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Fora de foco

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
Foco. Paro. Perco. Acho. Volto. Recomeço.
Focar em um mundo que se apressa e se perde em uma rolagem infinita em um objeto que passou a ser desejo de consumo de uma sociedade é um desafio constante.
As horas passam e ficamos na inércia que criamos e desenhamos dentro de um escopo que parece perdido.
Pausamos para alimentar nossa alma que clama por descanso. Um descansar que não desacelera e luta como se estivesse em uma grande batalha, onde o ciclo vicioso chega como um forte vilão.
O corpo recua, contorce contra a força da natureza que não se deixa vencer em um primeiro momento, mas se rende no vão de um espaço que ficou perdido.
O tic tac do relógio continua marcando cada pedaço que se estende em infinitos instantes que escapam, se perdem, se confundem.
A contemplação passa a ser secundária, o perceber o outro e se perceber ficam adormecidos em um sono profundo, que quiçá sabemos se acabará. O ler o livro que gosta, tomar uma xícara de chá à tarde, parar para o café, respirar com calma, escutar a música que relaxa, cuidar do corpo e da mente são ações que escapam de um autocuidado que não pode ficar para depois.
Mas será que conseguimos sair desse ciclo incansável e constante?
Dia após dia, o canto dos pássaros, os raios do sol pairando sobre a face, a brisa nos cabelos, o bater das ondas do mar, a fluidez da cachoeira, o cheiro das flores, os galhos das árvores se movimentando, as folhas caindo, o sol nascendo e se pondo, a lua subindo, a estrela surgindo e a chuva chegando acontecem sem sequer percebermos o deslumbramento de cada momento.
Quando achamos o foco de volta e despertamos o recomeço, o apreço se entrega à reflexão, a paz começa a se aproximar. A respiração, antes curta e acelerada, passa a ser sentida com calma e os detalhes perdidos são resgatados, admirados.
A precipitação e a necessidade de urgência vão dando lugar àquilo que é essencial: nós mesmos.
Se encontrar, olhar para si e se resgatar, mesmo no íntimo profundo, transforma cada dia em uma imersão, traz foco. Foco na própria vida, vivência, escolha, energia, tempo.
Separe os seus minutos mesmo quando a prostração teimar em ir embora, a resistência interna aparecer, o afobamento insistir em ficar. Seja o ponto central do seu momento!
Até a próxima quarta!
……..
Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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