Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

15/04/2026

Poesia, poesía, poésie, poesie, poesi, poezija, poetry, puisìa, költészet, filíocht, mele, poesis, poezie, poezja.

Os idiomas são inúmeros, mas poesia será sempre poesia. Melodias que trazem profundidade emocional ao coração, paixão aos olhos e musicalidade aos ouvidos.

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08/04/2026

Apressado. O mundo está com pressa. Uma pressa que atropela e traz um efeito manada, sem freio. 

O tic tac do relógio não tem fim. A mente não desliga, as tarefas não acabam, os papéis se acumulam, os turnos se fundem e o horário do descanso custa a chegar ou, simplesmente, não chega.

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01/04/2026

Nunca sabemos a hora certa de seguir e de deixar ir. Nos apegamos ao cheiro, ao momento, ao espaço, à voz, à rotina, às pessoas. Desenvolvemos laços fortes que enlaçam como uma corrente poderosa que não pode e não quer ser quebrada. 

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25/03/2026

Vazio, vago, frívolo, fútil, junto, unido, reunido, distanciado, isolado, excluído, separado.

Se sentir parte de um grupo ou de um lugar traz o pertencimento. A sensação de um pertencer que, nem sempre, deixa claro o real desejo de estar.

Me lembro da minha juventude, onde não me sentia confortável com as piadas sem graças, as ações inadequadas disfarçadas de brincadeiras, os insultos que não dava para deixar para lá. Não me esforçava para caber. O estar precisava ter sentido e vir de encontro com que eu tinha como escolha de vida.

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18/03/2026

Renascer, renovar, ressurgir no descontrole, na desordem, nos descontrola em um todo, trazendo movimentos que não conseguimos nomear.

O desequilíbrio e a confusão nos tira do centro. Emergir, aflora, desponta aquilo que procuramos guardar na nossa caixa, onde muitas facetas de nós mesmos se encontram. Traz ódio, tristeza, indignação, medo, decepção, cobrança, desalento, desconforto, insegurança que fazem com que a saúde mental fique inteiramente desorganizada.

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11/03/2026

Nunca se teve tão em voga os debates e discussões sobre a violência contra a mulher. Uma violência que vem velada de tantas formas e meios, seja de qual natureza for.

As palavras vão surgindo e uma imensidão de pensamentos inundam a minha mente, como se fossem flashes de um mundo que não está muito distante, pois a maior parte das mulheres já sofreu e faz parte de uma vasta estatística que jamais gostaria de estar.

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04/03/2026

Convivência, troca de experiências e saberes, encontros inusitados. Tudo isso chega dentro de uma junção de mundos, onde várias pessoas convivem dia após dia, com suas histórias, bagagens de vida, leituras de mundo.

“Ah, essa geração! Na minha época…”.

Uma fala que surge com frequência e vem carregada de tanto sentido e significado para quem transmite, mas, para quem escuta, pode chegar como um incômodo repentino.

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25/02/2026

Foco. Paro. Perco. Acho. Volto. Recomeço.

Focar em um mundo que se apressa e se perde em uma rolagem infinita em um objeto que passou a ser desejo de consumo de uma sociedade é um desafio constante.

As horas passam e ficamos na inércia que criamos e desenhamos dentro de um escopo que parece perdido.

Pausamos para alimentar nossa alma que clama por descanso. Um descansar que não desacelera e luta como se estivesse em uma grande batalha, onde o ciclo vicioso chega como um forte vilão.

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19/02/2026

“Ô abre alas que eu quero passar”, já dizia a marchinha de Carnaval de Chiquinha Gonzaga, criada em 1899.

Abrir passagem para plumas, paetês, confetes, serpentinas, alegria, encontros, gargalhadas, emoções, superação, criatividade em uma mistura de povos, onde a tristeza dá trégua por um breve instante e um mundo de fantasia passa a fazer parte durante alguns dias.

Me faz lembrar dos meus carnavais na infância, adolescência e juventude.

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11/02/2026

“Eu nasci assim, sou assim e vou morrer assim”
Essa fala ecoa de forma profunda. Evidencia medo, insegurança, resistência à mudança em um mundo que muda constantemente.

Mudamos de visão, de sentimento, de percepção, de opinião, de aceitação, de gosto, de pensamento, de estilo de vida, de postura, de comportamento, de organização interna e externa.

A nossa mente cria vários mecanismos que são sentidos no corpo, na nossa respiração, temperatura e em sensações que causam desconforto, trazendo constrangimento, seja para si mesmo ou para o outro.

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