Blog de Camilla Fiorito

O diário como espelho da alma

sexta-feira, 07 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“Querido diário, hoje, as coisas não saíram como planejado, mas está tudo bem! Nem sempre teremos o resultado que esperamos”.

Esse pequeno trecho me faz lembrar da minha adolescência, onde eu cultivava meu diário. Cada folha escrita refletia aquilo que não conseguia ser descrito em palavras ditas, mas eram externalizadas através de traços realizados no papel.

“Querido diário, hoje, as coisas não saíram como planejado, mas está tudo bem! Nem sempre teremos o resultado que esperamos”.

Esse pequeno trecho me faz lembrar da minha adolescência, onde eu cultivava meu diário. Cada folha escrita refletia aquilo que não conseguia ser descrito em palavras ditas, mas eram externalizadas através de traços realizados no papel.

A tinta das canetas coloridas e dos marcadores de textos deslizavam pelas folhas, traziam singelas emoções e percepções sobre a vida, transformando dor, medo, esperança, apreensão, segredo, sonho, desilusão, imposição, rejeição, tristeza e alegria em poesia.

Íntimo, privado, espelho, abrigo, conforto. Um lugar único, onde segredos são revelados de forma avassaladora. Ele não julga, apenas abraça, acolhe. 

No diário, cada letra ganha forma, expressando um entrelaçamento de artes, como uma ópera em seu grande espetáculo. 

Nossos sentimentos reprimidos transbordam, os tempos se misturam, as ideias saltitam de um lado a outro, as reflexões ficam vivas, os contornos vão desaparecendo, pouco a pouco, dando lugar a uma imensidão sem fim. Um espaço infinito, o qual podemos colocar cada expressão de forma livre, esvaziando tudo aquilo que vem à mente, de forma totalmente despida. 

Nos despimos do que aflige e preenche a nossa alma.

Nas páginas, as emoções confusas ganham nomes, o diálogo íntimo vira aprendizado e o alívio pode ser sentido. 

Cada palavra que nasce transborda em verdade, ajudando o coração a se organizar. Os registros são como sementes de autoconhecimento, trazendo cuidado e escuta interior, acolhendo e aceitando as imperfeições como parte do processo da nossa jornada. 

Mas, ao longo do percurso, vamos crescendo, os anos vão passando e os nossos cadernos ficam esquecidos. Deixamos de acreditar na sua função ou até mesmo achamos que já não temos mais idade ou o período que vivemos não é propício para isso.

Resgatar esse momento de espontaneidade, é trazer um aliado ao nosso desenvolvimento socioemocional, pois auxilia na sensação de bem-estar e regulação emocional.

Cultive o diário. Traga a forma que melhor se adapta à sua rotina. Separe um lugar tranquilo e deixe o pensamento fluir. Se permita esvaziar, transformando cada momento em um encontro consigo mesmo. Faça relações com os acontecimentos e as sensações. 

Com o tempo, você vai perceber que o diário revela mudanças. E quem faz uso dele, vai se tornando mais leve, sereno, inteiro. 

 

Até a próxima quarta!

……..

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Desenvolvendo autocrítica e autocompaixão

quarta-feira, 29 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Erros, acertos, melhoria, crescimento, mudança, permanência.

Quando pensamos em autocrítica, a primeira coisa que nos vem à mente é o fato negativo, como se estivéssemos nos criticando e não valorizando nada daquilo que somos ou realizamos.

Erros, acertos, melhoria, crescimento, mudança, permanência.

Quando pensamos em autocrítica, a primeira coisa que nos vem à mente é o fato negativo, como se estivéssemos nos criticando e não valorizando nada daquilo que somos ou realizamos.

Muito diferente da auto depreciação, que é a visão extremamente negativa de nós mesmos, nos desmotiva e causa baixa autoestima, ansiedade, insegurança e afeta a nossa saúde mental, a autocrítica faz parte do nosso autoconhecimento, alimentando o que precisamos ajustar, para seguir de forma mais alinhada com aquilo que nos propomos e acreditamos.

Uma autocrítica equilibrada, nos ajuda a analisar e reconhecer o que erramos e acertamos, além de desenvolver a nossa percepção dentro daquilo que conseguimos alcançar, realizar com destreza e melhorar. Fortalece o nosso autoconhecimento, dia após dia, de forma saudável, nos alimentando de aprendizado e crescimento.

Passamos a entender a melhoria contínua, as responsabilidades e o acolhimento às nossas falhas. Porém, como realizar tudo isso com entendimento e um olhar compassivo?

Praticar a autocompaixão nos faz navegar por mares calmos, despertando bondade, acolhimento e compreensão, trazendo para nós mesmos uma gentileza que muitas vezes é realizada somente com o outro e acaba ficando esquecida.

Se tratar de forma gentil e com menos julgamentos, reconhecendo que imperfeições e erros também fazem parte de quem nós somos, da nossa condição humana, é um passo importante dentro desse processo. 

Melhoramos as nossas relações, passamos a nos acolher como se fôssemos um abrigo seguro e aconchegante, trazendo controle emocional, impactando positivamente na nossa autoestima e saúde, mesmo nos dias em que há tropeços e o mundo parece conspirar contra tudo e todos.

Somos feitos de carne e osso, sentimos uma avalanche de sentimentos misturados que não conseguimos separar ou até mesmo organizar. É difícil e pode parecer impossível, mas entender que um olhar tenro, um abraço apertado e carinhoso que nos damos, onde a doçura se faz presente, transforma tudo aquilo que parece não ter fim em jardins de primavera, recheados de essências que trazem conforto.

Ter essa bondade consigo mesmo trará bons resultados no seu dia a dia e uma outra perspectiva. Aproveite para criar frases gentis diárias e trazer a prática de meditação e exercícios que melhorem a respiração. Solte a culpa, descanse, canalize a sua energia e traga positividade para a sua jornada.

Até a próxima quarta!

 

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Redes sociais e comparações silenciosas

quarta-feira, 22 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“A grama do vizinho é mais verde que a minha”.
Esta expressão é muito usada quando comparamos a nossa vida com a do outro
Viagem, festa, roupa nova, corpo perfeito, organização, decoração impecável, comida diferente, conquista, um novo momento, diversão, felicidade, praia, cachoeira, estrada, natureza, centro urbano, descanso, agito, pôr do sol, entardecer, anoitecer, frio, calor, sol, chuva, vento, neve, tempo.

“A grama do vizinho é mais verde que a minha”.
Esta expressão é muito usada quando comparamos a nossa vida com a do outro
Viagem, festa, roupa nova, corpo perfeito, organização, decoração impecável, comida diferente, conquista, um novo momento, diversão, felicidade, praia, cachoeira, estrada, natureza, centro urbano, descanso, agito, pôr do sol, entardecer, anoitecer, frio, calor, sol, chuva, vento, neve, tempo.

As publicações em redes sociais decoram o feed e os stories como se representassem um mundo perfeito, sem intercorrências ou momentos tortuosos, como acontece no nosso dia a dia.

Além disso, há também aqueles que mostram uma existência fictícia, forjando o que é real para ter incontáveis seguidores, likes e mais likes, com a sua foto instagramável, como muitos dizem por aí.

A ilusão da perfeição é vendida a todo momento, nos levando a acreditar que o mundo é o pedaço que vivemos e aquilo que vemos, rolagem após rolagem, em uma tela onde a realidade, muitas vezes, fica camuflada e longe da verdade.

Do outro lado, estamos nós.

A tela se fecha e o sentimento de inferioridade desperta, trazendo comparações silenciosas, que machucam e sangram a alma, despertando grande impacto socioemocional, onde uma vulnerabilidade mais abrangente é claramente vista entre os adolescentes e os mais jovens.

Mexidas na autoestima, ansiedade, danos à saúde mental, distorção corporal e de imagem são só alguns dos pontos silenciados que corroem por dentro.

Surge então, uma busca incessante por uma validação que nunca acaba, parece não ter fim e se comprime mais e mais dentro de um círculo vicioso.

Mas como sair desse ciclo e entender que está na hora de reformular a rota e enxergar a linha além do horizonte?

Ter mais atenção àquilo que você consome nas redes é um grande passo. Entender que um recorte é apresentado e não a peça inteira, assim como os ângulos são escolhidos com bastante critério pelo autor.

Perfis que causam distorções e desconforto podem ser trocados por aqueles que trazem autenticidade. Ademais, desenvolver senso crítico também faz parte dessa construção, alinhando pausas digitais que precisam ser inseridas e cumpridas.

A comparação desperta inúmeros sentimentos e pode gerar dúvidas sobre o seu verdadeiro potencial. Não se deixe levar pela fantasia e o mundo virtual desenhado com tudo aquilo que deseja.

Valorize suas conquistas e foque nas coisas boas que acontecem na sua rotina.

No final, a sua grama também está verde. Basta olhar por outro ângulo!


Até a próxima quarta!

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O brincar na vida adulta

quarta-feira, 15 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Há um tempo atrás, enquanto eu orientava um adolescente sobre desenvolvimento socioemocional, ouvi a seguinte pergunta: “Adulto brinca?”.
Isso me fez pensar e refletir sobre o quanto nós adultos separamos pouco tempo para a brincadeira.

O brincar não faz parte só da vida da criança.

O brincar também é importante na vida adulta, pois contribui para fortalecer relações, desenvolver criatividade, melhorar a saúde emocional, trazendo mais alívio para a nossa rotina.

Há um tempo atrás, enquanto eu orientava um adolescente sobre desenvolvimento socioemocional, ouvi a seguinte pergunta: “Adulto brinca?”.
Isso me fez pensar e refletir sobre o quanto nós adultos separamos pouco tempo para a brincadeira.

O brincar não faz parte só da vida da criança.

O brincar também é importante na vida adulta, pois contribui para fortalecer relações, desenvolver criatividade, melhorar a saúde emocional, trazendo mais alívio para a nossa rotina.

Quando brincamos, nos percebemos mais leves, com uma grata sensação de bem estar. Nosso humor muda, nos sentimos felizes e mais fortalecidos para enfrentarmos as adversidades que chegam, e passamos a ter um olhar mais amplo a respeito dos problemas, enxergando-os por uma outra óptica.

A ansiedade acalma, a mente relaxa, o alívio chega e toma conta do corpo. Soluções surgem, os relacionamentos ficam mais saudáveis e colaborativos, a mente encontra soluções para problemas e adversidades.

Mas por quê, conforme vamos crescendo, isso vai se esvaindo, pouco a pouco, como um castelo de areia que escorre entre os dedos? Como trazer a brincadeira de volta na vida adulta?

Na infância, experimentamos inúmeros divertimentos e mergulhamos em um mundo lúdico cheio de cores, formas e sons. Os anos vão passando até chegarmos na adolescência, onde começamos a não nos permitir mais algumas dessas experimentações. A ludicidade começa, então, a perder cada vez mais espaço, ficando no fundo do mar quando nos tornamos adultos.

É como se não fosse permitido ter acesso a esse lugar que, de alguma forma, ficou estabelecido em alguma crença que só crianças podem ter essas ocasiões.

Se reconectar com o brincar é abrir uma nova dimensão para esse entendimento. Requer disponibilidade de mudanças internas, que foram moldadas há muito tempo atrás.

Reunir amigos ou familiares para jogar jogos de tabuleiro, videogame ou até mesmo jogos de cartas. Separar um instante para colorir, pintar e resgatar aqueles desenhos que foram parar no fundo do oceano. Trazer de volta as cantorias no chuveiro, onde imitávamos nossos cantores e bandas favoritas, inserindo instrumentos musicais imaginários, compondo parte das melhores horas do dia. Dançar e cantar pelo simples fato de se sentir bem, resgatando o dance e cante como se ninguém estivesse olhando, elaborando um divertido karaokê.

Reconquistar esses momentos é inserir leveza no nosso dia a dia.

 

Até a próxima quarta!

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Nossas raízes

quarta-feira, 08 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Às vezes, ficamos dentro de bolhas no percurso da existência que esquecemos de nós mesmos, das nossas raízes. Cheiros, comidas, músicas, falas, lugares, pessoas que nos trazem uma memória afetiva única. Mexe com o que gostávamos, com quem éramos, de como vivíamos e sentíamos o mundo.

Isso me faz lembrar de alguns dias atrás quando viajei para uma cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro. Um lugar com uma população um pouco maior que 20 mil habitantes, que deixou acesa uma parte da minha infância.

Às vezes, ficamos dentro de bolhas no percurso da existência que esquecemos de nós mesmos, das nossas raízes. Cheiros, comidas, músicas, falas, lugares, pessoas que nos trazem uma memória afetiva única. Mexe com o que gostávamos, com quem éramos, de como vivíamos e sentíamos o mundo.

Isso me faz lembrar de alguns dias atrás quando viajei para uma cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro. Um lugar com uma população um pouco maior que 20 mil habitantes, que deixou acesa uma parte da minha infância.

Os sentidos foram inundados com as lembranças do cheiro da rua de terra batida, dos pastos de gado, da primeira vez que andei de bicicleta "grande", das subidas nos pés de manga e jambo vermelho, de carregar varas de bambu andando por cima de muros para pegar frutas na árvore, da fita cassete gravada nos lados A e B com a música do grupo Nenhum de Nós “Camila, Camila”, cantada pela banda Biquini. Das idas às piscinas nos dois clubes que existiam, dos banhos na cachoeira, de nomes de crianças que nunca mais tive notícias, mas que brincavam comigo quando eu passava minhas férias escolares por lá.

Essa ligação genuína que balança a memória e invade todas as formas de sentir desperta inúmeros sentimentos, assim como quando vou à minha terra natal, nossa Nova Friburgo. Esses encontros e reencontros, entre passado e presente, resgatam sonhos que foram desejados enquanto criança e transformados na vida adulta. 

Na infância, nossa visão é pura, inocente, sem maturidade para entender diversas questões, diferente daquilo que encontramos no passar do tempo. Resgatar esses momentos nos ajuda a avaliar e refletir sobre aquilo que estamos realizando, vivendo, acreditando, esperando.

Traz valor à nossa história e às experiências que nos moldaram nos ajudando à refletir sobre as nossas raízes, entendendo a nossa essência, reconhecendo o que passou e nos fortalecendo para o presente e o futuro que ainda está por vir.

Com as nossas raízes fortalecidas, como as raízes profundas e robustas de uma árvore, nossa identidade se revigora e reafirmamos quem nós somos. Esse processo é necessário para reafirmarmos toda a construção que faz parte da nossa vida, mesmo que, em alguns momentos, lembrar do nosso eu profundo possa ser doloroso, trazendo desconforto de um passado que não quer ser visitado.

Siga em frente e reconheça a sua profundidade, a sua origem!


Até a próxima quarta!

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No próprio ritmo

quarta-feira, 01 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nosso ritmo, nosso balanço, nosso movimento, nosso caminhar.

Todos nós possuímos um tempo interno que muitas vezes não é compreendido prontamente.
Sentimos a música tocar, vibrando em um compasso que somente nós mesmos percebemos. E está tudo bem! O nosso ritmo não é uma corrida competitiva, onde há ultrapassagens, manobras mirabolantes e a ordem de chegada importa mais do que o trajeto.

Nosso ritmo, nosso balanço, nosso movimento, nosso caminhar.

Todos nós possuímos um tempo interno que muitas vezes não é compreendido prontamente.
Sentimos a música tocar, vibrando em um compasso que somente nós mesmos percebemos. E está tudo bem! O nosso ritmo não é uma corrida competitiva, onde há ultrapassagens, manobras mirabolantes e a ordem de chegada importa mais do que o trajeto.

A execução de todo o percurso é importante, pois faz parte de quem somos e de como funcionamos. Mesmo que o mundo nos apresse e possua ao redor diversas vibrações e estações, onde comparações são realizadas inúmeras vezes e esperamos do outro uma entrega de acordo com o que sentimos e desejamos, precisamos viver e despertar a consciência de que o ritmo faz parte de cada um, singularmente. E, quando estabelecemos esse entendimento, percebemos o outro também como um ser que possui ritmo individualizado dentro das suas especificidades e sentidos.

Despertar, levantar, arrumar, organizar, sair, produzir, exercitar, sentir, descansar são ações realizadas de acordo com o nosso funcionamento, entendimento e leitura de mundo. Nos culpamos e nos cobramos por não conseguirmos nos encaixar em tudo e em todos os ritmos impostos, muitas vezes pelos outros, mas muitas outras por nós mesmos.

Respeitar a forma como nos movemos e entender o nosso próprio ritmo, seja físico, social ou emocional, requer escuta interna, entendimento do corpo e percepção.

A percepção desse movimento fica camuflada como um camaleão no meio da floresta. Ela vai se moldando pelas nossas vivências, temores, desejos, sentimentos, fazendo parte do nosso processo de evolução. Com isso, lembramos do limite do nosso corpo, da necessidade de cuidar, parar e praticar as pequenas pausas ao longo do dia.

Realizar esse processo na sociedade em que vivemos, que dá ênfase à produtividade e a entregas a qualquer custo, pode ser de difícil manejo, mas necessário.

Aceitar o nosso ritmo mesmo quando tudo vai contra a nossa melodia, é fortalecer o nosso autoconhecimento. É viver com consciência e identificar o que é essencial. Que os momentos de marcha a ré podem existir e que desacelerar é preciso, ouvindo o próprio tempo, reforçando o compromisso com a verdade de quem realmente somos.

É deixar o equilíbrio e o cuidado fazerem parte da rotina, trazendo presença tanto nos dias mais expansivos como nos mais reservados.

Perceba seus movimentos conscientes e os mostre com clareza!

Até a próxima quarta!

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A coragem de ser imperfeito

quarta-feira, 24 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A perfeição paira em nosso imaginário e faz com que deixemos de ser nós mesmos, dentro da nossa real existência.

É como se pensássemos em um conto de fadas, onde tudo e todos bailam ao som doce de finais sempre felizes. As linhas escritas ali soam e ecoam como verdadeiras mensagens que fortalecem a cobrança pela nossa autoperfeição.

A perfeição paira em nosso imaginário e faz com que deixemos de ser nós mesmos, dentro da nossa real existência.

É como se pensássemos em um conto de fadas, onde tudo e todos bailam ao som doce de finais sempre felizes. As linhas escritas ali soam e ecoam como verdadeiras mensagens que fortalecem a cobrança pela nossa autoperfeição.

Mas não, não somos perfeitos. Somos seres imperfeitos repletos de erros e acertos diários. Dia após dia, erramos, aprendemos e continuamos vivendo, pois todos esses pontos fazem parte do nosso ser, da nossa natureza. E isso não nos torna melhor nem pior, apenas nos torna humanos.

Existimos como um eterno quebra-cabeça e nem sempre as peças se encaixam na primeira tentativa. Vamos aprendendo, melhorando e nos aperfeiçoando, mas não nos tornamos seres não errantes que vivem em um mundo formatado e utópico, onde todos os problemas são resolvidos e a felicidade é absoluta, plena, por inteiro e em sua totalidade. Isso foge da nossa realidade.

Ser imperfeito requer acolhimento.

Acolher todas as nossas imperfeições, fraquezas e vulnerabilidades deve ser um processo natural e não algo que desperta vergonha, receio, pânico, pavor, temor, aversão. É preciso desenvolver a autenticidade, aceitando quem nós realmente somos, dando margem para que possamos crescer internamente, sem medo de mostrarmos que não somos perfeitos.

Ser imperfeito requer coragem.

Sentimos, caímos, levantamos, paramos, continuamos, fazemos boas escolhas, mas também realizamos escolhas equivocadas e isso faz parte do nosso aprendizado e processo de desenvolvimento. Nos traz maturidade e discernimento.

É como caminhar descalço na estrada de terra batida, sentindo o frescor e as pedrinhas que há na rota a ser seguida, sabendo que naquele ir e vir, podemos ser quem somos, provando o doce e o amargo dos desalinhos.

E assim, vamos construindo histórias e acumulando experiências.

Seguimos juntando cada pedaço como se fosse uma colcha de retalhos, costurando os remendos e enfatizando a importância de cada parte no curso da vida. Não nos deixando esquecer que dentro da nossa imperfeição existe o corajoso, que é quem se permite ser visto imperfeito. Sem máscaras, sem amarras. Desnudando o seu emocional, como um ser que ri e chora, falha e acerta, inventa e reinventa. Se constrói e desconstrói.

As imperfeições fazem parte de todos nós!

Respeite as suas e continue em frente.

Até a próxima quarta!

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O silêncio no processo de autodescoberta

quarta-feira, 17 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Quietude, paz, tranquilidade, calma, repouso, sossego, silêncio.

O silêncio nos acalma e também nos movimenta. 

Chega como um poderoso aliado no processo de autodescoberta. Nos faz encontrar desejos ocultos, novos sentimentos e a nossa verdadeira essência.

Soa como uma doce melodia, esvazia a mente, coloca o nosso eu profundo em evidência, dando direção como um grande maestro que direciona a sua orquestra. Sabe ser singelo, mas também ensurdecedor.

Quietude, paz, tranquilidade, calma, repouso, sossego, silêncio.

O silêncio nos acalma e também nos movimenta. 

Chega como um poderoso aliado no processo de autodescoberta. Nos faz encontrar desejos ocultos, novos sentimentos e a nossa verdadeira essência.

Soa como uma doce melodia, esvazia a mente, coloca o nosso eu profundo em evidência, dando direção como um grande maestro que direciona a sua orquestra. Sabe ser singelo, mas também ensurdecedor.

Quando estamos em silêncio, conseguimos sentir, perceber, conhecer e entender pontos e desencontros que não eram entendidos. Nele, temos aconchego, descanso, decisão, clareza, descoberta, cura. Uma imersão que traz uma conexão intensa.

As pausas, mesmo que curtas, nos proporcionam momentos silenciosos que nos conectam com calma, evidenciando leveza para o nosso centro interior, desacelerando a respiração que fica tumultuada em boa parte do nosso dia a dia.

Trazer esses desligamentos momentâneos para a nossa rotina é uma prioridade que precisa estar agendada, marcada, sem direito ao esquecimento, pois fazem parte do autocuidado que não pode ficar esquecido.

Cuidar do silêncio é cuidar de si mesmo. É investir em escuta, sabedoria, concentração, cautela, reflexão, criatividade, leveza, bem-estar.

Saber reconhecer o momento de se recolher em silêncio é identificar a hora que precisamos sair do piloto automático, dando lugar ao esvaziamento da ansiedade, do estresse, dos ruídos internos que causam um turbilhão, permitindo se acolher, entendendo e validando as emoções que borbulham e transbordam.

A autodescoberta vem com a prática do silêncio, compreendendo o seu funcionamento, trazendo vida e real propósito à sua existência, onde as suas ações condizem com a certeza dos seus valores e identidade. Torna possível tomar decisões mais complexas, com menos desgaste de energia e arrependimentos, fortalecendo a posição pessoal e social. Promove clareza, autenticidade e assertividade nas relações.

Desenvolver equilíbrio entre silêncio e conhecimento, desperta questionamentos e entendimentos sobre não aceitar o que está pronto e confortável.

Deixe o silêncio fazer parte. Traga na dose certa, como um forte aliado ao conhecimento interno que cerca e revela um potencial que muitas vezes não é revelado. Se permita sentir, ser e existir.

Se conhecer dentro da sua própria natureza, com plenitude e veracidade, é um processo complexo, mas maravilhoso. Compreenda e reflita sobre a importância de entender quem você realmente é.

Seja verdadeiro em sua descoberta e mergulhe profundamente em sua totalidade!

Até a próxima quarta!

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O corpo e o mapa do sentir

quarta-feira, 10 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O nosso corpo sente.

Chora, clama, assanha, reverbera.
É intenso, volátil, encorpado, firme, maleável, rijo, falho, sem vergonha, destemido, sereno, tímido, escandaloso, bom, leal, inquieto. É tudo e nada.

Age como uma cidade em erupção, onde o vulcão transborda dia e noite, noite e dia, sem cessar, mas também fica remoto como o lago nos verdes campos, onde o vento diminui, pouco a pouco, pairando na serenidade do olhar.

O nosso corpo fala.

O nosso corpo sente.

Chora, clama, assanha, reverbera.
É intenso, volátil, encorpado, firme, maleável, rijo, falho, sem vergonha, destemido, sereno, tímido, escandaloso, bom, leal, inquieto. É tudo e nada.

Age como uma cidade em erupção, onde o vulcão transborda dia e noite, noite e dia, sem cessar, mas também fica remoto como o lago nos verdes campos, onde o vento diminui, pouco a pouco, pairando na serenidade do olhar.

O nosso corpo fala.

Resmunga em todos os segundos. Nos pede zelo, comida, água, descanso. Avisa o tempo de parar e continuar. Evidencia os nossos profundos limites, encoraja e dá tudo de si. Se mostra, se encolhe e se guarda.

Grita, esperneia e silencia conversas que jamais poderiam estar trancadas.

O nosso corpo dá sinais.

Entender esse processo é de difícil compreensão. Manifestações são ignoradas, mascaradas, deixadas para depois, de tempos em tempos, como se fossem a última prioridade a ser vista. Porém, o cuidado não pode esperar, pois grandes sinais ficam nas sutilezas das entrelinhas não ditas.

Um tremor, uma dor, um nó, um calafrio, um ardor. São tantas as nossas sensações que formam um mapa, onde sentimos um misto de sentimentos intensos e complexos, que passa em capa pedaço, curva e parada do nosso corpo.

Mas como perceber o nosso mapa do sentir? Estamos dispostos a descortinar e a desmascarar as sensações que deixamos guardadas no nosso interior? Conseguimos ficar expostos aos olhos que nos rodeiam e nos julgam em diversos instantes? É possível deixar os caminhos percorridos mais claros e menos nebulosos, para seguirmos de forma mais fluída?

O sol precisa entrar. Para trocar névoa por luz, mofo por brisa da manhã, é preciso abrir a janela do coração, tirar os bandôs das cortinas e deixar a claridade invadir o espaço.

Trilhar pela complexidade dos dias bons e ruins, trazendo aprendizados para seguir em frente, enfrentando vales tortuosos e virtuosos, faz parte do caminhar da vida.

Hoje, 10 de setembro, é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
Cuidar dos sinais que o corpo dá, é cuidar de si mesmo. Cuide da sua mente, das suas emoções e do seu corpo.

Conversar com alguém, desenvolver a autopercepção, falar sobre o sentir e as sensações que esse processo envolve é indispensável.

Se precisar, procure ajuda responsável. Você não está sozinho!

Até a próxima quarta!

 

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Como andam as nossas emoções?

quarta-feira, 03 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Ser gentil com nós mesmos é uma prática que precisa ser cuidada, regada como fazemos com as flores de um jardim.

Somos seres dotados de sentimentos que borbulham e transbordam, de forma intensa, repentina e voraz.

Cuidar de nós mesmos envolve muito mais do que uma alimentação balanceada e exercícios físicos. Conhecer e nomear as próprias emoções, poder falar sobre elas e entender como reagimos diante de diversas circunstâncias é essencial. E trazer essa importância para a nossa vida, é um ponto que precisamos dar ênfase, principalmente, quando falamos de saúde.

Ser gentil com nós mesmos é uma prática que precisa ser cuidada, regada como fazemos com as flores de um jardim.

Somos seres dotados de sentimentos que borbulham e transbordam, de forma intensa, repentina e voraz.

Cuidar de nós mesmos envolve muito mais do que uma alimentação balanceada e exercícios físicos. Conhecer e nomear as próprias emoções, poder falar sobre elas e entender como reagimos diante de diversas circunstâncias é essencial. E trazer essa importância para a nossa vida, é um ponto que precisamos dar ênfase, principalmente, quando falamos de saúde.

Porém, entender que precisamos dar nome ao que estamos sentindo, validando nossos sentimentos, para que possamos caminhar confiantes dentro de um ponto de equilíbrio, às vezes, parece um mundo distante.

As camuflagens acabam fazendo parte da nossa rotina, para que enfrentemos o social como se tudo estivesse em perfeita sintonia, mesmo estando pesado, nebuloso e com luz escassa.

Sorrisos vazios, dor interna, olhares perdidos, lágrimas escondidas. O silêncio vem repleto de sofrimento e vulnerabilidade, que não se deixam perceber, pois calar parece melhor que falar e ser incompreendido.

Na próxima quarta-feira, 10, é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Desde 2013, campanhas são realizadas ao longo do mês em diversas instituições, dando destaque ao Setembro Amarelo, para conscientizar, oferecer apoio e quebrar os estigmas em relação ao tema.

Lidar com aquilo que sentimos, faz parte de um cuidado que não podemos deixar de lado como se fosse uma revista que não lemos mais ou um livro antigo que está pronto para ser doado.

Mas, por qual motivo, muitas vezes, o cuidado com o outro fica à frente e negligenciamos o nosso próprio cuidado? Como começar a exercitar o olhar para si mesmo e inverter esse processo?

Seja gentil com você, reconheça seus sentimentos, filtre aquilo que traz para o seu interior, tenha clareza sobre seus limites, afaste os pensamentos destrutivos, exercite o autocuidado, desenvolva um olhar compassivo, perceba o que te faz bem. Tenha um horário só seu durante a semana e coloque-o na agenda, garantido esse momento. Se esvazie daquilo que não faz bem e desenvolva clareza emocional, tendo a sua vida como prioridade.

Quando a nossa saúde mental não está bem, fica pesado. Mas, por mais difícil que possa parecer, não desista. Fale com alguém sobre como você está se sentindo.

Não deixe de procurar ajuda

Até a próxima quarta!

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