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A importância das despedidas

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
Nunca sabemos a hora certa de seguir e de deixar ir. Nos apegamos ao cheiro, ao momento, ao espaço, à voz, à rotina, às pessoas. Desenvolvemos laços fortes que enlaçam como uma corrente poderosa que não pode e não quer ser quebrada.
A base sólida penetra e se instala, trazendo percepções que acalentam e acomodam. Mas o alicerce pode ruir de forma inesperada, como um castelo de areia que desmorona em míseros segundos, fazendo com que cada grão trace uma direção que não era planejada. Quando acontece, ver tudo aquilo que foi construído ir embora, é doloroso. Sangra de forma silenciosa.
É como se percebêssemos que tudo aquilo que elaboramos, desenhamos, sonhamos, esperamos não fosse se concretizar, pois o aqui e agora pode mudar em um pequeno espaço de tempo. Sim, pode mudar. Não é estático, imóvel, sem alterações. A vida é movimento, vivacidade, calor, entusiasmo, vitalidade, vigor, cor e sabor.
Deixar ir e seguir adiante mexe com toda uma estrutura que desestrutura e estremece o nosso ser. A maturação demora e ressignificar, às vezes, parece impossível.
Se despedir daquilo que amamos, queima as nossas entranhas. Deixar o que estimamos, desejamos, construímos, acreditamos, é um processo que desencadeia uma trama que nos envolve em tantos formatos e pontos.
Lembro das minhas perdas. Foram muitas. Familiares, amigos, animais de estimação, objetos, aquilo que não tive e que poderia ter. Também precisei deixar ir e seguir adiante em empregos, relações com pessoas que faziam parte do meu círculo social, mudanças de cidade e decisões importantes. Processos que causaram dor, mas que foram necessários para o meu crescimento pessoal e emocional. O tempo de assimilação e entendimento foi moroso, onde cada acontecimento teve a sua duração. Uns mais, outros menos.
O caminho que percorremos ao longo da vida, esse que nos surpreende a todo instante, deixa de forma límpida que, diariamente, perdemos e ganhamos. Porém, nunca estamos prontos para perder, mas, na maioria das vezes, estamos à espera do ganhar. Um ganhar que nos faz ir adiante com sentimento de dever cumprido, mesmo tendo que abrir mão de algumas pontuações, para continuarmos em frente.
Deixar ir e seguir fazem parte da nossa trajetória. O luto precisa ser vivido, respeitado e sentido por cada um à sua maneira, assim como as decisões devem ser consideradas em sua totalidade e profundidade, para que o trajeto fique mais fluído.
Siga o fluxo!
Até a próxima quarta!
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Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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