O poder do amor

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O amor é a correnteza que se adapta e se reinventa continuamente. É a brisa que se faz sentir mesmo na ausência do vento, o silêncio que preenche os vazios com palavras que jamais precisaram ser ditas. Nos envolve nas amizades, nas coisas, nos lugares, nos animais, nas pessoas ou até mesmo em pequenos objetos.

Inúmeras são as manifestações, trazendo dentro de suas raízes uma conexão que fornece o sustento necessário para que possamos passar por grandes tempestades e longas secas.

O amor pelos lugares guardam pedaços de quem fomos no passado e de quem aprendemos a ser. Ruas, casas, paisagens, cidades, bancos de praça que acolheram despedidas, janelas que escutaram nossos pensamentos mais íntimos, cafés que serviram de abrigo para nossos recomeços difíceis mexem com o nosso interior de forma intensa.

Mas, também se expressa na forma de um abraço apertado, um livro que teve suas páginas sublinhadas, uma fotografia que o tempo desbotou ou mesmo uma xícara lascada. O amor tem o poder de transformar um simples artefato em uma verdadeira caixa de afetos.

Como a potência da lua cheia, capaz de iluminar até os cantos mais escuros da nossa vida, o amor entre as pessoas se torna visível mesmo na escuridão, oferecendo contorno, revelando a beleza complexa dos momentos que são compartilhados.

Amar alguém é aceitar o risco da vulnerabilidade. É conceder ao outro a permissão para que ele veja nossas imperfeições, nossas sombras escondidas e nossos medos. É o ato de reconhecer o outro como um universo próprio, completo com seus sonhos e suas dores, sem a pretensão de moldá-lo à nossa própria imagem e existência.

Igualmente profundo e transformador é ser amado. Quando nos permitimos receber o amor, assim como desenvolvemos amor próprio, algo interno se reorganiza. Passamos a nos recordar, com suavidade, que somos dignos de cuidado, de afeto. Ser amado é descansar na certeza inabalável de que não estamos sós, mesmo quando o mundo exterior se apresenta excessivamente ruidoso e caótico.

E é nessa dinâmica que reside a mágica silenciosa do amor. Ele humaniza as interações, consegue desacelerar a pressa implacável dos nossos dias e nos convida a observar tudo com uma atenção mais aguçada e carinhosa.

Amar e ser amado nos traz compreensão profunda de que, apesar de todas as adversidades do existir, é o amor em todas as suas múltiplas e adaptáveis formas, que confere sentido e torna a caminhada menos solitária, mais humana e viva.

Até a próxima quarta!

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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