Blog de terezamalcher_17966

As confidências entre o espelho e nós, os refletidos

segunda-feira, 04 de outubro de 2021

Já disseram que aquilo que não está na Bíblia, está em Shakespeare. Eu
acrescentaria que também está em Guimarães Rosa. No seu conto-crônica, “O
Espelho”, contido no livro “Primeiras Estórias”, editora Nova Fronteira, Rosa revela a
maestria de escritor e filósofo através das reflexões a respeito do que o espelho pode
ou não mostrar a quem se posiciona diante dele. Sua inteligência e domínio da Língua
Portuguesa constroem um texto raro, capaz de desvendar almas. Ah, a alma do

Já disseram que aquilo que não está na Bíblia, está em Shakespeare. Eu
acrescentaria que também está em Guimarães Rosa. No seu conto-crônica, “O
Espelho”, contido no livro “Primeiras Estórias”, editora Nova Fronteira, Rosa revela a
maestria de escritor e filósofo através das reflexões a respeito do que o espelho pode
ou não mostrar a quem se posiciona diante dele. Sua inteligência e domínio da Língua
Portuguesa constroem um texto raro, capaz de desvendar almas. Ah, a alma do
espelho diante de uma pessoa!, que experiências pode proporcionar a este vivente?
Quais mistérios estão contidos numa lâmina de vidro? O espelho nada mais é do
que uma superfície que reflete o raio luminoso numa direção em vez de absorvê-lo ou
espalhá-lo em várias direções. Os raios que partem de vários pontos de um objeto e
incidem sobre seu plano refletor convergem para outros pontos com precisão. Diante
do espelho, a pessoa se vê com notável exatidão.
O espelho reflete o rosto e o corpo, as feições e os trejeitos de uma pessoa. Mas
como será que são percebidos por ela? Que fidelidade pode ter consigo diante da
própria imagem? De acordo com o olhar de quem se observa, o espelho pode mudar
de caráter, ser bom ou ruim, impróprio ou companheiro. Quantos segredos pode
guardar de um rosto? Quantas vezes foi quebrado num ato de fúria? Ou mesmo
beijado. Quem já não sorriu ou chorou ao ver-se numa figura irreal, dotada de
extraordinária verdade?
Olhar-se frente a frente pode ser um desafio, tão difícil quanto estar diante de
uma tribuna inquisidora. O espelho é imparcial e silencioso. Revelador, porém. É
tácito. Não requer interlocutores, nem professores para dizer verdades a quem está se
vendo através dele. Não é falso, sorrateiro ou enganador. Nem tão pouco juiz. Tem
lealdade com a realidade, apenas. A traição, entretanto, está no olhar. Por maior
intenção que tenha para ocultar sentenças, o espelho surpreendentemente deflagra as
resoluções inquestionáveis impostas pela vida. Ai, pode promover a reflexão de
valores e opiniões.

As fraquezas humanas fazem o olhar ficar viciado, vendo o que é conveniente ou
não. Os olhos podem se acostumar com o inverso e com o vazio. Ah, a visão tem
precariedades, deve-se duvidar dela, portanto. Sempre e principalmente diante do
espelho. Por que os animais negam a ver-se no espelho? O espelho reflete a alma de
um ser, vestido por um corpo, e nós, os humanos, não conseguimos ou não queremos
percebê-la. Será que temos medo de notar as deformações que guardamos por trás
das aparências?
Só conseguimos nos ver quando somos visíveis, e o espelho, apenas o espelho,
nos proporciona esse encontro frente a frente. O defrontar-se. Talvez seja arrepiante
permitir o enfrentamento da alma do espelho com a nossa, quando haverá a grande e
autêntica confidência. E o olhar, enfim, poderá se tornar infinito.
“O Espelho”, de Guimarães Rosa, nos espeta com considerações irrefutáveis.
Apenas uma coluna não é suficiente para abordar o que ele nos diz nesse texto divino.
Vou dar continuidade na próxima semana. Bons ventos literários a todos!

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

O jornal é fonte de pesquisa

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Uma amiga, Mariane Vieira, doutoranda da USP, na área de História da
Educação, me procurou, esta semana, para saber como poderia fazer uma
pesquisa no jornal “A Voz da Serra” para obter dados importantes ao curso que
realiza. Seu contato me fez pensar na riqueza do jornal, enquanto fonte de
pesquisa da história local.
Mais uma vez, nesta coluna, faço questão de ressaltar que o jornalismo e
a pesquisa histórica são estilos literários imprescindíveis ao desenvolvimento
político, social, cultural e humano. Os textos oriundos dessas áreas, quando

Uma amiga, Mariane Vieira, doutoranda da USP, na área de História da
Educação, me procurou, esta semana, para saber como poderia fazer uma
pesquisa no jornal “A Voz da Serra” para obter dados importantes ao curso que
realiza. Seu contato me fez pensar na riqueza do jornal, enquanto fonte de
pesquisa da história local.
Mais uma vez, nesta coluna, faço questão de ressaltar que o jornalismo e
a pesquisa histórica são estilos literários imprescindíveis ao desenvolvimento
político, social, cultural e humano. Os textos oriundos dessas áreas, quando
bem elaborados e acessíveis ao público leitor e pesquisador, promovem a
melhoria das condições de vida.
O jornal é um periódico que tem um incansável olhar para os fatos da
cidade, reunindo informações detalhadas sobre o dia a dia, que vão sendo
registradas, divulgadas e arquivadas. Cumpre a função social de informar,
contribuindo para que cada um dos seus habitantes aprimore seus modos de
viver e de ser cidadão. Bem como colabora com as formas com que a cidade
acolhe sua gente.
O jornal escrito, tal como é o “A Voz da Serra”, diariamente apresenta
crônicas e artigos que, além de informar, mostram as múltiplas faces do
pensamento de jornalistas, de pessoas que detém conhecimentos
especializados e da própria população a respeito de assuntos pertinentes aos
fatos locais e não locais. O jornal está atento ao mundo, sempre em movimento
e mutação.
O pesquisador é um incansável investigador. Movido pela curiosidade,
quer saber cada vez mais, ir além nos registros dos fatos presentes e
passados, uma vez que os passados possibilitam melhor compreensão do
presente. O hoje contém a síntese do ontem no universo dos acontecimentos
em suas contradições, mudanças e permanências.
Quando elaborei minha Dissertação de Mestrado, em 1985, na PUC-RJ,
pesquisei sobre passagem da 4ª. para a 5ª. série do 1º. grau. Para

compreendê-la precisei ir aos tempos da colonização em que os ensinos
primário e secundário foram estruturados, como também aos dos ensinos
técnico e universitário. O que me permitiu concluir que diversas dicotomias
políticas, econômicas e culturais da história da organização educacional no
Brasil se faziam presentes no quotidiano daquelas séries. Atualmente a
estrutura escolar apresenta novas configurações, porém, acredito que ainda o
ensino escolar privilegie o acesso à universidade em detrimento ao ensino
técnico.
Faço questão de ressaltar que a pesquisa da história local faz parte do
saber construído pela civilização humana. É uma significativa ferramenta para
a análise crítica da realidade. Somos seres contextualizados. Quanto mais a
conhecemos e compreendemos, melhor nela podemos intervir.
Que bom que temos jornais que abraçam pesquisadores dedicados!

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A quarta capa e a produção do mel

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Esta coluna vai me respaldar para escrever a quarta capa do livro de uma
amiga e escritora que me presenteou com esta oportunidade. O convite para
participar de uma obra literária é uma reverência ao convidado, um
reconhecimento às suas qualidades literárias e pessoais. Não são seus belos
olhos, muito menos seu agradável sorriso que vão fundamentar o delicado
convite, mas os valores e as capacidades literárias que ele desenvolveu a
longo do tempo com esforços e dedicação.
***

Esta coluna vai me respaldar para escrever a quarta capa do livro de uma
amiga e escritora que me presenteou com esta oportunidade. O convite para
participar de uma obra literária é uma reverência ao convidado, um
reconhecimento às suas qualidades literárias e pessoais. Não são seus belos
olhos, muito menos seu agradável sorriso que vão fundamentar o delicado
convite, mas os valores e as capacidades literárias que ele desenvolveu a
longo do tempo com esforços e dedicação.
***

O livro é vestido por quatro capas. A primeira é o cartão de visitas. A
segunda é a parte oposta à primeira capa. A terceira é o lado oposto à
contracapa. A última é a quarta capa. Particularmente, gosto da segunda e da
terceira, chamadas de guarda, que possuem a função de grudar as capas ao
miolo e podem ser lisas ou ornamentadas com desenhos e estampas, que
encantam o leitor quando folheiam o livro. Em todos os livros que editei, cuidei
dessas capas com cuidados especiais.
A quarta capa ou a contracapa faz parte da vestimenta do livro, que
desfila em vários ambientes reais, como vitrines de livrarias, prateleiras de
bibliotecas e estandes de feiras literárias. Em ambientes virtuais, como sites,
bibliotecas e livrarias. Uma obra literária tem que percorrer os caminhos do
mundo para ser lida por diferentes pessoas e em culturas distintas. São
histórias e ideias que não podem ficar esquecidas ou guardadas, devem
fomentar novos pensamentos, fazeres e transformações. Os livros modificaram
as civilizações e atualizam a cada dia os modos de ser e fazer. São fontes
inesgotáveis de mutação.
Cada obra literária deve seduzir e cativar o leitor, que é sujeito único.
Quando exposta, o leitor vai ter vontade de conhecê-la de imediato,
observando sua capa para ter ciência do autor, do assunto, sempre contido no
título e na apresentação gráfica, da editora, do ilustrador e de outras questões
mais. A seguir, invariavelmente, detendo-se na quarta capa, em que o autor ou

alguém por ele escolhido, vai informar a respeito da obra, indicar o público-alvo
a que se destina, apresentar uma sinopse e fazer reflexões a respeito da obra
de modo que o leitor seja tocado em seus centros de interesse e tenha vontade
de adquiri-la para lê-la, presenteá-la, usá-la como fonte de pesquisa.
O texto da quarta capa deve ser suscinto, claro e objetivo. Não deve
confundir o leitor, uma vez que várias informações num curto espaço atordoam,
e o essencial acaba sendo ofuscado pelo irrelevante. Não deixa de ser uma
forma de divulgar a obra, ao apresentar uma avaliação positiva do texto e até
mesmo da ilustração.
O texto da quarta capa pede zelo de quem o escreve pelas necessidades
de concisão, criatividade e harmonia que exige. Em poucas linhas, através de
uma leitura agradável e atraente, deve conter a essência da obra. Quando
elaborado por um convidado, contém um olhar diferente do autor.
Se é o autor ou não, quem o escreve deve ter a presteza das abelhas que
retiram o néctar das flores, desprezam os micro-organismos e produzem o mel.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Flores partidas

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Faz algum tempo que gostaria de escrever sobre a violência contra a
mulher, tema delicado, doloroso de ser tocado, triste realidade que atinge a
pessoa do sexo feminino. A decisão de fazê-lo foi motivada pelo artigo
“Percepções de Mulheres a Respeito do Estupro Marital”, escrito pela minha
amiga de oficina literária, a jornalista Juliana Maria Lanzarini, que foi aprovado
para o 1º. Congresso CRIM/UFMG: Gênero, Femininos e Violência. Como
também pelas Oficinas de Formação para Apoio a Mulheres em Situação de

Faz algum tempo que gostaria de escrever sobre a violência contra a
mulher, tema delicado, doloroso de ser tocado, triste realidade que atinge a
pessoa do sexo feminino. A decisão de fazê-lo foi motivada pelo artigo
“Percepções de Mulheres a Respeito do Estupro Marital”, escrito pela minha
amiga de oficina literária, a jornalista Juliana Maria Lanzarini, que foi aprovado
para o 1º. Congresso CRIM/UFMG: Gênero, Femininos e Violência. Como
também pelas Oficinas de Formação para Apoio a Mulheres em Situação de
Violência. A vontade de escrevê-lo foi respaldada pela sua intenção de “ampliar
a percepção do tema a fim de garantir os direitos das mulheres.” Da qual
compartilho.
Inicialmente, gostaria de esclarecer que os textos que abordam pesquisas
científicas são considerados literários. Este artigo está fundamentado em
pressupostos teóricos e utiliza-se do survey como metodologia de coleta de
dados com 40 mulheres respondendo a um questionário com cinco perguntas
que abordam o tema, que recebeu criterioso trabalho analítico.
Os pressupostos teóricos refletem o estupro no contexto da violência
doméstica, apontada no artigo como violência machista. Nesta coluna vou me
deter no fato de a mulher reagir e não se submeter a atos perversos,
egocêntricos e desrespeitosos do homem que se considera capaz para
determinar os padrões de comportamento da relação. A questão relevante é o
modo banal e natural de como a violência contra a mulher é percebida pelo
grupo social, pelo homem e por ela mesma. As diferentes formas de violência
contra a mulher não podem passar percebidas como tal, não podem ser aceitas
no contexto doméstico, meio social e explicadas a partir de considerações
fugazes. Quem sofre a violência não deve minimizar as experiências aversivas
que causam sofrimento físico, deterioração psicológica, humilhação moral e
feminicídio.
O fator mais grave da violência é a reincidência devido à construção de
um padrão crônico de agressão, tanto de quem a pratica, como de quem a
recebe. A violência doméstica pode causar a morte e ser, desse modo,
considerada um ato de caráter homicida. A mulher que a sofre vai perdendo a

vivacidade ao experimentar a morbidade contida em cada agressão, que seja
verbal, física ou moral. A violência doméstica assassina a mulher em vida, tira-
lhe as cores dos dias.
A mulher retroalimenta a relação agressiva quando perdoa e não atribui
aos atos que atingem e destroem sua integridade física, psicológica e moral o
verdadeiro valor. Quando não denuncia aos órgãos competentes. Quando não
se afasta da relação. Quando deixa de se amar e não se considera pessoa
digna de ser respeitada.
Deixar de ser agredida é uma decisão de foro íntimo. Somente ela pode
assumir uma postura decente e coerente com a humanidade que existe em sua
pessoa. Somente ela pode decidir dar continuidade a sua história de vida
interrompida por um insensato agressor, saindo de uma doentia relação da
qual é parte interativa.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Fake News agridem a literatura

segunda-feira, 06 de setembro de 2021

Fake News viraram moda. Viralizaram. Tornaram-se espalhafatosas fantasias na
Internet. Vestiram-se das mais estranhas notícias e comentários para ganhar mundo.
Fizeram-se a voz da mentira. Utilizaram-se da literatura para desfilar através de
mensagens ou reportagens. Ganharam as luzes negras das intenções maldosas.
Fake News possuem a cor da imprensa marrom que, intencionalmente, têm a
finalidade de lançar falsas notícias, disseminar boatos e desinformar. Para
conquistarem espaço na mídia e adquirirem força de convencimento, nutrem-se dos

Fake News viraram moda. Viralizaram. Tornaram-se espalhafatosas fantasias na
Internet. Vestiram-se das mais estranhas notícias e comentários para ganhar mundo.
Fizeram-se a voz da mentira. Utilizaram-se da literatura para desfilar através de
mensagens ou reportagens. Ganharam as luzes negras das intenções maldosas.
Fake News possuem a cor da imprensa marrom que, intencionalmente, têm a
finalidade de lançar falsas notícias, disseminar boatos e desinformar. Para
conquistarem espaço na mídia e adquirirem força de convencimento, nutrem-se dos
mais recursos sedutores. Usam o jornalismo literário que busca na arte da literatura
sua expressão.
A literatura jornalística não é ficcional. Revela a realidade a partir de uma
observação minuciosa dos fatos. Está fundamentada em técnicas de captação, redação
e edição jornalística e, mesmo sendo escrita por um jornalista e refletindo a visão
particular do seu autor, está comprometida com a retratação verídica da realidade.
Os meios de comunicação impressos têm papel destacado na vida do país, como
também no dia a dia das pessoas, sempre atentas aos acontecimentos das inúmeras
áreas da atividade humana, suas realizações, impasses e impedimentos. São poucos os
alienados que não buscam informações para se tornarem diariamente membros
participantes da vida coletiva. O cidadão precisa estar ciente dos contextos nos quais
está inserido neste planeta mutante. Itinerante.
O jornalismo literário busca ser o mais verídico possível. O jornalista, ao construir
o texto, pode recorrer à riqueza imaginativa para torná-lo atraente ao leitor,
escrevendo-o com vivacidade, reflexão e estilo, apresentando-lhe o momento histórico
através de reportagens, crônicas, ensaios.
As Fakes News são perigosas; destroem pessoas, projetos e realizações. Revelam
algumas das piores características maléficas que possam existir no ser humano:
egoísmo, inveja, narcisismo, perversidade, astúcia. Quem produz Fake News não se

interessa pelo bem comum, pela superação das dificuldades de um lugar, de um país.
Não tem altruísmo, nem senso inteligente. Produz textos sensacionalistas e vulgares.
Para finalizar quero aplaudir Moacyr Scliar (1937-2001), imortal da Academia
Brasileira de Letras, que escrevia a coluna Cotidiano Imaginário na Folha de São Paulo,
desde 1990 até pouco antes da sua morte, em 2011. Ele buscava, em sua coluna, uma
história que pudesse ser reveladora da condição humana. Semanalmente escrevia
textos belíssimos e sensíveis à realidade social da classe média urbana no Brasil,
fazendo mergulhos no cotidiano e utilizando a linguagem do povo.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A mentira e a fantasia

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Na semana passada, no Clube de Leitura Vivências, organizado por
Márcia Lobosco, quando debatíamos questões emergentes da leitura do livro
Quase Memória, de Carlos Heitor Cony, surgiu um tema que ainda não tinha
parado para refletir: as diferenças entre a mentira e a fantasia.
Estamos situados na realidade concreta, porém a percebemos de modo
subjetivo. A realidade não é tomada tal como é, mas interpretada, o que nos
oferece uma compreensão particular dos fatos. Lembro-me da carta do escritor

Na semana passada, no Clube de Leitura Vivências, organizado por
Márcia Lobosco, quando debatíamos questões emergentes da leitura do livro
Quase Memória, de Carlos Heitor Cony, surgiu um tema que ainda não tinha
parado para refletir: as diferenças entre a mentira e a fantasia.
Estamos situados na realidade concreta, porém a percebemos de modo
subjetivo. A realidade não é tomada tal como é, mas interpretada, o que nos
oferece uma compreensão particular dos fatos. Lembro-me da carta do escritor
ao Mário Prata ao Ministro da Educação no final do século passado, quando
uma crônica sua, As Meninas-Moça, foi utilizada no Vestibular, como prova de
interpretação. Para seu espanto, ele respondeu as oito perguntas e errou
todas! Ou então em Max Weber que afirmou que a realidade pode ser tomada
a partir da vários pontos de vista. A investigação científica tem condições de
desvelar a veracidade dos fatos depois de um processo investigatório intenso,
a partir de critérios definidos e confiáveis.
É importante definir cada uma para ser possível estabelecer uma razoável
diferença entre elas, uma vez que não é fácil entender em que instância nosso
processo reflexivo possa estar situado. A realidade é o que existe. Um
conceito tão simples, todavia polêmico, na medida em que a realidade pode ser
interpretada a partir de desejos pessoais, negações ou transfigurações.
A mentira é uma proposição falsa, enganosa e fraudulenta a respeito dos
fatos. Uma tentativa de convencer outra pessoa a aceitar o que não é
verdadeiro; é fundamentada em interesses pessoais. Segundo ditos populares,
uma só mentira destrói mil verdades e uma mentira repetida várias vezes torna-
se verdade.
A fantasia é construída no imaginário, enquanto capacidade para criar
ideias, fatos e imagens fictícios ou irreais. Como a vida não nos basta e a todo
instante precisamos de algo mais, construímos processos imaginários criativos,
que envolvem idealizações e devaneios. Podemos dizer que o processo de
evolução das civilizações foi decorrente da capacidade criativa humana, e
gostaria de caracterizá-la como a safira do pensamento, enquanto instância em

que a inteligência mergulha na realidade para observá-la, criticá-la e
transformá-la.
No limite entre dois ápices, realidade e fantasia, circula a literatura.
Fernando Pessoa ilustra o caráter da literatura no poema Autopsicografia.

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só as que ele não tem.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entender a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

A literatura, se mentirosa, demonstra o frágil caráter de quem a produz.
Mas ao transitar entre a fantasia e a realidade construiu as mais dignas obras
literárias como Dom Casmurro, Crime e Castigo, O Pequeno Príncipe, dentre
milhares de outras.
Espero que cada vez mais o espaço entre o real e o imaginário seja
ampliado e não corra o risco de ser diminuído pelos meios virtuais de
comunicação.
Salve Shakespeare, Miguel de Cervantes, Marcel Proust!

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Duas poesias

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O poeta precisa de liberdade para observar a vida e inspirar-se. Aqui, a poesia paira sobre a cidade; sempre e em algum lugar há alguém a reverenciando. 

Ferreira Goulart disse que a poesia nasce do espanto. Da realidade que se desnuda repentinamente, causando no poeta um sentimento que o toca no mais profundo de si, fazendo com que as palavras, não mais do que pedaços de emoções, cheguem tortas ao seu imaginário. Porém, tornam-se perfeitas quando as coloca num poema. 

Quem já não fez um poema?

Quem não se espanta?  

Ah, o vivente precisa de poesia! 

O poeta precisa de liberdade para observar a vida e inspirar-se. Aqui, a poesia paira sobre a cidade; sempre e em algum lugar há alguém a reverenciando. 

Ferreira Goulart disse que a poesia nasce do espanto. Da realidade que se desnuda repentinamente, causando no poeta um sentimento que o toca no mais profundo de si, fazendo com que as palavras, não mais do que pedaços de emoções, cheguem tortas ao seu imaginário. Porém, tornam-se perfeitas quando as coloca num poema. 

Quem já não fez um poema?

Quem não se espanta?  

Ah, o vivente precisa de poesia! 

Então, pus-me a buscá-las.

Segue o teu destino...

Rega as tuas plantas;

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.

                  Fernando Pessoa

Ah, o destino. Será que somos nós quem o construímos ou são as Moiras que tecem o fio da vida? Acredito que somos nós. Dia a dia, cultivamos nossos canteiros. Apenas precisamos esticar um pouco o olhar para reconhecê-los e encompridar os braços para fertilizá-los, num longo e sofrido aprendizado. Deve começar cedo para que se entranhe em nossas vísceras, a ponto de se tornar parte de nós, como um coração pulsante.  

É preciso diferenciar o que nos pertence do que não faz parte de nós. É uma difícil percepção porque as solicitações e influências externas são muitas. É celular, é internet. São os apelos da moda, são os mitos irresistíveis que nos fazem confundir os valores com os desvalores, misturando o meu eu com o do outro. 

Prosseguindo a pesquisa de poesias, me deparei com outra pérola. Camões.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soia.

No século XVI a mudança já fazia parte da vida. Que versos Camões escreveria se estivesse aqui e agora, entre nós? Estamos no centro das mudanças, o que é hoje, já não é amanhã. E as nossas plantas e rosas?! O quão difícil é para nós, e, principalmente para o jovem, proteger nossos canteiros do vendaval de transformações. Todos os dias surgem novidades. Vivemos no jardim das surpresas.  

Ah, Camões e Pessoa são jovens. Não envelheceram. A poesia não os deixou perdidos no tempo, seus canteiros são fertilizantes para os nossos. Fizeram rosas e plantas com raízes fortes. Tenho certeza de que existe uma infinidade de Camões e Pessoa neste mundo. 

Todos nós estamos em processo de evolução; saber quem somos é uma etapa importante deste ir a diante.  

Sejamos livres para sentir o perfume dos nossos alecrins!

 

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A capa do livro, um criativo abre-alas literário

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

A capa do livro faz parte do projeto de criação literária, e cada edição geralmente tem uma própria. É uma interpretação sintética da obra, uma forma de apresentar o texto que leva em conta as principais características da construção literária. É um abre-alas, uma apresentação sedutora em que cada detalhe tem sentido, como a ilustração, as cores, a fonte e os tamanhos de letra utilizados. Expressa os esforços criativos do ilustrador e de todos os envolvidos no projeto, que pretendem apresentar um livro irresistível ao leitor, capaz de tocar seus sentidos e estimular suas emoções.

A capa do livro faz parte do projeto de criação literária, e cada edição geralmente tem uma própria. É uma interpretação sintética da obra, uma forma de apresentar o texto que leva em conta as principais características da construção literária. É um abre-alas, uma apresentação sedutora em que cada detalhe tem sentido, como a ilustração, as cores, a fonte e os tamanhos de letra utilizados. Expressa os esforços criativos do ilustrador e de todos os envolvidos no projeto, que pretendem apresentar um livro irresistível ao leitor, capaz de tocar seus sentidos e estimular suas emoções.

Nos últimos tempos o fazer da capa considera as estratégias de marketing para que a percepção do livro pelo leitor seja nutrida pela vontade de tomar posse do texto. Para tal é importante que contenha e combine criativamente as informações imprescindíveis como título e subtítulo, autor, ilustrador e editor. Até uma frase contundente que revele o conteúdo da obra. Hoje, independentemente do valor literário, o livro é um produto de consumo, que compete com outros livros e com as ofertas do mercado de consumo. Há quem prefira comprar um perfume, um sapato ou um game.

 A equipe envolvida na produção do livro comumente imagina uma capa perfeita, capaz de oferecer ao leitor espaço imaginativo entre a sua visualização e a leitura do texto, nele despertando a vontade de conhecer o conteúdo e de como sua pessoa será enriquecida pela leitura. Além do prazer de tê-lo sob seus olhos. 

A feitura da capa finaliza o processo da criação literária. Somente nesta etapa, a capa ganha personalidade uma vez que vai receber interferências resultantes da interação entre o autor, o ilustrador, o diagramador e o editor. Pelo fato de o texto passar pelo tratamento de diferentes profissionais, melhor vai expressar as influências da cultura da época em que o livro está contextualizado. Ou seja, uma história passada no século XIX tem uma capa diferente da de um livro de crônicas, que possui atualidade.

Também a capa deve transmitir o estado de espírito que o autor pretende causar no leitor, na medida em que o livro pressupõe o encontro de ambos, mesmo que o autor não esteja mais vivo. Há uma magia interessante nesta interação. Talvez seja por isso que dizem que os escritores são imortais porque suas ideias se mantêm vivas através dos tempos. As obras de Victor Hugo, Saint-Exupéry e Shakespeare continuam a ser relançadas em todas as partes do mundo, cujas capas devem trazê-los aos tempos atuais, permitindo ao leitor a sensação de que podem superar as distâncias do tempo.

Eu sempre cuidei das capas dos meus livros. Ao mesmo tempo que me exigiram cuidados especiais, tive momentos de alegria. Não há maior prazer para um escritor do que ver seu livro pronto, estalando de novo. Bonito. Cheiroso. Ao colocar cada um deles nos braços, senti uma intensa emoção. Tão forte quando coloquei meus filhos no colo pela primeira vez.

 

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Novos acadêmicos cheios de boas ideias

segunda-feira, 09 de agosto de 2021

A Academia Friburguense de Letras está abrindo vagas para novos membros efetivos do seu quadro de acadêmicos e do seu Anexo Jovem. A abertura foi adiada desde o primeiro semestre de 2020 por conta da Pandemia causada pelo Covid 19. Agora, na esperança de retorno às atividades, dá um passo efetivo ao retorno à vida acadêmica. 

A Academia Friburguense de Letras está abrindo vagas para novos membros efetivos do seu quadro de acadêmicos e do seu Anexo Jovem. A abertura foi adiada desde o primeiro semestre de 2020 por conta da Pandemia causada pelo Covid 19. Agora, na esperança de retorno às atividades, dá um passo efetivo ao retorno à vida acadêmica. 

Comumente o friburguense pergunta aos acadêmicos sobre a Casa de Salusse, sempre acolhida por amigos que acompanham sua trajetória. Uma trajetória que guarda e resguarda a vida literária da cidade há 74 anos, promovendo o encontro entre os amantes das palavras. Esta Casa foi gerada pelos ideais do Dr. Rudá Brandão Azambuja e dos professores Messias de Moraes Teixeira, José Cortes Coutinho, Luís de Gonzaga Malheiros e Jamil El Jack em 22 de junho de 1947. Nasceu nos bancos da então Praça Quinze de Novembro, hoje Praça Presidente Getúlio Vargas, sob os galhos das árvores e canto dos passarinhos, sem portas, paredes e janelas. Despontou na cidade livre e tão bela quanto seu lema: cultuar a arte é sublimar o espírito, criado pelo seu patrono primeiro, o Dr. Rudá.  Sua criação se constituiu num lugar de letras, cultura e convivência, tendo sido amada e cuidada por aqueles que fincaram suas raízes, dela pertenceram e frequentaram-na. Foi tratada com esmero, inclusive pelo Prefeito Dr. Amâncio Mário de Azevedo que construiu sua aconchegante sede.  

Nossa Casa preserva os princípios da Academia de Platão que surgiu na Grécia Antiga, há mais de trezentos anos antes de Cristo, enquanto entidade independente das organizações governamentais e religiosas, que cultuava o livre pensar, a busca e a difusão do saber, e respeita os da Academia Francesa, criada no século XVII pelo Cardeal Richelieu, pela sua estrutura e rituais, como também por preservar a língua portuguesa, promover palestras, concursos e debates.

Nossos acadêmicos têm produzido obras para adultos, jovens e crianças, são escritores de romances, trovas e poesias, pesquisas históricas, contos e crônicas, além de terem participação ativa nos jornais da região, como o A Voz da Serra. 

Com a finalidade de fomentar a produção literária entre os jovens no alto desta serra, situada no cinturão central da Mata Atlântica, em 2016 foi criado o Anexo Jovem, destinado aos escritores entre 16 e 29 nove anos. 

Temos ultrapassado nossas paredes, dando palestras sobre diversos temas em escolas, bibliotecas e em instituições sociais como o Sesc de Nova Friburgo. Disseminamos assim o valor da literatura enquanto arte da palavra, que recorre à beleza e criatividade para abrir suas asas sobre a vida. 

Para finalizar esta coluna, deixo a frase de Fernando Pessoa que tanto mostra a firmeza dos passos com que a AFL trilhou nesses anos: “Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É saber falar de si mesmo.  É não ter medo dos próprios sentimentos”.

Que venham novos acadêmicos cheios de energias e boas ideias!

 

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A nobreza da ternura

segunda-feira, 02 de agosto de 2021

Ao ler o romance “O Lugar do Outro, de Janimary Guerra PeccI, nossa escritora friburguense, fui transportada aos bancos da universidade quando me especializava em Orientação Educacional, finalizando o curso de Pedagogia. Um dos suportes teóricos da formação foi a obra de Karl Rogers, psicólogo americano, que escreveu a respeito do processo terapêutico centrado na pessoa. Mantive seu livro, “Tornar-se Pessoa”, por um longo tempo sob meus olhos, uma vez que além de estudá-lo, fiquei sensibilizada com suas ideias.

Ao ler o romance “O Lugar do Outro, de Janimary Guerra PeccI, nossa escritora friburguense, fui transportada aos bancos da universidade quando me especializava em Orientação Educacional, finalizando o curso de Pedagogia. Um dos suportes teóricos da formação foi a obra de Karl Rogers, psicólogo americano, que escreveu a respeito do processo terapêutico centrado na pessoa. Mantive seu livro, “Tornar-se Pessoa”, por um longo tempo sob meus olhos, uma vez que além de estudá-lo, fiquei sensibilizada com suas ideias. Nessa etapa da minha formação, passei a perceber o outro com maior abertura de sentidos. Ao longo da especialização, que teve duração de dois anos, fizemos incontáveis exercícios que nos facilitaram a desenvolver esse nível de percepção. Ao dialetizar a interação entre a minha pessoa com o outro, percebi o surgimento de um gostoso sentimento decorrente do estar junto num mesmo espaço. 

Janimary apresenta como base do seu pensamento a história de Ana, sua personagem, que, além de tímida, sofre bullying na escola. Com um forte sofrimento e acanhada, ela se recolhe diante da turma. Ao tecer a trama, a autora, vai mostrando a perversa impostura através da falta de respeito ao outro.

Quando o olhar não ultrapassa os limites pessoais, o ambiente e o outro tornam-se imperceptíveis, a realidade fica limitada ao campo de sentimentos e intenções individuais. A pessoa que se mantém centrada em si mesma, olha ao seu redor, porém não vê nada além do seu egocêntrico querer. Com cegueira existencial, não capta com sensibilidade os fatos e pouco toma consciência dos acontecimentos em seus meandros e da presença do outro em seus pormenores. É um olhar simplista, incapaz de observar detalhes, uma vez que a pobreza de afeto restringe os modos de conviver e interagir com respeito, solidariedade e inteligência afetiva. Num grupo imaturo, apenas uma pessoa com tais características é capaz de enfraquecer e comprometer as relações interpessoais.

O bullying é um ato de emboscada que, inesperadamente, quem o pratica golpeia uma outra pessoa para fins fúteis, como autovalorização, divertimento e perversidade. Geralmente quem o recebe é impactado pelo susto e tomado por sentimentos incapacitantes que dominam toda e qualquer reação. O bullying deixa marcas nocivas, às vezes dilacerantes, que impedem que a pessoa seja quem ela é em sua plenitude.

A falta de reação ao bullying pode vir a aumentar sua ocorrência. Por sorte, hoje, é considerado um ato maléfico. Criminoso. 

Noutro dia conversei com uma amiga que me contou sua história de vida. Ela, irmã mais velha de cinco filhos, sentiu a necessidade de proteger sua mãe e irmãos menores quando seu pai se ausentou de casa. Sentindo a obrigação de defendê-los, descobriu que quando alguém vinha com “graça” para cima deles, ela, com inteligência, respondia da mesma forma e quem ficava se sentindo mal era esse alguém que não se “engraçava” mais.

Eu já fui mais boba e sofri, em vários momentos da minha vida, com brincadeiras, comentários e piadas maldosas, o que me embotou bastante. Mas, até hoje, por incrível que pareça, aos 67 anos, ainda estou aprendendo a lidar com essas situações que surgem inesperadamente. Que machucam. Inibem. 

Enfim. Gostei de ler o livro de Janimary e, mais uma vez, constatei que atitudes generosas engrandecem e trazem felicidade. Compadecer-se com as dificuldades de outra pessoa, revela nobreza de alma. A família e a escola devem preservar o altruísmo e a ternura entre os seus. É uma proposta desafiadora que vai exigir um trabalhoso cuidado de fazer com que seus filhos e alunos se tornem pessoas dignas.   

 

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.