Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Assembleia Geral dos Bispos

A Voz da Diocese
A Voz da Diocese
Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, desta quarta-feira, 15 ao próximo dia 24, em Aparecida-SP, a próxima Assembleia Geral tendo como tema a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento. A expectativa é que o episcopado consolide um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal.
Ao longo desse percurso, dois marcos se destacam: a carta dos bispos à Igreja, que deu início ao processo, e a mensagem enviada pelo Papa Francisco ao episcopado brasileiro, que confirmou e encorajou o caminho adotado.
A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal
Em 2022, durante a 59ª assembleia geral, os bispos divulgaram uma carta com o itinerário de construção das novas diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.
Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente. Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições.
Discernimento Pastoral
Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.
A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação
Em 2024, durante a 61ª Assembleia Geral, o Papa Francisco enviou uma carta ao episcopado brasileiro na qual manifestou alegria pela elaboração das Diretrizes, destacando seu caráter sinodal. A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.
Consolidação e aprofundamento em 2024
Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.
Equipe de elaboração e amadurecimento do texto
Em 2026, o documento chegou à sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.
A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso: “Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma. Para Dom Leomar, arcebispo de Santa Maria-RS, o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos
Versão final e votação em 2026
Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes. O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos é a mudança na forma de organização do texto. Ela destaca o vínculo direto com o Sínodo: “Uma das referências dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”.
Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos. O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.
Um marco para a Igreja no Brasil
A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas.
Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos.
Composição da Equipe de Elaboração das DGAE
Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS)
Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM)
Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP)
Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN)
Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT)
Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE)
Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio
Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB
Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB
Fonte: CNBB

A Voz da Diocese
A Voz da Diocese
Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo.
A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Deixe o seu comentário