A luta com o ego: a mais difícil

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 18 de junho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Recebo por e-mail textos curtos de meditação dirigidos para pessoas em recuperação de alguma dependência ou vício, produzidas pela equipe da Hazelden Betty Ford Foundation, especializada em recuperação de dependência química nos Estados Unidos.

Um desses textos fala sobre a luta com o nosso eu, que parece ser, em verdade, a maior que temos. Você pode viver com uma pessoa difícil e isso causar sofrimento, apesar de ser possível aprender a se proteger nessa convivência de tal forma que exista serenidade, que é algo pessoal, interna, não fornecida por medicação. Entretanto, a convivência com nosso eu ou ego é difícil porque todos somos contaminados com defeitos de caráter, como egoísmo, orgulho, mentira, vaidade, inveja, ódio, sobre os quais podemos ter pouca ou nenhuma consciência da existência deles em nós.

Dependentes de um vício só entram no processo de recuperação quando param de negar que perderam o controle sobre o consumo da substância ou da prática do comportamento no qual é viciado. Interrompendo a negação, param de mentir para si mesmos. Essa vitória é o primeiro passo de outros que ele ou ela vai precisar dar para seguir na recuperação da sua dependência.

Pena que alguns param de negar sua impotência sobre o vício, aceitam ajuda na busca da sobriedade e afastamento da dependência, mas não se interessam no avanço para obter vitórias sobre outros defeitos de caráter. Em Alcoólicos Anônimos chamam tais pessoas de “pessoas porre seco”, porque elas pararam de ingerir bebidas alcoólicas um dia de cada vez, mas continuam complicadas, irritadiças. Problemas com o ego continuam a perturbar não só elas mesmas, mas as com quem se relacionam em casa, no trabalho ou em outro lugar.

O texto da Fundação Hazelden diz: “O ego nos coloca em apuros. O ego nos diz que somos especiais e diferentes. Não somos tão especiais assim. Não somos tão diferentes assim. Somos criaturas que precisam de relacionamentos com os outros e com um Poder Superior (que para uns é o Criador do Universo). O ego nos diz que o único relacionamento de que precisamos é conosco mesmos. Há medo por trás do ego. Sim, um ego inflado vem do medo dos outros, do nosso Poder Superior. É por isso que nossos egos cresceram tanto durante o período de dependência ativa. Eles eram equivalentes ao nosso medo.”

E segue explicando que a recuperação de uma dependência requer que o viciado deixe o ego e o medo de lado. Sugere que ele o substitua por relacionamentos, claro, saudáveis, e serviço ao próximo. A razão pela qual isso deve ser feito é porque, em primeiro lugar, mantém o viciado sóbrio. Além da sobriedade, ou afastamento do uso da substância ou comportamento viciante, também impulsiona a pessoa a aprender com os outros. E, ao aprender com os outros, isso favorece a aproximação da verdade, que, conforme o texto diz, leva à aproximação da “morada do nosso Poder Superior”.

A verdade diminui o medo e requer que se deixe o ego de lado. Esses passos são auxílios importantes para a vida. O artigo recomenda que o viciado sempre se lembre que a verdade deve vir antes do medo, e relacionamentos antes do ego. E, termina com essa oração: “Poder Superior, ajude-me a manter meu ego sob controle. Ajuda-me a usar a energia do meu medo para me conectar com os outros, para aprofundar meu relacionamento contigo. Com o Senhor ao meu lado, não há nada a temer. Eu O escolho em vez do meu ego.”

Diante dessas ideias sobre a luta com o ego, a decisão do viciado para hoje pode ser, conforme o texto aponta: “Hoje vou prestar atenção em como meu ego me coloca em apuros. Vou evitar me colocar acima do meu Poder Superior.”

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Cesar Vasconcellos de Souza

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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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