O diário como espelho da alma

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

sexta-feira, 07 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“Querido diário, hoje, as coisas não saíram como planejado, mas está tudo bem! Nem sempre teremos o resultado que esperamos”.

Esse pequeno trecho me faz lembrar da minha adolescência, onde eu cultivava meu diário. Cada folha escrita refletia aquilo que não conseguia ser descrito em palavras ditas, mas eram externalizadas através de traços realizados no papel.

A tinta das canetas coloridas e dos marcadores de textos deslizavam pelas folhas, traziam singelas emoções e percepções sobre a vida, transformando dor, medo, esperança, apreensão, segredo, sonho, desilusão, imposição, rejeição, tristeza e alegria em poesia.

Íntimo, privado, espelho, abrigo, conforto. Um lugar único, onde segredos são revelados de forma avassaladora. Ele não julga, apenas abraça, acolhe. 

No diário, cada letra ganha forma, expressando um entrelaçamento de artes, como uma ópera em seu grande espetáculo. 

Nossos sentimentos reprimidos transbordam, os tempos se misturam, as ideias saltitam de um lado a outro, as reflexões ficam vivas, os contornos vão desaparecendo, pouco a pouco, dando lugar a uma imensidão sem fim. Um espaço infinito, o qual podemos colocar cada expressão de forma livre, esvaziando tudo aquilo que vem à mente, de forma totalmente despida. 

Nos despimos do que aflige e preenche a nossa alma.

Nas páginas, as emoções confusas ganham nomes, o diálogo íntimo vira aprendizado e o alívio pode ser sentido. 

Cada palavra que nasce transborda em verdade, ajudando o coração a se organizar. Os registros são como sementes de autoconhecimento, trazendo cuidado e escuta interior, acolhendo e aceitando as imperfeições como parte do processo da nossa jornada. 

Mas, ao longo do percurso, vamos crescendo, os anos vão passando e os nossos cadernos ficam esquecidos. Deixamos de acreditar na sua função ou até mesmo achamos que já não temos mais idade ou o período que vivemos não é propício para isso.

Resgatar esse momento de espontaneidade, é trazer um aliado ao nosso desenvolvimento socioemocional, pois auxilia na sensação de bem-estar e regulação emocional.

Cultive o diário. Traga a forma que melhor se adapta à sua rotina. Separe um lugar tranquilo e deixe o pensamento fluir. Se permita esvaziar, transformando cada momento em um encontro consigo mesmo. Faça relações com os acontecimentos e as sensações. 

Com o tempo, você vai perceber que o diário revela mudanças. E quem faz uso dele, vai se tornando mais leve, sereno, inteiro. 

 

Até a próxima quarta!

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Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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