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A capacidade de pedir ajuda

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
Não somos infinitos.
Não somos feitos de uma imensidão sem fim, nem de ossos que jamais desmoronam, nem de vitalidade que atravessa mares sem declinar. Somos feitos de limites. Limites esses onde nos deparamos com a porta para irmos de encontro à coragem.
Em uma longa jornada, tentamos nos manter na régua do “muito”, deixando o equilíbrio para trás: muito forte, muito capaz, muito sagaz, como se o mundo fosse ruir se não fecharmos a conta por um breve instante.
Passamos boa parte da vida com a certeza imbuída que dar conta de tudo sozinho é valioso ou o certo a ser feito. Fico imaginando em que tempo e momento surgiu essa percepção, e a questiono bravamente.
Com isso, vivemos transportando cargas que não são nossas, responsabilidades que precisam ser divididas e promessas que se amontoam como uma pilha de pedras.
Não, não vamos dar conta de tudo e está tudo bem.
Pare, reflita, respire, recalcule a rota, peça ajuda.
Pedir ajuda é um ato tão profundo e uma das coisas mais difíceis de realizar. É como se despir para o outro, evidenciando que o “está tudo bem” proferido no automático, esconde incontáveis rachaduras, lacunas. Vidros quebrados que cortam e machucam.
Pedir ajuda requer coragem. Muita coragem. E, com ela, vem um grandioso lembrete: não vamos dar conta de tudo.
O pedido pode vir camuflado de diversas formas. Um olhar desviado, um sorriso acanhado, um “eu não consigo”, uma voz embargada, uma mensagem despretensiosa, uma ligação discreta. E o retorno traz a segurança de que não precisamos dar conta de tudo, pois, simplesmente, não conseguimos. Ninguém consegue. É preciso soltar o controle, que fica apertado com nós cegos que são difíceis de soltar.
Somos seres humanos, com vida pulsante, cheios de erros e acertos, altos e baixos, sem perfeição. Se aceitar é trazer conforto. É ser generoso consigo mesmo.
Assim, a vida fica mais leve, o peso se divide e o caminho deixa de ficar pesado como um piano.
Permita-se ser ajudado. Aceite a generosidade e a compaixão do outro.
Não estamos sós. Nunca estivemos.
O acolhimento existe e pode ser vivido. Se permita!
Até a próxima quarta!
……..
Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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