​Seleção brasileira passou pelo Haiti, sem jogar bem

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 24 de junho de 2026
por Max Wolosker

O placar de sexta-feira passada, 3 a 0, foi pouco, face a fragilidade do adversário. Mas, na minha opinião, temos de melhorar muito, seja no esquema de jogo implantado por Carlo Ancellotti, seja na maneira de atuar dos nossos jogadores, que parecem entrar em campo de salto alto e protegendo as canelas.

Infelizmente, não vejo nos times brasileiros das últimas copas, a gana de representar o país, o que era um diferencial marcante dos nossos selecionados, até o início dos anos 2000. Para ilustrar isto que afirmo, existe uma foto famosa, do selecionado de 1958, antes da copa; sentados num banco de uma estação ferroviária de Poços de Caldas-MG. Lá estavam Nilton Santos, Dino Sani, Gilmar, Bellini, Garrincha, Moacir, Dida, Joel, Mazolla, Zagalo e Pelé. Todos jogavam no Brasil, eram famosos em seus clubes. Hoje, nem pensar numa cena dessas, pois a maioria joga fora do país

Na realidade, a história do futebol brasileiro mostra, que o tricampeonato, em 1970, foi fruto de um trabalho sério em que a comissão técnica composta pelo técnico de campo, preparadores físicos e nutricionistas, com o apoio da CBF, tinham um objetivo em mente. Com os jogadores que dispunham, o tricampeonato era possível e, então, puseram mãos à obra. O resultado foi uma seleção que encantou o mundo, que mais parecia uma orquestra, tamanha a precisão com que executava seus movimentos. Isso obrigou outros países a seguirem nosso exemplo e planejarem a maneira de encararem os desafios que o futebol exigia.

Foi o que aconteceu com a Alemanha, que já em 1974 armou uma equipe em que se destacavam Beckembauer, o goleiro Mayer, Müller, Breitner e Overath. Repetiu o feito em 1990 e em 2014, goleou o já mambembe Brasil por 7 a 1. Nesse período, a equipe do Bayer de Munique foi campeã da liga da Europa nos anos de 73/74, 74/75, 75/76. A Alemanha se preparou para jogar um futebol de primeira, aliando técnica, preparo físico, psicológico e profissionalizando o futebol para que ele desse retorno ao dinheiro investido. O Bayern repetiu o feito na liga da Europa em 2000/01, 2012/13 e 2019/20.   

 Aqui, infelizmente, nos transformamos em exportadores de talentos, nossos times não têm condições de bancar os salários oferecidos pelos clubes europeus e, nossos jogadores foram deixando o Brasil. Já se passaram 24 anos desde nosso último título mundial, ganho em 2002 e creio que esse jejum permanecerá por muito mais tempo.

De 2006 em diante os países vencedores da Copa do Mundo foram: a Itália em 2006, a Espanha em 2010, a França em 2018 e a Argentina em 2022. Na realidade, houve uma evolução no futebol mundial, e outros centros menos avançados começaram a investir na formação de novos talentos que, também, tiveram a Europa como destino final. Houve um momento em que o domínio pertenceu ao futebol italiano, depois veio o espanhol e, na atualidade, é a Inglaterra que detém a primazia de ter o futebol com maior investimento. Não podemos esquecer que os árabes e seus petrodólares estão formando bons times e suas seleções começam a apresentar um futebol mais evoluído.

O mesmo tem acontecido com o continente africano, cujos representantes, na Copa de 2026 vêm mostrando um bom desempenho, sem a ingenuidade que caracterizava sua presença, em copas anteriores. Como exemplo marcante, a seleção de Cabo Verde arrancou um empate com os espanhóis, logo na estreia e com os uruguaios, em seu segundo jogo. Ou seja, fizeram bonito contra dois ex-campeões do mundo. Pelo andar da carruagem, tem mais chances de classificação, que ficaria com a Espanha em primeiro e eles em segundo.

Como diz o nosso hino, ficamos deitados eternamente em berço esplêndido, deixamos a banda passar e estamos num patamar bem inferior ao dos europeus. A Argentina, com o título de 2022, deu uma respirada e está com uma seleção bem melhor do que a nossa, apesar do futebol de lá estar nivelado com o daqui. Mas, seus jogadores têm mais amor à camisa do seu país.

O desafio escocês

Nesta quarta-feira, 24, teremos a Escócia pela frente, parada dura nos termos atuais e concordo com Galvão Bueno, quando afirmou numa entrevista recente, que a seleção brasileira atual é a pior que ele já viu jogar. Se nos classificarmos em primeiro lugar, pegaremos ou a Holanda ou o Japão, ambos com um futebol bonito de se ver e com condições de nos eliminar.

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