Blog de Camilla Fiorito

O valor do tempo presente

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A cada final de ano, desejamos, esperamos, sonhamos, imaginamos. Projetamos, dentro daquilo que acreditamos, o melhor que podemos dar e receber. O tempo e a disponibilidade são disputados dentro dos encontros marcados e realizados, presentes são criados, comprados e trocados. As celebrações no trabalho, na família, com os amigos viram rotina em um mês que traz a sensação de ser menor que todos os outros. Não porque possui menos dias, mas por ter inúmeros compromissos que são marcados apenas por ser o fechamento de um ciclo.

A cada final de ano, desejamos, esperamos, sonhamos, imaginamos. Projetamos, dentro daquilo que acreditamos, o melhor que podemos dar e receber. O tempo e a disponibilidade são disputados dentro dos encontros marcados e realizados, presentes são criados, comprados e trocados. As celebrações no trabalho, na família, com os amigos viram rotina em um mês que traz a sensação de ser menor que todos os outros. Não porque possui menos dias, mas por ter inúmeros compromissos que são marcados apenas por ser o fechamento de um ciclo.

Um ciclo que passa e é sentido por cada um de nós de forma diferente, dentro das nossas crenças, cultura e vida. Para alguns, presentes são comprados, cartões e cartas são escritos e recebidos, comidas são preparadas e servidas, enfeites são colocados, gargalhadas de alegria são marcas registradas de um riso frouxo sem fim ou até mesmo nada disso, evidenciando escassez, solidão, um tempo vazio e de sofrimento, tristeza.

Isso me traz uma singela lembrança da minha infância, com a árvore de Natal branca com bolas de vidro vermelhas, que eu montava no mês de dezembro com a minha mãe, dos programas especiais que passavam na televisão, principalmente, do show do Roberto Carlos, que era algo que a minha saudosa avó Berna assistia ano após ano e que me traz uma bela recordação.

Constato que o melhor desses momentos não são as datas comemorativas em si, mas aquilo que passa despercebido e há de mais genuíno: o tempo presente. O valor do tempo presente se esconde nas lacunas entre um momento e outro, que celebra ou não momentos anuais. O estar com qualidade, em sua totalidade, mexe com as nossas sensações e sentimentos que, aos poucos, vão se tornando memórias que ficam vívidas e repletas de sensibilidade.

É como um rolo de filme Super 8 ou uma fita VHS, que guardamos como se fossem nossas relíquias. São itens raros e com valor emocional intenso, que conservam e resgatam experiências do nosso passado que queremos ou não lembrar.

O tempo junto, experenciado nas relações, deve ser sentido em sua plenitude, de forma real e não superficial, pois, no final, o que há de melhor é o que existiu com verdade.

Aproveite o final do ano e o tempo presente, com o valor que ele realmente merece.

Até a próxima quarta!

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O poder do amor

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O amor é a correnteza que se adapta e se reinventa continuamente. É a brisa que se faz sentir mesmo na ausência do vento, o silêncio que preenche os vazios com palavras que jamais precisaram ser ditas. Nos envolve nas amizades, nas coisas, nos lugares, nos animais, nas pessoas ou até mesmo em pequenos objetos.

Inúmeras são as manifestações, trazendo dentro de suas raízes uma conexão que fornece o sustento necessário para que possamos passar por grandes tempestades e longas secas.

O amor é a correnteza que se adapta e se reinventa continuamente. É a brisa que se faz sentir mesmo na ausência do vento, o silêncio que preenche os vazios com palavras que jamais precisaram ser ditas. Nos envolve nas amizades, nas coisas, nos lugares, nos animais, nas pessoas ou até mesmo em pequenos objetos.

Inúmeras são as manifestações, trazendo dentro de suas raízes uma conexão que fornece o sustento necessário para que possamos passar por grandes tempestades e longas secas.

O amor pelos lugares guardam pedaços de quem fomos no passado e de quem aprendemos a ser. Ruas, casas, paisagens, cidades, bancos de praça que acolheram despedidas, janelas que escutaram nossos pensamentos mais íntimos, cafés que serviram de abrigo para nossos recomeços difíceis mexem com o nosso interior de forma intensa.

Mas, também se expressa na forma de um abraço apertado, um livro que teve suas páginas sublinhadas, uma fotografia que o tempo desbotou ou mesmo uma xícara lascada. O amor tem o poder de transformar um simples artefato em uma verdadeira caixa de afetos.

Como a potência da lua cheia, capaz de iluminar até os cantos mais escuros da nossa vida, o amor entre as pessoas se torna visível mesmo na escuridão, oferecendo contorno, revelando a beleza complexa dos momentos que são compartilhados.

Amar alguém é aceitar o risco da vulnerabilidade. É conceder ao outro a permissão para que ele veja nossas imperfeições, nossas sombras escondidas e nossos medos. É o ato de reconhecer o outro como um universo próprio, completo com seus sonhos e suas dores, sem a pretensão de moldá-lo à nossa própria imagem e existência.

Igualmente profundo e transformador é ser amado. Quando nos permitimos receber o amor, assim como desenvolvemos amor próprio, algo interno se reorganiza. Passamos a nos recordar, com suavidade, que somos dignos de cuidado, de afeto. Ser amado é descansar na certeza inabalável de que não estamos sós, mesmo quando o mundo exterior se apresenta excessivamente ruidoso e caótico.

E é nessa dinâmica que reside a mágica silenciosa do amor. Ele humaniza as interações, consegue desacelerar a pressa implacável dos nossos dias e nos convida a observar tudo com uma atenção mais aguçada e carinhosa.

Amar e ser amado nos traz compreensão profunda de que, apesar de todas as adversidades do existir, é o amor em todas as suas múltiplas e adaptáveis formas, que confere sentido e torna a caminhada menos solitária, mais humana e viva.

Até a próxima quarta!

……..

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Entre o conforto e o desconforto do abraço

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O abraço entrelaça, envolve, aquece, acolhe, expressa, responde, cala.

Os corpos se aproximam, trazendo o encontro da pele, com intensidade ou suavidade, de forma rápida como o vento que bate à porta ou demorado como o cultivo de um adorável jardim.

Nos convida, de forma silenciosa, a refletir sobre aconchego, afago, vulnerabilidade, pertencimento, consentimento, invasão, dor, trazendo a profundidade que esse gesto singelo nos entrega a cada dia. 

A entrega do afeto parece ter o poder de trazer uma paz e conforto, que se instala em nosso corpo por aquele instante. 

O abraço entrelaça, envolve, aquece, acolhe, expressa, responde, cala.

Os corpos se aproximam, trazendo o encontro da pele, com intensidade ou suavidade, de forma rápida como o vento que bate à porta ou demorado como o cultivo de um adorável jardim.

Nos convida, de forma silenciosa, a refletir sobre aconchego, afago, vulnerabilidade, pertencimento, consentimento, invasão, dor, trazendo a profundidade que esse gesto singelo nos entrega a cada dia. 

A entrega do afeto parece ter o poder de trazer uma paz e conforto, que se instala em nosso corpo por aquele instante. 

O abraço apertado de quem está longe, o suave de quem precisa de delicadeza, o silencioso de quem não sabe o que dizer, o temeroso que soa como medo. Cada um na sua forma, nos envolve, despertando sentimentos que tomam conta do nosso ser. 

É o ato que nos desafia a ceder e a entender nossos limites. Um movimento natural, como o fluir de um rio tranquilo, mas também pode ser como tempestade, que inunda sem aviso, que invade sem permissão. Nessa hora, o corpo trava, o fôlego some, a mente se distancia. 

O abraço, que deveria ser um momento de conforto, reflete o desconforto, evidenciando um abismo. Fica pesado.

Desperta lembranças que foram impostas, do toque que não foi cuidado, da intimidade que foi violada. Remete à dor que ainda não foi curada, das emoções que não foram resolvidas, do passado que não quer ser revisitado. 

Mostra a ferida aberta, onde a pele arrepia, o corpo treme, o coração acelera.

Ainda tem, aquele que não quer ser abraçado. Que ao invés de afago, traz tormento. O toque causa constrangimento.

O abraço precisa ser consciente. O despertar da capacidade de observar o corpo que fala, que se aproxima, recua ou enrijece, entendendo que a sua força transborda sensibilidade de quem o oferece. 

Uma sensibilidade que está no respeito ao limite, no querer e não querer, no parar e continuar. 

No fim, o abraço é muito mais do que um simples ato de envolver os corpos. Ele é um lugar onde aprendemos a ler as percepções ocultas e nos ensina a olhar com mais atenção para o espaço do outro e para o nosso próprio espaço. Dança com empatia, em uma linguagem que vai além dos nossos olhos de ver.

Até a próxima quarta!

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No desenrolar do ouvir e escutar

quarta-feira, 03 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Ouço. Ouço o canto dos pássaros eternizar, a buzina do carro ecoar, o motor do ônibus firmar, a campainha tocar, o burburinho da conversa extrapolar, a máquina de café funcionar, a sirene dos bombeiros soar, o assobio do menino passar, as risadas espalhar, a família de micos nas árvores brincar, o bater das ondas do mar estourar, a queda d’água da cachoeira aumentar, a chave na fechadura encaixar, o disco tocar, o filme começar, o trânsito se formar, a chuva cair, o vento soprar, o ar condicionado ligar e desligar, a panela de pressão apitar. 

Ouço. Ouço o canto dos pássaros eternizar, a buzina do carro ecoar, o motor do ônibus firmar, a campainha tocar, o burburinho da conversa extrapolar, a máquina de café funcionar, a sirene dos bombeiros soar, o assobio do menino passar, as risadas espalhar, a família de micos nas árvores brincar, o bater das ondas do mar estourar, a queda d’água da cachoeira aumentar, a chave na fechadura encaixar, o disco tocar, o filme começar, o trânsito se formar, a chuva cair, o vento soprar, o ar condicionado ligar e desligar, a panela de pressão apitar. 

Ouço diversos sons ao longo do meu dia, em uma ação involuntária que acontece sem eu me dar conta ou esperar.

Os barulhos vão fazendo parte da rotina, onde, com o hábito, deixamos de ouvi-los, mesmo sabendo que estão todos ali, diariamente, indo e vindo na jornada.

No desenrolar desse ouvir, surge o escutar.

O escutar atravessa o nosso interior, nos tira do centro. Nos coloca em uma posição de disponibilidade interna para si e para o outro.

Traz consciência da escuta do corpo, do silêncio, do olhar, das miudezas que ficam escondidas atrás da respiração ofegante ou silenciosa que transita o ser, desbravando para além das simples ou tortuosas palavras que saem da boca, emitindo ruídos que precisam ser sentidos na sua plenitude, para serem escutados com o coração.

Essa escuta profunda não nasce de forma rápida. Demanda preparo, como quando nos organizamos para correr em uma maratona. Precisamos de tempo, treino, prática, disciplina, espera, foco.

Me faz lembrar de um adolescente em atendimento, que me contou o quanto se sentiu reflexivo quando conversamos sobre as diferenças entre ouvir e escutar, pois percebeu o quanto escutar com profundidade evidencia empatia. Feito este que demora para entender com totalidade, mas é notado durante o desenvolvimento socioemocional, onde remodelamos a forma que enxergamos e sentimos o mundo.

Escutar também desperta ausência de superficialidade, atenção plena, observação revigorada, bagagem afinada que transborda em ações, avivando um novo significado.

A percepção se transforma de maneira latente, trazendo espaço para caminhos que são moldados através da escuta. Passamos a estar inteiro e não em uma silhueta rasa ou pela metade. As relações ficam mais conectadas, alinhadas, fortalecidas, acolhidas.

Eduque-se! Experimente escutar o outro e se escutar com sensibilidade, ativando a sua nova forma de sentir o mundo.
Até a próxima quarta!

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Uma face que o outro não vê

quarta-feira, 26 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Desejo, vislumbro, imagino. Percebo o outro e o outro me percebe. Me percebo.

Inúmeras são as possibilidades e visões geradas no fundo de uma mente que não para. O pensamento acelerado aponta caminhos, soluções, processos dentro de uma dinâmica que não cessa.

Ao mesmo tempo, a forma como o outro nos enxerga não será como somos de verdade, pois a percepção que projetamos sobre alguém se confunde com aquilo que temos como entendimento de vida, valores morais, comportamento.

Desejo, vislumbro, imagino. Percebo o outro e o outro me percebe. Me percebo.

Inúmeras são as possibilidades e visões geradas no fundo de uma mente que não para. O pensamento acelerado aponta caminhos, soluções, processos dentro de uma dinâmica que não cessa.

Ao mesmo tempo, a forma como o outro nos enxerga não será como somos de verdade, pois a percepção que projetamos sobre alguém se confunde com aquilo que temos como entendimento de vida, valores morais, comportamento.

Essas variações fazem com que as nossas lentes em relação ao outro fiquem impostas, podendo trazer desconforto, desprazer, incômodos sentidos na íntegra.

Os recortes desenhados por um olhar inflexível mostram a não aceitação de como funcionamos na nossa essência. Aquilo que não foi captado ou não deixamos captar, cria nuances que precisam ser descortinadas, mas não por desejo nosso e sim por uma necessidade do outro.

A aceitação de que possuímos especificidades, latência, bagagem, conhecimento, formas de ver o mundo e também de senti-lo é um caminho longo. Requer sensibilidade, empatia, disponibilidade, entendimento de comportamento.

Traz uma lucidez do quanto nos expressamos de diversas formas, onde o que pode ser martírio para um, é tranquilidade para o outro. Assim como uma rotina de suporte pode significar a aceitação do funcionamento de alguém para um e, simultaneamente, trazer uma visão de sofrimento para o lado oposto. Ou até mesmo a ausência de um sorriso visível esconder a felicidade vivida diariamente e gargalhadas soltas se encontrarem com lágrimas que sangram o coração.

A face que o outro não vê precisa ser resguardada, respeitada. Não é visível aos olhos, mas sentida com o coração. Nem todos conseguem enxergá-la.

Isso me desperta um calendário interior, onde, há anos atrás, escutei uma pessoa muito querida por mim, falar algo que nunca mais esqueci. Sinalizou que podemos escutar muitas coisas do outro, pois não controlamos o pensamento que se transforma em ação a qualquer segundo, mas podemos e devemos mostrar com clareza aquilo que ultrapassa a nossa "cerquinha invisível", muito conhecida como as limitações que damos e deixamos ultrapassar.

Na ultrapassagem, as pegadas passam a vir à galope, como em uma grande e tumultuada cavalgada. As madeiras que sustentam a base são quebradas. A grama em volta, arrancadas com raiz e deixadas de lado em um canteiro, sem saber se serão replantadas.

Evidencia um excesso de velocidade que fere, rompendo a linha tênue que envolve as relações, cobrindo com névoa o que antes exalava avença.

Nessa hora, se acolha, mostre os seus limites e traga verdade dentro da sua existência.

Quem determina a sua "cerquinha" é você. Nem todos estão prontos para enxergar a sua face que não é mostrada.

Até a próxima quarta!

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A capacidade de pedir ajuda

quarta-feira, 19 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Não somos infinitos.

Não somos feitos de uma imensidão sem fim, nem de ossos que jamais desmoronam, nem de vitalidade que atravessa mares sem declinar. Somos feitos de limites. Limites esses onde nos deparamos com a porta para irmos de encontro à coragem.

Em uma longa jornada, tentamos nos manter na régua do “muito”, deixando o equilíbrio para trás: muito forte, muito capaz, muito sagaz, como se o mundo fosse ruir se não fecharmos a conta por um breve instante.

Não somos infinitos.

Não somos feitos de uma imensidão sem fim, nem de ossos que jamais desmoronam, nem de vitalidade que atravessa mares sem declinar. Somos feitos de limites. Limites esses onde nos deparamos com a porta para irmos de encontro à coragem.

Em uma longa jornada, tentamos nos manter na régua do “muito”, deixando o equilíbrio para trás: muito forte, muito capaz, muito sagaz, como se o mundo fosse ruir se não fecharmos a conta por um breve instante.

Passamos boa parte da vida com a certeza imbuída que dar conta de  tudo sozinho é valioso ou o certo a ser feito. Fico imaginando em que tempo e momento surgiu essa percepção, e a questiono bravamente.

Com isso, vivemos transportando cargas que não são nossas, responsabilidades que precisam ser divididas e promessas que se amontoam como uma pilha de pedras.

Não, não vamos dar conta de tudo e está tudo bem.

Pare, reflita, respire, recalcule a rota, peça ajuda.

Pedir ajuda é um ato tão profundo e uma das coisas mais difíceis de realizar. É como se despir para o outro, evidenciando que o “está tudo bem” proferido no automático, esconde incontáveis rachaduras, lacunas. Vidros quebrados que cortam e machucam.

 Pedir ajuda requer coragem. Muita coragem. E, com ela, vem um grandioso lembrete: não vamos dar conta de tudo.

O pedido pode vir camuflado de diversas formas. Um olhar desviado, um sorriso acanhado, um “eu não consigo”, uma voz embargada, uma mensagem despretensiosa, uma ligação discreta. E o retorno traz a segurança de que não precisamos dar conta de tudo, pois, simplesmente, não conseguimos. Ninguém consegue. É preciso soltar o controle, que fica apertado com nós cegos que são difíceis de soltar.

Somos seres humanos, com vida pulsante, cheios de erros e acertos, altos e baixos, sem perfeição. Se aceitar é trazer conforto. É ser generoso consigo mesmo.

Assim, a vida fica mais leve, o peso se divide e o caminho deixa de ficar pesado como um piano.

Permita-se ser ajudado. Aceite a generosidade e a compaixão do outro.

Não estamos sós. Nunca estivemos.

O acolhimento existe e pode ser vivido. Se permita!

Até a próxima quarta!

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A esperança que nos move

quarta-feira, 12 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Esperança, esperançar, esperar

A esperança nos move e nos impulsiona. Nasce no âmago, transforma, atravessa o tempo. Não deixa desistir, enquanto todo o resto desmorona.

            Nossos desejos ficam latentes, à espera daquilo que tanto ansiamos, dentro de uma escolha diária. Faz parte do passado, vigora no presente e permeia o futuro.

Esperança, esperançar, esperar

A esperança nos move e nos impulsiona. Nasce no âmago, transforma, atravessa o tempo. Não deixa desistir, enquanto todo o resto desmorona.

            Nossos desejos ficam latentes, à espera daquilo que tanto ansiamos, dentro de uma escolha diária. Faz parte do passado, vigora no presente e permeia o futuro.

            Mesmo quando o mundo parece mais lento e silencioso, seja na infância, adolescência, juventude, vida adulta ou qualquer momento, a esperança fica ali. Guardada, intocável, no respirar profundo que não se rende ao desalento.

A espera demora, desmotiva, faz o sentido se perder, traz vontade de desistir, confunde, tira do eixo, balança, provoca, questiona, silencia, desampara.

            Faz com que deixemos de acreditar em nós mesmos ou até traz dúvidas sobre aquilo que acreditamos, mas também nos dá força, ampara, acolhe, impulsiona, amadurece, traz novas rotas, visões e leituras do mundo vivido e sentido. Não é vazio, mas sim preenchimento se formando para o tempo que ainda está por vir.

            Esperar dentro do esperançar é manter o coração aceso, em chama ardente, profunda. É entender com sabedoria o tempo das coisas e cultivar a paciência, como quando aramos a terra para plantar e florescer. Requer coragem e resistência, sem rigidez, com flexibilidade, sustentando sonhos, desejos e escolhas, mesmo no meio de raios, trovões e tempestades.

            O esperançar soa como um equilíbrio. É agir e esperar, saber e entender que o tempo não se apressa, mas caminha, sem pressa. É compreender que, após o plantio árduo e demorado, há o momento moroso de fortalecer raízes, cultivar e colher. Assim como na vida, onde há hora para observar, ficar, falar, seguir com coragem, permanecer, escolher, pensar. Calar e escutar com profundidade, lembrando que algumas respostas só chegam quando a alma se aquieta, se acalma em relaxamento repleto de tranquilidade e harmonia.

            É uma espera que traz um respirar fundo e intenso, que não se rende ao abatimento, assim como o coração que pulsa diante do amor e da dor. É não ocupar esse tempo com o sentir do tédio, mas com a ternura e a percepção de que respostas estão sendo escritas em silêncio, dia após dia.

            Assim, seguimos cheios de esperança, esperançando e esperando.
Tecendo o hoje, fio a fio, ponto a ponto, confiante, na espera de um futuro repleto de expectativa, pois a esperança sabe esperar.

            Até a próxima quarta!

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O diário como espelho da alma

sexta-feira, 07 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“Querido diário, hoje, as coisas não saíram como planejado, mas está tudo bem! Nem sempre teremos o resultado que esperamos”.

Esse pequeno trecho me faz lembrar da minha adolescência, onde eu cultivava meu diário. Cada folha escrita refletia aquilo que não conseguia ser descrito em palavras ditas, mas eram externalizadas através de traços realizados no papel.

“Querido diário, hoje, as coisas não saíram como planejado, mas está tudo bem! Nem sempre teremos o resultado que esperamos”.

Esse pequeno trecho me faz lembrar da minha adolescência, onde eu cultivava meu diário. Cada folha escrita refletia aquilo que não conseguia ser descrito em palavras ditas, mas eram externalizadas através de traços realizados no papel.

A tinta das canetas coloridas e dos marcadores de textos deslizavam pelas folhas, traziam singelas emoções e percepções sobre a vida, transformando dor, medo, esperança, apreensão, segredo, sonho, desilusão, imposição, rejeição, tristeza e alegria em poesia.

Íntimo, privado, espelho, abrigo, conforto. Um lugar único, onde segredos são revelados de forma avassaladora. Ele não julga, apenas abraça, acolhe. 

No diário, cada letra ganha forma, expressando um entrelaçamento de artes, como uma ópera em seu grande espetáculo. 

Nossos sentimentos reprimidos transbordam, os tempos se misturam, as ideias saltitam de um lado a outro, as reflexões ficam vivas, os contornos vão desaparecendo, pouco a pouco, dando lugar a uma imensidão sem fim. Um espaço infinito, o qual podemos colocar cada expressão de forma livre, esvaziando tudo aquilo que vem à mente, de forma totalmente despida. 

Nos despimos do que aflige e preenche a nossa alma.

Nas páginas, as emoções confusas ganham nomes, o diálogo íntimo vira aprendizado e o alívio pode ser sentido. 

Cada palavra que nasce transborda em verdade, ajudando o coração a se organizar. Os registros são como sementes de autoconhecimento, trazendo cuidado e escuta interior, acolhendo e aceitando as imperfeições como parte do processo da nossa jornada. 

Mas, ao longo do percurso, vamos crescendo, os anos vão passando e os nossos cadernos ficam esquecidos. Deixamos de acreditar na sua função ou até mesmo achamos que já não temos mais idade ou o período que vivemos não é propício para isso.

Resgatar esse momento de espontaneidade, é trazer um aliado ao nosso desenvolvimento socioemocional, pois auxilia na sensação de bem-estar e regulação emocional.

Cultive o diário. Traga a forma que melhor se adapta à sua rotina. Separe um lugar tranquilo e deixe o pensamento fluir. Se permita esvaziar, transformando cada momento em um encontro consigo mesmo. Faça relações com os acontecimentos e as sensações. 

Com o tempo, você vai perceber que o diário revela mudanças. E quem faz uso dele, vai se tornando mais leve, sereno, inteiro. 

 

Até a próxima quarta!

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Desenvolvendo autocrítica e autocompaixão

quarta-feira, 29 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Erros, acertos, melhoria, crescimento, mudança, permanência.

Quando pensamos em autocrítica, a primeira coisa que nos vem à mente é o fato negativo, como se estivéssemos nos criticando e não valorizando nada daquilo que somos ou realizamos.

Erros, acertos, melhoria, crescimento, mudança, permanência.

Quando pensamos em autocrítica, a primeira coisa que nos vem à mente é o fato negativo, como se estivéssemos nos criticando e não valorizando nada daquilo que somos ou realizamos.

Muito diferente da auto depreciação, que é a visão extremamente negativa de nós mesmos, nos desmotiva e causa baixa autoestima, ansiedade, insegurança e afeta a nossa saúde mental, a autocrítica faz parte do nosso autoconhecimento, alimentando o que precisamos ajustar, para seguir de forma mais alinhada com aquilo que nos propomos e acreditamos.

Uma autocrítica equilibrada, nos ajuda a analisar e reconhecer o que erramos e acertamos, além de desenvolver a nossa percepção dentro daquilo que conseguimos alcançar, realizar com destreza e melhorar. Fortalece o nosso autoconhecimento, dia após dia, de forma saudável, nos alimentando de aprendizado e crescimento.

Passamos a entender a melhoria contínua, as responsabilidades e o acolhimento às nossas falhas. Porém, como realizar tudo isso com entendimento e um olhar compassivo?

Praticar a autocompaixão nos faz navegar por mares calmos, despertando bondade, acolhimento e compreensão, trazendo para nós mesmos uma gentileza que muitas vezes é realizada somente com o outro e acaba ficando esquecida.

Se tratar de forma gentil e com menos julgamentos, reconhecendo que imperfeições e erros também fazem parte de quem nós somos, da nossa condição humana, é um passo importante dentro desse processo. 

Melhoramos as nossas relações, passamos a nos acolher como se fôssemos um abrigo seguro e aconchegante, trazendo controle emocional, impactando positivamente na nossa autoestima e saúde, mesmo nos dias em que há tropeços e o mundo parece conspirar contra tudo e todos.

Somos feitos de carne e osso, sentimos uma avalanche de sentimentos misturados que não conseguimos separar ou até mesmo organizar. É difícil e pode parecer impossível, mas entender que um olhar tenro, um abraço apertado e carinhoso que nos damos, onde a doçura se faz presente, transforma tudo aquilo que parece não ter fim em jardins de primavera, recheados de essências que trazem conforto.

Ter essa bondade consigo mesmo trará bons resultados no seu dia a dia e uma outra perspectiva. Aproveite para criar frases gentis diárias e trazer a prática de meditação e exercícios que melhorem a respiração. Solte a culpa, descanse, canalize a sua energia e traga positividade para a sua jornada.

Até a próxima quarta!

 

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Redes sociais e comparações silenciosas

quarta-feira, 22 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“A grama do vizinho é mais verde que a minha”.
Esta expressão é muito usada quando comparamos a nossa vida com a do outro
Viagem, festa, roupa nova, corpo perfeito, organização, decoração impecável, comida diferente, conquista, um novo momento, diversão, felicidade, praia, cachoeira, estrada, natureza, centro urbano, descanso, agito, pôr do sol, entardecer, anoitecer, frio, calor, sol, chuva, vento, neve, tempo.

“A grama do vizinho é mais verde que a minha”.
Esta expressão é muito usada quando comparamos a nossa vida com a do outro
Viagem, festa, roupa nova, corpo perfeito, organização, decoração impecável, comida diferente, conquista, um novo momento, diversão, felicidade, praia, cachoeira, estrada, natureza, centro urbano, descanso, agito, pôr do sol, entardecer, anoitecer, frio, calor, sol, chuva, vento, neve, tempo.

As publicações em redes sociais decoram o feed e os stories como se representassem um mundo perfeito, sem intercorrências ou momentos tortuosos, como acontece no nosso dia a dia.

Além disso, há também aqueles que mostram uma existência fictícia, forjando o que é real para ter incontáveis seguidores, likes e mais likes, com a sua foto instagramável, como muitos dizem por aí.

A ilusão da perfeição é vendida a todo momento, nos levando a acreditar que o mundo é o pedaço que vivemos e aquilo que vemos, rolagem após rolagem, em uma tela onde a realidade, muitas vezes, fica camuflada e longe da verdade.

Do outro lado, estamos nós.

A tela se fecha e o sentimento de inferioridade desperta, trazendo comparações silenciosas, que machucam e sangram a alma, despertando grande impacto socioemocional, onde uma vulnerabilidade mais abrangente é claramente vista entre os adolescentes e os mais jovens.

Mexidas na autoestima, ansiedade, danos à saúde mental, distorção corporal e de imagem são só alguns dos pontos silenciados que corroem por dentro.

Surge então, uma busca incessante por uma validação que nunca acaba, parece não ter fim e se comprime mais e mais dentro de um círculo vicioso.

Mas como sair desse ciclo e entender que está na hora de reformular a rota e enxergar a linha além do horizonte?

Ter mais atenção àquilo que você consome nas redes é um grande passo. Entender que um recorte é apresentado e não a peça inteira, assim como os ângulos são escolhidos com bastante critério pelo autor.

Perfis que causam distorções e desconforto podem ser trocados por aqueles que trazem autenticidade. Ademais, desenvolver senso crítico também faz parte dessa construção, alinhando pausas digitais que precisam ser inseridas e cumpridas.

A comparação desperta inúmeros sentimentos e pode gerar dúvidas sobre o seu verdadeiro potencial. Não se deixe levar pela fantasia e o mundo virtual desenhado com tudo aquilo que deseja.

Valorize suas conquistas e foque nas coisas boas que acontecem na sua rotina.

No final, a sua grama também está verde. Basta olhar por outro ângulo!


Até a próxima quarta!

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