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Seis meses com Leão XIV

terça-feira, 18 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Última parte

Testemunhar a paz. Após fazer essa declaração em sua primeira saudação no dia de sua eleição, o Papa Leão XIV falou inúmeras vezes sobre a paz, convidando os cristãos a testemunhá-la concretamente: "A não violência, como método e estilo, deve distinguir nossas decisões, nossas relações, nossas ações", disse o pontífice aos movimentos e associações da Arena della Pace, em 30 de maio.

Última parte

Testemunhar a paz. Após fazer essa declaração em sua primeira saudação no dia de sua eleição, o Papa Leão XIV falou inúmeras vezes sobre a paz, convidando os cristãos a testemunhá-la concretamente: "A não violência, como método e estilo, deve distinguir nossas decisões, nossas relações, nossas ações", disse o pontífice aos movimentos e associações da Arena della Pace, em 30 de maio.

Ao mesmo tempo, o Sucessor de Pedro se manifestou várias vezes contra o rearmamento, como fez ao final da audiência de 18 de junho: "Não devemos nos acostumar com a guerra! De fato, devemos rejeitar como uma tentação o fascínio de armamentos poderosos e sofisticados." Em 26 de junho, Leão XIV, ao receber os participantes da Roaco, a Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais, disse: “Como crer, depois de séculos de história, que as ações bélicas trazem a paz e não se volta contra quem as praticaram? (...) Como continuar traindo o desejo de paz dos povos com falsa propaganda de rearmamento, na vã ilusão de que a supremacia resolve os problemas em vez de alimentar o ódio e a vingança?

As pessoas estão cada vez menos inconscientes da quantidade de dinheiro que vai para os bolsos dos mercadores da morte e com a qual se poderiam construir hospitais e escolas; e, em vez disso, se destroem os que já foram construídos!”

O desarmamento pedido pelo Bispo de Roma diz respeito tanto aos líderes das nações, para que não voltem a riqueza "contra o homem, transformando-a em armas que destroem povos e em monopólios que humilham os trabalhadores" (homilia de domingo, 21 de setembro, na paróquia de Santa Ana, no Vaticano), quanto a cada um de nós, porque o convite de Jesus é para desarmar a mão, mas antes de tudo o coração.

Na conclusão da Vigília Mariana pela Paz, no último dia 11 de outubro, o Papa Leão XIV afirmou: "Guarda a tua espada é uma palavra dirigida aos poderosos do mundo, àqueles que guiam os destinos dos povos: tenham a audácia de desarmar. É dirigida também a cada um de nós, para nos conscientizar cada vez mais de que por nenhuma ideia, fé ou política podemos matar. O coração deve ser desarmado primeiro, porque se não houver paz dentro de nós, não daremos paz."

Amor aos pobres

Em sua primeira exortação apostólica, publicada em 9 de outubro, o Papa Leão XIV explicou que, ao ajudar os que sofrem, “não estamos no horizonte da beneficência, mas da Revelação: o contato com quem não tem poder nem grandeza é um modo fundamental de encontro com o Senhor da história”. O amor aos pobres não é um “caminho opcional”, mas representa “o critério do culto verdadeiro”.

 Ao se encontrar com os núncios apostólicos em 10 de junho de 2025, o Papa disse: “Conto com vocês para que nos países onde vivem, todos saibam que a Igreja está sempre pronta a tudo por amor, que está sempre ao lado dos últimos, dos pobres”. Em 13 de julho, em Castel Gandolfo, ele exortou, seguindo o exemplo do Bom Samaritano, a não "passarmos por cima", mas a deixarmos "transpassar o coração" por "todos aqueles que afundam no mal, no sofrimento e na pobreza", por "tantos povos despossuídos, roubados e saqueados, vítimas de sistemas políticos opressivos, de uma economia que os força à pobreza, da guerra que mata seus sonhos e suas vidas".

No Jubileu dos Trabalhadores da Justiça, em 20 de setembro, o Papa convidou a não desviar o olhar da "realidade de tantos países e povos que têm fome e sede de justiça, porque suas condições de vida são tão iníquas e desumanas a ponto de serem inaceitáveis", lembrando que "um Estado em que não há justiça não é um Estado". Em discurso aos Movimentos Populares em 23 de outubro de 2025, o Sucessor de Pedro lembrou que "a exclusão é a nova face da injustiça social. A distância entre uma "'pequena minoria' — 1% da população — e a vasta maioria aumentou drasticamente. (...) Como Bispo do Peru, alegro-me por ter vivido uma Igreja que acompanha as pessoas em suas tristezas, suas alegrias, suas lutas e suas esperanças."

Migrantes, nossos irmãos

Leão XIV, em sua homilia para o Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, em 5 de outubro, falou da "história de tantos de nossos irmãos migrantes" que "não podem e não devem encontrar a frieza da indiferença ou o estigma da discriminação!" Em seu discurso aos Movimentos Populares, em 23 de outubro, abordou a questão da segurança: "Com o abuso de migrantes vulneráveis, não estamos assistindo o exercício legítimo da soberania nacional, mas sim a graves crimes cometidos ou tolerados pelo Estado.

Medidas cada vez mais desumanas — até mesmo politicamente celebradas — estão sendo adotadas para tratar esses 'indesejáveis' como se fossem lixo e não seres humanos. O cristianismo, por outro lado, remete ao Deus do amor, que nos faz a todos irmãos e irmãs e nos pede que vivamos como irmãos e irmãs."

Fonte: Vatican News

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Seis meses com Leão XIV

terça-feira, 11 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Parte 1

 

Parte 1

 

Seis meses se passaram desde aquela tarde de 8 de maio, quando o novo Bispo de Roma, o primeiro Papa estadunidense e agostiniano, apareceu no balcão central da Basílica de São Pedro. Um fio condutor permeia o seu magistério: a Igreja como sinal de unidade e comunhão, que se torna fermento para um mundo reconciliado diante da guerra, do ódio e da violência. Vale a pena relembrar algumas etapas desse ensinamento, que destacam como o anúncio da essência da fé jamais se separa do testemunho da caridade, do compromisso concreto com os pobres e com a construção de uma sociedade mais justa.

Desde suas primeiras palavras, proferidas na saudação logo após sua eleição: “A paz esteja convosco! (...) Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante. Ela vem de Deus, um Deus que nos ama a todos incondicionalmente. (...) Devemos buscar juntos como ser uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, diálogo, sempre aberta ao acolhimento.” Uma Igreja, disse ele na homilia da missa de inauguração de seu pontificado em 18 de maio de 2025, “unida, sinal de unidade e comunhão, que se torna o fermento para um mundo reconciliado.

Em nosso tempo, ainda vemos muita discórdia, muitas feridas causadas pelo ódio, pela violência, pelo preconceito, pelo medo daqueles que são diferentes, por um paradigma econômico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres. E nós queremos ser, dentro dessa massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade.”

No coração da missão: desaparecer para que Cristo permaneça

No dia seguinte à sua eleição, na primeira celebração com os cardeais na Capela Sistina, Leão XIV recordou um "compromisso indispensável para qualquer pessoa na Igreja que exerça um ministério de autoridade: desaparecer para que Cristo permaneça, fazer-se pequeno para que Ele seja conhecido e glorificado, doar-se completamente para que ninguém deixe de ter a oportunidade de conhecê-Lo e amá-Lo". Na homilia de 18 de maio, o Papa falou de "amor e unidade" como as duas dimensões confiadas por Jesus a Pedro e explicou que essa tarefa só é possível porque Pedro "experimentou em sua própria vida o amor infinito e incondicional de Deus, mesmo na hora da falha e da negação".

Como disse aos jovens reunidos em Tor Vergata na noite de 2 de agosto, "na origem de nós mesmos não havia uma decisão nossa, mas um amor que nos queria". Este amor precede-nos, como explicou o Papa na sua catequese na audiência de quarta-feira, 20 de agosto, falando de Judas que recebe o pedaço de pão de Jesus na Última Ceia: "Jesus leva adiante e a fundo o seu amor (...) Porque sabe que o verdadeiro perdão não espera pelo arrependimento, mas oferece-se primeiro, como um dom gratuito, mesmo antes de ser acolhido".

A missão da Igreja é testemunhar esse amor. Para isso, explicou Leão XIV em 7 de junho de 2025, durante a Vigília de Pentecostes, “não precisamos de apoiadores poderosos, acordos mundanos ou estratégias emocionais. A evangelização é obra de Deus e, se por vezes passa através das nossas pessoas, é por causa dos laços que ela cria”. A Igreja não precisa de estratégias de marketing; a evangelização é, de fato, Deus em ação. Fundamental para a missão é a unidade na diversidade, ou seja, a comunhão vivida.

É uma fé, como ele enfatizou no domingo, 5 de outubro, ao celebrar o Jubileu do mundo missionário, que “não se impõe por meio do poder e de maneiras extraordinárias (...) É uma salvação que acontece quando nos comprometemos pessoalmente e nos importamos, com a compaixão do Evangelho, com o sofrimento do próximo”. É uma fé que não julga os outros, que não nos faz sentir "perfeitos", também porque, como explicou no Angelus de domingo, 24 de agosto, Jesus coloca em crise "a segurança dos fiéis": "Ele, aliás, nos diz que não basta professar a nossa fé com palavras, comer e beber com Ele celebrando a Eucaristia, ou conhecer bem os ensinamentos cristãos.

A nossa fé é autêntica quando abraça toda a nossa vida, quando se torna um critério para as nossas escolhas, quando nos torna mulheres e homens que se comprometem com o bem e se arriscam no amor próprio, tal como Jesus fez." (Fonte: Vatican News)

Continua na próxima terça-feira, 18

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Leão XIV: A esperança cristã

terça-feira, 04 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

"Caríssimos, o amado Papa Francisco e nossos irmãos cardeais e bispos, viveram, testemunharam e ensinaram esta esperança nova, pascal", disse Leão XIV em sua homilia na missa em sufrágio do Papa Francisco e dos cardeais e bispos falecidos ao longo do ano. O Papa Leão XIV presidiu, na Basílica de São Pedro, na manhã desta segunda-feira, 3, a missa em sufrágio do Papa Francisco e dos cardeais e bispos falecidos ao longo do ano, no âmbito da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

"Caríssimos, o amado Papa Francisco e nossos irmãos cardeais e bispos, viveram, testemunharam e ensinaram esta esperança nova, pascal", disse Leão XIV em sua homilia na missa em sufrágio do Papa Francisco e dos cardeais e bispos falecidos ao longo do ano. O Papa Leão XIV presidiu, na Basílica de São Pedro, na manhã desta segunda-feira, 3, a missa em sufrágio do Papa Francisco e dos cardeais e bispos falecidos ao longo do ano, no âmbito da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

"Com grande afeto, a oferecemos pela alma eleita do Papa Francisco, que faleceu após abrir a Porta Santa e conceder a Bênção Pascal a Roma e ao mundo. Graças ao Jubileu, esta celebração — para mim, a primeira — adquire um sabor especial: o sabor da esperança cristã", disse Leão XIV no início de sua homilia.

"A Palavra de Deus que ouvimos nos ilumina", sublinhou o Papa, ressaltando que ela "o faz com um grande ícone bíblico que, poderíamos dizer, resume o significado de todo este Ano Santo: a história dos discípulos de Emaús, em Lucas". "Ela representa vividamente a peregrinação da esperança, que passa pelo encontro com o Cristo ressuscitado. O ponto de partida é a experiência da morte, e em sua pior forma: a morte violenta que mata o inocente" e deixa os discípulos "desanimados, desencorajados e desesperados". "Quantas pessoas, quantas crianças, ainda hoje sofrem o trauma dessa morte terrível, porque ela é desfigurada pelo pecado", disse ainda o Papa.

 

Uma nova esperança

Segundo Leão XIV, "a essa morte não podemos e não devemos dizer "laudato si'", porque Deus Pai não a quer e enviou seu próprio Filho ao mundo para nos libertar dela. Está escrito: Cristo precisava sofrer essas coisas para entrar na sua glória e nos dar a vida eterna. Só Ele pode suportar esta morte corrupta sobre si e dentro de si sem ser corrompido por ela. Só Ele possui palavras de vida eterna". "Confessamos isso com tremor aqui perto do túmulo de São Pedro, e essas palavras têm o poder de reacender a fé e a esperança em nossos corações", sublinhou.

“Quando Jesus toma o pão com suas mãos que tinham sido pregadas na cruz, pronuncia a bênção, parte-o e o oferece, os olhos dos discípulos se abrem, a fé floresce em seus corações e, com a fé, uma nova esperança. Sim! Não é mais a esperança que tinham antes e que haviam perdido. É uma nova realidade, um dom, uma graça do Ressuscitado: é a esperança pascal.”

 

Uma esperança que olha para além

"Assim como a vida de Jesus ressuscitado não é mais a mesma de antes, mas absolutamente nova, criada pelo Pai com o poder do Espírito, também a esperança do cristão não é uma esperança humana, não é nem a dos gregos nem a dos judeus; não se baseia na sabedoria dos filósofos nem na justiça derivada da lei, mas única e exclusivamente no fato de que o Crucificado ressuscitou e apareceu a Simão, às mulheres e aos outros discípulos", disse ainda o Papa.

"É uma esperança que não olha para o horizonte terreno, mas para além, para Deus, para aquela altura e profundidade de onde o Sol se elevou para iluminar aqueles que jazem nas trevas e na sombra da morte", sublinhou. "Então, sim, podemos cantar: “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã morte corporal”. O amor de Cristo, crucificado e ressuscitado, transfigurou a morte: de inimiga, tornou-a irmã, a suavizou.

E diante da morte, não nos entristecemos como aqueles que não têm esperança", disse Leão XIV, acrescentando: “É claro que ficamos tristes quando uma pessoa querida nos deixa. Ficamos chocados quando um ser humano, especialmente uma criança, um “pequenino”, um ser frágil, é arrancado da vida por uma doença ou, pior, pela violência humana. Como cristãos, somos chamados a carregar o peso dessas cruzes com Cristo. Mas não estamos tristes como aqueles que não têm esperança, porque nem mesmo a morte mais trágica pode impedir nosso Senhor de acolher em seus braços nossa alma e transformar nosso corpo mortal, mesmo o mais desfigurado, à imagem de seu corpo glorioso.”

 

O Papa Francisco testemunhou esta esperança nova

O Papa disse ainda que "por essa razão, os cristãos não chamam os locais de sepultamento de "necrópoles", isto é, "cidades dos mortos", mas de "cemitérios", que significa literalmente "dormitórios", lugares onde se repousa, aguardando a ressurreição". “Caríssimos, o amado Papa Francisco e nossos irmãos cardeais e bispos, por quem hoje oferecemos o Sacrifício Eucarístico, viveram, testemunharam e ensinaram esta esperança nova, pascal. O Senhor os chamou e os designou como pastores de sua Igreja, e por meio de seu ministério — para usar a linguagem do Livro de Daniel — eles “conduziram muitos à justiça”, ou seja, os guiaram no caminho do Evangelho com a sabedoria que vem de Cristo, que se tornou para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção.”

"Que suas almas sejam purificadas de toda mancha e que brilhem como estrelas no céu. Que a nós, ainda peregrinos na terra, chegue, no silêncio da oração, o seu encorajamento espiritual", concluiu o Papa Leão.

 

Fonte Vatican News

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Papa: fé e amor aos pobres

terça-feira, 28 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

"Não se pode separar a fé do amor pelos pobres" Exortação Apostólica"Dilexit te" (Eu te amei) - Papa Leão XIV

Última parte

 

Indiferença por parte dos cristãos

"Não se pode separar a fé do amor pelos pobres" Exortação Apostólica"Dilexit te" (Eu te amei) - Papa Leão XIV

Última parte

 

Indiferença por parte dos cristãos

O Papa Leão XIV costuma destacar “a falta ou mesmo a ausência de compromisso” com a defesa e a promoção dos mais desfavorecidos em alguns grupos cristãos. Se uma comunidade da Igreja não coopera para a inclusão de todos, adverte ele, “correrá também o risco da sua dissolução, mesmo que fale de temas sociais ou critique os governos. Facilmente acabará submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em práticas religiosas, reuniões infecundas ou discursos vazios” (113). Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres (36)

O testemunho dos santos, beatos e ordens religiosas

Para contrabalançar essa atitude de indiferença, há um mundo de santos, beatos e missionários que, ao longo dos séculos, encarnaram a imagem de “uma Igreja pobre e para os pobres” (35). De Francisco de Assis e seu gesto de abraçar um leproso (7) a Madre Teresa, ícone universal da caridade dedicada aos moribundos da Índia “com uma ternura que era oração” (77). E ainda São Lourenço, São Justino, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, seu Santo Agostinho, que afirmava: “Aquele que diz amar a Deus e não se compadece dos necessitados, mente” (45).

Leão ainda lembra o trabalho dos Camilianos pelos doentes (49), das congregações femininas em hospitais e casas de repouso (51). Ele lembra o acolhimento nos mosteiros beneditinos a viúvas, crianças abandonadas, peregrinos e mendigos (55). E lembra também os franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos que iniciaram “uma revolução evangélica” através de um “estilo de vida simples e pobre” (63), juntamente com os trinitários e mercedários que, lutando pela libertação dos prisioneiros, expressaram o amor de “um Deus que liberta não só da escravidão espiritual, mas também da opressão concreta” (60).

A tradição destas Ordens não cessou. Pelo contrário, inspirou novas formas de ação diante das escravidões modernas: o tráfico de pessoas, o trabalho forçado, a exploração sexual, as diversas formas de dependência. A caridade cristã, quando encarnada, torna-se libertadora (61)

O direito à educação

O Pontífice recorda também o exemplo de São José de Calasanz, que fundou a primeira escola popular gratuita da Europa (69), para salientar a importância da educação dos pobres: “Não é um favor, mas um dever”. Os pequenos têm direito à sabedoria, como exigência básica do reconhecimento da dignidade humana (72)

A luta dos movimentos populares

Na exortação, o Papa também menciona a luta contra os “efeitos destrutivos do império do dinheiro” por parte dos movimentos populares, conduzidos por líderes “colocados muitas vezes sob suspeita e até perseguidos” (80). Eles, escreve, “convidam a superar aquela ideia das políticas sociais concebidas como uma política para os pobres, mas nunca com os pobres, nunca dos pobres” (81).

Uma voz que desperte e denuncie

Nas últimas páginas do documento, Leão XIV apela a todo o Povo de Deus para “fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha mesmo correndo o risco de parecer estúpidos”. As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes na transformação da sociedade (97)

Os pobres, não um problema social, mas o centro da Igreja

É necessário que “todos nos deixemos evangelizar pelos pobres”, exorta o Papa (102). “O cristão não pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles são uma questão familiar. Pertencem aos nossos”. Portanto, “a relação com eles não pode ser reduzida a uma atividade ou departamento da Igreja” (104).

Fonte: Vatican News

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Papa: fé e amor aos pobres

terça-feira, 21 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

"Não se pode separar a fé do amor pelos pobres" Exortação Apostólica"Dilexit te" (Eu te amei) - Papa Leão XIV

Parte 2

O Papa Leão XIV invoca aos fiéis católicos uma “mudança de mentalidade”, libertando-se antes de tudo da “ilusão de uma felicidade que deriva de uma vida confortável”. Isso leva muitas pessoas a uma visão da existência centrada na riqueza e no sucesso “a todo custo”, mesmo em detrimento dos outros e por meio de “sistemas político-econômicos injustos” (11). A dignidade de cada pessoa humana deve ser respeitada já agora, não só amanhã (92)

"Não se pode separar a fé do amor pelos pobres" Exortação Apostólica"Dilexit te" (Eu te amei) - Papa Leão XIV

Parte 2

O Papa Leão XIV invoca aos fiéis católicos uma “mudança de mentalidade”, libertando-se antes de tudo da “ilusão de uma felicidade que deriva de uma vida confortável”. Isso leva muitas pessoas a uma visão da existência centrada na riqueza e no sucesso “a todo custo”, mesmo em detrimento dos outros e por meio de “sistemas político-econômicos injustos” (11). A dignidade de cada pessoa humana deve ser respeitada já agora, não só amanhã (92)

Em cada migrante rejeitado está Cristo batendo à porta

Leão XIV dedica um amplo espaço ao tema das migrações. Para ilustrar suas palavras, ele usa a imagem do pequeno Alan Kurdi, o menino sírio de 3 anos que se tornou, em 2015, símbolo da crise europeia dos migrantes com a foto de seu corpinho sem vida em uma praia. “Infelizmente, à parte de alguma momentânea comoção, acontecimentos semelhantes estão a tornar-se cada vez mais irrelevantes, como notícias secundárias” (11), constata o Pontífice.

Ao mesmo tempo, ele lembra a obra secular da Igreja em favor daqueles que são forçados a abandonar suas terras, expressa em centros de acolhimento, missões de fronteira, esforços da Caritas Internacional e outras instituições (75).

A Igreja, como mãe, caminha com os que caminham. Onde o mundo vê ameaça, ela vê filhos; onde se erguem muros, ela constrói pontes. Pois sabe que o Evangelho só é crível quando se traduz em gestos de proximidade e de acolhimento; e que em cada migrante rejeitado, é o próprio Cristo que bate às portas da comunidade (75)

Ainda sobre o tema das migrações, Robert Prevost faz seus os famosos “quatro verbos” do Papa Francisco: “Acolher, proteger, promover e integrar”. E do Papa Francisco ele também toma emprestada a definição dos pobres não apenas como objeto de nossa compaixão, mas como “mestres do Evangelho”.

Servir aos pobres não é um gesto a ser feito “de cima para baixo”, mas um encontro entre iguais... A Igreja, portanto, quando se curva para cuidar dos pobres, assume sua postura mais elevada (79).

Mulheres vítimas de violência e exclusão

O sucessor de Pedro olha então para a atualidade marcada por milhares de pessoas que morrem todos os dias “por causas relacionadas com a desnutrição” (12). “Duplamente pobres”, acrescenta, são “as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menos possibilidades de defender os seus direitos” (12).

“Os pobres não existem por acaso...”

O Papa Leão XIV traça uma reflexão profunda sobre as causas da pobreza: “Os pobres não existem por acaso ou por um cego e amargo destino. Muito menos a pobreza é uma escolha, para a maioria deles. No entanto, ainda há quem ouse afirmá-lo, demonstrando cegueira e crueldade”, sublinha (14). “Obviamente, entre os pobres há também aqueles que não querem trabalhar”, mas há também muitos homens e mulheres que, por exemplo, recolhem papelão de manhã à noite apenas para “sobreviver” e nunca para “melhorar” a vida.

Em suma, lê-se em um dos pontos centrais da Dilexi te, não se pode dizer “que a maioria dos pobres estão nessa situação porque não obtiveram méritos, de acordo com a falsa visão da meritocracia, segundo a qual parece que só têm méritos aqueles que tiveram sucesso na vida” (14).

Ideologias e orientações políticas

Em muitas ocasiões, observa o Papa Leão, são os próprios cristãos que se deixam “contagiar por atitudes marcadas por ideologias mundanas ou por orientações políticas e econômicas que levam a injustas generalizações e conclusões enganosas” (15).

Há quem continue a dizer: “O nosso dever é rezar e ensinar a verdadeira doutrina”. Mas, desvinculando este aspecto religioso da promoção integral, acrescentam que só o governo deveria cuidar deles, ou que seria melhor deixá-los na miséria, ensinando-lhes antes a trabalhar (114).

A esmola frequentemente desprezada

Sintoma dessa mentalidade é o fato de que o exercício da caridade às vezes é “desprezado ou ridicularizado, como se fosse uma fixação somente de alguns e não o núcleo incandescente da missão eclesial” (15). O Papa detém-se longamente na esmola, raramente praticada e frequentemente desprezada (115).

Como cristãos, não renunciemos à esmola. Um gesto que pode ser feito de várias maneiras, e podemos tentar fazer da forma mais eficaz, mas que deve ser feito. E será sempre melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada. Em todo o caso, tocar-nos-á o coração. Não será a solução para a pobreza no mundo, que deve ser procurada com inteligência, tenacidade e compromisso social. Mas precisamos praticar a esmola para tocar a carne sofredora dos pobres (119). (Fonte: Vatican News)

Continua na próxima terça-feira, 29

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Papa: fé e amor aos pobres

terça-feira, 14 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

"Não se pode separar a fé do amor pelos pobres" Exortação Apostólica"Dilexit te" (Eu te amei) - Papa Leão XIV

 

Parte 1

"Não se pode separar a fé do amor pelos pobres" Exortação Apostólica"Dilexit te" (Eu te amei) - Papa Leão XIV

 

Parte 1

Foi publicada a primeira exortação apostólica de Robert Prevost, um trabalho iniciado por Francisco sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo rosto encontramos “o sofrimento dos inocentes”. O Papa denuncia a economia que mata, a falta de equidade, a violência contra as mulheres, a desnutrição, a emergência educacional. Ele faz seu o apelo de Bergoglio pelos migrantes e pede aos fiéis que façam ouvir “uma voz que denuncie”, porque “as estruturas da injustiça devem ser destruídas com a força do bem"

Dilexi te, “Eu te amei”. O amor de Cristo que se encarna no amor aos pobres, entendido como cuidado dos doentes; luta contra a escravidão; defesa das mulheres que sofrem exclusão e violência; direito à educação; acompanhamento aos migrantes; esmola que “é justiça restabelecida, não um gesto de paternalismo”; equidade, cuja falta é “a raiz de todos os males sociais”.

Leão XIV assina sua primeira exortação apostólica, Dilexi te, texto em 121 pontos que brota do Evangelho do Filho de Deus que se tornou pobre desde sua entrada no mundo e que relança o Magistério da Igreja sobre os pobres nos últimos 150 anos. “Uma verdadeira mina de ensinamentos”.

 

Seguindo os passos dos seus antecessores

Com este documento assinado em 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, o Pontífice agostiniano segue assim os passos dos seus antecessores: João XXIII com o apelo aos países ricos na Mater et Magistra para que não permaneçam indiferentes perante os países oprimidos pela fome e pela miséria (83); Paulo VI, com a Populorum progressio e o discurso na ONU “como advogado dos povos pobres”; João Paulo II, que consolidou doutrinariamente “a relação preferencial da Igreja com os pobres”; Bento XIV e a Caritas in Veritate, com sua leitura “mais marcadamente política” das crises do terceiro milênio. Por fim, Francisco, que fez do cuidado “pelos pobres” e “com os pobres” um dos pilares do seu pontificado.

 

Um trabalho iniciado por Francisco e relançado por Leão

Foi o próprio Francisco que, nos meses que antecederam sua morte, iniciou o trabalho sobre a exortação apostólica. Assim como aconteceu com a Lumen Fidei, de Bento XVI, recolhida em 2013 por Jorge Mario Bergoglio, também desta vez é o sucessor que completa a obra, que representa uma continuação da Dilexit Nos, a última encíclica do Papa argentino sobre o Coração de Jesus. Porque é forte a “ligação” entre o amor de Deus e o amor pelos pobres: através deles, Deus “ainda tem algo a nos dizer”, afirma o Papa Leão.

E ele retoma o tema da “opção preferencial” pelos pobres, expressão nascida na América Latina (16) não para indicar “um exclusivismo ou uma discriminação em relação a outros grupos”, mas “a ação de Deus” que se move por compaixão pela fraqueza da humanidade. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo (9)

 

Os “rostos” da pobreza

São numerosos os pontos para reflexão, numerosas as motivações para a ação na exortação de Robert Francis Prevost, na qual são analisados os “rostos” da pobreza. A pobreza daqueles que “não têm meios de subsistência material”, de “quem é marginalizado socialmente e não possui instrumentos para dar voz à sua dignidade e suas capacidades”; a pobreza “moral”, “espiritual”, “cultural”; a pobreza “de quem não tem direitos, nem lugar, nem liberdade” (9).

 

Novas formas de pobreza e falta de equidade

Diante desse cenário, o Papa considera “insuficiente” o compromisso de eliminar as causas estruturais da pobreza em sociedades marcadas por “numerosas desigualdades”, pelo surgimento de novas formas de pobreza “mais sutis e perigosas” (10) e por regras econômicas que aumentaram a riqueza, “mas sem equidade”.

A falta de equidade é a raiz dos males sociais (94)

 

A ditadura de uma economia que mata

“Quando dizem que o mundo moderno reduziu a pobreza, fazem-no medindo-a com critérios de outros tempos não comparáveis à realidade atual”, afirma Leão XIV (13). Deste ponto de vista, ele saúda “com satisfação” o fato de que “as Nações Unidas tenham colocado a erradicação da pobreza como um dos objetivos do milênio”. No entanto, o caminho é longo, especialmente numa época em que continua a vigorar a “ditadura de uma economia que mata”, em que os ganhos de poucos “crescem exponencialmente”, enquanto os da maioria estão “cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz” e em que se difundem “ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira” (92).

 

Cultura do descarte, liberdade de mercado, pastoral das elites

Tudo isso é sinal de que ainda persiste – “por vezes bem disfarçada” – uma cultura do descarte que “tolera com indiferença que milhões de pessoas morram de fome ou sobrevivam em condições indignas do ser humano” (11). O Papa condena então os “critérios pseudocientíficos” segundo os quais será “a liberdade do mercado” a levar à “solução” do problema da pobreza, bem como a “pastoral das chamadas elites”, segundo a qual “em vez de perder tempo com os pobres, é melhor cuidar dos ricos, dos poderosos e dos profissionais” (114). Realmente, os direitos humanos não são iguais para todos (94).

(Fonte: Vatican News)

Continua na próxima terça-feira, 21

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Casa comum: fraternidade, justiça

terça-feira, 07 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O arcebispo de Porto Alegre-RS e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, abriu, na última quinta-feira, 2, as atividades na conferência Espalhando Esperança, realizada em Castel Gandolfo, por ocasião dos dez anos da encíclica Laudato Si. Como presidente do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam), Dom Jaime falou sobre a profecia do Sul Global no tema do cuidado com o planeta como um chamado à esperança a partir da Laudato Si em tempos de colapso.

O arcebispo de Porto Alegre-RS e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, abriu, na última quinta-feira, 2, as atividades na conferência Espalhando Esperança, realizada em Castel Gandolfo, por ocasião dos dez anos da encíclica Laudato Si. Como presidente do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam), Dom Jaime falou sobre a profecia do Sul Global no tema do cuidado com o planeta como um chamado à esperança a partir da Laudato Si em tempos de colapso.

Dom Jaime iniciou afirmando que ali erguia a voz dos povos latino-americanos e caribenhos, dos mártires da terra, de comunidades ribeirinhas, indígenas, afrodescendentes, camponesas e urbanas “que cuidam da vida com ternura, mesmo em contextos de grandes ameaças”. Segundo ele, “são elas que caminham cantando, porque suas lutas e preocupação por este planeta não lhes tiram a alegria da esperança”.

Ele citou a conjuntura de policrises, o aquecimento global, a falta de diálogo internacional e de consensos multilaterais e o grito de justiça que vem das periferias. “A crise climática não é apenas técnica, mas existencial, de justiça e dignidade, que chama a Igreja e todas as pessoas de boa vontade ao cuidado da vida e das relações. Como cristãos, cremos que “evangelizar é tornar presente no mundo o Reino de Deus” (EG 176). O compromisso de cuidar da Casa Comum é inseparável da fraternidade e da justiça; por isso, as soluções devem unir justiça, ecologia, direitos da natureza e dignidade humana”.

Para Dom Jaime, “as instituições globais e as negociações multilaterais estão muito aquém do necessário; daí a urgência de reconstruir a confiança na cooperação e no diálogo”. Recordando os dez anos da encíclica Laudato Si, o presidente da CNBB salientou o ensino do Papa Francisco por ouvir o duplo grito da Terra e dos pobres. “Mas esta profecia não foi escutada com a urgência necessária”, lamentou.

 

Amazônia

Nesse sentido, a Amazônia é um banco de prova para a humanidade e para a missão da Igreja, parafraseou Dom Jaime. A realização da COP30 no Brasil, na Amazônia, “representa um chamado histórico para que a Igreja reafirme sua posição profética. É imperativo defender a Amazônia e os demais biomas vitais, combater o desmatamento e os incêndios, e reforçar o objetivo de ‘desmatamento zero’ até 2030.

 

Rumo à COP30

Dom Jaime recordou o caminho feito pela Igreja até a Conferência do Clima como oportunidade de educação popular, mobilização e visibilização de propostas, reivindicações e modos de vida dos povos.

Deu destaque ao trabalho de formação e estudos, além da incidência política através das Conferências e Conselhos Episcopais da África, América Latina e Caribe e Ásia, que lançaram uma mensagem conjunta para a COP30 destacando a necessidade da justiça climática para a paz, e a conversão ecológica para o futuro.

Ainda sobre a COP30, Dom Jaime reforça a necessidade de seguir apostando no multilateralismo. “A Igreja se compromete a fortalecer a resistência e a resiliência das comunidades e impulsionar uma coalizão histórica entre atores do Norte e do Sul Global. É crucial estabelecer mecanismos de governança climática com participação ativa e vinculante das comunidades.

 

Povos originários

Ao final de sua fala, Dom Jaime destacou a força dos povos originários e a aliança da Igreja com eles, “verdadeiros guardiões dos territórios”. “Assumimos uma aliança com os povos originários, o povo do campo, das águas e das cidades, em defesa da vida, da terra e das culturas. Precisamos aprender a sabedoria ancestral do bem viver, que inspira a proposta da Laudato Si para uma sobriedade feliz, horizonte de uma nova sociedade livre de acumulação e preconceitos. Esses povos, enraizados em seus territórios, nos chamam a resistir ao consumismo e a reduzir o supérfluo, convidando-nos a uma autêntica fraternidade. Coloquemos o cuidado da vida no centro: é possível substituir a lógica extrativista por uma economia do bem e do cuidado da Casa Comum”.

Fonte: CNBB

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Leão XIV: o catequista, pessoa de palavra

terça-feira, 30 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O Papa Leão XIV presidiu a missa do Jubileu dos Catequistas, neste domingo, 28, o 26º do Tempo Comum, na Praça São Pedro, em que instituiu 39 ministros da catequese. A celebração contou com a presença de 50 mil pessoas que estavam na Praça São Pedro e adjacências.

O Papa Leão XIV presidiu a missa do Jubileu dos Catequistas, neste domingo, 28, o 26º do Tempo Comum, na Praça São Pedro, em que instituiu 39 ministros da catequese. A celebração contou com a presença de 50 mil pessoas que estavam na Praça São Pedro e adjacências.

O pontífice iniciou sua homilia, recordando que "as palavras de Jesus nos falam de como Deus olha para o mundo, em todos os tempos e lugares". No Evangelho deste domingo, os olhos do Senhor observam "um pobre e um rico, quem morre de fome e quem se banqueteia diante dele, as vestes elegantes de um e, do outro, as chagas que os cães lambiam". "Mas não só", disse ainda o Papa Leão: "O Senhor vê o coração dos homens e, através dos seus olhos, nós reconhecemos um indigente e um indiferente".

Segundo o Papa, "Lázaro é esquecido por quem está à sua frente, mesmo à porta de casa, no entanto Deus está perto dele e lembra-se do seu nome. Não tem nome, porém, o homem que vive na abundância, porque se perde a si mesmo, esquecendo-se do próximo. Está perdido nos pensamentos do seu coração, cheio de coisas, mas vazio de amor. Os seus bens não o tornam bom".

“A história que Cristo nos conta infelizmente é muito atual. Às portas da opulência jaz hoje a miséria de povos inteiros, atormentados pela guerra e pela exploração. Com o passar dos séculos, parece que nada mudou: quantos Lázaros morrem diante da ganância que esquece a justiça, do lucro que espezinha a caridade, da riqueza cega diante da dor dos pobres!”

"No entanto, o Evangelho assegura que os sofrimentos de Lázaro têm um fim. As suas dores terminam, tal como terminam os festins do rico, e Deus faz justiça a ambos: «O pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado». Sem se cansar, a Igreja anuncia esta palavra do Senhor, para que converta os nossos corações", sublinhou.

O diálogo entre o homem rico e Abraão

A seguir, Leão XIV recordou que "por uma singular coincidência, este mesmo trecho evangélico foi proclamado precisamente durante o Jubileu dos Catequistas no Ano Santo da Misericórdia. Dirigindo-se aos peregrinos que vieram a Roma por essa ocasião, o Papa destacou que Deus redime o mundo de todo o mal, dando a sua vida pela nossa salvação. A sua ação é o início da nossa missão, porque nos convida a nos doar pelo bem de todos".

            O Evangelho deste domingo, "nos faz refletir sobre o diálogo entre o homem rico e Abraão". "Trata-se de uma súplica que o rico faz para salvar os seus irmãos e que para nós constitui um desafio", sublinhou o Papa. Ao falar com Abraão, ele afirma: «Se algum dos mortos for ter com eles, hão de arrepender-se». Abraão responde: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos».

Os catequistas são testemunhas de Jesus

"Com efeito, houve um que ressuscitou dos mortos: Jesus Cristo. As palavras da Escritura, então, não querem desiludir ou desanimar-nos, mas despertam a nossa consciência. Escutar Moisés e os profetas significa recordar os mandamentos e as promessas de Deus, cuja providência nunca abandona ninguém", disse ainda Leão XIV, sublinhando que o "Evangelho nos anuncia que a vida de todos pode mudar, porque Cristo ressuscitou dos mortos. Este acontecimento é a verdade que nos salva: por isso, deve ser conhecida e anunciada. Mas não basta. Deve ser amada: é este amor que nos leva a compreender o Evangelho, porque nos transforma, abrindo o coração à palavra de Deus e ao rosto do próximo".

“A este respeito, vocês, catequistas, são aqueles discípulos de Jesus que se tornam suas testemunhas: o nome do ministério que exercem vem do verbo grego katēchein, que significa instruir de viva voz, fazer ressoar. Isto quer dizer que o catequista é uma pessoa de palavra, uma palavra que pronuncia com a própria vida.”

O Papa destacou que "os primeiros catequistas são os pais, aqueles que primeiro nos falaram e nos ensinaram a falar. Assim como aprendemos a nossa língua materna, também o anúncio da fé não pode ser delegado a outros, mas acontece no lugar onde vivemos. Em primeiro lugar, nas nossas casas, ao redor da mesa: quando há uma voz, um gesto, um rosto que conduz a Cristo, a família experimenta a beleza do Evangelho".

Leão XIV recordou que "todos nós fomos educados na fé através do testemunho daqueles que acreditaram antes de nós. Enquanto crianças, adolescentes, jovens, depois como adultos e também como idosos, os catequistas acompanham-nos na fé, partilhando um caminho constante, como vocês fizeram hoje, na peregrinação jubilar".

“Nesta comunhão, o Catecismo é o «instrumento de viagem» que nos protege do individualismo e das discórdias, porque atesta a fé de toda a Igreja católica. Cada fiel colabora na sua obra pastoral, ouvindo questões, partilhando provações, servindo o desejo de justiça e verdade que habita a consciência humana.”

Compromisso com a justiça e a paz

"É assim que os catequistas ensinam, ou seja, deixam um sinal interior: quando educamos na fé, não damos uma lição, mas plantamos no coração a palavra da vida, para que ela dê frutos de vida boa. Ao diácono Deogratias, que lhe perguntou como ser um bom catequista, Santo Agostinho respondeu: «Expõe tudo de modo que quem te ouça, ouvindo, acredite; acreditando, espere; e esperando, ame»", frisou o Papa.

Leão XIV convidou a fazer nosso este convite. "Lembremo-nos de que ninguém dá o que não tem. Se o rico do Evangelho tivesse caridade para com Lázaro, teria feito o bem, não só ao pobre, mas também a si mesmo. Se aquele homem sem nome tivesse fé, Deus o teria salvado de todo o tormento: foi o apego às riquezas mundanas que lhe tirou a esperança do bem verdadeiro e eterno".

“Quando também nós somos tentados pela ganância e pela indiferença, os muitos Lázaros de hoje recordam-nos a palavra de Jesus, tornando-se para nós uma catequese ainda mais eficaz durante este Jubileu, que é para todos tempo de conversão e perdão, de compromisso com a justiça e a busca sincera da paz.”

Fonte: Vatican News

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Bíblia: Palavra de Deus em Linguagem Humana

terça-feira, 23 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A Constituição Dogmática Dei verbum do Concílio Vaticano II, recomenda vivamente a leitura assídua da Sagrada Escritura. Exorta todos os fiéis cristãos, religiosos e consagrados a esta frequente leitura (DV, 25). Como seria possível viver sem o conhecimento das Escrituras, se é por elas que se aprende a conhecer o próprio Cristo? Se de um lado a Bíblia nos ajuda a conhecer mais a figura e a pessoa de Cristo; de outro, ela ajuda a entender e aprofundar aquilo que vivemos em Cristo, isto é, a decifrar o sentido de nossa vida cristã.

A Constituição Dogmática Dei verbum do Concílio Vaticano II, recomenda vivamente a leitura assídua da Sagrada Escritura. Exorta todos os fiéis cristãos, religiosos e consagrados a esta frequente leitura (DV, 25). Como seria possível viver sem o conhecimento das Escrituras, se é por elas que se aprende a conhecer o próprio Cristo? Se de um lado a Bíblia nos ajuda a conhecer mais a figura e a pessoa de Cristo; de outro, ela ajuda a entender e aprofundar aquilo que vivemos em Cristo, isto é, a decifrar o sentido de nossa vida cristã. Por isso, a leitura orante da Palavra de Deus, também chamada de sentido espiritual, nos ajuda a descobrir como a Palavra de Deus, dita em linguagem humana, continua a nos falar no hoje de nossas vidas. Aqui reside a inesgotável riqueza e atualidade da Palavra de Deus.

A cada leitura atenta da Bíblia, percebemos a inesgotável riqueza da Palavra de Deus. O povo cristão procura e encontra na Bíblia “o conhecimento de Deus e do homem e o jeito pelo qual o justo e misericordioso Deus trata com os homens” (DV, 15). Podemos dizer que ela é a revelação da graça e da misericórdia de Deus (DV, 2).

A importância e significado primeiro da Bíblia está no fato de Deus se revelar, isto é, de se dar a conhecer no diálogo que estabelece conosco. Ele nos fala como a amigos e nos convida para a comunhão com Ele. Mas não podemos nos esquecer que uma autêntica leitura da Bíblia deve ser sempre acompanhada pela oração, a fim de que se estabeleça o já mencionado colóquio entre Deus e nós. Neste sentido é que vemos crescer cada vez mais entre os fiéis a leitura orante da Bíblia. No silêncio e na oração, ouvimos Deus que nos fala. Assim, o mesmo Espírito que falou por meio dos Profetas, sustenta e inspira a Igreja no dever de anunciar esta mesma palavra acolhida e meditada. O testemunho e o anúncio da Palavra de Deus são a melhor forma de o homem responder à iniciativa de Deus que vem ao seu encontro e dialoga através de suas palavras (VD, 24).

Neste ano a conferência episcopal dos Bispos, através da Comissão Episcopal para a animação Bíblico-catequética, nos convida a ler e meditar a Carta de São Paulo aos Romanos, com o lema: “A esperança não decepciona” (Rm 5, 5). A escolha da carta paulina visa aprofundar o tema da esperança cristão no ano jubilar. O livro proposto ajuda as comunidades eclesiais a tomarem consciência e verem um itinerário espiritual pautado na virtude da esperança cristã, tão necessária no mundo de hoje em conflito e de acentuado materialismo. Viver a esperança iluminada pela fé, significa viver em Cristo, segundo o Espírito. Todo batizado deve semear a esperança com ardor testemunhal. Uma esperança que não decepciona porque está enraizada em Cristo, esperança e resposta para todas as indagações e desafios humanos.

Cada fiel, pelo batismo, é revestido de uma nova humanidade, pois renascemos com Cristo para uma vida nova. Quando escutamos e seguimos a Palavra de Deus, somos chamados a viver na graça que nos torna homens e mulheres novos, redimidos pelo amor misericordioso daquele que se entregou por nós e nos fez todos irmãos e irmãs.

Que o semear da Palavra de Deus encontre terrenos férteis, a fim de fecundar o coração de todos, favorecendo o surgimento de uma humanidade renovada pelo dom do amor e da esperança, aberta a Deus pela força de sua graça e de seu Espírito.

 

 Dom Pedro Cunha Cruz

Bispo Diocesano de Nova Friburgo-RJ

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O Papa recorda os mártires

terça-feira, 16 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Em memória dos novos mártires, Leão XIV recorda aqueles que testemunharam “a fé sem nunca usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força fraca e mansa do Evangelho”. Assim como a Irmã Dorothy Stang, "empenhada na causa dos sem-terra na Amazônia: quando aqueles que se preparavam para matá-la lhe perguntaram se estava armada, ela mostrou-lhes a Bíblia, respondendo: «Esta é a minha única arma»”.

Em memória dos novos mártires, Leão XIV recorda aqueles que testemunharam “a fé sem nunca usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força fraca e mansa do Evangelho”. Assim como a Irmã Dorothy Stang, "empenhada na causa dos sem-terra na Amazônia: quando aqueles que se preparavam para matá-la lhe perguntaram se estava armada, ela mostrou-lhes a Bíblia, respondendo: «Esta é a minha única arma»”.

Neste domingo, 14 de setembro, Festa da Exaltação da Santa Cruz para muitos cristãos do Oriente e do Ocidente, o Papa Leão presidiu na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, uma celebração em memória dos novos mártires e testemunhas da fé do século XXI com a participação de representantes das Igrejas Ortodoxas, das Antigas Igrejas Orientais, das Comunhões cristãs e das Organizações ecumênicas que aceitaram o convite feito pelo Pontífice.

"Aos pés da cruz de Cristo, nossa salvação, descrita como a 'esperança dos cristãos' e a 'glória dos mártires'”, o Papa recordou dos "audaciosos servos do Evangelho" justamente com "o olhar voltado para o Crucificado", que 'tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores':

"Muitos irmãos e irmãs, ainda hoje, por causa do seu testemunho de fé em situações difíceis e contextos hostis, carregam a mesma cruz do Senhor: como Ele, são perseguidos, condenados, mortos. [...]. São mulheres e homens, religiosos e religiosas, leigos e sacerdotes, que pagam com a vida a fidelidade ao Evangelho, o compromisso com a justiça, a luta pela liberdade religiosa onde ela ainda é violada, a solidariedade com os mais pobres. Segundo os critérios do mundo, eles foram 'derrotados'. Na realidade, como nos diz o Livro da Sabedoria: «Se aos olhos dos homens foram castigados, a sua esperança estava cheia de imortalidade»."

A esperança desarmada dos mártires da fé

Durante o Ano Jubilar, continuou o Papa a cerca de quatro mil pessoas presentes na basílica, celebramos "a esperança destes corajosos testemunhos de fé":

"É uma esperança cheia de imortalidade, porque o seu martírio continua a difundir o Evangelho num mundo marcado pelo ódio, pela violência e pela guerra; é uma esperança cheia de imortalidade, porque, apesar de terem sido mortos no corpo, ninguém poderá silenciar a sua voz ou apagar o amor que deram; é uma esperança cheia de imortalidade, porque o seu testemunho permanece como profecia da vitória do bem sobre o mal. Sim, a deles é uma 'esperança desarmada'. Eles testemunharam a fé sem nunca usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força frágil e mansa do Evangelho."

Leão XIV recorda Irmã Dorothy Stang morta no Pará

O Papa Leão, então, procurou dar alguns exemplos dos mártires, porque seriam muitos, já que, "infelizmente, apesar do fim das grandes ditaduras do século XX, ainda hoje não acabou a perseguição aos cristãos; pelo contrário, em algumas partes do mundo, aumentou". Ele citou o Padre Ragheed Ganni, sacerdote caldeu de Mossul, no Iraque, que renunciou à luta para testemunhar como se comporta um verdadeiro cristão; o Irmão Francis Tofi, anglicano e membro da Melanesian Brotherhood, que deu a vida pela paz nas Ilhas Salomão; e também foi ao Brasil para recordar a religiosa americana que lutou durante décadas na região amazônica contra o desmatamento e pelos direitos dos pequenos agricultores e trabalhadores:

“Penso na força evangélica da Irmã Dorothy Stang, empenhada na causa dos sem-terra na Amazônia: quando aqueles que se preparavam para matá-la lhe perguntaram se estava armada, ela mostrou-lhes a Bíblia, respondendo: «Esta é a minha única arma».”

Dorothy Stang tinha 73 anos quando foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005. A religiosa em missão no Brasil por quase 40 anos, morreu com a Bíblia na mão. E essas mortes, disse o Papa, "não podemos, não queremos esquecer. Queremos recordar". E Leão XIV acrescentou: e "queremos preservar a memória juntamente com os nossos irmãos e irmãs das outras Igrejas e Comunidades cristãs. Desejo, portanto, reiterar o compromisso da Igreja Católica em guardar a memória dos testemunhos da fé de todas as tradições cristãs".

A Comissão para os Novos Mártires no Vaticano

O Pontífice enalteceu, assim, o trabalho desenvolvido pela Comissão para os Novos Mártires instituído pelo Papa Francisco em 2023, junto ao Dicastério para as Causas dos Santos, que colabora com o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Desde então, mais de 1600 mártires do século XXI foram reconhecidos pelo Vaticano, num testemunho que "é mais eloquente do que quaisquer palavras: a unidade vem da Cruz do Senhor".

Queridos irmãos, um pequeno paquistanês, Abish Masih, morto num atentado contra a Igreja Católica, tinha escrito no seu caderno: «Making the world a better place», «tornar o mundo um lugar melhor». Que o sonho desta criança nos incentive a testemunhar com coragem a nossa fé, para sermos juntos fermento de uma humanidade pacífica e fraterna.

Fonte: Vatican New

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