Entre o vazio interno e o desejo de estar junto

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Camilla Fiorito

Vazio, vago, frívolo, fútil, junto, unido, reunido, distanciado, isolado, excluído, separado.

Se sentir parte de um grupo ou de um lugar traz o pertencimento. A sensação de um pertencer que, nem sempre, deixa claro o real desejo de estar.

Me lembro da minha juventude, onde não me sentia confortável com as piadas sem graças, as ações inadequadas disfarçadas de brincadeiras, os insultos que não dava para deixar para lá. Não me esforçava para caber. O estar precisava ter sentido e vir de encontro com que eu tinha como escolha de vida.

Aquela jovem continuou se transformando. Décadas depois, permaneço não gostando das mesmas coisas e um pouco mais. O esforço para me encaixar é quase inexistente. Levo comigo uma certeza ainda maior quando percebo todo conhecimento profissional que busquei e trago à memória o ditado que tanto ouvia da minha saudosa avó Berna: “Para todo pé cansado há sempre um chinelo velho”.

Sim, sempre há, mas, às vezes, não conseguimos perceber e enxergar. Achamos que onde estamos é o único lugar palpável, assim como as pessoas que estão ao nosso redor. Não é sobre perfeição ou não lidar com aqueles que são diferentes daquilo que somos. É sobre o encaixe ideal, real, com imperfeições, erros e acertos, onde o desejo de estar junto preenche o vazio interno que se sobressai quando estamos em um lugar que não cabemos de verdade.

Por mais difícil que possa parecer, o medo de ser não pode ser alimentado pela vontade de pertencer, pois quando realmente pertencemos não precisamos nos diminuir para caber. Não há superficialidade.

Não somos potes fechados com tampas que não fazem parte da coleção, apenas para não deixar o seu interior exposto. Possuímos essência e desejo latente, que nos constitui como ser humano repleto de gostos, vontades e especificidades.

Respeitar quem nós somos de verdade, é estabelecer limites, sustentar os nossos valores morais e éticos. É não deixar os nossos princípios em segundo plano, escorrendo por entre os dedos como a areia fina da praia. É ser forte como a rocha, que sustenta as batidas das ondas na costa do mar.

Não se acomode para pertencer. Seja quem você realmente é. Se acolha e viva com verdade!

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

Publicidade
TAGS:

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.