Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Abre alas

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
“Ô abre alas que eu quero passar”, já dizia a marchinha de Carnaval de Chiquinha Gonzaga, criada em 1899.
Abrir passagem para plumas, paetês, confetes, serpentinas, alegria, encontros, gargalhadas, emoções, superação, criatividade em uma mistura de povos, onde a tristeza dá trégua por um breve instante e um mundo de fantasia passa a fazer parte durante alguns dias.
Me faz lembrar dos meus carnavais na infância, adolescência e juventude.
Os biquínis que aprendi a bordar com minha mãe, as fantasias de She-ha, boiadeira e ciganinha para pular nas matinês da SEF e do Country Clube, a minha inesperada saída na ala de passista mirim da escola Alunos do Samba, após ser convidada pela minha fantasia a poucos minutos do desfile começar, a concentração do Bloco Dragões Alcoólatras, na Avenida Campesina, o Bloco dos Malas com sua total irreverência, o Bloco das Piranhas que abria a festa, os carros alegóricos parados após os desfiles, onde subíamos e nos sentíamos parte de uma magia que parecia não ter fim, a farra na Avenida Alberto Braune, os encontros na Rua Portugal para lanchar na Pizzaria Califórnia, o burburinho das escolas perto da minha casa na Rua Leuenroth, a dispersão nas praças Dermeval Barbosa Moreira e Getúlio Vargas, o bailinho no coreto.
São tantas as memórias do Carnaval em Nova Friburgo, que trazem uma singela sensação que passa a ficar indescritível em alguns momentos. O Carnaval traz isso. Um encontro de personagens inusitados, que desnuda, deixando você assumir diversos papéis, inclusive aquele de não querer participar da folia. É um espaço para todos, da forma que vier. Com ou sem máscaras.
É como uma viagem que você não precisa comprar a passagem, apenas escolher se deseja embarcar ou não, sabendo que experiências podem acontecer e transformar algumas percepções que temos da vida. Os dias passam rápido e as cinzas chegam para acalmar, refletir sobre o que passou e ficou.
Uma combinação que acolhe, que resiste, que transforma, que traz um eu que fica escondido dentro das nossas mais profundas verdades. Mas ali, são evidenciados sem cortinas, onde um novo ser se abre para um palco que traz conforto e paz, onde as verdades secretas são expurgadas em um contexto carnavalesco, acalmando as entranhas que fervilham na vida real.
Essa manifestação mexe na nossa íntegra, avassala. O batuque do tamborim, a musicalidade, o ritmo que faz os pés e os corpos se moverem em ondas, trazendo uma vivência flutuante, ressalta aquilo que está nos nossos mais íntimos segredos.
Viva! Nessa festividade ou fora dela, seja você. Com suas imperfeições, sentimentos e vontades!
Até a próxima quarta!
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Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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