Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
O valor do tempo presente

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
A cada final de ano, desejamos, esperamos, sonhamos, imaginamos. Projetamos, dentro daquilo que acreditamos, o melhor que podemos dar e receber. O tempo e a disponibilidade são disputados dentro dos encontros marcados e realizados, presentes são criados, comprados e trocados. As celebrações no trabalho, na família, com os amigos viram rotina em um mês que traz a sensação de ser menor que todos os outros. Não porque possui menos dias, mas por ter inúmeros compromissos que são marcados apenas por ser o fechamento de um ciclo.
Um ciclo que passa e é sentido por cada um de nós de forma diferente, dentro das nossas crenças, cultura e vida. Para alguns, presentes são comprados, cartões e cartas são escritos e recebidos, comidas são preparadas e servidas, enfeites são colocados, gargalhadas de alegria são marcas registradas de um riso frouxo sem fim ou até mesmo nada disso, evidenciando escassez, solidão, um tempo vazio e de sofrimento, tristeza.
Isso me traz uma singela lembrança da minha infância, com a árvore de Natal branca com bolas de vidro vermelhas, que eu montava no mês de dezembro com a minha mãe, dos programas especiais que passavam na televisão, principalmente, do show do Roberto Carlos, que era algo que a minha saudosa avó Berna assistia ano após ano e que me traz uma bela recordação.
Constato que o melhor desses momentos não são as datas comemorativas em si, mas aquilo que passa despercebido e há de mais genuíno: o tempo presente. O valor do tempo presente se esconde nas lacunas entre um momento e outro, que celebra ou não momentos anuais. O estar com qualidade, em sua totalidade, mexe com as nossas sensações e sentimentos que, aos poucos, vão se tornando memórias que ficam vívidas e repletas de sensibilidade.
É como um rolo de filme Super 8 ou uma fita VHS, que guardamos como se fossem nossas relíquias. São itens raros e com valor emocional intenso, que conservam e resgatam experiências do nosso passado que queremos ou não lembrar.
O tempo junto, experenciado nas relações, deve ser sentido em sua plenitude, de forma real e não superficial, pois, no final, o que há de melhor é o que existiu com verdade.
Aproveite o final do ano e o tempo presente, com o valor que ele realmente merece.
Até a próxima quarta!
Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Deixe o seu comentário