A difícil arte de ser mulher

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 11 de março de 2026
por Camilla Fiorito

Nunca se teve tão em voga os debates e discussões sobre a violência contra a mulher. Uma violência que vem velada de tantas formas e meios, seja de qual natureza for.

As palavras vão surgindo e uma imensidão de pensamentos inundam a minha mente, como se fossem flashes de um mundo que não está muito distante, pois a maior parte das mulheres já sofreu e faz parte de uma vasta estatística que jamais gostaria de estar.

“Lugar de mulher é em casa”, “Essa profissão não é para mulher”, “Ela não sabe sobre esse assunto. É mulher”, “Como uma mulher pode ganhar mais que um homem?”, “Esse esporte não é para mulher”, “Ela é mulher, não vai conseguir”, “Mulher direita não faz isso”, “Você vai sair assim?, “Se não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”, “Ah, você vai gostar. Para de falar não”, “Está demorando para casar. Vai ficar para tia”, “Como assim ainda não engravidou?”. Falas e mais falas escutadas por nós não apenas uma única vez, mas diversas vezes e em muitos contextos diferentes.

O lugar da mulher é onde ela desejar estar, realizando aquilo que tem vontade, se relacionando com quem se sente confortável, com seus reais sentimentos e conhecimentos validados.

As nossas escolhas profissionais, aquilo que usamos ou deixamos de usar, os relacionamentos que verdadeiramente queremos manter mais parecem mercadorias e objetos, que o outro decide se vai comercializar ou não, do que algo que diz sobre as especificidades de cada uma de nós como sujeito, como pessoa, como ser humano que precisa ser respeitado como todos os outros que fazem parte da sociedade que vivemos.

Saímos de casa pensando no caminho de volta, se estaremos dentro de uma condução sozinha, em uma rua com baixa iluminação ou pouco movimentada, com quem encontraremos no elevador, nas escadas, na calçada, com quem estaremos quando chegarmos em casa.

Sofremos em silêncio. A difícil arte de ser mulher demanda muitas facetas e frentes que são invalidadas com diversos questionamentos que ferem de forma avassaladora e desmerecem o medo real e constante que está suscetível no nosso ser. Traz à tona toda dor, vulnerabilidade e a certeza de que algum ato de violência pode acontecer a qualquer momento.

Falar, conscientizar, educar para um mundo mais igualitário e com uma convivência respeitosa, ética e responsável não é um papel específico de uma parcela da população. É um papel que precisa ser exercido por todos nós, diariamente.

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

Publicidade
TAGS:

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.