Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

02/11/2016

A coluna anterior desencadeou esta quando falei sobre a linguagem acadêmica e a espontaneidade na expressão escrita. A gente faz literatura porque a vida não basta, é pequena demais para a grandiosidade da imago que guarda a completude, enquanto profundeza de imagens, afetos e desejos. Ah, Fernando Pessoa fazia ponderações sobre a vida como ninguém.

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25/10/2016

Será que vou conseguir escrever esta coluna brincando com palavras, experimentando a descontração?

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17/10/2016

As coisas, às vezes, tanto se parecem, que causam dúvidas, quiçá equívocos. O que é um? O que é outro? Ora, é assim que acontece na literatura; sê conto, sê crônica. Ambos conversam com o leitor de formas diferentes. Desde sempre, as pessoas se convidavam para conversar e, hoje, esse convite acontece assim: vamos tomar um café? Que tal happy hour? Quer dar uma caminhada? Coisas do tempo... Mas na literatura a forma continua a mesma.

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13/10/2016

Já se disse que as grandes ideias vêm ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, se ouvirmos com atenção, escutaremos, em meio ao estrépido de impérios e nações, um discreto bater de asas, o suave acordar da vida e da esperança. Alguns dirão que tal esperança, jaz numa nação; outros, num homem. Eu creio, ao contrário, que ela é despertada, revivicada, alimentada por milhões de indivíduos solidários, cujos atos e trabalhos, diariamente, negam as fronteiras e as implicações mais cruas da história.

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05/10/2016

Se tudo o que eu disse se provar um engano.
Jamais escrevi, nem amou qualquer ser humano.

William Shakespeare

Quando me aventurei escrever literatura, já que estava acostumada com textos acadêmicos e de grande rigidez, comecei pela dramaturgia, lendo Trabalhos de Amor Perdidos, de William Shakespeare, uma comédia romântica. Como todos seus textos, é uma obra atual, perfeitamente adequada ao que acontece hoje com os jovens que vão prestar um concurso e buscam um lugar tranquilo para estudar. Mas...

Bem, vale a pena ler o texto.

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29/09/2016

“No cimo da montanha, em seu ninho florido
– eis Friburgo! – “um jardim suspenso” – no alto erguido
Paragem de beleza infinita e de calma,
Onde respira o corpo, e onde repousa a alma.
Cidade cujo nome é um símbolo e um troféu,
“parada” de um caminho... a caminho do céu!”
JG de Araújo Jorge

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21/09/2016

A vida que segue. Segue numa sequência de momentos e, nesse continuar, descobri que ler, refletir e molhar meu jardim me oferece oportunidades de guardar sentidos. Enquanto vou regando canteiros, parece que tudo o que li vai fazendo ramificações e raízes dentro de mim. É um modo de estar compartilhando riquezas com uma infinidade de seres, plantas, insetos e minhocas, um universo de vida tão ou mais populoso do que os habitantes da cidade. Ao mesmo tempo em que me abasteço de ideias, dou vigor ao meu jardim, através da água com que rego as plantas. É energia proliferando.

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15/09/2016

Eu quis, nesta crônica, continuar a escrever sobre vozes narrativas. Mas, de repente, as palavras começaram a contar a minha história de escritora. Ah!, como as palavras me são incontroláveis! Sei que não adianta brigar com elas, por isso acato esta certa rebeldia porque estão em plena crise de adolescência. Palavras gostam de independência. Entretanto, como ainda não chegaram à maturidade, escapolem e escrevem lembranças, talvez para me fazerem matar as saudades de momentos antigos em que a vida seguia de modo diferente.  

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09/09/2016

No sábado, fui assistir ao filme de Woody Allen, Café Society. Gosto do modo bem humorado e sutil com que ele aborda as questões existenciais, fazendo a gente sair dos filmes com ideias que vão se desconstruindo e reconstruindo, mudando paradigmas.  Neste filme, como nos demais, a última cena me deixou em suspense, quase boquiaberta, remexendo passados. O final foi exato, sem uma cena a mais ou a menos, Woody Allen deixou para cada um de nós, os espectadores, o desfecho final. Ah, como ele foi brilhante na inteireza do momento e mostrou com inteligência a simplicidade do afeto.

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02/09/2016

Quando eu vi pela primeira vez o livro Brisa, escrito por Ania Kítyla Gevezier, na Feira Cultural de Nova Friburgo, não consegui desviar olhar da capa em que trazia um rosto canino aflito sob pingos de chuva; apenas a expressão de Brisa me cotava a história. A imagem me fez relembrar aqueles dias de janeiro de 2011, quando ilhada no lugar onde moro, sem luz, telefone e sem saber ao certo do que estava acontecendo, escutava o helicóptero indo e voltando repetitivamente, tentando pousar. Talvez o olhar da cadela fosse semelhante aos que vi nos olhos das pessoas na época.

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