Poesia, um ato de resistência

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 15 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

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Os idiomas são inúmeros, mas poesia será sempre poesia. Melodias que trazem profundidade emocional ao coração, paixão aos olhos e musicalidade aos ouvidos.

Comecei a entender a poesia na adolescência. A arte era criada através de singelas expressões, que ficavam invisíveis aos olhos, mas latente no meu eu mais profundo. Assim como folhas e mais folhas que se juntavam, dia após dia, por anos. Aquilo que não conseguia ser dito em palavras e extrapolavam o peito, eram transformados em escritas únicas, com sentimentos puros. As letras ocupavam o papel com rapidez, a caneta e o lápis deslizavam por entre as linhas, transformando medo em bravura, dor em recomeço, tristeza em esperança.

Bravura, recomeço esperança. Cada palavra com seu significado e potência, que, quando juntas, formam uma suntuosa composição poética, onde o maior tesouro está prestes à se formar e ser revelado.

O olhar que contempla, o sorriso que confidencia, as lágrimas que caem, o corpo que treme, o ser que transborda. A poesia mexe com tudo e todos. Os sentimentos e as experiências vão se formando, ponto a ponto, onde o sentir e experienciar é vivido de forma singular por cada sujeito, por cada um de nós.

Poesia é um ato de resistência. Provoca e mostra que somos seres em constante movimento, com aprendizados e vivências. Deixa claro que a sensibilidade existe e os estímulos surgem de maneiras descritíveis e indescritíveis, decifráveis e indecifráveis. Que o profundo é real e se espalha em diversas direções, atingindo pontos que jamais pensamos ser alcançados.

A poesia move. Traz um turbilhão interno que queima como um vulcão em erupção. Acende faíscas, onde, anteriormente, pareciam estruturas serenas, como uma imensa plantação de lírios e lavanda.

A poesia desperta. Tira a inércia do sono intenso, deixando a procrastinação distante e trazendo alívio.

A poesia está ao nosso redor, mas para senti-la e vivê-la, é preciso tirar o véu que transpassa e esconde o que é belo. Está nas coisas mais simples e nas mais grandiosas. Perceber esse movimento é sair do piloto automático e resistir à um mundo de excessos.

Sinta, viva o momento!

A poesia transforma.

Até a próxima quarta!

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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