Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

Na simplicidade e quase na calada dos dias, um grupo de doze escritores e uma
prefaciadora, todos de alguma forma ligados à nossa cidade, fizeram a coletânea de
contos e crônicas, NOVA FRIBURGO, CONTOS, CRÔNICAS E DECLARAÇÕES DE AMOR,
tendo a finalidade de fazer uma reverência a esta terra querida, da qual tive a honra
de fazer parte.
Quando tive o livro em mãos, que ocorreu depois do primeiro lançamento, li sem
parar suas páginas no aconchego do meu sofá, seguindo um capítulo a outro,

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Onde estão os meus sésamos?! Acredito que esta seja a questão que nós
escritores exclamamos antes de começar a escrever. Que seja um conto, uma
crônica, um romance. Um ensaio. Começar é sempre desafiador. É como
convidar alguém a sentar numa poltrona flutuante através de frases
verdadeiramente incomuns.
O escritor e acadêmico George dos Santos Pacheco nos motivou a refletir
sobre as palavras iniciais de um texto, ou seja, o incipit. Sim, senhor, como
dizia Alice, o início é o momento mais delicado ou angustiante de um trabalho
literário.

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Às vezes, acontecem coisas que nos fazem pensar que a vida é uma
caixa de surpresas. Pois bem. Hoje, dia 27 de julho, darei uma palestra na
Biblioteca Municipal sobre o fazer do livro, durante a qual abordarei a
construção do Ajelasmicrim; com este texto ganhei o prêmio Off Flip de
Literatura em 2014. Dois dias antes, ao escrever o release da palestra, o
Facebook me exclamou que há exatamente 3 anos eu comemorava a
premiação na categoria infantojuvenil.
Naquele dia, tive uma das maiores emoções. A princípio, não acreditei

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Ele não é covarde. É apenas um de nós. Não tem malas prontas, o que é uma

situação banal para a Pessoa do Fernando. Se percorresse ruas com pés descalços, é

possível que ache uma ideia interessante. Um tímido mote, talvez. Quem sabe uma

musa de seios fartos possa lhe inspirar. Ou um velho de barbas e com ele possa

conversar. Pode até ser que a batida do rap lhe cause um encanto invulgar. Ora, sem

sapatos, não precisará de piedades. Poderá ser um tanto quanto razoável caso venha a

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Hoje é domingo, quase onze horas da manhã. Na frente do computador,

começando a escrever a centésima coluna, meu pensamento vai para o ponto

de ônibus perto da minha casa, onde um banco feito de apenas uma tábua,

sustentado por duas toras de pinho, é protegido por um telhado coberto de

sapê. Imagino meus pés fazendo marcas no chão de barro batido, um pouco

úmido ainda pelo orvalho da noite fria. Estou só, cercada por um vento

despreocupado, aquecida por uma ponta de sol e abraçada pela paisagem...,

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Um tema precisa me tocar para que eu possa escrever uma coluna. Este

toque é uma ideia inspiradora que pode vir todos os lados. Ah, a literatura está

em tudo o que nos cerca. Agora mesmo, ao abrir meus e-mails, vejo o livro da

minha amiga e mestra, Anna Cláudia Ramos, que acaba de lançar, sobre a

auto aceitação na adolescência, tema que me interessa e desperta a escritora

que existe em mim. Mas, hoje, quando acordei, estava mesmo tocada para

escrever sobre o aconchego de um lugar que nos dá vontade de ficar com o

livro nas mãos.

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Foram muitas as conversas que tivemos no 1º Encontro Fluminense de

Escritores. Entretanto, uma me chamou a atenção, a que faz as pedras de um

rio brilharem sob as águas.

Tenho tido pouco tempo para ler. O que é ruim. Essa modernidade toda

em que estamos mergulhados, que nos faz viver em dois mundos, o real e o

virtual, nos rouba o tempo para ler. Tenho lido, enquanto pesquisa para

escrever esta coluna semanal. Porém, o tempo ficou raro para ler histórias,

degustar as palavras, as ideias e os valores contidos no texto, o modo que o

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Nas proximidades do dia nacional do escritor, nos dias 23 e 24 de junho,

a Academia Friburguense de Letras realizará o 1º. EFE - ENCONTRO

FLUMINENSE DE ESCRITORES. Será um momento de troca de experiências

do processo criativo, avaliação das possibilidades e dificuldades que

encontram para editar e vender seus livros, visando lançar as bases para a

criação de uma cooperativa de escritores no estado do Rio de Janeiro, lugar

que desde sempre gesta e acolhe escritores que fazem do nosso estado um

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A Academia friburguense de Letras comemora no dia 22 de junho setenta

anos de existência. Com alegria e orgulho, seus acadêmicos vão acolher os

amigos para homenagear sua trajetória que guardou e resguardou a vida

literária, principalmente a que brotou nesta cidade. A Casa de Salusse nasceu

em 22 de junho de 1947 nos bancos da então Praça Quinze de Novembro, hoje

Praça Presidente Getúlio Vargas, sob os galhos das árvores e canto dos

passarinhos; sem portas, paredes e janelas. Nasceu livre e tão bela quanto seu

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Ao começar esta coluna sobre as Academias de Letras, a frase de Lewis

Carol, em Alice no País das Maravilhas, explodiu em mim:

- Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no País

das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-los e tudo se transformaria

em insípida realidade.

Ah, a sábia Alice sempre passeia pelas minhas reflexões que, agora, me

aponta para aquela imagem em que as Academias de Letras são lugares

quase sagrados, onde os escritores se reúnem para consagrar a literatura, arte

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