz ao balbuciar, gritar, chorar e rir. A cada momento, um movimento e um som vão sendo descobertos. E, por aí vai, dias a fio, o bebê começa a fazer coisas que nunca fez, deixando a criatividade despontar.
A criatividade acontece. É reativa. Brota. Sai da pessoa como uma catarse, uma explosão natural da vontade de fazer ou dizer algo diferente, do ímpeto de buscar formas avançadas para estabelecer relações entre as coisas. A vida nos cutuca a ir além, a mostrar o que sentimos e pensamos através da palavra ou das expressões artísticas, como a literatura, a música, a pintura e tantas outras. O mundo é movimento puro e veloz, faz-se e refaz-se todos os dias através da natureza e das capacidades criativas dos seus habitantes. Vivemos em um planeta mutante.
O primeiro texto que li quando comecei a cursar o mestrado em Educação, na PUC-Rio, foi o de Rubem Alves (1933 – 2014), escritor, psicanalista, educador e teólogo. Ele dizia que tinha um caderno em que fazia anotações das suas ideias, das situações que vivenciava ou observava. Era um texto simples que li com facilidade e prazer. Não tinha palavras complexas, mas tudo o que ali estava escrito ficou borbulhando em meus pensamentos.
De um modo geral, a biografia é um gênero literário não ficcional que narra a vida de alguém, mostrando sua história, os acontecimentos importantes decorrentes de conquistas, desafios e polêmicas. Abrange também suas opiniões, valores, crenças e atitudes. Enfim, é um gênero que contém registros a respeito dos modos como o biografado colaborou e participou da sua época. Aborda pessoas notáveis na arte, na política, nos esportes e na comunidade. Ou não.
