A pressa que domina

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 08 de abril de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Apressado. O mundo está com pressa. Uma pressa que atropela e traz um efeito manada, sem freio. 

O tic tac do relógio não tem fim. A mente não desliga, as tarefas não acabam, os papéis se acumulam, os turnos se fundem e o horário do descanso custa a chegar ou, simplesmente, não chega.

Isso me faz lembrar da primeira vez que me mudei para a cidade do Rio de Janeiro. Na época, eu era uma jovem de 20 anos, cheia de vontade e determinação, com ousadia e fome de viver. A rotina, o movimento, os boletos, o trânsito, a responsabilidade, o barulho, as horas nos incontáveis ônibus ao longo do trajeto casa, faculdade, trabalho, casa ocupavam um espaço sem trégua. Parecia que as vinte e quatro horas do dia não eram suficientes. E não eram. 

A vida apressada passava por cima de um mero momento de sossego. O ócio era um luxo quase que inacessível, incalculável e muito esperado, mas o parar não era uma opção. Segunda à sexta, sábado, domingo e feriado. As pausas realizadas uma vez por semana eram ineficientes dentro daquilo que o corpo pedia e o emocional demandava.

As contas que precisamos dar, não fecha com os marcos finais que precisamos impor. As interrupções são necessárias. As suspensões das atividades são merecidas e inegociáveis. O parar traz autoconhecimento e conexão com a nossa voz interior, que, por falta de um olhar generoso para nós mesmos, acaba ficando silenciada e perdida. A autopercepção, essa sim, se faz urgente. Trazer essa visão, sem atropelo, desperta um novo funcionamento e entendimento de si mesmo.

A expressão “dar um passo para trás para dar dois na frente” ficou esquecida, mas, quando relembrada, mostra o quanto desacelerar é vital para que tenhamos uma vida mais regulada, ajustada e equilibrada, seja emocionalmente ou socialmente.  

Pausar é preciso. Quem coloca os limites somos nós mesmos. Já parou para colocar o seu? 

Até a próxima quarta!

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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