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Ano Jubilar franciscano

terça-feira, 20 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Última parte

Olhar o mundo com novos olhos

O Papa Francisco, a oração e a Igreja: foi o que disse frei Trovarelli, destacando a importância do lugar teológico da experiência de fé do Pobrezinho. Nesses espaços, “antes mesmo de uma plena consciência eucarística, seu coração aprende a orar, e dessa oração brota sua forma de crer: “Lex orandi, lex credendi”. Onde se ergue uma Igreja ou uma cruz, “ele reconhece uma humilde epifania do Mistério e um convite à adoração.

Última parte

Olhar o mundo com novos olhos

O Papa Francisco, a oração e a Igreja: foi o que disse frei Trovarelli, destacando a importância do lugar teológico da experiência de fé do Pobrezinho. Nesses espaços, “antes mesmo de uma plena consciência eucarística, seu coração aprende a orar, e dessa oração brota sua forma de crer: “Lex orandi, lex credendi”. Onde se ergue uma Igreja ou uma cruz, “ele reconhece uma humilde epifania do Mistério e um convite à adoração.

Assim, a oração na, com e da Igreja torna-se para Francisco o princípio hermenêutico da fé e um chamado a renovar nossa vida no Espírito”. Então Francisco e a fraternidade que ele é, explicou a irmã Daisy, “entrar em relação com Cristo numa multiplicidade de relações interpessoais”; seu exemplo “nos ajuda a olhar o mundo com novos olhos, reconhecendo em cada criatura o reflexo de um amor maior e a redescobrir a fraternidade universal e a viver em harmonia com todos”.

Um testamento de reconciliação e fraternidade

Kauser deteve-se no significado do trabalho para São Francisco, como dom, graça, realização de uma vida digna. Frei Genuin recordou que no Testamento o “Pobrezinho” encontra a chave para construir a paz: a coragem do perdão, da reconciliação, da misericórdia. Por fim, a bênção, “testamento espiritual que Francisco nos entrega”, disse frei Fusarelli, “dom do alto que pede para se tornar carne através da prática do bem”, do Sumo Bem. “Eis, Pai, que deixo o mundo e vou para Cristo”, depositado “nu sobre a terra nua”. Com coração livre e humilde, acolheu a “irmã morte corporal” como amiga. E seu Testamento permaneceu como legado de reconciliação e profecia de fraternidade.

Um Ano Jubilar Franciscano especial

Ao final da cerimônia, foi lida a mensagem enviada por Leão XIV e Dom Sorrentino, visivelmente emocionado, anunciou seu sucessor à frente da diocese, na pessoa do arcebispo Dom Felice Accrocca. Foi também comunicada a promulgação do decreto pelo qual o Papa institui um Ano Jubilar Franciscano especial, de 10 de janeiro de 2026 a 10 de janeiro de 2027, durante o qual todos os fiéis cristãos são convidados a seguir o exemplo do Santo de Assis, tornando-se modelos de santidade de vida e testemunhas incansáveis da paz.

A Penitenciaria Apostólica concede a indulgência plenária, nas condições habituais, a todos aqueles que participarem devotamente deste Jubileu extraordinário, que representa uma continuação ideal do Jubileu Ordinário de 2025. Este Ano Jubilar é dirigido de modo particular aos membros das Famílias Franciscanas da Primeira, Segunda e Terceira Ordens Regulares e Seculares, bem como aos Institutos de vida consagrada, às Sociedades de vida apostólica e às Associações que observam a Regra de São Francisco ou se inspiram na sua espiritualidade.

No entanto, a graça deste ano especial se estende também a todos os fiéis, sem distinção, que, com o coração desligado do pecado, visitarem em forma de peregrinação qualquer igreja conventual franciscana ou local de culto dedicado a São Francisco em qualquer parte do mundo. Os idosos, os doentes e aqueles que, por motivos graves, não podem sair de casa, poderão igualmente obter a indulgência plenária unindo-se espiritualmente às celebrações jubilares e oferecendo a Deus suas orações, suas dores e seus sofrimentos.

Fonte: Vatican News

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Ano Jubilar franciscano

terça-feira, 13 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

“Hic michi viventi lectus fuit et morenti”, aqui foi minha cama, tanto em vida quanto na morte.

“Hic michi viventi lectus fuit et morenti”, aqui foi minha cama, tanto em vida quanto na morte. Das celebrações do aniversário da aprovação da Regra e do Natal de Greccio, em 2023, às celebrações do dom dos Estigmas em 2024, dos eventos para recordar a composição do Cântico das Criaturas em 2025, à abertura do VIII centenário da morte: no último sábado, 10, em Assis, mais precisamente na Basílica papal de Santa Maria dos Anjos, na Porziuncola, deu-se início à última etapa do grande caminho jubilar franciscano que culminará no dia 3 de outubro (dia da morte) e no dia 4 para a festa do santo. E a inscrição no livro que o “Pobrezinho” segura nas mãos no ícone de 1255, São Francisco entre dois anjos, excepcionalmente exposta na Porziuncola para a ocasião, representa um dos símbolos do falecimento, porque foi justamente aquela tábua de madeira pintada pelo pintor Mestre de São Francisco que acolheu e protegeu o corpo do Poverello em vida e, imediatamente após sua morte, como ele mesmo afirma.

A cerimônia

A cerimônia começou às 10h com a saudação do frei Massimo Travascio, guardião da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Porziuncola, e continuou com a procissão guiada pelo presidente do rito, frei Francesco Piloni, ministro provincial dos Frades Menores da Úmbria e da Sardenha, juntamente com os seis ministros gerais, ou seja, frei Massimo Fusarelli (Frades Menores), frei Carlos Alberto Trovarelli (Frades Menores Conventuais), frei Roberto Genuin (Frades Menores Capuchinhos), Tibor Kauser (Ordem Franciscana Secular), frei Amando Trujillo Cano (Terceira Ordem Regular) e irmã Daisy Kalamparamban, presidente da Conferência Franciscana Internacional dos Irmãos e Irmãs da Terceira Ordem Regular. Imediatamente, um gesto cheio de significado: o arcebispo-bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino e de Foligno, Domenico Sorrentino, e o prefeito de Assis, Valter Stoppini, dirigiram-se à Capela do Transito segurando uma vela apagada nas mãos, que depois foi acesa na Vela Pascal, símbolo de Cristo ressuscitado.

A partir daí, a luz foi levada às seis estações laterais da basílica, cada uma delas confiada a um dos seis ramos da família franciscana. A procissão quis recordar a reconciliação entre o bispo Guido II e o podestà de Assis, Carsedonio, cantada por Francisco como profecia de paz. Para a ocasião, a Penitenciaria Apostólica concedeu a indulgência plenária.

O Papa Leão XIV quis saudar o evento com uma mensagem aos ministros gerais da Conferência da Família Franciscana, na qual escreve: “a paz é a soma de todos os bens de Deus, um dom que desce do Alto. Que ilusão seria pensar em construí-la apenas com as forças humanas”. O Pontífice assegurou que se uniria a todos aqueles que participariam das manifestações comemorativas e, em seguida, entregou uma oração dedicada ao Pobrezinho.

Alcançar as chagas dolorosas

Foi então o momento das reflexões. Por turnos, os ministros gerais dirigiram-se às seis estações laterais da basílica, percorrendo idealmente os passos cruciais do Testamento que São Francisco deixou aos seus frades antes de morrer, a sua herança espiritual. Misericórdia, oração, fraternidade, trabalho, paz e bênção foram os temas das meditações, acompanhadas por um texto das Fontes Franciscanas ou do Evangelho e pela escuta de um testemunho.

Como o Senhor convidou São Francisco a iniciar um caminho de penitência e conversão “com um coração capaz de abraçar a humanidade sofredora, em vez de ignorá-la ou rejeitá-la”, disse frei Trujillo Cano, assim hoje ele nos exorta a “superar as resistências pessoais e comunitárias para poder alcançar aqueles que carregam feridas dolorosas no corpo e no espírito, excluídos do bem-estar material, cultural e espiritual, para compartilhar com eles a consolação de Deus e o amor de uma comunidade capaz de se tornar próxima”.

Continua na próxima semana

Fonte: Vatican News

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O papel das religiões

terça-feira, 06 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Parte 2

Parte 2

 "A bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança. O mistério da Encarnação, que tem o seu ponto mais extremo de esvaziamento na descida aos infernos, começa no ventre de uma jovem mãe e manifesta-se na manjedoura de Belém. «Paz na terra», cantam os anjos, anunciando a presença de um Deus indefeso, pelo qual a humanidade só pode descobrir-se amada cuidando d’Ele. Nada tem a capacidade de mudar-nos mais do que um filho. E talvez seja justamente o pensamento nos nossos filhos, nas crianças e também naqueles que são frágeis como elas, que nos traspassa o coração", escreve o Papa.

O Papa Leão ressalta que "São João XXIII foi o primeiro a introduzir a perspectiva de um desarmamento integral, alcançado somente através da renovação do coração e da inteligência", descrito na Carta encíclica Pacem in terris.

 Segundo Leão XIV, as religiões devem vigiar "sobre a crescente tentativa de transformar em armas até mesmo pensamentos e palavras. As grandes tradições espirituais, assim como o reto uso da razão, fazem-nos ir além dos laços de sangue e étnicos, ou daquelas fraternidades que reconhecem apenas quem é semelhante e rejeitam quem é diferente. Hoje, vemos como isso não é óbvio. Infelizmente, faz parte do panorama contemporâneo, cada vez mais, arrastar as palavras da fé para o embate político, abençoar o nacionalismo e justificar religiosamente a violência e a luta armada. Os fiéis devem refutar ativamente, antes de tudo com a sua vida, estas formas de blasfêmia que obscurecem o Santo Nome de Deus. Por isso, juntamente com a ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas. Em todo o mundo, é desejável que «cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão». Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa".

Importância da dimensão política

"Por outro lado, isso não deve desviar a atenção de todos da importância da dimensão política", recorda o Papa Leão, lembrando um trecho da Pacem in terris que afirma que os que são chamados a assumir responsabilidades públicas, nos mais altos e qualificados cargos, devem investigar «a fundo qual a melhor maneira de se chegar à maior harmonia das comunidades políticas no plano mundial; harmonia, repetimos, que se baseia na confiança mútua, na sinceridade dos tratados e na fidelidade aos compromissos assumidos. Examinem de tal maneira todos os aspectos do problema para encontrarem no nó da questão, a partir do qual possam abrir caminho a um entendimento leal, duradouro e fecundo». "É o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais", sublinha.

"Hoje, a justiça e a dignidade humana estão, mais do que nunca, expostas aos desequilíbrios de poder entre os mais fortes", escreve ainda Leão XIV, destacando a necessidade de "motivar e apoiar todas as iniciativas espirituais, culturais e políticas que mantenham viva a esperança, combatendo a difusão de «atitudes fatalistas a respeito da globalização, como se as dinâmicas em ato fossem produzidas por forças impessoais anônimas e por estruturas independentes da vontade humana». Se, efetivamente, «a melhor maneira de dominar e avançar sem entraves é semear o desânimo e despertar uma desconfiança constante, mesmo disfarçada por detrás da defesa de alguns valores», deve se contrapor a tal estratégia o desenvolvimento de sociedades civis conscientes, de formas de associativismo responsável, de experiências de participação não violenta, de práticas de justiça restaurativa em pequena e grande escala. Leão XIII já o salientava claramente na Encíclica Rerum novarum: «A experiência que o homem adquire todos os dias da exiguidade das suas forças, obriga-o e impele-o a agregar-se a uma cooperação estranha. É nas Sagradas Letras que se lê esta máxima: “Mais valem dois juntos que um só, pois tiram vantagem da sua associação. Se um cai, o outro sustenta-o. Desgraçado do homem só, pois; quando cair, não terá ninguém que o levante”. E esta outra: “O irmão que é ajudado por seu irmão, é como uma cidade forte”» ".

Fruto do Jubileu

 "Que isso seja um fruto do Jubileu da Esperança, que levou milhões de seres humanos a redescobrirem-se peregrinos e a iniciarem em si mesmos aquele desarmamento do coração, da mente e da vida, ao qual Deus não tardará em responder, cumprindo as suas promessas", conclui o Papa Leão.

FONTE: VATICAN NEWS

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Leão XIV: mensagem de paz

terça-feira, 30 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Parte 1

Foi divulgada, nesta quinta-feira (18/12), a mensagem do Papa Leão XIV para o 59° Dia Mundial da Paz que será celebrado em 1° de janeiro sobre o tema "A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante".

Parte 1

Foi divulgada, nesta quinta-feira (18/12), a mensagem do Papa Leão XIV para o 59° Dia Mundial da Paz que será celebrado em 1° de janeiro sobre o tema "A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante".

O Papa inicia sua mensagem com uma "antiga saudação, presente ainda hoje em muitas culturas", mas que "ganhou novo vigor nos lábios de Jesus ressuscitado na noite de Páscoa": “A paz esteja convosco!”. Esta "sua Palavra que não só deseja, mas realiza uma mudança definitiva naqueles que a acolhem e, consequentemente, em toda a realidade".         "Por isso, os sucessores dos Apóstolos exprimem todos os dias e em todo o mundo a revolução mais silenciosa: A paz esteja convosco!”.

“Desde a noite da minha eleição como Bispo de Roma, quis inserir a minha saudação neste anúncio coral. E desejo reiterá-lo: esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente", escreve o Papa.

"Cristo, nossa paz. A sua presença, o seu dom e a sua vitória reverberam na perseverança de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais perceptível e luminosa na escuridão dos tempos", ressalta Leão XIV.

A paz tem o sopro da eternidade

 "A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena “basta!”, à paz se suplica “para sempre”. O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite", escreve ainda o Papa Leão na mensagem.

Segundo o Pontífice, "Santo Agostinho exortava os cristãos a estabelecerem uma amizade indissolúvel com a paz, para que, guardando-a no íntimo do próprio espírito, pudessem irradiar o calor luminoso ao seu redor. Dirigindo-se à sua comunidade, ele escreveu: «Se quereis atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de vós a luz acesa»".

A paz é uma presença e um caminho

"Antes de ser um objetivo, a paz é uma presença e um caminho. Mesmo que seja contestada dentro e fora de nós, como uma pequena chama ameaçada pela tempestade, guardemo-la sem esquecer os nomes e as histórias daqueles que a testemunharam. É um princípio que orienta e determina as nossas escolhas", ressalta o Papa.

"O caminho de Jesus continua sendo motivo de perturbação e medo. E Ele repete com firmeza àqueles que gostariam de defendê-lo: «Mete a espada na bainha». A paz de Jesus ressuscitado é desarmada, porque desarmada foi a sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais. Os cristãos devem tornar-se, juntos, testemunhas proféticas desta novidade, conscientes das tragédias das quais muitas vezes foram cúmplices.

A grande parábola do juízo universal convida todos os cristãos a, conscientemente, agir com misericórdia. E, ao fazê-lo, encontrarão ao seu lado irmãos e irmãs que, por caminhos diferentes, souberam ouvir a dor dos outros e se libertaram interiormente do engano da violência", escreve Leão XIV em sua mensagem.

Aumento das despesas militares

De acordo com o Pontífice, "se a paz não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida doméstica, quanto na vida pública". "A força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força", escreve o Papa, ressaltando que "em 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 bilhões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial".

Segundo Leão XIV, "os novos desafios devem ser enfrentados atualmente não só com um enorme esforço econômico para o rearmamento, mas também com um realinhamento das políticas educativas".

O Papa recorda no texto que "sessenta anos atrás, o Concílio Vaticano II chegava à sua conclusão com a consciência da urgência de um diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo. Ao reiterar o apelo dos Padres conciliares e considerando o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis, constatamos que os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar radicalizaram a tragédia dos conflitos armados. Está sendo delineado até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas. É uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida. É preciso denunciar as enormes concentrações de interesses económicos e financeiros privados que estão a empurrar os Estados nessa direção; mas isso não é suficiente, se ao mesmo tempo não for promovido o despertar das consciências e do pensamento crítico. A Encíclica Fratelli tutti apresenta São Francisco de Assis como exemplo desse despertar".

Continua na próxima semana.

Fonte: Vatican News

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O Natal de Jesus: simplicidade e humildade

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, na segunda-feira, 22, os funcionários da Cúria Romana, do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e do Vicariato de Roma, com suas famílias, por ocasião das felicitações de Natal.

Primeiro encontro do Papa com os seus funcionários

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, na segunda-feira, 22, os funcionários da Cúria Romana, do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e do Vicariato de Roma, com suas famílias, por ocasião das felicitações de Natal.

Primeiro encontro do Papa com os seus funcionários

O Santo Padre iniciou o seu discurso com as seguintes palavras: “Agradeço pelas calorosas saudações e, acima de tudo, agradeço por terem vindo a este encontro natalino. É a primeira vez que encontro todos vocês juntos, incluindo muitos dos seus familiares, e isso me deixa muito feliz!”

Leão XIV aproveitou a ocasião para agradecer a cada um "pelo trabalho que realizam". "Estou aprendendo a conhecer o Vaticano como um grande mosaico de escritórios e serviços e, aos poucos, com a ajuda de Deus, acredito que poderei encontrá-los, visitando os diversos ambientes de trabalho", sublinhou.

Presença mansa e humilde do Menino Jesus

O Papa disse estar feliz por este momento familiar propiciado pelo Natal. "Vivemos isso diante do presépio, que também está presente aqui, neste presépio doado pela Costa Rica", ressaltou.

"No presépio, o imaginário popular frequentemente inclui muitas figuras da vida cotidiana, que povoam o espaço ao redor da gruta. Assim, além dos inevitáveis pastores, protagonistas do evento segundo o Evangelho, podemos encontrar figuras representando diversas profissões: o ferreiro, o hospedeiro, a lavadeira, o amolador de facas, e assim por diante. Naturalmente, são profissões antigas: algumas desapareceram ou se transformaram completamente. Contudo, elas conservam seu significado dentro do presépio. Elas nos lembram que todas as nossas atividades, nossas ocupações diárias, adquirem seu pleno significado no plano de Deus, que tem seu centro em Jesus Cristo", disse Leão XIV.

O Santo Padre também destacou: “É como se o Menino Jesus, da manjedoura onde repousa, abençoasse tudo e todos. Sua presença mansa e humilde espalha a ternura de Deus por toda parte. Enquanto Maria e José adoram o Menino e os pastores se aproximam maravilhados, os outros personagens seguem com suas atividades diárias. Parecem alheios ao evento central, mas não é assim: na realidade, cada pessoa participa exatamente como está, permanecendo em seu lugar e fazendo o que lhe cabe, seu trabalho.”

 Simplicidade e humildade de Jesus

Ainda de acordo com o Papa, "o mesmo pode acontecer conosco, em nossos dias de trabalho: cada um de nós realiza sua tarefa e louva a Deus justamente por fazê-la bem, com dedicação. Às vezes, estamos tão absorvidos pelas tarefas que não pensamos no Senhor ou na Igreja, mas no próprio ato de trabalhar com dedicação, esforçando-nos para dar o melhor e também — para vocês, leigos — com amor pela família, pelos filhos, isso glorifica o Senhor".

“Queridos irmãos, aprendamos com o Natal de Jesus o estilo da simplicidade e da humildade, e façamos, todos juntos, que este se torne cada vez mais o estilo da Igreja, em todas as suas expressões. Por favor, transmitam também as minhas saudações aos seus entes queridos em casa; especialmente aos idosos ou doentes, digam-lhes que o Papa está rezando por eles. Desejo-os um santo Natal, na alegria e serenidade que Jesus nos dá.”

Fonte: Vatican News

 
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O Natal de Jesus: simplicidade e humildade

terça-feira, 23 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, na segunda-feira, 22, os funcionários da Cúria Romana, do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e do Vicariato de Roma, com suas famílias, por ocasião das felicitações de Natal.

Primeiro encontro do Papa com os seus funcionários

O Papa Leão XIV recebeu em audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, na segunda-feira, 22, os funcionários da Cúria Romana, do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e do Vicariato de Roma, com suas famílias, por ocasião das felicitações de Natal.

Primeiro encontro do Papa com os seus funcionários

O Santo Padre iniciou o seu discurso com as seguintes palavras: “Agradeço pelas calorosas saudações e, acima de tudo, agradeço por terem vindo a este encontro natalino. É a primeira vez que encontro todos vocês juntos, incluindo muitos dos seus familiares, e isso me deixa muito feliz!”

Leão XIV aproveitou a ocasião para agradecer a cada um "pelo trabalho que realizam". "Estou aprendendo a conhecer o Vaticano como um grande mosaico de escritórios e serviços e, aos poucos, com a ajuda de Deus, acredito que poderei encontrá-los, visitando os diversos ambientes de trabalho", sublinhou.

Presença mansa e humilde do Menino Jesus

O Papa disse estar feliz por este momento familiar propiciado pelo Natal. "Vivemos isso diante do presépio, que também está presente aqui, neste presépio doado pela Costa Rica", ressaltou.

"No presépio, o imaginário popular frequentemente inclui muitas figuras da vida cotidiana, que povoam o espaço ao redor da gruta. Assim, além dos inevitáveis pastores, protagonistas do evento segundo o Evangelho, podemos encontrar figuras representando diversas profissões: o ferreiro, o hospedeiro, a lavadeira, o amolador de facas, e assim por diante. Naturalmente, são profissões antigas: algumas desapareceram ou se transformaram completamente. Contudo, elas conservam seu significado dentro do presépio. Elas nos lembram que todas as nossas atividades, nossas ocupações diárias, adquirem seu pleno significado no plano de Deus, que tem seu centro em Jesus Cristo", disse Leão XIV.

O Santo Padre também destacou: “É como se o Menino Jesus, da manjedoura onde repousa, abençoasse tudo e todos. Sua presença mansa e humilde espalha a ternura de Deus por toda parte. Enquanto Maria e José adoram o Menino e os pastores se aproximam maravilhados, os outros personagens seguem com suas atividades diárias. Parecem alheios ao evento central, mas não é assim: na realidade, cada pessoa participa exatamente como está, permanecendo em seu lugar e fazendo o que lhe cabe, seu trabalho.”

Simplicidade e humildade de Jesus

Ainda de acordo com o Papa, "o mesmo pode acontecer conosco, em nossos dias de trabalho: cada um de nós realiza sua tarefa e louva a Deus justamente por fazê-la bem, com dedicação. Às vezes, estamos tão absorvidos pelas tarefas que não pensamos no Senhor ou na Igreja, mas no próprio ato de trabalhar com dedicação, esforçando-nos para dar o melhor e também — para vocês, leigos — com amor pela família, pelos filhos, isso glorifica o Senhor".

“Queridos irmãos, aprendamos com o Natal de Jesus o estilo da simplicidade e da humildade, e façamos, todos juntos, que este se torne cada vez mais o estilo da Igreja, em todas as suas expressões. Por favor, transmitam também as minhas saudações aos seus entes queridos em casa; especialmente aos idosos ou doentes, digam-lhes que o Papa está rezando por eles. Desejo-os um santo Natal, na alegria e serenidade que Jesus nos dá.”

Fonte: Vatican News

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Carta Pastoral sobre o Sacramento da Penitência

terça-feira, 16 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Última parte

6. A celebração individual do sacramento da Penitência

Para que a celebração do Sacramento da Penitência seja bem vivida, é imprescindível que se distinga confissão de aconselhamento ou direção espiritual. O momento da confissão é exclusivo para isto: verbalizar os pecados cometidos e receber a absolvição e a penitência. Aconselhamento ou direção espiritual podem ser organizados para outros momentos na dinâmica do atendimento pastoral.

Última parte

6. A celebração individual do sacramento da Penitência

Para que a celebração do Sacramento da Penitência seja bem vivida, é imprescindível que se distinga confissão de aconselhamento ou direção espiritual. O momento da confissão é exclusivo para isto: verbalizar os pecados cometidos e receber a absolvição e a penitência. Aconselhamento ou direção espiritual podem ser organizados para outros momentos na dinâmica do atendimento pastoral.

O fiel que vai se confessar deve se preparar recorrendo ao Espírito Santo em um momento de oração e interiorização, examinando a sua consciência, à luz da graça de Deus, para detectar em que momentos se desviou ou descuidou daquilo que faz parte do estilo de vida cristã proposto por Jesus, tendo como elementos iluminadores o Evangelho, os dez Mandamentos da Lei de Deus, os Mandamentos da Igreja.

Uma vez identificados os pecados, aconselha-se que seja feita uma lista por escrito, para não ocorrer de se esquecer na hora do Sacramento, pois são perdoados os pecados apresentados como matéria necessária na confissão dos pecados cometidos.

Aproximando-se do sacerdote, o penitente dirá: "Padre, dai-me a vossa Bênção pois pequei! " O padre perguntará quanto tempo faz que a pessoa não se confessa e depois da resposta, desejando que possa fazer uma boa confissão, pedirá que diga os seus pecados. É importante que o confessor tenha a certeza de que a pessoa está arrependida verdadeiramente, podendo até lhe fazer esta pergunta: "Você está arrependido? " Já que sem o verdadeiro arrependimento e sincero desejo de corrigir a vida, não é possível dar a absolvição.

Posteriormente o confessor deve pedir que o fiel reze o Ato de Contrição, que pode ser espontâneo ou uma das fórmulas que compõem o patrimônio da piedade da Igreja. Oportunamente, nos lugares de atendimentos haja por escrito o Ato de Contrição para facilitar a recitação por parte dos penitentes, ou os confessores os ajudem a rezar caso não consigam sozinhos.

Estendendo a mão sobre a cabeça do penitente o confessor dirá a fórmula de absolvição tal qual se lê no número 4 (retirado do Ritual da Penitência), evitando criatividades ou acréscimos. A seguir, proporá a penitência, sem a qual um fiel nunca pode sair de uma confissão

7. A necessidade da confissão regular

O Sacramento da Penitência é um presente inestimável da Misericórdia Divina. A Igreja exorta seus filhos a buscarem este sacramento, recomendando que cada católico se confesse ao menos uma vez por ano. Convido cada um a fazer um exame de consciência sincero, reconhecendo a necessidade de buscar o perdão de Deus. A confissão não deve ser vista apenas como um dever, mas como um presente divino, uma oportunidade de renovar-se e recomeçar.

Entretanto, evite-se que a confissão tenha uma frequência escrupulosa, em que o penitente nunca se sinta agraciado pelo perdão de Deus, seja diante dos pecados presentes ou dos pecados já confessados em confissões anteriores.

8. O papel dos sacerdotes, a disponibilidade do sacramento e os mutirões de confissões

Neste Ano Santo, mais do que em outras épocas, os sacerdotes são chamados a um empenho ainda maior no atendimento das confissões. E missão do sacerdote ser ministro da misericórdia, oferecendo-se generosamente ao serviço do perdão.

Durante o tempo do advento ocorrem mutirões de confissões, no qual todos os sacerdotes estão disponíveis para acolher os penitentes. É aconselhável que não haja mutirões na segunda-feira, mas se for uma necessidade, em vista da organização, os padres, em espírito abnegado, abram mão de suas folgas, pois a reconciliação dos fiéis deve ser prioridade neste tempo.

Preparando cada mutirão, propõe-se que haja uma celebração penitencial. Ao final desta celebração, os confessores devem se dirigir aos lugares determinados para o atendimento individual de cada penitente.

Vale lembrar que o encontro e a convivência entre os sacerdotes neste tempo de mutirões enriquece a fraternidade presbiteral.

9. O sigilo sacramental e a confiança no perdão de Deus

É importante recordar que o sacramento da Penitência é revestido de absoluto sigilo. Nenhum sacerdote pode, em hipótese alguma, revelar o que escutou em confissão. Essa garantia deve dar aos fiéis total confiança para se aproximarem do confessionário sem medo ou hesitação. O que ali é confessado permanece protegido em um sacrário inviolável.

10. Um chamado à conversão e à vida nova

A confissão nos impulsiona à verdadeira conversão. Não basta apenas confessar os pecados, é preciso assumir o compromisso de uma vida nova. O perdão de Deus nos impulsiona a uma mudança concreta de atitudes, abandonando o pecado e vivendo segundo os ensinamentos de Cristo.

Neste Ano Santo de 2025 em que a Igreja nos convida a fortalecer nossa amizade com Deus e a buscar a Indulgência Plenária por meio da visita às igrejas indulgenciárias, abramos nosso coração à Misericórdia Divina.

A todos desejo frutuoso tempo de espera e conversão e experiência abundante da graça de Deus, como torrente inesgotável derramada sobre nós, ao enviar seu filho, Nosso Senhor, que morreu e ressuscitou para a nossa salvação!

  • Dom Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano de Nova Friburgo
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Carta Pastoral sobre o Sacramento da Penitência

terça-feira, 09 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, Chama Viva de nossa Esperança, saudação de Paz e Bênção!

Imersos na graça do Ano Jubilar de 2025, somos chamados a aprofundar nossa vida de fé, buscando intensamente a conversão do coração. A Igreja nos oferece um meio especial para esta mudança de vida, que cura em nós as feridas causadas pelo pecado e nos favorece a reconciliação com Deus e com os irmãos: o Sacramento da Penitência, dom precioso de Deus para restaurar nossa amizade consigo.

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, Chama Viva de nossa Esperança, saudação de Paz e Bênção!

Imersos na graça do Ano Jubilar de 2025, somos chamados a aprofundar nossa vida de fé, buscando intensamente a conversão do coração. A Igreja nos oferece um meio especial para esta mudança de vida, que cura em nós as feridas causadas pelo pecado e nos favorece a reconciliação com Deus e com os irmãos: o Sacramento da Penitência, dom precioso de Deus para restaurar nossa amizade consigo.

Neste tempo de graça, exorto todos os fiéis a uma vivência profunda da Confissão, buscando compreender a sua riqueza e importância na caminhada cristã.

Convido-os a aprofundarmos sobre alguns pontos que iluminam a reflexão acerca deste Sacramento:

1. Trata-se de um encontro com a Misericórdia Divina

O Sacramento da Penitência, também chamado de Confissão ou Reconciliação, é o caminho estabelecido por Cristo para que os pecadores possam retornar à comunhão com o Pai. Nele, encontramos e experimentamos a misericórdia infinita de Deus, que nos acolhe com amor e nos purifica de nossos pecados. Jesus instituiu este Sacramento ao confiar aos apóstolos o poder de perdoar os pecados (cf. Jo 20,23). É, portanto, um encontro pessoal com o Senhor, no qual, arrependidos, recebemos a graça restauradora que nos fortalece para seguir em busca da santidade.

Cada vez que nos aproximamos do confessionário, somos convidados a reconhecer nossa fragilidade, arrependendo-nos sinceramente e permitindo que a graça de Deus transforme nosso coração. A Confissão não é uma expressão de culpa, mas um passo decisivo rumo à santidade, pois, ao recebermos a absolvição de nossos pecados, somos fortalecidos para continuar nossa caminhada cristã.

Neste Sacramento, encontramos a paz que o mundo não pode dar, uma paz que nasce do encontro e reencontro com Deus e com nossa própria consciência purificada. A Confissão é um convite à humildade, à conversão e à esperança, pois nela somos renovados e impulsionados a viver a plenitude do Evangelho.

2.É um sinal da Misericórdia de Deus

A Igreja nos oferece, como sinal da infinita misericórdia de Deus, o Sacramento da Penitência. A Sagrada Escritura nos ensina que todos somos pecadores. Como afirma São João: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos" (IJo 1,8). O próprio Jesus nos ensinou a pedir: "Perdoa-nos os nossos pecados" (LC 11,4). Assim, a reconciliação com Deus é essencial para nossa caminhada de fé. A exemplo do Filho

Pródigo somos esperados, acolhidos, amados e perdoados por Deus (LC 15,11-32)

Embora o Batismo tenha apagado nosso pecado e suas penas, ele não eliminou a inclinação ao pecado, conhecida como "concupiscência". Por isso, a Igreja concede constantemente a graça do perdão por meio da Confissão, um meio eficaz para nos reaproximarmos de Deus e da comunidade eclesial.

3. Fundamentação e Instituição do Sacramento

A palavra "Penitência" acena para o arrependimento e dor pelo pecado cometido. Este Sacramento foi instituído pelo próprio Cristo ao conceder aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados: "Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados" (Jo 20,23). Assim, Cristo oferece ao homem a possibilidade de se reconciliar com Deus e com a Igreja, restaurando sua dignidade de filho de Deus, fragmentada pelo pecado.

4. Matéria e Forma do Sacramento

Diferentemente de outros Sacramentos, nos quais a matéria é claramente visível, como a água no Batismo ou o pão e o vinho na Eucaristia na Penitência, a matéria consiste nos atos do penitente verbalizados diante do sacerdote. O arrependimento e a confissão são essenciais para a validade do Sacramento, enquanto a penitência é necessária para sua plena eficácia.

A forma do sacramento está presente no gesto do sacerdote de estender a mão sobre a cabeça do fiel e pronunciar as palavras: "Deus Pai de misericórdia que pela morte e ressurreição de seu Filho reconciliou consigo o mundo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados te conceda, pelo ministério da Igreja, o Perdão e a Paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Essas palavras, ditas com a autoridade de Cristo, conferem ao penitente o perdão e a paz.

5. O Pecado e sua Dimensão Social

       O pecado não afeta apenas o indivíduo, mas também toda a Igreja. São João Paulo II, na Exortação Apostólica Reconciliação e Penitência, fala do "pecado social": "Todo o pecado se repercute, com maior ou menor veemência, com maior ou menor dano, em toda a estrutura eclesial e em toda a família humana". Por isso, a confissão também fortalece a comunidade cristã, restaurando a unidade ferida pelo pecado.

 

  • Continua na próxima terça-feira, 16

Dom Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano de Nova Friburgo

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Maria: Advento da graça de Deus

terça-feira, 02 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Toda a Igreja é chamada a seguir Jesus Cristo e o modelo é a sua Mãe que Ele nos deu como nossa Mãe, entregando-a, no alto da cruz, a nós, representados no apóstolo São João

Toda a Igreja é chamada a seguir Jesus Cristo e o modelo é a sua Mãe que Ele nos deu como nossa Mãe, entregando-a, no alto da cruz, a nós, representados no apóstolo São João

Ave Plena de Graça! Com este anúncio o Arcanjo Gabriel descortinava um novo cenário místico para toda a História da Salvação! E com o sim da jovem Virgem de Nazaré, o céu e a terra se encontravam num matrimônio libertador. No seu ventre sagrado, o chamado se transformava na encarnação do Verbo, Jesus Cristo, nosso Redentor. Maria era então o próprio advento da glória do Criador no seu plano de restauração de todo o cosmo e da humanidade, de todo horizonte natural e histórico, portal da esperança e da certeza de que o eterno se instaurou no tempo e o divino se humanizou para divinizar o humano.

Como no tempo litúrgico do advento, começava a confiante espera e o espírito de entrega ao mistério, na gravidez da fé, como a dócil Mãe na sua resposta humilde e despojada: “Eu sou a serva do Senhor. Faça-se em mim, segundo a sua palavra”. A forte e perseverante missionária que guardava tudo no silêncio do seu coração, acreditando que se cumpririam todas as promessas do Senhor. Maria, exemplo da espera resiliente e confiante, proativa na serenidade, fiel no serviço cotidiano da construção do Reino.

Toda a Igreja é chamada a seguir Jesus Cristo e o modelo é a sua Mãe que Ele nos deu como nossa Mãe, entregando-a, no alto da cruz, a nós, representados no apóstolo São João: “Filho, eis aí a tua mãe. Mãe, eis aí o teu filho.” Ela foi a primeira discípula missionária do seu Filho, que o concebeu primeiro no coração e só depois no ventre, como afirma Santo Agostinho, porque Ele já era a Palavra, o Verbo divino que ela acolhia como dedicada seguidora dos mandamentos, como filha de Sião, conhecedora das profecias sobre o Messias que nasceria de uma virgem e que se chamaria Emanuel – Deus conosco, conforme Isaías 7,14.

A grande novidade é que ela seria o cumprimento desta boa nova, a simples jovem de uma pequenina e pobre cidade do interior, o humilde que Deus escolhe para confundir e desbaratar o sistema dos que se julgam doutos e dominadores de tudo, centralizadores da relevância. Também esta espiritualidade deve ser seguida por toda a comunidade eclesial missionária: a da simplicidade e do escondimento, referenciando sempre Deus, como centro, Cristo e sua missão, instaurando o seu Reino de justiça e de paz, de verdade e de amor. A espiritualidade da humildade e da fortaleza no Senhor, como a casa sobre a rocha, sabedoria que sabe onde põe a sua fé e o sentido de sua vida e trabalho missionário.

Maria é sempre mais aquela estrela matutina que precede e anuncia o Sol de nossa salvação que é Jesus Cristo, seu filho amado, aquela estrela do mar que guia e orienta a todos nós, navegantes do barco da Igreja e do mundo, indo à frente, na singeleza e força de sinal d’Aquele que é o Senhor, o que nos liberta com seu poder, sua luz radiante de Graça e redenção.

É assim o advento vivo que nos prepara e ensina os caminhos da correspondência livre e amorosa, a total oferta da vida nas mãos de Deus, para servirmos como instrumentos humildes do plano maior da iluminação, do resgate, da promoção, do renascimento e salvação de tantos irmãos, vontade paternal do Senhor.

Caminhemos com Maria, como Maria, nestes tempos e clima espiritual do advento, preparando a recepção de Jesus nos nossos corações, concentrados no seu amor e sinalização de luz, interiorizados na dimensão do amor ao próximo, no grande significado da doação da cruz que já se faz presente no presépio, no esvaziamento missionário que já se ouve no glória contido e no ensaio do coro dos anjos para a festa natalina, no rebrilho transformador do coração d’Aquele que nascendo na Belém do mundo, quer nascer agora dentro de nós, num novo olhar, num novo sentir, numa revolução do amor fraterno!

Recebamos, com fé e caridade, alegria e paz, o maravilhoso Deus que vem até nós para encontrar os frutos do que já semeou, os talentos multiplicados dos dons que nos concedeu, a paz luminosa que dimana da sua própria presença em nosso meio. E digamos, então, com Maria, a Mãe da Igreja: “Maranatha” – “Vem, Senhor Jesus!” (Fonte: Vatican News)

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça – Diocese de Nova Friburgo

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Pastoral Afro e seu importante protagonismo

terça-feira, 25 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A pastoral Afro-Brasileira surgiu como fruto de um longo processo de conscientização e atuação de vários negros e negras que assumiram viver sua fé na Igreja, considerando a realidade da população afrodescendente no continente Latino-americano e, de modo específico, no Brasil.

A pastoral Afro-Brasileira surgiu como fruto de um longo processo de conscientização e atuação de vários negros e negras que assumiram viver sua fé na Igreja, considerando a realidade da população afrodescendente no continente Latino-americano e, de modo específico, no Brasil.

O pós-concílio foi um marco histórico que facilitou a criação de novos agentes desta pastoral. Em 1979, a Conferência de Puebla deu passos novos em continuidade ao espírito do Vaticano II, mostrando a necessidade de uma atenção maior aos pobres e, em especial, aos negros e negras que vivem discriminados e em situações desumanas (Puebla, n. 34).

A Campanha da Fraternidade de 1988, com o tema: “Fraternidade e o Negro” e o lema: “Ouvi o clamor deste povo”, alavancou a questão dos negros, retratando a sua situação tanto econômica quanto educacional, e as grandes desigualdades decorrentes destes aspectos. Isto quer dizer uma menor oportunidade de emprego e renda inferior à das pessoas brancas, como destaca o texto-base da CF 88 (pp. 8-16). A Campanha da Fraternidade chamou atenção para as situações das mulheres, menores e jovens negros, vítimas da discriminação, marginalização e violência, presentes ainda nos dias atuais. Na verdade, falta no Brasil uma democratização racial, que estabeleça os mesmos direitos e dignidade a todas as pessoas, independente da cor de sua pele (cf. números 246 e 249 da Conferência de Santo Domingos).

O Documento 85 da CNBB trata da exigência de uma ação evangelizadora, com novos métodos e expressões, onde faça chegar a missão da Igreja a estas pessoas vítimas de um racismo e desigualdade, isto é, com Parresia (uma coragem que vem da fé). 

A Pastoral Afro se ocupa em acolher, entender e ouvir os clamores destas pessoas à luz da Palavra de Deus e da Tradição da Igreja, sobretudo valorizando as suas expressões culturais (Doc. 85 e 100 CNBB, 263-264). Ela se propõe sensibilizar a Igreja, e por ela, toda a sociedade, para o problema racial e as questões afrobrasileiras; dando visibilidade a esta pastoral no conjunto das ações pastorais da Igreja. Promover a integração e articulação das pessoas, ajudando a construir uma sociedade mais justa e solidária. É urgência de uma Igreja a favor da vida. Ela vai aonde ninguém quer ir. Esta é uma das urgências mais bonitas da nossa Igreja.

O que já tem sido feito na nossa Igreja? A Igreja já tem várias iniciativas para apoiar os afro-brasileiros, como a Romaria da comunidade negra a Aparecida do Norte, o Congresso Nacional de entidades negras católicas (Conenc), Instituto Mariama

(articulação de bispos, presbíteros e diáconos negros; ex.: Encontro dos bispos afrodescendentes na Assembleia dos bispos todos os anos); além de encontros regionais e diocesanos.

 Há muitos projetos e atuações pastorais Afro que acontecem não só no âmbito da Igreja, como por exemplo, a Educafro (Frei David, OFM), pois a Igreja está atenta às exigências da sociedade civil e solidária às reinvindicações dos movimentos populares; como o trabalho de padres e leigos junto aos remanescentes dos quilombos do Brasil, luta por bolsas para ingressos em universidades, etc.

O objetivo geral da Pastoral Afro é estruturar e fortalecer os grupos de reflexão sobre a questão racial no Brasil à luz da Palavra de Deus e dos Documentos da Igreja, criando e apoiando os grupos nas paróquias e nas dioceses (Documento de Aparecida, números: 89, 91, 532 e 533).

Não podemos deixar de recordar a importante Nota da

Pastoral Afro-brasileira sobre “vidas negras importam” (05/06/2020). A nota afirma que não é possível calar-se diante dos processos históricos de banalização e destruição das vidas dos negros e negras. A Igreja ensina e exige o respeito e o cuidado com a vida.

O Papa Francisco, por ocasião da morte de George Floyd, disse: “Não podemos tolerar nem fechar os olhos diante de nenhuma forma de racismo ou exclusão e pretendemos defender o caráter sagrado de toda vida(...) me uno a todos para rezar pelo descanso da alma de George Floyd e de todos aqueles que perderam suas vidas por causa do pecado do racismo” (Santo Domingos, n. 243).

Que este Dia da Consciência Negra, celebrado na última quinta-feira, 20, tenha contribuído para nos conscientizar sobre os passos importantes que ainda devemos dar para a superação do “racismo estrutural”, persistente em vários setores da nossa sociedade.

No ano jubilar da Esperança, renovemos nossos bons propósitos, a fim de sonharmos com um mundo mais fraterno e igual para todos, onde o racismo seja uma sombra do passado sem atravessar as futuras gerações; e que o futuro seja construído com as raízes da igualdade e respeito à dignidade de cada pessoa, independente da cor e raça.

D. Pedro Cunha Cruz, bispo de Nova Friburg

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