Blog de Camilla Fiorito

Crescer dói

quarta-feira, 22 de julho de 2026
por Camilla Fiorito

Crescer dói. Crescer desconforta. Crescer confronta.

Desde pequenos, passamos por uma infinidade de ciclos e etapas que vamos conhecendo e experimentando ao longo da nossa jornada.

Um caminhar marcado por diversas fases enquanto bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Cada uma com as dores e os sabores de ser.

A responsabilidade vai aumentando, a pressão chega firme, a cobrança do outro e a nossa autocobrança se entrelaçam, desestabilizando aquilo que era supostamente confortável e palpável.

Crescer dói. Crescer desconforta. Crescer confronta.
Desde pequenos, passamos por uma infinidade de ciclos e etapas que vamos conhecendo e experimentando ao longo da nossa jornada.
Um caminhar marcado por diversas fases enquanto bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Cada uma com as dores e os sabores de ser.
A responsabilidade vai aumentando, a pressão chega firme, a cobrança do outro e a nossa autocobrança se entrelaçam, desestabilizando aquilo que era supostamente confortável e palpável.
O luto por quem você era, pelo passado, pelo que foi vivido e experienciado bate à porta e, com ele, chega o medo do desconhecido e daquilo que está por vir. Somamos todas as mudanças às transições que vão acontecendo de forma interna e externa, sem pausa no tempo. Somos cobrados como se devêssemos dar conta de cada novo trecho dessa estrada que está sendo construída, com pedras, buracos, mata fechada. 
Quando crescemos, deixamos etapas para trás e validar os sentimentos que juntos vão surgindo nessa grande gangorra que oscila, deixa o caminhar mais leve. A grama fica mais macia, o vento fica mais fresco, o ar fica mais puro.
Crescer suaviza. Crescer transforma. Crescer aprofunda.
A aceitação de algumas perdas e a conquista de novos ganhos fazem parte da vida. Errar, acertar, começar, recomeçar, saber, não saber fazem parte da nossa construção e evolução como sujeito.
Mas, durante essa trajetória de tomadas para si, o desconforto fica latente, pois a zona de conforto de cada etapa anterior, pouco a pouco, vai ruindo.
Encarar a finitude dos ciclos com leveza desperta tranquilidade. A ansiedade desacelera, a marcha ré é engatada, a transição é realizada.
Me lembro dos meus crescimentos iniciais. No início, cada um deles foi acontecendo como um tufão que estremecia as estruturas. Pouco a pouco, com a maturidade da vida se desenvolvendo, as chuvas e garoas também foram tomando o seu lugar, assim com os dias ensolarados.
Ainda estou em processo de transformação, agora com quatro décadas e meia vividas. A diferença é que a percepção e a reação mudaram. Assim com o entendimento de que cada processo não precisa ser passado sozinho ou de forma solitária.
O crescer pode ser ressignificado!
 
Até a próxima quarta!
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Rompendo padrões

quarta-feira, 15 de julho de 2026
por Camilla Fiorito

Padrões. Modelos repetitivos que se tornam automáticos, que são inseridos como base naquilo que vivemos. 

Seguimos a lógica familiar, repetindo padrões sem nenhum questionamento, somente seguimos. Desde a infância, vamos absorvendo aquilo que foi replicado nas gerações anteriores e que nos foi passado como verdades absolutas ou contentamentos. 

Ficamos imersos dentro de ciclos que se repetem e nossas próprias escolhas ficam em segundo plano, sem percebermos.

Adiante, nos vemos inseridos em relações tóxicas e doentias ou em relações respeitosas e saudáveis.

Padrões. Modelos repetitivos que se tornam automáticos, que são inseridos como base naquilo que vivemos. 

Seguimos a lógica familiar, repetindo padrões sem nenhum questionamento, somente seguimos. Desde a infância, vamos absorvendo aquilo que foi replicado nas gerações anteriores e que nos foi passado como verdades absolutas ou contentamentos. 

Ficamos imersos dentro de ciclos que se repetem e nossas próprias escolhas ficam em segundo plano, sem percebermos.

Adiante, nos vemos inseridos em relações tóxicas e doentias ou em relações respeitosas e saudáveis.

O estar ou não estar passa como um cavalgar em terreno plano ou rochoso. Muitas vezes, sem parada, com desgaste das ferraduras. Sedentos, cavalgamos e cavalgamos, balançando sobre a cela, em um percurso longo ou curto, mas com impactos reais que são sentidos e enraizados em nosso ser.

O sentimento de dor ou liberdade chega de acordo com aquilo que nos foi passado. E eternizar dores pode sim deixar de ser uma opção. 

Romper padrões não é fácil, mas é totalmente possível. É uma decisão corajosa não seguir com aquilo que causa sofrimento emocional.

Quando decidimos não perpetuar dores que não são nossas, realizamos um ato de amor próprio consigo e com as gerações futuras que estão por vir. 

É um aprendizado se afastar de relações que adoecem ou que causam gatilhos que machucam. Assim como aceitar que autocuidado não é uma ação de egoísmo, mas, sim, de amor e acolhimento. 

Não deixe o passado escolher por você. 

Faça suas escolhas!

Até a próxima quarta!

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O impacto das palavras ditas e não ditas

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Camilla Fiorito

Palavras. Palavras que dizemos ao longo do nosso percurso e que, muitas vezes, sequer pensamos no impacto que cada uma pode causar. Em nós mesmos, no outro, na vida.

Como flecha lançada com profundidade conflitante, onde sua força só é percebida quando a dor surge, reverbera. 

A dor vem silenciosa, mas com intensidade voraz. Como um terremoto em larga escala, destruindo tudo que tem pela frente. 

Palavras. Palavras que dizemos ao longo do nosso percurso e que, muitas vezes, sequer pensamos no impacto que cada uma pode causar. Em nós mesmos, no outro, na vida.

Como flecha lançada com profundidade conflitante, onde sua força só é percebida quando a dor surge, reverbera. 

A dor vem silenciosa, mas com intensidade voraz. Como um terremoto em larga escala, destruindo tudo que tem pela frente. 

Palavras são ditas e escutadas ao longo de uma jornada. Assim como aquilo que nos falam na infância viram verdades irrefutáveis na nossa vida adulta. Ativa o nosso cérebro de forma avassaladora, causando choque emocional quando ditas com efeito destruidor. 

O abalo vem em ondas gigantes, tal qual a maré bagunçada causa um estrondoso tsunami nas emoções. Diferentes daquelas que vêm em tom de elevação e amor. 

Dentro desse carrossel gigantesco, encontramos as palavras que não conseguimos dizer. Que guardamos com tal intensidade, seja pelo medo ou pela dor. 

Palavras não ditas, guardadas. Todas elas, para que no fim tudo fique devidamente onde tem que estar. Não se engane! Guardá-las, afinal, desperta transbordamento. Uma manifestação impetuosa que arranca cada gota de paz e serenidade.

Mas será que podemos nos manifestar e dizer tudo aquilo que precisamos sem esconder, sem nos enganar?

Me lembro da minha infância. Seis anos. Escutei coisas tortuosas, dilacerantes. Tive medo de dizer para minha mãe, meu pai. Ao longo da minha adolescência, juventude e vida adulta continuei escutando as mesmas palavras que produziam aflição contínua. A manifestação da mesma pessoa era impiedosa.  

Passei anos acreditando naquilo que era dito, como um grande gravador interno, inserido da minha mente. Como uma verdade absoluta e desgastante.

Doeu. Cresci. Continuei. Busquei. Estudei. Quebrei o ciclo. Continuo estudando. Conscientizei e continuo conscientizando para que não aconteça com o outro, com os outros, com quem quer que esteja vulnerável dentro da sua grande roda de sins e nãos.  

Palavras precisam ser ditas e não guardadas. Seja na hora, seja depois, mas não escondidas. Com respeito, com verdade, sem o desejo de ferir.

Foram ditas. Veio o alívio. Não dói mais.

Podemos dizê-las de forma clara, com empatia, autenticidade e conexão, assim como aprendemos dentro da Comunicação Não Violenta (CNV), a comunicação que venho estudando, me aprofundando e vivendo há 15 anos. 

Diga! Não coloque debaixo do tapete aquilo que precisa ser colocado para fora. Sua saúde mental agradece.

Até a próxima quarta!

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O autoperdão

quarta-feira, 01 de julho de 2026
por Camilla Fiorito

Caminhamos. Durante a nossa trajetória percorremos caminhos curtos, longos, sinuosos, livres, mas carregamos na nossa bagagem um peso invisível que não é visto ou percebido pelo outro. Pedras e mais pedras vão compondo um peso colhido muitas vezes no passado e trazido para o presente como um grande remorso que rodeia e permeia o nosso interior. 

A autocrítica chega, o caminhar fica pesado como se correntes de ferro puxassem o tempo todo o nosso corpo para baixo, onde sequer conseguimos ficar de pé naturalmente. O apoio é inegociável.

Caminhamos. Durante a nossa trajetória percorremos caminhos curtos, longos, sinuosos, livres, mas carregamos na nossa bagagem um peso invisível que não é visto ou percebido pelo outro. Pedras e mais pedras vão compondo um peso colhido muitas vezes no passado e trazido para o presente como um grande remorso que rodeia e permeia o nosso interior. 

A autocrítica chega, o caminhar fica pesado como se correntes de ferro puxassem o tempo todo o nosso corpo para baixo, onde sequer conseguimos ficar de pé naturalmente. O apoio é inegociável.

Mergulhamos em um abismo sem fim, como em um oceano escuro, sem conseguir ver qual direção seguir. Paralisamos. A culpa chega e nos deixa imersos, presos em um grande naufrágio. O perdão fica esquecido.

Perdoar dói. Mexe em uma ferida aberta que não cicatriza ou custa a cicatrizar. Embola sentimentos como em uma grande montanha-russa, em um looping que parece não acabar. 

Perdoar não é esquecer ou invalidar e, muito menos, não reconhecer, assim como não nos condiciona a trazer de volta uma reconciliação com quem perdoamos. Não é passar uma borracha e apagar o que vivemos, mas é seguir em frente, transformando cada passo em aprendizado. É ressignificar e não mais colocar a sujeira para debaixo do tapete.

Perdoar. Se perdoar.

Lembro das minhas escolhas, de quando eu era uma navegante iniciante nessa vida turbulenta. Somente na vida adulta, estudando e estudando, durante as minhas formações, percebi que algo precisava ficar mais leve. 

Trazer o autoperdão para si é quebrar a rigidez e lembrar que somos moldáveis, falíveis. E, quando soltamos as correntes da autocrítica, o alívio chega. Vem de mansinho preenchendo o peito e o ser de uma forma inigualável, trazendo conforto e paz. 

Quando nos perdoamos, não deixamos de lado a nossa história vivida com nossos erros, acertos e escolhas que hoje não teríamos. É uma decisão de não deixar o passado tomar conta de quem somos agora. É seguir de cabeça erguida, com aquilo que foi aprendido e reescrever uma nova história. 

O autoperdão é despertar o sol e deixar a névoa para trás. É buscar a evolução pessoal permitindo que, finalmente, possamos seguir leves e inteiros.

Até a próxima quarta!

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A Copa e as surpresas que a cerca

quarta-feira, 24 de junho de 2026
por Camilla Fiorito

Copa do Mundo. Momento esperado por muitos, mas também ignorado por tantos outros.

E está tudo bem, pois cada um de nós somos dotados de percepções, leitura de mundo, gostos e interesses comuns ou incomuns, dentro da visão diversa.

Volto à 1994. Nova Friburgo. Meus treze anos.

Copa do Mundo. Momento esperado por muitos, mas também ignorado por tantos outros.

E está tudo bem, pois cada um de nós somos dotados de percepções, leitura de mundo, gostos e interesses comuns ou incomuns, dentro da visão diversa.

Volto à 1994. Nova Friburgo. Meus treze anos.

Que doce lembrança! A Avenida Campesina (rua da feira) enfeitada por nós com muita alegria. Éramos adolescentes, que morávamos tanto naquela rua quanto na Leuenroth. Nos encontrávamos, conversávamos, decidíamos e comprávamos as tintas xadrez necessárias para que pudéssemos pintar os paralelepípedos, as calçadas e os postes.

A forma como nos organizávamos, com autonomia e união, trazia para aquele momento boas risadas e cooperação. Era um grande evento!

Cada pó colorido misturado em suas bacias individuais, ganhava cor com o balançar dos pincéis e água. A euforia, a espera e o momento despertavam tanta vida, que o instante passava com uma rapidez que surpreendia.

Todos os minutos eram valiosos. O trabalho final era nosso. Nossa autoria. Uma produção maravilhosa em equipe, assim como acontecia em outras ruas espalhadas pela cidade, que linda ficava nesse momento tão especial.

Mas não só de ornamentação a Copa se revela. A alegria de se trazer povos diversos, menos favorecidos ou não, para as competições, revelam superação e força. Contagia e traz esperança.

Um breve alento de que muitas coisas são possíveis é lançado. O acreditar toma conta de várias nações que ali se encontram buscando o tão sonhado título.  Ou, até mesmo, se fortalecem na presença do simples estar.

O jogo começa, a bola rola, a espera parece infinita, em um mundo particular. Os passes são acompanhados, sentidos, vividos. Os jogadores se movimentam como instrumentos musicais em uma grande orquestra. O tempo acaba. O resultado chega.

Uns continuam, outros precisam retornar.

As reflexões são feitas, as mudanças analisadas, as rotas reavaliadas, os sonhos renovados. Os momentos singulares chegam ou não ao fim.

O balanço do que deu certo é realizado. Como um pêndulo, vai de um lado a outro. O desejo de voltar novamente para um novo começo, com ou sem vitória, fica latente. Voltar para poder viver toda essa singularidade que toma conta e preenche o esperançar.

Assim é o nosso caminhar, recheado de erros, acertos e surpresas que nos fazem repensar.

Até a próxima quarta!

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Sonhos que continuam

quarta-feira, 17 de junho de 2026
por Camilla Fiorito

Ah, nossos sonhos! Sonhos esses que fazem parte de um imaginário que cresce e floresce dentro do nosso ser. Nos transforma, dia após dia, e alimenta nossa alma com uma doce melodia e sabor.

Sonhar traz esperança, renova e desperta sentimentos conhecidos e desconhecidos. Nos permite acordar todas as manhãs, proporcionando, gentilmente, um carinho invisível, mas que é sentido com toda intensidade, fazendo nosso corpo borbulhar com doçura e calor. 

Nos inspira a seguir para alcançá-los e realizá-los, mesmo em caminhos tortuosos que não entendemos. 

Ah, nossos sonhos! Sonhos esses que fazem parte de um imaginário que cresce e floresce dentro do nosso ser. Nos transforma, dia após dia, e alimenta nossa alma com uma doce melodia e sabor.

Sonhar traz esperança, renova e desperta sentimentos conhecidos e desconhecidos. Nos permite acordar todas as manhãs, proporcionando, gentilmente, um carinho invisível, mas que é sentido com toda intensidade, fazendo nosso corpo borbulhar com doçura e calor. 

Nos inspira a seguir para alcançá-los e realizá-los, mesmo em caminhos tortuosos que não entendemos. 

Mas o que acontece quando não temos esse sonhar diário, que traz cor para o nosso interior?

A sensação de vazio e a perda de sentir a motivação interna passam a fazer parte. Estagnação, falta de objetivos chegam e causam impacto no bem-estar e na saúde mental. 

Os sonhos nos motivam. Dão direção e propósito, pois sem esses pontos são apenas desejos que fazem parte da vida.

Revigoram nossa rotina, despertam movimentos para que possamos refletir e agir. Transforma quem somos, proporcionando persistência e obstinação. Suscitam esperança, alento e ânimo para enfrentarmos obstáculos, que muitas vezes nos causam dor. 

Seguir naquilo que acreditamos e queremos faz com que experimentemos uma sensação física no corpo e na mente. Resulta em uma resposta ímpar e significativa. 

Me lembro quando, há um ano atrás, escrevia o primeiro texto desta coluna que aqui se encontra. Sentada na cadeira de casa, pensava e imaginava como seria o início de “Conversas de Dentro”. Não sabia qual público iria alcançar ou sequer se a identificação com os assuntos aqui expostos trariam conforto ou despertariam boas reflexões.

As palavras começaram a chegar e as linhas foram ocupadas por letras e mais letras, compondo o primeiro texto para os meus futuros leitores. 

Um ano depois, cá estou completando aniversário como colunista deste jornal que mexe comigo de forma indescritível.  

Agradecida sou à minha família, por acreditar, à minha amiga Carolina Batista, por coragem me dar, à Adriana Ventura, por confiar, à equipe, por organizar, e aos leitores destas páginas, os quais fazem parte desse momento tão singelo que começou em 18 de junho de 2025 (o dia em que um dos meus sonhos se realizou), por acompanhar. 

Sonhe! Acredite ser possível. Nem sempre acontece da forma que você espera ou no momento que deseja, mas siga sonhando.

Até a próxima quarta!

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O sopro da vida

quarta-feira, 10 de junho de 2026
por Camilla Fiorito

Um sopro. Um único momento que muda tantas coisas. Muda tudo.

O que foi planejado se perde, dando lugar ao inesperado. A vida vai se esvaindo pelos dedos, pouco a pouco, mostrando que não temos nenhum controle sobre ela.

Me lembro de dois anos atrás quando fiquei oito dias internada na unidade semi-intensiva do hospital Pró-Cardíaco, na cidade do Rio de Janeiro. Dengue. Não qualquer dengue, mas sim uma outra cepa que fez meu corpo reagir muito diferente da que fui acometida há 23 anos.

Um sopro. Um único momento que muda tantas coisas. Muda tudo.

O que foi planejado se perde, dando lugar ao inesperado. A vida vai se esvaindo pelos dedos, pouco a pouco, mostrando que não temos nenhum controle sobre ela.

Me lembro de dois anos atrás quando fiquei oito dias internada na unidade semi-intensiva do hospital Pró-Cardíaco, na cidade do Rio de Janeiro. Dengue. Não qualquer dengue, mas sim uma outra cepa que fez meu corpo reagir muito diferente da que fui acometida há 23 anos.

As enfermeiras olhavam para mim como se quisessem me contar um grande segredo. O médico deu o prognóstico. Chorei. A psicóloga foi chamada. O tudo ou nada começaria naquele exato momento, com pressa. Cada minuto contava e faria diferença.

Entendi. Doeu na alma. Meus olhos tremeram e foram de encontro aos do meu marido, que chamou nossa filha, na época, com 11 anos recém completados. Momento difícil. Senti o cheiro dos seus cabelos, dei um abraço apertado, disse o quanto ela era forte. Guardei o momento e me despedi em silêncio da minha doce menina. Não aceitava a finitude. Não ali. Não naquele instante. Uma fortaleza foi imposta. Lutei bravamente, doeu, me rasgou inteira como uma fina folha de papel.

O médico conseguiu, meu corpo reagiu, mas o resultado poderia ter sido outro. O oposto poderia ter batido à porta e entrado sem pedir licença. Sem hora marcada.

A finitude chega para todos nós. Cada um, em um momento da vida. No inesperado, no esperado, no previsível ou no imprevisível. Simplesmente chega, como um sopro. Um sopro que passa em uma fração de segundo, onde o ponteiro do relógio não acompanha.

Tendemos a achar que ela acontecerá apenas depois de algumas longas décadas vividas e esquecemos que a chegada pode ser iminente. Nunca estaremos preparados.

O hoje é para ser vivenciado, sem medo, com desejo e vontade. Os planos sempre existirão, em sua pluralidade, porém, também é necessário dar lugar para o agora chegar e não só o depois. O ser e estar no momento presente, de forma segura, com a potência necessária para encontrar a melhor sintonia, conquistando um benefício que fica esquecido: o nosso equilíbrio emocional.

Até a próxima quarta!

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Redes de apoio que nos cercam e a falta delas

quarta-feira, 03 de junho de 2026
por Camilla Fiorito

Não vivemos sozinhos. 

Temos uma rotina intensa, que nos proporciona pouco tempo livre. Ou um tempo livre que é engolido por toda rotina invisível que realizamos dia após dia. 

Casa, trabalho, escola, faculdade, curso, estudo, médico, atividade extra, imprevisto. O outro. Nós. Nosso autocuidado que fica em segundo, terceiro, quarto, quinto e, raramente, em primeiro plano. 

Manhãs, tardes e noites passam em um piscar de olhos, trazendo uma impressão de que precisamos de mais 24 horas para conseguirmos fechar todas as demandas do dia.

Não vivemos sozinhos. 

Temos uma rotina intensa, que nos proporciona pouco tempo livre. Ou um tempo livre que é engolido por toda rotina invisível que realizamos dia após dia. 

Casa, trabalho, escola, faculdade, curso, estudo, médico, atividade extra, imprevisto. O outro. Nós. Nosso autocuidado que fica em segundo, terceiro, quarto, quinto e, raramente, em primeiro plano. 

Manhãs, tardes e noites passam em um piscar de olhos, trazendo uma impressão de que precisamos de mais 24 horas para conseguirmos fechar todas as demandas do dia.

A caixa de entrada com todas as solicitações diárias vai aumentando e acumulando. O saber como daremos conta fica com um ponto de interrogação visível e piscante, onde o transbordamento pode acontecer a qualquer segundo ou minuto, pois é iminente.

Dar conta e não dar conta entram em conflito, causando grande burburinho interno e muitas reflexões. A performance impecável vem em destaque, assim como a cobrança externa de que nada pode ficar sem entrega.

Perguntas são levantadas e pensadas. O que seríamos sem as nossas fabulosas redes de apoio que nos cercam, nos acolhem e caminham lado a lado conosco nessa maravilhosa e tempestuosa jornada? 

O vazio de seguir sem apoio, desperta exaustão, sobrecarga, ansiedade e alto impacto social e emocional. A porta da vulnerabilidade fica aberta, escancarada. Incontestável é o isolamento que passa a ser vivido, dentro desse adoecimento físico e mental que vai chegando devagar e se aprofundando. 

As redes de apoio são fundamentais para o processo de bem-estar. O amparo e o acolhimento, trazem uma diluição da sobrecarga diária e mostra que não estamos sozinhos. Os momentos de compartilhamento de demandas e escuta são realizados com muito respeito e confiança. A balança fica mais equilibrada e o processo de compaixão é acionado em larga escala. 

A rede de apoio, muitas vezes, é vivida em escassez. Reconhecer quem está por perto para tecer uma grande ou pequena teia, proporcionando partilha, disponibilidade e reciprocidade é uma das maiores riquezas que podemos ter. Cultive e se abra para esse experimento que transforma e proporciona equilíbrio interior.

Agradeço imensamente a minha rede de apoio que é formada por pessoas incríveis e que me fazem lembrar o quão fortalecedor são as conexões sociais e os laços que criamos. 

Até a próxima quarta!

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O vazio da pressa coletiva

quarta-feira, 27 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Vivemos com pressa.

Pressa para comer, consumir, vestir, tomar banho, resolver problemas e conflitos, responder, perguntar, ter. Pressa por um amanhã que nem mesmo sabemos se vai chegar ou como vai estar.

Seguimos um ritmo imposto dentro de uma sociedade que tem dificuldade de esperar. O resultado precisa ser imediato. Aqui e agora. Os infinitos e-mails recebidos e as mensagens de whatsapp trazem uma urgência de tempo coletivo.

Vivemos com pressa.

Pressa para comer, consumir, vestir, tomar banho, resolver problemas e conflitos, responder, perguntar, ter. Pressa por um amanhã que nem mesmo sabemos se vai chegar ou como vai estar.

Seguimos um ritmo imposto dentro de uma sociedade que tem dificuldade de esperar. O resultado precisa ser imediato. Aqui e agora. Os infinitos e-mails recebidos e as mensagens de whatsapp trazem uma urgência de tempo coletivo.

A angústia latente passa a frequentar a parte mais íntima do nosso ser. A cada segundo dessa urgência que avassala, a velocidade insiste em ocupar um lugar que mexe e nos desconecta de nós mesmos.

Mas, dentro da pressa do dia a dia, trago a pausa. Esta que me faz lembrar dos maravilhosos versos escritos por Lenine, na música “Paciência”, que traz melodia para os meus ouvidos.

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma. Até quando o corpo pede um pouco mais de alma. A vida não para. Enquanto o tempo acelera e pede pressa. Eu me recuso, faço hora, vou na valsa. A vida é tão rara”.

A vida não para. Não temos a tecla “pause”, para parar tudo ao nosso redor. Iniciamos um ritmo que sequer paramos para pensar no porquê ele é instalado nas nossas rotinas, simplesmente seguimos sem questionar. Apenas realizamos, realizamos e realizamos.

A pressa incessante abafa. Tira do foco o abismo que muitas vezes criamos com o nosso íntimo. As demandas são realizadas sem conexão, o sentir fica escondido dando lugar apenas àquilo que precisa ser feito.

Conectar-se com o seu tempo, definindo limites, passa a ser luxo e momento de escassez, onde o lugar deveria ser de prioridade. Desacelere. Viva essa vida rara e maravilhosa que temos sem o vazio da pressa coletiva.

Sua saúde física, social, emocional e mental agradecem!

Até a próxima quarta!

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O poder do afeto

quarta-feira, 20 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Andamos, corremos, passamos, fechamos, encontramos, procuramos, ganhamos, perdemos, intercalamos, sujamos, limpamos, cortamos, costuramos, colamos, saímos, chegamos, evitamos, conversamos.

Nos reunimos, frente a frente, lado a lado, sem o olhar necessário e cuidadoso, para que possamos seguir. As sutilezas ficam imersas como uma grande âncora atracada em águas profundas, esperando o aviso para continuar a grande navegação que tem pressa, hora e tempo curto para realizar todo percurso.

Andamos, corremos, passamos, fechamos, encontramos, procuramos, ganhamos, perdemos, intercalamos, sujamos, limpamos, cortamos, costuramos, colamos, saímos, chegamos, evitamos, conversamos.

Nos reunimos, frente a frente, lado a lado, sem o olhar necessário e cuidadoso, para que possamos seguir. As sutilezas ficam imersas como uma grande âncora atracada em águas profundas, esperando o aviso para continuar a grande navegação que tem pressa, hora e tempo curto para realizar todo percurso.

O piloto automático é ligado, sem trégua. As águas ficam rasas, fundas, calmas, agitadas e muito turbulentas, mas seguimos, com ou sem capitão, rumo à uma direção que entendemos ser a certa.

Os dias passam, as tardes começam, as noites chegam e o navegar continua da mesma forma, sem muitas apreciações da vista, do entorno ou das singelas miudezas que ficam na subjetividade do nosso dia a dia.

A falta de calma e paciência, atravessa a gentileza e a delicadeza das ações, que por menores que sejam, podem despertar uma grandiosidade que não se calcula, trazendo particularidades que despertam um poder inestimável para o outro que recebe e para quem realiza.

O afeto pode vir de diversas formas. Uma palavra, um sorriso, uma escuta atenta e empática, um olhar, uma posição do corpo, um gesto que, imperceptível ou não, na miudeza ou grandeza, transforma e revigora.

O poder do afeto estanca feridas, recentes ou passadas, seca lágrimas, ou abre a torneira para mais algumas, e aquece o coração mesmo no mais rigoroso inverno. Traz conforto, acolhimento e entendimento de que fomos percebidos ou percebemos alguém que, nem sempre, é o outro o qual temos total, um pouco ou nenhuma afinidade. Traz esperança, fortalece vínculos e transforma as nossas relações.

Mas como ser afetuoso em um mundo onde demonstrar afeto é visto como moeda de troca?

Hoje, vivemos um grande desafio, onde realizar delicadezas diárias não são bem vistas por muitos, seja nos núcleos pessoais, profissionais e familiares.

Me traz a memória de quando eu era mais nova. Ainda criança, gostava de presentear amigos e familiares com cartões produzidos por mim. Esse feito seguiu durante a minha adolescência e juventude, onde os papéis passaram a ser linhas e agulhas que davam vida a cachecóis de tricô, feitos à mão e com imenso carinho.

Conforme fui crescendo, as demonstrações de afeto passaram a furar a bolha do meio que vivo e sou inserida, porém, a sociedade, muitas vezes, não está pronta para isso, pois há quem não está pronto para receber aquilo que está sendo ofertado.

Como sempre digo: Aceite a gentileza! Faz bem!

Até a próxima quarta!

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