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Papa: Libertar-se do materialismo

terça-feira, 24 de março de 2026
por Vatican News

Ao comentar o episódio da ressurreição de Lázaro, proposto pela Liturgia do 5º Domingo da Quaresma, celebrado neste 22 de março, o Papa Leão XIV recorda que no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

"Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus": palavras de Leão XIV ao rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a Oração do Angelus, na celebração do 5º e último Domingo da Quaresma.

Ao comentar o episódio da ressurreição de Lázaro, proposto pela Liturgia do 5º Domingo da Quaresma, celebrado neste 22 de março, o Papa Leão XIV recorda que no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

"Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus": palavras de Leão XIV ao rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a Oração do Angelus, na celebração do 5º e último Domingo da Quaresma.

A Liturgia propõe o Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45), que o Pontífice comentou como um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo. "Hoje, Jesus diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre» (Jo 11, 25-26)."

Assim, explica o Papa, a Liturgia convida os fiéis a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor para compreender o seu sentido mais autêntico e nos abrir ao dom da graça que eles encerram.

Fama e bens materiais não saciam nossa sede de infinito

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento. A sua graça ilumina este mundo que, afirma o Santo Padre, parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes, como tempo, energias, valores, afetos. "Como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais", diz ainda o Papa, recordando que não é no efêmero que podemos confiar a nossa necessidade de infinito.

“Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos Nele (cf. Confissões, I, 1.1).”

Libertar-se dos sepulcros que nos desorientam

A narrativa da ressurreição de Lázaro, portanto, nos convida a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, "nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade". Nestes lugares não há vida, afirmou o Santo Padre, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Eis então que Jesus ordena também a nós: “Vem cá para fora!” (Jo 11, 43), encorajando-nos a sair desses espaços confinados para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites. Leão XIV então conclui: "Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho ressuscitado."

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A Virgem Maria, modelo do sim quaresmal

terça-feira, 17 de março de 2026
por Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça*

O tempo litúrgico da quaresma nos remete a uma preparação piedosa e contrita para a Páscoa do Senhor. São-nos indicadas várias atitudes e práticas para este período: a oração, o arrependimento, a penitência, o jejum, a conversão, a ação da caridade fraterna. Temos em Maria, a Mãe Auxiliadora, uma modelar companheira de jornada rumo à Ressurreição do seu Filho Jesus Cristo. Ela que foi a primeira discípula d"Ele, concebendo o Verbo primeiramente no coração e só depois no ventre, como nos ensina Santo Agostinho.

O tempo litúrgico da quaresma nos remete a uma preparação piedosa e contrita para a Páscoa do Senhor. São-nos indicadas várias atitudes e práticas para este período: a oração, o arrependimento, a penitência, o jejum, a conversão, a ação da caridade fraterna. Temos em Maria, a Mãe Auxiliadora, uma modelar companheira de jornada rumo à Ressurreição do seu Filho Jesus Cristo. Ela que foi a primeira discípula d"Ele, concebendo o Verbo primeiramente no coração e só depois no ventre, como nos ensina Santo Agostinho. Com certeza, ela é a serena Mestra da oração, a Virgem que sabe ouvir, solícita à proposta de Deus, guardando todo o mistério da Epifania divina no silêncio do seu coração, transformando o diálogo com Deus em atitude humilde e fiel: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim, segundo a sua palavra" (Lc 1,37).

Orar com Maria na quaresma é mergulhar neste silêncio do Pai, escutar despojadamente a voz do Criador, reenvocando a nossa íntima identidade de "imagem e semelhança", o projeto original de Seu Amor. É reconhecer todas as dissonâncias e ranhuras advindas do pecado, do "não" desintegrador e desagregador da soberba de Adão e Eva, assumindo o sim da Mãe da nova humanidade, na ordem da graça, a "Nova Eva", como chama S. Irineu, São Justino e outros padres, que desata os nós da antiga negação. Pelo exemplo e intercessão de Maria, identificamo-nos com a obediência do "Novo Adão"(cf 1 Cor 15, 20-21; Rm 5),17-19) Jesus Cristo, mergulhando-nos no seu mistério salvífico, revivenciando a nossa dignidade de filhos de Deus, caráter indelével batismal.

Fazer penitência com Maria é seguir o seu testemunho de permanência em Deus, fortaleza da Mãe das Dores que sofre e atravessa o vale das sombras, sabendo com confiança do sentido misterioso divino, com a fé de que tudo se cumpriria conforme a promessa do Senhor. É despir-se das nossas falsas seguranças, das ilusões e escravidões dos prazeres, esvaziar-se como a Mãe peregrina que renunciou às projeções pessoais para assumir totalmente o projeto salvífico.

Por isso, não é só privar-se de algumas coisas por algum tempo, mas penitenciar-se é gerar no seu interior uma atitude de "kénosis", esvaziamento de si, na simplicidade e prioridade do serviço ao Reino, como Maria, inteiramente doada ao Filho de Deus e à sua missão, avançando na obediência itinerante da fé. Suportou a Mãe da Esperança todas as dúvidas, incertezas do mistério dos desígnios do Criador-Redentor, as angústias e preocupações diante da exposição do seu amado filho, incompreendido e, muitas vezes, rejeitado, injustiçado, o sofrimento extremo de vê-lo torturado, crucificado e morto em seus braços maternais.

A Mãe da Ressurreição nos ensina a trilhar o caminho das tentações, provações e opressões do mal, resilientes, centrados na fé, confiantes, aprendendo com os erros e pecados, arrependendo-nos, crucificando as nossas paixões no madeiro de Cristo, como nos diz o apóstolo São Paulo.

Ser missionário com Maria, a Estrela da Evangelização, a Mãe solidária que, alimentada pelo amor divino aos mais necessitados, partiu apressada para servir a Isabel, deve ser o coroamento de toda a nossa ação quaresmal. A prática da caridade servidora é missão da quaresma de uma vida inteira, na permanente preparação espiritual da Páscoa eterna, mistericamente já experimentada no tempo e na história presente, sob os véus do Inefável, entre as lutas e cruzes, na comunhão com o Senhor Ressuscitado. Sem este amor concreto de misericórdia, ficam sem sentido a oração, o jejum e a penitência e ficam sem consistência de verdade as palavras de arrependimento e de conversão, como nos fala fortemente o profeta Isaías.( cf Is 58, 6-10).

A Mãe da Divina Providência, do Perpétuo Socorro, das Mercês, das Graças de Deus ... será sempre o nosso luminoso exemplo de doação total, a partir do silêncio orante, do esvaziamento de si, da penitência da entrega confiante, da suportação das dores e provas, da inclinação amorosa e maternal a todos os filhos, abraçando-os e servindo-os com o Dom do Cristo e de sua redenção. É a Nossa Senhora Aparecida, que aparece em nossas vidas para comunicar-nos, solícita, o Amor de Deus. Encontrada, sim. Mas aquela que, antes, quis nos encontrar, em nossas necessidades e fraquezas como fora na atitude com Isabel e com os pescadores.

Também, agora, é Ela que intercede por nós, pecadores, como Mãe da Misericórdia, para ajudar a restaurar em nós, pelo Espírito, a imagem do Seu Filho. Tenhamo-la, nesta quaresma e sempre, como a nossa querida Mãe, Advogada e Protetora, Modelo e Companheira de nossa peregrinação e servir eclesial.

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é chanceler da Diocese de Nova Friburgo

 

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Eras tu, Senhor? A evangelização em forma de fraternidade

terça-feira, 10 de março de 2026
por Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça*

Parte 2

Fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Se sempre pensássemos e sentíssemos assim em nossos corações, não nos esquivaríamos mais dos irmãos necessitados, não driblaríamos as nossas responsabilidades. Não aceitaríamos passivos a exploração dos mais pobres e fracos. Nem o engano e a manipulação dos ingênuos e iletrados.

Parte 2

Fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Se sempre pensássemos e sentíssemos assim em nossos corações, não nos esquivaríamos mais dos irmãos necessitados, não driblaríamos as nossas responsabilidades. Não aceitaríamos passivos a exploração dos mais pobres e fracos. Nem o engano e a manipulação dos ingênuos e iletrados.

Lutaríamos cristã e democraticamente pela partilha da terra, da renda, do pão, da instrução, na mesma  espiritualidade  do repartir do abraço, da fé e do coração. Amaríamos mais, sem dúvida, a verdade, sem coligações, nem vínculos, sem omissão. Mediríamos as palavras, os juízos, os rótulos que impomos às pessoas. Saberíamos nos colocar no lugar do menino com fome, da mulher marginalizada, do pai e mãe de família desempregados, das pessoas em moradias precárias, sem teto, nas ruas, sem água, sem saneamento básico, sem energia elétrica, enfermas sem atendimento digno de saúde, dos idosos abandonados, de tantos excluídos e seus problemas, privados da educação e da cultura, dos direitos e da vida digna.

  Você já experimentou alguma situação desta? Alguém o ajudou? O que você sentiu? Conforto, segurança, salvação, alegria, gratidão? Seja, então, este alguém para o outro! Faça aos irmãos o que gostaria de receber. O outro é você que também quer ser feliz, se libertar e exercer seus direitos. Da mesma dignidade do seu coração, a imagem do Homem Perfeito , Deus que se encarnou e se fez dom e serviço à nossa pobreza até a cruz. O outro é Jesus.

   Que o Pobre de Nazaré nos dê coragem de sairmos do nosso comodismo e do acúmulo de preocupações com o nosso bem estar e conforto. Que Ele nos desinstale do nosso egoísmo e nos dê olhos para vermos as carências urgentes dos nossos irmãos mais pobres para nos esforçarmos em atendê-las, levando-os à promoção humana, distintivo indispensável da evangelização, como afirmava São Paulo VI e com sua intercessão. E que o Verbo Encarnado que se esvaziou de tudo, até da glória divina, se fez homem servo e despojado e deu a sua vida por nós, nos mantenha em sua Kénosis e que sempre nos lembre no ensinamento social de sua Igreja que o que excede as nossas necessidades de vida digna, é de direito natural daquele que carece, na dimensão da justiça distributiva. 

Assim, não haverá mais pessoas excludentes nem excluídas. Seremos todos irmãos , conforme o plano divino, na comunhão dos dons, na justa partilha dos bens que o Senhor criou para todos, na verdadeira comunicação missionária que começa na fraternidade, no amor solidário e se desenvolve na verdade de uma ação transformadora cristã do mundo que, pelo caminho justo e caridoso, plantará a paz.

*Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é chanceler da Diocese de Nova Friburgo

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Eras tu, Senhor? A evangelização em forma de fraternidade

terça-feira, 03 de março de 2026
por Jornalismo Diocesano

Parte 1

A fraternidade é a forma mais direta de comunicação da Boa Nova de Cristo. É o coração de toda mensagem evangélica: o amor fraterno capaz de dar a vida pelo outro, de resgatar a vida dos mais perdidos, necessitados, no espírito da misericórdia e gratuidade. Isto implica na  defesa da dignidade humana como imagem e semelhança de Deus e o respeito ao Seu Plano de Amor da criação, impresso na consciência e nas leis da natureza, de onde decorre a ética da justiça ,do equilíbrio, da realização do Bem.

Parte 1

A fraternidade é a forma mais direta de comunicação da Boa Nova de Cristo. É o coração de toda mensagem evangélica: o amor fraterno capaz de dar a vida pelo outro, de resgatar a vida dos mais perdidos, necessitados, no espírito da misericórdia e gratuidade. Isto implica na  defesa da dignidade humana como imagem e semelhança de Deus e o respeito ao Seu Plano de Amor da criação, impresso na consciência e nas leis da natureza, de onde decorre a ética da justiça ,do equilíbrio, da realização do Bem.

Através de várias inciativas e pastorais , campanhas e obras, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vem refletindo e agindo ao longo das décadas, com toda a comunidade brasileira sobre vários temas e áreas da nossa realidade, especialmente por meio da Campanha da Fraternidade: a ecologia, a saúde, a terra, o índio, o negro, o trabalho, a mulher, a fome, o menor, a educação, o jovem, a família, idoso, a pessoa com deficiência, a segurança, a água, a comunicação, a paz etc.

Neste ano, nos traz a temática da Fraternidade e a Moradia, apresentando o grande déficit da realidade habitacional, num desrespeito à dignidade humana e direito natural e civil de milhões de seres humanos, filhos de Deus, que são "imagem e semelhança" do Criador; iluminando com a Palavra de Deus, o próprio "Verbo que se fez carne e veio morar entre nós" (Jo 1,14); propondo e implementando ações e projetos na linha de uma transformação desta situação precária da moradia, buscando melhores políticas públicas, planejamento humano e aplicação das leis já existentes para o bem comum, cumprindo o Plano Nacional de Habitação, a exigência de assistência técnica, a legislação referente ao uso do solo, à preservação do meio ambiente, às populações vulneráveis nas ruas, não culpabilizando ainda os pobres pela deficiência da estrutura estatal, nem muito menos criminalizando os movimentos, organizações ou atividades que procuram a justiça social ou amenizam as lacunas deixadas pelo Poder público.

Ao VER o quadro real, com suas injustiças, desigualdades e incoerências com a verdade cristã, a Igreja exerce, com a autoridade de Cristo, sua missão profética de JULGAR, avaliar à luz do Evangelho, conscientizar sobre os valores e denunciar o sistema de pecado, apresentando pistas de ação e sua colaboração concreta - O AGIR -  para uma solução justa e fraterna a partir da solidariedade e da união.

A comunhão eclesial, seguindo o exemplo e o coração de Cristo, se inclina aos mais pobres e excluídos e adverte que os que excluem estão contra a vontade de Deus. Oprimem e exploram o próprio Cristo no ser humano faminto, prostituído, prisioneiro, dependente químico, alcoolizado, indefeso no ventre.... Rejeitam o Jesus abandonado, doente, menor carente, pobre, mendigo, analfabeto... Discriminam o Senhor no negro, no indígena, na mulher, no idoso, nas pessoas com deficiência, dentre outros.

É necessário que nós nos convertamos à proposta do Mestre que é a humildade, a partilha na igualdade, a solidariedade e o amor fraterno, à consciência de que não somos melhores que ninguém. Somos do mesmo "barro" ainda que agitados pela vaidade e pelo orgulho que tão facilmente retorna ao chão. Tudo passa! A figura do mundo se esfumaça. Nós também passamos. Cada ser humano que de nós se aproxima é nosso irmão, é Jesus. E um dia, Ele próprio nos julgará pela nossa sensibilidade, nossa atenção, nosso amor: "Estava com fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Estava nu e me vestistes... doente e fostes me ver..." E nós: 'Mas quando, Senhor que te fizemos isso? "

Responderá para nós o Cristo: "Todas as vezes que fizestes isso ao menor dos pequeninos , a mim o fizestes". E que nunca ouçamos o inverso : "O que não fizestes ao menor dos pequeninos..." ( Cf  Mt 25 31-46). Restará a surpresa: "ERAS TU,SENHOR!" (Continua na próxima semana)

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça
Chanceler da Diocese de Nova Friburgo
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Quaresma, Fraternidade e Moradia

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

O tempo da quaresma como renovação da vida cristã, nos convida a reencontrar o nosso verdadeiro rosto cristão através da oração e caridade, a fim de modelarmos nossa imagem àquela de Cristo; assim é que poderemos viver uma comunhão mais profunda no seu mistério de morte e ressurreição. É tempo de nós percorrermos o itinerário batismal de penitência e conversão. Tempo liturgicamente forte de mudança de vida, que nos insere ainda mais no Mistério de Cristo. É tempo de esperança, pois iniciamos nossa caminhada rumo à Páscoa de nosso Salvador Jesus Cristo.

O tempo da quaresma como renovação da vida cristã, nos convida a reencontrar o nosso verdadeiro rosto cristão através da oração e caridade, a fim de modelarmos nossa imagem àquela de Cristo; assim é que poderemos viver uma comunhão mais profunda no seu mistério de morte e ressurreição. É tempo de nós percorrermos o itinerário batismal de penitência e conversão. Tempo liturgicamente forte de mudança de vida, que nos insere ainda mais no Mistério de Cristo. É tempo de esperança, pois iniciamos nossa caminhada rumo à Páscoa de nosso Salvador Jesus Cristo.

Os quarenta dias que percorremos é um tempo de graça e de benção, marcado pela escuta da Palavra de Deus, da reconciliação com Deus e com os irmãos. É um tempo em que a igreja, com amorosa insistência, nos chama a mudar de vida. Tempo de oração, jejum, de partilha e gestos solidários; de direcionarmos a misericórdia de Deus aos mais necessitados.

A liturgia deste tempo forte e pedagógico nos prepara para a grande solenidade da Páscoa, que é o centro e ápice da nossa fé. Cada mensagem semanal nos leva a uma renovação espiritual, convidando-nos a viver este retiro olhando para o alto (oração), para si mesmo (jejum) e para o outro (esmola). É uma experiência de fé que nos transforma pessoalmente e o que está ao nosso redor, isto é, toda realidade do nosso mundo que ainda precisa ser atingida pela força renovadora da Palavra de Deus. Por isso, é importante intensificar a oração, a escuta da Palavra de Deus e a caridade. É um itinerário de obediência a Deus e entrega aos irmãos. O cristão testemunha ainda mais o Evangelho da misericórdia com sinais internos e externos.

Para nós cristãos, todos os dias deste tempo rico nos animam e fazem com que olhemos mais de perto a nossa vida e condição. A conversão é um processo permanente, seja em nível pessoal ou social. Conversão significa uma mudança de sentido ou de rumo. Acreditamos que nunca é tarde para optar pelo bem e abandonar o mal, pois Deus, no seu amor infinito e misericordioso, está sempre pronto a nos acolher e abraçar, como fez com o filho pródigo.

Nosso itinerário é sempre de um retorno ao primeiro amor e à fonte de todo bem e de toda graça. Esta é a razão pela qual repetimos, incansavelmente, neste recolhimento espiritual a célebre passagem bíblica: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6, 2). Portanto, temos que aproveitar esta graça que passa diante de cada um de nós. Não deixemos que ela passe em vão.

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema: Fraternidade e Moradia, e por lema: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 14). A Igreja do Brasil, através desta campanha, quer sensibilizar todas as pessoas sobre o problema da moradia em nosso país. Como sabemos, a casa é lugar de vida, de dignidade e convívio familiar, mas, infelizmente, nem todos tem acesso a este direito basilar. Neste sentido, “a campanha da Fraternidade 2026 é um chamado à solidariedade e à ação concreta afim de que todas as pessoas tenham um lugar para viver com dignidade, como filhos e filhas de Deus” (Texto-Base, p. 11). A falta de moradia digna, para grande parte da população em nosso país, revela um quadro de desigualdade ou desequilíbrio econômico e social que persistem.

A Campanha da Fraternidade é um modo peculiar da igreja do Brasil viver a quaresma, despertando a consciência de todos os fiéis e da sociedade no geral, sobretudo do poder público, no âmbito da moradia digna e da universalidade deste direito. “A moradia digna é base para a efetivação do direito à cidadania e dos direitos humanos” (Texto-Base, p. 21).

Que este tempo quaresmal, rico e forte no caminho de nossa santificação, nos ajude a refletir e lutar contra um modelo social excludente, onde a moradia seja uma realidade para poucos e uma situação ainda inadequada para uma parte expressiva de nosso povo; pois viver de forma digna não deve ser um privilégio para alguns, mas um direito de todos os filhos e filhas de Deus. Uma santa quaresma a todos.

D. Pedro Cunha Cruz

Bispo diocesano de Nova Friburgo – RJ

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Papa: mensagem para a Quaresma

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.

Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”

Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.” 

Juntos

O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.

“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”

O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.

“Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”

Fonte: Vatican News

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Papa: mensagem para a Quaresma

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

 

Escutar

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.
Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.
 
Escutar
Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.
Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”
 
Jejuar
Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.
No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.
Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.
“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”
Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.” 
 
Juntos
O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.
“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”
O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.
“Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”
 
Fonte: Vatican News
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Papa Leão XIV e o Concílio Vaticano II

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Em diversas ocasiões, o Papa Francisco falou sobre o tempo necessário para a plena implementação de um Concílio. Na entrevista ao semanário belga "Tertio", publicada em fevereiro de 2023, disse textualmente: "Os historiadores dizem que é preciso um século para que as decisões de um Concílio tenham pleno efeito e sejam implementadas. Ainda temos 40 anos pela frente... Estou tão preocupado com o Concílio porque esse evento foi na verdade uma visita de Deus à sua Igreja (...) O Concílio rejuvenesce a Igreja. A Igreja é uma mãe que sempre avança.

Em diversas ocasiões, o Papa Francisco falou sobre o tempo necessário para a plena implementação de um Concílio. Na entrevista ao semanário belga "Tertio", publicada em fevereiro de 2023, disse textualmente: "Os historiadores dizem que é preciso um século para que as decisões de um Concílio tenham pleno efeito e sejam implementadas. Ainda temos 40 anos pela frente... Estou tão preocupado com o Concílio porque esse evento foi na verdade uma visita de Deus à sua Igreja (...) O Concílio rejuvenesce a Igreja. A Igreja é uma mãe que sempre avança. O Concílio abriu a porta para uma maior maturidade, mais em sintonia com os sinais dos tempos".

Pouco mais de dois anos após esta afirmação, para suceder Francisco foi eleito o Papa Leão XIV, que precisamente dentro deste espaço de tempo de "40 anos" que ainda resta para implementar as decisões do Concílio, deu início em 2026 ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II - aberto por João XXIII em 11 de outubro de 1962 e concluído por São Paulo VI em 8 de dezembro de 1965. E este, é o tema da reflexão do padre Gerson Schmidt (*):

"Nas audiências gerais de 2025, o novo Papa eleito no transcorrer da celebração do Ano Jubilar, deu continuidade ao que já estava proposto pelo seu antecessor, ou seja, refletir sobre o Ano da Esperança. Leão XIV dava continuidade ao que Papa Francisco deixou encaminhado com seu grande e carismático Pontificado. Neste ano, na primeira audiência de 6 de janeiro de 2026, Papa Leão surpreendeu em propor sua identidade na temática das audiências gerais das quartas-feiras, na Praça São Pedro. O Papa quer resgatar o Concílio Vaticano II, grande riqueza e tesouro da Igreja, que segundo os papas anteriores, é uma bússola para orientar os caminhos novos da Igreja do Terceiro Milênio.

Nas catequeses de janeiro, propôs a reflexão a partir da Constituição Dogmática Dei Verbum. A escolha dos temas, que cabe tão somente ao Papa, agora vem recheado com um cunho pessoal de Leão XIV, marcando seu pontificado com a valorização da volta às fontes, como se propuseram também os padres conciliares, sem deixar de buscar abrir a Igreja para os novos e surpreendentes desafios na atualidade.

O Sumo Pontífice, Papa Leão, lembrou Bento XVI na primeira mensagem no final da missa com os cardeais eleitores, em 20 de abril de 2005, que disse assim: “Com o passar dos anos, os documentos conciliares não perderam atualidade; os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da atual sociedade globalizada”. Num mundo global e interplanetário, vivendo uma verdadeira rede interligado, profetizava Bento XVI a importância do resgate dos ensinamentos conciliares que não perderam a atualidade.

E ainda dizia Leão XIV assim na primeira audiência de 2026: “Quando o Papa São João XXIII inaugurou a assembleia conciliar, em 11 de outubro de 1962, falou dele como da aurora de um dia de luz para toda a Igreja. O trabalho dos numerosos padres convocados, provenientes das Igrejas de todos os continentes, abriu efetivamente o caminho para uma nova era eclesial.

Depois de uma rica reflexão bíblica, teológica e litúrgica, que atravessou o século XX, o Concílio Vaticano II redescobriu o rosto de Deus como Pai que, em Cristo, nos chama a ser seus filhos; olhou para a Igreja à luz de Cristo, luz das nações, como mistério de comunhão e sacramento de unidade entre Deus e o seu povo; iniciou uma importante reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou-nos a abrir-nos ao mundo e a enfrentar as mudanças e os desafios da época moderna no diálogo e na corresponsabilidade, como uma Igreja que deseja abrir os braços à humanidade, fazendo ressoar as esperanças e as angústias dos povos e colaborando na construção de uma sociedade mais justa e fraterna”.

Cada palavra do Papa nessa primeira audiência desse ano é importante e traz um documento conciliar por detrás do que afirmou. O Concílio trouxe uma renovação teológica para aproximarmos do Eterno na visão de um rosto paterno e misericordioso do Pai, não mais de um juiz severo e intransigente, capaz de condenar a todos. Por isso, o resgate de toda a Teologia da Revelação na Constituição Dogmática Dei Verbum, que fala da Palavra de Deus, valorizando a Sagrada Escritura, como fonte de inspiração para toda a ação eclesial.

Na audiência de 21 de janeiro, na Sala Paulo VI, repleta de fiéis, o Pontífice recordou que Deus não se revela por meio de ideias abstratas, mas em um verdadeiro “diálogo de aliança”, no qual se dirige à humanidade como a amigos. Trata-se, explicou o Papa, de um conhecimento que não se limita à comunicação de conteúdos, mas que “partilha uma história e nos chama à comunhão mútua”.

O Concílio Vaticano II olhou para a Igreja à luz de Cristo, luz das nações, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, que aponta a Igreja como mistério de comunhão e sacramento de unidade entre Deus e o seu povo. O Concílio Vaticano II iniciou uma profunda reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus, que é retratado na Constituição Sacrossanctum Concilium.

Finalmente, o Papa lembra a Gaudium et Spes, que traduz a missão da Igreja no mundo, diante das mudanças e os desafios da época moderna no diálogo e na corresponsabilidade, buscando uma Igreja que deseja abrir os braços à humanidade, fazendo ressoar as esperanças e as angústias dos povos e colaborando na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

”Graças ao Concílio Vaticano II, «a Igreja torna-se palavra; a Igreja faz-se mensagem; a Igreja torna-se diálogo» (São Paulo VI, Carta enc. Ecclesiam suam, 67), comprometendo-se a procurar a verdade através do caminho do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do diálogo com as pessoas de boa vontade”. Há, pois, que se zelar por uma renovação do Espírito Eclesial. “Este espírito, esta atitude interior, deve caracterizar a nossa vida espiritual e a ação pastoral da Igreja, porque ainda devemos realizar mais plenamente a reforma eclesial em chave ministerial e, diante dos desafios atuais, somos chamados a permanecer atentos intérpretes dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosas testemunhas de justiça e paz”, disse o Papa".

(*) Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela-RS. Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é mestre em Comunicação pela Famecos/PUC-RS.

Fonte: Vatican News

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Papa: Cuidar dos pequeninos

terça-feira, 03 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na manhã do último sábado, 30 de janeiro, os cerca de 100 participantes da iniciativa “Uma humanidade, Um planeta: Liderança sinodal”. Trata-se de um programa bienal de formação para a ação política promovido pela ONG “New Humanity” do Movimento dos Focolares, em colaboração com a Pontifícia Comissão para a América Latina e com o apoio da Fundação Porticus.

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na manhã do último sábado, 30 de janeiro, os cerca de 100 participantes da iniciativa “Uma humanidade, Um planeta: Liderança sinodal”. Trata-se de um programa bienal de formação para a ação política promovido pela ONG “New Humanity” do Movimento dos Focolares, em colaboração com a Pontifícia Comissão para a América Latina e com o apoio da Fundação Porticus.

O evento utiliza a metodologia do Hackathon e conta a participação de 100 jovens líderes dos cinco continentes, engajados em seus países na área política e social, de diferentes culturas e convicções políticas.

Após meses de intenso trabalho online, os jovens se reuniram em Roma de 26 de janeiro a 1º de fevereiro para traduzir o percurso de aprendizagem que compartilharam remotamente em propostas de impacto político.

Os "quatro sonhos" do Papa Francisco

Em seu discurso, o Pontífice enalteceu o método sinodal adotado, enquanto promove a escuta e o discernimento. De modo especial, o Santo Padre manifestou seu apreço pelo projeto “Quatro Sonhos” da Pontifícia Comissão para a América Latina, inspirado nos sonhos eclesial, ecológico, social e cultural do Papa Francisco contidos na Exortação Apostólica Querida Amazonia.

“Quão urgente é dedicar as melhores energias ao cuidado dessas áreas, especialmente em tempos marcados por muitas injustiças, violência e guerra! Hoje, o seu papel de líderes implica, portanto, uma responsabilidade crescente pela paz: não apenas entre as nações, mas também onde vocês moram, estudam e trabalham todos os dias”, afirmou, encorajando os jovens a buscarem, com coração puro e mente límpida, esta paz como dom, aliança e promessa.

“Sim, a paz é sobretudo um dom, porque a recebemos daqueles que nos precederam na história: é um bem pelo qual devemos agradecer. A paz é uma aliança, que nos incumbe de um compromisso comum: o de honrá-la, quando existe, e de realizá-la, quando falta. A paz, finalmente, é uma promessa, porque sustenta nossa esperança em um mundo melhor e, como tal, é buscada por todas as pessoas de boa vontade.”

O aborto, guerra da humanidade contra si mesma

Neste contexto, prosseguiu o Papa, a política desempenha uma função social insubstituível, recordando que não haverá paz sem acabar com a guerra que a humanidade faz a si mesma quando descarta quem é fraco, quando exclui quem é pobre, quando permanece indiferente diante do prófugo e do oprimido.

“Somente quem cuida dos mais pequeninos pode fazer coisas realmente grandes”, afirmou Leão XIV, citando Madre Teresa de Calcutá, quando afirmava que “o maior destruidor da paz é o aborto”.

“Sua voz continua profética: nenhuma política pode, de fato, colocar-se a serviço dos povos se exclui da vida aqueles que estão prestes a nascer, se não socorre aqueles que se encontram em situação de necessidade material e espiritual.”

O Papa exortou os jovens a terem coragem diante dos muitos desafios do presente, pois não estão sós nesta luta pela fraternidade universal. Deus está com eles. A propósito, afirmou que o título da iniciativa “Uma humanidade, Um planeta” mereceria ser completado com “Um Deus”:

“Reconhecendo Nele o bom criador, nossas religiões nos chamam a contribuir para o progresso social, buscando sempre o bem comum que tem como fundamento a justiça e a paz. Com essa certeza no coração, concedo a todos vocês, jovens, a todos aqueles que os acompanham e aos seus entes queridos, a bênção apostólica”.

Fonte Vatican News

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Papa: Deus não exclui

terça-feira, 27 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos. Foi o que disse o Papa Leão XIV no Angelus do último domingo, 25, o 3º do Tempo Comum e também o Domingo da Palavra de Deus e também da festa da conversão de São Paulo.

Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos. Foi o que disse o Papa Leão XIV no Angelus do último domingo, 25, o 3º do Tempo Comum e também o Domingo da Palavra de Deus e também da festa da conversão de São Paulo.

Tal como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamamento do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor: disse o Santo Padre no Angelus.

Na alocução que precedeu à oração mariana, Leão XIV, atendo-se ao Evangelho do dia (Mt 4,12-22), ressaltou que Jesus, tendo recebido o batismo, inicia sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão Pedro, André, Tiago e João. O Papa frisou que Jesus iniciou sua missão num momento que não parecia ser o melhor: João Batista acabara de ser preso, por isso, os líderes do povo estavam pouco dispostos a acolher a novidade do Messias.

O Evangelho nos pede o risco da confiança

Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, destacou o Pontífice, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova: «Está próximo o Reino do Céu».

“Também na nossa vida pessoal e eclesial, por vezes devido a resistências interiores ou a circunstâncias que consideramos desfavoráveis, pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação. Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, sendo bom qualquer momento para o Senhor, mesmo se não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor.”

Deus se aproxima de todos, não exclui ninguém

O relato evangélico, prosseguiu o Papa, também nos mostra o lugar onde Jesus começa a sua missão pública: Ele, «abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm». Permanece, contudo, na Galileia, um território habitado principalmente por pagãos, que, devido ao comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer que é um território multicultural, atravessado por pessoas com origens e filiações religiosas diferentes, observou Leão XIV.

O Evangelho diz-nos, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros, antes pelo contrário, envolve-se nas situações e nas relações humanas.

Vencer a tentação de nos fecharmos

“Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos.”

O Pontífice concluiu convidando todos a rezar à Virgem Maria, para que nos conceda a confiança interior e nos acompanhe ao longo do caminho.

Fonte: Vatican News

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