Blog de Camilla Fiorito

Redes de apoio que nos cercam e a falta delas

quarta-feira, 03 de junho de 2026
por Camilla Fiorito

Não vivemos sozinhos. 

Temos uma rotina intensa, que nos proporciona pouco tempo livre. Ou um tempo livre que é engolido por toda rotina invisível que realizamos dia após dia. 

Casa, trabalho, escola, faculdade, curso, estudo, médico, atividade extra, imprevisto. O outro. Nós. Nosso autocuidado que fica em segundo, terceiro, quarto, quinto e, raramente, em primeiro plano. 

Manhãs, tardes e noites passam em um piscar de olhos, trazendo uma impressão de que precisamos de mais 24 horas para conseguirmos fechar todas as demandas do dia.

Não vivemos sozinhos. 

Temos uma rotina intensa, que nos proporciona pouco tempo livre. Ou um tempo livre que é engolido por toda rotina invisível que realizamos dia após dia. 

Casa, trabalho, escola, faculdade, curso, estudo, médico, atividade extra, imprevisto. O outro. Nós. Nosso autocuidado que fica em segundo, terceiro, quarto, quinto e, raramente, em primeiro plano. 

Manhãs, tardes e noites passam em um piscar de olhos, trazendo uma impressão de que precisamos de mais 24 horas para conseguirmos fechar todas as demandas do dia.

A caixa de entrada com todas as solicitações diárias vai aumentando e acumulando. O saber como daremos conta fica com um ponto de interrogação visível e piscante, onde o transbordamento pode acontecer a qualquer segundo ou minuto, pois é iminente.

Dar conta e não dar conta entram em conflito, causando grande burburinho interno e muitas reflexões. A performance impecável vem em destaque, assim como a cobrança externa de que nada pode ficar sem entrega.

Perguntas são levantadas e pensadas. O que seríamos sem as nossas fabulosas redes de apoio que nos cercam, nos acolhem e caminham lado a lado conosco nessa maravilhosa e tempestuosa jornada? 

O vazio de seguir sem apoio, desperta exaustão, sobrecarga, ansiedade e alto impacto social e emocional. A porta da vulnerabilidade fica aberta, escancarada. Incontestável é o isolamento que passa a ser vivido, dentro desse adoecimento físico e mental que vai chegando devagar e se aprofundando. 

As redes de apoio são fundamentais para o processo de bem-estar. O amparo e o acolhimento, trazem uma diluição da sobrecarga diária e mostra que não estamos sozinhos. Os momentos de compartilhamento de demandas e escuta são realizados com muito respeito e confiança. A balança fica mais equilibrada e o processo de compaixão é acionado em larga escala. 

A rede de apoio, muitas vezes, é vivida em escassez. Reconhecer quem está por perto para tecer uma grande ou pequena teia, proporcionando partilha, disponibilidade e reciprocidade é uma das maiores riquezas que podemos ter. Cultive e se abra para esse experimento que transforma e proporciona equilíbrio interior.

Agradeço imensamente a minha rede de apoio que é formada por pessoas incríveis e que me fazem lembrar o quão fortalecedor são as conexões sociais e os laços que criamos. 

Até a próxima quarta!

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O vazio da pressa coletiva

quarta-feira, 27 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Vivemos com pressa.

Pressa para comer, consumir, vestir, tomar banho, resolver problemas e conflitos, responder, perguntar, ter. Pressa por um amanhã que nem mesmo sabemos se vai chegar ou como vai estar.

Seguimos um ritmo imposto dentro de uma sociedade que tem dificuldade de esperar. O resultado precisa ser imediato. Aqui e agora. Os infinitos e-mails recebidos e as mensagens de whatsapp trazem uma urgência de tempo coletivo.

Vivemos com pressa.

Pressa para comer, consumir, vestir, tomar banho, resolver problemas e conflitos, responder, perguntar, ter. Pressa por um amanhã que nem mesmo sabemos se vai chegar ou como vai estar.

Seguimos um ritmo imposto dentro de uma sociedade que tem dificuldade de esperar. O resultado precisa ser imediato. Aqui e agora. Os infinitos e-mails recebidos e as mensagens de whatsapp trazem uma urgência de tempo coletivo.

A angústia latente passa a frequentar a parte mais íntima do nosso ser. A cada segundo dessa urgência que avassala, a velocidade insiste em ocupar um lugar que mexe e nos desconecta de nós mesmos.

Mas, dentro da pressa do dia a dia, trago a pausa. Esta que me faz lembrar dos maravilhosos versos escritos por Lenine, na música “Paciência”, que traz melodia para os meus ouvidos.

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma. Até quando o corpo pede um pouco mais de alma. A vida não para. Enquanto o tempo acelera e pede pressa. Eu me recuso, faço hora, vou na valsa. A vida é tão rara”.

A vida não para. Não temos a tecla “pause”, para parar tudo ao nosso redor. Iniciamos um ritmo que sequer paramos para pensar no porquê ele é instalado nas nossas rotinas, simplesmente seguimos sem questionar. Apenas realizamos, realizamos e realizamos.

A pressa incessante abafa. Tira do foco o abismo que muitas vezes criamos com o nosso íntimo. As demandas são realizadas sem conexão, o sentir fica escondido dando lugar apenas àquilo que precisa ser feito.

Conectar-se com o seu tempo, definindo limites, passa a ser luxo e momento de escassez, onde o lugar deveria ser de prioridade. Desacelere. Viva essa vida rara e maravilhosa que temos sem o vazio da pressa coletiva.

Sua saúde física, social, emocional e mental agradecem!

Até a próxima quarta!

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O poder do afeto

quarta-feira, 20 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Andamos, corremos, passamos, fechamos, encontramos, procuramos, ganhamos, perdemos, intercalamos, sujamos, limpamos, cortamos, costuramos, colamos, saímos, chegamos, evitamos, conversamos.

Nos reunimos, frente a frente, lado a lado, sem o olhar necessário e cuidadoso, para que possamos seguir. As sutilezas ficam imersas como uma grande âncora atracada em águas profundas, esperando o aviso para continuar a grande navegação que tem pressa, hora e tempo curto para realizar todo percurso.

Andamos, corremos, passamos, fechamos, encontramos, procuramos, ganhamos, perdemos, intercalamos, sujamos, limpamos, cortamos, costuramos, colamos, saímos, chegamos, evitamos, conversamos.

Nos reunimos, frente a frente, lado a lado, sem o olhar necessário e cuidadoso, para que possamos seguir. As sutilezas ficam imersas como uma grande âncora atracada em águas profundas, esperando o aviso para continuar a grande navegação que tem pressa, hora e tempo curto para realizar todo percurso.

O piloto automático é ligado, sem trégua. As águas ficam rasas, fundas, calmas, agitadas e muito turbulentas, mas seguimos, com ou sem capitão, rumo à uma direção que entendemos ser a certa.

Os dias passam, as tardes começam, as noites chegam e o navegar continua da mesma forma, sem muitas apreciações da vista, do entorno ou das singelas miudezas que ficam na subjetividade do nosso dia a dia.

A falta de calma e paciência, atravessa a gentileza e a delicadeza das ações, que por menores que sejam, podem despertar uma grandiosidade que não se calcula, trazendo particularidades que despertam um poder inestimável para o outro que recebe e para quem realiza.

O afeto pode vir de diversas formas. Uma palavra, um sorriso, uma escuta atenta e empática, um olhar, uma posição do corpo, um gesto que, imperceptível ou não, na miudeza ou grandeza, transforma e revigora.

O poder do afeto estanca feridas, recentes ou passadas, seca lágrimas, ou abre a torneira para mais algumas, e aquece o coração mesmo no mais rigoroso inverno. Traz conforto, acolhimento e entendimento de que fomos percebidos ou percebemos alguém que, nem sempre, é o outro o qual temos total, um pouco ou nenhuma afinidade. Traz esperança, fortalece vínculos e transforma as nossas relações.

Mas como ser afetuoso em um mundo onde demonstrar afeto é visto como moeda de troca?

Hoje, vivemos um grande desafio, onde realizar delicadezas diárias não são bem vistas por muitos, seja nos núcleos pessoais, profissionais e familiares.

Me traz a memória de quando eu era mais nova. Ainda criança, gostava de presentear amigos e familiares com cartões produzidos por mim. Esse feito seguiu durante a minha adolescência e juventude, onde os papéis passaram a ser linhas e agulhas que davam vida a cachecóis de tricô, feitos à mão e com imenso carinho.

Conforme fui crescendo, as demonstrações de afeto passaram a furar a bolha do meio que vivo e sou inserida, porém, a sociedade, muitas vezes, não está pronta para isso, pois há quem não está pronto para receber aquilo que está sendo ofertado.

Como sempre digo: Aceite a gentileza! Faz bem!

Até a próxima quarta!

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Agrados e desagrados

quarta-feira, 13 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Agradar. Se agradar e agradar o outro.

Agradamos. Não sempre. Não totalmente.

Realizamos coisas todos os dias que vão agradar e desagradar os demais.

Viver uma vida com o foco em agradar aquele que está na nossa frente, traz um eu que não é o real. O eu que realmente mostra de fato quem nós somos ou uma faceta mais próxima de nós mesmos fica escondido, em um lugar muito distante e profundo.

Agradar. Se agradar e agradar o outro.

Agradamos. Não sempre. Não totalmente.

Realizamos coisas todos os dias que vão agradar e desagradar os demais.

Viver uma vida com o foco em agradar aquele que está na nossa frente, traz um eu que não é o real. O eu que realmente mostra de fato quem nós somos ou uma faceta mais próxima de nós mesmos fica escondido, em um lugar muito distante e profundo.

Nos podamos de variadas formas, como se estivéssemos diminuindo o tamanho das folhas de papel, para escrever a nossa própria história. As folhas ficam pequenas para caber todas as palavras necessárias e descrever, em cada linha, o que gostamos e não gostamos, o que concordamos e discordamos, o que aceitamos e não aceitamos, o que queremos e não queremos, o que temos de visão de passado, presente e futuro.

Somos seres pulsantes dotados de sentimentos, pensamentos e visões que se manifestam a todo vapor. Como uma grande locomotiva, que, sobre os trilhos, faz “toc-toc” sem parar, com força e rapidez.

Passa por curvas e mais curvas, estações e estações, proporcionando vistas maravilhosas que trazem paz, mas que também revelam barulho e agitação, despertando diversos sentimentos que se misturam e intensificam em cada cenário apresentado, agradando e desagradando.

Nos agradamos e sentimos desagrados em cada pedaço que forma a nossa vida e falar sobre isso não pode ser tabu ou uma crença inquebrável e inquestionável por medo ou por qual motivo for.

Pessoas passam anos dentro de relações sociais, familiares, amorosas e profissionais ocultando a verdadeira face de ser quem se é. O preço pago é algo imensurável, incalculável e que resulta em grande impacto emocional, mental e social.

Agradar para caber é desagradar a si mesmo. É não se ter em primeiro plano, mas, sim, em um lugar muito abaixo daquele que, na verdade, teria que estar no topo, como na montanha mais alta, assistindo ao lindo pôr do sol.

Deixar de ser quem somos, fere a essência.

Antes de se podar, pare, respire, reflita e jamais esqueça: você é o que há de mais valor. Só conseguimos valorizar o outro com verdade quando nos valorizamos. E isso, é um agrado incontestável, que precisa estar implícito, sem tempo para depois.

Até a próxima quarta!

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O consumo anestésico de cada dia

quarta-feira, 06 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Consumimos música, livros, filmes, roupas, comida, bebidas, tecnologia analógica e digital diariamente. Gastamos nosso tempo nos alimentando de futilidades e utilidades, moldando o nosso cérebro com aquilo que achamos que queremos.

Um consumo desenfreado como se as preocupações, tristezas, problemas fossem desaparecer por alguns minutos. Como um caminhar nas lindas plantações de lavanda, onde o cheiro suave relaxa o nosso ser de forma profunda, despertando sonhos e prazeres que muitas vezes guardamos em segredo.

Consumimos música, livros, filmes, roupas, comida, bebidas, tecnologia analógica e digital diariamente. Gastamos nosso tempo nos alimentando de futilidades e utilidades, moldando o nosso cérebro com aquilo que achamos que queremos.

Um consumo desenfreado como se as preocupações, tristezas, problemas fossem desaparecer por alguns minutos. Como um caminhar nas lindas plantações de lavanda, onde o cheiro suave relaxa o nosso ser de forma profunda, despertando sonhos e prazeres que muitas vezes guardamos em segredo.

Sim, o consumo traz essa paz momentaneamente, mas pode virar o pior pesadelo. Nas contas, no guarda roupa, na pele, na vida. Internamente e externamente.

Lembro dos meus 17 anos quando eu trabalhava em uma loja de roupas, na Rua Ariosto Bento de Mello, na nossa Nova Friburgo. As calças vendidas no espaço eram objetos de desejo de muitos, assim como eram os meus antes de trabalhar lá. Já as vestia desde os 13 anos. Presenciei ali pessoas consumindo, consumindo e consumindo. Com controle, sem controle. Semanal, quinzenal, mensal, esporadicamente.

O que consumimos molda o nosso futuro. Nos anestesia ou não nessa prática da vida. Comportamentos perpetuam, cessam, se renovam e estar anestesiado hoje nos coloca em uma inércia galopante.

A cultura que deixamos de ter, os conhecimentos que escolhemos não reter, a alienação que optamos sem perceber, visto o tanto que os algoritmos trabalham a esse favor nas redes sociais, que consomem boa porção do dia de muitos que fazem parte desse mundo insano e sano.

Desenvolver a criticidade nos faz questionar o porquê do consumo. Se é necessário ou não. Se combina ou se é imposto por uma moda que não queremos seguir. Se só existe uma fonte de conhecimento ou muitos canais que podemos pesquisar. Se realmente gostamos daquilo que está nos sendo oferecido ou apenas queremos ser aceitos naquele ambiente, onde hipoteticamente acreditamos ser o melhor lugar.

Não aceitar o consumo como anestésico é dar voz ao seu eu que estava adormecido. É passar a se impor, deixando entrar aquilo que faz bem, traz sentido. O que você permite e quer.

É não se deixar alienar diante de moldes impostos e prontos. É questionar, impor limites e ter a certeza que a sua opinião é válida, assim como os seus desejos e vontades de consumir aquilo que lhe convém e cai bem.

É dar adeus para a apatia e a indiferença e deixar as emoções entrarem, como a natureza que nos envolve com o doce perfume que as flores exalam no nosso caminhar.

Até a próxima quarta!

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A prática da gratidão

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Quando agradecemos, passamos a trazer o pensamento positivo para o nosso momento, o barco da ansiedade começa a desligar o motor e a resiliência vai aumentando de forma significativa. 

A felicidade fica mais presente, trazendo com ela uma paz interior e uma agradável sensação de contentamento. As decepções, perturbações e outras vivências profundas são sentidas, mas vividas de outras formas, sendo organizadas através de um outro olhar. 

Cuidamos mais do nosso corpo, da nossa mente, focando naquilo que é positivo, onde focar no positivo não quer dizer que o negativo e as coisas que não saíram como planejado não existiram. É treinar a mente para tirar o melhor das ações que acontecem na nossa vida, trazendo aprendizado para cada um de nós, mesmo em situações extremamente desafiadoras e difíceis de lidar. 

Ser uma pessoa grata, melhora as nossas relações e expressar isso pode ser algo usual para uns e não para outros. Mas, quando agradecemos, reconhecemos o valor das coisas nas mais singelas entrelinhas.

Praticar a gratidão é um exercício que precisa de persistência, perseverança. Não começa amanhã ou depois, começa agora. 

E você,  tem praticado a gratidão?

Até a próxima quarta!

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Estar de alma

quinta-feira, 23 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Estar com aqueles que amamos vai além de datas comemorativas. Eu nunca fui de datas, por mais que eu saiba os dias de aniversário das pessoas que fazem parte da minha vida de cor, e não espero que o outro se lembre do dia que vim ao mundo. Aliás, datas comemorativas mexem com uma parte interna que até hoje questiono: estar com quem amamos vai além disso. Muito além.

Estar com aqueles que amamos vai além de datas comemorativas. Eu nunca fui de datas, por mais que eu saiba os dias de aniversário das pessoas que fazem parte da minha vida de cor, e não espero que o outro se lembre do dia que vim ao mundo. Aliás, datas comemorativas mexem com uma parte interna que até hoje questiono: estar com quem amamos vai além disso. Muito além.

Conheço famílias que se reúnem em momentos específicos, apenas em comemorações, tiram fotos e mostram que ser família é aquele instante Doriana, onde nos comerciais desta margarina, todos festejam e sorriem, mostrando uma felicidade e união que é inexistente no dia a dia.

Ser e estar vai muito além disso, assim como a construção do que temos como família vai de acordo com a percepção de cada um. Temos a família biológica, a família que vivemos, a família que temos, a família que idealizamos, a família que escolhemos, onde os amigos têm participação crucial e irrevogável.

Estar é fazer-se presente e podemos exercer isso de muitas maneiras, pois estar em um lugar não significa viver por completo o instante que nos permite permanecer corporalmente.

Estar sem querer é como se estivéssemos em uma sala repleta de pessoas desconhecidas, sem se sentir à vontade de manter-se ali, vivendo aquele momento. O pensamento sai e se expande para outra esfera, onde o coração acelera e a vontade de ir sufoca as entranhas, que permanecem trêmulas percorrendo todo o nosso corpo. Nos deixa esgotados emocionalmente, ferindo à nós mesmos de um jeito indescritível. Diferente do não estar por não poder. Estar de alma é como se estivéssemos percorrendo por entre o silêncio do amor, que nos conforta. Subindo e descendo bosques que nos trazem paz, apreciando o mar e contemplando aquilo que mais nos dá prazer.

Nesta semana, é o aniversário do meu pai. São 70 anos vividos e sentidos com muitas lutas, dores e alegrias. Não estarei presente fisicamente, mas estarei de coração e por inteiro. Papai é uma daquelas pessoas que me fez perceber desde cedo que datas não precisam ser comemoradas, mas os momentos devem ser vividos, com intensidade e verdade.

Me mostrou que a vida é o agora, onde muitos caminhos, às vezes, de forma sinuosa, trazem obstáculos, mas também profundidade.

Herdei a sua intensidade, o seu modo de fazer até dar certo, a sua resiliência e perseverança. A presença e a nossa relação foram desenvolvidas através de uma prática não convencional, mas a segurança e a confiança se estabeleceram com uma solidez rara.

A dinâmica da nossa vida adulta nem sempre faz com que consigamos estar no mesmo lugar que o outro, mas a presença ultrapassa todos esses pontos.

Celebrar conquistas, a vida e qualquer outro momento que desejamos não precisa ser em datas específicas.

Celebre, seja em qual dia for!

Até a próxima quarta!

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Poesia, um ato de resistência

quarta-feira, 15 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Poesia, poesía, poésie, poesie, poesi, poezija, poetry, puisìa, költészet, filíocht, mele, poesis, poezie, poezja.

Os idiomas são inúmeros, mas poesia será sempre poesia. Melodias que trazem profundidade emocional ao coração, paixão aos olhos e musicalidade aos ouvidos.

Poesia, poesía, poésie, poesie, poesi, poezija, poetry, puisìa, költészet, filíocht, mele, poesis, poezie, poezja.

Os idiomas são inúmeros, mas poesia será sempre poesia. Melodias que trazem profundidade emocional ao coração, paixão aos olhos e musicalidade aos ouvidos.

Comecei a entender a poesia na adolescência. A arte era criada através de singelas expressões, que ficavam invisíveis aos olhos, mas latente no meu eu mais profundo. Assim como folhas e mais folhas que se juntavam, dia após dia, por anos. Aquilo que não conseguia ser dito em palavras e extrapolavam o peito, eram transformados em escritas únicas, com sentimentos puros. As letras ocupavam o papel com rapidez, a caneta e o lápis deslizavam por entre as linhas, transformando medo em bravura, dor em recomeço, tristeza em esperança.

Bravura, recomeço esperança. Cada palavra com seu significado e potência, que, quando juntas, formam uma suntuosa composição poética, onde o maior tesouro está prestes à se formar e ser revelado.

O olhar que contempla, o sorriso que confidencia, as lágrimas que caem, o corpo que treme, o ser que transborda. A poesia mexe com tudo e todos. Os sentimentos e as experiências vão se formando, ponto a ponto, onde o sentir e experienciar é vivido de forma singular por cada sujeito, por cada um de nós.

Poesia é um ato de resistência. Provoca e mostra que somos seres em constante movimento, com aprendizados e vivências. Deixa claro que a sensibilidade existe e os estímulos surgem de maneiras descritíveis e indescritíveis, decifráveis e indecifráveis. Que o profundo é real e se espalha em diversas direções, atingindo pontos que jamais pensamos ser alcançados.

A poesia move. Traz um turbilhão interno que queima como um vulcão em erupção. Acende faíscas, onde, anteriormente, pareciam estruturas serenas, como uma imensa plantação de lírios e lavanda.

A poesia desperta. Tira a inércia do sono intenso, deixando a procrastinação distante e trazendo alívio.

A poesia está ao nosso redor, mas para senti-la e vivê-la, é preciso tirar o véu que transpassa e esconde o que é belo. Está nas coisas mais simples e nas mais grandiosas. Perceber esse movimento é sair do piloto automático e resistir à um mundo de excessos.

Sinta, viva o momento!

A poesia transforma.

Até a próxima quarta!

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A pressa que domina

quarta-feira, 08 de abril de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Apressado. O mundo está com pressa. Uma pressa que atropela e traz um efeito manada, sem freio. 

O tic tac do relógio não tem fim. A mente não desliga, as tarefas não acabam, os papéis se acumulam, os turnos se fundem e o horário do descanso custa a chegar ou, simplesmente, não chega.

Apressado. O mundo está com pressa. Uma pressa que atropela e traz um efeito manada, sem freio. 

O tic tac do relógio não tem fim. A mente não desliga, as tarefas não acabam, os papéis se acumulam, os turnos se fundem e o horário do descanso custa a chegar ou, simplesmente, não chega.

Isso me faz lembrar da primeira vez que me mudei para a cidade do Rio de Janeiro. Na época, eu era uma jovem de 20 anos, cheia de vontade e determinação, com ousadia e fome de viver. A rotina, o movimento, os boletos, o trânsito, a responsabilidade, o barulho, as horas nos incontáveis ônibus ao longo do trajeto casa, faculdade, trabalho, casa ocupavam um espaço sem trégua. Parecia que as vinte e quatro horas do dia não eram suficientes. E não eram. 

A vida apressada passava por cima de um mero momento de sossego. O ócio era um luxo quase que inacessível, incalculável e muito esperado, mas o parar não era uma opção. Segunda à sexta, sábado, domingo e feriado. As pausas realizadas uma vez por semana eram ineficientes dentro daquilo que o corpo pedia e o emocional demandava.

As contas que precisamos dar, não fecha com os marcos finais que precisamos impor. As interrupções são necessárias. As suspensões das atividades são merecidas e inegociáveis. O parar traz autoconhecimento e conexão com a nossa voz interior, que, por falta de um olhar generoso para nós mesmos, acaba ficando silenciada e perdida. A autopercepção, essa sim, se faz urgente. Trazer essa visão, sem atropelo, desperta um novo funcionamento e entendimento de si mesmo.

A expressão “dar um passo para trás para dar dois na frente” ficou esquecida, mas, quando relembrada, mostra o quanto desacelerar é vital para que tenhamos uma vida mais regulada, ajustada e equilibrada, seja emocionalmente ou socialmente.  

Pausar é preciso. Quem coloca os limites somos nós mesmos. Já parou para colocar o seu? 

Até a próxima quarta!

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A importância das despedidas

quarta-feira, 01 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Nunca sabemos a hora certa de seguir e de deixar ir. Nos apegamos ao cheiro, ao momento, ao espaço, à voz, à rotina, às pessoas. Desenvolvemos laços fortes que enlaçam como uma corrente poderosa que não pode e não quer ser quebrada. 

Nunca sabemos a hora certa de seguir e de deixar ir. Nos apegamos ao cheiro, ao momento, ao espaço, à voz, à rotina, às pessoas. Desenvolvemos laços fortes que enlaçam como uma corrente poderosa que não pode e não quer ser quebrada. 

A base sólida penetra e se instala, trazendo percepções que acalentam e acomodam. Mas o alicerce pode ruir de forma inesperada, como um castelo de areia que desmorona em míseros segundos, fazendo com que cada grão trace uma direção que não era planejada. Quando acontece, ver tudo aquilo que foi construído ir embora, é doloroso. Sangra de forma silenciosa. 

É como se percebêssemos que tudo aquilo que elaboramos, desenhamos, sonhamos, esperamos não fosse se concretizar, pois o aqui e agora pode mudar em um pequeno espaço de tempo. Sim, pode mudar. Não é estático, imóvel, sem alterações. A vida é movimento, vivacidade, calor, entusiasmo, vitalidade, vigor, cor e sabor. 

Deixar ir e seguir adiante mexe com toda uma estrutura que desestrutura e estremece o nosso ser. A maturação demora e ressignificar, às vezes, parece impossível. 

Se despedir daquilo que amamos, queima as nossas entranhas. Deixar o que estimamos, desejamos, construímos, acreditamos, é um processo que desencadeia uma trama que nos envolve em tantos formatos e pontos. 

Lembro das minhas perdas. Foram muitas. Familiares, amigos, animais de estimação, objetos, aquilo que não tive e que poderia ter. Também precisei deixar ir e seguir adiante em empregos, relações com pessoas que faziam parte do meu círculo social, mudanças de cidade e decisões importantes. Processos que causaram dor, mas que foram necessários para o meu crescimento pessoal e emocional. O tempo de assimilação e entendimento foi moroso, onde cada acontecimento teve a sua duração. Uns mais, outros menos.

O caminho que percorremos ao longo da vida, esse que nos surpreende a todo instante, deixa de forma límpida que, diariamente, perdemos e ganhamos. Porém, nunca estamos prontos para perder, mas, na maioria das vezes, estamos à espera do ganhar. Um ganhar que nos faz ir adiante com sentimento de dever cumprido, mesmo tendo que abrir mão de algumas pontuações, para continuarmos em frente. 

Deixar ir e seguir fazem parte da nossa trajetória. O luto precisa ser vivido, respeitado e sentido por cada um à sua maneira, assim como as decisões devem ser consideradas em sua totalidade e profundidade, para que o trajeto fique mais fluído.

Siga o fluxo! 

Até a próxima quarta!

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