Vez em quando, quero me referir ou descrever algo e não consigo encontrar palavra que designe o que pretendo expressar. Apesar do vasto dicionário da nossa bela Língua Portuguesa, ainda faltam palavras para definir pensamentos e sentimentos, fatos e objetos, situações e processos. Aliás, sempre falta algo na vida, então por que não poderia suceder com a nossa Língua Portuguesa? E o falante, como você, meu leitor, e eu, volta e meia, nos deparamos com os vazios da linguagem.
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana

Tereza Cristina Malcher Campitelli
Momentos Literários
Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.
No processo de “passar adiante”, ou seja, depois de ler um livro, uma leitora passa a outra, recebi “Trilogia de Copenhagen: infância, juventude e dependência”, da autora dinamarquesa Tove Ditlevsen, uma obra-prima autobiográfica. Ao começar a ler percebi a crueza da vida da protagonista em Copenhage e dos seus vizinhos em período anterior à Segunda Guerra.
A vontade de escrever a respeito de uma pessoa boa nasceu durante a leitura do livro “O Colibri”, obra escrita por um dos mais importantes romancistas italianos da atualidade, Sandro Veronesi, tendo seu primeiro lançamento em março de 2019. O livro foi ganhador do prêmio Strega, em 2020, principal distinção da literatura italiana. O que me encantou no livro foi o protagonista, Marco Carrera, um homem bom. Será que é simples adjetivar uma pessoa como boa?
Hoje, 7 de abril, com alegria, abraço o jornal A Voz da Serra, do qual faço parte há dez anos como colunista. É uma data valorosa para um jornal que, ao longo de 81 anos, deixa sua voz ecoar entre as montanhas friburguenses. Como resultado de um esforço coletivo, um trabalho jornalístico diário e incansável, faz com que as notícias da cidade, do Brasil e do mundo cheguem atualizadas e impecáveis aos moradores da cidade.
Fazendo pesquisas a respeito dos temas que desenvolvo nesta coluna, uma pergunta circundou em diversos textos e me chamou atenção: as certezas têm silêncios? A voz do silêncio pode conter a mais poderosa sabedoria, revelar maturidade emocional e significar um escudo contra os conflitos. É a voz que, por vezes, fala mais alto e é mais reveladora do que as palavras. Além do que há fatos tão evidentes que não precisam ser falados.
Todos têm uma confissão a fazer que pode estar em alguma caixa de segredos, guardada em nossos lugares especiais. Como ando com vontade de falar a respeito da minha experiência como colunista, resolvi abri-la. Nela, não se guarda qualquer coisa, somente preciosidades, que não se mostra de qualquer maneira. Ah, cada segredo tem um valor pessoal.
Alice, idealizada pelo romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, fotógrafo e matemático Charles Lutwidge Dodgson (1832- 1898), reverendo anglicano, conhecido por Lewis Carrol, é a protagonista do livro “Alice no País das Maravilhas”, publicado em Londres, em 1865, uma das mais conhecidas personagens da literatura mundial.
Ao assistir a uma apresentação do violonista e maestro André Rieu, fui tomada, como sempre, pelo encantamento e pela vontade de dançar e voar. No final da apresentação, abraçado a seu violino, o músico declarou: “A música é um tesouro em nossas vidas”. A frase me trouxe recordações da minha avó que era concertista e professora de canto, da minha madrinha, violonista e do meu filho que admirava Beethoven, compositor alemão. Também me lembrei dos desenhos coloridos da minha filha e da bela decoração da casa de minha mãe. Naquele momento, fui tocada pela arte ao longo da vida.
Estou numa fase de envolvimento com a espiritualidade, talvez por já ter passado dos 70 anos, ter adquirido uma visão mais humanista. Uma amiga, a quem admiro e respeito, me apresentou um livro escrito e publicado por seu filho, Carlos Augusto de Araújo Vieira, “Gratidão e o sentido da vida: uma perspectiva cristocêntrica”. Confesso não ter o costume de ler textos religiosos, mas o coloquei na minha mesinha de cabeceira e comecei a lê-lo antes de dormir.
Tomada pelo amor aos animais e pela tristeza, devido ao episódio recente de violência contra o Cão Orelha, que comoveu o Brasil, vou escrever esta coluna em homenagem aos cachorros de rua. No nosso país, segundo a Organização Mundial de Saúde, existem 20 milhões de cachorros que sobrevivem nas ruas. A ideia de sobreviver é mais adequada pelas circunstâncias em que eles vivem dado à precariedade com que passam os dias. Cada um deles tem uma história de abandono. Soltos nas ruas dos bairros das cidades e nas estradas, estão sujeitos à própria sorte.
