Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

19/07/2017

Ele não é covarde. É apenas um de nós. Não tem malas prontas, o que é uma

situação banal para a Pessoa do Fernando. Se percorresse ruas com pés descalços, é

possível que ache uma ideia interessante. Um tímido mote, talvez. Quem sabe uma

musa de seios fartos possa lhe inspirar. Ou um velho de barbas e com ele possa

conversar. Pode até ser que a batida do rap lhe cause um encanto invulgar. Ora, sem

sapatos, não precisará de piedades. Poderá ser um tanto quanto razoável caso venha a

Leia mais
13/07/2017

Hoje é domingo, quase onze horas da manhã. Na frente do computador,

começando a escrever a centésima coluna, meu pensamento vai para o ponto

de ônibus perto da minha casa, onde um banco feito de apenas uma tábua,

sustentado por duas toras de pinho, é protegido por um telhado coberto de

sapê. Imagino meus pés fazendo marcas no chão de barro batido, um pouco

úmido ainda pelo orvalho da noite fria. Estou só, cercada por um vento

despreocupado, aquecida por uma ponta de sol e abraçada pela paisagem...,

Leia mais
05/07/2017

Um tema precisa me tocar para que eu possa escrever uma coluna. Este

toque é uma ideia inspiradora que pode vir todos os lados. Ah, a literatura está

em tudo o que nos cerca. Agora mesmo, ao abrir meus e-mails, vejo o livro da

minha amiga e mestra, Anna Cláudia Ramos, que acaba de lançar, sobre a

auto aceitação na adolescência, tema que me interessa e desperta a escritora

que existe em mim. Mas, hoje, quando acordei, estava mesmo tocada para

escrever sobre o aconchego de um lugar que nos dá vontade de ficar com o

livro nas mãos.

Leia mais
30/06/2017

Foram muitas as conversas que tivemos no 1º Encontro Fluminense de

Escritores. Entretanto, uma me chamou a atenção, a que faz as pedras de um

rio brilharem sob as águas.

Tenho tido pouco tempo para ler. O que é ruim. Essa modernidade toda

em que estamos mergulhados, que nos faz viver em dois mundos, o real e o

virtual, nos rouba o tempo para ler. Tenho lido, enquanto pesquisa para

escrever esta coluna semanal. Porém, o tempo ficou raro para ler histórias,

degustar as palavras, as ideias e os valores contidos no texto, o modo que o

Leia mais
22/06/2017

Nas proximidades do dia nacional do escritor, nos dias 23 e 24 de junho,

a Academia Friburguense de Letras realizará o 1º. EFE - ENCONTRO

FLUMINENSE DE ESCRITORES. Será um momento de troca de experiências

do processo criativo, avaliação das possibilidades e dificuldades que

encontram para editar e vender seus livros, visando lançar as bases para a

criação de uma cooperativa de escritores no estado do Rio de Janeiro, lugar

que desde sempre gesta e acolhe escritores que fazem do nosso estado um

Leia mais
21/06/2017

A Academia friburguense de Letras comemora no dia 22 de junho setenta

anos de existência. Com alegria e orgulho, seus acadêmicos vão acolher os

amigos para homenagear sua trajetória que guardou e resguardou a vida

literária, principalmente a que brotou nesta cidade. A Casa de Salusse nasceu

em 22 de junho de 1947 nos bancos da então Praça Quinze de Novembro, hoje

Praça Presidente Getúlio Vargas, sob os galhos das árvores e canto dos

passarinhos; sem portas, paredes e janelas. Nasceu livre e tão bela quanto seu

Leia mais
18/06/2017

Ao começar esta coluna sobre as Academias de Letras, a frase de Lewis

Carol, em Alice no País das Maravilhas, explodiu em mim:

- Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no País

das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-los e tudo se transformaria

em insípida realidade.

Ah, a sábia Alice sempre passeia pelas minhas reflexões que, agora, me

aponta para aquela imagem em que as Academias de Letras são lugares

quase sagrados, onde os escritores se reúnem para consagrar a literatura, arte

Leia mais
06/06/2017

Alimentos e literatura se combinam. Melhor ainda se cozidos em panelas de barro e escritas pelas teclas da máquina de escrever. Ambos são curtidos; precisam de tempo e paciência. De elaboração. Prosas poéticas e massas de pão, quando produzidas, exigem delicadeza e intuição. Ambas têm ponto de feitura. Ponto exato. Se o escritor ou o cozinheiro o perdem, têm seus esforços perdidos. Ora se não é melhor passear. As belas da tarde... Ah, como sabem usar bem o tempo.

Leia mais
30/05/2017

 

Nestes últimos dias de maio, vou referenciar a poesia que brota nas ruas

de Nova Friburgo, fazendo nossa querida cidade ser, de fato, um lugar de

inspiração. Na simplicidade de cada dia, poetas e trovadores, aqueles sujeitos

sujeitados que não se cabem nos próprios gestos e palavras rotineiras, buscam

nas vias que os levam à poesia os meios de uma expressão maior. Não foi à

toa que aqui encontram o seu habitat. Cercados de tantos verdes e vida, ao

abrirem os olhos se veem diante do mais lindo poema. Os trovadores e poetas,

Leia mais
22/05/2017

No dia 16 de maio, na véspera do aniversário de 199 anos da nossa jovem cidade, que agora posso dizê-la assim, minha, quarenta e duas pessoas, não nascidas aqui, ganharam o título de CIDADANIA FRIBURGUENSE. Foram cidadãos, como os que neste solo brotaram, que não permaneceram indiferentes ao dia a dia da cidade; ao respirarem os ares desta serra, no cinturão central da Mata Atlântica, tornaram-se aventureiros trabalhadores; descobriram e descortinaram suas possibilidades ao lado dos nativos. Viveram entre todos e não foram quaisquer outros; conviveram.

Leia mais