Blog de Camilla Fiorito

Amizade intergeracional

quarta-feira, 04 de março de 2026
por Camilla Fiorito

Convivência, troca de experiências e saberes, encontros inusitados. Tudo isso chega dentro de uma junção de mundos, onde várias pessoas convivem dia após dia, com suas histórias, bagagens de vida, leituras de mundo.

“Ah, essa geração! Na minha época…”.

Uma fala que surge com frequência e vem carregada de tanto sentido e significado para quem transmite, mas, para quem escuta, pode chegar como um incômodo repentino.

Convivência, troca de experiências e saberes, encontros inusitados. Tudo isso chega dentro de uma junção de mundos, onde várias pessoas convivem dia após dia, com suas histórias, bagagens de vida, leituras de mundo.

“Ah, essa geração! Na minha época…”.

Uma fala que surge com frequência e vem carregada de tanto sentido e significado para quem transmite, mas, para quem escuta, pode chegar como um incômodo repentino.

Quem já viveu momentos distintos, acredita que a sua época era melhor que a atual. Mas, em contrapartida, há aqueles que afirmam que o melhor espaço de tempo é o aqui e agora. O hoje com todas as letras e o “Ih, não sabe de nada! Já passou o tempo…”, despertam também o desconforto em tantos outros.

A junção das vivências, o respeito mútuo, a conexão, a empatia, a disponibilidade para perceber e escutar quem é tão diferente, mas que também pode ser muito parecido, afloram conexões que não eram esperadas ou pensadas.

Tenho grandes amigas que possuem mais de 20 anos de diferença para a minha idade. Um número que não me assusta, mas que, por vezes, causa espanto, pois, geralmente, tem pouca probabilidade de acontecer.

Lembro quando comecei a conhecer uma amiga muito querida por mim. O ano era 2013. Um espaço de duas décadas separava a nossa geração. Um mero detalhe dentro de infinitas particularidades que nos conectava cada vez mais. Não havia como parar o percurso natural de tamanha afinidade.

Nascemos no mesmo mês, possuímos gostos muito parecidos e até os nossos maridos possuem o mesmo nome. Os preconceitos etários não se faziam e não se fazem presentes em nenhum dos lados.

Estar aberto a quebrar essas barreiras, que parecem muros inquebráveis, é dar lugar a uma troca de experiência que pode ser incrível para ambos os lados. Enriquece o desenvolvimento pessoal, social e emocional, trazendo inúmeras cores novas para a nossa vida.

E você, Já pensou em furar a bolha geracional? Há inúmeras pessoas no mundo que possuem mais do que você possa imaginar.

Até a próxima quarta!

……..

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Fora de foco

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
por Camilla Fiorito

Foco. Paro. Perco. Acho. Volto. Recomeço.

Focar em um mundo que se apressa e se perde em uma rolagem infinita em um objeto que passou a ser desejo de consumo de uma sociedade é um desafio constante.

As horas passam e ficamos na inércia que criamos e desenhamos dentro de um escopo que parece perdido.

Pausamos para alimentar nossa alma que clama por descanso. Um descansar que não desacelera e luta como se estivesse em uma grande batalha, onde o ciclo vicioso chega como um forte vilão.

Foco. Paro. Perco. Acho. Volto. Recomeço.

Focar em um mundo que se apressa e se perde em uma rolagem infinita em um objeto que passou a ser desejo de consumo de uma sociedade é um desafio constante.

As horas passam e ficamos na inércia que criamos e desenhamos dentro de um escopo que parece perdido.

Pausamos para alimentar nossa alma que clama por descanso. Um descansar que não desacelera e luta como se estivesse em uma grande batalha, onde o ciclo vicioso chega como um forte vilão.

O corpo recua, contorce contra a força da natureza que não se deixa vencer em um primeiro momento, mas se rende no vão de um espaço que ficou perdido.

O tic tac do relógio continua marcando cada pedaço que se estende em infinitos instantes que escapam, se perdem, se confundem.

A contemplação passa a ser secundária, o perceber o outro e se perceber ficam adormecidos em um sono profundo, que quiçá sabemos se acabará. O ler o livro que gosta, tomar uma xícara de chá à tarde, parar para o café, respirar com calma, escutar a música que relaxa, cuidar do corpo e da mente são ações que escapam de um autocuidado que não pode ficar para depois.

Mas será que conseguimos sair desse ciclo incansável e constante?

Dia após dia, o canto dos pássaros, os raios do sol pairando sobre a face, a brisa nos cabelos, o bater das ondas do mar, a fluidez da cachoeira, o cheiro das flores, os galhos das árvores se movimentando, as folhas caindo, o sol nascendo e se pondo, a lua subindo, a estrela surgindo e a chuva chegando acontecem sem sequer percebermos o deslumbramento de cada momento.

Quando achamos o foco de volta e despertamos o recomeço, o apreço se entrega à reflexão, a paz começa a se aproximar. A respiração, antes curta e acelerada, passa a ser sentida com calma e os detalhes perdidos são resgatados, admirados.

A precipitação e a necessidade de urgência vão dando lugar àquilo que é essencial: nós mesmos.

Se encontrar, olhar para si e se resgatar, mesmo no íntimo profundo, transforma cada dia em uma imersão, traz foco. Foco na própria vida, vivência, escolha, energia, tempo.

Separe os seus minutos mesmo quando a prostração teimar em ir embora, a resistência interna aparecer, o afobamento insistir em ficar. Seja o ponto central do seu momento!

Até a próxima quarta!

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Abre alas

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

“Ô abre alas que eu quero passar”, já dizia a marchinha de Carnaval de Chiquinha Gonzaga, criada em 1899.

Abrir passagem para plumas, paetês, confetes, serpentinas, alegria, encontros, gargalhadas, emoções, superação, criatividade em uma mistura de povos, onde a tristeza dá trégua por um breve instante e um mundo de fantasia passa a fazer parte durante alguns dias.

Me faz lembrar dos meus carnavais na infância, adolescência e juventude.

“Ô abre alas que eu quero passar”, já dizia a marchinha de Carnaval de Chiquinha Gonzaga, criada em 1899.

Abrir passagem para plumas, paetês, confetes, serpentinas, alegria, encontros, gargalhadas, emoções, superação, criatividade em uma mistura de povos, onde a tristeza dá trégua por um breve instante e um mundo de fantasia passa a fazer parte durante alguns dias.

Me faz lembrar dos meus carnavais na infância, adolescência e juventude.

Os biquínis que aprendi a bordar com minha mãe, as fantasias de She-ha, boiadeira e ciganinha para pular nas matinês da SEF e do Country Clube, a minha inesperada saída na ala de passista mirim da escola Alunos do Samba, após ser convidada pela minha fantasia a poucos minutos do desfile começar, a concentração do Bloco Dragões Alcoólatras, na Avenida Campesina, o Bloco dos Malas com sua total irreverência, o Bloco das Piranhas que abria a festa, os carros alegóricos parados após os desfiles, onde subíamos e nos sentíamos parte de uma magia que parecia não ter fim, a farra na Avenida Alberto Braune, os encontros na Rua Portugal para lanchar na Pizzaria Califórnia, o burburinho das escolas perto da minha casa na Rua Leuenroth, a dispersão nas praças Dermeval Barbosa Moreira e Getúlio Vargas, o bailinho no coreto.

São tantas as memórias do Carnaval em Nova Friburgo, que trazem uma singela sensação que passa a ficar indescritível em alguns momentos. O Carnaval traz isso. Um encontro de personagens inusitados, que desnuda, deixando você assumir diversos papéis, inclusive aquele de não querer participar da folia. É um espaço para todos, da forma que vier. Com ou sem máscaras.

É como uma viagem que você não precisa comprar a passagem, apenas escolher se deseja embarcar ou não, sabendo que experiências podem acontecer e transformar algumas percepções que temos da vida. Os dias passam rápido e as cinzas chegam para acalmar, refletir sobre o que passou e ficou. 

Uma combinação que acolhe, que resiste, que transforma, que traz um eu que fica escondido dentro das nossas mais profundas verdades. Mas ali, são evidenciados sem cortinas, onde um novo ser se abre para um palco que traz conforto e paz, onde as verdades secretas são expurgadas em um contexto carnavalesco, acalmando as entranhas que fervilham na vida real. 

Essa manifestação mexe na nossa íntegra, avassala. O batuque do tamborim, a musicalidade, o ritmo que faz os pés e os corpos se moverem em ondas, trazendo uma vivência flutuante, ressalta aquilo que está nos nossos mais íntimos segredos.

Viva! Nessa festividade ou fora dela, seja você. Com suas imperfeições, sentimentos e vontades!

Até a próxima quarta!

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A rigidez em um mundo que pede flexibilidade

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

“Eu nasci assim, sou assim e vou morrer assim”
Essa fala ecoa de forma profunda. Evidencia medo, insegurança, resistência à mudança em um mundo que muda constantemente.

Mudamos de visão, de sentimento, de percepção, de opinião, de aceitação, de gosto, de pensamento, de estilo de vida, de postura, de comportamento, de organização interna e externa.

A nossa mente cria vários mecanismos que são sentidos no corpo, na nossa respiração, temperatura e em sensações que causam desconforto, trazendo constrangimento, seja para si mesmo ou para o outro.

“Eu nasci assim, sou assim e vou morrer assim”
Essa fala ecoa de forma profunda. Evidencia medo, insegurança, resistência à mudança em um mundo que muda constantemente.

Mudamos de visão, de sentimento, de percepção, de opinião, de aceitação, de gosto, de pensamento, de estilo de vida, de postura, de comportamento, de organização interna e externa.

A nossa mente cria vários mecanismos que são sentidos no corpo, na nossa respiração, temperatura e em sensações que causam desconforto, trazendo constrangimento, seja para si mesmo ou para o outro.

O medo que nos silencia paralisa e, com ele, vem um grande barco à vela que pode naufragar a qualquer momento. A insegurança resiste, o “eu sempre fui assim” soa como uma âncora de defesa, mas que pesa mais que o esperado. Faz o barco ficar desequilibrado. A segurança escapa por entre as frágeis tramas da rede de pesca, que não se sustentam na maré agitada.

As inúmeras possibilidades de mudança bagunçam a falsa segurança, que traz a estagnação de forma cômoda, mas o barco precisa seguir. Passar por marés altas, baixas, serenas, confusas e turbulentas nos traz boas oportunidades de lidar com as nossas frustrações e proporciona bons momentos de aprendizagem.

Nosso crescimento e desenvolvimento socioemocional acontece de forma contínua. Dia após dia, vamos aprimorando e refazendo as nossas lentes que, às vezes, parecem sujas, rachadas, arranhadas, quebradas, embaçadas. Precisamos limpar e atualizar as nossas lunetas, para que a navegação fique mais leve, límpida, trazendo boas experiências para essa viagem mágica que é a nossa vida.

A falta de flexibilidade pode gerar muitos conflitos, assim como a flexibilidade em excesso, onde jogamos fora a nossa essência no mar, sem possibilidade de resgate. O oito ou oitenta, faz ou não faz, é isso ou aquilo, funcionamentos rijos ou soltos demais, nos tiram da fase de negociação, que é importante para mantermos o equilíbrio. Nenhum excesso é salutar.

A adaptação entra como uma grande convidada para essa aventura em águas que se modificam de forma incessante, onde a resolução de contingências passa a ser tratada sem a densidade que outrora fez parte.

Ser flexível é estar aberto à renovação, é ser adaptável. Não é ser permissivo ou passivo, mas, sim, se adaptar sem perder a sua essência, pois renovar faz parte desse mundo que vivemos.

Até a próxima quarta!

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Quando tudo precisa ser espetáculo

quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Rolando o feed das redes sociais, percebo o excesso
 

A performance parece não ter fim. O compartilhamento de fotos, textos, vídeos, mostrando tudo e mais um pouco invade a tela. Os lugares que passou, o que viu, o que comeu, o que percebeu, o que sentiu, o que pensou, tudo nos mínimos detalhes. A sociedade pede isso. As pessoas esperam por isso. Acompanham o dia a dia, como se fosse uma novela da vida real, repleta de capítulos sem fim, onde a rotina precisa ser explanada, escancarada. Alguns com mais recortes, outros menos.

Rolando o feed das redes sociais, percebo o excesso
 
A performance parece não ter fim. O compartilhamento de fotos, textos, vídeos, mostrando tudo e mais um pouco invade a tela. Os lugares que passou, o que viu, o que comeu, o que percebeu, o que sentiu, o que pensou, tudo nos mínimos detalhes. A sociedade pede isso. As pessoas esperam por isso. Acompanham o dia a dia, como se fosse uma novela da vida real, repleta de capítulos sem fim, onde a rotina precisa ser explanada, escancarada. Alguns com mais recortes, outros menos.
Isso me faz lembrar da primeira vez que assisti "Queda Livre”, episódio da terceira temporada da série Black Mirror. As interações sociais eram avaliadas com zero a cinco estrelas e a nota média definia o status e o acesso aos serviços dentro daquele universo mostrado. Quanto maior a pontuação, maior o prestígio ou a falsa sensação dele, em uma rotina de mentiras, enraizadas em um lugar profundo.
A aprovação esperada pelo outro faz com que o excesso fique cada vez mais exposto. Quanto mais eu performo, mais terei seguidores, mesmo que esse culto ao espetáculo traga superficialidade nas relações e na própria vida.
Mas, ledo engano quem acha que essas ações, que chegam como um jato supersônico, não causam danos à saúde mental, social e emocional.
Diante de tantas perfeições aos olhos escondidas atrás de imperfeições guardadas e represadas que não se sustentam ao longo do processo da nossa jornada, a lucidez de ser quem se é, sem filtros, causa estranheza.
A natureza de um corpo que envelhece, uma perda que acompanha, um erro que faz parte, uma dúvida que paira, um silêncio que bate à porta, uma opção pela privacidade aqui e acolá dentro de um sistema onde nada mais é privado, são luxos dentro de uma competição instalada de forma visível ou invisível, onde vence quem expõe mais. Ou será que a vitória vem para quem expõe menos?
Um vencer e perder impostos, que na verdade camufla a verdade oculta.
Quem define o poder das rédeas dessa história somos nós. Aquilo que queremos mostrar ou guardar, como o que contamos ou guardamos em segredo vem das nossas escolhas, mesmo que algumas possam nos tornar estranhos no ninho, em uma era de atuação constante.
Seja verdade! Siga além das aparências, com leveza e veracidade. A grama do vizinho não é mais verde que a sua. Aliás, todos nós temos uma grama que não foi tratada e cultivada.
Até a próxima quarta!
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Dizer “eu sinto”

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Sentimos.

Sentimos o caos, a vida, o amanhecer, o entardecer, o anoitecer.

As folhas das árvores caindo, a chuva descendo, as ondas do mar batendo, o vento soprando, a alegria transbordando, a tristeza fincando, a raiva desorientando, a ansiedade pulsando. A música vibrando, o carro andando, a roda girando, o sono chegando, o tempo passando.

Somos dotados de sentimentos e emoções que invadem o nosso ser sem pedir licença, transformando um dia sereno em uma tempestade ou vice-versa.

Sentimos.

Sentimos o caos, a vida, o amanhecer, o entardecer, o anoitecer.

As folhas das árvores caindo, a chuva descendo, as ondas do mar batendo, o vento soprando, a alegria transbordando, a tristeza fincando, a raiva desorientando, a ansiedade pulsando. A música vibrando, o carro andando, a roda girando, o sono chegando, o tempo passando.

Somos dotados de sentimentos e emoções que invadem o nosso ser sem pedir licença, transformando um dia sereno em uma tempestade ou vice-versa.

Falar sobre o nosso próprio sentir não é fácil. Às vezes, não conhecemos ou não sabemos nomear e descrever as emoções que transbordam dia após dia.

Lembro, quando mais nova, que a vergonha me encontrava por não conseguir falar com clareza o que eu sentia. Quiçá, por achar que sentia demais, diferente das outras pessoas, e por não entender todos os sentimentos que fazem parte da natureza humana.

Ao longo da minha caminhada pessoal e profissional, esse sentir foi ficando mais cristalino e, hoje, aqui me encontro, falando e trabalhando com desenvolvimento socioemocional. 

Voltar o olhar para o nosso interior, acolher e expressar sentimentos com autenticidade, sem ferir a si mesmo e ao outro, envolve abertura, entendimento, desenvolvimento.

Externalizar o que nos consome, evita que o sentir se transforme em correntes pesadas de chumbo, que carregamos sem precisar. E, se a voz falhar ou faltar, as palavras podem ser organizadas em letras que dançam no papel, para depois serem proferidas, com calma e verdade.

Respire fundo! Se permita dizer “eu sinto”! 

“Eu sinto tristeza quando você fala dessa forma comigo”, “Eu sinto o mundo vibrar quando estou ao seu lado”, “Eu entendo o seu ponto de vista, mas me sinto cansado”. “Eu sinto que não sou mais como antes”.

Frases que deixam de ser ditas e que, quando abraçadas, trazem transparência para a vivência, irradiando saúde socioemocional.

Essa prática pode trazer alguns desconfortos no início, mas, depois, o conforto vem como o passear em uma canoa no lago sereno. O peso carregado vai se dissolvendo, dando lugar a conexões mais puras e profundas.

Abandonar essas amarras, desperta uma comunicação mais assertiva e fluida, garantido que a nossa essência seja respeitada, resguardando o amor próprio e a paz, fortalecendo o bem-estar físico, social e emocional.

Até a próxima quarta!

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Vínculos em tempos digitais

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Navegamos em oceanos, onde fios invisíveis criam pontes de pixels entre pessoas que se conhecem e se tocam sem se ver. Uma versão editada de nós mesmos se conecta ao outro através de uma imagem, um vídeo, uma palavra escrita postada.

Cada clique e rolagem infinita nos envolve em um labirinto de superficialidade, em uma busca por algo a mais que não sabemos ao certo o que é. Mas o toque virtual não substitui o abraço real. O sorriso nas redes não preenche a solidão de um olhar perdido e vazio.

Navegamos em oceanos, onde fios invisíveis criam pontes de pixels entre pessoas que se conhecem e se tocam sem se ver. Uma versão editada de nós mesmos se conecta ao outro através de uma imagem, um vídeo, uma palavra escrita postada.

Cada clique e rolagem infinita nos envolve em um labirinto de superficialidade, em uma busca por algo a mais que não sabemos ao certo o que é. Mas o toque virtual não substitui o abraço real. O sorriso nas redes não preenche a solidão de um olhar perdido e vazio.

A ilusão de estarmos próximos e sempre dispostos gera uma falsa sensação de pertencimento, que nos faz esquecer de refletir sobre o significado real de fazer parte de forma emocionalmente significativa na vida de alguém.

A conexão profunda exige presença. Os vínculos florescem e ganham forma no olho no olho, no sentir e perceber o outro de forma real. Criar e manter conexões sem a profundidade das relações pessoais é um grande desafio. Estar conectado digitalmente, curtindo, enviando e respondendo mensagens de forma rápida e precisa não garante conexão emocional.

Essa semana, me encontrei com uma grande amiga que faz parte da minha vida há 32 anos. Friburguense como eu, estudamos em séries distintas na mesma escola. Dividimos momentos que solidificaram uma amizade que passou por muitas adversidades, assim como cada uma de nós. Hoje, dividimos um oceano de distância.

Cada encontro, evidencia um vínculo mais forte que sobrevive ao tempo e a adversidade. Nossa conexão profunda fica cada vez mais clara quando estamos juntas, trazendo o ontem como se fosse o nosso último encontro.

A era digital, sem dúvida, facilita a comunicação, mas não substitui a profundidade das relações humanas. O vínculo profundo nasce quando dois corações se encontram, o que vai além de qualquer aplicativo. A autenticidade da troca, da escuta empática, do olhar atento que percebe os mínimos detalhes e que lê o corpo sem precisar de uma única palavra acabam ficando esquecidos. Precisamos lembrar que, por mais virtuais que sejam as nossas conexões, nossa essência é humana.

A busca por conexão atemporal, seja em um café entre amigos, seja na tela de um celular ou computador, o que muda é a percepção sobre o que é real, o que é virtual e como escolhemos entrelaçar as duas dimensões. 

No final, são as conexões que atravessam o espaço físico e digital que realmente nos mantém acesos e vívidos, onde o toque nunca deixou de ser o que nos conecta com profundidade.

Até a próxima quarta!

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​A beleza da diversidade

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Diverso, vasto, misturado

Vivemos rodeados de pessoas que pensam, sentem, veem, creem, agem diferente e que possuem uma variedade de características, gostos, gestos, posturas, valores, compreensões, intensidades, latências distintas.

Estou de férias. Viajando com minha família, paro para observar as ruas de Las Vegas, no estado de Nevada, Estados Unidos. A diversidade pulsa, acanha, move, existe e habita de diversas formas. Pessoas dentro da sua multiplicidade são perceptíveis ao meu redor. Estão por toda parte, em todos os olhares e lugares. 

Diverso, vasto, misturado

Vivemos rodeados de pessoas que pensam, sentem, veem, creem, agem diferente e que possuem uma variedade de características, gostos, gestos, posturas, valores, compreensões, intensidades, latências distintas.

Estou de férias. Viajando com minha família, paro para observar as ruas de Las Vegas, no estado de Nevada, Estados Unidos. A diversidade pulsa, acanha, move, existe e habita de diversas formas. Pessoas dentro da sua multiplicidade são perceptíveis ao meu redor. Estão por toda parte, em todos os olhares e lugares. 

Viro para o lado e percebo a famosa esfera que faz parte da cidade. Mexe com a minha imaginação como se eu estivesse dentro de uma bola de grande proporção, com toda beleza que existe. Brilhos se intensificam nas noites rodeadas de luzes, em um lugar que não dorme, não para dentro da sua natureza totalmente movimentada.

Nesse ambiente novo, encontro amigas que trouxe para vida, antes de visões físicas estabelecidas. Somos diversas. As dessemelhanças trazem semelhanças escondidas entre uma ação e outra, onde naturalidade, espera, entendimento, generosidade, acolhimento, abertura se expressam através de nuances profundas. Como a confluência dos rios, onde as águas se juntam e se reconhecem em um só curso.

A beleza da diversidade invade, brilha, desnuda. Ativa o quanto respeitamos, aceitamos, convivemos com aquele que pensamos ser diferente dos modelos padrões ou a falta deles, que cada um de nós predefine, antecipa em possíveis relações.

O respeito invade, não vem acompanhado de “mas”. Ele chega com intensidade, empatia. Uma junção que simplesmente acontece, sem premeditação ou frases prontas que a exclusão traz em sua bagagem.

Na construção diversa, aprendemos mais, sentimos mais, compreendemos mais. Vivemos com a pluralidade mágica que compõe a magnitude do ser e estar continuamente na estrada da vida. Uma estrada repleta de pessoas distintas, que evidenciam as maravilhas que constituem os seres humanos. Nos constituem. 

Enriquece a coletividade, trazendo compreensão, soluções, ideias e desenvolvimento. Nos abrilhanta, trazendo criatividade e riqueza para o nosso interior. Crescemos e desenvolvemos maturidade com verdade, sem camuflagem. 

Melhora a existência, tirando cada um de nós da zona de conforto. Esse lugar quente e acomodado que mostra uma falsa sensação de tranquilidade, em um imaginário que aparenta comodidade. 

O mundo respira diversidade. Estar aberto para ela, traz uma contemplação inimaginável. Experimente!

Até a próxima quarta!

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Quero ser seu par

quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

No final de semana, após um almoço gostoso de domingo na casa dos meus sogros, li uma placa com a frase “Por onde for, quero ser seu par”. Um momento nostálgico invadiu minha mente adentro, deixando ares de doçura, que me fizeram lembrar de uma época muito especial e eternizada. 

No final de semana, após um almoço gostoso de domingo na casa dos meus sogros, li uma placa com a frase “Por onde for, quero ser seu par”. Um momento nostálgico invadiu minha mente adentro, deixando ares de doçura, que me fizeram lembrar de uma época muito especial e eternizada. 

O ano era 1990. Colégio Cêfel, 3ª série primária. Estávamos todos na aula de música, divididos em grupo, onde aprendemos uma letra, imersos na doce melodia. Aulas e mais aulas ensaiando cada estrofe, para que fosse apresentada de forma brilhante para os nossos responsáveis no grande dia. A professora nos guiava com maestria e cada palavra entoava meu coração, exalando um perfume inigualável. Os pedaços cantados transbordavam em meu ser um sentimento que, na época, eu não sabia explicar e muito menos entender. Algo novo e indecifrável.
Os anos passaram. Não sou mais aquela menina de 9 anos, de cabelos compridos e castanhos, mas, hoje, aqui me encontro voltando a sensação que essa música transpassa meu ser. Recheada de significados e que sempre me percebo entoando seus versos, que me trazem uma paz interior. 

“Por onde for, quero ser seu par”.

Esse trecho da música “Andança”, cantada na voz maravilhosa e saudosa de Beth Carvalho, traz um pouco de mim, de você, da gente.

Escolher o nosso par nas andanças da vida, aquele que queremos seguir lado a lado, nas tristezas, perdas, conquistas, boas gargalhadas gostosas de doer a barriga, descobertas, indecisões e também nos medos, anseios, receios e desafios é algo que nos tira do centro, desperta sensações e percepções sobre como será a nossa caminhada. 

A escolha não nos remete somente a quem preferimos de forma amorosa nas relações que estabelecemos no dia a dia, mas traz dentro dela os nossos amigos, familiares, seja de laços construídos e escolhidos por nós mesmos ou de sangue. Conduz todos que selecionamos para estarem na carruagem que faz parte da nossa existência, em uma estrada deslizante, sinuosa, com desníveis que nos surpreendem. 

Andança não é apenas uma música. Ela desperta saudade, esperança, conexão. Tudo aquilo que compõe o nosso mais íntimo desejo profundo, despertando o nosso eu interior.

Que possamos continuar escolhendo os nossos pares, seguindo com firmeza e boas expectativas. Pois o que seríamos sem as andanças ao longo da nossa jornada?

Até a próxima quarta!

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O que fica e o que é deixado para trás

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Um ano finda. Um novo ano se aproxima.
Em algumas horas, não estaremos mais em 2025, mas em 2026.

Mudar o ano, para alguns, é sinal de novas metas, promessas, ideias, mas novos caminhos não precisam acontecer quando o ano acaba.

Transformar rotas e rever percursos podem ocorrer em qualquer momento. Temos o poder de escolher o que queremos seguir, manter e terminar. Somos os donos das rédeas das nossas escolhas, mesmo que, às vezes, custemos a entender toda essa dinâmica e certeza.

Um ano finda. Um novo ano se aproxima.
Em algumas horas, não estaremos mais em 2025, mas em 2026.

Mudar o ano, para alguns, é sinal de novas metas, promessas, ideias, mas novos caminhos não precisam acontecer quando o ano acaba.

Transformar rotas e rever percursos podem ocorrer em qualquer momento. Temos o poder de escolher o que queremos seguir, manter e terminar. Somos os donos das rédeas das nossas escolhas, mesmo que, às vezes, custemos a entender toda essa dinâmica e certeza.

O custo pode ser danoso, como as pragas que devastam uma plantação e acabam com a colheita, mas, quando tratada, é erradicada e proporciona produções incríveis e prósperas.

Prosperar em sonhos, conhecimento, sabedoria, entendimento, saúde, amor, alegria, harmonia e todo o sentir que traz paz interior, passa por altos e baixos, que são pesados diariamente em uma balança invisível aos olhos do outro, mas vista por nós mesmos, sem filtros e máscaras.

Isso me faz lembrar de uma boa conversa que tive com meu pai há um tempo não muito distante. Enquanto falávamos sobre os sabores e dissabores da vida, sabiamente, ele me disse que cada um tem a sua “Caixa de Pandora”. Percebo que sim. Todos nós a possuímos, mas, individualmente, o seu real significado não é igual. Dentro das suas metáforas e entendimento, a percepção vai de acordo com a lente que cada um dispõe, de forma singular e única.

Essas mesmas lentes trazem sentido ou não para a imensidão que faz parte da nossa natureza. Dizer o que gostamos, acreditamos, aceitamos ou escolher o que tiramos e levamos na bagagem define o quanto será mais amena ou pesada a nossa jornada, ou seja, todos os nossos dizeres que escolhemos pronunciar, seja em palavras faladas, escritas ou silenciadas, de qual forma for, mexe com o peso da mochila que colocamos nas costas e resolvemos carregar.

No final, não é sobre esperar um ano terminar, mas entender que as rotas podem ser avaliadas, reavaliadas, ajustadas e reajustadas durante o trajeto, por você, que é quem pilota em dias nebulosos, cinzentos, com furacões, ciclones e tempestades, mas também em momentos ensolarados, de céu limpo e noite estreladas.

Siga em frente! Que o novo ano seja leve, suave, repleto de prosperidade, aprendizado, saúde física, mental, social e emocional.

Até a próxima quarta!

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