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A primeira encíclica de Leão XIV

terça-feira, 02 de junho de 2026
por Vatican News

Parte 1

“A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”. O incipit da primeira encíclica de Leão XIV – Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo.

Parte 1

“A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”. O incipit da primeira encíclica de Leão XIV – Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo.

Publicada no último dia 25 de maio, foi assinada pelo Pontífice no último dia 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da Rerum novarum de Leão XIII. E de seu predecessor, o Papa Prevost recolheu a herança, escrevendo uma encíclica social que aborda um dos principais desafios da época contemporânea: a inteligência artificial.

Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa”, nem “um mal em si mesma”. No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Daí, o apelo do Pontífice para “construir o bem” e “permanecer humanos”, seguindo a lógica da corresponsabilidade corajosa e da comunhão.

A Doutrina Social da Igreja

O primeiro capítulo – Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho – repercorre a Doutrina Social da Igreja (DSI) no magistério recente e no Concílio Vaticano II, destacando “o seu caráter dinâmico”. Longe de ser “um manual de princípios e normas a serem aplicados”, a DSI é antes uma “teologia da comunhão na história” que orienta a leitura dos acontecimentos à luz do Evangelho.

No segundo capítulo, Leão XIV enumera os Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja: entre os primeiros, inclui a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus; a inviolabilidade dos direitos humanos, entre os quais o direito à vida “desde a concepção até ao seu fim natural”; o reconhecimento dos direitos das minorias, com especial atenção às mulheres, para que sejam verdadeiramente ouvidas e valorizadas.

É inaceitável subjugar uma nação 

Quanto aos princípios da DSI, Leão XIV aponta cinco: o primeiro é o bem comum, “forma social da dignidade reconhecida a cada um”. Em um ponto, o Papa é particularmente firme: “A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua identidade e de contribuir com sua originalidade para a família das nações”. Consequentemente, “qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável”.

A tecnologia não deve estar nas mãos de poucos

O segundo princípio diz respeito à destinação universal dos bens: aí e em outros pontos da encíclica, Leão XIV insiste na necessidade de que as tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, alimentando a disparidade entre os incluídos e os excluídos da revolução digital. Daí decorrem o terceiro e o quarto princípios, a saber, a subsidiariedade – que exige a superação do paternalismo e do assistencialismo em favor da corresponsabilidade – e a solidariedade, “princípio e virtude” que se opõe à indiferença.

A justiça social 

O quinto princípio da Doutrina é a justiça social: na era digital, ela deve garantir a todos um acesso equitativo às oportunidades, proteger os mais vulneráveis, combater o ódio e a desinformação e submeter o uso das tecnologias ao controle público. Leão XIV aponta os migrantes como um “teste decisivo” nesse campo: a maneira como a sociedade os trata demonstra “se a ideia de justiça é guiada pelo medo ou pela fraternidade”.

Daí, o apelo tanto para salvaguardar “o direito à esperança” daqueles que são forçados a partir, garantindo-lhes vias seguras e legais, acolhimento digno e integração; quanto para promover “o direito de permanecer” de cada um em sua terra, em paz e segurança, enfrentando “as causas profundas” das migrações. O Pontífice entende que os cinco princípios se dirigem também à Igreja, chamada a “um exame de consciência”, a ouvir as “vítimas de abusos espirituais, econômicos, institucionais, sexuais, de poder e de consciência”, pois isso “é parte integrante de um caminho de justiça, que compreende o reconhecimento do dano, a reparação.

Um código ético para a IA

O terceiro capítulo – Técnica e domínio. A grandeza da pessoa humana diante das promessas da IA – ressalta que é preciso abordar a IA (Inteligência Artificial) com cautela, mantendo clareza sobre as responsabilidades em todas as suas etapas (accountability) e apostando em políticas e marcos jurídicos adequados, vigilância independente e educação dos usuários. Acima de tudo, é necessário um código ético submetido a critérios de justiça social compartilhada, pois “não serve uma IA mais moral se essa moral for decidida por poucos”. Sem deixar de lado o impacto ambiental das novas tecnologias, que exigem grandes quantidades de energia e água, afetando a Criação.

Continua na próxima semana

Fonte: Vatican News

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Doutrina social da Igreja, sempre atual

terça-feira, 26 de maio de 2026
por Institucional Diocese de Nova Friburgo

Última parte

Ainda que a encíclica Rerum Novarum (RN), publicada pelo Papa Leão XIII, em 15 de maio de 1891 (documento que é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja Católica - DSI), tenha surgido em uma realidade própria e possua seus objetos específicos de análise com a necessidade de contextualizá-la historicamente, a sua reflexão legou-nos princípios permanentes de interpretação das questões sociais que, a partir dessa encíclica, foram se tornando cada vez mais complexas e desafiadoras para a Igreja.

Legados

Última parte

Ainda que a encíclica Rerum Novarum (RN), publicada pelo Papa Leão XIII, em 15 de maio de 1891 (documento que é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja Católica - DSI), tenha surgido em uma realidade própria e possua seus objetos específicos de análise com a necessidade de contextualizá-la historicamente, a sua reflexão legou-nos princípios permanentes de interpretação das questões sociais que, a partir dessa encíclica, foram se tornando cada vez mais complexas e desafiadoras para a Igreja.

Legados

- A centralidade da dignidade da pessoa humana.

- A primazia da pessoa e da família sobre o Estado.

- A primazia do trabalho sobre o capital.

- A dignidade do trabalho que se manifesta especialmente em salário suficiente não só para despesas cotidianas, mas para sustento e crescimento digno da família.

- A necessidade de direitos trabalhistas que respeitem a dignidade da pessoa humana trabalhadora.

- A defesa do repouso semanal para convívio familiar saudável e vivência religiosa.

- A intervenção do Estado no jogo econômico como necessário serviço à pessoa humana, protegendo-a e promovendo-a, e não para suprimi-la (subsidiariedade).

- O reconhecimento do direito de organização dos trabalhadores (sindicalização, lutas por direitos).

- A não aceitação do mero livre acordo entre patrões e empregados.

- A necessidade de colaboração recíproca entre operários e patrões (concórdia, e não luta de classes).

- O princípio da solidariedade.

- O reconhecimento da propriedade privada como direito natural e com função social, na dinâmica da destinação universal dos bens da Criação/do Criador.

- O valor da liberdade de autodeterminação e criatividade.

- A centralidade da luta por justiça, moral e social.

- A necessidade de se tomar ciência que são as causas de injustiça social que levam os trabalhadores a optarem pelo recurso das greves, de tal modo a combater essas causas.

- O cuidado especial da Igreja e da sociedade para com os pobres.

- A necessidade de reduzir radicalmente as distâncias socioeconômicas entre as pessoas e de distribuição mais justa da riqueza produzida.

- As diferenças das condições naturais são agravadas socialmente pelo pecado (estrutura de pecado).

- A caridade como via mestra da doutrina social proposta pela Igreja.

- A condenação frontal dos dados centrais das ideologias socialistas e capitalistas.

Esse último ponto merece um pequeno destaque nesse momento da reflexão, pois nem sempre ele é evidente para as pessoas. É importante considerar que a RN condena o socialismo como “solução”, como “remédio” (cf. RN, 3). Ou seja, antes do mal do socialismo havia o mal do capitalismo liberal, que estava expresso exatamente nas condições deploráveis dos operários de então. Tanto um quanto outro é o pano contextual de fundo que leva Leão XIII a escrever sua encíclica social.

Diz o papa que os socialistas aparecem “para curar este mal” e, para tanto, promovem especialmente a luta de classes e a supressão da propriedade privada. Aclaramentos sobre isso foram acontecendo no decorrer do desenvolvimento da DSI nesses últimos 135 anos, mas já são deduzíveis da própria encíclica leonina.

Falando sobre a RN, o papa São João XXIII afirmou na encíclica Mater et magistra (MM) que “tanto a concorrência de tipo liberal como a luta de classes no sentido marxista são contrárias à natureza e à concepção cristã da vida” (MM, 22).

Reflexões

É importante compreender que a DSI é um verdadeiro processo, um patrimônio milenar dialógico, requerendo constantes e atualizadas reflexões (cf. CDSI, 9), manifestando, por um lado, continuidade imutável com a fonte da Revelação e da natureza humana, e, por outro, uma capacidade e necessidade contínua de renovação e atualização.

Nesse sentido, se pode então entender que “a firmeza nos princípios não faz dela um sistema de ensinamentos rígido e inerte, mas um Magistério capaz de abrir-se às coisas novas (“rerum novarum”) sem se desnaturar nelas” (CDSI, 85).

A encíclica social de Leão XIII legou-nos uma doutrina que será para sempre válida e atual. Comemorar os seus 135 anos e todos os outros aniversários dela que ainda virão é celebrar a vitalidade sempre fecunda do Evangelho de Jesus Cristo que a cada pessoa humana salva integralmente, como fruto da efusão de Sua própria Caridade.

Leão XIII conclui sua encíclica afirmando que é essa caridade que resume em si todo o Evangelho, nos colocando sempre em prontidão para sacrificar-nos pelo próximo [e não a sacrificar o próximo]: é ela o antidoto mais seguro contra o orgulho e o egoísmo que assola a vida de tantas pessoas em todos os tempos (cf. RN, 37). RN, um tesouro valioso que precisamos sempre redescobrir.

Por Elvis Rezende Messias, filósofo, teólogo, especialista em DSI, doutor em Educação, pós-doutorando em Filosofia e autor, dentre outros, do livro “O evangelho social: manual básico de doutrina social da Igreja” (Paulus, 2020), em coautoria com Dom Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano de Nova Friburgo. (Texto-base: https://diocesedacampanha.org.br/130-anos-da-rerum-novarum-uma-enciclica-sempre-atual-um-tesouro-a-redescobrir/)

Fonte: Institucional Diocese de Nova Friburgo

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Doutrina social da Igreja, sempre atual

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Institucional Diocese de Nova Friburgo

"Estamos convencidos de que é necessário vir em auxílio das pessoas de classes inferiores, pois estão numa situação de infortúnio e de miséria imerecida… os trabalhadores se veem entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada” (Papa Leão XIII. Rerum novarum, n. 2)

Parte 1

No dia 15 de maio de 1891 o papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum novarum (RN). Ela é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja (DSI) e permanece atual em muitos de seus aspectos analíticos e em seus princípios orientadores.

"Estamos convencidos de que é necessário vir em auxílio das pessoas de classes inferiores, pois estão numa situação de infortúnio e de miséria imerecida… os trabalhadores se veem entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada” (Papa Leão XIII. Rerum novarum, n. 2)

Parte 1

No dia 15 de maio de 1891 o papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum novarum (RN). Ela é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja (DSI) e permanece atual em muitos de seus aspectos analíticos e em seus princípios orientadores.

O papa que a escreveu era um intenso defensor da centralidade da pessoa humana em relação ao Estado e da primazia do trabalho sobre o capital. Assim, ele se fez também um grande defensor dos trabalhadores e de condições humanamente dignas de trabalho, que é a grande chave das questões sociais mais fortes.

A RN foi escrita justamente para refletir sobre a difícil condição dos operários do século XIX e oferecer critérios de juízo, princípios e orientações concretas para uma “solução conforme a justiça e a equidade” (RN, 1). Leão XIII já havia refletido sobre isso em outros documentos, mas não como um tema específico. Daí a marcante novidade dessa encíclica, que é o primeiro documento de um papa a tratar “mais explicitamente e com maior desenvolvimento” sobre a questão social dos trabalhadores.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI) afirma que a solicitude social católica certamente não teve início com a RN, entendendo que “a Igreja jamais deixou de se interessar pela sociedade”, mas reconhece que essa encíclica marca um novo e substancial desenvolvimento do seu ensinamento sobre as questões sociais (cf. CDSI, 87).

Transformações no trabalho

O contexto era o de intensas transformações decorrentes da Revolução Industrial, que, com a sua mentalidade capitalista liberal sedenta de constantes inovações (cf. RN, 1), submeteu uma grande massa de trabalhadores a condições existenciais deploráveis: populações miseráveis, aglomerados desumanos, condições desumanas de trabalho, exploração laboral de mulheres e crianças, salários de fome, ausência de direitos e regulações trabalhistas, perseguição de muitas organizações sindicais de trabalhadores, uma política estatal a serviço de uma economia de competitividade predatória, violenta e de concorrência desleal etc.

O papa Francisco, no prefácio do Docat, assim se expressou sobre esse contexto: “Com a industrialização emergiu um capitalismo brutal: uma espécie de economia que aniquila os seres humanos. Grandes industriais sem consciência fizeram com que as pobres populações agrícolas trabalhassem duramente com salários de miséria em minas e em fábricas sem condições. Havia crianças que já não viam a luz do dia. Eram como escravos, enviadas para debaixo da terra para puxarem vagões de carvão. Muitos cristãos ajudaram com grande empenho nesta necessidade, mas depressa perceberam que isso não era suficiente. Então desenvolveram ideias a fim de agirem social e politicamente contra a injustiça.”

O documento que é considerado fundador da Doutrina Social Católica continua a ser a encíclica do papa Leão XIII, Rerum novarum. (Francisco. Docat, p. 12). Como se pode ver, era uma realidade com graves distorções sociais que geravam um constante clima conflitivo e abria espaço para o aparecimento soluções que, aos olhos de Leão XIII, aumentariam ainda mais os conflitos e tenderiam “para a subversão completa do edifício social”, como seria o caso da solução socialista (RN, 3).

Diante de tudo isso, o papa entende que a Igreja também tem uma doutrina social a oferecer, sendo direito e dever dela intervir em questões sociais: “É com toda a confiança que nós abordamos este assunto, e em toda a plenitude do nosso direito; […] calarmo-nos seria, aos olhos de todos, trair o nosso dever” (RN, 10).

Reflexão, critérios e diretrizes

A RN abre, assim, a importante porta da DSI, que é parte fundamental de toda a Teologia Moral católica, Magistério autêntico, que exige a aceitação e a adesão dos fiéis (cf. Catecismo da Igreja Católica) e indispensável instrumento de evangelização de discernimento moral e pastoral dos complexos eventos de nosso tempo (cf. Centesimus annus = CA, 54; CDSI, 10).

Com isso, a Igreja oferece princípios de reflexão, critérios de juízo e diretrizes de ação não só para os católicos, mas para todas as pessoas de boa vontade que se colocam em luta contra as injustiças que submetem incontáveis seres humanos a situações absurdamente indignas (cf. CDSI, 7-12).

A estrutura da RN pode ser dividida em basicamente três partes:

1) A constatação de uma estrutura miserável que tem no industrialismo e no capitalismo liberal sua base e expressão.

2) A negação do socialismo com solução para essa estrutura.

3) Uma série de análises baseadas na Revelação e no direito natural, onde se fundam as raízes e princípios da doutrina social católica.

Continua na próxima semana

Texto-base: https://diocesedacampanha.org.br/130-anos-da-rerum-novarum-uma-enciclica-sempre-atual-um-tesouro-a-redescobrir/

Fonte: Institucional Diocese de Nova Friburgo

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O Concílio, estrela-guia para a igreja

terça-feira, 12 de maio de 2026
por Vatican News

O Concílio Vaticano II continua sendo, 61 anos após a sua conclusão, uma bússola constante para a Igreja universal. Com essa convicção, no último dia 7 de janeiro, o Papa Leão XIV deu início ao novo ciclo de aprofundamento dedicado aos documentos do Concílio. Dois fatores orientaram a sua escolha: a constatação de que «a geração de bispos, teólogos e fiéis do Concílio Vaticano II hoje já não existe mais» e «o apelo para não extinguir a profecia» do Concílio, mas sim para «continuar buscando caminhos e formas de pôr em prática as intuições».

O Concílio Vaticano II continua sendo, 61 anos após a sua conclusão, uma bússola constante para a Igreja universal. Com essa convicção, no último dia 7 de janeiro, o Papa Leão XIV deu início ao novo ciclo de aprofundamento dedicado aos documentos do Concílio. Dois fatores orientaram a sua escolha: a constatação de que «a geração de bispos, teólogos e fiéis do Concílio Vaticano II hoje já não existe mais» e «o apelo para não extinguir a profecia» do Concílio, mas sim para «continuar buscando caminhos e formas de pôr em prática as intuições».

Acima de tudo, explicou o Papa, é importante conhecer o Concílio «não por meio de “boatos” ou das interpretações que foram feitas, mas relendo seus documentos e refletindo sobre o seu conteúdo». Reler os textos de 1965 significa, portanto, oferecer à Igreja a possibilidade de «perceber as mudanças e os desafios da era moderna» e de «colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna», permanecendo com os «braços abertos» para a humanidade, suas esperanças e angústias.

A humanidade integral de Cristo que revela o mistério divino

De 7 de janeiro a 6 de maio — excluindo a pausa para os Exercícios Espirituais da Quaresma e a viagem apostólica à África —, até o momento, foram 14 as reflexões do Pontífice dedicadas a duas constituições dogmáticas: a Dei Verbum sobre a revelação divina e a Lumen gentium sobre a Igreja.

A primeira, eixo central de cinco catequeses, foi definida por Leão XIV como «um dos documentos mais belos e importantes da assembleia conciliar», pois recorda que Deus fala à humanidade e a convida à amizade com Ele. Cristo, de fato, é o rosto humano de Deus e sua existência histórica, da encarnação à ressurreição, manifesta plenamente o Pai. Não se trata de uma verdade que anula o humano, mas que o realiza: é justamente a humanidade integral de Cristo que torna visível o mistério divino, pois o Senhor «se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós». Daí deriva uma visão dinâmica do cristianismo: ele se baseia na unidade entre Escritura e Tradição, consideradas um único “depósito” confiado à Igreja.

A esse respeito, o Pontífice alertou para dois riscos específicos: por um lado, uma leitura fundamentalista que interpreta os textos sagrados de forma isolada «do contexto histórico em que se desenvolveram e das formas literárias utilizadas». Por outro lado, negligenciar a origem divina da Escritura, acabando por entendê-la como «um mero ensinamento humano», um texto técnico ou já ultrapassado. Pelo contrário — foi a advertência de Leão XIV —, o Evangelho deve ser compreendido como «um espaço privilegiado de encontro, no qual Deus continua a falar aos homens e às mulheres de todos os tempos».

Em um mundo saturado de palavras vazias, de fato, a Palavra de Deus se distingue como sempre nova, geradora e saciante para uma humanidade em busca de sentido e verdade.

A Igreja em favor dos pobres, explorados, vítimas, sofredores

Desde 18 de fevereiro, o Bispo de Roma tem centrado suas catequeses na Lumen gentium, à qual dedicou até agora oito reflexões. A partir delas, a Igreja surge como «sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos» e «presença santificadora em meio a uma humanidade ainda fragmentada» por divisões e conflitos. Investida da missão de «pronunciar palavras claras» para rejeitar tudo o que mortifica a vida, a Igreja — destacou ainda o Papa — é chamada a «tomar posição» em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas, dos sofredores. Em sua dimensão escatológica, de fato, ela é guardiã de uma esperança que ilumina o caminho.

Também é fundamental a reflexão que Leão XIV fez sobre duas dimensões eclesiais: a hierárquica e a escatológica. A primeira tem como objetivo perpetuar a missão confiada por Cristo aos Apóstolos, desde que nunca seja absolutizada. Pelo contrário: para corresponder plenamente à sua missão, as instituições eclesiais devem visar «uma conversão contínua, a renovação das formas e a reforma das estruturas». A segunda dimensão — definida como «essencial» — convida, além disso, a considerar a dimensão «comunitária e cósmica da salvação em Cristo», avaliando tudo nessa perspectiva.

Os leigos, cada vez mais testemunhas de justiça e de paz

O Pontífice reservou então uma atenção especial aos leigos, convidados a serem sempre testemunhas de justiça e de paz: seu «vasto campo» de apostolado não deve limitar-se ao espaço eclesial, mas alargar-se ao mundo, de modo a mostrar em toda parte a beleza da vida cristã.

Por fim, o Papa retomou o tema da santidade: ela, disse Leão XIV, não é privilégio de poucos, mas compromisso de todos os cristãos na caridade. Em meio às perseguições do mundo, os fiéis são, portanto, exortados a deixar “sinais de fé e de amor”, empenhando-se pela justiça e vivendo a cada dia sua missão de conversão e testemunho.

Fonte: Vatican News

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Papa: caridade – encontro com Deus

terça-feira, 05 de maio de 2026
por Vatican News

O Papa Leão XIV, entre a série de audiências da manhã desta segunda-feira, 4, recebeu o Conselho de Administração da Catholic Charities USA, a Organização das Caridades Católicas dos Estados Unidos que coordena uma rede nacional de mais de 160 instituições comprometidas em reduzir a pobreza e acompanhar as pessoas mais vulneráveis do país, independentemente da sua fé. Fundada em 1910, funciona como o braço beneficente da Igreja ao auxiliar cerca de 15 milhões de pessoas ao ano.

Ter coragem na missão, mesmo diante dos desafios

O Papa Leão XIV, entre a série de audiências da manhã desta segunda-feira, 4, recebeu o Conselho de Administração da Catholic Charities USA, a Organização das Caridades Católicas dos Estados Unidos que coordena uma rede nacional de mais de 160 instituições comprometidas em reduzir a pobreza e acompanhar as pessoas mais vulneráveis do país, independentemente da sua fé. Fundada em 1910, funciona como o braço beneficente da Igreja ao auxiliar cerca de 15 milhões de pessoas ao ano.

Ter coragem na missão, mesmo diante dos desafios

O grupo formado por 50 membros foi recebido na Sala do Consistório do Palácio Apostólico pelo Pontífice que, logo no início do discurso, encorajou a visitar "o coração da Igreja Universal" para fortalecer os laços com o Sucessor de Pedro, mas também para se aproximar ao "coração de Cristo", como os próprios apóstolos fizeram para poder anunciar o Evangelho.

Na tarefa da evangelização, assim como na Igreja primitiva, o Papa falou da importância de recordar a presença de Jesus todos os dias (Mt 28,20), mesmo diante das dificuldades que possam se apresentar ao cuidar dos pobres e necessitados: "Entre elas estão a busca por recursos suficientes, demonstrar aos outros que esse tipo de serviço é parte integrante de uma autêntica vida cristã e não ceder ao desânimo, especialmente quando encontramos aqueles a quem não podemos ajudar da maneira que gostaríamos."

São desafios também enfrentados pelas Caridades Católicas, disse o Papa, que também devem sempre "aprender a ouvir a voz de Jesus" ao se deparar com os obstáculos.

Leão XIV, então, encorajou a organização pelos "louváveis esforços" na missão e agradeceu pela "disposição em levar adiante o ministério de compaixão de Nosso Senhor para com os mais pequeninos entre nós": "Dessa forma, vocês procuram encontrar soluções para situações desumanas, aliviar o sofrimento de indivíduos e famílias e aliviar o fardo daqueles que estão oprimidos pelas dificuldades e provações. Em todas essas circunstâncias, deve ser a caridade de Cristo que impulsiona no trabalho diário de vocês. Ou seja, o desejo de levar aos outros ajuda material com o amor e o coração de Jesus, pois é nesse amor que eles encontrarão descanso autêntico e terão sua dignidade respeitada."

Um encontro mútuo com Deus

Nesse sentido, recordou o Papa, é verdade que “o amor ao próximo é prova tangível da autenticidade do nosso amor a Deus” (Exortação Apostólica Dilexi Te, 26). Mas também é verdade "que amar autenticamente o próximo" significa lhe oferecer a possibilidade de encontrar com Deus. É uma "oportunidade privilegiada de compartilhar a alegria da Ressurreição", através de um "sincero testemunho de fé": 

"A assistência prática que vocês e suas agências parceiras oferecem aos desfavorecidos permite que eles experimentem o amor de Deus por meio de vocês e abre um caminho para que eles entrem em uma relação duradoura com Ele. Ao mesmo tempo, permite que vocês entrem em contato com a carne de Cristo, procurando vê-lo e servi-lo em nossos irmãos e irmãs. Desta forma, suas obras de caridade tornam-se um encontro mútuo com o Senhor que está presente entre nós."

Ao final da audiência, o Papa Leão XIV concedeu a bênção apostólica aos presentes na Sala do Consistório, extensivo a todas as instituições associadas à Catholic Charities USA, "como garantia de paz e alegria no Senhor Ressuscitado".

Fonte: Vatican News

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Mensagem dos bispos do Brasil

terça-feira, 28 de abril de 2026
por CNBB

Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

“Reunidos em Aparecida-SP, junto à Padroeira do Brasil, nós, bispos católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os últimos dias 15 e 24, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

“Reunidos em Aparecida-SP, junto à Padroeira do Brasil, nós, bispos católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os últimos dias 15 e 24, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da solidariedade com os mais pobres.

O Batismo é a fonte de todas as vocações e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade.

Manifestamos nossa gratidão a todo o Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da Casa Comum.

Pedimos a todos um esforço contínuo pela unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num caminho de comunhão, participação e missão.

Somos gratos aos cristãos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas gerações e na transmissão da fé.

Esse mesmo olhar queremos dirigir aos diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário, especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.

Iluminados pelo magistério do Papa Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e abertura missionária permanentes.

Agradecemos, de modo especial, a todos os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na escuta e no discernimento.

Convidamos todos a um renovado compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.

Neste espírito de comunhão, como um só corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da variedade das vocações, carismas e ministérios.

Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.”

Aparecida – SP, 24 de abril de 2026. 62ª Assembleia Geral da CNBB

Fonte: CNBB

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Papa: Buscar o Pão da Vida

terça-feira, 21 de abril de 2026
por Vatican News

O Papa Leão XIV presidiu missa em Saurimo, capital da província angolana de Lunda Sul, na manhã desta segunda-feira, 20. A cidade situa-se a 1.081 metros acima do nível do mar. Anteriormente, chamava-se Henrique de Carvalho, em homenagem a um explorador português que visitou a região, em 1884, e entrou em contato com o povo banto Lunda-Cokwe, um grupo etnolinguístico predominante no nordeste de Angola.

Procuramos o Senhor por gratidão ou por interesse?

O Papa Leão XIV presidiu missa em Saurimo, capital da província angolana de Lunda Sul, na manhã desta segunda-feira, 20. A cidade situa-se a 1.081 metros acima do nível do mar. Anteriormente, chamava-se Henrique de Carvalho, em homenagem a um explorador português que visitou a região, em 1884, e entrou em contato com o povo banto Lunda-Cokwe, um grupo etnolinguístico predominante no nordeste de Angola.

Procuramos o Senhor por gratidão ou por interesse?

O Pontífice ressaltou que Jesus Ressuscitado "ilumina-nos a via para o Pai e santifica-nos com a força do Espírito, para que transformemos o nosso estilo de vida segundo o seu amor". “Esta é a Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias, sustentando-nos ao longo do caminho. Um caminho que hoje me trouxe até aqui, para estar convosco!”

A seguir, o Papa refletiu "sobre o motivo e o fim pelos quais seguimos o Senhor", que realizou "gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos". "Quem ouve falar destas obras põe-se à procura de Jesus", sublinhou o Papa.

"Ao mesmo tempo, o Senhor vê o nosso coração, perguntando-nos se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor", disse ainda Leão XIV, recordando as palavras de Jesus: “Vós procurais-me, não por terdes visto sinais milagrosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes”.

Projetos de quem não deseja o encontro

De acordo com o Papa, as palavras de Jesus "manifestam os projetos de quem não deseja o encontro com uma pessoa, mas o consumo de objetos. A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins, o vê como um prestador de serviços. Se Ele não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam".

"O mesmo acontece quando a fé autêntica é substituída por um comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve. Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prêmio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe", disse Leão XIV, acrescentando:

“O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte. Também o objetivo que aquela multidão se propõe é inadequado: não procuram, efetivamente, um mestre a quem amar, mas um líder a reverenciar por interesse.”

Acolher o sentido das palavras de Jesus

"Bem diferente é a atitude de Jesus para conosco", ressaltou o Papa. "Ele não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a sua conversão. Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser."

“Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa. Quando, no sinal do pão partilhado, vemos a vontade do Salvador, que se dá a si mesmo por nós, então aproximamo-nos do verdadeiro encontro com Jesus, que se torna seguimento, missão e vida.”

Explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza

Jesus nos educa "a procurar de modo correto o pão da vida, alimento que nos sustenta para sempre. O desejo da multidão encontra assim uma resposta ainda maior e surpreendente: Jesus não nos dá um alimento que acaba, mas um pão que não nos deixa acabar, porque é alimento de vida eterna".

“O seu dom ilumina o nosso presente: com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos. Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa história: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na missão encoraja-nos.”

"Tal como o pão vivo que sempre nos dá, a Eucaristia, assim a sua história não tem fim e, por isso mesmo, remove o fim, ou seja, a morte, da nossa história, que o Ressuscitado abre com a força do seu Espírito. Cristo vive! Ele é o nosso Redentor. Este é o Evangelho que partilhamos, fazendo irmãos todos os povos da terra. Este é o anúncio que transforma o pecado em perdão. Esta é a fé que salva a vida", disse o Papa Leão.

Não viemos ao mundo para morrer

Em Jesus, "ganha voz o anúncio da nossa ressurreição", disse o Pontífice, ressaltando que "não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade".

A palavra de Deus "é para nós regra de vida e critério de verdade", disse ainda o Papa. "É o Senhor quem traça a via para esta caminhada, não as nossas urgências, nem as modas do momento. Por isso, seguindo Jesus, o caminho eclesial é sempre um «Sínodo da ressurreição e da esperança»", disse Leão XIV, citando um trecho da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia in Africa, de São João Paulo II. "O Senhor caminha sempre ao nosso lado, para que possamos prosseguir na sua estrada: o próprio Cristo dá orientação e força à caminhada, uma caminhada que queremos aprender a viver cada vez mais como deve ser, ou seja, de modo sinodal", concluiu.

Fonte: Vatican News

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Assembleia Geral dos Bispos

terça-feira, 14 de abril de 2026
por CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, desta quarta-feira, 15 ao próximo dia 24, em Aparecida-SP, a próxima Assembleia Geral tendo como tema a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento. A expectativa é que o episcopado consolide um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal. 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, desta quarta-feira, 15 ao próximo dia 24, em Aparecida-SP, a próxima Assembleia Geral tendo como tema a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento. A expectativa é que o episcopado consolide um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal. 

Ao longo desse percurso, dois marcos se destacam: a carta dos bispos à Igreja, que deu início ao processo, e a mensagem enviada pelo Papa Francisco ao episcopado brasileiro, que confirmou e encorajou o caminho adotado. 

A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal

Em 2022, durante a 59ª assembleia geral, os bispos divulgaram uma carta com o itinerário de construção das novas diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus. 

Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente. Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições.

Discernimento Pastoral

Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto. 

A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação

Em 2024, durante a 61ª Assembleia Geral, o Papa Francisco enviou uma carta ao episcopado brasileiro na qual manifestou alegria pela elaboração das Diretrizes, destacando seu caráter sinodal. A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega. 

Consolidação e aprofundamento em 2024

Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais. 

Equipe de elaboração e amadurecimento do texto

Em 2026, o documento chegou à sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.

A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso: “Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma. Para Dom Leomar, arcebispo de Santa Maria-RS, o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos

Versão final e votação em 2026

Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes. O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos é a mudança na forma de organização do texto. Ela destaca o vínculo direto com o Sínodo: “Uma das referências dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”. 

Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos. O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação. 

Um marco para a Igreja no Brasil

A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas. 

Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos. 

Composição da Equipe de Elaboração das DGAE

Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS)
Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM)
Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP)
Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN)
Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT)
Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE)
Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio
Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB
Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

Fonte: CNBB

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O Senhor ressuscitado é nossa vida e salvação!

quarta-feira, 08 de abril de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Vivemos a alegria do anúncio pascal que ressoa em toda Igreja: Cristo ressuscitou! Não podemos deixar de celebrar e anunciar ao mundo inteiro que nós cremos no Senhor ressuscitado. Ele é nossa vida e nossa certeza de uma eternidade feliz. A morte foi vencida, pois o Senhor morreu, mas vivo está; e Ele é nossa salvação. A liturgia cristã canta alegremente: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos; porque a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Sl 117).

Vivemos a alegria do anúncio pascal que ressoa em toda Igreja: Cristo ressuscitou! Não podemos deixar de celebrar e anunciar ao mundo inteiro que nós cremos no Senhor ressuscitado. Ele é nossa vida e nossa certeza de uma eternidade feliz. A morte foi vencida, pois o Senhor morreu, mas vivo está; e Ele é nossa salvação. A liturgia cristã canta alegremente: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos; porque a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Sl 117).

A vitória de Cristo crucificado sobre as potências da morte o qualifica como Senhor e Messias. “Eu sou o primeiro e o último, o vivente; estive morto, mas estou vivo pelos séculos dos séculos” (Ap 1,17). Deste modo, Jesus ressuscitado transmitindo sua vida aos cristãos, ajuda-os a superar todas as adversidades e inimizade, “até o último inimigo ser vencido, isto é, a morte” (1Cor 15,26). 

O Aleluia Pascal que ressoa e é cantado constantemente neste tempo, exprime a alegria da nova criação, da vida nova e da recapitulação de todas as coisas em Jesus Cristo. Por isso, os cristãos participam de modo especial dos frutos da ressurreição, pois a fé pautada na ressurreição transforma nossa vida. Somos todos novas criaturas ao participarmos com fé no Mistério do Ressuscitado. Tal renascimento ocorre no seio da Igreja pela nossa purificação pessoal e vivência sacramental.

Jesus passou da morte para a vida, não para uma vida de limites, mas uma vida inteiramente nova. A ressurreição é a vitória sobre a morte, é uma libertação das amarras e limites deste mundo, é o triunfo da vida de Deus sobre a morte. Com sua ressurreição Jesus mostra qual é a recompensa dos que sofrem com Ele e por Ele.

Todo cristão, pelo batismo, é chamado a participar da morte e ressurreição de Cristo. Como Cristo foi sepultado, o cristão também, pela água do batismo, morre para o mundo do pecado e ressuscita para uma nova vida em Cristo. Não pertencemos mais a este mundo de pecado, mas buscamos as coisas do alto, de onde reina Cristo Senhor.

A Páscoa de Cristo é a síntese de toda história da Salvação, pois o Mistério Pascal abraça toda história humana. Toda a história converge para este mistério. Portanto, nossa vida deve ser uma existência pascal. A páscoa é o ápice da história humana. A ressurreição de Cristo é esperança de uma nova vida, de um mundo novo que já devemos construir aqui e agora. Um mundo onde reina o amor e paz; paz tão desejada hoje neste mundo dilacerado pela violência e pelos conflitos armados. A cultura de morte ameaça a vida, dom máximo de Deus.

Somos interpelados a anunciar que o amor de Deus por nós é o sentido mais profunda do nosso viver. Deus é a fonte de todo bem e da própria vida. Ele está sempre presente e nos ajuda a transformar as situações mais difíceis em grande aprendizado, por meio das quais amadurecemos e nos tornamos melhores, na relação com Deus e com os irmãos e irmãs.

O Evangelho da vida deve ser sempre anunciado com alegria e esperança. O cristão diante do cenário atual deve fazer brilhar a luz da fé e da mensagem de Jesus, decifrando o drama da dor, do medo e da morte. A vida voltará a florescer. O amor fará a vida vencer. O Senhor ressuscitado renova em nós o compromisso da promoção e defesa da vida em todas as suas dimensões, principalmente dos mais periféricos e vulneráveis.

O compromisso de cada cristão com o anúncio da vida nova em Cristo se reveste de um significado novo, pois Cristo ao ressuscitar inaugura um novo tempo de perdão e esperança para todos. Somos tocados pela beleza e a grandeza do gesto sublime do amor de Deus pelo seu povo e por toda a humanidade.

Celebrar a Páscoa é fazer a experiência do amor misericordioso de Deus por todos nós, sobretudo pelos mais humildes e abandonados. Mesmo num mundo ainda marcado por guerras, o anúncio da esperança é a proposta de um novo caminho que precisamos percorrer na construção de uma nova civilização do amor, da esperança e da fraternidade universal.

Caríssimos irmãos e irmãs celebremos com júbilo a festa da “Passagem”, a nossa Páscoa. Tenhamos a certeza de que a ressurreição acontece em nossas vidas. Alegremo-nos, pois é a festa da nossa redenção e de toda a humanidade. Proclamemos nossa fé no Senhor da vida, agraciados pelo dom pascal. Que a Igreja, fiel transmissora da fé pascal, saiba anunciar com coragem e autenticidade esta mensagem de salvação e de alegria a todos.

Feliz e santa Páscoa!

Dom Pedro Cunha Cruz, bispo da Diocese de Nova Friburgo

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Semana Santa: quem tem medo da cruz?

terça-feira, 31 de março de 2026
por Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça

Chegamos a Semana Santa. Neste final de Quaresma, façamos uma profunda reflexão-preparação espiritual.

Quem tem medo da cruz? Resposta: todos nós. Não fomos feitos para a cruz. Fomos gerados para a luz, para a vida. A cruz assombra, assusta, frustra, entristece. Faz fenecer todo sonho, o brilho dos olhos, a paz do coração. Faz perecer o voo, o projeto da ave, agora amarrada e sangrada. A cruz é terrível. É o nada travestido de dor, o vazio do abandono, o frio do desmonte existencial.

Chegamos a Semana Santa. Neste final de Quaresma, façamos uma profunda reflexão-preparação espiritual.

Quem tem medo da cruz? Resposta: todos nós. Não fomos feitos para a cruz. Fomos gerados para a luz, para a vida. A cruz assombra, assusta, frustra, entristece. Faz fenecer todo sonho, o brilho dos olhos, a paz do coração. Faz perecer o voo, o projeto da ave, agora amarrada e sangrada. A cruz é terrível. É o nada travestido de dor, o vazio do abandono, o frio do desmonte existencial.

Quem tem medo da cruz? Todo ser sensato tem. Mas a pergunta é outra: quem ou o que venceria o Amor? O que ou quem derrotaria a Luz? E a Luz e o Amor tem nome: Jesus, o Homem-Deus Salvador. Não que a cruz não pese ou não doa. Mas, a presença do seu Amor é mais forte do que a morte! O que é a dor do parto em relação à infinita alegria do filho-fruto? O que é a dor do sofrimento terreno perante a alegria estrondeante da eternidade que já pulsa e vibra dentro de nós?

Cristo venceu a cruz, porque era todo Amor. Ele sabia que o Pai não o deixaria. Até por um momento de solidão estremeceu e oscilou na segurança. Mas seu espírito estava entregue. Ele era plena comunhão de Amor e de Luz com o seu Pai. E o Espírito estava com Ele. Ele atravessou o deserto da fome e da sede, do calor e do vento gélido. Ele perseverou fiel na dureza das tentações. Sempre nos nossos momentos de fraqueza aparecem as portas largas do fácil e do mal. É mais cômodo jogar a toalha. É mais prático também mais covarde abandonar o navio, a luta, a causa. Perder os princípios, compactuar com a mentira. Fazer o jogo, vender a alma, ganhar tesouros, curtir o egoísmo-prazer. Adorar o poder, garimpar o dinheiro. É o movimento-alucinação do mundo, do nosso mundo roleta russa. Salve-se quem puder!

Ao contrário, o Mestre sustentou a caridade com a fibra do despojamento e da humildade, com a força divina da constância. A estabilidade do Bem, sem máscara, sem terceiras intenções, sem hipocrisia, sem autopromoção. A generosidade sempre pronta daquele que tinha no cotidiano de cada dever-missão o tempero do sentido maior do coração: a felicidade do outro, o crescimento do irmão-amigo, a salvação da amiga-irmã. A cruz só prevalece quando não temos a Luz e o sentido! Quando possuímos um porquê, então fazemos a oferenda, entregamos o sacrifício. Cada dor é doação, é oferta.

É "por eles" que caminhamos. É "por eles" que sofremos. É "por eles" que não desistimos e enfrentamos tudo e não cedemos à infidelidade. É "por eles", gratuitamente, já nos dispensando do "obrigado" e da necessidade lógica da gratidão e do retorno. Como é o Amor de Cristo, puro e gratuito, só para que todos nós nos libertássemos. E isso já é uma imensa felicidade!

Se pudermos plantar a semente e fazer crescer alguém, isto já é um bálsamo de Deus que diz a nós ao ouvido e ao coração: "É por aí! Vai, continua, sê feliz!" Não importa o peso do madeiro, mesmo que diário. Transcenderemos o calvário, os chicotes, as cusparadas, as zombarias, a lança da traição, a sensação de abandono... Não fugiremos da missão, pois o nosso sangue é semente, nossa vida é geradora de tantas vidas e esperanças.

Se a cada passo o Amor ilumina, a cruz que era nada, se torna instrumento-caminho do Tudo. O que era fim se transforma em meio. O que aniquilava, agora amadurece e reforça o valor da meta. O muro aparentemente intransponível é, na verdade, somente um obstáculo para o corredor que tem como ideal a coroa de louros da vitória. E assim nos libertamos e corremos no certame que nos é proposto rumo à realização eterna de Deus.

Não queremos ser escravos de ninguém, de nada, nem de nós mesmos. Foi para que fôssemos livres que Cristo nos redimiu, que Ele derramou total e resignadamente seu sangue, vendo em cada dor a nossa liberdade, em cada chicotada, o nosso riso, em cada bofetada, a nossa canção, na coroa de espinhos, a nossa glória. Persevera quem ama. De novo retorna a mente a pergunta: Quem tem medo da cruz? Todos nós temos medo da dor. Mas temos muito mais confiança no Amor que vence o tempo, a força, a mentira e a maldade, porque tem o Poder e a perenidade da Verdade - a única estrada que nos pode dar a vitória-felicidade-ressurreição!

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça – Diocese de Nova Friburgo.

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