Blog de Camilla Fiorito

Agrados e desagrados

quarta-feira, 13 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Agradar. Se agradar e agradar o outro.

Agradamos. Não sempre. Não totalmente.

Realizamos coisas todos os dias que vão agradar e desagradar os demais.

Viver uma vida com o foco em agradar aquele que está na nossa frente, traz um eu que não é o real. O eu que realmente mostra de fato quem nós somos ou uma faceta mais próxima de nós mesmos fica escondido, em um lugar muito distante e profundo.

Agradar. Se agradar e agradar o outro.

Agradamos. Não sempre. Não totalmente.

Realizamos coisas todos os dias que vão agradar e desagradar os demais.

Viver uma vida com o foco em agradar aquele que está na nossa frente, traz um eu que não é o real. O eu que realmente mostra de fato quem nós somos ou uma faceta mais próxima de nós mesmos fica escondido, em um lugar muito distante e profundo.

Nos podamos de variadas formas, como se estivéssemos diminuindo o tamanho das folhas de papel, para escrever a nossa própria história. As folhas ficam pequenas para caber todas as palavras necessárias e descrever, em cada linha, o que gostamos e não gostamos, o que concordamos e discordamos, o que aceitamos e não aceitamos, o que queremos e não queremos, o que temos de visão de passado, presente e futuro.

Somos seres pulsantes dotados de sentimentos, pensamentos e visões que se manifestam a todo vapor. Como uma grande locomotiva, que, sobre os trilhos, faz “toc-toc” sem parar, com força e rapidez.

Passa por curvas e mais curvas, estações e estações, proporcionando vistas maravilhosas que trazem paz, mas que também revelam barulho e agitação, despertando diversos sentimentos que se misturam e intensificam em cada cenário apresentado, agradando e desagradando.

Nos agradamos e sentimos desagrados em cada pedaço que forma a nossa vida e falar sobre isso não pode ser tabu ou uma crença inquebrável e inquestionável por medo ou por qual motivo for.

Pessoas passam anos dentro de relações sociais, familiares, amorosas e profissionais ocultando a verdadeira face de ser quem se é. O preço pago é algo imensurável, incalculável e que resulta em grande impacto emocional, mental e social.

Agradar para caber é desagradar a si mesmo. É não se ter em primeiro plano, mas, sim, em um lugar muito abaixo daquele que, na verdade, teria que estar no topo, como na montanha mais alta, assistindo ao lindo pôr do sol.

Deixar de ser quem somos, fere a essência.

Antes de se podar, pare, respire, reflita e jamais esqueça: você é o que há de mais valor. Só conseguimos valorizar o outro com verdade quando nos valorizamos. E isso, é um agrado incontestável, que precisa estar implícito, sem tempo para depois.

Até a próxima quarta!

……..

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O consumo anestésico de cada dia

quarta-feira, 06 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Consumimos música, livros, filmes, roupas, comida, bebidas, tecnologia analógica e digital diariamente. Gastamos nosso tempo nos alimentando de futilidades e utilidades, moldando o nosso cérebro com aquilo que achamos que queremos.

Um consumo desenfreado como se as preocupações, tristezas, problemas fossem desaparecer por alguns minutos. Como um caminhar nas lindas plantações de lavanda, onde o cheiro suave relaxa o nosso ser de forma profunda, despertando sonhos e prazeres que muitas vezes guardamos em segredo.

Consumimos música, livros, filmes, roupas, comida, bebidas, tecnologia analógica e digital diariamente. Gastamos nosso tempo nos alimentando de futilidades e utilidades, moldando o nosso cérebro com aquilo que achamos que queremos.

Um consumo desenfreado como se as preocupações, tristezas, problemas fossem desaparecer por alguns minutos. Como um caminhar nas lindas plantações de lavanda, onde o cheiro suave relaxa o nosso ser de forma profunda, despertando sonhos e prazeres que muitas vezes guardamos em segredo.

Sim, o consumo traz essa paz momentaneamente, mas pode virar o pior pesadelo. Nas contas, no guarda roupa, na pele, na vida. Internamente e externamente.

Lembro dos meus 17 anos quando eu trabalhava em uma loja de roupas, na Rua Ariosto Bento de Mello, na nossa Nova Friburgo. As calças vendidas no espaço eram objetos de desejo de muitos, assim como eram os meus antes de trabalhar lá. Já as vestia desde os 13 anos. Presenciei ali pessoas consumindo, consumindo e consumindo. Com controle, sem controle. Semanal, quinzenal, mensal, esporadicamente.

O que consumimos molda o nosso futuro. Nos anestesia ou não nessa prática da vida. Comportamentos perpetuam, cessam, se renovam e estar anestesiado hoje nos coloca em uma inércia galopante.

A cultura que deixamos de ter, os conhecimentos que escolhemos não reter, a alienação que optamos sem perceber, visto o tanto que os algoritmos trabalham a esse favor nas redes sociais, que consomem boa porção do dia de muitos que fazem parte desse mundo insano e sano.

Desenvolver a criticidade nos faz questionar o porquê do consumo. Se é necessário ou não. Se combina ou se é imposto por uma moda que não queremos seguir. Se só existe uma fonte de conhecimento ou muitos canais que podemos pesquisar. Se realmente gostamos daquilo que está nos sendo oferecido ou apenas queremos ser aceitos naquele ambiente, onde hipoteticamente acreditamos ser o melhor lugar.

Não aceitar o consumo como anestésico é dar voz ao seu eu que estava adormecido. É passar a se impor, deixando entrar aquilo que faz bem, traz sentido. O que você permite e quer.

É não se deixar alienar diante de moldes impostos e prontos. É questionar, impor limites e ter a certeza que a sua opinião é válida, assim como os seus desejos e vontades de consumir aquilo que lhe convém e cai bem.

É dar adeus para a apatia e a indiferença e deixar as emoções entrarem, como a natureza que nos envolve com o doce perfume que as flores exalam no nosso caminhar.

Até a próxima quarta!

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A prática da gratidão

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Quando agradecemos, passamos a trazer o pensamento positivo para o nosso momento, o barco da ansiedade começa a desligar o motor e a resiliência vai aumentando de forma significativa. 

A felicidade fica mais presente, trazendo com ela uma paz interior e uma agradável sensação de contentamento. As decepções, perturbações e outras vivências profundas são sentidas, mas vividas de outras formas, sendo organizadas através de um outro olhar. 

Cuidamos mais do nosso corpo, da nossa mente, focando naquilo que é positivo, onde focar no positivo não quer dizer que o negativo e as coisas que não saíram como planejado não existiram. É treinar a mente para tirar o melhor das ações que acontecem na nossa vida, trazendo aprendizado para cada um de nós, mesmo em situações extremamente desafiadoras e difíceis de lidar. 

Ser uma pessoa grata, melhora as nossas relações e expressar isso pode ser algo usual para uns e não para outros. Mas, quando agradecemos, reconhecemos o valor das coisas nas mais singelas entrelinhas.

Praticar a gratidão é um exercício que precisa de persistência, perseverança. Não começa amanhã ou depois, começa agora. 

E você,  tem praticado a gratidão?

Até a próxima quarta!

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Estar de alma

quinta-feira, 23 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Estar com aqueles que amamos vai além de datas comemorativas. Eu nunca fui de datas, por mais que eu saiba os dias de aniversário das pessoas que fazem parte da minha vida de cor, e não espero que o outro se lembre do dia que vim ao mundo. Aliás, datas comemorativas mexem com uma parte interna que até hoje questiono: estar com quem amamos vai além disso. Muito além.

Estar com aqueles que amamos vai além de datas comemorativas. Eu nunca fui de datas, por mais que eu saiba os dias de aniversário das pessoas que fazem parte da minha vida de cor, e não espero que o outro se lembre do dia que vim ao mundo. Aliás, datas comemorativas mexem com uma parte interna que até hoje questiono: estar com quem amamos vai além disso. Muito além.

Conheço famílias que se reúnem em momentos específicos, apenas em comemorações, tiram fotos e mostram que ser família é aquele instante Doriana, onde nos comerciais desta margarina, todos festejam e sorriem, mostrando uma felicidade e união que é inexistente no dia a dia.

Ser e estar vai muito além disso, assim como a construção do que temos como família vai de acordo com a percepção de cada um. Temos a família biológica, a família que vivemos, a família que temos, a família que idealizamos, a família que escolhemos, onde os amigos têm participação crucial e irrevogável.

Estar é fazer-se presente e podemos exercer isso de muitas maneiras, pois estar em um lugar não significa viver por completo o instante que nos permite permanecer corporalmente.

Estar sem querer é como se estivéssemos em uma sala repleta de pessoas desconhecidas, sem se sentir à vontade de manter-se ali, vivendo aquele momento. O pensamento sai e se expande para outra esfera, onde o coração acelera e a vontade de ir sufoca as entranhas, que permanecem trêmulas percorrendo todo o nosso corpo. Nos deixa esgotados emocionalmente, ferindo à nós mesmos de um jeito indescritível. Diferente do não estar por não poder. Estar de alma é como se estivéssemos percorrendo por entre o silêncio do amor, que nos conforta. Subindo e descendo bosques que nos trazem paz, apreciando o mar e contemplando aquilo que mais nos dá prazer.

Nesta semana, é o aniversário do meu pai. São 70 anos vividos e sentidos com muitas lutas, dores e alegrias. Não estarei presente fisicamente, mas estarei de coração e por inteiro. Papai é uma daquelas pessoas que me fez perceber desde cedo que datas não precisam ser comemoradas, mas os momentos devem ser vividos, com intensidade e verdade.

Me mostrou que a vida é o agora, onde muitos caminhos, às vezes, de forma sinuosa, trazem obstáculos, mas também profundidade.

Herdei a sua intensidade, o seu modo de fazer até dar certo, a sua resiliência e perseverança. A presença e a nossa relação foram desenvolvidas através de uma prática não convencional, mas a segurança e a confiança se estabeleceram com uma solidez rara.

A dinâmica da nossa vida adulta nem sempre faz com que consigamos estar no mesmo lugar que o outro, mas a presença ultrapassa todos esses pontos.

Celebrar conquistas, a vida e qualquer outro momento que desejamos não precisa ser em datas específicas.

Celebre, seja em qual dia for!

Até a próxima quarta!

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Poesia, um ato de resistência

quarta-feira, 15 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Poesia, poesía, poésie, poesie, poesi, poezija, poetry, puisìa, költészet, filíocht, mele, poesis, poezie, poezja.

Os idiomas são inúmeros, mas poesia será sempre poesia. Melodias que trazem profundidade emocional ao coração, paixão aos olhos e musicalidade aos ouvidos.

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Os idiomas são inúmeros, mas poesia será sempre poesia. Melodias que trazem profundidade emocional ao coração, paixão aos olhos e musicalidade aos ouvidos.

Comecei a entender a poesia na adolescência. A arte era criada através de singelas expressões, que ficavam invisíveis aos olhos, mas latente no meu eu mais profundo. Assim como folhas e mais folhas que se juntavam, dia após dia, por anos. Aquilo que não conseguia ser dito em palavras e extrapolavam o peito, eram transformados em escritas únicas, com sentimentos puros. As letras ocupavam o papel com rapidez, a caneta e o lápis deslizavam por entre as linhas, transformando medo em bravura, dor em recomeço, tristeza em esperança.

Bravura, recomeço esperança. Cada palavra com seu significado e potência, que, quando juntas, formam uma suntuosa composição poética, onde o maior tesouro está prestes à se formar e ser revelado.

O olhar que contempla, o sorriso que confidencia, as lágrimas que caem, o corpo que treme, o ser que transborda. A poesia mexe com tudo e todos. Os sentimentos e as experiências vão se formando, ponto a ponto, onde o sentir e experienciar é vivido de forma singular por cada sujeito, por cada um de nós.

Poesia é um ato de resistência. Provoca e mostra que somos seres em constante movimento, com aprendizados e vivências. Deixa claro que a sensibilidade existe e os estímulos surgem de maneiras descritíveis e indescritíveis, decifráveis e indecifráveis. Que o profundo é real e se espalha em diversas direções, atingindo pontos que jamais pensamos ser alcançados.

A poesia move. Traz um turbilhão interno que queima como um vulcão em erupção. Acende faíscas, onde, anteriormente, pareciam estruturas serenas, como uma imensa plantação de lírios e lavanda.

A poesia desperta. Tira a inércia do sono intenso, deixando a procrastinação distante e trazendo alívio.

A poesia está ao nosso redor, mas para senti-la e vivê-la, é preciso tirar o véu que transpassa e esconde o que é belo. Está nas coisas mais simples e nas mais grandiosas. Perceber esse movimento é sair do piloto automático e resistir à um mundo de excessos.

Sinta, viva o momento!

A poesia transforma.

Até a próxima quarta!

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A pressa que domina

quarta-feira, 08 de abril de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Apressado. O mundo está com pressa. Uma pressa que atropela e traz um efeito manada, sem freio. 

O tic tac do relógio não tem fim. A mente não desliga, as tarefas não acabam, os papéis se acumulam, os turnos se fundem e o horário do descanso custa a chegar ou, simplesmente, não chega.

Apressado. O mundo está com pressa. Uma pressa que atropela e traz um efeito manada, sem freio. 

O tic tac do relógio não tem fim. A mente não desliga, as tarefas não acabam, os papéis se acumulam, os turnos se fundem e o horário do descanso custa a chegar ou, simplesmente, não chega.

Isso me faz lembrar da primeira vez que me mudei para a cidade do Rio de Janeiro. Na época, eu era uma jovem de 20 anos, cheia de vontade e determinação, com ousadia e fome de viver. A rotina, o movimento, os boletos, o trânsito, a responsabilidade, o barulho, as horas nos incontáveis ônibus ao longo do trajeto casa, faculdade, trabalho, casa ocupavam um espaço sem trégua. Parecia que as vinte e quatro horas do dia não eram suficientes. E não eram. 

A vida apressada passava por cima de um mero momento de sossego. O ócio era um luxo quase que inacessível, incalculável e muito esperado, mas o parar não era uma opção. Segunda à sexta, sábado, domingo e feriado. As pausas realizadas uma vez por semana eram ineficientes dentro daquilo que o corpo pedia e o emocional demandava.

As contas que precisamos dar, não fecha com os marcos finais que precisamos impor. As interrupções são necessárias. As suspensões das atividades são merecidas e inegociáveis. O parar traz autoconhecimento e conexão com a nossa voz interior, que, por falta de um olhar generoso para nós mesmos, acaba ficando silenciada e perdida. A autopercepção, essa sim, se faz urgente. Trazer essa visão, sem atropelo, desperta um novo funcionamento e entendimento de si mesmo.

A expressão “dar um passo para trás para dar dois na frente” ficou esquecida, mas, quando relembrada, mostra o quanto desacelerar é vital para que tenhamos uma vida mais regulada, ajustada e equilibrada, seja emocionalmente ou socialmente.  

Pausar é preciso. Quem coloca os limites somos nós mesmos. Já parou para colocar o seu? 

Até a próxima quarta!

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A importância das despedidas

quarta-feira, 01 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Nunca sabemos a hora certa de seguir e de deixar ir. Nos apegamos ao cheiro, ao momento, ao espaço, à voz, à rotina, às pessoas. Desenvolvemos laços fortes que enlaçam como uma corrente poderosa que não pode e não quer ser quebrada. 

Nunca sabemos a hora certa de seguir e de deixar ir. Nos apegamos ao cheiro, ao momento, ao espaço, à voz, à rotina, às pessoas. Desenvolvemos laços fortes que enlaçam como uma corrente poderosa que não pode e não quer ser quebrada. 

A base sólida penetra e se instala, trazendo percepções que acalentam e acomodam. Mas o alicerce pode ruir de forma inesperada, como um castelo de areia que desmorona em míseros segundos, fazendo com que cada grão trace uma direção que não era planejada. Quando acontece, ver tudo aquilo que foi construído ir embora, é doloroso. Sangra de forma silenciosa. 

É como se percebêssemos que tudo aquilo que elaboramos, desenhamos, sonhamos, esperamos não fosse se concretizar, pois o aqui e agora pode mudar em um pequeno espaço de tempo. Sim, pode mudar. Não é estático, imóvel, sem alterações. A vida é movimento, vivacidade, calor, entusiasmo, vitalidade, vigor, cor e sabor. 

Deixar ir e seguir adiante mexe com toda uma estrutura que desestrutura e estremece o nosso ser. A maturação demora e ressignificar, às vezes, parece impossível. 

Se despedir daquilo que amamos, queima as nossas entranhas. Deixar o que estimamos, desejamos, construímos, acreditamos, é um processo que desencadeia uma trama que nos envolve em tantos formatos e pontos. 

Lembro das minhas perdas. Foram muitas. Familiares, amigos, animais de estimação, objetos, aquilo que não tive e que poderia ter. Também precisei deixar ir e seguir adiante em empregos, relações com pessoas que faziam parte do meu círculo social, mudanças de cidade e decisões importantes. Processos que causaram dor, mas que foram necessários para o meu crescimento pessoal e emocional. O tempo de assimilação e entendimento foi moroso, onde cada acontecimento teve a sua duração. Uns mais, outros menos.

O caminho que percorremos ao longo da vida, esse que nos surpreende a todo instante, deixa de forma límpida que, diariamente, perdemos e ganhamos. Porém, nunca estamos prontos para perder, mas, na maioria das vezes, estamos à espera do ganhar. Um ganhar que nos faz ir adiante com sentimento de dever cumprido, mesmo tendo que abrir mão de algumas pontuações, para continuarmos em frente. 

Deixar ir e seguir fazem parte da nossa trajetória. O luto precisa ser vivido, respeitado e sentido por cada um à sua maneira, assim como as decisões devem ser consideradas em sua totalidade e profundidade, para que o trajeto fique mais fluído.

Siga o fluxo! 

Até a próxima quarta!

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Entre o vazio interno e o desejo de estar junto

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Camilla Fiorito

Vazio, vago, frívolo, fútil, junto, unido, reunido, distanciado, isolado, excluído, separado.

Se sentir parte de um grupo ou de um lugar traz o pertencimento. A sensação de um pertencer que, nem sempre, deixa claro o real desejo de estar.

Me lembro da minha juventude, onde não me sentia confortável com as piadas sem graças, as ações inadequadas disfarçadas de brincadeiras, os insultos que não dava para deixar para lá. Não me esforçava para caber. O estar precisava ter sentido e vir de encontro com que eu tinha como escolha de vida.

Vazio, vago, frívolo, fútil, junto, unido, reunido, distanciado, isolado, excluído, separado.

Se sentir parte de um grupo ou de um lugar traz o pertencimento. A sensação de um pertencer que, nem sempre, deixa claro o real desejo de estar.

Me lembro da minha juventude, onde não me sentia confortável com as piadas sem graças, as ações inadequadas disfarçadas de brincadeiras, os insultos que não dava para deixar para lá. Não me esforçava para caber. O estar precisava ter sentido e vir de encontro com que eu tinha como escolha de vida.

Aquela jovem continuou se transformando. Décadas depois, permaneço não gostando das mesmas coisas e um pouco mais. O esforço para me encaixar é quase inexistente. Levo comigo uma certeza ainda maior quando percebo todo conhecimento profissional que busquei e trago à memória o ditado que tanto ouvia da minha saudosa avó Berna: “Para todo pé cansado há sempre um chinelo velho”.

Sim, sempre há, mas, às vezes, não conseguimos perceber e enxergar. Achamos que onde estamos é o único lugar palpável, assim como as pessoas que estão ao nosso redor. Não é sobre perfeição ou não lidar com aqueles que são diferentes daquilo que somos. É sobre o encaixe ideal, real, com imperfeições, erros e acertos, onde o desejo de estar junto preenche o vazio interno que se sobressai quando estamos em um lugar que não cabemos de verdade.

Por mais difícil que possa parecer, o medo de ser não pode ser alimentado pela vontade de pertencer, pois quando realmente pertencemos não precisamos nos diminuir para caber. Não há superficialidade.

Não somos potes fechados com tampas que não fazem parte da coleção, apenas para não deixar o seu interior exposto. Possuímos essência e desejo latente, que nos constitui como ser humano repleto de gostos, vontades e especificidades.

Respeitar quem nós somos de verdade, é estabelecer limites, sustentar os nossos valores morais e éticos. É não deixar os nossos princípios em segundo plano, escorrendo por entre os dedos como a areia fina da praia. É ser forte como a rocha, que sustenta as batidas das ondas na costa do mar.

Não se acomode para pertencer. Seja quem você realmente é. Se acolha e viva com verdade!

Até a próxima quarta!

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Renascendo no caos

quarta-feira, 18 de março de 2026
por Camilla Fiorito

Renascer, renovar, ressurgir no descontrole, na desordem, nos descontrola em um todo, trazendo movimentos que não conseguimos nomear.

O desequilíbrio e a confusão nos tira do centro. Emergir, aflora, desponta aquilo que procuramos guardar na nossa caixa, onde muitas facetas de nós mesmos se encontram. Traz ódio, tristeza, indignação, medo, decepção, cobrança, desalento, desconforto, insegurança que fazem com que a saúde mental fique inteiramente desorganizada.

Renascer, renovar, ressurgir no descontrole, na desordem, nos descontrola em um todo, trazendo movimentos que não conseguimos nomear.

O desequilíbrio e a confusão nos tira do centro. Emergir, aflora, desponta aquilo que procuramos guardar na nossa caixa, onde muitas facetas de nós mesmos se encontram. Traz ódio, tristeza, indignação, medo, decepção, cobrança, desalento, desconforto, insegurança que fazem com que a saúde mental fique inteiramente desorganizada.

O caos desorganiza nossos sentimentos. Nossas emoções se entrelaçam, o entender e nomear aquilo que se mistura dentro do corpo se torna obscuro, o estresse fica fomentado e a intensidade elevada.

É como se estivéssemos nos movendo em terras hostis não habitadas. A coragem de se mover com segurança e bravura diminui. As movimentações ficam como um andar à cavalo sem cela e ferradura em trajetos montanhosos, sinuosos e rochosos. Difícil de seguir e continuar.

As antenas emergenciais e a autocobrança ficam em alerta total, questionando o controle que precisa estar em ordem diariamente, em todos os instantes. Mas, ao mesmo tempo, as transformações são realizadas dentro de um espaço que traz horas, minutos e segundos limitados para autorregulação emocional e comportamental. O relógio não para. A vida precisa seguir, ir à diante, mesmo com todas as adversidades que cercam a nossa trajetória.

Quando o controle desmorona, evidencia um excesso. Excessos que vamos nos permitindo avançar em diversos pontos da nossa rotina. O excesso de trabalho, o excesso de tarefas que desenvolvemos na rotina pessoal, o excesso que a sociedade espera que cada um de nós realize, o excesso daquilo que foi dito e escutado, o excesso em dar conta de tudo e de todos. Não, nenhum excesso é vigoroso. Excede o limite daquilo que é apropriado e saudável.

Dentro desse cenário, o caos se destaca e nos ensina muito. Torna claro o extrapolar. E a percepção dos extrapolamentos é algo necessário e libertador, nos lembra da hora crucial daquilo que não podemos mais deixar passar.

Respire, se conecte. Realinhe a estrutura, acolha as suas emoções com compaixão e calma, organize o corpo e os sentimentos, traga o que é essencial dentro do que precisa realizar.

Cada dia é um novo momento possível para seguir uma nova direção, atraindo mudanças significativas para o seu crescimento.

Seja resistência!

Até a próxima quarta!

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A difícil arte de ser mulher

quarta-feira, 11 de março de 2026
por Camilla Fiorito

Nunca se teve tão em voga os debates e discussões sobre a violência contra a mulher. Uma violência que vem velada de tantas formas e meios, seja de qual natureza for.

As palavras vão surgindo e uma imensidão de pensamentos inundam a minha mente, como se fossem flashes de um mundo que não está muito distante, pois a maior parte das mulheres já sofreu e faz parte de uma vasta estatística que jamais gostaria de estar.

Nunca se teve tão em voga os debates e discussões sobre a violência contra a mulher. Uma violência que vem velada de tantas formas e meios, seja de qual natureza for.

As palavras vão surgindo e uma imensidão de pensamentos inundam a minha mente, como se fossem flashes de um mundo que não está muito distante, pois a maior parte das mulheres já sofreu e faz parte de uma vasta estatística que jamais gostaria de estar.

“Lugar de mulher é em casa”, “Essa profissão não é para mulher”, “Ela não sabe sobre esse assunto. É mulher”, “Como uma mulher pode ganhar mais que um homem?”, “Esse esporte não é para mulher”, “Ela é mulher, não vai conseguir”, “Mulher direita não faz isso”, “Você vai sair assim?, “Se não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”, “Ah, você vai gostar. Para de falar não”, “Está demorando para casar. Vai ficar para tia”, “Como assim ainda não engravidou?”. Falas e mais falas escutadas por nós não apenas uma única vez, mas diversas vezes e em muitos contextos diferentes.

O lugar da mulher é onde ela desejar estar, realizando aquilo que tem vontade, se relacionando com quem se sente confortável, com seus reais sentimentos e conhecimentos validados.

As nossas escolhas profissionais, aquilo que usamos ou deixamos de usar, os relacionamentos que verdadeiramente queremos manter mais parecem mercadorias e objetos, que o outro decide se vai comercializar ou não, do que algo que diz sobre as especificidades de cada uma de nós como sujeito, como pessoa, como ser humano que precisa ser respeitado como todos os outros que fazem parte da sociedade que vivemos.

Saímos de casa pensando no caminho de volta, se estaremos dentro de uma condução sozinha, em uma rua com baixa iluminação ou pouco movimentada, com quem encontraremos no elevador, nas escadas, na calçada, com quem estaremos quando chegarmos em casa.

Sofremos em silêncio. A difícil arte de ser mulher demanda muitas facetas e frentes que são invalidadas com diversos questionamentos que ferem de forma avassaladora e desmerecem o medo real e constante que está suscetível no nosso ser. Traz à tona toda dor, vulnerabilidade e a certeza de que algum ato de violência pode acontecer a qualquer momento.

Falar, conscientizar, educar para um mundo mais igualitário e com uma convivência respeitosa, ética e responsável não é um papel específico de uma parcela da população. É um papel que precisa ser exercido por todos nós, diariamente.

Até a próxima quarta!

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