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O Papa: democracia é resolver "juntos" os problemas de todos

terça-feira, 16 de julho de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Em vista da visita do Papa a Trieste, no último dia 7, para a conclusão da 50ª Semana Social dos Católicos na Itália, o jornal 'Il Piccolo' publicou um texto inédito de Francisco. Trata-se de uma introdução a uma antologia de discursos e mensagens do Papa intitulada "No coração da democracia". O volume, editado pela Livraria Editora Vaticana e pelo "Il Piccolo", é distribuído gratuitamente no domingo como um suplemento do jornal. O livro tem uma introdução do cardeal Matteo Zuppi.

Papa Francisco

Em vista da visita do Papa a Trieste, no último dia 7, para a conclusão da 50ª Semana Social dos Católicos na Itália, o jornal 'Il Piccolo' publicou um texto inédito de Francisco. Trata-se de uma introdução a uma antologia de discursos e mensagens do Papa intitulada "No coração da democracia". O volume, editado pela Livraria Editora Vaticana e pelo "Il Piccolo", é distribuído gratuitamente no domingo como um suplemento do jornal. O livro tem uma introdução do cardeal Matteo Zuppi.

Papa Francisco

É com grande satisfação que uso essas palavras para apresentar este texto que o jornal "Il Piccolo" e a Livraria Editora Vaticana oferecem aos leitores em concomitância com a minha visita a Trieste por ocasião das Semanas Sociais. A minha presença em Trieste, cidade com forte sabor centro-europeu devido à coexistência de diferentes culturas, religiões e etnias, coincide com o evento que a Conferência Episcopal Italiana organiza nesta cidade, as Semanas Sociais dos Católicos na Itália, dedicado este ano ao tema "No coração da democracia. Participar entre história e futuro".

Democracia, como bem sabemos, é um termo que se originou na Grécia antiga para indicar o poder exercido pelo povo por meio de seus representantes. Uma forma de governo que, embora tenha se espalhado globalmente nas últimas décadas, parece estar sofrendo as consequências de uma doença perigosa, o "ceticismo democrático". A dificuldade das democracias em assumir a complexidade do tempo presente - pensemos nos problemas da falta de emprego ou no paradigma tecnocrático avassalador - às vezes parece ceder ao fascínio do populismo. A democracia tem em si um grande e indubitável valor: o de estar "juntos", o fato de o exercício do governo se realizar no contexto de uma comunidade que se confronta livre e secularmente na arte do bem comum, que nada mais é do que um nome diferente para o que chamamos de política.

“Juntos” é sinônimo de “participação”. Padre Lorenzo Milani e suas crianças já sublinharam isso na sua Carta magistral a uma professora: "Aprendi que o problema dos outros é igual ao meu. Sair disso juntos é política, sair sozinho é avareza". Sim, os problemas que enfrentamos pertencem a todos e dizem respeito a todos. O caminho democrático é discutirmos juntos e saber que só juntos esses problemas podem encontrar solução. Porque numa comunidade como a humana não se pode salvar-se sozinho. Nem o axioma de mors tua vita mea se aplica. Pelo contrário. Até a microbiologia nos sugere que o humano está estruturalmente aberto à dimensão da alteridade e do encontro com um “você” que está à nossa frente. O próprio Giuseppe Toniolo, inspirador e fundador das Semanas Sociais, foi um estudioso de economia que compreendeu muito bem os limites do homo oeconomicus, ou seja, daquela visão antropológica baseada no "utilitarismo materialista", como ele o definiu, que atomiza a pessoa, amputando a dimensão relacional.

Eu gostaria de dizer isto, pensando hoje no que significa o “coração” da democracia: juntos é melhor porque sozinho é pior. Juntos é bonito porque sozinho é triste. Juntos, significa que um mais um não é igual a dois, mas sim a três, porque a participação e a cooperação criam o que os economistas chamam de valor adjunto, ou seja, aquele sentido positivo e quase concreto de solidariedade que nasce da partilha e da concretização, por exemplo, no ambiente público, de questões sobre as quais encontrar convergência.

Em última análise, é na palavra “participar” que encontramos o significado autêntico do que é a democracia, do que significa ir ao coração de um sistema democrático. Num regime estatista ou dirigista ninguém participa, todos assistem, passivamente. A democracia, por outro lado, exige participação, a exigência de fazer a própria parte, de arriscar o confronto, de levar seus próprios ideais, as suas razões, para a questão. Arriscar-se. O risco é o terreno fértil onde germina a liberdade. Ao passo que ficar na sacada, parado na janela para ver o que está acontecendo ao nosso redor, não apenas não é eticamente aceitável, mas também, egoisticamente, não é sábio nem conveniente.

São muitas as questões sociais sobre as quais, democraticamente, somos chamados a interagir: pensemos num acolhimento inteligente e criativo, que coopera e integra as pessoas migrantes, um fenômeno que Trieste conhece bem por estar perto da chamada rota dos Balcãs; pensemos no inverno demográfico que afeta agora de forma generalizada toda a Itália e, em particular, algumas regiões; pensemos na escolha de políticas autênticas para a paz, que coloquem em primeiro lugar a arte da negociação e não a escolha do rearmamento. Em resumo, aquele cuidado pelos outros que Jesus nos indica continuamente no Evangelho como a atitude autêntica de ser pessoa.

De Trieste, cidade com vista para o Mar Mediterrâneo, um caldeirão de culturas, religiões e povos diferentes, metáfora da fraternidade humana a que aspiramos nestes tempos ofuscados pela guerra, possa brotar um compromisso mais convicto por uma vida democrática plenamente participativa e voltada para o verdadeiro bem comum.”

 

 

Uma ação concreta diocesana

 

 

No último dia 9, o Fórum Permanente sobre População Adulta em Situação de Rua do Rio de Janeiro esteve em Nova Friburgo onde participou de audiência com Dom Luiz Ricci, bispo da diocese.

O Fórum fez uma retrospectiva de suas ações locais em parceria com a Pastoral do Povo da Rua da diocese para garantir os direitos das pessoas em situação de rua. O Fórum destacou a necessidade de instalação do CIAMP RUA e da reativação do Consea para a efetivação de direitos.

Dom Luiz foi presenteado com uma camisa da Cooperativa Recicla Friburgo, formada por  pessoas com trajetória nas ruas, e manifestou sua satisfação com essa importante iniciativa de inclusão produtiva de grupos vulneráveis. A cooperativa conta com o apoio da Caritas Nova Friburgo, do Fórum e de organizações locais que defendem o desenvolvimento sustentável da cidade serrana.

 *Participe! Juntos somos fortes!*

[email protected]

 

Fonte: Vatican News e Diocese de Nova Friburgo

 

 

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Esvaziar-se de si – a base da missão (Mc 6,7-13)

terça-feira, 09 de julho de 2024
por Jornal A Voz da Serra

    Jesus comunica o seu poder aos apóstolos. Ele manifesta o seu poder, expulsando demônios, curando os doentes. E enfrenta a rejeição e a incredulidade dos que são de sua terra. O Evangelho de São Marcos acentua a humanidade de Jesus e apresenta fortemente a situação de dificuldades em seu ministério. Ele envia os apóstolos em missão. E dá as recomendações nesta mesma linha do seu despojamento. Com o mesmo poder, eles são expostos às mesmas rejeições e incredulidade. A postura é a renúncia de si mesmo, como no seu chamado.

    Jesus comunica o seu poder aos apóstolos. Ele manifesta o seu poder, expulsando demônios, curando os doentes. E enfrenta a rejeição e a incredulidade dos que são de sua terra. O Evangelho de São Marcos acentua a humanidade de Jesus e apresenta fortemente a situação de dificuldades em seu ministério. Ele envia os apóstolos em missão. E dá as recomendações nesta mesma linha do seu despojamento. Com o mesmo poder, eles são expostos às mesmas rejeições e incredulidade. A postura é a renúncia de si mesmo, como no seu chamado. "Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga" (Marcos 8,27-35). Sem este esvaziamento e espírito de pobreza e desapego, não haverá missão.

    O total despojamento (kénosis, em grego) implica numa entrega confiante ao poder de Deus e à Sua paternal Providência. Deus é o Senhor da obra, não nós. Por isso, os envia, dois a dois, para mostrar que a missão é sinodal e partilhada. Ninguém é o dono da evangelização. A missão é comunitária e com uma mensagem definida que é uma Verdade divina que deve ser pregada e não dependente das ideias individuais. Ao mesmo tempo, há a dimensão do apoio e do suporte dos irmãos, recordando os ensinamentos do Mestre e se completando nos dons e carismas.

    A kénosis do Verbo Divino nos ensina o esvaziamento também de nossas garantias, provisões, apegos e estratégias. Em Filipenses 2, vemos o Verbo Divino não se apegando à glória de ser Deus e se fazendo homem - a Encarnação - primeira humilhação.

    Fazendo-se homem, não assumiu nenhuma posição ou status de poder, dominação ou riqueza, para compensar sua "redução" : de Deus onipotente a um homem limitado na natureza humana; de Deus onisciente a um homem preso a uma cultura e aprendizado, ligado a uma família humana; de Deus onipresente e eterno a um homem encerrado num contexto histórico do tempo e do espaço... Ao contrário, assumiu a natureza humana como Pobre, num lugar pobre, Nazaré, numa família pobre e simples - segundo esvaziamento.

    E, ainda, na situação de pobreza e simplicidade, tornou-se o Servo dos homens, priorizando a necessidade do próximo, tratando a todos como irmãos, com o Amor do Pai, afirmando: "O Filho do Homem não veio para ser servido , mas para servir e dar a vida em resgate de muitos" (Mc 10, 45) - terceira kénosis.

E Ele mesmo ensina e repreende aos apóstolos: "Quem quiser ser o primeiro, seja o último e o servo de todos" (Mc 9, 35).  E, por fim, Jesus não se apegou nem mesmo ao dom mais fundamental da existência humana, a própria vida, oferecendo-a por todos nós, pela nossa salvação. "Fez-se obediente até a morte e morte de cruz."( Fil 2,8) - Quarta humilhação.

     Jesus com o seu exemplo se coloca como referência para a missão dos apóstolos. Ele, com o seu testemunho de esvaziamento de si mesmo e de doação total por amor aos mais necessitados espiritual, física e materialmente, no seu serviço humilde e solidário, no seu ardor evangelizador, na relação de total comunhão e confiança com o Pai, na oração e no transbordamento do Amor, se torna parâmetro, modelo para a Igreja Apostólica. "Como o Pai me enviou, eu também vos envio"(Jo 20,21).

   " Recomendou que não levassem nada pelo caminho, além de um bastão. Nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura." "Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas." O despojamento e o espírito peregrino, simbolizados nas sandálias empoeiradas do pregador itinerante. A missão do Reino jamais se acomoda, jamais se instala. Sempre calça as sandálias da itinerância, de cidade em cidade, anunciando incansavelmente a Boa Nova da Salvação, acompanhada do cuidado e da libertação das pessoas: "partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes". A missão do Mestre continua na missão da comunidade apostólica, do discipulado evangelizador e libertador com o mesmo poder de Cristo. Isto mostra que a evangelização tem como sinal testemunhal inseparável a caridade, a solidariedade, o amor ao próximo, na responsabilidade para com o mundo que deve receber a Boa notícia e a graça da Salvação.

    Porém, esta salvação deve ser aceita livremente, não pode ser imposta. Se não for aceita, cabe ao missionário apenas, seguir adiante, "sacudir o pó das sandálias". Significa, analogicamente, o desprendimento do missionário da própria aceitação e êxito, não se coadunando com as mentalidades opostas, relativizando o Evangelho. É ter a consciência da missão cumprida, respeitando o livre arbítrio e seguir em frente, como fez Jesus, não se importando com as rejeições. Isto não significa, contudo, uma atitude de intolerância ou desdém em relação aos outros em suas escolhas que continuarão em nossas orações para que possam ainda, com a misericórdia de Deus, compreender em algum tempo, a Boa Nova e alcançar a redenção.

     A natureza missionária da Igreja está essencialmente ligada a este espírito de pobreza evangélica e liberdade confiante no Senhor providente, na prioridade do Reino de Deus (cf Lc 12,31. O Concílio Vaticano II apresenta claramente esta identidade missionária, especialmente nas Constituições Lumen Gentium e Gaudium et Spes e no Decreto Ad Gentes, em sua responsabilidade com a salvação-libertação do mundo, por amor e com o amor de Deus, dentre outros documentos.

    O Papa Francisco, reafirmando o documento de Aparecida e todo o ensinamento magisterial conciliar e pós-conciliar, nos apresenta sempre a dimensão do discipulado missionário, a Igreja "em saída" como tem insistido em suas palavras. Na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium afirma : "Todos têm o direito de receber o Evangelho. Os cristãos têm dever de anunciá-lo sem excluir ninguém, não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem compartilha uma alegria, assinala um belo horizonte, oferece um banquete desejável. A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração." E a alegria do Evangelho é missionária porque sempre "tem a dinâmica do êxodo e do dom do sair de si, do caminhar e semear sempre de novo, sempre mais além." Que possamos cada vez mais cumprir este mandato de Cristo, fiéis a esta espiritualidade de despojamento e doação de amor missionários.

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é assessor eclesiástico diocesano da Comunicação Institucional da Diocese de Nova Friburgo

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Construir pontes de reconciliação, de inclusão e de fraternidade

terça-feira, 02 de julho de 2024
por Jornal A Voz da Serra

O Papa Francisco recebeu na manhã da última quinta-feira, 27 de junho, no Vaticano, os participantes da Assembleia Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL). Em seu discurso, o pontífice afirmou que a CAL é chamada a encorajar todos com a simplicidade e a profundidade de quem confia mais no envio missionário e no serviço do que no mero ativismo. “A CAL deve construir pontes de reconciliação, de inclusão, de fraternidade! Pontes que garantam que ‘caminhar juntos’ não seja uma mera expressão retórica, mas uma autêntica experiência pastoral!”, afirmou Francisco.

O Papa Francisco recebeu na manhã da última quinta-feira, 27 de junho, no Vaticano, os participantes da Assembleia Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL). Em seu discurso, o pontífice afirmou que a CAL é chamada a encorajar todos com a simplicidade e a profundidade de quem confia mais no envio missionário e no serviço do que no mero ativismo. “A CAL deve construir pontes de reconciliação, de inclusão, de fraternidade! Pontes que garantam que ‘caminhar juntos’ não seja uma mera expressão retórica, mas uma autêntica experiência pastoral!”, afirmou Francisco.

Em sua fala, Francisco se deteve em três perguntas que os participantes da plenária refletem nos dias de trabalho em Roma: que práticas promover com relação ao desenvolvimento na região “tocando a carne sofredora de Cristo nas pessoas”? Como evangelizar a esfera social, promovendo a fraternidade diante do fenômeno da polarização? Que serviço a CAL deve prestar às conferências episcopais, ao Celam e aos dicastérios da Santa Sé?

Essas perguntas, prosseguiu o Papa, não se referem apenas a questões que a realidade atual exige que sejam abordadas, mas também fazem parte da reforma sinodal que toda a Igreja deve adotar para fazer com que a verdadeira face de Jesus Cristo brilhe mais e melhor.

 

Promover a transformação

Na pauta das reflexões, o documento sobre a reforma da Cúria Romana, constituição Praedicate evangelium, foi citado pelo Papa como orientação para fazer da CAL uma “diaconia” que permita à Igreja na América Latina experimentar a atenção e o afeto pastoral do Sucessor de Pedro. Assim, a Comissão “é chamada a ser um sujeito ativo que promove a transformação necessária que todos nós precisamos, ou seja, ajudar com discrição, prudência e eficácia para garantir que vivamos a sinodalidade – a dimensão dinâmica da comunhão – para caminhar juntos na América Latina, movidos pelo Espírito do Senhor”.

Francisco mencionou as palavras discrição, prudência e eficácia para enfatizar que a CAL não é chamada a substituir nenhum ator na vida eclesial latino-americana. Mas, sim, a encorajar todos eles, com a simplicidade e a profundidade de quem confia mais no envio missionário e no serviço do que no mero ativismo.

Assim fazendo, a CAL deve promover com todos os seus interlocutores, tanto na Santa Sé como no Celam, Ceama, Clar e todos os organismos eclesiais que servem direta ou indiretamente a Igreja na América Latina, um estilo sinodal de pensar, sentir e fazer.

 

Inspiração em São Juan Diego

Nesse aspecto, a CAL e a Igreja na América Latina podem encontrar uma profunda fonte de inspiração em São Juan Diego. Como sabemos, ele era um nativo extremamente modesto e simples. A Virgem não o escolheu por sua erudição, suas habilidades organizacionais ou suas relações com o poder. Pelo contrário, Santa Maria de Guadalupe se comove porque sabe que é pequeno.

Nessas cenas, podemos ver, com simplicidade e profundidade, a sinodalidade e a comunhão simultâneas. O fiel leigo proclama as boas novas, confiando fundamentalmente na dimensão eclesial e sobrenatural de sua missão, e não tanto em sua própria força. Essa é uma bela experiência de conversão sinodal!

O resultado desse exercício sinodal e comunitário não são apenas as rosas que aparecem na frente de todos, não apenas a imagem milagrosa impressa na tilma [manto] do santo, mas também o início de um processo de reconciliação fraterna entre povos inimigos. Um processo que nunca foi perfeito, mas que, sem dúvida, contribuiu para o nascimento de uma nova realidade na América Latina. Em outras palavras, a sinodalidade ad intra produz frutos de fraternidade ad extra.

Esse é o estilo inspirador que a CAL deve promover em toda a região da América Latina e, quando necessário, além de suas fronteiras. Inspirar e não impor. Inspirar, motivar e provocar a liberdade para que cada realidade eclesial e social discirna seu próprio caminho, seguindo também as moções do Espírito, em comunhão com a Igreja universal.

A CAL deve construir pontes de reconciliação, de inclusão, de fraternidade. Pontes que garantam que “caminhar juntos” não seja uma mera expressão retórica, mas uma autêntica experiência pastoral!

Por fim, Francisco recordou que estamos nos aproximando do Jubileu Ordinário em 2025. Depois de citar a bula Spes non confundit disse que está confiante de que todos os membros da CAL participarão ativamente, convidando o povo de Deus a peregrinar e a proclamar a mensagem de esperança que toda a região precisa urgentemente ouvir e redescobrir. “Que Santa Maria de Guadalupe, ‘Mãe do verdadeiro e único Deus, aquele que é o autor da vida’, nos sustente e nos encoraje a perseverar em nosso esforço conjunto para tornar a Igreja uma comunidade cada vez mais no estilo de Jesus. E, por favor, não se esqueçam de orar por mim”.

 

Participações do Brasil

São membros brasileiros da Comissão para a América Latina os cardeais dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Salvador; dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro; e dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília. Também o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB e do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam), dom Jaime Spengler, que participam da assembleia. Outro brasileiro na comissão é o padre Alexandre Awi Mello, que atua como conselheiro da CAL.

O cardeal Orani Tempesta, explicou em suas redes sociais que a CAL foi criada pelo Papa Paulo VI e tem como finalidade contribuir para o relacionamento das igrejas da América Latina, do Celam e com a Santa Sé. “Nesta Plenária estamos discutindo o documento de reforma da Cúria Romana, o Praedicate evangelium, avançando em como podemos trabalhar ainda mais com todas as dificuldades que existem na questão da evangelização, da missão e da pobreza na América Latina”, partilhou.

Fonte: CNBB

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Fênix – renascer das cinzas

terça-feira, 25 de junho de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Quando as trevas parecem prevalecer, brilha a Luz de Cristo, tesouro valiosíssimo transportado no vaso de argila da nossa pobre e medíocre natureza.  Ele como o sol nos toca misteriosamente com sua força suave, nos fortalecendo e fazendo renascer as fibras morrentes de nossa humanidade ressequida. Uma poderosa chama que interiormente nos sustenta: esperança.

Quando as trevas parecem prevalecer, brilha a Luz de Cristo, tesouro valiosíssimo transportado no vaso de argila da nossa pobre e medíocre natureza.  Ele como o sol nos toca misteriosamente com sua força suave, nos fortalecendo e fazendo renascer as fibras morrentes de nossa humanidade ressequida. Uma poderosa chama que interiormente nos sustenta: esperança.

A esperança, uma virtude sobrenatural, teologal, repleta do Esperado, luminosa graça de resiliência amorosa que fez o apóstolo Paulo exclamar: "Tudo posso n'Aquele que me fortalece" ( Filipenses 4,13). O vaso de barro não é a última palavra, de onde vem a desesperança, a desconfiança, a fragilidade e sensação de impotência, a angústia ou desistência covarde e omissa, a insensibilidade ou indiferença. 

Não. A última palavra é do conteúdo, do Poder extraordinário que traz vida à natureza humana cercada de morte, de fora e de dentro. De fora, das opressões, perseguições, injustiças, tentações, destruições e degradações, da lógica da exclusão do mundo. De dentro, da desumanização provocada pela desfiguração do pecado, corrupção e desgaste interior. Mas do Espírito que vem em socorro de nossas fraquezas vem a fortaleza, a unção, a iluminação da Sabedoria Superior, a Vida maior que eleva e renova todas as coisas.

E o apóstolo pergunta com total segurança: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?"... "O que nos separará do Amor de Deus?. "A tribulação ou a angústia, a perseguição ou a fome, a nudez, o perigo, a espada?... E o próprio apóstolo responde: "Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do Amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8,31-39).

O mesmo Mestre das nações, na experiência forte de sua conversão afirma: "Por isso, por amor a Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Coríntios 12,10). Por que diz isso o grande apóstolo? Porque ele sabe por certeza mística que quando nós nos enchemos de nós mesmos pelas vaidades dos sucessos, do êxito, das conquistas de nossas capacidades, fechamos o espaço para a ação de Deus. Aí fala e age o homem orgulhoso que quase se sente um deus, desprezando a graça e a vontade de Deus.

Já quando nos sentimos fracos e assumimos a nossa fraqueza humildemente, diante das dificuldades e obstáculos, sofrimentos ou oposições, nos entregamos confiantes ao Poder transformador de Deus. Aí Deus fala e age, fortalecendo a nossa frágil e vacilante estrutura, nos enriquecendo com a sua Luz de infinita Sabedoria, na resistência invencível de sua misericordiosa graça. Damos abertura para o Senhor da obra missionária realizar o que é o Seu plano e não insistimos nos nossos projetos pessoais, tantas vezes desencontrados dos desígnios do Salvador e que se desgastam por si mesmos.

Sem Deus, sem estarmos totalmente entregues e enxertados à Videira que é Cristo (cf João 15), não vamos muito longe, nosso gás acaba, nossas forças se extinguem, nossas boas intenções de descoloram e talvez se esgotem com a não correspondência ou as rejeições. Os ramos, se desligados do Senhor, por mais bonitos, viçosos, com belos frutos e flores, em pouco tempo secam, se desencantam, fenecem, perdem a cor e o sabor. Faltarão, com certeza, o frescor, o perfume suave e forte da graça divina, a unção da Vida que brota do Coração Sagrado de Jesus, fonte inesgotável de vigor, amor e alegria, o regozijo de que nos fala São Paulo. Ele é a seiva que nos alimenta, nutre a nossa perseverança, na certeza da fé na vitória do Cristo Ressuscitado.

"Se morremos com Cristo, temos fé que com Ele viveremos" (Romanos 6,8). Morrer para o homem velho do pecado, da maldade, do egoísmo e renascer para o homem novo da graça, da luz, do amor ao próximo, com o amor de Deus (cf Efésios 4,22-24).

Um mito grego cantado pelo poeta Hesíodo, de raízes egípcias como afirma o historiador Heródoto, nos fala de uma ave, a Fênix, que quando velha e cansada ateia fogo sobre o seu próprio ninho e renasce de suas próprias cinzas. Os padres da Igreja, primeiros escritores cristãos, como S. Clemente Romano, Tertuliano e Lactâncio, aproveitaram a sua rica simbologia, associando-a à ideia da imortalidade, no prenúncio da paixão, da Ressurreição de Cristo e do renascimento espiritual, fundamento da mística cristã, os cristãos configurados em Cristo, numa vida nova que jorra para a eternidade, como se apresenta, especialmente, no Novo Testamento: "Eu sou a Ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá; e quem vive e crê em mim, jamais morrerá" (João 11,25-26).

E como podemos ver em mais alguns textos paulinos: "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo!" (2 Coríntios 5,17); Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida" (Romanos 6,4-14). Isto ficou gravado na iconografia cristã primeva - a fênix renascida , símbolo do Cristo Ressuscitado e de sua vida nova.

Uma boa inspiração que nos pode recordar esta nossa missão de sempre recomeçar na fé em Cristo, no enfrentamento de todos os desgastes, de nos entregarmos totalmente confiantes nas mãos do Senhor, renascendo do fogo do seu amor, nos renovando a cada dia, transformando as cinzas dos nossos pecados, limites e fraquezas em uma ave altaneira e forte, chamada ao voo maior da graça, do horizonte de Deus, na elevação da vida dos irmãos. 

 

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é assessor eclesiástico diocesano da Comunicação Institucional

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Semeadores generosos e confiantes no Senhor

terça-feira, 18 de junho de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Ser semeadores generosos e confiantes do Evangelho. Foi a exortação do Santo Padre na alocução que precedeu a oração do Angelus ao meio-dia do último domingo, 16, com milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Francisco deteve-se sobre o Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum, que nos falou do Reino de Deus por meio da imagem da semente e nos convidou a refletir particularmente sobre uma atitude importante: a espera confiante.

Ser semeadores generosos e confiantes do Evangelho. Foi a exortação do Santo Padre na alocução que precedeu a oração do Angelus ao meio-dia do último domingo, 16, com milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Francisco deteve-se sobre o Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum, que nos falou do Reino de Deus por meio da imagem da semente e nos convidou a refletir particularmente sobre uma atitude importante: a espera confiante.

De fato, na semeadura, por mais que o agricultor espalhe ótima e abundante semente, e por melhor que prepare o solo, as plantas não brotam imediatamente: leva tempo! Mas sob a terra, o milagre já está acontecendo. O Reino de Deus também é assim, observou o Pontífice:

"O Senhor coloca em nós as sementes de sua Palavra e de sua graça e depois, sem nunca deixar de nos acompanhar, espera pacientemente. Ele continua a cuidar de nós, com a confiança de um Pai, mas nos dá tempo, para que as sementes se abram, cresçam e se desenvolvam para dar frutos de boas obras."

Francisco acrescentou que ao fazer isso, o Senhor nos dá um exemplo: também nos ensina a semear com confiança o Evangelho onde quer que estejamos e depois esperar que a semente lançada cresça e dê frutos em nós e nos outros, sem desanimar e sem deixar de apoiar e ajudar uns aos outros, mesmo quando, apesar de nossos esforços, nos parece não ver resultados imediatos. "Na verdade, muitas vezes, mesmo entre nós, além das aparências, o milagre já está em andamento e, no devido tempo, produzirá frutos abundantes!"

Concluindo, o Santo Padre propôs algumas interpelações para nossa reflexão pessoal: "Semeio com confiança a Palavra de Deus nos ambientes em que vivo? Sou paciente na espera ou fico desanimado porque não vejo os resultados imediatamente? E sou capaz de confiar tudo serenamente ao Senhor, enquanto faço o melhor que posso para proclamar o Evangelho?"

Por fim, confiou à Virgem Maria, que acolheu e fez crescer dentro de si a semente da Palavra, que nos ajude a sermos semeadores generosos e confiantes do Evangelho.

Fonte: Vatican News

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São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil

terça-feira, 11 de junho de 2024
por Jornal A Voz da Serra

José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, em Tenerife, Ilha do Arquipélago das Canárias, Espanha. Era um dos 12 filhos de João López de Anchieta e de Mência Diaz de Clavijo y Llarena. Foi batizado em 7 abril de 1534, na Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, atual Catedral de San Cristóbal de La Laguna, de onde seu pai era prefeito.

José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, em Tenerife, Ilha do Arquipélago das Canárias, Espanha. Era um dos 12 filhos de João López de Anchieta e de Mência Diaz de Clavijo y Llarena. Foi batizado em 7 abril de 1534, na Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, atual Catedral de San Cristóbal de La Laguna, de onde seu pai era prefeito.

José viveu com a família até os 14 anos de idade, quando se mudou para Coimbra, Portugal, para estudar filosofia no Real Colégio das Artes e Humanidades, anexo à Universidade de Coimbra. Ali, em 1º de maio de 1551, entrou como noviço da Companhia de Jesus. Mas, pouco tempo depois, foi acometido por uma tuberculose óssea, que lhe causou uma escoliose. Como último recurso, os médicos aconselharam-lhe a partir para o Brasil, onde o clima era mais saudável.

 

Missão no Brasil

Em 1553, ao chegar às terras brasileiras, José de Anchieta começou a trabalhar como catequista dos indígenas. Além disso, desempenhou outras funções: professor, músico, enfermeiro, sapateiro, taumaturgo, construtor e conselheiro espiritual. Aprendeu a língua tupi, tornando-se verdadeiro mestre: compôs a "Arte de gramática” da língua mais falada na costa do Novo Mundo.

Em janeiro de 1554, José de Anchieta participou da inauguração do Colégio de São Paulo de Piratininga, hoje “Páteo do Collégio”, onde teve origem a cidade de São Paulo.

Em 1566, José de Anchieta foi ordenado sacerdote, em Salvador da Bahia. Após três anos, fundou o povoado de Reritiba, atual cidade Anchieta, no Espírito Santo. Em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu até 1585. Em 1595, retirou-se para Reritiba, onde permaneceu até à sua morte, que ocorreu em 9 de junho de 1597, aos 63 anos de idade.

 

Poema à Virgem

Em 1563, com o apoio dos franceses, a tribo dos Tamoios rebelou-se contra a colonização portuguesa. Padre José de Anchieta e Padre Manuel da Nóbrega, chefe da primeira Missão Jesuíta no Brasil, foram à aldeia de Iperoig - atual cidade de Ubatuba, litoral norte de São Paulo – como mediadores da revolta. Anchieta ofereceu-se como refém, enquanto Manuel da Nóbrega pôs a negociar a paz.

Durante o cativeiro, que durou cinco meses, o jesuíta dedicou a Nossa Senhora seu mais lindo poema: o “Poema à Virgem”, cujos versos foram escritos na areia.

 

Canonização

A canonização do “Apóstolo do Brasil” ocorreu 417 anos depois da sua morte, no dia 24 de abril de 2014, pelo Papa Francisco, em Roma. Em um documento dos Postuladores da Causa de Canonização, de 488 páginas, registram-se 5.350 histórias de pessoas, que alcançaram graças, por intercessão de São José de Anchieta.

 

Oração a São José de Anchieta

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil,

Poeta da Virgem Maria intercede por nós, hoje e sempre.

Dá-nos a disponibilidade de servir a Jesus,

como tu o serviste nos mais pobres e necessitados.

Protege-nos de todos os males do corpo e da alma.

E, se for vontade de Deus, alcança-nos a graça, que te pedimos.

São José de Anchieta, rogai por nós!

 

Fonte: Vatican News

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Com o “pão do amor”, reconstruir o que o ódio destrói

segunda-feira, 03 de junho de 2024
por Jornal A Voz da Serra

O Papa Francisco presidiu na tarde do último domingo, 2, a Santa Missa da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo na Basílica de São João de Latrão, em Roma. Na Itália e em outros países, a Igreja celebra a festa de Corpus Christi no domingo seguinte à quinta-feira em que a solenidade é tradicionalmente comemorada.

O Papa Francisco presidiu na tarde do último domingo, 2, a Santa Missa da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo na Basílica de São João de Latrão, em Roma. Na Itália e em outros países, a Igreja celebra a festa de Corpus Christi no domingo seguinte à quinta-feira em que a solenidade é tradicionalmente comemorada.

Este ano, ao retornar a São João de Latrão, o Pontífice também retomou uma tradição iniciada pelo Papa João Paulo II, na qual, ao final da missa, teve início a procissão com o Santíssimo Sacramento em direção à Basílica de Santa Maria Maior, seguida da bênção eucarística, concedida pelo Santo Padre à multidão.

Durante a celebração, Francisco proferiu a homilia e recordou o gesto de Jesus presente no Evangelho de São Marcos, que narra a instituição da Eucaristia: “Tomou o pão e pronunciou a bênção” (Mc 14, 22). O Papa convidou os fiéis a refletir sobre as três dimensões do Mistério Eucarístico: o agradecimento, a memória e a presença.

A simplicidade agrada a Deus

Ao falar sobre o agradecimento, o Santo Padre sublinhou que “a palavra Eucaristia quer precisamente dizer obrigado”. Agradecer a Deus pelos seus dons, e nesse sentido o sinal do pão é importante.

É o alimento de cada dia, com o qual levamos ao Altar quanto somos e temos: “vida, obras, sucessos e também fracassos, como simboliza o gracioso costume existente em algumas culturas de apanhar o pão quando cai por terra e beijá-lo”. Segundo o Pontífice, essa atitude quer lembrar que o pão é precioso demais para ser lançado fora, mesmo depois de ter caído, e completou:

“Assim, a Eucaristia ensina-nos a abençoar, recolher e beijar, sempre em ação de graças, os dons de Deus, através do nosso trabalho realizado com amor, perfeição e cuidado, vivendo-o como um dom e uma missão.”

Presença real do Senhor

A segunda dimensão: “abençoar o pão”, significa fazer memória, destacou Francisco, “é reviver a Páscoa de Cristo, a sua Paixão e Ressurreição, com que nos libertou do pecado e da morte”:

“Fazer memória da nossa vida, fazer memória dos nossos sucessos, fazer memória dos nossos erros, fazer memória daquela mão estendida do Senhor que sempre nos ajuda a nos levantar; fazer memória da presença do Senhor na nossa vida.”

Jesus, fonte da verdadeira liberdade 

O Papa, ao se deter sobre o atual conceito de liberdade, disse que “há quem diga que é livre quem pensa apenas em si mesmo, quem aproveita a vida e quem, com indiferença e talvez com arrogância, faz tudo o que lhe apetece sem respeitar os outros”, mas isto não é liberdade, é uma escravidão escondida:

“A liberdade não se encontra nos cofres de quem acumula para si, nem nos sofás de quem se acomoda preguiçosamente no desinteresse e individualismo: a liberdade encontra-se no Cenáculo, onde uma pessoa, sem outro motivo para além do amor, se ajoelha diante dos irmãos oferecendo-lhes os próprios serviços, a própria vida como ‘salvados’.”

Devolver ao mundo o “pão do amor"

Francisco, ao abordar a terceira dimensão, sublinhou que o Pão Eucarístico é presença real de Cristo, “de um Deus que não está distante nem é ciumento, mas próximo e solidário com o homem”. E esta sua presença convida, também a nós, a aproximar-nos dos nossos irmãos nas situações onde o amor nos chama; e como é grande a necessidade, que há no nosso mundo, deste pão, da sua fragrância e do seu aroma, que sabe de gratidão, liberdade e proximidade:

“Dia a dia vemos cada vez mais estradas que outrora cheiravam a pão fresco, e hoje estão reduzidas a montões de escombros por causa da guerra, do egoísmo e da indiferença. É urgente devolver ao mundo o aroma bom e fresco do pão do amor, para continuar a esperar, sem nunca se cansar, e a reconstruir o que o ódio destrói.”

A procissão com o Santíssimo Sacramento

Ao término da celebração, houve a procissão eucarística pela rua Merulana até a Basílica de Santa Maria Maior, onde foi concedida a bênção. Francisco, na conclusão de sua homilia, explicou o significado desse gesto:

“Partindo do Altar, levaremos o Senhor por entre as casas da nossa cidade. Não o fazemos para nos exibir, nem para ostentar a nossa fé, mas para convidar a todos a participarem no Pão da Eucaristia, da vida nova que Jesus nos deu.”

Desde 2017, a tradicional celebração na Basílica de Latrão seguida pela procissão até Santa Maria Maior não acontecia. Em 2018, Francisco escolheu celebrar por dois anos consecutivos a solenidade do Corpus Christi na periferia de Roma. Posteriormente, primeiro a emergência pandêmica e depois problemas de saúde do Papa impediram a realização regular da liturgia com a participação dos fiéis.

Fonte: Vatican News

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Corpus Christi, nosso alimento

segunda-feira, 27 de maio de 2024
por Jornal A Voz da Serra

A solenidade de Corpus Christi, na próxima quinta-feira, 30, é comemorada com grande alegria pela Igreja Católica, sendo um dos quatro dias santos de guarda, de louvor a Deus, com a participação da Santa Missa e comunhão do Corpo de Cristo. E este dia é, por excelência, uma celebração festiva e especial da Eucaristia, ou seja, o pão e o vinho que se tornam o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por vontade do próprio Mestre Nazareno que na última ceia com os seus apóstolos disse: "Tomai, todos e comei. Isto é o meu Corpo. Tomai, todos e bebei.

A solenidade de Corpus Christi, na próxima quinta-feira, 30, é comemorada com grande alegria pela Igreja Católica, sendo um dos quatro dias santos de guarda, de louvor a Deus, com a participação da Santa Missa e comunhão do Corpo de Cristo. E este dia é, por excelência, uma celebração festiva e especial da Eucaristia, ou seja, o pão e o vinho que se tornam o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por vontade do próprio Mestre Nazareno que na última ceia com os seus apóstolos disse: "Tomai, todos e comei. Isto é o meu Corpo. Tomai, todos e bebei. Este é o meu Sangue, o sangue da aliança que será derramado por muitos para a remissão dos pecados" ( Mateus 26,26-27).

E este milagre de Amor se perpetua na história, através do seu Sacerdócio que Ele mesmo instituiu na Igreja para obedecer ao seu mandato: "Fazei isto em minha memória" (Lucas 22,19). E o próprio Jesus reafirma no Evangelho de São João: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu vou dar é a minha carne que eu ofereço pela vida do mundo. Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque minha carne é Verdadeira Comida e o meu sangue é Verdadeira Bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (João 6,51-56).

E nesta comunhão num só pão que é o corpo de Cristo, formamos um só corpo em comunhão que é a Igreja, embora sendo muitos (cf.1 Coríntios 10,17). É, por isso, também Corpus Christi é a festa da Unidade do povo de Deus, alimentado pelo Pão vivo eucarístico, Jesus Cristo, que se coloca em missão de estender a Sua salvação ao mundo. Eucaristia - Comunhão e Missão!

A Festa de Corpus Christi foi celebrada pela primeira vez pelo bispo Roberto de Liége, da Diocese da Bélgica, em 1246, correspondendo à fortíssima devoção popular à Eucaristia, no século 12, reagindo também às heresias da época que negavam a presença real do Cristo no pão consagrado, especialmente a de Berengário. A afirmação da fé no Cristo Eucarístico se dava já no costume de elevar a hóstia após a consagração, a partir do ano 1200. Colaborou também a visão de uma religiosa agostiniana Juliana de Liége, no ano de 1209, estimulando a introdução de uma festa especial do Sacramento da Eucaristia. Sua visão foi de um disco lunar dentro do qual havia uma parte escura. A interpretação foi que faltava no ciclo anual litúrgico, uma festa eucarística,

Em 1264, o Papa Urbano IV estabeleceu oficialmente esta festa litúrgica, prescrevendo-a para toda a Igreja, através da Bula "Transiturus", com os textos elaborados por São Tomás de Aquino, com a motivação também do fato extraordinário em 1263, em Orvieto, Itália, onde o Papa se encontrava. Aconteceu que um sacerdote, com dúvidas sobre a presença real de Cristo na Eucaristia, viu que a hóstia consagrada manava sangue até tingir de vermelho o corporal (pequena toalha) sobre o altar. Este corporal é conservado até hoje na catedral de Orvieto, construída para este fim. São Boaventura e São Tomás de Aquino foram os delegados especiais que comprovaram a veracidade do milagre. O Papa Pio IX introduziu a Festa do "Preciosíssimo Sangue" em 1849 no dia 1º de julho. Com a renovação litúrgica, a "Festa do Santíssimo Corpo de Jesus" passou a ser chamada "Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo", absorvendo a Festa do Preciosíssimo Sangue, conforme as Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário, no Missal, celebrada na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade.

Hoje a festa de Corpus Christi é solenidade em toda a Igreja, como louvor, reverência e adoração ao Cristo Senhor da Vida e da História que se fez pão, alimento para a nossa salvação.

Em toda a nossa Diocese será celebrada a Santa Missa e Procissão. E em Nova Friburgo, haverá a missa campal presidida pelo nosso Bispo Dom Luiz Antonio Lopes Ricci, com os padres e da cidade, em frente à Igreja de São Bento, no bairro Ypu, às 16h, com a participação da grande massa de fiéis de todas as paróquias, diáconos, religiosos e leigos, seguida da vibrante e piedosa procissão até a Catedral São João Batista, sobre os belos tapetes confeccionados pela arte e pela fé da população, expressão pública do amor a Jesus Eucarístico.

 

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é assessor eclesiástico da Comunicação Institucional da Diocese de Nova Friburgo 

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Celebrada a memória de Maria, Mãe da Igreja

segunda-feira, 20 de maio de 2024
por Jornal A Voz da Serra

Nesta segunda-feira, 20, após a solenidade do Domingo de Pentecostes, foi celebrada a memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, data que foi estabelecida pelo papa Francisco no início de 2018, por meio de um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

“Esta celebração ajudará a recordar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos”, diz o documento.

Nesta segunda-feira, 20, após a solenidade do Domingo de Pentecostes, foi celebrada a memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, data que foi estabelecida pelo papa Francisco no início de 2018, por meio de um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

“Esta celebração ajudará a recordar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos”, diz o documento.

O texto diz que o papa Francisco decidiu estabelecer esta memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja, “considerando atentamente quanto à promoção desta devoção possa favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana”.

O Evangelho de São João narra que, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe’” (Jo 19,25-27).

Com referência a este episódio evangélico, o decreto destaca que a Virgem Maria “aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito”.

“Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial”.

"Dedicada guia da Igreja nascente, Maria iniciou, portanto, a própria missão materna já no cenáculo, rezando com os apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo”, continua o texto.

Segundo o decreto, ao longo dos séculos, “a piedade cristã honrou Maria com os títulos, de certo modo equivalentes, de Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo e, também, ‘Mãe da Igreja’, como aparece nos textos dos autores espirituais assim como nos do magistério de Bento XIV e Leão XIII”.

Recorda que Paulo VI, "a 21 de novembro de 1964, por ocasião do encerramento da terceira sessão do Concílio Vaticano II, declarou a bem-aventurada Virgem Maria ‘Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima’ e estabeleceu que ‘com este título suavíssimo seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão’”.

Além disso, lembra que "a Santa Sé" propôs "uma Missa votiva em honra de Santa Maria, Mãe da Igreja", por ocasião do Ano Santo da Reconciliação em 1975. “A mesma deu a possibilidade de acrescentar a invocação deste título na Ladainha Lauretana (1980), e publicou outros formulários na Coletânea de Missas da Virgem Santa Maria (1986). Para algumas nações e famílias religiosas que pediram, concedeu a possibilidade de acrescentar esta celebração no seu Calendário particular”.

O papa Francisco “estabeleceu que esta memória da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja inscrita no Calendário Romano na Segunda-feira depois do Pentecostes, e que seja celebrada todos os anos”.

Fonte: Acidigital

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Solidariedade da Igreja ao Rio Grande do Sul

segunda-feira, 13 de maio de 2024
por Jornal A Voz da Serra

O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (cnbb), dom Ricardo Hoepers, divulgou um vídeo no qual dirige uma mensagem especial ao povo do Rio Grande do Sul a quem define como “fortes, corajosos e destemidos”.

Dom Ricardo afirmou que o povo do Rio Grande do Sul já passou por momentos difíceis da história e que vai superar mais este momento de dor provocado pelas enchentes. “Estamos unidos com vocês, contem conosco, contem com o Brasil”, disse.

O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (cnbb), dom Ricardo Hoepers, divulgou um vídeo no qual dirige uma mensagem especial ao povo do Rio Grande do Sul a quem define como “fortes, corajosos e destemidos”.

Dom Ricardo afirmou que o povo do Rio Grande do Sul já passou por momentos difíceis da história e que vai superar mais este momento de dor provocado pelas enchentes. “Estamos unidos com vocês, contem conosco, contem com o Brasil”, disse.

O secretário-geral da CNBB também se dirigiu aos bispos do Brasil em agradecimento pelas inúmeras iniciativas solidárias e mobilizações em favor do povo do Rio Grande do Sul nas dioceses, paróquias e comunidades da Igreja no país. “O povo já está arrecadando e contribuindo para ajudar o Rio Grande do Sul”.

Dom Ricardo pede a intercessão de Nossa Senhora Medianeira e de São Pedro para que os ventos soprem favoráveis ao RS. “Somos todos irmãos e irmãs. Não sejamos expectadores, vamos agir. Procure na sua diocese os pontos de arrecadação. Colabore”, pediu dom Ricardo.

 

Como ajudar?

Para contribuir com as iniciativas de solidariedade do Regional Sul 3, faça sua doação por meio da chave pix do Regional, que é o número do CNPJ: 33685686001041

 

Telefonema do Santo Padre

O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, foi surpreendido na manhã do último sábado 11, com uma ligação do Santo Padre, Papa Francisco. A voz de Dom Jaime em áudio enviado à assessoria de Comunicação da CNBB estava embargada de emoção com o gesto de paternidade do Santo Padre.

Dom Jaime disse, no áudio, que foi surpreendido com uma chamada telefônica do secretário do Santo Padre. Segundo o presidente da CNBB, na sequência o Papa Francisco tomou o telefone e disse as seguintes palavras de conforto ao povo do Rio Grande do Sul: “Manifesto minha solidariedade em favor de todos que estão sofrendo esta catástrofe. Estou próximo a vocês e rezo por vocês”, disse Francisco ao telefone.

 

Solidariedade do Papa ao povo do RS

Na última quinta-feira, 9, a Nunciatura Apostólica do Brasil deu o informe de que o Santo Padre destinou um valor substancial, através da Esmolaria Apostólica, para auxílio dos desabrigados. Este valor foi em torno de 100 mil euros e será repassado para o Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o regional que abrange todo o Rio Grande do Sul, para ajudar no que for possível.

 

A preocupação do Papa Francisco

Ao final do Regina Caeli do último dia 5, o Pontífice já havia manifestado sua solidariedade aos afetados pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul: “Quero assegurar a minha oração pelas populações do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, atingidas por grandes inundações. Que o Senhor acolha os mortos e conforte os familiares e quem teve que abandonar suas casas.”

Proximidade que se transformou em uma ajuda concreta, conforme confirmou por dom Jaime Spengler. O valor doado pelo Papa Francisco, na moeda local do Brasil, ultrapassa os R$ 500 mil, recurso que será gerido pelo Regional da CNBB Sul 3 e que será de grande ajuda ao povo gaúcho.

 

Ajuda na Diocese de Nova Friburgo

Na Diocese de Nova Friburgo temos a ação da Cáritas que mobiliza as iniciativas, com a cooperação das paróquias e instituições. Informações pelo telefone: (22) 2521-1203 ou pelo e-mail: [email protected].

 

Fonte: CNBB

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